quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Copom reduz juros pela primeira vez em quatro anos: qual o contexto e significado

Taxa Selic vai a 14% ao ano, mas mercado espera mais cortes nos próximos meses. Entenda o papel do Banco Central e da Selic no combate à inflação
O Banco Central confirmou as expectativas e reduziu a taxa básica de juros pela primeira vez desde outubro de 2012. Agora a Selic vai de 14,25% para 14% ao ano - naquela ocasião chegou a apenas 7,25%, e desde então só subiu.

A expectativa pela redução de juros vinha de empresários e do mercado financeiro, mas também de dentro do próprio governo.  No domingo (16), o ministro das Relações Exteriores, José Serra, disse na Índia que o Banco Central tinha as “condições” para fazer o corte. Nem o comentário incomum - já que o Copom tem autonomia operacional do governo para decidir a taxa - impediu a redução.

A tarefa principal do Banco Central brasileiro é controlar a inflação, e o instrumento ao seu dispor para fazer isso é a taxa de juros. Aumentando (ou mantendo alta) a Selic, a inflação tende a cair e vice-versa. Esse papel do banco de guardião do valor da moeda se tornou oficial desde a implantação do sistema de metas de inflação, em 1999, que dá autonomia a seus diretores para a decisão sobre os juros
O Banco Central confirmou as expectativas e reduziu a taxa básica de juros pela primeira vez desde outubro de 2012. Agora a Selic vai de 14,25% para 14% ao ano - naquela ocasião chegou a apenas 7,25%, e desde então só subiu.
A expectativa pela redução de juros vinha de empresários e do mercado financeiro, mas também de dentro do próprio governo.  No domingo (16), o ministro das Relações Exteriores, José Serra, disse na Índia que o Banco Central tinha as “condições” para fazer o corte. Nem o comentário incomum - já que o Copom tem autonomia operacional do governo para decidir a taxa - impediu a redução.
A tarefa principal do Banco Central brasileiro é controlar a inflação, e o instrumento ao seu dispor para fazer isso é a taxa de juros. Aumentando (ou mantendo alta) a Selic, a inflação tende a cair e vice-versa. Esse papel do banco de guardião do valor da moeda se tornou oficial desde a implantação do sistema de metas de inflação, em 1999, que dá autonomia a seus diretores para a decisão sobre os juros.
Para decidir diminuir a taxa Selic, o Banco Central se escora em sinais de recuo da inflação e em percepções sobre o nível de aquecimento da economia. A variação do IPCA, índice oficial de preços, de setembro foi a menor para o mês desde 1998 e o nível de ociosidade continua alto.
No fim de setembro, a instituição divulgou em seu Relatório Trimestral de Inflação que o objetivo é colocar a inflação abaixo do centro da meta de4,5% ao ano até o final de 2017. Isso não significa que os juros não voltarão a cair nos próximos meses. O mercado, no Relatório Focus, aposta que a taxa terminará 2017 em 11% ao ano.
O próprio Banco Central já deixou claros os fatores que vão pesar na continuidade da queda de juros no futuro.

O que vai interferir na trajetória de queda de juros

RITMO DA DESINFLAÇÃO DE PARTE DOS ITENS
O Banco Central observa que o processo de queda de preços que vinha ocorrendo com os componentes da inflação mais sensíveis à política monetária e ao ciclo econômico (como o setor de serviços) passa por uma pausa. Isso pode levar a uma convergência mais lenta da inflação à meta, e portanto em um ritmo mais lento de queda de juros.
REFORMAS DO GOVERNO
Uma das variáveis que influenciam a redução dos juros são as reformas estruturais e "ajustes necessários na economia". O Banco Central não coloca, no entanto, a aprovação das medidas no Congresso como pré-requisito para o início do ciclo de queda de juros e se mostra otimista quanto à implementação. O controle fiscal do governo impacta no combate à inflação, mas o processo de aprovação de medidas é longo e incerto, pondera o Copom.
INÉRCIA INFLACIONÁRIA
O Banco Central considera que dado que o país passou por um longo período com inflação alta, agentes do mercado podem manter suas expectativas quanto à inflação futura acima da meta. Isso pode causar uma inércia no processo de aumento de preços e retardar a desinflação, o que ralentaria também o ritmo de queda dos juros.

Regime de metas e o impacto dos juros na inflação e no crescimento

Em geral, inflação alta está ligada a crescimento alto. Quando as coisas vão bem as pessoas consomem mais e, se a oferta não acompanha o crescimento da demanda, há espaço para o aumento de preços, gerando inflação.
Crescimento alto é algo desejável, mas inflação alta não. Para lidar com esses dois objetivos conflitantes (controlar a inflação e estimular crescimento), mais de 20 países do mundo adotam o regime de metas de inflação, introduzido pela primeira vez pela Nova Zelândia em 1990.
Seus bancos centrais anunciam a meta de inflação que irão perseguir em prazo predeterminado e se comprometem a cumpri-la. Utilizam para isso a taxa de juros como instrumento e agem independentemente do governo (que em alguns casos ou momentos pode estar mais preocupado com o nível de empregos ou com o controle do câmbio do que com a inflação).
O sistema foi adotado pelo Brasil em 1999, quando o real passava por uma grande desvalorização frente ao dólar. Desde então, apenas em quatro anos a meta foi descumprida: 2001, 2002, 2003 e 2015 (e provavelmente em 2016).
O aumento dos juros pelo BC afeta o nível de demanda, consumo e o apetite para investimentos. Quando a taxa está mais alta, há menor propensão para comprar bens financiados e parte dos investimentos que seria viável deixa de ser pois o crédito está mais caro. Com o nível de atividade menor, a tendência é que a inflação caia, pois passa a haver excesso de oferta na economia. O oposto ocorre quando a taxa de juros é reduzida.

Por que as expectativas importam

O regime de metas é baseado em transparência. Uma comunicação clara e constante do BC reduz incertezas dos agentes econômicos. Credibilidade dá mais efetividade à política monetária.
Um comerciante que acredita que a inflação vai aumentar, aumenta os preços para manter sua margem de lucro. Quando essa reação acontece com um grande número de agentes econômicos, há uma pressão inflacionária. É uma profecia autorrealizável.
Há ainda um outro lado. Negócios feitos hoje têm como um dos parâmetros a taxa Selic - a de agora e as dos próximos anos. Por exemplo: antes de fazer um investimento arriscado, a pessoa pensa quanto ela vai ganhar a mais do que se investisse em títulos do governo, papéis seguros, que teriam o rendimento baseado na Selic.
Decisões de investimentos são tomadas em cima de expectativas para a taxa de juros no curto, médio e longo prazos. Por isso o mercado fica de olho nas decisões do Copom sobre a Selic. A ata e os outros mecanismos de comunicação tentam dar clareza ao processo de tomada de decisão e certificar os agentes de que o BC está comprometido com a meta de inflação.
Fonte:Nexo

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