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quarta-feira, 15 de julho de 2020

Senador denuncia Bolsonaro na ONU por descaso na proteção dos povos indígenas

Fabiano Contarato cita os vetos do presidente que tirou a obrigação de fornecer água potável e leitos a índios durante a pandemia
O documento assinado será enviado nesta terça-feira 14 para a sede da ONU em Genebra, na Suíça. Nele, Contarato cita os vetos do presidente na lei com medidas de proteção a povos indígenas em meio à pandemia. Entre vários pontos vetados, Bolsonaro tirou o trecho que obrigava o governo a fornecer aos povos indígenas “acesso a água potável” e “distribuição gratuita de materiais de higiene, limpeza e de desinfecção para as aldeias”.
O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) entrará com uma denuncia na Organização das Nações Unidas contra o presidente Jair Bolsonaro por descaso em proteger os povos indígenas durante a pandemia do novo coronavírus.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Contaminação de indígenas em Dourados partiu de frigorífico da JBS

Em 28 dias, na cidade do Mato Grosso do Sul onde fica a reserva mais populosa do país, contaminados por coronavírus aumentaram 3.500%


Todos os dias, ônibus de vários municípios da Grande Dourados, no Mato Grosso do Sul, desembarcam os mais de 4 mil funcionários da fábrica da JBS Foods Seara em Dourados, a 233 km da capital Campo Grande. Mais de 30 desses trabalhadores vivem na reserva indígena de Dourados, localizada a menos de 5 km do centro da cidade. Foram trabalhadores indígenas da JBS/Seara e seus familiares os primeiros infectados pelo coronavírus no território.
Todos os dias, ônibus de vários municípios da Grande Dourados, no Mato Grosso do Sul, desembarcam os mais de 4 mil funcionários da fábrica da JBS Foods Seara em Dourados, a 233 km da capital Campo Grande. Mais de 30 desses trabalhadores vivem na reserva indígena de Dourados, localizada a menos de 5 km do centro da cidade. Foram trabalhadores indígenas da JBS/Seara e seus familiares os primeiros infectados pelo coronavírus no território.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

História - Como é a organização política dos indígenas Eyiguayegui

Os Eyiguayegui foram descritos, desde o século 16, como povos fortemente hierarquizados. Segundo a maior parte dos relatos históricos, suas tolderias (habitações chaquenhas) eram divididas em três “estratos”: as dos senhores nobres, dos servos e dos escravos. Porém, as próprias descrições relativizam essa afirmação, mostrando escravos tratados com carinho, que não eram obrigados ao trabalho, servos voluntários, capitães que não comandavam e estatutos hereditários estabelecidos à força do caráter e das habilidades. Ou seja, ao mesmo tempo em que a estratificação social eyiguayegui era entendida como análoga à da Europa feudal, descrevia-se escravos que podiam ascender até mesmo à posição de nobre, o que aparece como uma grande contradição.O principal objetivo da pesquisa foi o de olhar criticamente os dados trazidos pelas fontes históricas sobre aquelas populações indígenas do ponto de vista europeu, que fundamentava suas interpretações. Meu esforço foi o de seguir as narrativas nelas presentes de modo a esmiuçar a construção de um regime epistêmico que lê as relações eyiguayegui como baseadas em uma hierarquia e em uma separação entre o “doméstico” e o “político”.
Esta pesquisa, realizada na Universidade de São Paulo, investiga a organização política de populações ameríndias no Chaco paraguaio e no Pantanal. Para isso, o trabalho recorre a reflexões da etnologia, à documentação colonial e às etnografias. 

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Fome, êxodo e suicídio: os problemas de São Gabriel da Cachoeira

Cidade mais indígena do país sofre com problemas históricos. Saiba como dois moradores de São Gabriel pretendem ajudar o município que carece de serviços essenciais
Localizado no extremo norte do estado do Amazonas, o município de São Gabriel da Cachoeira se faz conhecido por ser o local mais indígena do Brasil, com uma predominância de mais de 70% de povos tradicionais de diferentes comunidades ocupando os seus 109,185 km² de extensão.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Comissão aprova direito de indígena se expressar em juízo na sua própria língua

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias aprovou proposta que assegura aos índios o direito de se expressar em língua nativa durante a instrução de processos criminais. Foi aprovado o Projeto de Lei 2397/1, da deputada Erika Kokay (PT-DF).
Pelo texto, o índio acusado, vítima ou testemunha de infração penal poderá falar na língua do povo a que pertence e deverá ser acompanhado por intérprete nomeado pelo juízo.
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias aprovou proposta que assegura aos índios o direito de se expressar em língua nativa durante a instrução de processos criminais. Foi aprovado o Projeto de Lei 2397/1, da deputada Erika Kokay (PT-DF).

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Documentos da Cruz Vermelha revelam massacre de indígenas na ditadura

Trabalhos forçados, miséria e doenças levaram povos “à beira do extermínio” na década de 1970, registram informes confidenciais do Comitê Internacional da entidade


Num estado de saúde deplorável, aniquilados por doenças, uma miséria profunda e trabalhando como escravos para fazendeiros, povos indígenas inteiros estiveram próximos de desaparecer no final dos anos 60 e início da década de 70.
Isso é o que revelam informes confidenciais preparados pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha e que estiveram guardados por quase meio século de forma sigilosa em Genebra. Alguns povos passaram a praticar abortos diante da constatação de famílias de que não teriam como garantir a sobrevivência da nova geração.
Num estado de saúde deplorável, aniquilados por doenças, uma miséria profunda e trabalhando como escravos para fazendeiros, povos indígenas inteiros estiveram próximos de desaparecer no final dos anos 60 e início da década de 70.

sábado, 22 de outubro de 2016

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Candidatos indígenas eleitos em todas regiões do Brasil podem ser parte de uma futura bancada indígena

A tabela do Tribunal Superior Eleitoral não abrange todos candidatos pois em algumas regiões indígenas são cadastrados como pardos e outros. O Tribunal Superior Eleitoral informou que  0,34% candidatos que disputaram as eleições são indígenas declarados. Cerca de 28 disputaram o cargo de prefeito, 57 de vice-prefeito e 1.519 de vereador.
Indígenas foram eleitos nas regiões Norte, Nordeste, Centro - Oeste, Sul e Sudeste. Disputaram 1.604 candidatos declarados indígenas as eleições de 2016.

domingo, 28 de agosto de 2016

Trilha do Pico da Neblina deve ser reaberta com projeto de ecoturismo desenvolvido por indígenas Yanomami

O projeto Ecoturismo Yaripo, desenvolvido pelos Yanomami com o apoio do ISA, deve pôr um fim à restrição. A partir de 2018, a trilha deverá ser reaberta e a administrada pelos próprios Yanomami. Com acesso controlado, os turistas poderão aprender um pouco da cultura indígena, desfrutar de sua hospitalidade e se juntar na aliança em defesa dos direitos indígenas e da floresta amazônica.

Em meados de julho, foi concluída a primeira etapa do projeto: uma expedição composta por 32 pessoas caminhou durante 10 dias ao cume doYaripo, como os Yanomami chamam o Pico da Neblina, a fim de investigar e mapear as condições da trilha. Além de seu Carlos, 18 Yanomami integraram a equipe, sendo 16 rapazes e duas mulheres, Maria e Floriza. Eles estão se capacitando para fazer o monitoramento da trilha e trabalhar como guias, carregadores, cozinheiros, além de gerir empreendimento de ecoturismo que pretendem desenvolver ali. Também participaram da viagem representantes do ICMbio, Funai, Ministério Público Federal e Exército.
Se subir o Pico da Neblina já é uma experiência emocionante, imagine fazer esta caminhada guiado por um pajé Yanomami que viveu sua infância e adolescência bem pertinho da montanha?

domingo, 21 de agosto de 2016

Povos indígenas: lutar é conhecer nossos direitos

O Dia Internacional dos Povos Indígenas é comemorado anualmente em 9 de agosto.
O principal propósito desta data é lembrar a importância da conscientização sobre a inclusão dos povos indígenas nos direitos humanos, sendo que muitas vezes são marginalizados ou excluídos. Outra finalidade é garantir a preservação da cultura tradicional de cada um dos povos indígenas, como fonte primordial de sua identidade. O Dia Internacional dos Povos Indígenas ainda presta homenagem a todas as contribuições culturais e sabedorias milenares que esses povos transmitiram para as mais diversas civilizações no mundo.
De acordo com o senso demográfico de 2010, no Brasil existem mais de 800 mil indígenas, representando aproximadamente 305 etnias diferentes, com cerca de 274 línguas indígenas.
Esses dados mostram que no Brasil ainda existe uma cultura indígena muito forte e que deve ser preservada. Além do Dia Internacional dos Povos Indígenas, no Brasil ainda se comemora o Dia do Índio, em 19 de abril.
O Dia Internacional dos Povos Indígenas é comemorado anualmente em 9 de agosto.
O principal propósito desta data é lembrar a importância da conscientização sobre a inclusão dos povos indígenas nos direitos humanos, sendo que muitas vezes são marginalizados ou excluídos.

sábado, 20 de agosto de 2016

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Cícero renascido e olhares sobre um homem em percurso

Índio Badaróss, o artista que registra a Cracolândia, volta para Pernambuco depois de 10 anos sem dar notícias. O reencontro com o passado é testemunhado por amigos da São Paulo que ele marcou
Rodantes
Conhecemos Índio Badaróss durante o funcionamento da Casa Rodante pelo território da Luz. Casa Rodante é um projeto de ocupação em parceria da Casadalapa e Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, junto ao Projeto De Braços Abertos.

Entre crianças brincando ou desenhando, moradores e usuários plantando jardins e hortas urbanas, grafites e lambes pelas paredes, surgia, dia sim dia não, aquele carroceiro já famoso pelos seus quadros e pinturas pelas ruas de nossa vizinhança. A imagem de um forte em território de areias movediças, deserto de olhares, reflexos de vidros fechados, desconhecimento.

E assim chegou Badaróss, hoje um grande aliado em nossas andanças, tentativas de transformar olhares, ouvir as vozes, os cantos, as poesias e contos esquecidos. Chegou do nosso lado, sorriu ao nosso lado, pintou ao nosso lado, brindou-nos com suas prosas, cativou-nos com suas histórias. Badaróss, um grande artista, um artista que não me atrevo a ser, um artista de coração sem rédeas, um cavaleiro que carrega em sua carroça as lanças de Jorge a combater dragões de mantos invisíveis.
Vizinhos de uma cidade em pólvora. Em algum momento, três pessoas se cruzam na esquina contrária. Tudo se perpetua em um milésimo de segundo. E nada mais será o mesmo. Acompanhe aqui o relato de André Okuma sobre a volta do artista Índio Badaróss à sua terra natal.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Pressão derruba o “general da Funai”

Antes mesmo de tomar posse, mais um "notável" do covil golpista de Michel Temer é defenestrado. Desta vez foi o general da reserva Sebastião Roberto Peternelli, que havia sido indicado para presidir a Fundação Nacional do Índio (Funai).

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Hackers invadem computador do MP para descobrir informações de ataques à índigenas no MS

Uma das vertentes do Anonymous conseguiu ter acesso a mais de mil e-mails com 20 GB de informações sigilosas do MP-MS. A iniciativa é um repúdio a uma ação coordenada por fazendeiros da região no dia 14 de junho que resultou no assassinato do Guarani Kaiowa Clodiodi de Souza
Uma das vertentes do Anonymous conseguiu capturar informações sigilosas e ter acesso a dados importantes dos computadores do Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MP-MS) em protesto a uma ação coordenada por fazendeiros da região no dia 14 de junho que resultou no assassinato do Guarani Kaiowa Clodiodi de Souza, de 26 anos.

Em um post no Facebook, os ativistas dizem que tiveram acesso a mais de mil e-mails com 20 GB de informações sigilosas do MP-MS em repúdio ao que chamou de uma “ação paramilitar contra povos originários”.

“Além disso, diversos computadores do MP-MS também foram criptografados. Seus servidores de intranet e webmail ainda estão completamente fora do ar. Somente Anonymous possui as senhas”, diz a publicação.
Uma das vertentes do Anonymous conseguiu capturar informações sigilosas e ter acesso a dados importantes dos computadores do Ministério Público do Mato Grosso do Sul (MP-MS) em protesto a uma ação coordenada por fazendeiros da região no dia 14 de junho que resultou no assassinato do Guarani Kaiowa Clodiodi de Souza, de 26 anos.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Aldeia Kaiowá foi carbonizada e novo ataque pode ocorrer durante o Carnaval

Após outro violento ataque perpetrado por pistoleiros, com uma aldeia Guarani Kaiowá inteira incendiada, no tekoha [lugar onde se é] Kurussu Ambá, em Coronel Sapucaia [Estado do Mato Grosso do Sul], cerca de 80 famílias indígenas que fugiram já retornaram ao local e começam a construir suas casas destruídas.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Conheça a série Kwatiara: sabedorias indígenas para uma nova era

São 02 livros digitais infantis indígenas. Ufa, parece muita informação? Mas nós também ainda não encontramos a ordem certa, só sabemos que, neste caso, a ordem dos fatores também não altera o resultado. Esse que é um só, mas dividido em 02: Livros feitos com todo amor e carinho para encantar se apoiando nas várias possibilidades que as tecnologias móveis nos oferecem. Ambos disponíveis em 04 idiomas: Português, Inglês, Francês e Espanhol; por enquanto apenas para usuários Apple, mas em breve também disponível na Google Play e Amazon.E a matemática continua multiplicando, em breve mais livros com mais histórias indígenas de diferentes etnias. Atenção: As versões em Português são gratuitas para diminuir os preconceitos que os indigenas brasileiros sofrem no Brasil. Porém, quem puder indicar a coleção para ser comprada em español, ingles e frances será uma forma de colaborar com a sustentabilidade da coleção, além de treinar outros idiomas
O que é, o que é: Tem letra, tem desenho, tem música e também tem voz?
São os livros digitais da série Kwatiara, que significa escrita em Tupi.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Aldeia Imbuhy resiste à tentativa de remoção em Niterói

Cerca de 400 moradores saíram às ruas, na semana passada, para protestar contra a ação na Justiça, que pede a remoção das famílias e a destruição da aldeia.
Na semana passada, cerca de 400 moradores saíram às ruas para protestar contra a ação na Justiça, que pede a remoção das famílias e a destruição da aldeia.

O embate é antigo. Há pelo menos 20 anos o exército reivindica o terreno, alegando que trata-se de uma área de segurança nacional. No entanto, a comunidade caiçara, afirma que os nativos já povoavam o local muito antes do exército chegar.

“Aqui já moravam pescadores quando os militares chegaram. Inclusive a primeira bandeira do Brasil foi bordada por uma nativa da aldeia, Flora Simas de Carvalho, a dona Iaia, a pedido do Marechal Deodoro”, conta a moradora Lúcia Nogueira da Gama. Seu bisavô foi um dos primeiros residentes de Imbuhy, há cerca de 100 anos.
Moradores nativos da centenária Aldeia Imbuhy enfrentam uma dura batalha contra o exército brasileiro.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Milícia anti-indígena sequestra e tortura jovem Kaiowá em Naviraí (MS)

Tal contexto reforça a existência de milícias armadas com intuito de atacar comunidades indígenas e suas lideranças; Não é a primeira vez que tais indícios reforçam algo que já não é mais uma tese, mas possui elementos concretos
Segundo denúncia realizada junto ao Ministério Público Federal (MPF), na manhã do último dia 7, um jovem Kaiowá de 17 anos foi sequestrado por um grupo armado, nas imediações de Naviraí (MS), e submetido a sessões de tortura – espancamentos e pressão psicológica. O indígena vive em acampamentos que compõem a Terra Indígena Santiago Kue, localizados às margens da BR-163, trecho que liga as cidades de Juti e Naviraí.
  Tal contexto reforça a existência de milícias armadas com intuito de atacar comunidades indígenas e suas lideranças. Não é a primeira vez que tais indícios reforçam algo que já não é mais uma tese, mas possui elementos concretos. A finalidade desses bandos criminosos é a de impedir os indígenas de terem acesso a seus territórios tradicionais, sobretudo aqueles já demarcados ou identificados pela Funai.
Segundo denúncia realizada junto ao Ministério Público Federal (MPF), na manhã do último dia 7, um jovem Kaiowá de 17 anos foi sequestrado por um grupo armado, nas imediações de Naviraí (MS), e submetido a sessões de tortura – espancamentos e pressão psicológica. O indígena vive em acampamentos que compõem a Terra Indígena Santiago Kue, localizados às margens da BR-163, trecho que liga as cidades de Juti e Naviraí.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Reconhecimento de direitos indígenas diminui desmatamento e narcotráfico na América Central

Estudo mapeou experiências de sucesso na região; 'queremos que governos contem conosco quando tratam de estratégias de segurança', diz líder indígena


De acordo com Andrew Davis, um dos autores do estudo, um dos pontos cruciais é o monitoramento das zonas de risco. “A mais direitos correspondem mais organização, e a mais organização, uma melhor rede de vigilância comunitária. E se esta rede funciona, evita-se que entrem estranhos para fins ilícitos ou, se conseguem entrar, são detidos ou as autoridades são informadas imediatamente para que tomem medidas.” Um dos exemplos mais espetaculares ocorreu em Talamanca (Costa Rica), onde os sistemas de vigilância e monitoramento comunitário alertaram para uma rede de helicópteros que trabalhava para o narcotráfico.Entretanto, se os indígenas não são donos legalmente de suas terras ou não têm senso de comunidade, como acontecia há alguns anos na zona da Mosquitia ou na “terra de ninguém” do Petén guatemalteco, eles permanecem muito mais vulneráveis. Leia também: Após serem demitidas, tailandesas criam cooperativa para fugir de exploração na indústria têxtil O estudo do Prisma aponta exemplos de sucesso. No México, em municípios como Cherán (em Michoacán, no centro do país) ou em Tecpan de Galeana (na costa de Guerrero, no Pacífico) as ações comunais contra o narcotráfico resultaram no reflorestamento de mais de 1.000 hectares e na criação de um viveiro que conta com 1,4 milhão de plantas. Além disso, em ambos os lugares caiu o número de homicídios. Diante de situações tensas, os padrões de atuação têm sido distintos. Nicarágua e Guatemala puseram em ação os chamados “batalhões ecológicos”, unidades pertencentes ao Exército que atuam em coordenação com as comunidades. Em outros casos, como na comunidade garifuna (grupo étnico cafuso) de Vallecito (norte de Honduras), ou os purépechas de Cherán, os próprios indígenas optaram pelo confronto direto (apesar da disparidade de forças), mas sua coragem e insistência fizeram com que pouco a pouco conquistassem parte de seus objetivos, embora ao custo de ações violentas. Leia também: National Geographic redesenha Ártico para refletir mudanças climáticas dos últimos 30 anos Muitos governos ainda se mostram reticentes em contar com as comunidades para elaborar estratégias de segurança, e os planos hemisféricos liderados pelos EUA oferecem principalmente ajuda militar. No entanto, o fortalecimento de redes de base, como demonstram os estudos citados, não só contribuiriam para um maior e melhor desenvolvimento dos povos nativos das florestas latino-americanas, mas também preservariam um dos pulmões do planeta e dificultariam a ação dos narcotraficantes. Outro exemplo, ausente dos estudos, é reconhecido por funcionários do governo do México, ainda que em voz baixa: é caso de um dos grupos indígenas mais organizados do continente, nos territórios que conquistaram autonomia depois do levante do Exército Zapatista de Libertação Nacional, no sudeste de Chiapas. “Onde estão os zapatistas, não há narcotráfico, por isso nós os toleramos.”
“Estamos defendendo nossas florestas até com as unhas.” Cándido Mezúa, líder do Congresso Geral dos Povos Emberá Wounaan, do Panamá, é contundente. Sabe que pela América Central passa 80% da cocaína que chega aos EUA (segundo dados do Departamento de Estado norte-americano).

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Liminar que impediu indígenas de acessar terra por 13 anos é derrubada

Comunidade ocupa somente 264 dos 4.025 hectares declarados indígenas, o que corresponde a 6,5% do total. Indígenas sofrem com ataques de pistoleiros, ameaças de morte e lesões 
Liminar que impediu indígenas de acessar terra por 13 anos é derrubada

(1’30” / 357 Kb) - Após treze anos, a Justiça cassou a liminar que impedia a continuidade da demarcação da Terra Indígena Potrero Guaçu, no município de Paranhos (MS).