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quarta-feira, 31 de março de 2021

Pró-Esia - Fábrica de Versos... Manu Chao, crônica do astro que virou as costas ao sistema

O cantor, que desapareceu renegando da fama, prefere atuar em bares, apoia causas minoritárias e dá canções de presente. Nos últimos dias, o coronavírus o devolve à atualidade

Aconteceu num dos momentos culminantes da sua carreira, depois de concluir a etapa do Mano Negra e logo antes de publicar seu primeiro disco solo, Clandestino. Era julho de 1998 e Manu Chao (Paris, 58 anos) havia embarcado num projeto chamado La Feria de las Mentiras, um festival que reunia malabaristas, DJs, shows, teatro… Um projeto ambicioso que precisou de meses de preparação e uma zelosa tarefa de contabilidade para que não fosse deficitário. Optou-se por desenvolvê-lo em Santiago de Compostela, no Mercado de Gado de Salgueiriños.

Aconteceu num dos momentos culminantes da sua carreira, depois de concluir a etapa do Mano Negra 
e logo antes de publicar seu primeiro disco solo, Clandestino. Era julho de 1998 e Manu Chao (Paris, 58 anos) havia embarcado num projeto chamado La Feria de las Mentiras, um festival que reunia malabaristas, DJs, shows, teatro… Um projeto ambicioso que precisou de meses de preparação e uma zelosa tarefa de contabilidade para que não fosse deficitário. Optou-se por desenvolvê-lo em Santiago de Compostela, no Mercado de Gado de Salgueiriños. Milhares de pessoas tinham comprado o ingresso por 5.000 pesetas (30 euros, 172 reais pelo câmbio atual). O recinto estava cercado, e uma empresa de segurança foi contratada para controlar os acessos. Mas alguns encontraram um lugar pouco vigiado. Alguns minutos depois do começo do show, Manu Chao estava lá, ajudando um grupo de penetras. O chefe boicotando a si mesmo. Empurrava uma das cercas e estimulava fãs a entrarem mesmo sem terem passado pela bilheteria. “Venham, venham, rápido, passem.” Os espectadores furtivos nem reconheceram o cantor, com a cabeça encapuzada. Passaram-se mais de duas décadas daquilo, e desde então Manu Chao só acentuou este espírito indômito, temerário e contraditório.

Nos últimos dias, fez algo que andava evitando neste século: equiparar-se a astros como Alejandro Sanz ou Bon Jovi. Como: publicando um vídeo com canções para aliviar o confinamento das pessoas. Com esta ação generosa, o cantor recordou ao público maciço que continua aí, que não está desaparecido. Embora, na verdade, sempre tenha estado ativo, mas esquivando o sistema.

Manu Chao não tem gravadora; não faz turnês como as dos artistas de sua categoria; tem ofertas para tocar nos melhores festivais do mundo, mas não quer; não se interessa por entrevistas; não lança discos; não aparece para receber prêmios; não usa celular…

Tudo isso não o impede de estar fazendo coisas o tempo todo. Você pode encontrá-lo atuando num bar de bairro, sem avisar, ou camuflado com outro nome. Ou escutar suas novas canções em seu site. O artista foi apanhado pela mano negra do coronavírus enquanto fazia uma turnê pela Índia, Bangladesh, Sri Lanka, Filipinas… Salas pequenas e em formato acústico de trio. Quando a coisa ficou feia, conseguiu chegar ao seu apartamento de Barcelona, de onde está gravando canções que publica em suas redes sociais com o nome de Coronarictus Smily Killer Sessions. Algumas são versões de canções dele (Otro Mundo), de outros, como Kiko Veneno (Echo de Menos), ou temas que aparentemente são novos (Mi Libertad).

Certamente não existe um músico nos últimos anos como ele, capaz de dar as costas ao sistema quando poderia tirar tantas coisas dele. Chao foi um campeão de vendas em nível mundial no final dos anos noventa, com discos como Clandestino (1998) e Próxima Estación, Esperanza (2001), que juntos despacharam quatro milhões de cópias. Chao lapidou aquela música bastarda de seu ex-grupo Mano Negra, acelerada e desordeira, e propôs algo mais pausado, melancólico. Reggae, rumba, ritmos latinos… para um disco, Clandestino, canônico no que se chamou de mestiçagem. Crucial a parte da mensagem, resumida em duas ideias que repetiu naqueles anos: “Tudo é mentira” e “Vivemos a ditadura da economia”.

“São canções simples, mas há muita verdade e sinceridade. Manu utiliza as palavras adequadas. Tudo parece fácil, mas tem uma grande complexidade”, observa a cantora Amparo Sánchez, cujo projeto musical mais conhecido é o Amparanoia. Sánchez colabora com Chao há 25 anos. “É um artista crucial para entender o devir do rock na América Latina durante os anos oitenta e noventa. Também é um entroncamento entre a música europeia e africana. Sua marca é crucial e indiscutível”, afirma o jornalista Bruno Galindo, que compartilhou com Chao uma longa viagem pelo Brasil.

Mas Manu Chao viu as longas garras da fama chegarem perto demais e fugiu. As encontrou, olhou-as de frente e lhes disse: “Não me quero sentir como um boneco numa tempestade”. A troco de quê? “Em um sentido mais amplo, a troco de liberdade”, afirma Kike Babas, autor, com Kike Turrón, do recente Manu Chao. Ilegal. Perseguiendo el Clandestino (Bao Bilbao Ediciones). “A missão de Manu é viver a vida, viajar, não cair na rotina. Um de seus exemplos é Bob Marley. Acredito que Manu vive e sente a vida como Marley”, afirma Turrón.

Amparo Sánchez recorda como começou sua relação com Chao. “Era 1995 e eu acabava de chegar a Madri. Tinha 25 anos. Costumava ir pela rua Madera [no centro] para ensaiar carregando meu violão e o tripé do microfone. E sempre cruzava com um sujeito pequeno que me cumprimentava. Eu era fã do Mano Negra, mas não reconhecia Manu quando me dizia ‘olá’. Um dia decidimos tomar uma cerveja em um bar da praça Dos de Mayo. Falamos por três horas. Contou-me suas viagens pela América Latina, as causas sociais que lhe pareciam interessantes… Mas eu continuava sem localizá-lo e ele não disse nada. Ao ir embora me comentou que tinha um grupo e que ensaiavam num porão próximo, que passasse por lá um dia. E passei. Abriu ele mesmo a porta e percebi que era o Mano Negra.”

Nascido em Paris de pai galego (Ramón) e mãe basca (Felisa), Manu Chao não se interessava muito pelos livros que enchiam a sala da sua casa de classe média. Preferia a rua. Ramón Chao (Lugo, 1935 – Barcelona, 2018), seu pai, era um jornalista e escritor que trabalhava para veículos como o Le Monde e recebia prêmios literários. Os dois filhos do casal, Antonie (nascido em 1964) e José Manuel, o Manu (em 1961), começam de adolescentes a tocar rock. Manu forma bandas como Hot Pants e Los Carayos… e o Mano Negra, junto com seu irmão, que começou em 1987 com sua mistura de punk, ska e ritmos latinos e se manteve num caminho ascendente em popularidade até sua dissolução em 1997.

A ruptura do Mano Negra, que acabou em julgamento, destroçou Chao. “Foi uma etapa de grande desânimo. Inclusive ele cogita deixar a música. O final do grupo lhe causou muito desgaste e a isto se uniu uma separação sentimental. Deprime-se. Pensa em virar trabalhador social na África ou em seguir os passos do seu pai e virar jornalista”, afirma o escritor Kike Babas.

Chao opta por uma viagem terapêutica pela América Latina que lhe salvaria tanto emocional como criativamente. Conhece sua namorada no Brasil e se nutre dos ritmos latinos. Toda esta melancolia latina será o arcabouço de Clandestino, que grava ao regressar à Espanha. “O sucesso de Clandestino nos pegou de surpresa. Não o esperávamos na gravadora, e acho que Manu tampouco. Ele sempre foi muito honesto, um músico que se nutre do bairro, que prefere tocar com músicos desconhecidos que conhece num bar a tocar com grandes nomes”, conta Javier Liñán, a pessoa de confiança do franco-espanhol em sua etapa na multinacional Virgin. O disco vendeu milhões de cópias. Música em espanhol acotovelando-se com os que triunfavam naquela época: Britney Spears, NSYNC, Eminem, Limp Bizkit…

Sagrario Luna conhece Manu Chao desde que formou o Hot Pants, no final dos anos oitenta. “Lembro que naquela época só falava de Chuck Berry e Camarón e usava um pequeno topete”, comenta. Depois trabalhou com ele em turnês e na Virgin. “Era trabalhar com um colega”, observa. “Durante muito tempo, ser Manu Chao pesou muito para Manu Chao. Depois do sucesso de Clandestino, todo mundo lhe pedia opinião sobre tudo, e acho que isso lhe gerou muita frustração”, diz Luna. E acrescenta: “Sempre me pareceu um sujeito de verdade. Tem nuances, como todos, mas nunca foi falso. Por outro lado, o achava bastante solitário, com poucos amigos, dos quais, isso sim, cuidava muito”. O discurso de Chao naquela época tem tintas de visionário. Alerta sobre o populismo xenófobo, o integralismo religioso, a morte do formato físico na música. E cria um movimento ao redor dele. Assim o definiu Fermín Muguruza, músico que também colaborou com o artista: “Formou-se uma rede internacional do rock em que estavam todos remando para conseguir um mundo melhor”.

Para entender a posição fora de foco atual do músico, é preciso revisar dois episódios de sua vida, decepções que tiraram a pouca fé que ele tinha no establishment. Uma delas é com Iggy Pop, um músico a quem Chao admirava… até que o Mano Negra abriu um show do líder dos Stooges. Assim contou ele certa vez à revista Tentaciones, do EL PAÍS: “Com Iggy Pop aprendemos a dura lei de show-business. Boicotaram o nosso som, proibiram o pessoal do catering de nos dar de comer, às vezes até nos proibiram de tocar. E, no final, o numerozinho. Quando alguém da segurança – às vezes o próprio filho do Iggy, que trabalhava na turnê – empurrava alguém que tentava subir ao palco, Iggy dizia: Ei, você, seu filho de puta, não toque no meu público!’. E toda a plateia pensando: ‘Que cara mais maneiro é o Iggy’”.

E o segundo episódio tem a ver com seu compromisso social. Em julho de 2001 o cantor vai a Gênova (Itália) para protestar, com muitos milhares mais, durante a reunião dos países mais poderosos, o G-8. O anfitrião é Silvio Berlusconi, à época primeiro-ministro italiano. Chao atua e no dia seguinte participa, esmurrando um tambor, de uma grande manifestação contra a política do G-8. E vai embora para a França. No dia seguinte, o caos. Um grupo de manifestantes violentos entra em ação, e a polícia italiana revida com força. As imagens corem o mundo, com manifestantes pacifistas envoltos num furacão de violência. Chao vê tudo pela televisão da sua casa, em Paris, e fica horrorizado.

Muitos o reclamam como o líder antiglobalização que as ruas necessitam. Ele primeiro fala. “Esse movimento não necessita de líderes, se houver líderes é nefasto para o movimento. Essa etiqueta do líder do movimento eu rejeito”, afirma numa entrevista coletiva em Valência, antes de um show, em setembro de 2001. E, nos anos seguintes, reluta a todo custo em aparecer no noticiário. Procura batalhas antimidiáticas, lutas de pequenas comunidades. Como as reivindicações salariais das trabalhadoras do Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) de Barcelona; em Mendoza (Argentina), para apoiar que não se permita o fracking e a mineração em grande escala; incentivando as chamadas kellys (camareiras de hotéis); em defesa do povo mapuche; ao lado dos migrantes; contra a multinacional Monsanto… Aparece sempre com seu violãozinho, vestido com suas eternas calças corsário e com seu perene sorriso desenhado no rosto. Chao escuta, canta e apoia economicamente. Não sai na imprensa, poucos ficam sabendo.

“Manu se dói pelo mundo. E se acalma indo aos lugares e apoiando causas pequenas que considere justas. Em seus shows grandes, sempre deixa um lugar para que estes coletivos se expressem. Em um momento dado do show, para e sobem ao palco para se expressarem, como ocorreu em 2016 na Plaza Mayor de Madri”, diz Kike Babas, que foi o contato entre o artista e a equipe de Manuela Carmena, então prefeita da capital, para celebrar o recital. “Quis estar em Madri porque depois de muitos anos na capital se respiravam outros ares. Mas deixou muito claro que não queria que o vinculassem nem com algum partido político nem com o [movimento de indignação popular] do 15-M”, diz Babas.

Quem compartilha vivências com ele salienta seu caráter austero: “Quando você se senta para comer com ele, não há dois pratos e sobremesa. Você só belisca”; “o lugar mais incômodo onde já dormi na minha vida foi com o Manu: em um povoado do Brasil, numa espécie de armário; “compra roupas em lojas de segunda mão”… Amparo Sánchez conta uma história curiosa a respeito: “Manu já era uma estrela, mas recordo que quando marcávamos de nos encontrar ficávamos sentados na porta de um prédio, com cigarros e uma cerveja, e ali passávamos as horas falando”. O artista pode se permitir esta vida errante e livre de grilhões (familiares, profissionais…) porque sua conta corrente é generosa. “As vendas de seus dois primeiros discos solo e os direitos autorais são suficientes para que ele e sua descendência vivam de forma bastante folgada”, diz uma fonte. A julgar pelas canções que publica em seu site, não se vislumbra uma evolução musical. “Não acredito que precise nem que a busque. Interessa-se pela cultura popular, pelo bairro, pelo músico que trabalha na rua”, aponta Liñán.

Sua casa em Barcelona tem 80 metros quadrados e é uma espécie de oficina de trabalho, com um computador, lembranças dos lugares por onde viaja e, num canto, um catre “que não parece muito cômodo”. Passa ao menos uma vez ao ano pelo Brasil, onde vive, no Ceará, seu único filho, Kira, que já tem mais de 20 anos.

No ano que vem Manu Chao completará 60 anos. Manteve-se sempre afastado das drogas duras: preferiu fumar maconha e beber licores depois da refeição, mas de forma comedida. Conserva-se juvenil. É pequeno, magro e fibroso. Corre, joga futebol e se mexe, sempre se mexe. Sua última canção confinada se chama Mi Libertad. Diz assim: “Minha liberdade, minha companheira, minha liberdade, minha solidão”.

Fonte: El País

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Após denúncia do Brasil de Fato, edital de cultura do governo Doria é cancelado

Amigo do secretário estadual de Cultura poderia ser favorecido na licitação; MP investiga aparelhamento de OS

Um edital para contratar projeções mapeadas e iluminação arquitetural foi cancelado pela Amigos da Arte, Organização Social contratada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. A suspensão da licitação ocorre após a denúncia, feita pelo Brasil de Fato, de que a entidade pode ter sido aparelhada pelo secretário Sérgio Sá Leitão.
A Amigos da Arte, que possui o segundo maior contrato com a Secretaria de Cultura (R$ 153 milhões), mantém em seus postos de comando pessoas ligadas a Sá Leitão.

Um edital para contratar projeções mapeadas e iluminação arquitetural foi cancelado pela Amigos da Arte, Organização Social contratada pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. A suspensão da licitação ocorre após a denúncia, feita pelo Brasil de Fato, de que a entidade pode ter sido aparelhada pelo secretário Sérgio Sá Leitão.
A Amigos da Arte, que possui o segundo maior contrato com a Secretaria de Cultura (R$ 153 milhões), mantém em seus postos de comando pessoas ligadas a Sá Leitão.

A denúncia é alvo de um inquérito civil, instaurado pelo Ministério Público de São Paulo para apurar a “suspeita de má gestão de recursos públicos e afronta aos princípios administrativos pela Organização Social de Cultura Amigos da Arte.”

Ainda de acordo com o MP, a entidade “manteria estreita ligação com a pasta, com a contratação de empresas e pessoas próximas ao atual secretário Sérgio Sá Leitão para prestação de serviços e cargos de direção.”

Entre as empresas e pessoas que manteriam “estreita ligação” com o secretário Sá Leitão, está Alexys Evagelous Anastasiou, o VJ Alexis, proprietário das empresas Visualfarm Produções Ltda e Paralax-Media Technology Ltda.

O artista, que já foi contemplado em outros eventos da Amigos da Arte, recebeu R$ 367 mil para realizar projeções noturnas nos prédios do Teatro Sérgio Cardoso, do Hospital das Clínicas, e mais dois edifícios nos bairros da Santa Cecília e outro na Avenida Paulista, entre os dias 14 de abril e 28 de junho.

As projeções mapeadas e iluminação arquitetural são justamente o objetivo do edital que foi cancelado pela Amigos da Arte. De acordo com a licitação , a empesa ganhadora deveria iniciar os trabalhos em até cinco dias após a assinatura do contrato e as atividades deveriam ocorrer em todos os dias, até 6 de janeiro, das 19h até 23h59.

Alexis é o idealizador e integrante de outros projetos culturais particulares, ao lado de Gnaspini, diretor da Amigos da Arte, como o projeto “Natal Iluminado” e o “Festival de Luzes”, que foram contratados pela Prefeitura de São Paulo durante os últimos anos.

Em dezembro de 2019, por exemplo, quando Gnaspini já era diretor da OS que executa recursos públicos estaduais, o projeto de ambos foi contratado pela Secretaria Municipal de Cultura para projeções no Mosteiro de São Bento e na fachada do Edifício Matarazzo, por R$ 670 mil.
Em outubro de 2020, poucos meses após ter sido contratado pelos programas públicos estaduais da Amigos da Arte por Gnaspini, ambos voltaram a aparecer na coordenação e curadoria do Festival de Luzes na capital paulista.

Amigos da Arte

Firmado em julho de 2016, o contrato da Amigos da Arte com a Secretaria de Cultura e Economia Criativa se encerra em 31 de outubro de 2021. O valor total é de R$ 153 milhões, que são pagos em parcelas anuais de cerca de R$ 30 milhões. Entre as Organizações Sociais que atendem o governo paulista, somente a Fundação Osesp recebe mais, R$ 255 milhões.

A Amigos da Arte administra o Teatro Sérgio Cardoso, o Teatro Municipal de Araras, e o Museu da Diversidade Sexual. Também é responsável pela organização da Virada Cultural, do Circuito Cultural Paulista e o Revelando São Paulo.

Outro lado

Procurada, a Amigos da Arte afirma que, apesar do site da entidade informar que o edital foi cancelado, ele teria sido, na verdade, “transferido para o exercício 2021 devido à alta demanda do mercado de projeções mapeadas e iluminação arquitetural, aquecidos pelo período de festas e acentuado por força da pandemia, onde existe maior procura por ações artísticas que não gerem aglomerações e possam ser apreciadas à distância ou de passagem".

Anastasiou afirma que possui "um dos maiores estúdios de projeção mapeada do Brasil.
"Participamos de muitas concorrências privadas e governamentais. As governamentais são a menor parte e as que pagam menos, mas são as que nos permitem fazer projetos com mais liberdade artística. O projeto que você se refere foi ganho em uma tomada de preços pública e nós tivemos o menor preço, muito inferior ao que seria cobrado a um cliente privado", disse ao Brasil de Fato.

Ainda de acordo com o empresário, a notícia da investigação do Ministério Público foi uma surpresa. "Não tenho relação com o secretário Sérgio Sá Leitão e tivemos nos últimos anos muitos projetos e pedidos negados junto a secretária estadual e somente uma tomada de preços ganha, por menor preço".

terça-feira, 18 de agosto de 2020

História - Múmia de bispo do século 17 indica que tuberculose surgiu no Neolítico

 Análise de nódulo calcificado no pulmão bem preservado do bispo indica que grupo de bactérias causadoras da doença teria emergido há menos tempo do que se imaginava

Pesquisadores de instituições da Suécia e da Alemanha publicaram uma nova análise do genoma da Mycobacterium tuberculosis com base em restos encontrados em uma múmia bem preservada do século 17. O estudo foi publicado em 10 de agosto, na Genome Biology, e sugere que o patógeno da tuberculose pode ter emergido no período Neolítico, muito antes do que acreditavam os especialistas.

Desde sua descoberta, anunciada em junho de 2015, a múmia do bispo Peder Winstrup tem surpreendido cientistas por seu ótimo estado de conservação. De acordo com análises de tomografia computadorizada, o religioso falecido em 1679, aos 74 anos, tinha doenças como arterosclerose e artrose, e provavelmente foi vítima da "peste branca", uma pandemia de tuberculose que atingiu a Europa após o período medieval.

Quando cientistas do Museu de História Natural Sueco se depararam com pequenas calcificações no pulmão bem preservado da múmia, desconfiaram que a amostra poderia trazer novas informações sobre a Mycobacterium tuberculosis. “Suspeitamos que fossem resquícios de uma infecção pulmonar anterior”, diz Caroline Arcini, pesquisadora do museu e coautora da análise, em comunicado. “A tuberculose estava no topo de nossa lista de candidatos. A análise de DNA foi a melhor maneira de provar isso.”

Origens

Estima-se que mais de um quarto da população mundial tenha sido exposta ao complexo Mycobacterium tuberculosis, grupo de microrganismos que causam tuberculose. Por causa de sua distribuição global, acredita-se que essas bactérias tenham evoluído para infectar humanos há dezenas de milhares de anos, aproxidamente ao mesmo tempo em que os primeiros hominídeos emigraram da África para outros continentes. Mas não é isso que apontam estudos recentes.

Em 2014, um estudo de antigos genomas encontrados na América do Sul indicou que uma antiga linhagem da bactéria, semelhante à que circula atualmente, teria emergido há apenas 6 mil anos. Com a descoberta da múmia de Winstrup, seria possível encontrar mais informações que confirmassem ou não esse achado.

Os cientistas, então, reconstruíram o genoma da tuberculose a partir dos restos encontrados no nódulo calcificado. “O genoma é de uma qualidade incrível — a preservação nessa escala é extremamente rara em DNA antigo”, comenta Kirsten Bos, uma das líderes do estudo e pesquisadora de paleopatologia molecular do Instituto Max Planck de Ciência da História Humana, na Alemanha.


Usando diversos modelos de datação molecular, os cientistas descobriram que, de fato, os achados apontam para uma idade relativamente jovem do complexo Mycobacterium tuberculosis atual. “Um surgimento mais recente do complexo do patógeno da tuberculose é agora apoiado por evidências genéticas de várias regiões geográficas e períodos”, comenta Susanna Sabin, primeira autora do estudo. “É a evidência mais forte disponível até o momento de que esse surgimento foi um fenômeno neolítico.”


Agora, novas perguntas começam a ser feitas sobre o aparecimento do grupo bacteriano, cuja evolução pode estar ligada ao início do pastorialismo e a hábitos de vida sedentários humanos. A esperança é de que cientistas encontrem amostras de DNA ainda mais próximas do momento em que a bactéria atual teria surgido, ou até de um ancestral dela.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

História - SALA MEDIEVAL: O CURIOSO CASO DO CASAL QUE ENCONTROU UM POÇO DA IDADE MÉDIA DENTRO DE CASA

Enquanto realizava uma reforma no principal cômodo da casa, os ingleses se depararam com um pedaço da história no chão — mas a descoberta foi impedida pela esposa por 24 anos


Em 2012, Colin Steer, na época com 61 anos, tinha finalmente a oportunidade de matar uma de suas maiores curiosidades; toda vez que passava pela sala de casa, notava um ecoante oco no chão, próximo ao sofá. Aquilo não apenas encheu o homem de dúvidas em relação ao estado de sua casa, mas o entusiasmou para a descoberta — impedida por 24 anos.

sexta-feira, 26 de junho de 2020

domingo, 14 de junho de 2020

Pró-Esia - Fábrica de Versos... Cultura e Curiosidades da Mongólia

Se você deseja conhecer mais sobre a Ásia, a Mongólia é, sem dúvidas, um dos destinos que precisam estar na sua lista de locais para visitar. Pensando nisso, quero ajudar você a conhecer mais sobre este local e, principalmente, sobre as curiosidades da Mongólia.


Localizada na Ásia Oriental e Central, a Mongólia é o segundo maior país do mundo sem costa marítima. Com cerca de 2,9 milhões de habitantes, faz fronteira com a Rússia ao norte e com a China ao sul, leste e oeste.



Até hoje, aproximadamente 30% da população é formada por nômades ou seminômades. Estas pessoas, ao contrário do que muitas vezes imaginamos, não são pobres.



Famílias nômades sustentam-se de cabeças de gado, camelos, cavalos, cabras e ovelhas. Suas casas são as chamadas “ger”, habitações circulares com quarto e sala, rodeadas por grossas camadas de feltro.
História e curiosidades da Mongólia

Localizada na Ásia Oriental e Central, a Mongólia é o segundo maior país do mundo sem costa marítima. Com cerca de 2,9 milhões de habitantes, faz fronteira com a Rússia ao norte e com a China ao sul, leste e oeste.

Até hoje, aproximadamente 30% da população é formada por nômades ou seminômades. Estas pessoas, ao contrário do que muitas vezes imaginamos, não são pobres.

Famílias nômades sustentam-se de cabeças de gado, camelos, cavalos, cabras e ovelhas. Suas casas são as chamadas “ger”, habitações circulares com quarto e sala, rodeadas por grossas camadas de feltro.

Muitos turistas que visitam a Mongólia trocam o conforto de hotéis por experiências de hospedagem em acampamentos gers. Inesquecível, não?

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Pró-Esia - Fábrica de Versos... Cantora Sara Tavares

Sara Alexandra Lima Tavares (Lisboa, 1 de Fevereiro de 1978) é uma cantora e compositora portuguesa com ascendência cabo-verdiana. A música que ela interpreta é definida como world music.
Sara ganhou a final da 1ª edição (1993/1994) do concurso Chuva de Estrelas da SIC onde interpretou um tema de Whitney Houston.

terça-feira, 5 de maio de 2020

'Acho que ele está me dispensando', diz Regina Duarte em áudio

Em áudio divulgado pela revista Crusóe nesta terça-feira (5) e exibido pela CNN, a secretária especial da Cultura, Regina Duarte, diz a uma assessora que acredita que está sendo dispensada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
"Então, assim, eles ainda estão decidindo. Está decidido. Eu não sei, não sei. Que loucura. Acho que ele está me dispensando", afirma a atriz, que assumiu a secretaria em 4 de março.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Pró-Esia - Fábrica de Versos... RIP George Steiner (e o mistério da música)

Vez ou outra, Steiner privilegiava também a nós, musicófilos, expressando a sua paixão pela música. Em 2010, à ocasião das NEXUS Conferences, no Concertgebouw de Amsterdã (sede da famosa orquestra holandesa), Steiner palestrava sobre o tema: “What’s Next for the West?” (“O Que Vem a Seguir para o Ocidente?”), e encerrou a sua apresentação com um belo discurso sobre o mistério da música. Que um dos maiores críticos literários da atualidade tenha dito que a música lhe parece superior à literatura como “força de uma possibilidade transcendente” não é coisa que Euterpe poderia ignorar e, há algum tempo, postamos uma bela montagem deste vídeo (infelizmente não mais disponível) em nossa página no Facebook.
No início do mês de fevereiro, faleceu o famoso crítico literário, filósofo, ensaísta, novelista e educador franco-americano George Steiner (1929-2020).

sábado, 11 de abril de 2020

‘Filhas de Cacheu’: Exposição fotográfica conta a história de guineenses

Filhas de Cacheu’ é uma exposição fotográfica feminista-poética que celebra a vida e o protagonismo de 23 mindjeres (mulheres) de Cacheu, na Guiné-Bissau. Cacheu é uma cidade histórica, que no decurso de quatro séculos, esteve na rota de escravos. A exposição é fruto da primeira conexão da psicóloga brasileira Lilian Galvão, no terreno, no âmbito de sua investigação doutoral em Estudos Africanos (ISCTE-IUL) com o tema ‘Filhas de Cacheu e suas representações sociais sobre conceber, gestar, parir e maternar‘.
Filhas de Cacheu’ é uma exposição fotográfica feminista-poética que celebra a vida e o protagonismo de 23 mindjeres (mulheres) de Cacheu, na Guiné-Bissau. Cacheu é uma cidade histórica, que no decurso de quatro séculos, esteve na rota de escravos. A exposição é fruto da primeira conexão da psicóloga brasileira Lilian Galvão, no terreno, no âmbito de sua investigação doutoral em Estudos Africanos (ISCTE-IUL) com o tema ‘Filhas de Cacheu e suas representações sociais sobre conceber, gestar, parir e maternar‘.

segunda-feira, 16 de março de 2020

História - 5 profecias macabras de Nostradamus para 2020

Publicado em 1555, o livro Les Propheties teria premonições emblemáticas para o novo ano

Publicado em 1555, o livro Les Propheties, de Nostradamus, é um relato do escritor sobre o futuro. Suas profecias ganharam alcance internacional, pois segundo especialistas, ele teria acertado diversos acontecimentos mundiais, entre eles a ascensão de Hitler.
Apesar de ser um tema controverso e sujeito a diversas interpretações, seguidores do profeta acreditam que ele teria previsto diversos acontecimentos emblemáticos para o ano de 2020. Confira a seguir:

quarta-feira, 11 de março de 2020

Pró-Esia - Fábrica de Versos... A época em que David Bowie viveu à base de cocaína, leite e pimentas

Os hábitos prejudicaram a saúde física e mental do artista
Durante o período mais sombrio da vida de David Bowie, logo após o lançamento do álbum Young Americans (1975), o Camaleão do Rock encarnou a persona do Thin White Duke e sobreviveu com uma dieta bizarra e nada saudável que afetou gravemente a saúde física e mental do artista, como lembrado pelo site CheatSheet.
Durante o período mais sombrio da vida de David Bowie, logo após o lançamento do álbum Young Americans (1975), o Camaleão do Rock encarnou a persona do Thin White Duke e sobreviveu com uma dieta bizarra e nada saudável que afetou gravemente a saúde física e mental do artista, como lembrado pelo site CheatSheet.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

História - Teotihuacán, a Cidade dos Deuses no México

História de um velho palácio ilumina a luta de classes que levou a urbe multiétnica ao colapso há quase 1500 anos

Durante décadas, a arqueóloga Linda Manzanilla perseguiu o declínio de Teotihuacán, o momento do fim da Cidade dos Deuses, o grande incêndio que, como pensava há muito tempo, determinou seu declínio. Foi se aproximando pouco a pouco, como quem entalha em obsidiana os segredos do passado, até que os resultados da pesquisa no palácio de Xalla, um enorme complexo não muito distante da Pirâmide do Sol, chegaram às suas mãos. Teotihuacán caiu em grande parte pelo fogo, ela não tem dúvida alguma. Os testes de carbono 14 e de arqueomagnetismo datam o grande incêndio em torno do ano de 575. “Os edifícios da Calçada dos Mortos, os espaços da elite –como Xalla– foram incendiados”, explica a pesquisadora.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Esta biblioteca comunitária está mudando a narrativa de caos em Cité Soleil, no Haiti

Cité Soleil está transformando sua imagem de desespero urbano
Cité Soleil, uma região empobrecida da capital haitiana, Porto Príncipe, é geralmente associada ao desespero urbano, pobreza, ilegalidade e caos.

Conhecida como Site Solèy em crioulo haitiano, a vasta área concentra as dificuldades que se assolaram o Haiti como um todo nas últimas três décadas: analfabetismo, desemprego, infraestrutura decadente, falta de saneamento, políticas públicas ineficientes e violência de gangues.
Cité Soleil, uma região empobrecida da capital haitiana, Porto Príncipe, é geralmente associada ao desespero urbano, pobreza, ilegalidade e caos.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Pró-Esia - Fábrica de Versos... Marie Fredriksson, vocalista do Roxette, morre aos 61 anos

Empresário disse que ela enfrentou 17 anos de 'batalha contra o câncer'. Dupla sueca formada com Per Gessle tinha hits como 'Listen to your heart', 'It must have been love' e 'How do you do!'.

Per
A sueca Marie Fredriksson, vocalista da dupla Roxette, morreu nesta segunda-feira (9) aos 61 anos, informou seu empresário. Em nota divulgada nesta terça-feira, ele disse que ela enfrentou "17 anos de uma longa batalha contra o câncer".

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Pró-Esia - Fábrica de Versos... A trairagem de Bolsonaro com seus brothers, os roqueiros reaças

Indicação do novo presidente da Funarte, que associa o rock ao aborto e a satã, é uma verdadeira ingratidão com quem tanto o apoiou
Sete longos anos atrás, eu publiquei neste site um texto que até hoje faz sucesso sobre o fenômeno dos roqueiros reaças, que tinha em Lobão e em Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, seus expoentes mais ruidosos. Fui xingada pelos dois e virei alvo das hordas de direitistas que os idolatravam.

Sete longos anos atrás, eu publiquei neste site um texto que até hoje faz sucesso sobre o fenômeno dos roqueiros reaças, que tinha em Lobão e em Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, seus expoentes mais ruidosos. Fui xingada pelos dois e virei alvo das hordas de direitistas que os idolatravam.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Pró-Esia - Fábrica de Versos... Flaira Ferro

Nascida em Recife, Flaira ingressou na vida artística aos seis anos de idade através da dança. Filha de pais foliões, viveu a infância rodeada de estímulos artísticos ligados às manifestações do carnaval de Pernambuco. Formada em Comunicação Social, Flaira é cantora, compositora e dançarina.
Nascida em Recife, Flaira ingressou na vida artística aos seis anos de idade através da dança. Filha de pais foliões, viveu a infância rodeada de estímulos artísticos ligados às manifestações do carnaval de Pernambuco. Formada em Comunicação Social, Flaira é cantora, compositora e dançarina.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

História - ERA VITORIANA: QUANDO NINGUÉM SORRIA PARA AS FOTOS

Nos séculos 19 e 20 as pessoas não sorriam quando eram fotografadas, e existe uma peculiar razão por trás disso
Hoje, somos acostumados a ver fotos de pessoas fazendo poses inusitadas, esboçando sorrisos e fazendo gestos espontâneos, em diversas situações do cotidiano. Isso se dá, principalmente, pela facilidade e praticidade com a qual essas imagens podem ser capturadas.

No fim do século 19 e ao longo do século 20, as dificuldades eram maiores, e a razão por trás das fotografias com pessoas sérias é o tempo de exposição. Quem se sujeitava a ser fotografado precisava ficar em uma posição imóvel por vários minutos, logo, era mais prático fazer uma pose mais natural do que segurar um espontâneo sorriso.
Em meados de 1840, a fotografia se tornou uma prática popular entre os mais ricos. As famílias que possuíam mais dinheiro procuravam profissionais para registrar momentos únicos. No entanto, um detalhe peculiar se mostra ser um padrão em todas as imagens: ninguém está sorrindo.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Pró-Esia - Fábrica de Versos... Os poetas analfabetos do sertão que foram parar sem querer no YouTube e viraram sucesso na internet

O mundo do agricultor Leonardo Bastião se resume ao sítio onde mora, na zona rural de Itapetim, no sertão do Pajeú pernambucano. De lá, ele quase nunca sai. E, desse universo, tira a inspiração para fazer poesia:
"A sombra que me acompanha/ Não é a que me socorre/ Se eu andar, ela anda/ Se eu correr, ela corre/ E é mais feliz do que eu/ Não adoece nem morre"