quarta-feira, 6 de abril de 2016

Professora humilha universitária que levou filha para a sala de aula


Professora da UFRGS assedia aluna que levou filha para a sala de aula. Durante festival de grosserias, sobrou até para a criança


Na visão de especialistas, documentos como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Constituição resguardam os direitos de mães e filhos, se sobrepondo a regras ocasionais criadas pelas instituições de ensino.
Nina é uma entre milhares de mães que lutam pelo direito de continuar estudando e lutando pelo futuro de seus filhos. No seu relato no Facebook, ela criticou o fato de a mulher mãe ser excluída de qualquer oportunidade na sociedade:
“A maternidade e o quanto ela causa a exclusão da mulher no mercado de trabalho, na escola e na universidade é uma pauta que grita por visibilidade dentro dos movimentos sociais. Eu vou perder a cadeira, não tem condições de seguir assistindo aula com uma pessoa dessas. O que alguém assim pode me ensinar? Entrei grávida na universidade e estou 4 semestres atrasada do meu tempo de ter me formado, porque sou mãe e preciso trabalhar nos horários que a UFRGS disponibiliza as aulas. O questionamento que quero deixar com esse breve relato é: Quantas mães não assistiram aula por causa dos seus filhos hoje? Quantas mães não conseguiram emprego por causa dos seus filhos hoje? E quantas mais serão excluídas por serem mães amanhã?”
Nina Bitencourt mora em Porto Alegre e é estudante de Letras, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Também é mãe da pequena Anya, de cinco anos. Com todas as dificuldades de criar uma filha e conciliar os estudos, Nina persiste na caminhada e continua na universidade. Mas, infelizmente, há sempre algumas pedras pelo caminho. De onde menos se espera: de uma professora.
Na última quinta-feira, Nina precisou levar a filha para a sala de aula, mas a professora não reagiu bem à presença de Anya. A mãe compartilhou um relato sobre o episódio no Facebook. O texto já tem mais de 11 mil compartilhamentos.
“Entrei na sala, dei oi e fui seguindo pra me sentar. A professora me olhou com um ar de incredulidade e, sem sequer me responder o cumprimento, iniciou um sistemático questionário sobre a minha filha: ” ELA VAI ENTRAR NA AULA?”; “ELA PODE ASSISTIR AULA?”; “ELA NÃO VAI SE CHATEAR E INCOMODAR A AULA?”; “TU NÃO TEM CRECHE PRA DEIXAR ELA?”; “NENHUM PARENTE PODE FICAR COM ELA PRA TI?”; “TEM CERTEZA”. Respondi pacientemente às perguntas e expliquei que ela estar ali comigo era o modo de garantir minha permanência na universidade.
Mesmo explicando a necessidade da filha estar presente na sala de aula, a professora reagiu de forma negativa, com olhares raivosos para a criança. Depois de 15 minutos de aula, a professora indagou o motivo de Nina não deixar a filha com outra pessoa:
“Até que, num certo momento, após uns 15 minutos de aula e sem nada ter sido feito da parte da minha filha pra provocar tal reação, a professora explode repetindo a pergunta: “MAS TU NÃO TEM MESMO COM QUEM DEIXAR ELA?”.
A mãe não aceitou o assédio da professora e se retirou da sala. Muitos colegas tentaram intervir na discussão, tentando apoiar Nina. Em seu relato, ela conta que foi até a Comissão de Graduação para apresentar queixa.
“Fui até à Comissão de Graduação e, enquanto eu era orientada quanto às medidas cabíveis, a professora apareceu e continuou falando, justificando, se exaltando e repetindo NA FRENTE DA MINHA FILHA o quanto ela estava atrapalhando porque estava BRINCANDO. Não respondi, me dirigi à funcionária da Comissão agradecendo e dizendo que ia abrir o processo por assédio moral e que não tinha mais nada pra falar com a professora.
Nina conta que a criança ficou sem entender nada e se sentiu culpada por ver a mãe saindo da aula. “O que eu fiz pra deixar minha mãe triste assim? Por que minha mãe foi expulsa da aula por minha culpa? Essas duas perguntas encheram a cabeça da Anya”, conta.
O que diz a lei
Pela lei nº 6.202 (criada em 1975) universitárias têm direito ao chamado regime domiciliar: a partir do oitavo mês de gestação, durante três meses, podem compensar a ausência nas aulas com trabalhos feitos em casa. O que determina o início e o fim desse regime é o atestado médico apresentado pela aluna.
Na visão de especialistas, documentos como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Constituição resguardam os direitos de mães e filhos, se sobrepondo a regras ocasionais criadas pelas instituições de ensino.
Nina é uma entre milhares de mães que lutam pelo direito de continuar estudando e lutando pelo futuro de seus filhos. No seu relato no Facebook, ela criticou o fato de a mulher mãe ser excluída de qualquer oportunidade na sociedade:
“A maternidade e o quanto ela causa a exclusão da mulher no mercado de trabalho, na escola e na universidade é uma pauta que grita por visibilidade dentro dos movimentos sociais. Eu vou perder a cadeira, não tem condições de seguir assistindo aula com uma pessoa dessas. O que alguém assim pode me ensinar? Entrei grávida na universidade e estou 4 semestres atrasada do meu tempo de ter me formado, porque sou mãe e preciso trabalhar nos horários que a UFRGS disponibiliza as aulas. O questionamento que quero deixar com esse breve relato é: Quantas mães não assistiram aula por causa dos seus filhos hoje? Quantas mães não conseguiram emprego por causa dos seus filhos hoje? E quantas mais serão excluídas por serem mães amanhã?”

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