quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Meu mais profundo respeito aos policiais que se juntaram aos manifestantes

Eles baixaram as armas, guardaram a baioneta e, talvez pela primeira vez na vida, trocaram as armas pela razão. Olharam os manifestantes e não tiveram o despudor de seus comandantes de atacar senhores e senhoras, funcionários públicos, enfermeiros, professores, médicos, ascensoristas, escriturários, aposentados, gente da maior periculosidade. Gente que torce para o Flamengo e para a Mangueira, gente que deu a vida e o sangue para o serviço público, que não teve hora extra ou Fundo de Garantia, que nunca teve quadro de carreira, que passou a vida entre paredes sem cor e carimbos envelhecidos, gente que só tinha seu nome lembrado no Diário Oficial.
Eles baixaram as armas, guardaram a baioneta e, talvez pela primeira vez na vida, trocaram as armas pela razão.
Olharam os manifestantes e não tiveram o despudor de seus comandantes de atacar senhores e senhoras, funcionários públicos, enfermeiros, professores, médicos, ascensoristas, escriturários, aposentados, gente da maior periculosidade. Gente que torce para o Flamengo e para a Mangueira, gente que deu a vida e o sangue para o serviço público, que não teve hora extra ou Fundo de Garantia, que nunca teve quadro de carreira, que passou a vida entre paredes sem cor e carimbos envelhecidos, gente que só tinha seu nome lembrado no Diário Oficial.
Os soldados, republicanos e democratas, ainda que tardio, não conseguiram cumprir as ordens que lhe chegavam aos berros nos ouvidos. Let the mother fucker burn gritava o rock para o soldado americano no Iraque, na cena mais tocante do documentário de Michael Moore sobre a guerra do Iraque. O mundo gira na cabeça do soldado que pode investir contra aquele que, na verdade, também é seu vizinho, seu parente, sua amiga, sua professora ou o professor de sua filha, de seu filho. O capitão, tenente, major, coronel, seja lá quem o tenha mandado bater, atirar com balas de borracha, bombas de efeito moral, ele que o fizesse.
Se a ordem é manifestamente ilegal, amigo, você não está obrigado a cumprir. Se à tua frente estão senhores pacatos e barrigudos, apavorados porque um governo elitista e fraudulento lhes rouba o último dinheiro que tem, se à tua frente existe gente honesta pedindo que lhe devolvam o que será roubado, nada existe que te obrigue a atacá-los.
Chaplin, gênio entre os gênios, em seu momento mais inspirado imortalizou:
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos! Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
Eu tenho orgulho desses soldados, eu tenho orgulho republicano nessa deserção, queria poder abraçá-los e pensar que no Rio de Janeiro, centenas serão os advogados que se levantarão para defendê-los. Centenas de nós, milhares de nós, milhões de brasileiros que agradecem a heroica deserção.
Os soldados republicanos que marcharam para a República e deixaram os passos da brutalidade certamente não seria aqueles idiotizados pela mídia que invadiram o Congresso Nacional, pedindo intervenção militar. Intervenção Militar e gritando o nome do Super-Juiz, certamente porque a intervenção militar e o Super-Juiz muito possuem em comum.
Os intervencionistas estão saudosos do pau de arara, dos choques, dos Ustras que nos sufocaram. Não são desonestos, não são canalhas, não pessoas de mau-caráter, não. São apenas pessoas comuns idiotizadas e fanatizadas pela violência estúpida.
A deserção corajosa e republicana nos dá esperança de que algo está se movendo, de que algo está acontecendo, de que alguma semente germinou, tão importante que seu nome não foi divulgado, afinal, não é um bandido comum, de foto a ser estampada no Jornal Nacional.
Os policiais que se recusaram a cumprir a ordem foram, antes de tudo, grandes pessoas. A eles, meu mais absoluto respeito.
Fonte: Justificando

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