sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel Castro faz discurso em tom de despedida e fala sobre a própria morte

Depois de 9 meses sem aparecer publicamente e perto de completar 90 anos, Fidel Castro discursa a respeito do futuro do comunismo e fala sobre a sua própria morte
Com um discurso com um certo tom de despedida, Fidel Castro dirigiu-se, na terça-feira, à sessão de encerramento do VII Congresso do Partido Comunista de Cuba (PCC) para falar do futuro do comunismo e da sua própria morte.
Depois de há duas semanas ter feito a sua primeira saída pública em nove meses, o pai da revolução cubana apareceu no Palácio de Conferências em Havana, ao lado do irmão, o Presidente Raúl Castro. Foi recebido por mil delegados a gritar “Fidel, Fidel!”, segundo a agência oficial ACN.
Com um discurso com um certo tom de despedida, Fidel Castro dirigiu-se, na terça-feira, à sessão de encerramento do VII Congresso do Partido Comunista de Cuba (PCC) para falar do futuro do comunismo e da sua própria morte.
Depois de há duas semanas ter feito a sua primeira saída pública em nove meses, o pai da revolução cubana apareceu no Palácio de Conferências em Havana, ao lado do irmão, o Presidente Raúl Castro. Foi recebido por mil delegados a gritar “Fidel, Fidel!”, segundo a agência oficial ACN.
“Em breve deverei completar os meus 90 anos [13 de Agosto]… Brevemente acabarei como todos os outros”, afirmou. “A todos chega a sua vez, mas os ideais comunistas cubanos continuarão como prova de que neste planeta, se trabalharmos com fervor e dignidade, podemos produzir os bens materiais e culturais de que os homens precisam e devemos lutar sem tréguas para os obter”, declarou o antigo Líder Máximo, que em 2006 passou o cargo ao irmão, por razões de saúde. “Aos nossos irmãos da América Latina e do mundo, devemos dizer que o povo cubano vencerá”.
Segundo a agência espanhola EFE, Castro começou por explicar a origem da sua ideologia: “Porque me fiz socialista? Mais claramente, porque me tornei comunista? Esta palavra expressa o conceito mais distorcido e caluniado da história, por parte daqueles que tiveram o privilégio de explorar os pobres, despojados desde que foram privados de todos os bens materiais que provêem do trabalho, do talento e da energia humana”.
No dia 7 de Abril, Fidel Castro quebrou uma longa ausência (mas não silêncio, já que frequentemente escreve artigos e recebe personalidades e chefes de Estado em casa) e visitou uma escola da capital para falar da generosidade do sistema educativo cubano. “Consideramos um privilégio estar nesta escola hoje, porque este tipo de escola aproxima-se de um tipo de sonho”, afirmou.
No regime de partido único não se esperam mudanças. O PCC anunciou que Raúl Castro, com 84 anos, e José Ramón Machado Ventura, de 85, continuarão a liderar o partido durante pelo menos uma parte do novo mandato de cinco anos. O novo congresso só acontecerá em 2021.
Esta reeleição indica que apesar das alterações radicais nas relações entre Cuba e os Estados Unidos, e da tentativa de mudanças econômicas, os líderes da geração Castro não têm pressa em abrir caminho a sangue novo, escreve o New York Times. “Isto é um golpe para os cubanos mais novos que estão desejosos de ver um sistema mais pluralista, liderado por pessoas mais próximas das suas idades e sem as ortodoxias socialistas”. No seu discurso, Raúl Castro excluiu qualquer renovação e avisou que um sistema multipartidário “seria o princípio do fim”.
A íntegra do discurso:
“É um esforço sobre-humano dirigir qualquer povo em tempos de crise. Sem eles[os dirigentes], as mudanças seriam impossíveis. Em uma reunião como esta, aos mais de mil representantes escolhidos pelo próprio povo revolucionário, que a eles delegou sua autoridade, significa a maior honra que receberam na vida, e a isso se soma o privilégio de ser revolucionário que é o resultado de nossa própria consciência.
Por que eu me tornei um socialista, de forma mais clara, por que eu me tornei um comunista? Essa palavra que expressa o conceito mais distorcido e caluniado da história por aqueles que tiveram o privilégio de explorar os pobres, despossuídos uma vez que eles foram privados de todos os bens materiais que proporcionam o trabalho, talento e energia humana. Desde quando o homem vive neste dilema, ao longo do tempo, sem limite. Eu sei que vocês não precisam dessa explicação, mas talvez alguns dos ouvintes.
Falo simplesmente para que se compreenda melhor que não sou ignorante, extremista, ou cego, ou que não adquirida a minha ideologia por conta própria estudando economia.
Eu não tive preceptor, quando era um estudante de direito e ciência política, naquelas em que eles tem um grande peso. Desde que tinha ao redor de 20 anos, gostava de esportes e de escalar montanhas. Sem preceptor para me ajudar no estudo do marxismo-leninismo; não era mais do que um teórico e, é claro, tinha total confiança na União Soviética. A obra de Lenin seria ultrajada após 70 anos de revolução. Que aula de história! Podemos dizer que não devem transcorrer outros 70 anos para que ocorra outro evento como a Revolução Russa, para que a humanidade tenha outro exemplo de uma grande Revolução Social, [como a] que significou um grande passo na luta contra o colonialismo e seu ajudante, o imperialismo .
Talvez, no entanto, o maior perigo agora pairando sobre a terra deriva do poder destrutivo das armas modernas que poderia minar a paz no mundo e tornar impossível a vida humana na superfície terrestre.
As espécies desapareceriam como os dinossauros desapareceram, talvez não haveria tempo para novas formas de vida inteligente ou talvez o calor do sol cresça até fundir todos os planetas do sistema solar e seus satélites, como muitos cientistas reconhecem. Se certas, as teorias de vários deles, que não são leigos ignorantes, o homem prático deve aprender mais e se adaptar à realidade. Se a espécie sobrevive a um espaço de tempo muito maior, as gerações futuras saberão muito mais do que nós, mas primeiro terão que resolver um grande problema: Como alimentar os milhares de milhões de seres humanos cujas realidades inevitavelmente colidem com os limites para a água e os recursos naturais que necessitam?
Alguns ou talvez muitos de vocês se perguntem onde está a política neste discurso. Acreditem, eu tenho vergonha de dizer isso, mas a política está aqui nestas palavras moderadas. Esperemos que muitos humanos se preocupem com essas realidades e não continuem como nos dias de Adão e Eva a comer maçãs proibidas. Quem vai alimentar as pessoas famintas da África sem a tecnologia na ponta dos dedos, sem chuva, sem barragens, sem depósitos subterrâneos cobertos por areias? Veremos o que dizem que os governos que quase em sua totalidade subscreveram os compromissos climáticos.
Devemos martelar constantemente sobre estas questões e eu não quero me extender além do essencial.
Devo, em breve, cumprir 90 anos, eu nunca teria pensado em tal ideia e isso nunca foi o resultado de um esforço, foi capricho da sorte. Logo serei, já como todos os demais. A todos nós chegará nossa vez, mas ficaram as idéias dos comunistas cubanos como prova de que neste planeta, se você trabalha com fervor e dignidade, é possível produzir os bens materiais e culturais que os seres humanos necessitam, e nós devemos lutar incansavelmente para obtê-los. Para nossos irmãos da América Latina e do mundo, devemos transmitir que o povo cubano vencerá.
Talvez seja a última vez fale nesta sala. Eu votei em todos os candidatos apresentados para consulta pelo Congresso e agradeço ao convite e a honra de que me escutem. Felicito a todos, e, em primeiro lugar, ao companheiro Raul Castro por seu magnífico esforço.
Empreenderemos a marcha e aperfeiçoaremos o que devemos melhorar, com a máxima lealdade e força unida, como Martí, Maceo e Gómez em marcha imparável.
Fidel Castro Ruz”

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