terça-feira, 31 de março de 2015

Como a mídia aprendeu a manobrar Dilma

Segundo o jornal, Levy teria dito que: “Acho que há um desejo genuíno da presidente de acertar as coisas, às vezes, não da maneira mais fácil... Não da maneira mais efetiva, mas há um desejo genuíno”.” É evidente que o campo político impõe um conjunto de restrições para as medidas econômicas. Ao realçar esses dilemas e reafirmar o “desejo genuíno” de Dilma em acertar, Levy está fazendo uma defesa enfática da presidente perante um público de mercado. A defesa foi transformada pela Folha em uma imensa bobagem, como se fosse uma crítica comprometedora, com direito à manchete principal. E, depois, uma suíte enorme no Estadão, na qual Levy se deu ao trabalho de corrigir o texto:
Folha cobre uma palestra de Joaquim Levy e fofoca que ele teria criticado Dilma Rousseff.
Segundo o jornal, Levy teria dito que: “Acho que há um desejo genuíno da presidente de acertar as coisas, às vezes, não da maneira mais fácil... Não da maneira mais efetiva, mas há um desejo genuíno”.”
É evidente que o campo político impõe um conjunto de restrições para as medidas econômicas. Ao realçar esses dilemas e reafirmar o “desejo genuíno” de Dilma em acertar, Levy está fazendo uma defesa enfática da presidente perante um público de mercado.
A defesa foi transformada pela Folha em uma imensa bobagem, como se fosse uma crítica comprometedora, com direito à manchete principal. E, depois, uma suíte enorme no Estadão, na qual Levy se deu ao trabalho de corrigir o texto:
 “O ministro sublinha que os elementos dessa fala são os seguintes: aqueles que têm a honra de encontrarem-se ministros sabem que a orientação política do governo é genuína, reconhecem que o cumprimento de seus deveres exige ações difíceis, inclusive da exma. sra. presidente, Dilma Rousseff, e eles têm a humildade de reconhecer que nem todas as medidas têm a efetividade esperada”. 
Nem precisava explicar. Qualquer pessoa com um mínimo de discernimento entenderia o sentido das declarações, mesmo com a síntese publicada pela Folha.
Em cima desse jornalismo de futricas, ecoaram as vozes de parlamentares da oposição. Os mais ridículos informam que exigirão explicações do Ministro na próxima audiência.

Explorando o estilo Dilma

Mais uma vez a presidente Dilma Rousseff caiu no conto da futrica e passou recibo. Mandou o Ministro Aloizio Mercadante puxar a orelha de Levy, sob um argumento vesgo: “A avaliação no Planalto e no Congresso é que esse tipo de discurso vindo do principal ministro da área econômica e responsável por sanear as contas públicas do País dificulta as negociações em torno do ajuste fiscal”, explicou uma fonte ao Estadão
Assim como no episódio da Pasadena, um tema que se esgotaria na própria irrelevância, ganha corpo devido à reação da presidente. O que enfraquecerá o Ministro não é o factoide dos jornais, mas a bronca de Dilma.
O mesmo ocorreu no início de fevereiro, quando o Ministro do Planejamento Nelson Barbosa comentou a possibilidade de mudar a regra do salario mínimo. Em pleno recesso, no pré-carnaval, a declaração nem repercutiu. Tornou-se notícia quando Dilma mandou puxar sua orelha
Em todo seu governo, o temperamento de Dilma – de reagir a qualquer crítica de cunho pessoal  – foi utilizado várias vezes contra ela, levando-a a ser pautada pela mídia de forma totalmente ingênua, mais fácil do que tirar doce de criança, resultando daí um governo desarmado.
Bastava um futrica sobre declarações de ministros ou assessores – esquentada por uma manchete escandalosa - para provocar uma reação indignada que desmoralizava o alvo da bronca, como aconteceu agora. Ou então, como no começo do primeiro mandato, era só entupir as manchetes com denúncias verdadeiras, falsas ou irrelevantes – pouco importa – para obter a cabeça do Ministro na bandeja.
Para se mostrar à altura do “republicanismo” preconizado pela velha mídia, Dilma abdicou de qualquer relação de Chefe de Estado com o Ministério Público e a Polícia Federal. Tornou-se a Presidente mais fraca dentre todos os países do G7.
No campo diplomático, para rebater as críticas da velha mídia contra o que consideravam excesso de pragmatismo da diplomacia – de não condenar abusos em países amigos -, assumiu denunciando torturas em países nas quais o Brasil tinha interesses diplomáticos.
Meses atrás, repetiu a mesma receita, recusando-se a receber o embaixador da Indonésia, por ter executado um brasileiro. E a mesma velha mídia caiu matando, criticando sua falta de pragmatismo.
O mesmo ocorreu em relação à publicidade oficial.
A Secom não anuncia. Ela autoriza ou não as campanhas das empresas públicas. O máximo que ela pode conceder é não vetar campanhas.
A Secom levantou um filtro feroz à publicidade que ministérios acertavam com veículos não convencionais. Nenhuma empresa podia selecionar dois ou três blogs para anunciar: ou anunciava em todos ou em nenhum. Resultado: em nenhum.
Ao mesmo tempo, mantém critérios de distribuição de mídia baseados em audiência que terminavam por colocar em programas sensacionalistas da TV aberta comerciais do BNDES,  voltados para empresários, sem nenhum critério técnico, porque não havia outra maneira de preencher a cota do canal em questão.  São critérios definidos por Dilma que a Secom limita-se a executar.
Em sua última coluna semanal no Estadão, o insuspeito Fernando Gabeira descobriu o óbvio: “Blogueiros oficiais também fazem corpo mole em defendê-la, por divergências políticas. Isso confirma minha suposição de que nem todos os blogueiros oficiais são mercenários. Há os que acreditam no que defendem e acham razoável usar dinheiro público para combater o poderio da imprensa”.
Para manter em dia a lição de casa com a mídia, manteve fracos todos os blogs que, por compromisso com a legalidade ou por convicção ideológica, fazem contraponto ao golpismo.
Fonte: Luis Nassif Online

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