terça-feira, 10 de março de 2015

A Origem do Universo e a Filosofia. Uma breve análise da Cosmologia dos pré-socráticos

A origem do Universo sempre foi uma preocupação para os filósofos da Antiguidade. Conhecidos como pré-socráticos (pois surgiram antes de Sócrates, considerado o pensador que dividiu o pensamento filosófico), estes filósofos ensinavam que a natureza (chamada de physis) passava por constantes mudanças e que mesmo nessas constantes alterações o universo encontrava equilíbrio. Em função da própria evolução da sociedade, advinda a partir das rotas marítimas, invenção da moeda, da escrita, do calendário e da própria criação da polis, os gregos perceberam que nada ocorria por acaso e que, diferente do pensamento apregoado no período mitológico, as coisas mudam não em função da vontade dos deuses, mas da ação do próprio homem.
A origem do Universo sempre foi uma preocupação para os filósofos da Antiguidade. Conhecidos como pré-socráticos (pois surgiram antes de Sócrates, considerado o pensador que dividiu o pensamento filosófico), estes filósofos ensinavam que a natureza (chamada de physis) passava por constantes mudanças e que mesmo nessas constantes alterações o universo encontrava equilíbrio.
Em função da própria evolução da sociedade, advinda a partir das rotas marítimas, invenção da moeda, da escrita, do calendário e da própria criação da polis, os gregos perceberam que nada ocorria por acaso e que, diferente do pensamento apregoado no período mitológico, as coisas mudam não em função da vontade dos deuses, mas da ação do próprio homem.
Nesse sentido, a Cosmologia surge como um ramo da Filosofia que procura explicar a composição do Universo, sua estrutura e evolução. Antes da natural evolução da Filosofia para um campo de conhecimento próprio, o filósofo era um indivíduo que pensava a respeito de muitas coisas, diferente do pensamento filosófico de hoje, que se concentra em estudar a própria Filosofia e não mais em ter um pensamento generalista.
Assim, o que hoje a Astronomia estuda teve sua origem no pensamento filosófico dos pré-socráticos. Mesmo se tratando de um pensamento (digamos) rudimentar, o trabalho destes filósofos foi muito importante para a passagem da fase mitológica para a fase racional do pensamento ocidental.
O período pré-socrático também é chamado de período cosmológico, sendo a primeira expressão filosófica que se dedicou a estudar a origem do Cosmos (do grego antigo, que quer dizer ordemorganizaçãoharmonia), entendido como a totalidade de tudo que existe neste Universo ordenado, desde as partículas subatômicas até gigantes constelações.
Com o pensamento dos pré-socráticos, sai de cena a explicação da origem e transformação da natureza por intermédio dos mitos e da divindade, dando lugar a explicações racionais que buscavam identificar as causas da origem, defendendo a tese de que a natureza cria seres mortais e finitos a partir de sua própria imortalidade.
Séculos mais tarde, os seguidores de Pitágoras (570 – 496 a.C.) entendiam que o movimento dos corpos celestes era regido por leis naturais imutáveis. A esfericidade da terra também contribuiria para seu movimento e para a harmonia do Universo.
Os seguidores de Aristóteles (382 – 322 a. C.), entretanto, defendiam a teoria Geocêntrica, sendo o planeta Terra o centro do Universo.
No século I depois de Cristo, o geógrafo Alexandrino Estrabão escreveu: “Aqueles que retornam de uma tentativa de circunavegação não relatam impedimentos por terras opostas, pois os mares permanecem sempre abertos; provavelmente o impedimento é a escassez de alimentos ou água (…) nos diz Eratóstenes que se a extensão do Atlântico não é um obstáculo, a passagem do mar da Ibéria para a Índia deve ser feita facilmente (…) Sendo bem provável que na zona temperada haja uma ou duas terras habitadas (…) E realmente se esta ou outra parte do mundo é habitada, não o é por homens como os daqui, e deveremos considerá-la como um outro mundo habitado”
Ptolomeu
Um século mais tarde, Cláudio Ptolomeu apresentou uma teoria em que a Terra permaneceria imóvel e rodeada por esferas transparentes de cristal que giravam ao seu redor. Ptolomeu registou os brilhos das estrelas e chegou a estabelecer normas de previsão de eclipses. Também procurou descrever o movimento dos planetas.
Entretanto, a descrição feita por Ptolomeu se baseava em um fundo praticamente imóvel de constelações. Ele acreditava que a Terra fosse o centro do Universo e que os demais corpos celestes a rodeavam.
Aquino
Essa teoria, defendida também por Tomás de Aquino, no século XIII, representou a concepção adotada pela Igreja Católica até o século XVI como forma de controle social, em que novas teorias que deslocassem a Terra do centro de tudo eram consideradas heréticas e reprimidas até com a pena de morte pela Inquisição.
No século XV, predominava a ideia do geocentrismo tal como estruturado por Aristóteles e Ptolomeu. A concepção dizia que nosso planeta se encontrava parado no centro do Universo, sendo circundado pelos demais corpos celestes em círculos concêntricos.
Nicolaus Copernicus
Foi preciso alguns anos até que o astrônomo e matemático Nicolau Copérnico (1473 – 1543) contestasse a teoria geocêntrica e passasse a divulgar um modelo em que os corpos giravam ao redor de um centro comum: o Sol. Assim, a Terra não mais assumiria o papel de centro do Universo, o que representou uma teoria revolucionária que abalaria o poder da Igreja Católica na época, pois o que era tido como algo inquestionável acabara por ser posto à prova.
O próprio Ptolomeu já tinha cogitado a possibilidade de um modelo heliocêntrico (o sol no centro), mas o rejeitou devido ao fato de Aristóteles ter dito que a Terra não poderia ter uma rotação rápida. Durante séculos as ideias de Aristóteles eram tidas como incontestáveis, tanto que, para um estudioso não ser questionado, bastava dizer que havia se inspirado nas ideias do filósofo grego.
Tamanha foi a repercussão das ideias de Copérnico que seu livro chegou a entrar para a lista dos livros proibidos pela Igreja Católica, em 1616. Depois de algumas pequenas adaptações feitas pelos censores eclesiásticos, o livro foi liberado para o público.
Galileu
Mesmo representando uma afronta para o pensamento dominante da época, as ideias de Copérnico não foram totalmente combatidas pela Igreja, mas adaptadas. Isso só veio a acontecer com Galileu Galileu (1564 – 1642), aproximadamente um século depois da divulgação do modelo heliocêntrico.
Galileu, através do uso do telescópio, recém inventado na época, reforça a teoria de Copérnico de que o Sol está no centro e os planetas giram ao redor dele. Galileu observou que a Via Látea é formada por uma infinidade de estrelas e, fazendo uso do telescópio, foi capaz de mapear as crateras e as montanhas na Lua, as luas de Júpiter e os anéis de Saturno.
Quando Galileu começou a tratar o heliocentrismo com uma verdade (e não apenas como simples hipótese), passou a sofrer perseguição por parte da Igreja Católica por razões teológicas. Galileu acabou indo a julgamento em 1633, quando foi oficialmente condenado por suspeita de crime de heresia.
Depois de permanecer oito anos em prisão domiciliar veio a falecer, próxima a Florença. 356 anos depois, em 1979, o Papa João Paulo II o liberou da condenação proferida pela Inquisição. Galileu acabou sendo a única pessoa condenada pela Inquisição por defender uma tese científica.
Outra contribuição para a cosmologia foi a do astrônomo e matemático alemão Johannes Kleper (1571 – 1630), que descobriu que as órbitas dos astros do sistema solar são, na verdade, elípticas e não círculos concêntricos, como defendida por Aristóteles e Ptolomeu.
Alguns anos mais tarde, o formulador da lei da gravitação universal, o físico e matemático Isaac Newton (1642 – 1727) criou a base científica para a cosmologia, transformando um campo que era puramente filosófico (teórico) para o campo experimental.
Albert-Einstein
Com o advento da Teoria da Relatividade pelo físico alemão Albert Einstein (1879 – 1955), surge a cosmologia moderna. Einstein publicou um artigo chamado Considerações cosmológicas sobre a teoria da relatividade geral, em que analisa o universo como um todo a partir da relatividade.
Nesse artigo, o físico introduz o conceito de constante cosmológica, uma espécie de força “antigravidade”, impedindo o universo de entrar em colapso por causa da ação da gravidade, admitindo a existência de cosmológicos estáticos.
Diversos outros físicos e teóricos da cosmologia criaram teorias com o intuito de explicar a origem do Universo, a mais famosa delas é a teoria do Big Bang,chamada pelo seu criador como Hipótese do átomo primordial.
A teoria criada por Georges Lemaître (1894 – 1966) e desenvolvida posteriormente por George Gamow (1904 – 1968) diz que o universo estava, originalmente, em um estado muito quente e denso no passado e tem se resfriado pela expansão ao estado atual. Segundo esta teoria, o universo ainda estaria em expansão.
Assim podemos notar que a Cosmologia, associada a outros ramos da ciência, principalmente a tecnologia, tem avançado e muito na missão de descortinar a origem do Universo.
É, sem dúvida, um ramo muito interessante que vem despertando a curiosidade e a sede pelo desconhecido nos teóricos e pensadores, desde os tempos pré-socráticos até os dias atuais.
Esperamos, com essas breves linhas, ter aguçado seu interesse pelo tema, que, a cada dia, apresenta novas descobertas e novas formas de enxergarmos esse lugar tão misterioso e fascinante que chamamos de Universo.
4 universePara saber mais: O livro “Os 4% do Universo: a matéria escura, energia escura e a corrida para descobrir o resto da realidade”, escrito por Richard Panek, nos mostra como sabemos pouco a respeito do Universo. Sabia que 96% do que constitui o universo é algo totalmente contrário à matéria comum que compõe estrelas e galáxias, planetas e luas, pássaros e abelhas, eu e você? Ou seja, 96% do universo é composto por algo que não fazemos (ou melhor, os cientistas) a mínima ideia. No universo, dentre os 4% que se tem conhecimento, 1% é conhecido como matéria escura e os restantes 3% como “energia escura”. A matéria escura não interage com a força eletromagnética e é invisível, no entanto é observada por astrônomos através da sua atração gravitacional sobre a matéria.
Fonte: Blog Tudo Nosso

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