terça-feira, 16 de agosto de 2016

Mundo isola Temer nas Olimpíadas

A medíocre presença de chefes de estado na Rio-2016 revela, na prática, o total isolamento do covil de Michel Temer.
Segundo relato do jornalista Jamil Chade, "o Itamaraty havia anunciado que 45 chefes-de-estado e de governo estariam na abertura dos Jogos Olímpicos, na noite desta sexta-feira.
Mas uma lista obtida pelo Estado revela que o número total foi de apenas 18, sendo que os demais eram apenas vice-primeiros ministros, governadores e autoridades de segundo escalão. A reportagem do Estado foi a única a entrar nos camarotes presidenciais e constatou como muitos dos locais VIPs permaneceram vazios, enquanto ministros e autoridades circulavam sem qualquer compromisso. Alguns deles ainda tiveram tempo para abrir freezers para escolher sorvetes ou conversar sobre as apostas de medalhas".
O vexame internacional

"A lista se contrasta com o que o governo anunciava ainda em maio de que tinha mais de 50 pessoas confirmadas e que esperava chegar a 70 convidados VIPs. A ausência era nitidamente notada nos corredores internos do estádio, vazios e com comida, funcionários e seguranças sobrando". O vexame, porém, ainda foi maior, segundo o relato de Jamil Chade: "O governo brasileiro tentou convidar os poucos líderes a ficar no principal camarote, ao lado de Michel Temer, presidente interino. Sem sucesso, o local foi preenchido por diversos ministros do governo e autoridades municipais e do governo do estado. Antes mesmo de terminar o evento e logo depois do desfile da delegação da França, o presidente François Hollande deixou o Maracanã, à francesa".
A política vira-lata do Itamaraty
A medíocre presença na Rio-2016 não tem nada a ver com a "distância do país", segundo a canhestra desculpa do Itamaraty. Na prática, ela revela o total isolamento do covil de Michel Temer. A mídia internacional, que não está tão contaminada pelo golpismo da imprensa nativa, já carimbou na testa do Judas que ele é resultado de um golpe - na definição de um jornal português, ele usurpou o poder graças a uma "assembleia de bandidos, liderada por um bandido", numa referência a Eduardo Cunha. As manipulações da imprensa nativa, tentando naturalizar o "golpe dos corruptos", não convenceram os chefes de Estado de outras nações. Nem Barack Obama, interessado direto na conspiração vende-pátria, ligou para parabenizar Michel Temer ou recebeu o capacho José Serra em sua visita aos EUA.
Para agravar o isolamento, o "chanceler" bravateiro ainda comprou brigas com importantes parceiros do Brasil. Ele é um dos expoentes na tentativa de sabotar o Mercosul - o que explica porque somente o golpista paraguaio e o neoliberal argentino vieram ao Rio de Janeiro. José Serra também se indispôs com as potencias capitalistas. Irritadiço, ele chamou de "bobagem homérica" o relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, divulgado em julho, que apontou as dificuldades do covil golpista de Michel Temer. "A recessão profunda deve continuar em 2016 e 2017 com um cenário de alta incerteza política e de revelações correntes de corrupção que minam a confiança dos consumidores e investidores, o que leva à contração contínua da demanda doméstica".
A mídia brasileira, totalmente engajada no esforço para criar um clima de "otimismo" na gestão do Judas Michel Temer, não deu qualquer destaque para o documento. Já a imprensa europeia, menos contaminada pelo golpismo, repercutiu as conclusões do relatório da OCDE e não poupou críticas à postura arrogante e intempestiva do "chanceler interino". O falso diplomata chegou a bater boca com jornalistas durante uma entrevista coletiva em Paris. Pouco antes, ele foi recebido aos gritos de "Fora Serra" e "golpista" por um grupo de manifestantes em frente ao prédio da OCDE na capital francesa.
Deputados dos EUA rejeitam o golpe
A rejeição ao "golpe dos corruptos" tem se alastrado pelo mundo. No final de julho, 39 deputados dos EUA divulgaram carta aberta "para expressar a nossa profunda preocupação com os acontecimentos recentes no Brasil, que acreditamos ameaçar as instituições democráticas daquele país". Endereçada ao secretário de Estado John Kerry, o documento pede que ele tenha a "máxima cautela" nos contatos com "interino" Michel Temer. "O nosso governo deveria expressar forte preocupação em relação às circunstâncias em torno do processo de impeachment e fazer um chamado à proteção da democracia constitucional e do Estado de Direito no Brasil". A carta teve a adesão de mais de 20 entidades civis, entre elas da poderosa central sindical AFL-CIO, que possuí mais de 12 milhões de fil iados.
Já uma pesquisa divulgada pelo Jornal do Brasil atesta que "a imagem do governo Michel Temer está ruim na mídia mundial. Embora a tese de golpe associada ao impeachment da presidente Dilma tenha diminuído, pesaria contra ele a percepção de um governo tolerante com a corrupção. O fato da Lava-Jato ter solicitado a prisão da cúpula do partido de Temer - o PMDB - seria um dos pontos que pesam na pesquisa... Nem a realização das Olimpíadas teria ajudado a melhorar esta imagem". Pelo jeito, o irritadiço José Serra terá muito trabalho para reverter essa visão. A generosidade da mídia nativa não será suficiente para convencer o mundo sobre a justeza do "golpe dos corruptos" no Brasil.
O "chanceler" José Serra está totalmente desmoralizado - e não é apenas devido à denúncia vazada na semana passada de que ele teria recebido R$ 23 milhões da Odebrecht para seu Caixa-2 na campanha presidencial em 2010. A abertura das Olimpíadas também confirmou que o "interino" é um bravateiro - para não dizer mentiroso. Ele havia garantido que 45 chefes de Estado participariam da solenidade no Rio de Janeiro. Na verdade, só compareceram 18 líderes mundiais, o que confirma o isolamento internacional do covil golpista do Michel Temer e o descrédito do tucano. A informação foi revelada pelo Estadão, mas não ganhou as manchetes da mídia chapa-branca.
Apesar dos notórios vínculos do jornal da famiglia Mesquita com o tucano José Serra, a reportagem não teve como esconder o fiasco do "chanceler" golpista. "Depois de Londres em 2012 receber mais de 90 chefes-de-estado, de Pequim ter mais de 70, de Atenas com 48 e de Sidnei com 24, a Rio-2016 acabou sendo prejudicada pelo caráter interino do governo brasileiro, da crise e, segundo o Itamaraty, pela 'distância' que representa a viagem até o país". Estiveram no Maracanã apenas os governantes de Andorra, Argentina, Bélgica, Eslováquia, Fiji, França, Geórgia, Holanda, Hungria, Itália, Lituânia, Luxemburgo, Monaco, Paraguai, Portugal, República Tcheca Servia e Suíça.
Fonte: Carta Maior

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