sábado, 23 de julho de 2016

Pró-Esia - Fábroca de Versos... 10 DISCOS PARA GOSTAR DE SYNTHPOP

Fruto de uma série de experimentos gerados ainda na década de 1960, porém, ampliados comercialmente no fim dos anos 1970, o Synthpop está longe de ser encarado como uma manifestação de um período específico de tempo. Ainda que tenha encontrado sua melhor (ou pior) forma no começo dos anos 1980, com a popularização de artistas como Ultravox, Duran Duran e The Human League, o gênero é a ponte para aproximar musicalmente registros lançados há três décadas ou apenas há três anos.
Dos inventos robóticos inaugurados pelo Kraftwerk pós-Trans-Europe Express (1977), passando pela “Era Berlim” de David Bowie, até o caráter dançante do Cut Copy, cada época replica o estilo dentro de diferentes fluxos e tendências particulares, exercício resumido em nossa lista de 10 Discos para Gostar de Synthpop. São trabalhos que vão de 1978 até 2012 em uma série de pequenas adaptações do gênero. Menções honrosas para Devo (Freedom of Choice, 1980), Duran Duran (Rio, 1982), Ladyhawke (2008) e La Roux (2009).
Fruto de uma série de experimentos gerados ainda na década de 1960, porém, ampliados comercialmente no fim dos anos 1970, o Synthpop está longe de ser encarado como uma manifestação de um período específico de tempo.
Ainda que tenha encontrado sua melhor (ou pior) forma no começo dos anos 1980, com a popularização de artistas como Ultravox, Duran Duran e The Human League, o gênero é a ponte para aproximar musicalmente registros lançados há três décadas ou apenas há três anos.
Dos inventos robóticos inaugurados pelo Kraftwerk pós-Trans-Europe Express (1977), passando pela “Era Berlim” de David Bowie, até o caráter dançante do Cut Copy, cada época replica o estilo dentro de diferentes fluxos e tendências particulares, exercício resumido em nossa lista de 10 Discos para Gostar de Synthpop. São trabalhos que vão de 1978 até 2012 em uma série de pequenas adaptações do gênero. Menções honrosas para Devo (Freedom of Choice, 1980), Duran Duran (Rio, 1982), Ladyhawke (2008) e La Roux (2009).
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Gary Numan
Gary Numan
The Pleasure Principle (1979, Beggars Banquet)
Ao estrear em carreira solo com The Pleasure Principle, Gary Numan não apenas trouxe novo sentido ao trabalho que vinha desenvolvendo com os parceiros do Tubeway Army, como para a produção musical da época – e além dela. Doce e desconcertante na mesma proporção, o álbum fragmenta as experiências da New Wave em um universo essencialmente provocador, íntimo das harmonias robóticas emanadas pela produção alemã do período – principalmente o Kraftwerk, relação explícita na faixa Cars. Equilibrando sintetizadores, batidas lentas e vozes ora cantadas, ora declamadas, Numan desenvolve um universo próprio, futurístico em se tratando da arquitetura instrumental que o define, mas nostálgico quando observamos o detalhamento lírico das canções, quase minimalistas. Marcado pelas referências – como a capa do disco, inspirada em Le Principe du Plaisir do pintor René Magritte -, a “estreia” do britânico seria a base para um centena de projetos futuros, indo dos primeiros álbuns de Trent Reznor no Nine Inch Nails aos conceitos instrumentais que abasteceram as bases do Afrika Bambaataa.
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Kraftwerk
Kraftwerk
Computer World (1981, EMI)
Até o lançamento de Computer World, o Kraftwerk já havia produzido uma sequência de obras transformadoras e bem recebidas tanto pelo público como pela crítica – principalmente Trans-Europe Express (1977) e The Man-Machine (1978). Todavia, nunca antes o grupo comandado por Ralf Hütter e Florian Schneider pareceu tão acessível, “pop”, quanto no disco de 1981. Brincando com o conceito da dominação das máquinas – temática frequente nos trabalhos do grupo -, o álbum usa da mecânica simples dos versos e arranjos como um princípio de atração/hipnose para fisgar o ouvinte. Como engrenagens em um movimento padronizado, vozes sintéticas e pequenas batidas eletrônicas se encaixam nas bases ambientais do registro, solucionando uma obra que mesmo matemática em sua arquitetura, não exclui a presença “orgânica” dos próprios criadores. Último álbum de fato influente do grupo, Computer World é a chegada definitiva do Kraftwerk nos anos 1980, além de um conjunto de regras para a produção musical das próximas três décadas.
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New Order
New Order
Movement (1981, Factory)
Qual direção seguir depois do fim do Joy Division? A reposta parece fluir de maneira mais do que natural no interior de Movement, álbum que apresentou ao público o New Order. Com a esperançosa Dreams Never Endencaixada na abertura do disco, a banda britânica não apenas dava sequência aos inventos sombrios testados em Unknow Pleasures (1979) e Closer (1980), como partia em busca de um terreno cada vez mais complexo e experimental. Enquanto as melodias iniciais tendem à celebração, os ruídos tímidos de músicas como Truth e as batidas matemáticas de Senses alertam para o futuro “eletrônico” do grupo. São instantes de plena intimidade (The Him) e faixas que se cobrem de ambientações compactas (Doubts Even Here), preferências que conduz o álbum como um imenso catálogo de possibilidades e pequenas descobertas. Ainda que os melhores registros do grupo só fossem aparecer oficialmente em poucos anos, a transição lançada em Movement se revela de forma de forma assertiva, como um breve e inteligente anuncio do que ainda estava por vir.
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Orchestral
Orchestral Manoeuvres in the Dark
Architecture and Morality (1981, Virgin)
Desde o lançamento do primeiro álbum de estúdio, em 1980, os britânicos do Orchestral Manoeuvres in the Dark sempre contaram com a boa recepção dos ouvintes. Letras atrativas, arranjos delineados com precisão e um curioso domínio das experiências mais sombrias dos indivíduos, ferramentas essenciais para o universo temático/sonoro dos ingleses. Em Architecture and Morality, entretanto, os mesmos elementos alcançaram um novo estágio autoral. Tão acessível quanto complexo, o disco atenta para o uso de colagens eletrônicas experimentais sem necessariamente romper com o delineamento pop da obra – vide o desempenho do grupo emSouvenir e Joan Of Arc. Marcado pela sobreposição de sintetizadores e pequenas bases eletrônicas, o álbum fragmenta uma série de referências alcançadas na música da época, abrindo passagem para os futuros projetos do grupo – como Dazzle Ships (1983) -, bem como para o trabalho de LCD Soundsystem, Radiohead, The XX e outros artistas influenciados pela banda.
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new
Simple Minds
New Gold Dream (81-82-83-84) (1982, Virgin)
New Gold Dream, quinto álbum do Simple Minds, talvez seja uma das melhores representações de como a música pop se comportou na década de 1980. Ainda que ecoe dentro de uma estufa limitada de arranjos e tendências, típicas da época em que foi criado, a capacidade do grupo escocês em explorar todas as possibilidades dentro desse contexto preenche os ouvidos do espectador. São três baterias, efeitos percussivos abrangentes, um catálogo de sintetizadores, vozes e efeitos. Até o pianista Herbie Hancock aparece em um solo hipnótico de teclados em Hunter and the Hunted. Longe de assumir o mesmo caráter “revolucionário” de outros trabalhos lançados no mesmo período, a obra-prima do grupo de Glasgow é um disco que sabe como explorar suas “limitações”. São pelo menos três grandes hits – Someone Somewhere in Summertime, Promised You a Miracle e Glittering Prize -, músicas que deram novo andamento ao pós-punk e certa dose de “alegria” ao ambiente macambúzio da época.
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Violator
Depeche Mode
Violator (1990, Mute)
Depois de uma década de obras marcadas pelas melodias sintetizadas e faixas comercialmente bem recebidas pelo público, Violator trouxe novo sentido ao trabalho do Depeche Mode. Sombrio e alimentado em essência por temas densos, o álbum se acomoda em uma nuvem de referências poéticas soturnas, perfeitamente enquadradas para os vocais sedutores de Dave Gahan. Sexo, depressão, medo e abandono recheiam o conteúdo da obra, que mesmo alimentada pelas experiências mais obscuras (e tristes) do qualquer indivíduo, ainda hoje soa como um típico catálogo de músicas pop. Casa de algumas das canções mais conhecidas e intensas do grupo, caso de Enjoy the Silence e Personal Jesus, Violator talvez seja o último respiro das experiências e conceitos que marcaram a década de 1980, derrubando traços da música gótica para mergulhar em experiências típicas da ascendente cena industrial. Um álbum recluso e perturbador, mas, ainda assim, capaz de colar nos ouvidos logo nos primeiros segundos.
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Cut Copy
Cut Copy
In Ghost Colours (2008, Modular)
Em Bright Like Neon Love, de 2004, o Cut Copy parecia ter se transportado para o começo dos anos 1980. Vozes plásticas e um chuva de sintetizadores pegajosos ocupam todas as experiências lançadas pela banda, que ao alcançar In Ghost Colours, em 2008, resolveu perverter todo esse propósito. Apontado para o começo da House Music, ao mesmo tempo em que resgata aspectos da psicodelia no final dos anos 1960, o segundo álbum do coletivo australiano dança pelo tempo, esbanjando cores, harmonias e canções atentas aos mais diversos públicos. Com uma das melhores faixas de aberturas de todos os tempos, Feel The Love, o grupo arremessa uma sequência de hits em ritmo ascendente, até o último ato. São faixas intensas como Light & Music,Out There On The Ice e, principalmente, Hearts On Fire, uma rica colisão de ideias e tendências que em nenhum momento rompe com a proposta do grupo: fazer o ouvinte dançar.
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Twin Shadow
Twin Shadow
Forget (2010, 4AD/Terrible)
George Lewis Jr. era apenas uma criança quando a década de 1980 teve seu ápice criativo. Contudo, a relação do músico nascido na República Dominicana com a sonoridade do período é tão genuína quanto qualquer registro lançado na mesma época. Exemplo disso está na construção de Forget, álbum de estreia do Twin Shadow e uma fina continuação dos sons lançados na boa fase da New Wave. Condensando a própria melancolia do músico e versos de forte apelo comercial, o disco vai da leveza (Tyrant Destroyed) ao exagero (Slow) dramático em um exercício atento, nostálgico na maior parte do tempo. Produzido por Chris Taylor (Grizzly Bear), o álbum de 11 faixas usa do romantismo como um princípio de crescimento, prendendo o ouvinte em um cenário marcado pela separação e sentimentos sempre confessos. Da melancolia em câmera lenta de When We’re Dancing, ao teor dançante de Yellow Balloon, cada minuto do registro arrasta o público para um cenário tão presente, quanto empoeirado pela passagem do tempo.
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M83
M83
Hurry Up, We’re Dreaming (2011, Naïve/Mute)
Com o lançamento de Saturdays = Youth, em 2008, Anthony Gonzalez passou a desenvolver um conceito muito mais abrangente dentro da estética do M83. Utilizando dos sintetizadores como uma corda instrumental, o músico francês amarra elementos do Dream Pop, Pós-Rock e Eletrônica de forma homogênea, princípio para o sustento instrumental deHurry Up, We’re Dreaming (2012), a obra-prima do artista. Extenso – são quase duas horas de música dissolvidas em 22 canções -, o álbum passeia livremente por diferentes décadas, indo de Kraftwerk e Simple Minds nos anos 1980, ao conjunto de novas experiências dos anos 2000. Alavancado pela faixa Midnight City – a melhor música de 2011 -, o trabalho ainda cresce em faixas comoReunion, Wait, Splendor e Ok Pal, revelando um registro tão desafiador comercialmente, quanto atento às exigências do público médio. Descomunal e ainda assim acolhedor em suas harmonias,Hurry Up, We’re Dreaming é uma obra que flutua entre o real e o onírico, brincando com as diferentes interpretações do ouvinte.
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Chairlift
Chairlift
Something (2012, Kanine)
Ao estrear em 2008 com Does You Inspire You, o (então) trio Chairlift parecia apenas seguir a trilha redundante de boa parte dos artistas da época. Uma comunicação limitada entre o Indie Pop e as experiências simples dos anos 1980. Todavia, ao alcançar Something, em 2012, Caroline Polachek e Patrick Wimberly, os membros remanescentes do grupo, deram novo sentido aos próprios inventos. Abraçando os clichês, arranjos pegajosos e versos cíclicos, o duo nova-iorquino fez das 11 faixas do trabalho um resgate curioso dos sons lançados há três décadas. Kate Bush (Take It Out On Me), A-Ha (I Belong in Your Arms), Cocteau Twins (Cool as Fire) e uma centena de outros artistas do período vivem em essência pelo trabalho, fazendo do registro uma inevitável ponte entre o passado e o presente. Longe de ecoar como um mero pastiche, Something brilha ineditismo, feito conduzido nas impressões autorais de Polachek – matéria-prima para o conceito lírico que abastece toda a obra. O típico caso de um disco que se fosse lançado em 1981 seria encarado hoje como um clássico.

Fonte: Miojo Indie
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