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quarta-feira, 31 de março de 2021

Pró-Esia - Fábrica de Versos... Manu Chao, crônica do astro que virou as costas ao sistema

O cantor, que desapareceu renegando da fama, prefere atuar em bares, apoia causas minoritárias e dá canções de presente. Nos últimos dias, o coronavírus o devolve à atualidade

Aconteceu num dos momentos culminantes da sua carreira, depois de concluir a etapa do Mano Negra e logo antes de publicar seu primeiro disco solo, Clandestino. Era julho de 1998 e Manu Chao (Paris, 58 anos) havia embarcado num projeto chamado La Feria de las Mentiras, um festival que reunia malabaristas, DJs, shows, teatro… Um projeto ambicioso que precisou de meses de preparação e uma zelosa tarefa de contabilidade para que não fosse deficitário. Optou-se por desenvolvê-lo em Santiago de Compostela, no Mercado de Gado de Salgueiriños.

Aconteceu num dos momentos culminantes da sua carreira, depois de concluir a etapa do Mano Negra 
e logo antes de publicar seu primeiro disco solo, Clandestino. Era julho de 1998 e Manu Chao (Paris, 58 anos) havia embarcado num projeto chamado La Feria de las Mentiras, um festival que reunia malabaristas, DJs, shows, teatro… Um projeto ambicioso que precisou de meses de preparação e uma zelosa tarefa de contabilidade para que não fosse deficitário. Optou-se por desenvolvê-lo em Santiago de Compostela, no Mercado de Gado de Salgueiriños. Milhares de pessoas tinham comprado o ingresso por 5.000 pesetas (30 euros, 172 reais pelo câmbio atual). O recinto estava cercado, e uma empresa de segurança foi contratada para controlar os acessos. Mas alguns encontraram um lugar pouco vigiado. Alguns minutos depois do começo do show, Manu Chao estava lá, ajudando um grupo de penetras. O chefe boicotando a si mesmo. Empurrava uma das cercas e estimulava fãs a entrarem mesmo sem terem passado pela bilheteria. “Venham, venham, rápido, passem.” Os espectadores furtivos nem reconheceram o cantor, com a cabeça encapuzada. Passaram-se mais de duas décadas daquilo, e desde então Manu Chao só acentuou este espírito indômito, temerário e contraditório.

Nos últimos dias, fez algo que andava evitando neste século: equiparar-se a astros como Alejandro Sanz ou Bon Jovi. Como: publicando um vídeo com canções para aliviar o confinamento das pessoas. Com esta ação generosa, o cantor recordou ao público maciço que continua aí, que não está desaparecido. Embora, na verdade, sempre tenha estado ativo, mas esquivando o sistema.

Manu Chao não tem gravadora; não faz turnês como as dos artistas de sua categoria; tem ofertas para tocar nos melhores festivais do mundo, mas não quer; não se interessa por entrevistas; não lança discos; não aparece para receber prêmios; não usa celular…

Tudo isso não o impede de estar fazendo coisas o tempo todo. Você pode encontrá-lo atuando num bar de bairro, sem avisar, ou camuflado com outro nome. Ou escutar suas novas canções em seu site. O artista foi apanhado pela mano negra do coronavírus enquanto fazia uma turnê pela Índia, Bangladesh, Sri Lanka, Filipinas… Salas pequenas e em formato acústico de trio. Quando a coisa ficou feia, conseguiu chegar ao seu apartamento de Barcelona, de onde está gravando canções que publica em suas redes sociais com o nome de Coronarictus Smily Killer Sessions. Algumas são versões de canções dele (Otro Mundo), de outros, como Kiko Veneno (Echo de Menos), ou temas que aparentemente são novos (Mi Libertad).

Certamente não existe um músico nos últimos anos como ele, capaz de dar as costas ao sistema quando poderia tirar tantas coisas dele. Chao foi um campeão de vendas em nível mundial no final dos anos noventa, com discos como Clandestino (1998) e Próxima Estación, Esperanza (2001), que juntos despacharam quatro milhões de cópias. Chao lapidou aquela música bastarda de seu ex-grupo Mano Negra, acelerada e desordeira, e propôs algo mais pausado, melancólico. Reggae, rumba, ritmos latinos… para um disco, Clandestino, canônico no que se chamou de mestiçagem. Crucial a parte da mensagem, resumida em duas ideias que repetiu naqueles anos: “Tudo é mentira” e “Vivemos a ditadura da economia”.

“São canções simples, mas há muita verdade e sinceridade. Manu utiliza as palavras adequadas. Tudo parece fácil, mas tem uma grande complexidade”, observa a cantora Amparo Sánchez, cujo projeto musical mais conhecido é o Amparanoia. Sánchez colabora com Chao há 25 anos. “É um artista crucial para entender o devir do rock na América Latina durante os anos oitenta e noventa. Também é um entroncamento entre a música europeia e africana. Sua marca é crucial e indiscutível”, afirma o jornalista Bruno Galindo, que compartilhou com Chao uma longa viagem pelo Brasil.

Mas Manu Chao viu as longas garras da fama chegarem perto demais e fugiu. As encontrou, olhou-as de frente e lhes disse: “Não me quero sentir como um boneco numa tempestade”. A troco de quê? “Em um sentido mais amplo, a troco de liberdade”, afirma Kike Babas, autor, com Kike Turrón, do recente Manu Chao. Ilegal. Perseguiendo el Clandestino (Bao Bilbao Ediciones). “A missão de Manu é viver a vida, viajar, não cair na rotina. Um de seus exemplos é Bob Marley. Acredito que Manu vive e sente a vida como Marley”, afirma Turrón.

Amparo Sánchez recorda como começou sua relação com Chao. “Era 1995 e eu acabava de chegar a Madri. Tinha 25 anos. Costumava ir pela rua Madera [no centro] para ensaiar carregando meu violão e o tripé do microfone. E sempre cruzava com um sujeito pequeno que me cumprimentava. Eu era fã do Mano Negra, mas não reconhecia Manu quando me dizia ‘olá’. Um dia decidimos tomar uma cerveja em um bar da praça Dos de Mayo. Falamos por três horas. Contou-me suas viagens pela América Latina, as causas sociais que lhe pareciam interessantes… Mas eu continuava sem localizá-lo e ele não disse nada. Ao ir embora me comentou que tinha um grupo e que ensaiavam num porão próximo, que passasse por lá um dia. E passei. Abriu ele mesmo a porta e percebi que era o Mano Negra.”

Nascido em Paris de pai galego (Ramón) e mãe basca (Felisa), Manu Chao não se interessava muito pelos livros que enchiam a sala da sua casa de classe média. Preferia a rua. Ramón Chao (Lugo, 1935 – Barcelona, 2018), seu pai, era um jornalista e escritor que trabalhava para veículos como o Le Monde e recebia prêmios literários. Os dois filhos do casal, Antonie (nascido em 1964) e José Manuel, o Manu (em 1961), começam de adolescentes a tocar rock. Manu forma bandas como Hot Pants e Los Carayos… e o Mano Negra, junto com seu irmão, que começou em 1987 com sua mistura de punk, ska e ritmos latinos e se manteve num caminho ascendente em popularidade até sua dissolução em 1997.

A ruptura do Mano Negra, que acabou em julgamento, destroçou Chao. “Foi uma etapa de grande desânimo. Inclusive ele cogita deixar a música. O final do grupo lhe causou muito desgaste e a isto se uniu uma separação sentimental. Deprime-se. Pensa em virar trabalhador social na África ou em seguir os passos do seu pai e virar jornalista”, afirma o escritor Kike Babas.

Chao opta por uma viagem terapêutica pela América Latina que lhe salvaria tanto emocional como criativamente. Conhece sua namorada no Brasil e se nutre dos ritmos latinos. Toda esta melancolia latina será o arcabouço de Clandestino, que grava ao regressar à Espanha. “O sucesso de Clandestino nos pegou de surpresa. Não o esperávamos na gravadora, e acho que Manu tampouco. Ele sempre foi muito honesto, um músico que se nutre do bairro, que prefere tocar com músicos desconhecidos que conhece num bar a tocar com grandes nomes”, conta Javier Liñán, a pessoa de confiança do franco-espanhol em sua etapa na multinacional Virgin. O disco vendeu milhões de cópias. Música em espanhol acotovelando-se com os que triunfavam naquela época: Britney Spears, NSYNC, Eminem, Limp Bizkit…

Sagrario Luna conhece Manu Chao desde que formou o Hot Pants, no final dos anos oitenta. “Lembro que naquela época só falava de Chuck Berry e Camarón e usava um pequeno topete”, comenta. Depois trabalhou com ele em turnês e na Virgin. “Era trabalhar com um colega”, observa. “Durante muito tempo, ser Manu Chao pesou muito para Manu Chao. Depois do sucesso de Clandestino, todo mundo lhe pedia opinião sobre tudo, e acho que isso lhe gerou muita frustração”, diz Luna. E acrescenta: “Sempre me pareceu um sujeito de verdade. Tem nuances, como todos, mas nunca foi falso. Por outro lado, o achava bastante solitário, com poucos amigos, dos quais, isso sim, cuidava muito”. O discurso de Chao naquela época tem tintas de visionário. Alerta sobre o populismo xenófobo, o integralismo religioso, a morte do formato físico na música. E cria um movimento ao redor dele. Assim o definiu Fermín Muguruza, músico que também colaborou com o artista: “Formou-se uma rede internacional do rock em que estavam todos remando para conseguir um mundo melhor”.

Para entender a posição fora de foco atual do músico, é preciso revisar dois episódios de sua vida, decepções que tiraram a pouca fé que ele tinha no establishment. Uma delas é com Iggy Pop, um músico a quem Chao admirava… até que o Mano Negra abriu um show do líder dos Stooges. Assim contou ele certa vez à revista Tentaciones, do EL PAÍS: “Com Iggy Pop aprendemos a dura lei de show-business. Boicotaram o nosso som, proibiram o pessoal do catering de nos dar de comer, às vezes até nos proibiram de tocar. E, no final, o numerozinho. Quando alguém da segurança – às vezes o próprio filho do Iggy, que trabalhava na turnê – empurrava alguém que tentava subir ao palco, Iggy dizia: Ei, você, seu filho de puta, não toque no meu público!’. E toda a plateia pensando: ‘Que cara mais maneiro é o Iggy’”.

E o segundo episódio tem a ver com seu compromisso social. Em julho de 2001 o cantor vai a Gênova (Itália) para protestar, com muitos milhares mais, durante a reunião dos países mais poderosos, o G-8. O anfitrião é Silvio Berlusconi, à época primeiro-ministro italiano. Chao atua e no dia seguinte participa, esmurrando um tambor, de uma grande manifestação contra a política do G-8. E vai embora para a França. No dia seguinte, o caos. Um grupo de manifestantes violentos entra em ação, e a polícia italiana revida com força. As imagens corem o mundo, com manifestantes pacifistas envoltos num furacão de violência. Chao vê tudo pela televisão da sua casa, em Paris, e fica horrorizado.

Muitos o reclamam como o líder antiglobalização que as ruas necessitam. Ele primeiro fala. “Esse movimento não necessita de líderes, se houver líderes é nefasto para o movimento. Essa etiqueta do líder do movimento eu rejeito”, afirma numa entrevista coletiva em Valência, antes de um show, em setembro de 2001. E, nos anos seguintes, reluta a todo custo em aparecer no noticiário. Procura batalhas antimidiáticas, lutas de pequenas comunidades. Como as reivindicações salariais das trabalhadoras do Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) de Barcelona; em Mendoza (Argentina), para apoiar que não se permita o fracking e a mineração em grande escala; incentivando as chamadas kellys (camareiras de hotéis); em defesa do povo mapuche; ao lado dos migrantes; contra a multinacional Monsanto… Aparece sempre com seu violãozinho, vestido com suas eternas calças corsário e com seu perene sorriso desenhado no rosto. Chao escuta, canta e apoia economicamente. Não sai na imprensa, poucos ficam sabendo.

“Manu se dói pelo mundo. E se acalma indo aos lugares e apoiando causas pequenas que considere justas. Em seus shows grandes, sempre deixa um lugar para que estes coletivos se expressem. Em um momento dado do show, para e sobem ao palco para se expressarem, como ocorreu em 2016 na Plaza Mayor de Madri”, diz Kike Babas, que foi o contato entre o artista e a equipe de Manuela Carmena, então prefeita da capital, para celebrar o recital. “Quis estar em Madri porque depois de muitos anos na capital se respiravam outros ares. Mas deixou muito claro que não queria que o vinculassem nem com algum partido político nem com o [movimento de indignação popular] do 15-M”, diz Babas.

Quem compartilha vivências com ele salienta seu caráter austero: “Quando você se senta para comer com ele, não há dois pratos e sobremesa. Você só belisca”; “o lugar mais incômodo onde já dormi na minha vida foi com o Manu: em um povoado do Brasil, numa espécie de armário; “compra roupas em lojas de segunda mão”… Amparo Sánchez conta uma história curiosa a respeito: “Manu já era uma estrela, mas recordo que quando marcávamos de nos encontrar ficávamos sentados na porta de um prédio, com cigarros e uma cerveja, e ali passávamos as horas falando”. O artista pode se permitir esta vida errante e livre de grilhões (familiares, profissionais…) porque sua conta corrente é generosa. “As vendas de seus dois primeiros discos solo e os direitos autorais são suficientes para que ele e sua descendência vivam de forma bastante folgada”, diz uma fonte. A julgar pelas canções que publica em seu site, não se vislumbra uma evolução musical. “Não acredito que precise nem que a busque. Interessa-se pela cultura popular, pelo bairro, pelo músico que trabalha na rua”, aponta Liñán.

Sua casa em Barcelona tem 80 metros quadrados e é uma espécie de oficina de trabalho, com um computador, lembranças dos lugares por onde viaja e, num canto, um catre “que não parece muito cômodo”. Passa ao menos uma vez ao ano pelo Brasil, onde vive, no Ceará, seu único filho, Kira, que já tem mais de 20 anos.

No ano que vem Manu Chao completará 60 anos. Manteve-se sempre afastado das drogas duras: preferiu fumar maconha e beber licores depois da refeição, mas de forma comedida. Conserva-se juvenil. É pequeno, magro e fibroso. Corre, joga futebol e se mexe, sempre se mexe. Sua última canção confinada se chama Mi Libertad. Diz assim: “Minha liberdade, minha companheira, minha liberdade, minha solidão”.

Fonte: El País

segunda-feira, 22 de março de 2021

Pró-Esia - Fábrica de Versos...Paulo Ricardo é condenado e não pode mais cantar clássicos do RPM

A Justiça de São Paulo proibiu o cantor Paulo Ricardo de usar a marca RPM bem como explorar comercialmente as principais músicas da banda, a mais popular do rock nacional nos anos 1980. O vocalista foi condenado pela juíza Elaine Faria Evaristo, da 20ª Vara Cível de São Paulo, em um processo movido em 2017 pelos demais integrantes do RPM (Luiz Schiavon, Fernando Deluqui e Paulo Pagni, que morreu em 2019). Paulo Ricardo vai recorrer da decisão.

A Justiça de São Paulo proibiu o cantor Paulo Ricardo de usar a marca RPM bem como explorar comercialmente as principais músicas da banda, a mais popular do rock nacional nos anos 1980. O vocalista foi condenado pela juíza Elaine Faria Evaristo, da 20ª Vara Cível de São Paulo, em um processo movido em 2017 pelos demais integrantes do RPM (Luiz Schiavon, Fernando Deluqui e Paulo Pagni, que morreu em 2019). Paulo Ricardo vai recorrer da decisão.

Por conta da sentença, o vocalista somente poderá gravar ou se apresentar cantando clássicos como "Louras Geladas", "Olhar 43" e "Rádio Pirata" se houver a concordância expressa do tecladista Schiavon, coautor das canções. 

O ponto central da disputa é um contrato assinado em 2007 no qual os músicos se comprometeram a não explorar individualmente o nome RPM.

Paulo Ricardo ficou, então, responsável por registrar a marca no Inpi (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) como propriedade dos quatro. Mas, segundo os demais músicos, que o acusam de deslealdade e má-fé, ele o fez apenas em seu próprio nome. 

A situação teria sido descoberta apenas em 2017, numa das tantas idas e vindas do grupo nesses mais de 30 anos de existência, quando Paulo Ricardo avisou que não faria novas apresentações com os ex-parceiros, descumprindo um acordo, segundo a acusação.

O vocalista terá de pagar uma indenização de R$ 112 mil, mais juros e correção, aos antigos colegas. 

Paulo Ricardo nega ter descumprido o acordado e diz que a marca RPM estava registrada em seu nome desde 2013. Considera que a banda foi criada sob sua incontestável liderança e que os colegas eram meramente músicos acompanhantes. Diz que, embora Schiavon e ele assinassem a autoria das músicas, numa espécie de pacto Lennon & McCartney, 80% das canções são de sua criação.

"Na verdade, o processo apenas revela o escuso intuito de monopolizar as canções que foram compostas por Paulo Ricardo, de arrancar-lhe à força a possibilidade de se expressar artisticamente, quase que em um ato de censura", afirmou a defesa do vocalista no processo. 

Schiavon e Deluqui disseram à Justiça que pretendem retomar o RPM, substituindo Ricardo por outro vocalista. "Nós ajudamos a construir o RPM no mercado, não é justo que um dos componentes não queira continuar e ainda impeça os outros de o fazer", afirmou Deluqui, em entrevista em 2018.

Acrônimo de Revoluções Por Minuto, o RPM vendeu 2,5 milhões de cópias do álbum "Rádio Pirata ao Vivo". O grupo despertava tanta histeria nos fãs que chegou a precisar se deslocar em carros-fortes. Virou até álbum de figurinha. 

Para a defesa de Paulo Ricardo, ele foi o maior responsável pelo sucesso do RPM. "Uma realidade é inegável: o que conferiu projeção à banda no âmbito nacional e que tornou conhecidas as músicas foram a voz e a personalidade do Paulo Ricardo", afirmaram os advogados à Justiça.

Os outros integrantes argumentam que o cantor nunca teve grande projeção fora da banda: "Paulo Ricardo é um artista que não consegue se sustentar com aquilo que produziu individualmente, mas apenas encostado nas criações de Luiz Schiavon, Fernando Deluqui e Paulo Pagni", afirmam os músicos no processo. "Suas músicas-solo não fizeram e não fazem sucesso." 

A última apresentação do RPM ocorreu em 2017, a bordo de um navio.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Pró-Esia - Fábrica de Versos... A filosofia do homem que mora em um castelo de areia: “Tento não me apegar a nada

Márcio Mizael vive do efêmero numa praia do Rio de Janeiro. Ele mora na rua desde os 8
Márcio Mizael Matolas nasceu há 44 anos em um bairro paupérrimo do Rio de Janeiro, mas hoje mora num castelo. Construído num dos calçadões com o metro quadrado mais caro da cidade, ele tem vista livre para o Atlântico, vizinhos nobres e uma quadra de vôlei no quintal. O homem usa coroa de rei e os banhistas param para tirar fotos junto à fortaleza. Seu reinado, porém, é tão efêmero como a areia, mas foi assim que concebeu sua forma de viver: “As pessoas gostam muito de possuir. Eu tento não me apegar a nada”.

Márcio Mizael Matolas nasceu há 44 anos em um bairro paupérrimo do Rio de Janeiro, mas hoje mora num castelo. Construído num dos calçadões com o metro quadrado mais caro da cidade, ele tem vista livre para o Atlântico, vizinhos nobres e uma quadra de vôlei no quintal. O homem usa coroa de rei e os banhistas param para tirar fotos junto à fortaleza. Seu reinado, porém, é tão efêmero como a areia, mas foi assim que concebeu sua forma de viver: “As pessoas gostam muito de possuir. Eu tento não me apegar a nada”.

O homem, apelidado “Castelinho”, perdeu o pai assassinado antes de nascer e aos oito anos se lançou à rua. Começou vendendo quadrinhos, revistas e livros velhos no bairro do Flamengo, na zona sul da cidade, sem saber ler uma palavra do que oferecia. Foi na praia desse bairro onde lembra ter construído seu primeiro castelo: uma pirâmide. “Depois aprendi a fazer pirâmides incas, maias, astecas... Via os desenhos nas revistas”, relembra quase quatro décadas depois sob a sombra de uma árvore da praia do Pêpe, na Barra de Tijuca.

Com cerca de 10 anos, Castelinho já fazia seu dinheiro, ajudava a mãe e era conhecido no bairro. Sempre rodeado de livros, os moradores ensinaram ele a ler. Não sabe dizer quantas obras já devorou desde então, mas há uma que não esquece, mesmo porque já a leu quatro vezes. Capitães de Areia, de Jorge Amado, narra o cotidiano de um grupo de meninos sem teto na Bahia e também o dele próprio. “Ele retrata bem a vivência de rua, o sentimento de egoísmo e de solidão”, diz este rei de bermuda.

Um dia uma família se dispôs a adotá-lo, mas ele se recusou. “Eu sempre quis o carinho da minha família, não de outra”, explica. “Sempre vi as mães dos outros abraçando os filhos e eu chorava muito com isso. Ela já me abraçou quando eu fui mais velho, mas sabe essa coisa de que, quando arranha, é difícil tirar a marca?”.

Com 14 anos, Castelinho acumulava mais de 15.000 livros numa rua de Leblon e nos tempos vagos ia para a praia para construir sereias e jacarés que o mar levava antes de qualquer um admirar. Começou também a brincar com origami, a arte japonesa de dobrar papel que um senhor lhe ensinou no hospital quando se recuperava do atropelamento de um ônibus. Fazia borboletas, mas também bonecos complexos. Casou e foi, por fim, morar sob um teto. Não deu certo. Tampouco os relacionamentos que vieram depois. “Poxa, há tanto tempo que não sinto o amor... Elas não entendem minha liberdade. Em seguida querem mudar como eu vivo. Me dizem: pô, eu não quero morar num castelo!”, diz rindo, com seu sorriso quebrado, da sua própria ironia.


O habitáculo onde ele mora, nos fundos desse palácio, tem até seu jeito. Escondido na estrutura de areia, o buraco tem sacos de dormir e redes no chão e prateleiras de livros nas paredes. Na porta fica Humana, a cachorra. “Já fiz castelo em Copacabana, onde tem um monte de turista. Mas aqui é sossegado, posso ler”. Protegido de desabamentos por sacos de areia e pilares de madeira, Castelinho não teme a chuva tropical do verão. “É pior o sol, que seca tudo e estraga”, diz, prometendo se dedicar umas quantas horas a restaurar sua obra.

Castelinho acha que lembrar do pior momento da vida é um exercício difícil. Mas recorda o mais feliz. “Uma vez eu fiz um castelo mirabolante em Copacabana, me deitei na frente dele e pensei: Cara, sou foda!”. No sol escaldante do início do verão, cigarro numa mão e uma latinha de cerveja na outra, o homem alimenta seu sonho: montar um ateliê onde trabalhar com mais matéria efêmera.


Durante a conversa, duas mulheres de chinelo de salto, vestidos de renda compridos e óculos de espelho posam com duas crianças na frente do palácio. Sentam numa cadeira de madeira batizada de “Trono das Estrelas” e lançam as melenas para um lado. “Pode botar a coroa!”, grita Castelinho de longe. As visitantes o ignoram, terminam suas fotos e vão embora sem soltar um centavo. “Antes eu brigava, tentava explicar que isto aqui não nasce sozinho, que preciso carregar areia, água, que preciso manter a estrutura, que as costas doem. Mas há um tempo que resolvi que era um desgaste, e que viva a arte!”.

Fonte:El País

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Pró-Esia - Fábrica de Versos... Nordestes mil – as múltiplas narrativas de Juliana Linhares

Foi no teatro que Juliana Linhares se encontrou primeiramente com a arte.
A entrevistada da seção #ArtistaFOdA desta semana nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, e atualmente mora no Rio de Janeiro. Ela conta que acabou entrando num grupo de teatro escolar após uma sugestão feita pela sua mãe, que pensou nessa possibilidade para poder ajudá-la com alguns exercícios de interpretação de texto. “Eu entrei no teatro e mal sabiam eles que o teatro ia tomar a minha vida como tomou. Nem eu imaginava que eu ia me encontrar tanto lá.”
A entrevistada da seção #ArtistaFOdA desta semana nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, e atualmente mora no Rio de Janeiro. Ela conta que acabou entrando num grupo de teatro escolar após uma sugestão feita pela sua mãe, que pensou nessa possibilidade para poder ajudá-la com alguns exercícios de interpretação de texto. “Eu entrei no teatro e mal sabiam eles que o teatro ia tomar a minha vida como tomou. Nem eu imaginava que eu ia me encontrar tanto lá.”

A partir daí, ela começou a se apresentar em alguns lugares e, com 17 anos, percebeu que também tinha uma habilidade para cantar. Mas ela ainda não se entendia como cantora.

“Eu sempre falo isso. Quando você é cantor ou cantora, você tem mais noção do que a sua voz representa ou do que ela pode representar, ou pelo menos deveria ter. Porque na hora que você se coloca como cantor, a pessoa está muito ali para te ouvir. Eu sinto que eu sou cantora desde o momento em que eu entendi que podia assumir esse lugar, que eu sabia o que estava dizendo, que eu sabia o que estava fazendo.”

Dona de uma voz potente, Juliana já se apresentou por muitos palcos pelo país, seja com a banda Pietá, que surgiu em meados de 2011, quando ela estudava direção teatral na UNIRIO, ou até mesmo com espetáculos musicais, dos quais ela fez parte do elenco. A artista também integra o projeto Iara Ira ao lado de Duda Brack e Julia Vargas. Partindo da imagem de Iara, tradicional figura do folclore brasileiro, o projeto surgiu com a ideia de unir, pela primeira vez, três das destacadas vozes femininas da jovem geração da MPB, para então rever esta lenda, tirando a sereia do imaginário de um canto letárgico e nostálgico. As canções de Iara Ira estão disponíveis nas plataformas digitais e podem ser acessadas aqui.

Sobre o surgimento da banda Pietá, que também é composta por Frederico Demarca e Rafael Lorga, ela comenta: “Foi um momento de descoberta de uma autoralidade, de diferentes formas. Tanto dentro da banda, com um processo de música autoral, que era uma coisa muito nova pra mim como, ao mesmo tempo, pude também descobrir a autoralidade da minha própria voz, nesse estudo do canto.”

De lá pra cá, 2020 foi um ano que abriu também novas possibilidades na sua carreira, a partir do lançamento do seu primeiro trabalho solo. “A minha identidade como cantora se tornou muito misturada com a identidade do Pietá. E foi muito difícil pra mim entender quem eu era. É muito doido quando você é cantora de uma banda e lança um trabalho solo”.

Em dezembro do ano passado, ela lançou o EP “Perdendo o Juízo” como uma primeira experiência no campo das composições. “Eu vim amadurecendo uma coisa no meu coração, entendendo que eu precisava compor, que eu estava com a necessidade de me colocar dessa forma no mundo. De entender que eu posso, que eu sou capaz sim, e que eu não preciso me comparar às composições do Pietá. Então, no meio do processo do disco que eu estou preparando para este ano, eu fui convidada para participar de um lançamento de uma aceleradora de mulheres do Rio Grande do Norte, de Natal, chamada Pólen Aceleradora, e elas resolveram fazer um desafio que era desenvolver em 02, 03 meses um EP de 03 canções, com 03 vídeos de apresentação, produzido por mulheres.”

Juliana convidou a cantora Josyara, que é sua amiga, para poder assinar a produção musical deste trabalho. “Foi uma estreia nossa e foi muito importante para a nossa relação.” O EP conta também com outras parcerias, como é o caso do single que dá nome ao trabalho – uma composição desenvolvida em conjunto com Julia Branco, que também participa dos vocais da música.

Assista ao vídeo oficial de “Perdendo o Juízo”:

Mas é em 2021 que Juliana acredita que acontecerá de fato a sua estreia numa carreira solo. Ela lançará ainda no primeiro semestre o disco “Nordeste Ficção”. Para o desenvolvimento deste trabalho, ela compartilha que foi buscando entender sobre o que poderia falar e sobre o que seria interessante da sua voz falar nesse momento.

“Dentro de tudo isso, eu escolhi um tema que é o Nordeste Ficção, que é a invenção do Nordeste. E eu queria trazer para o disco, trazer para esta pauta do trabalho, neste momento, esta discussão. A discussão de um Nordeste inventado, que data de algo muito recente. De um Nordeste inventado após o surgimento de um regionalismo como conceito, e de como isso foi estabelecido, instaurado, reproduzido e continua sendo repetido até hoje, inclusive através deste disco que eu vou lançar. Eu não quero com o meu disco quebrar nada. Eu só quero falar sobre isso.”

Ela também conta que este lançamento trará parcerias muito importantes, de pessoas que fizeram parte da sua formação musical, como é o caso do artista Zeca Baleiro, uma referência para o desenvolvimento do seu trabalho.

“No disco, eu queria brincar com as ficções que existem, que a gente estabeleceu, que a gente gosta e que a gente segue. Eu vou seguir defendendo o cuscuz, eu vou seguir defendendo o forró… Mas, ao mesmo tempo, eu quis também brincar com as coisas que são menos esperadas. Eu queria que as pessoas entendessem que o Nordeste sempre é muito mais diverso. Que essas fronteiras estão em eterna modificação. Que as fronteiras não são criações geográficas. Elas são criações de discursos políticos, elas vêm a partir de lutas políticas, então a gente está aqui pra mexer, para fazer essas fronteiras balançarem.”

A artista comenta que o disco tem um tom festivo e que também aborda outros assuntos que fazem parte das suas vivências. “Fiz uma música que é uma lambada divertida para uma mulher, e durante o show eu quero poder falar sobre isso, quero fortalecer esse tipo de afeto, de amor, de relacionamento, de existência.”

Ainda conversando sobre o que motivou esta criação, ela conclui: “Ser nordestino é muito complexo. A gente é muito múltiplo, a gente é muito diferente. Cada estado é uma coisa… E colocaram a gente numa mesma massa. Ao mesmo tempo, não é só que colocaram, mas a gente mesmo reproduz também um tipo de história do Nordeste que nos faz permanecer em alguns lugares, com dificuldade de virar essa chave. Eu quero mais é poder falar sobre as fronteiras fluidas, sobre o discurso político potente de transformação. Poder entender como a gente foi parar nesse lugar, quais são os feitos midiáticos que fazem a gente ser dessa forma, o que a gente incorporou e reproduziu, e como a gente pode modificar isso a partir do momento em que tomamos consciência e entendemos que estamos vivos. Que Nordeste é esse que a gente quer agora? Eu quero seguir nessa construção viva e não enraizada. Esse lugar enraizado do Nordeste é equivocado, ele é fake. A gente está livre para poder fazer acontecer.”

Para acompanhar os novos trabalhos de Juliana, é só seguir o seu perfil no Instagram: @xulianalinhares. A banda @pieta_ também está por lá, e ela adiantou que logo mais será lançado um novo single do grupo, ainda em fevereiro.

Acompanhe a seção #ArtistaFOdA, que se propõe a semanalmente apresentar trabalhos de artistas LGBTQIAP+ das mais diversas linguagens, e siga @planetafoda.
*@planetafoda é a página de conteúdos LGBTQIAP+ produzidos pela rede FOdA, da Mídia NINJA, junto a colaboradores em todo o Brasil.

Fonte: Mídia Ninja

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Manifesto dos diretores brasileiros do Festival 'É Tudo Verdade'

Manifesto dos diretores brasileiros do Festival 'É Tudo Verdade'

Na noite de domingo último, depois do anúncio do vencedor brasileiro da 25a. edição do Festival É Tudo Verdade, um dos mais antigos e importantes certames cinematográficos do Brasil, foi lido e começou a ser divulgado um duro Manifesto dos 21 diretores que participaram dessa competição, com o repúdio veemente das vergonhosas ações políticas na área da Cultura que vêm sendo articuladas, há mais de um ano, pelo atual governo autoritário, de extrema direita de Jair Bolsonaro.

Na noite de domingo último, depois do anúncio do vencedor brasileiro da 25a. edição do Festival É Tudo Verdade, um dos mais antigos e importantes certames cinematográficos do Brasil, foi lido e começou a ser divulgado um duro Manifesto dos 21 diretores que participaram dessa competição, com o repúdio veemente das vergonhosas ações políticas na área da Cultura que vêm sendo articuladas, há mais de um ano, pelo atual governo autoritário, de extrema direita de Jair Bolsonaro.

No conjunto de ações truculentas do governo que amordaça a Cultura brasileira, censurando e descartando seus representantes máximos e, sobretudo, históricos; aparelhando as instituições e agências da área com a nomeação escandalosa de figuras ridículas ou ignorantes sem qualquer expressão na vida cultural do país além da sua especialidade em telenovelas, e limitadas pelo baixo nível cultural e intelectual, destacou-se logo no começo da administração atual a extinção do Ministério da Cultura (MinC) e sua inadmissível substituição por uma secretaria submetida a um Ministério do Turismo!

A devastação continuou com o aparelhamento da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, responsável por emitir pareceres sobre solicitações de artistas que buscam financiamento para seus projetos por meio da Lei de Incentivo à Cultura conhecida como Lei Rouanet. Entre outros atos que visam ao esfacelamento da Cultura no país, seguiu-se o desmonte maligno da Cinemateca Brasileira fundada há 80 anos, responsável pela preservação da produção audiovisual brasileira, com um acervo de cerca de 250 mil rolos de filmes e mais de um milhão de documentos relacionados ao cinema nacional. Seus funcionários foram demitidos.

Um dos crimes recentes contra um dos mais populares dispositivos culturais do Rio de Janeiro, centro de referência no ensino da produção cinematográfica brasileira, a Escola de Cinema Darcy Ribeiro, patrimônio histórico e cultural do país, foi despejada há dois meses do imóvel que ocupava há mais de 20 anos para ceder o prédio ao proprietário, a ECT, ou seja, aos Correios, que estão sendo privatizados.
''Uma situação gravíssima'', denuncia o Manifesto dos diretores de cinema brasileiros repelindo todas as sórdidas manobras na investida que visa recriar um Brasil retrógrado, anacrônico, com valores conservadores rejeitados em todos os países democráticos modernos do mundo civilizado.

E o mais grave: a tentativa de reconstruir um país que passará a formar das novas gerações de jovens, adultos boçais, ignorantes, grosseiros na sua proverbial cafajestice e indiferentes à cultura. Como prega o modelo neofascista que vem do Palácio do Planalto de Brasília.

O Manifesto

''Manifestamos nosso total desacordo com os rumos da política cultural do país. O governo de extrema direita do Jair Bolsonaro age desde o início para atacar e silenciar os brasileiros que fazem cultura e arte como seus inimigos”, afirmam os diretores. ''A atividade audiovisual está paralisada desde março, com a suspensão de todos os recursos públicos para a produção de filmes e séries. Isso tem provocado uma taxa crescente de desemprego.''

''São muitas as empresas que estão falindo, cineastas passando necessidade e a ameaça de paralisia total do setor. Isso sem falar da cinemateca brasileira, com seu acervo histórico que corre o risco de total destruição”, dizem ainda no Manifesto contra Bolsonaro.

''Eles têm medo de nós. A situação é gravíssima. Por isso convidamos as realizadoras e realizadores do audiovisual a se voltarem, mais uma vez, para a realidade. E, acima de tudo, não se intimidarem. É preciso cada vez mais buscar novas formas de produzir e registrar a nossa memória. E nunca parar e nem silenciar. Um país sem imagens de si mesmo é como alguém que não sabe o que é. É um país com alzheimer”.

"É preciso cada vez mais buscar novas formas de produzir e registrar a nossa memória. Um país sem imagens de si mesmo é como alguém que não sabe o que é”, afirma o grupo de 21 diretores no Manifesto.

O fundador e diretor do É Tudo Verdade, Amir Labaki, destaca: ''É devastador o impacto sobre a vida e as finanças dos profissionais, entidades e empresas diretamente envolvidas no setor. O Brasil tem mais de quatro milhões de confirmados com coronavírus e nenhum final à vista para a mais aguda emergência sanitária do século.''

''Mas se o vírus persegue a vida a cultura nos humaniza,'' diz Labaki.

Os vinte e um diretores que assinaram o documento: Aurélio de Michiles, Bernardo Vorobow, Bruno Moreschi, Carlos Adriano, Carol Benjamin, Clarice Saliby, Cláudio Moraes, Diógenes Muniz, Guga Millet, João Jardim, Jorge Bodanzky, Marcelo Machado, Mari Moraga, Mariana Lacerda, Paschoal Samora, Rafael Veríssimo, Roberto Berliner, Rubens Rewald, Silvio Tendler, Tali Yankelevich, Toni Venturi.


Fonte: Carta Maior

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Pró-Esia - Fábrica de Versos...Facebook: novas regras podem impedir que bandas realizem lives ou compartilhem vídeos musicais

Novas regras do Facebook, que passarão a valer a partir de 1º de outubro, podem impedir que bandas e artistas realizassem shows ao vivo ou compartilhem registros de apresentações na plataforma.

“Você não pode usar vídeos em nossos produtos para criar uma experiência de escuta musical… Queremos que você possa desfrutar de vídeos postados por familiares e amigos”, diz o texto das novas diretrizes, que deixam claro: “O uso de música para fins comerciais ou não pessoais, em particular, é proibido, a menos que você tenha obtido licenças apropriadas”.

As “Mudanças nas Diretrizes de Música do Facebook”, publicadas pela rede social, afirmam que os usuários não podem mais usar vídeos para “criar uma experiência de escuta musical” na rede.
De acordo com os termos e condições legais do Facebook, os artistas que não seguirem a norma poderão ter vídeos bloqueados ou suas páginas removidas totalmente da plataforma.

“Você não pode usar vídeos em nossos produtos para criar uma experiência de escuta musical… Queremos que você possa desfrutar de vídeos postados por familiares e amigos”, diz o texto das novas diretrizes, que deixam claro: “O uso de música para fins comerciais ou não pessoais, em particular, é proibido, a menos que você tenha obtido licenças apropriadas”.

O Loudwire.Com critica a explicação da rede. “A linguagem é bastante ambígua quanto ao que constitui uma ‘experiência de escuta musical’ em relação aos vídeos, provavelmente engloba uma grande faixa de posts de entretenimento”, diz o site.

Quem também publicou nota alertando sobre as novas regras foi a NME. “Muitos artistas têm usado a Live do Facebook para realizar shows ao vivo nos últimos meses, enquanto shows físicos não podem de acontecer devido à pandemia do novo coronavírus”, comentou o texto da publicação britânica, que procurou representantes do Facebook para comentar a mudança e não recebeu resposta.

As novas diretrizes de música do Facebook podem ser conferidas na íntegra AQUI!

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Pró-Esia - Fábrica de Versos... Álbuns clássicos que nunca foram lançados em CD no Brasil

Já para quem prefere os CDs, como é o meu caso, o cenário não é muito melhor. Além da diminuição no número de lançamentos, como lojas físicas são cada vez mais raras pelo país e ao mesmo tempo em que os lojistas online também estão praticando preços cada vez mais altos. E existe um outro fator: um escassez de títulos não vem de hoje e é uma característica negativa do mercado brasileiro de CDs desde sempre.

O Brasil possui um dos dez maiores mercados fonográficos do mundo, além de uma tradição enorme na produção e no consumo de música. No entanto, ser colecionador de discos aqui no Brasil nunca foi uma atividade muito animadora.


Pra quem prefere vinil, como prensagens nacionais nunca primaram pela qualidade, tanto sonora quanto gráfica. E nos últimos anos os preços dos LPs, sejam eles novos ou usados, foi para as alturas, com uma especulação e valores surreais.


Já para quem prefere os CDs, como é o meu caso, o cenário não é muito melhor. Além da diminuição no número de lançamentos, como lojas físicas são cada vez mais raras pelo país e ao mesmo tempo em que os lojistas online também estão praticando preços cada vez mais altos. E existe um outro fator: um escassez de títulos não vem de hoje e é uma característica negativa do mercado brasileiro de CDs desde sempre.


Para tentar mapear um pedaço desse buraco na opção de títulos à venda em edições nacionais, pesquisei como discografias de algumas bandas clássicas e identifiquei diversos álbuns que nunca ganharam edições em CD aqui no Brasil. Utilizei para isso o banco de dados do Discogs, que é bastante completo em relação às diferentes edições e versões de um título mundo afora. No entanto, algumas divergências podem ocorrer, e caso você possua uma edição nacional de algum CD listado nessa lista de ausências, por favor aponte esse fato nos comentários.


Abaixo estão dezenas de discos de bandas clássicas que nunca ganharam edições nacionais em CD. Você vai se surpreender com alguns títulos que permaneceram inéditos no Brasil até hoje, tenho certeza.


Aceitar:

Metal Heart (1985)

Roleta Russa (1986)

Eat the Heat (1989)

Todas as áreas - Mundial (1997)


Aerosmith:

Night in the Ruts (1979)


Alice Cooper:

Pretties For You (1969)

Easy Action (1970)

Killer (1971)

Love It to Death (1971)

Músculo do amor (1973)

Bebês de bilhões de dólares (1973)

Bem-vindo ao meu pesadelo (1975)

The Alice Cooper Show (1977)

Lace and Whiskey (1977)

From the Inside (1978)

Flush the Fashion (1980)

Forças Especiais (1981)

DaDa (1983)

Raise Your Fist and Yell (1987)


The Allman Brothers Band:

Idlewild South (1970)

Comer um Pêssego (1972)

Irmãos e Irmãs (1973)

Ganhe, perca ou empate (1975)

Limpe as janelas, verifique o óleo, Dollar Gas (1976)

Enlightened Rogues (1979)

Reach for the Sky (1980)

Irmãos da Estrada (1981)

Seven Turns (1990)

Onde tudo começa (1994)

Hittin 'the Note (2003)


Antraz:

Spreading the Disease (1985)

Estado de Euforia (1988)

Persistência do tempo (1990)


Má companhia:

Bad Company (1974)

Straight Shooter (1975)

Executar com o pacote (1976)

Burnin 'Sky (1977)

Diamantes Brutos (1982)

Fame and Fortune (1986)

Idade Perigosa (1988)

Here Comes Trouble (1992)

Company of Strangers (1995)


Blackberry Smoke:

Bad Luck Ain't No Crime (2003)

Little Piece of Dixie (2009)

The Whippoorwill (2012)

Leave a Scar Live (2014)

Like an Arrow (2016)

Encontre uma luz (2018)

Homecoming - Live in Atlanta, Georgia 2018 (2019)


Bruce Dickinson:

Alive in Studio A (1995)

Scream For Me Sarajevo (2016)


Creme:

Wheels of Fire (1968)

Adeus (1969)

Live Cream (1970)

Sessões da BBC (2003)

Goodbye Tour - Live 1968 (2020)


David Bowie:

David Bowie (1967)

David Bowie (1969)

O homem que vendeu o mundo (1970)

Pinups (1973)

Jovens americanos (1975)

Low (1977)

Stage (1978)

Lodger (1979)

Ziggy Stardust: The Motion Picture (1983)


Roxo profundo:

Quem pensamos que somos (1973)

Último concerto no Japão (1977)

Powerhouse (1977)

In Concert (1980)

Live in London (1982)

Abandono total - Austrália '99 (1999)

Phoenix Rising (2011)

Perfect Strangers Live (2013)


Dio:

Sagrado Coração (1985)

Intermissão (1986)

Dream Evil (1987)

Lock Up the Wolves (1990)

Estranhas rodovias (1993)

Mestre da Lua (2004)


As portas:

Alive, She Cried (1983)


Dream Theater:

When Dream and Day Unite (1988)

Live at the Marquee (1993)

Live Scenes From New York (2000)


Águias:

Eagles (1972)

Desperado (1973)

Na Fronteira (1974)

Eagles Live (1980)


Eric Clapton:

Sem Razão para Chorar (1976)

Agosto (1986)


Fleetwood Mac:

Sr. Maravilhoso (1968)

English Rose (1969)

Então jogue em (1969)

Kiln House (1970)

Future Games (1971)

Árvores nuas (1972)

Mystery to Me (1973)

Penguin (1973)

Os heróis são difíceis de encontrar (1974)

Fleetwood Mac (1975)

Tusk (1979)

Live (1980)

Por trás da máscara (1990)

Time (1995)


Gênese:

Do Gênesis ao Apocalipse (1969)

Vento e uivante (1976)

Abacab (1981)


Gov't Mule:

Live at Roseland Ballroom (1996)

Dose (1998)

Viva ... Com uma Pequena Ajuda de Nossos Amigos (1999)

Life Before Insanity (1999)

The Deep End Volume 1 (2001)

The Deep End Volume 2 (2002)

The Deepest End (2003)

Déjà Voodoo (2004)

High & Mighty (2006)

Mighty High (2007)

Por um Tópico (2009)

Mulennium (2010)

Gritar! (2013)

The Tel Star Sessions (2016)


Estrada de ferro Grand Funk:

Shinin 'On (1974)

Todas as meninas do mundo, cuidado !!! (1974)

Pego na Lei (1975)

Good Singin 'Good Playin' (1976)

Born to Die (1975)

Grand Funk Lives (1981)

O que é Funk? (1983)

Bósnia (1997)


Jethro Tull:

Under Wraps (1984)


Sacerdote de Judas:

Jugulator (1997)

'98 Live Meltdown (1998)

Live in London (2002)

Battle Cry (2006)


Rei carmesim:

In the Wake of Poseidon (1970)

Lizard (1970)

Ilhas (1971)

Lark's Tongues in Aspic (1973)

Vermelho (1974)

Starless and Bible Black (1974)

Disciplina (1981)

Beat (1982)

Epitaph (1997)


Beijo:

Kiss (1974)

Aive! (1975)

Rock and Roll Over (1976)

Love Gun (1977)

Ace Frehley (1978)

Gene Simmons (1978)

Paul Stanley (1978)

Peter Criss (1978)

Desmascarado (1980)

Music From the Elder (1981)

Killers (1982)

Lick It Up (1983)

Animalize (1984)

Asilo (1985)

Noites loucas (1987)

Smashes, Thrashes & Hits (1988)

Hot in the Shade (1989)

Sonic Boom (2009)


Lynyrd Skynyrd:

Pronuncia-se 'Lĕh-'nérd' Skin-'nérd (1973)

Second Helping (1974)

Nuthin 'Fancy (1975)

Devolva minhas balas (1976)

Mais um da estrada (1976)

Sobreviventes de rua (1977)

Skynyrd's First and ... Last (1978)

Legend (1987)

Sul pela Graça de Deus: Lynyrd Skynyrd Tribute Tour 1987 (1988)

The Last Rebel (1993)

Freebird, o filme (1996)

Vinte (1997)

Lyve From Steel Town (1998)

Edge of Forever (1999)

Ciclo vicioso (2003)

Lyve - The Vicious Cycle Tour (2003)

God & Guns (2009)

Mais um para os fãs (2015)


Mastodonte:

Remissão (2002)

Leviathan (2004)

Blood Mountain (2006)

Live at the Aragon (2011)

Live at Brixton 2012 (2013)


Neil Young:

Time Fades Away (1973)

Na praia (1974)

Esta noite é a noite (1975)

Zuma (1975)

American Stars 'N Bars (1977)

Live Rust (1979)

Hawks & Doves (1980)

Reactor (1981)

Trans (1982)

Everybody's Rockin '(1983)

Old Ways (1985)

Freedom (1990)

Weld (1991)

Mirror Ball (1995)

Silver & Gold (2000)

Americana (2012)

Os anos da Monsanto (2015)

Earth (2016)

Trilha da Paz (2016)

O Visitante (2017)

Hitchhiker (2017)

Colorado (2019)

Homegrown (2020)


Ozzy Osbourne:

Homem Comum (2020)


Escorpiões:

Lonesome Crow (1972)

In Trance (1975)

Tomada pela Força (1977)

Tokyo Tapes (1978)

Animal Magnetism (1980)

Blackout (1982)

Love At First Sting (1984)

Savage Amusement (1988)


Thin Lizzy:

Thin Lizzy (1971)

Shades of a Blue Orphanage (1972)

Vagabons of the Western World (1973)

Vida noturna (1974)

Luta (1975)

Johnny the Fox (1976)

Má reputação (1977)

Black Rose (A Rock Legend) (1979)

Chinatown (1980)

Renegade (1981)

Thunder and Lightning (1983)

Life Live (1983)

Wild One - The Very Best of Thin Lizzy (1996)


OVNI:

UFO I (1970)

UFO II: Flying Spacerock (1971)

Live (1971)

Fenômeno (1974)

Force It (1975)

No Heavy Petting (1976)

Luzes apagadas (1977)

Obsessão (1978)

Strangers in the Night (1979)

No Place to Run (1980)

The Wild, The Willing and The Innocent (1981)

Mechanix (1981)

Fazendo contato (1983)

Misdemeanor (1985)

Ain't Misbehavin '(1988)

High Stakes & Dangerous Men (1992)

Light Out in Tokyo - Live (1992)

Pacto (2000)

Tubarões (2002)

Showtime (2005)

O Visitante (2009)

Seven Deadly (2012)


Uriah Heep:

Very 'Eavy Very' Umble (1970)

Salisbury (1971)

Olhe para você mesmo (1971)

Demons and Wizards (1972)

O aniversário do mágico (1972)

Sweet Freedom (1973)

Wonderworld (1974)

Return to Fantasy (1975)

High and Mighty (1976)

Firefly (1977)

Vítima inocente (1977)

Fallen Angel (1978)

Conquest (1980)

Abominog (1972)

Use a Cabeça (1983)

Equator (1985)

Raging Silence (1989)

Different World (1991)

Wake the Sleeper (2008)

Outsider (2014)


Sim:

Sim (1969)

Tales From Topographic Oceans (1973)

Yessongs (1973)

Going For the One (1977)

Tomato (1978)

Yesshows (1979)

Drama (1980)

Union (1991)

Union Live (2011)

Céu e Terra (2014)


ZZ Top:

Primeiro álbum de ZZ Top (1971)

Tejas (1976)

The Best of ZZ Top (1977)

El Loco (1981)

Afterburner (1985)

Recycler (1990)

One Foot in the Blues (1994)

Viver! Maiores sucessos do mundo (2016)


Fonte: Collectors Room