sábado, 30 de maio de 2015

A ciência e a mentira: Poligrafo, soro da verdade e detectores de mentiras

Quando se fala em descobrir a verdade um dos métodos mais conhecidos é o poligrafo ou detector de mentiras, tais equipamentos se propõe a identificar falsas alegações analisando respostas fisiológicas do indivíduo. Um poligrafo mede sinais como frequência cardíaca, respiração, pressão arterial, contração dos músculos e até mesmo a resistência galvânica da pele que diminui a medida que suor aumenta, aumentando assim a passagem de corrente elétrica. O polígrafo foi criado em 1921 por John Larson, na Universidade da Califórnia, e desde de meados de 1924 é utilizado em interrogatórios.
O interrogatório deve ser conduzido por um perito para que tenha validade, o mesmo fará perguntas aleatórias, perguntas de interesse e perguntas de controle afim de calibrar o detector de mentiras.
A eficácia do poligrafo para a detecção de mentiras é bastante controversa, associações de peritos e fabricantes do equipamento afirmam que sua eficácia gira em torno dos 70%, o que mesmo assim é pouco, especialmente em questões mais críticas como condenar alguém em um inquérito policial (motivo pelo qual a maioria dos sistemas judiciários não aceita detectores de mentira como prova substancial).
Dentre os motivos para a controversa sobre a eficácia dos detectores de mentira, está a facilidade do mesmo em ser fraudado, pois o interrogado pode “forçar” estímulos mais fortes quando dizer a verdade (espetando-se, mordendo a língua, alterando a respiração, contraindo os músculos e etc.), de modo que quando mentir o estimulo seja menor que quando fala a verdade. Outra questão é que indivíduos treinados para mentir ou que não esboçam emoções ou reações ao faze-lo (psicopatas por exemplo), ou até mesmo alguém que tenha se preparado para o interrogatório pode não apresentar alterações no teste
Nesse artigo faremos um apanhado geral acerca da mentira do ponto de vista da ciência, ou mais precisamente sobre a detecção dela.
Pode a ciência dizer com eficácia quando alguém está mentindo? Técnicas como soro da verdade,poligrafo (detector de mentiras), softwares para leitura de expressões faciais, e até mesmo imagens de ressonância magnética cerebrais são realmente eficazes? É o que iremos dissertar; a ciência e a mentira.

O poligrafo – Detector de mentiras

Quando se fala em descobrir a verdade um dos métodos mais conhecidos é o poligrafo ou detector de mentiras, tais equipamentos se propõe a identificar falsas alegações analisando respostas fisiológicas do indivíduo. Um poligrafo mede sinais como frequência cardíaca, respiração, pressão arterial, contração dos músculos e até mesmo a resistência galvânica da pele que diminui a medida que suor aumenta, aumentando assim a passagem de corrente elétrica. O polígrafo foi criado em 1921 por John Larson, na Universidade da Califórnia, e desde de meados de 1924 é utilizado em interrogatórios.
O interrogatório deve ser conduzido por um perito para que tenha validade, o mesmo fará perguntas aleatórias, perguntas de interesse e perguntas de controle afim de calibrar o detector de mentiras.
A eficácia do poligrafo para a detecção de mentiras é bastante controversa, associações de peritos e fabricantes do equipamento afirmam que sua eficácia gira em torno dos 70%, o que mesmo assim é pouco, especialmente em questões mais críticas como condenar alguém em um inquérito policial (motivo pelo qual a maioria dos sistemas judiciários não aceita detectores de mentira como prova substancial).
Dentre os motivos para a controversa sobre a eficácia dos detectores de mentira, está a facilidade do mesmo em ser fraudado, pois o interrogado pode “forçar” estímulos mais fortes quando dizer a verdade (espetando-se, mordendo a língua, alterando a respiração, contraindo os músculos e etc.), de modo que quando mentir o estimulo seja menor que quando fala a verdade. Outra questão é que indivíduos treinados para mentir ou que não esboçam emoções ou reações ao faze-lo (psicopatas por exemplo), ou até mesmo alguém que tenha se preparado para o interrogatório pode não apresentar alterações no teste[4][11].

Tiopentotal Sódico – Soro da verdade

Amplamente explorado na ficção e na industria cinematográfica, o soro da verdade seria uma substância capaz de compelir o indivíduo a dizer somente a verdade, como se fosse incapaz de mentir.
Ao longo do último século várias substâncias foram usadas na tentativa de produzir tal resultado, geralmente anestésicos, sedativos e alucinógenos. Aparentemente ao diminuir a capacidade cognitiva de um indivíduo espera-se que ele não seja capaz de formular respostas não verdadeiras, o que até teria lógica, pois já foi provado por estudos recentes que mentir ou inventar uma história requer mais esforço mental do que dizer a verdade ou simplesmente narrar um fato que realmente tenha ocorrido[1][12].

Eficácia do soro da verdade duvidosa

Não obstante, o fato de tais substâncias debilitarem as capacidades cognitivas sua eficácia é bastante controversa e refutada pois, culmina no mesmo problema de vários outros detectores de mentiras: uma pessoa treinada para mentir ou que já tenha repetido uma mesma mentira diversas vezes pode fazer isso de forma tão natural quanto se estivesse dizendo a verdade. Além disso as alucinações produzidas por tais drogas acabariam por comprometer a confiabilidade de um eventual interrogatório.
Estrutura química do Tiopental Sódico, substância mais usada como soro da verdadeDentre as drogas mais famosas para esse tipo de aplicação está o Tiopental sódico ou pentotal sódico, um medicamento barbitúrico, (derivados do ácido barbitúrico, usados como antiepilépticos, sedativos e hipnóticos. e conhecidos pela ínfima margem de segurança entre a dosagem terapêutica e tóxica). Além de ser utilizado como “soro da verdade” o Tiopental sódico é usado para anestesia geral, coma induzido, eutanásia e injeção letal.[2]
Os pontos mais importantes que emergem dessa discussão são os seguintes. Nenhum “fórmula mágica” como a noção popular de soro da verdade, de fato existe. Os barbitúricos, interrompendo padrões defensivos, às vezes podem ser úteis para interrogatórios, mas, mesmo nas melhores condições eles vão provocar um depoimento contaminado por engano, fantasia, discurso ilegível, etc.[3]

Micro expressões faciais na detecção de mentiras

Se um poligrafo falha pois os estímulos podem ser contidos ou aumentados, então um método que analisasse sinais que o interrogado não pode controlar poderia ser eficaz? É no que se baseia o estudo das micro expressões faciais para identificar mentiras. Tal analise foca nos movimentos do rosto, especialmente da chamada musculatura lisa a que você é incapaz de controlar e cujo movimento é involuntário como o seu coração por exemplo.
O rosto e sua musculatura é mais complexo do que qualquer outra parte externa do nosso corpo. De acordo com Leanne ten Brinke da Universidade de Dalhousie, “Há alguns músculos da face que você não pode controlar, tais músculos não seriam ativados na ausência de emoção genuína”.
Na expressão das emoções no homem e nos animais, Darwin observou:
Um homem irritado quando moderadamente, ou mesmo quando enfurecido, pode comandar os movimentos de seu corpo, mas aqueles músculos da face que são menos obediente à vontade, às vezes sozinhos traem rapidamente passando alguma emoção.
As observações de Darwin são comprovadas por estudos recentes [5][6], que apontam que embora algumas emoções sejam mais fáceis de serem forjadas como alegria e tristeza, ninguém é capaz de falsificar emoções perfeitamente sem deixar indícios nas expressões faciais mesmo que por apenas frações de segundos.
Embora a analise de micro expressões faciais ainda demande muito debate e estudo, já há até mesmo softwares e profissionais que auxiliam a polícia em investigações. Mark Frank, professor de comunicação na Escola de Informática da Universidade de Buffalo, desenvolveu métodos para reconhecer e ler com precisão as pistas comportamentais conscientes e inconscientes que sugerem mentiras.
Paul Ekman, o maior especialista do mundo na leitura de expressões faciais, descobriu e enumerou diversas expressões faciais involuntárias originadas por emoções. Com base em sua pesquisa, Frank identificou movimentos específicos dos 44 músculos faciais humanos ligados ao medo, desconfiança, angústia e outras emoções relacionadas a mentira.
Então, em um projeto para a National Science Foundation, desenvolveu programas de computador que automatizam o processo de numeração de Ekman, tornando-se possível identificar automaticamente cada expressão facial, incluindo as vinculadas a mentira, demonstradas por indivíduos em entrevistas gravadas. Antes desta automação ser desenvolvida, levava até três horas rebobinando e repetindo, fitas de vídeo para analisar um único minuto de piscadas e contrações musculares.[6]

Detectores de mentira que analisam os movimentos dos olhos

Analisar o movimento dos olhos para detectar mentiras se tornou possível nos últimos anos por causa de melhorias substanciais na tecnologia. Os pesquisadores da Universidade de Utah afirmam que eles são os primeiros a desenvolver e avaliar um software, bem como seus métodos para aplicar estes testes de forma eficaz.
Os resultados obtidos pelo movimento dos olhos para detectar mentiras contrastam com o teste do polígrafo. Em vez de medir reação emocional de uma pessoa ao mentir, a tecnologia de rastreamento ocular mede a reação cognitiva da pessoa. Para fazer isso, os pesquisadores gravar uma série de medições, enquanto o sujeito está respondendo a uma série de perguntas de verdadeiro ou falso em um computador. As medidas incluem a dilatação da pupila, tempo de resposta, tempo de leitura e releitura, e os erros.
Os pesquisadores argumentam que a mentira exige mais trabalho cognitivo do que dizer a verdade[1].

Imagens de ressonância magnética para detectar mentiras

Ativação do lobo temporal (temporal médio). Crédito da imagem: Sociedade Radiológica da América do Norte
Ativação do lobo temporal (temporal médio).
Crédito da imagem: Sociedade Radiológica da América do Norte
Quando as pessoas mentem, elas usam partes do cérebro diferentes do que quando dizem a verdade, e essas mudanças cerebrais podem ser medidas por ressonância magnética funcional – fMRI (Functional magnetic resonance imaging), de acordo com um estudo apresentado Sociedade Radiológica da América do Norte. Os resultados sugerem que fMRI pode um dia se tornar um detector de mentiras mais preciso do que o polígrafo atual.
No estudo realizado os pesquisadores criaram uma situação com 10 voluntários. Seis dos voluntários foram convidados a atirar com uma arma de brinquedo, e em seguida, mentir sobre sua participação. Os não-atiradores foram convidados a dizer a verdade sobre a situação. Os pesquisadores examinaram os indivíduos com fMRI, e, simultaneamente, administraram um exame de polígrafo convencional. O polígrafo media três respostas fisiológicas: respiração, pressão arterial e condutância galvânica da pele.
Foram feitas perguntas aos voluntários sobre a situação, juntamente com perguntas de controle independentes. Em todos os casos, o polígrafo e fMRI distinguiram com precisão as respostas verdadeiras das mentiras.
Já as imagens de ressonância mostraram ativação em várias áreas do cérebro durante o processo de mentir. Estas áreas foram localizados no córtex frontal (medial inferior e pré-central), temporal (hipocampo e média temporal) (anterior e posterior do cíngulo) lóbulos, e límbicas.
Durante uma resposta verdadeira, a fMRI mostrou ativação no lobo frontal (inferior e medial), lobo temporal (inferior) e giro do cíngulo. No geral, houve diferenças regionais na ativação entre as condições enganosas e verdadeiras. Além disso, havia mais áreas do cérebro ativadas durante o processo de mentir do que no processo de falar a verdade.[7]

Necessidade de higiene e a mentira

Estudos ainda apontam que ao mentir as pessoas tendem a sentir uma maior necessidade em lavar as mãos ou a boca. Por mais bizarro que isso possa parecer, um estudo contatou isso ao incentivar estudantes a mentirem por e-mail ou telefone.
Em seguida, os participantes avaliaram a conveniência de vários produtos, como parte de uma suposta pesquisa de marketing, que constatou o quanto eles estavam dispostos a pagar para cada produto. Dentre os produtos haviam enxaguantes bucais e desinfetantes para as mãos.
Os participantes do estudo que mentiram por telefone, deixando uma mensagem de voz falsa e malévola, sentiram um desejo forte em adquirir enxaguantes bucais e estavam dispostos a pagar mais por isso do que aqueles que mentiram por e-mail. E, inversamente, aqueles que mentiu por e-mail, sentiram um desejo forte em comprar desinfetante para as mãos e estavam dispostos a pagar mais por isso.[8]

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