terça-feira, 12 de maio de 2015

Porque mulher "adora" novela? Masoquismo?

Me incomoda particularmente um truque para alavancar audiência utilizado em absolutamente todas as últimas novelas das nove globais: o momento em que mocinhas e vilãs saem na mão. “Piranha!” “Vagabunda!” “Vadia!” “Prostituta!” Os xingamentos são sempre os mesmos e os mais machistas possíveis. Na tela, duas mulheres se engalfinham, puxam o cabelo e, de preferência, rolam no chão. Diante da TV, o espectador vibra: “É isso aí! Bate mesmo nessa vagabunda que ela merece!” A razão é quase sempre a mesma: disputa por homens.
Me parece tão deprimente, enquanto mulher, que nos agredirmos umas às outras em rede nacional aumente a audiência de um programa. Caiu o Ibope? Bota mulher para se xingar e se agredir que sobe. Mal começou e Babilônia, patinando no Ibope, já teve três cenas de mulheres se estapeando.  Se tem uma coisa que me incomoda é essa ideia de que mulheres são inimigas, invejosas e estão loucas para roubar o homem umas das outras. O arquétipo da “megera” é um clássico, mas acho tão datado e repetitivo… Como se não tivéssemos muito mais o que fazer na vida.
Dizem que mulher adora novela. Eu não sei, porque não assisto. Não tenho paciência de ver uma coisa seriada, que tem de ver todo dia. Mas não tenho preconceito com o gênero em si. Já tivemos novelas incríveis, o que não acho que seja o caso dos últimos dez anos, com honrosas exceções.
Me parece que os autores estão exauridos e se repetem, repetem, repetem… Quando por casualidade vejo trechos de novelas, reconheço tramas de outras que já vi e de filmes que assisti. Como dizia Chacrinha: “em TV nada se cria, tudo se copia”.
Me incomoda particularmente um truque para alavancar audiência utilizado em absolutamente todas as últimas novelas das nove globais: o momento em que mocinhas e vilãs saem na mão. “Piranha!” “Vagabunda!” “Vadia!” “Prostituta!” Os xingamentos são sempre os mesmos e os mais machistas possíveis. Na tela, duas mulheres se engalfinham, puxam o cabelo e, de preferência, rolam no chão. Diante da TV, o espectador vibra: “É isso aí! Bate mesmo nessa vagabunda que ela merece!” A razão é quase sempre a mesma: disputa por homens.
Me parece tão deprimente, enquanto mulher, que nos agredirmos umas às outras em rede nacional aumente a audiência de um programa. Caiu o Ibope? Bota mulher para se xingar e se agredir que sobe. Mal começou e Babilônia, patinando no Ibope, já teve três cenas de mulheres se estapeando.  Se tem uma coisa que me incomoda é essa ideia de que mulheres são inimigas, invejosas e estão loucas para roubar o homem umas das outras. O arquétipo da “megera” é um clássico, mas acho tão datado e repetitivo… Como se não tivéssemos muito mais o que fazer na vida.
Minhas amigas noveleiras que me perdoem, mas não entendo porque mulher gosta de novela. Mesmo a mais bela das atrizes sempre aparece nelas de maneira subalterna: ou é a boazinha, indefesa e vítima (a vingativa surradora do futuro); ou é a egoísta, invejosa, mau caráter e psicopata. Os homens, por mais cafajestes que sejam, são os coitadinhos por quem elas se digladiam. Tem novela onde o mesmo homem (muitas vezes um galã da terceira idade) é disputado por umas cinco beldades diferentes, da jovenzinha à loba.
A novela global faz muito mal à autoestima feminina. E, no entanto, tudo que as mulheres das novelas usam vira moda: as roupas, os acessórios, os cabelos… Já os homens saem muito bem na foto. Charmosos, sedutores, bem-sucedidos e disputados por mulheres a tapa, mesmo quando são os vilões da trama. E ainda tem “cat fight”, um clássico do fetiche masculino!
Quem deveria adorar novela é o homem.

Assista a seguir: 14 cenas de mulher surrando mulher nas últimas oito novelas das nove da Globo.


1. Insensato coração, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares
2. Fina Estampa, de Aguinaldo Silva
3. Avenida Brasil, de João Emanuel Carneiro
4. Salve Jorge, de Glória Perez
5. Amor à Vida, de Walcyr Carrasco
6. Em Família, de Manoel Carlos
7. Império, de Aguinaldo Silva
8. Babilônia, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares

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