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segunda-feira, 5 de abril de 2021

Marcelo Tas e jornalista da Globo espalham desinformação para acusar Lula de mentir

Para tentar igualar petista a Bolsonaro, a mídia apela à prática lavajatista de que as convicções superam as provas

Como trancafiar Lula na prisão não resultou na queda de sua popularidade entre os brasileiros, a tal direita “liberal” e seus cúmplices na mídia corporativa apelam a uma estratégia desesperada: igualá-lo a Jair Bolsonaro. Uma fala do ex-presidente durante a entrevista a Reinaldo Azevedo –que teve até agora 1,6 milhão de views no youtube– foi usada pelo apresentador Marcelo Tas e um jornalista da Globo News para tentar colar em Lula a pecha de “mentiroso” e assim colocá-lo no mesmo patamar do Pinóquio do Palácio do Planalto.

Como trancafiar Lula na prisão não resultou na queda de sua popularidade entre os brasileiros, a tal direita “liberal” e seus cúmplices na mídia corporativa apelam a uma estratégia desesperada: igualá-lo a Jair Bolsonaro. Uma fala do ex-presidente durante a entrevista a Reinaldo Azevedo –que teve até agora 1,6 milhão de views no youtube– foi usada pelo apresentador Marcelo Tas e um jornalista da Globo News para tentar colar em Lula a pecha de “mentiroso” e assim colocá-lo no mesmo patamar do Pinóquio do Palácio do Planalto.
Tas e Daniel Souza usaram o twitter para afirmar, sem nenhum tipo de checagem –lição básica do bom jornalismo– que Lula “mentiu” ao dizer que telefonou ao presidente Barack Obama em 2008 para alertá-lo sobre a necessidade de investimento público para driblar a crise financeira. “Quando teve a queda do Lehman Brothers eu liguei pro Obama. Eu falava que a crise aqui ia ser uma marolinha porque reforçamos o investimento público com o BNDES e o Banco do Brasil. E o Obama disse que lá ele não tinha como fazer isso”, afirmou o petista.
Sousa, comentarista do programa Estúdio I do canal de notícias da família Marinho, foi o primeiro. Em seu perfil na rede social, o jornalista fez uma postagem, imediatamente repercutida nos sites bolsonaristas, afirmando que o presidente na época da quebra do Lehman Brothers era George W. Bush, não Obama. Como se a crise do banco tivesse durado apenas um dia e Barack Obama não tivesse sido eleito menos de dois meses depois, em 4 de novembro de 2008. 
Marcelo Tas (aquele cujo programa, o extinto CQC, ajudou a promover o “mito”) partiu para cima do ex-presidente em seguida, acusando-o frontalmente de “mentir”. “Nesta ocasião, o Obama não era presidente, ex-Presidente. Você é tão acostumado a não ser questionado que mente e nem sente. Sua ‘marolinha’, além da cooptação do seu governo com empreiteiras destruiu a vida de muitos. Tenha coragem de encarar os fatos. Se dê ao respeito”, tuitou. 
Movidos pelo ódio ao PT alimentado pela mídia comercial há anos e que nos trouxe a Bolsonaro, ambos os jornalistas recorreram, eles sim, à desinformação para acusar Lula de mentir. Em setembro de 2008, uma semana após a quebra do Lehman Brothers, Lula estava em Nova York, nos EUA, para o discurso da Assembleia Geral das Nações Unidas, e matérias da própria mídia comercial mostram que exatamente naquele período ele deu conselhos aos dois candidatos à presidência, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain.

“O ideal era que os dois candidatos pudessem assinar uma carta ao povo americano, como eu assinei uma carta ao povo brasileiro, assumindo compromissos, para passar tranqüilidade para o povo americano e para o mundo como um todo, na medida em que os Estados Unidos são a maior economia e qualquer crise pode afetar todos os outros países”, disse Lula em reportagem do Estadão de 24 de setembro de 2008.

Em seu discurso na ONU, Lula também falou publicamente da necessidade de intervenção do Estado na economia para mitigar os efeitos da crise. “As indispensáveis intervenções do Estado, contrariando os fundamentalistas do mercado, mostram que é chegada a hora da política. Somente a ação determinada dos governantes, em especial naqueles países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem que se instalou nas finanças internacionais, com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas”, defendeu o então ocupante do Planalto. A declaração foi repercutida no site oficial das Nações Unidas.

Menos de dois meses depois, em novembro, com Obama já eleito, a BBC Brasil noticia que Lula telefonou ao novo presidente dos EUA, que Barack retornou a ligação e que ela durou em torno de 15 minutos. Nesta época, havia sido concluída a negociação em que o Lehman Brothers foi adquirido pelo grupo japonês Nomura, mas até o final do ano de 2008 a crise ainda não tinha se resolvido. A gerência de investimentos da Lehman Brothers foi vendida em dezembro de 2008.


Em março do ano seguinte, com Obama já no cargo, o site oficial da Casa Branca transcreve a conversa de quase duas horas que o presidente norte-americano teve com Lula e onde seu homólogo brasileiro fala da necessidade de investimento público para driblar a crise. “Discutimos a crise econômica que o mundo enfrenta hoje. O presidente Obama e eu estamos realmente convencidos de que a crise econômica pode ser resolvida por decisões políticas que poderiam ser tomadas na reunião do G20″, disse Lula.

Então quais são as evidências de que Lula “mentiu” ao dizer que telefonou para Obama para aconselhá-lo sobre a crise econômica? Todas as evidências apontam para o contrário. Por que então duvidar publicamente da palavra do ex-presidente a não ser por ódio? “É de quem acusa o ônus da prova”, reza o princípio do estado de direito. O jornalismo hegemônico infelizmente herdou da Lava-Lato a prática de que as convicções superam as provas. Confrontados, ambos os jornalistas, em vez de recuar, partiram para o ataque aos “devotos de Lula”, igualando-os aos “devotos de Bolsonaro”.

O ódio ao PT e a Lula fez nossa imprensa decair em qualidade e talento, transformou-a em instrumento de perseguição a políticos e a uma ideologia. Ao perder a objetividade, a exatidão e o equilíbrio, contradiz frontalmente as regras fundamentais do bom jornalismo.

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Apoiada por Sérgio Moro, Gazeta do Povo inicia ofensiva contra Sleeping Giants Brasil

Após mais de 15 empresas prometerem cortar anúncios, jornal tenta criminalizar ativistas que pressionam pela demissão de Constantino

Depois que mais de 15 empresas, entre elas Arezzo, Boticário, Alegra Foods e Outback prometeram que não vão mais anunciar no jornal, a reacionária Gazeta do Povo, de Curitiba, iniciou uma forte ofensiva contra o movimento Sleeping Giants Brasil nas redes sociais. O Sleeping Giants promove pressão no twitter sobre empresas para que não se associem a influencers ou veículos envolvidos em fake news ou que propaguem homofobia, machismo e racismo. Um dos principais alvos do grupo no país é o guru do bolsonarismo, o “filósofo” Olavo de Carvalho, que já perdeu mais de 250 financiadores desde que o Sleeping Giants começou a atuar no Brasil.

Depois que mais de 15 empresas, entre elas Arezzo, Boticário, Alegra Foods e Outback prometeram que não vão mais anunciar no jornal, a reacionária Gazeta do Povo, de Curitiba, iniciou uma forte ofensiva contra o movimento Sleeping Giants Brasil nas redes sociais. O Sleeping Giants promove pressão no twitter sobre empresas para que não se associem a influencers ou veículos envolvidos em fake news ou que propaguem homofobia, machismo e racismo. Um dos principais alvos do grupo no país é o guru do bolsonarismo, o “filósofo” Olavo de Carvalho, que já perdeu mais de 250 financiadores desde que o Sleeping Giants começou a atuar no Brasil.

Da noite de quarta, 11, para quinta-feira, 12 de novembro, o centenário jornal curitibano, assumidamente conservador e hoje dominado por uma família ligada à Opus Dei, disparou mais de 40 tweets contra o Sleeping Giants Brasil, a quem chama de “milicianos digitais”. O jornal obteve o apoio, na rede social, do ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Sérgio Moro.

A Gazeta do Povo tornou-se alvo do grupo ao decidir manter, entre seus colunistas, o extremista de direita Rodrigo Constantino, que declarou em vídeo: “Se minha filha chegar em casa –e eu dou uma boa educação para que isso não aconteça, mas a gente nunca controla tudo–, se ela chegar em casa um dia dizendo ‘pai, fui numa festinha e fui estuprada’, vou pedir as circunstâncias. ‘Fui para uma festinha, eu e três amigas, tinha 18 homens, nós bebemos muito e eu estava ficando com dois caras e acabei dormindo lá e fui abusada’, ela vai ficar de castigo feio. Eu não vou denunciar um cara desses para a polícia, eu vou dar um esporro na minha filha”.

A declaração, vista como apologia ao estupro, caiu muito mal para Constantino e ele foi demitido da Jovem Pan e outros veículos nos quais colaborava, mas não da Gazeta. 
Além disso, Constantino, contumaz propagador de fake news, já publicou notícias falsas na própria coluna que mantém na Gazeta do Povo. Ou seja, ao mantê-lo no jornal, o veículo virou alvo em dobro dos ativistas digitais: tanto pelo machismo quanto pelas fake news. Nem mesmo o apelo de uma carta assinada por 120 funcionários da redação apelando pelo desligamento do colunista foi suficiente para demover a direção, que disse ter aceitado as explicações de Constantino.

No twitter, o Sleeping Giants está marcando empresas para que deixem de anunciar na Gazeta como forma de pressão pela demissão de Constantino, contra quem usam a tag #DemiteConstantinoGazeta desde a divulgação do vídeo, na semana passada. Eles então divulgam a resposta das empresas que cederam à pressão, como a Heinz e a Credicard, que prometeram não anunciar mais na Gazeta do Povo. 

No editorial, a Gazeta defende que o que os ativistas estão fazendo é “linchamento virtual” e tenta criminalizar o grupo, afirmando que sua atuação seria “inconstitucional” porque o artigo 5º da Carta garante a “livre manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. “O anonimato no qual se esconde o Sleeping Giants é uma característica particular dos linchamentos virtuais de hoje; é a arma conveniente dos covardes para estimular os justiçamentos online e chantagear empresas”, diz o texto.

O anonimato dos perfis é uma das características do movimento nos EUA, França, Alemanha, Suécia e em pelo menos outros 10 países. Logo que surgiu no Brasil, o grupo incomodou os bolsonaristas, que, segundo o site The Intercept Brasil, acionaram a Polícia Federal para descobrir quem seriam os donos do perfil. O Intercept descobriu ainda que o delegado que investigou o grupo é cunhado de um blogueiro chapa-branca do presidente. A disputa com um dos pilares midiáticos do bolsonarismo deve reacender a sanha da extrema direita judicial para cima do perfil –ainda mais agora, com o apoio de Moro.

Ao mesmo tempo que se queixa de ter sua liberdade expressão atacada, a Gazeta, que não existe mais diariamente em papel desde 2017, quando sua circulação, em queda livre havia duas décadas, tinha minguados 33 mil exemplares, e que cancelou em agosto a edição semanal, está aproveitando para promover uma campanha por novos assinantes digitais. 
O perfil Sleeping Giants Brasil está defendendo sua atuação no twitter dizendo que não há ataque à liberdade de expressão. “A Gazeta do Povo tem o direito de manter o colunista que culpabiliza a vítima de estupro, assim como seus anunciantes, empresas privadas, também têm o direito de repudiar a decisão do jornal e por isso o Sleeping Giants Brasil resolveu ouvi-las sobre o caso. Isso é censura?”, pergunta o grupo. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Delegado não registrou racismo, homofobia nem crime contra animal em inquérito de agressão em SP

Os advogados Djefferson Amadeus e Paulo Iotti, que assumiram o caso, ficaram indignados com a postura do delegado em São Paulo. Djefferson é diretor do Instituto de Defesa da População Negra (IDPN) e Iotti é autor da ação e um dos advogados responsáveis pela defesa de equiparação da LGBTfobia a crime de racismo no STF.

Os agressores de Robson Gael, atacado em via pública na capital paulista, foram identificados no dia da agressão mas o caso foi enquadrado apenas como crime de “menor potencial ofensivo”, como se tudo não passasse de uma mera “lesão corporal leve”, sem as condutas de racismo ou injúria racial.

Os advogados Djefferson Amadeus e Paulo Iotti, que assumiram o caso, ficaram indignados com a postura do delegado em São Paulo. Djefferson é diretor do Instituto de Defesa da População Negra (IDPN) e Iotti é autor da ação e um dos advogados responsáveis pela defesa de equiparação da LGBTfobia a crime de racismo no STF.

“Além disso, o cachorro de Robson também foi chutado, sendo lançado para o meio da rua, o que constitui crime. Este fato também não foi capitulado e precisa sê-lo”, relataram à Mídia NINJA. O vídeo que circulou nas redes registra momentos depois que a agressão já havia se iniciado e o cachorro lançado com chutes.

Segundo os advogados, seu cliente relatou ter sido xingado de “preto safado” e “viadinho”, mas tais ofensas racistas (negrofóbicas e homofóbicas) não constam do inquérito até o momento, apesar de Robson as ter relatado em seu depoimento.

Em relato exclusivo à NINJA, os advogados afirmaram que receberam com muita indignação o fato. “Aqui temos um advogado negro e um advogado gay, isso significa que se preciso for vamos defender os interesses de nosso cliente onde quer que seja, dado ser inadmissível que uma pessoa seja agredida e ofendida por ser negra e gay”, disseram.

Relembre o caso:

Fonte:  Midia Ninja

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Yes, nós temos deepfake: brasileiros são o 2º maior público de aplicativo que “troca rostos” de políticos e celebridades

Reportagem apurou que aplicativo pretende lançar rostos de personalidades brasileiras; o Impressions App já permite simular imagem de Trump e Obama, além de celebridades dos EUA



  • App está investindo no público brasileiro e convidou influenciadores para divulgar a marca no país
  • Medidas adotadas para prevenir o mau uso da ferramenta não são efetivas 
  • Autorização de celebridades sobre o uso das imagens é ponto polêmico


“Hey, Brasil. Estou em praia de Rio de Janeiro pescando”, diz o cantor Justin Bieber, em português, em um vídeo gravado em Cabo Frio. Com mais de 80 mil curtidas, o conteúdo em questão não foi produzido pelo cantor, mas por um influencer brasileiro, Daniel Xavier, utilizando um aplicativo que permite trocar seu rosto pelo de celebridades e políticos — e que pode mudar a forma como conteúdos falsos são produzidos atualmente.    

Por R$ 20,90 a semana, qualquer pessoa com um celular com sistema operacional IOS pode, em poucos minutos, criar vídeos de até 20 segundos, trocando seu rosto pelo de uma celebridade através de deepfakes, técnicas que usam inteligência artificial e escaneamento de imagens. Além de Bieber, o aplicativo permite utilizar os rostos das cantoras Rihanna, Miley Cyrus e Alicia Keys, de atores como Angelina Jolie, Brad Pitt e Morgan Freeman, e também de políticos como Donald Trump e Barack Obama. Ao todo, são 80 rostos, todos de pessoas estrangeiras. O aplicativo também inclui falas reais das personalidades para serem dubladas pelos usuários.


A “troca de rostos”, contudo, não é perfeita. No caso de Daniel, a tecnologia é auxiliada por características do influencer que já se assemelham às de Bieber (cabelo, estatura e tom de pele), que ajudaram o brasileiro a passar de 28 mil seguidores para mais de 400 mil após usar as deepfakes


A Agência Pública simulou uma troca de rosto da repórter com o presidente dos EUA, Donald Trump

Lançado nos EUA em fevereiro, o Impressions App está disponível no Brasil desde 28 de março e ganhou popularidade através dos vídeos do “Justin Bieber brasileiro”. Segundo dados enviados pela Impressions à Agência Pública, os brasileiros já são a segunda maior nacionalidade na plataforma, com 20% do total de usuários — o número total de downloads não foi informado. O aplicativo é propriedade da Synthesized Media, fundada pelos desenvolvedores Murat Deligoz e Ari Bencuya, que saíram da empresa de inteligência artificial aplicada a marketing, AdVelvet.

O Impressions não é o primeiro a disponibilizar ferramentas para criar deepfakes: o chinês ZAO permite que o usuário coloque seu rosto em vídeos famosos; o Doublicat, dos EUA, também. A novidade do aplicativo, contudo, é a alta resolução das imagens e a possibilidade de usar o rosto de celebridades em diferentes contextos, que abrem brechas para um potencial uso danoso da tecnologia. 

Segundo Sam Gregory, pesquisador e diretor de projeto da Witness, organização que defende os direitos humanos através de recursos audiovisuais, é cada vez mais comum que recursos de inteligência artificial e deepfakes sejam disponibilizados através de aplicativos, mas o Impressions oferece recursos mais perigosos. “Ele se aproxima mais de possíveis usos maliciosos de deepfakes que os outros, porque através dele você se apropria do rosto de outra pessoa, não do corpo”.


 O plano das deepfakes para decolar no Brasil

Segundo a Pública apurou, o Impressions pretende disponibilizar “rostos” de celebridades brasileiras ainda em 2020. “Temos planos para adicionar estrelas locais até o final do ano”, afirmou à reportagem Ari Bencuya, um dos fundadores do Impressions, sem dizer quais personalidades estão sendo estudadas. Toda segunda-feira, o aplicativo adiciona pelo menos três novas personalidades à plataforma.

Além de Xavier, outros influenciadores brasileiros já estão usando o aplicativo para bombar nas redes usando os rostos de famosos

A reportagem também descobriu que o Impressions tem buscado parcerias com influenciadores locais para investir no mercado brasileiro. Conhecido por produzir vídeos satíricos de deepfakes com o presidente Jair Bolsonaro, Bruno Sartori foi convidado pela empresa para divulgar a tecnologia no Brasil. “Eu não fechei com eles por receio de não saber o que a plataforma quer, e quais medidas ela vai tomar para que as pessoas não criem qualquer tipo de conteúdo nela”, revelou à reportagem.

Sartori conta que questionou o Impressions à respeito de como o app evitaria o uso da tecnologia de deepfakes para a criação de vídeos maliciosos, com desinformação, ou conteúdo sexual não consensual, mas não obteve resposta. “Eles falaram que estavam chegando agora no Brasil e que ainda não tinham estrutura para dar essas respostas”, comenta.

A Pública também questionou os fundadores do aplicativo sobre como pretendem evitar e punir o mau uso da ferramenta. A empresa listou algumas medidas adotadas, como a inserção de marcas d’água nos vídeos manipulados pela plataforma, limitação do tempo de vídeo, controle dos rostos disponíveis e um monitoramento ativo dos conteúdos publicados. 

Para Sartori, no entanto, essas medidas “não são tão efetivas quanto deveriam ser”. “Se você quiser remover a marca d’água, você remove. Daí já cai por terra um dos aspectos que eles alegam que evitaria [o mau uso]. Se o sujeito tem realmente a intenção de usar aquele conteúdo para a criação de um vídeo falso, se ele quiser fazer um vídeo de um minuto e o aplicativo só aceita vinte segundos, ele divide o vídeo em três e aí tem o conteúdo completo”, avalia.

Segundo os termos de uso do aplicativo, é proibido usuários com menos de 13 anos de idade e contas automatizadas. O app também diz que não é permitido usar a ferramenta para propaganda ou vendas, ou para produzir conteúdos contendo nudez, discurso de ódio ou assédio direcionado. O Impressions ainda se compromete, através de um “manifesto ético”, a banir usuários que violarem essas regras e a cooperar com a Justiça dos países em que está disponível para investigar casos de uso malicioso da tecnologia.

Sartori, no entanto, aponta que esse compromisso também não é muito efetivo, uma vez que o aplicativo não possui representação no Brasil e o processo para acionar uma empresa estrangeira é muito complexo. A exigência que plataformas de mídias sociais tenham representação legal no Brasil é uma demanda levantada por membros da CPMI das Fake News, para a facilitar a investigação de crimes virtuais.

“Se uma ferramenta [de deepfake] é feita para entretenimento, ela deve deixar facilmente detectável que se trata de uma manipulação, para não causar problemas para as pessoas”, defende Gregory. 

Segundo o pesquisador, o aplicativo também deveria investir em ferramentas de detecção de vídeos manipulados – uma promessa que o Impressions deixa para o futuro. “Nós temos planos para desenvolver modelos de detecção de deepfakes a partir das mídias em nossos servidores”, afirma o COO, Ari Bencuya. “É fácil prometer. Eu acredito que seria importante investir nisso desde o início”, rebate Gregory.

Nos EUA, Trump já utiliza vídeos editados para atacar adversários

Apesar das deepfakes serem frequentemente utilizadas para entretenimento e sátira, há registros de vídeos manipulados sendo usados por políticos com potencial para difamar adversários e enganar eleitores. 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump já compartilhou em mais de uma ocasião vídeos manipulados de seu oponente para a corrida eleitoral, Joe Biden. Em março deste ano, ele publicou um vídeo do candidato democrata no qual ele aparenta apoiar a reeleição de Trump. Apesar de ser um vídeo editado, que não chega a ser uma deepfake por não utilizar de inteligência artificial no processo de edição, e que foi compartilhado de maneira sarcástica, o material foi suficiente para confundir eleitores. Em abril, Trump retuitou outro vídeo manipulado de Biden, utilizando uma edição mais realista, na qual ele aparece fazendo caretas. À Pública, o Impressions prometeu excluir o rosto de Trump do aplicativo antes das eleições nos EUA, que acontecem em novembro.

Vídeo manipulado no qual Joe Biden mostra a língua viralizou no Twitter e foi republicado por Donald Trump

“As pessoas já acreditam em desinformação e têm pouco questionamento no que diz respeito à informação quando ela vem em texto. A gente acredita que quando ela vem em vídeo, o senso crítico das pessoas é ainda menos aguçado. As pessoas tendem a acreditar muito em vídeo”, explica Joana Varon, da Coding Rights, organização de direitos digitais.

Além dos vídeos compartilhados por Trump, circula nas redes americanas um vídeo da presidente da Câmara, Nancy Pelosi, com potencial danoso: o vídeo foi editado de maneira que a deputada democrata aparenta estar bêbada. Também não se trata de uma deepfake propriamente, mas de uma técnica de manipulação chamada de shallowfake – também capaz de confundir usuários e causar dano à reputação.

Ataque à reputação de mulheres, como o vídeo de Pelosi, são um dos principais usos maliciosos das deepfakes. Segundo estudo da empresa americana de proteção contra ameaças visuais, Sensitivity, 95% das deepfakes encontradas online em 2019 eram de vídeos falsos de atos sexuais não consensuais.

A atriz Scarlett Johansson tem sido vítima desse tipo de ataque desde 2018. Seu rosto foi um dos primeiros a ser disponibilizado para a produção de deepfakes no Impressions App, que alega evitar que a ferramenta seja usada para vídeos sexuais através de um algoritmo que busca e deleta conteúdos pornográficos e de nudez. No entanto, o influencer Daniel Xavier, já usou o aplicativo para fazer piada de conotação sexual com o rosto de Justin Bieber. Em um vídeo recente, publicado no dia 9 de agosto, ele aparece, com o rosto do cantor, chupando um picolé de maneira sensualizada.

“As pessoas acham que as deepfakes precisam ser perfeitas para causar um dano. Mas não é esse o problema. Na maioria dos casos de vídeos deepfakes de conteúdo sexual não consensual, as pessoas não acreditam que é de fato uma celebridade naquela cena. É sobre humilhá-las”, explica Sam Gregory, da Witness.

Uso de imagem sem autorização pode ter consequências jurídicas

A autorização de uso de imagens de quem tem os rostos incluídos num aplicativo de deepfake é outro ponto problemático da tecnologia, na avaliação de especialistas em direito digital. Segundo Gregory, aplicativos que disponibilizam a imagem de pessoas para a produção de deepfakes, sejam elas celebridades ou não, precisam de uma autorização. “A ideia de consenso das pessoas que estão sendo manipuladas é importante”, diz. 

Questionado sobre se o aplicativo firmou acordo de uso de imagem com as celebridades disponíveis, o Impressions disse que não poderia comentar possíveis contratos. A reportagem entrou em contato com a Universal Records, que representa Justin Bieber e outros artistas cujos rostos estão disponíveis no aplicativo, mas não obteve resposta.

Para Joana Varon, da Coding Rights, a ausência de autorização para uso de imagem “pode ter implicações legais”, mas ela assume que ainda não há debate legal a respeito do tema, uma vez que é uma tecnologia nova. 

As leis brasileira e americana permitem que a imagem de pessoas públicas sejam utilizadas para fins de sátira e apropriação criativa. No entanto, o Impressions disponibiliza o rosto de celebridades para os mais diversos fins – proibindo somente através de seus termos o uso da ferramentas para fins comerciais e maliciosos. 

“Direito de imagem existe e a gente está entrando em uma nova era de discussão, porque não é propriamente uma cena de filme para uma apropriação criativa. É usar um rosto para manipular e criar uma outra cena”, analisa Varon.

Solução definitiva é educação midiática, aponta pesquisador

Apesar dos riscos e problemas éticos e legais envolvendo as deepfakes, a popularização dessa tecnologia é inevitável, na avaliação de pesquisadores. “O impressions é apenas a ponta do iceberg”, avalia Gregory .”Muitos desenvolvedores estão trabalhando nessa área e está ficando cada vez mais fácil de acessar essa tecnologia, por isso devemos nos preparar para ver mais conteúdos desse tipo em breve.”

Segundo Bruno Sartori, a exposição a esse tipo de conteúdo pode ser benéfica. “Essa tecnologia tem que se espalhar para que daqui a dois anos nas campanhas presidenciais todo mundo saiba que é possível criar conteúdo dessa maneira e que quando um conteúdo desse surgir elas saibam dizer que é falso da mesma maneira que a gente olha para uma foto e reconhece que tem Photoshop”, defende.

Joana Varon também também defende que há usos positivos: “não podemos demonizar a tecnologia”, argumenta. “Existem usos positivos, como o de sátira, que são usos criativos sempre respeitando aí a liberdade de expressão”, aponta.

“É difícil saber se isso está ajudando ou dificultando. A crescente disponibilidade para que qualquer um possa fazer deepfakes facilita também que sejam feitas as coisas com as quais jornalistas e ativistas se preocupam”, pondera Gregory. Para o pesquisador, a solução definitiva é a educação midiática, e as plataformas devem informar aos usuários sobre como usar a tecnologia de maneira adequada. “Existe uma obrigação, quando você faz uma ferramenta como essa, de ensinar as pessoas sobre quando é e quando não é apropriado usá-la. É bom que as pessoas conheçam as deepfakes, mas o que nós realmente queremos que elas façam é refletir sobre os interesses por trás do compartilhamento de informações”, conclui.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Bolsonarismo desce ao nível mais baixo com ataque inaceitável à repórter da Folha

Depoente na CPMI das fake news nesta terça, 11, Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da empresa Yacows, acusada de espalhar mensagens em massa, e falsas, na eleição de 2018, escreveu um dos capítulos mais baixos da nossa história.

Disse que Patrícia Campos Melo, repórter da Folha, se insinuou para ele em troca de informações para uma matéria.
Depoente na CPMI das fake news nesta terça, 11, Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da empresa Yacows, acusada de espalhar mensagens em massa, e falsas, na eleição de 2018, escreveu um dos capítulos mais baixos da nossa história.
Disse que Patrícia Campos Melo, repórter da Folha, se insinuou para ele em troca de informações para uma matéria.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Globo cresce com Bolsonaro; TV Brasil afunda

O jornalista Ricardo Feltrin, que monitora a evolução da audiência na televisão brasileira, postou duas notas curiosas na semana passada. Na primeira, ele registra que “desde janeiro os bolsonaristas radicais atacam, xingam, sobem hashtags negativas, tripudiam dos erros, desprezam os acertos, perseguem os profissionais da Globo nas redes, mas o público nacional médio da emissora – aparentemente – não está nem aí. Desde que o governo Bolsonaro começou, o ibope da emissora só cresceu”.
O jornalista Ricardo Feltrin, que monitora a evolução da audiência na televisão brasileira, postou duas notas curiosas na semana passada. Na primeira, ele registra que “desde janeiro os bolsonaristas radicais atacam, xingam, sobem hashtags negativas, tripudiam dos erros, desprezam os acertos, perseguem os profissionais da Globo nas redes, mas o público nacional médio da emissora – aparentemente – não está nem aí. Desde que o governo Bolsonaro começou, o ibope da emissora só cresceu”.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Vaza Jato: Doleiro diz que lavou dinheiro para o SBT e empresas de Silvio Santos

Em delação premiada, firmada em 2017 e homologada pela Justiça, que segue sob sigilo, o doleiro Adir Assad relata um esquema do qual fez parte para lavar milhões de reais para empresas do grupo Silvio Santos
Em delação premiada, firmada em 2017 e homologada pela Justiça, que segue sob sigilo, o doleiro Adir Assad relata um esquema do qual fez parte para lavar milhões de reais para empresas do grupo Silvio Santos. As informações foram reveladas nesta quinta-feira (29) pela Folha de S.Paulo, em parceria com o site The Intercept, na série sobre a Vaza Jato.

terça-feira, 23 de julho de 2019

Para 8 em cada 10 brasileiros, maioria dos políticos é corrupta

Conheça iniciativas brasileiras que usam a Lei de Acesso à Informação e a tecnologia para combaterem a corrupção no poder públicosegundo a pesquisa Barômetro das Américas (LAPOP). E boa parte dessa insatisfação está ligada à falta de confiança no Congresso Nacional e nos partidos políticos
58% dos brasileiros estão insatisfeitos com o atual funcionamento da democracia no país, segundo a pesquisa Barômetro das Américas (LAPOP). E boa parte dessa insatisfação está ligada à falta de confiança no Congresso Nacional e nos partidos políticos.

quarta-feira, 13 de março de 2019

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Protesto contra a Globo reúne milhares em Belo Horizonte

Em Dia Nacional de Mobilizações contra a rede Globo, mineiros marcham até a porta da emissora para denunciar manipulação“Vem somos milhões, vem derrubar a Rede Globo é hora de lutar! Não é na tela da TV é no meio do povo! Nós vamos derrubar a Globo!”  Com cantos e palavras de ordem cerca de 4 mil manifestantes, integrantes de movimentos populares e sindicais, marcharam por 4 quilômetros, da Praça Raul Soares até a sede da Rede Globo, no bairro Caiçara, região noroeste de BH. O ato, que começou às 19 horas, foi organizado pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo com intuito de chegar à sede da emissora no horário do Jornal Nacional, veículo apontado pelos manifestantes como carro chefe das manipulações da empresa.“Vem somos milhões, vem derrubar a Rede Globo é hora de lutar! Não é na tela da TV é no meio do povo! Nós vamos derrubar a Globo!”

quinta-feira, 1 de março de 2018

O passaporte de Kim Jong-un e a irresponsabilidade da Reuters

'Fake news'? Publicação da reportagem sobre suposto passaporte brasileiro dos norte-coreanos pela Reuters desrespeita qualquer sentido editorial ou regra de boa conduta jornalística
Agências de notícias e grandes veículos de imprensa vêm atacando as chamadas
Agências de notícias e grandes veículos de imprensa vêm atacando as chamadas "fake news" e jogando a responsabilidade por elas numa grande maçaroca que mistura criadores de perfis em massa para difundi-las, falsificadores de dados da realidade, agências de notícias de países "inimigos" (Rússia especialmente) e, de quebra, o jornalismo independente.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Como Aécio usou o Judiciário para calar a imprensa de Minas Gerais.

Ainda há muito por ser revelado a respeito do submundo da administração do senador Aécio Neves no Estado de Minas Gerais, que foi de 1o. de janeiro de 2003, quando ele assumiu o governo, até 31 dezembro de 2014, quando terminou o mandato de Antonio Anastasia.

Uma das frestas para essa realidade é representada pelo conjunto de ações judiciais movidas contra o Novo Jornal e seu proprietário, Marco Aurélio Carone.
Ainda há muito por ser revelado a respeito do submundo da administração do senador Aécio Neves no Estado de Minas Gerais, que foi de 1o. de janeiro de 2003, quando ele assumiu o governo, até 31 dezembro de 2014, quando terminou o mandato de Antonio Anastasia.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Governo Macri já tenta jogar sobre Cristina a culpa por explosão de submarino

Versão argentina de "a culpa é do PT": investigação nem chegou ao fim e ministro da Defesa fala em "corrupção" e "material sem qualidade" do conserto
Duas semanas atrás, o presidente da Argentina, Maurício Macri, publicava no twitter uma frase em que tratava de acalmar os ânimos dos que estavam buscando culpados pela explosão do submarino ARA San Juan, desaparecido desde o dia 15 de novembro com 44 tripulantes a bordo. “Até que não tenhamos informação completa não temos que nos aventurar a buscar culpados. Primeiro temos que ter certeza do que aconteceu e por que aconteceu”, aconselhava.
Duas semanas atrás, o presidente da Argentina, Maurício Macri, publicava no twitter uma frase em que tratava de acalmar os ânimos dos que estavam buscando culpados pela explosão do submarino ARA San Juan, desaparecido desde o dia 15 de novembro com 44 tripulantes a bordo.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Como checar boatos em 9 passos

Este guia é de autoria de Jack Werner, jornalista sueco especializado em desvendar boatos em redes sociais. Foi produzido pela International Fact-Checking Network por ocasião do Dia Internacional do Fact-Checking e agora é parte de uma série que Aos Fatos traduz para o português. 


No verão de 2014, um leitor entrou em contato por um motivo peculiar: ele queria me contar uma história antiga.
Na época, eu tinha acabado de fundar a coluna de fact-checking chamada Viralgranskaren (O Revisor Viral, em tradução livre) no jornal gratuito Metro — e meu gosto especial por lendas urbanas fez com que suas aparições súbitas se tornassem um tema recorrente nas minhas coberturas.
No verão de 2014, um leitor entrou em contato por um motivo peculiar: ele queria me contar uma história antiga.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Herdeiro de filial da Globo que matou agente de trânsito é preso

Herdeiro da Globo que passou por cima de agente de trânsito em blitz da Lei Seca em João Pessoa/PB finalmente é preso. Caso ganhou repercussão nacional após indignação gerada a partir de blindagem da mídia local e do judiciário
Rodolpho Carlos da Silva, 21, foi preso nesta segunda-feira (24) na cidade de João Pessoa, capital da Paraíba.
Segundo informações da Polícia Civil, a detenção do jovem ocorreu em sua residência e ele não esboçou reação. O juiz Marcos Williams foi o responsável por assinar a prisão. O advogado de defesa afirmou que entrará com um pedido de habeas corpus para reverter a decisão.
O agente de trânsito Diogo Nascimento foi atropelado e morto na madrugada do dia 21 de janeiro durante uma blitz da Lei Seca. Rodolpho dirigia um carro de luxo branco, da marca Porsche, e acelerou o veículo quando recebeu ordem de parada, passando por cima da vítima.
Rodolpho Carlos da Silva, 21, foi preso nesta segunda-feira (24) na cidade de João Pessoa, capital da Paraíba.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Aloprado da TV Cultura leva bronca

O "historiador" Marco Antonio Villa é um típico aloprado. Ele utiliza concessões públicas de rádio e televisão - como a TV Cultura e a rádio Jovem Pan, dois notórios palanques tucanos - para destilar a sua agressividade e as suas loucuras.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Agressão a Caco Barcellos é abominável e a culpa é da Rede Globo

O ódio que a Rede Globo inspira transbordou e acabou por se transmitir aos jornalistas da empresa — incluindo o honesto e competente Caco Barcellos, que sempre gozou de boa imagem mesmo entre o público progressista
Jornalista premiado e respeitado, Caco Barcellos, 66 anos, sentiu na pele a fúria popular contra a Rede Globo. Caco foi impedido nesta quarta-feira (16) de cobrir o ato de servidores estaduais próximo à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
O apresentador do Profissão Repórter foi atingido na cabeça e nas costas por garrafas de água e cones de trânsito. “Globo golpista” e “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” gritavam as dezenas de pessoas que o hostilizavam.
Mais cedo, um jornalista do Jornal O Globo foi agredido por um dos manifestantes. Vestido com uma camisa azul, um homem tentou agredir o repórter, que mexia no celular e conseguiu se esquivar do soco. Ao correr, um outro manifestante deu um chute em sua perna. O repórter perdeu seus óculos.
Jornalista premiado e respeitado, Caco Barcellos, 66 anos, sentiu na pele a fúria popular contra a Rede Globo. Caco foi impedido nesta quarta-feira (16) de cobrir o ato de servidores estaduais próximo à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

PELO FOMENTO À COMUNICAÇÃO ALTERNATIVA E COMUNITÁRIA

Vivemos um período de centralização e grande poderio dos enormes conglomerados midiáticos que defendem interesses próprios. A concentração dos meios de comunicação impede a diversidade informativa e cultural e afeta a democracia.

É preciso fazer mais do que a denúncia do monopólio da mídia. O Estado pode e deve contribuir com outros importantes setores da comunicação, como a comunitária e alternativa.

A comunicação comunitária na cidade de São Paulo é riquíssima, conta com rádios e jornais comunitários que ajudam a formar a identidade cultural de nossa metrópole. Assim como a mídia alternativa que ultimamente tem cumprido fundamental papel para arejar o debate que muitos vezes é interditado pelas empresas que formam os monopólios de comunicação.
Vivemos um período de centralização e grande poderio dos enormes conglomerados midiáticos que defendem interesses próprios.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

A direita está mais mobilizada que a esquerda nas redes

Estudo mostra que páginas de movimentos conservadores e contrários ao PT acumulam mais curtidas
Desde a abertura do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, no dia 12 de maio, a direita se mostra muito mais mobilizada nas redes do que a esquerda.
É o que mostra o Mapa das redes de mobilização no Facebook, construído pelos professores Esther Solano (Unifesp), Pablo Ortelllado (USP) e Marcio Moretto (USP).

O retrato, feito entre 11 e 25 de junho na rede social que possui no Brasil 99 milhões de usuários ativos mensais, mostra que as páginas de direita se sobressaem quanto ao número de curtidas, seja em posts e conteúdo compartilhado ou mesmo na própria página de apresentação.

De acordo com os especialistas que apresentaram resultados preliminares da pesquisa na última quinta-feira (28), se na época da votação na Câmara e no Senado do processo de impeachment a atividade do espectro mais conservador e anti-PT era semelhante ao de páginas ligadas a uma causa ou a um grupo político de esquerda, hoje o que se observa é um crescimento da direita no universo online.
Desde a abertura do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff, no dia 12 de maio, a direita se mostra muito mais mobilizada nas redes do que a esquerda.

sábado, 23 de julho de 2016