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terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Moro mandou a Dallagnol dossiê contra ministro do STJ Ribeiro Dantas

Sergio Moro, quando era juiz da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, elaborou dossiê sobre o ministro do Superior Tribunal de Justiça Marcelo Navarro Ribeiro Dantas e o enviou ao procurador Deltan Dallagnol. Após pressão da autoproclamada força-tarefa da “lava jato”, Ribeiro Dantas deixou de ser relator dos processos da operação na corte.

Sergio Moro, quando era juiz da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, elaborou dossiê sobre o ministro do Superior Tribunal de Justiça Marcelo Navarro Ribeiro Dantas e o enviou ao procurador Deltan Dallagnol. Após pressão da autoproclamada força-tarefa da “lava jato”, Ribeiro Dantas deixou de ser relator dos processos da operação na corte.

As mensagens constam de petição apresentada pela defesa do ex-presidente Lula, nesta segunda-feira (22/2), ao Supremo Tribunal Federal. O diálogo faz parte do material apreendido pela Polícia Federal no curso de investigação contra hackers responsáveis por invadir celulares de autoridades. A ConJur manteve as abreviações e eventuais erros de digitação e ortografia presentes nas mensagens.

Em conversa no Telegram em 17 de dezembro de 2015, Sergio Moro diz a Deltan Dallagnol que precisa de manifestação do MPF no pedido de revogação da prisão preventiva do pecuarista José Carlos Bumlai até às 12h do dia seguinte. Em seguida, o então juiz federal critica a atuação de Ribeiro Dantas.

“Olhem isso que bizarro. Marcelo Navarro denegava soltura em casos MUITO MENOS GRAVES e com muitos menos fundamentos. Ele não substituía sempre com base no argumento de que a pena é superior a 4 anos!!! Vou selecionar uns acórdãos de casos bem mais fracos ainda, mas segue análise feita aqui e as ementas.”

Moro então envia a Dallagnol decisões de Ribeiro Dantas quando era desembargador do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, compiladas por José Avelino de Souza Júnior, diretor do Núcleo de Processamento dos Feitos Penais da corte.

“Dr. Deltan, basicamente o Min. Marcelo Navarro, então Des. Fed. do TRF5, manteve a maioria das prisões preventivas quando apreciou HCs contra as decisões originárias, pelo menos considerando as decisões mais recentes (de 5/2012 até 4/2015). Pelo que percebi, o argumento maior e que se repete é a higidez/idoneidade dos decretos prisionais, fundados na necessidade da efetiva aplicação da lei penal, na conveniência da instrução processual e na garantia da ordem pública, e a ausência de irregularidades que pudessem caracterizar coação ilegal.”

No levantamento, Souza Júnior aponta que, “em praticamente todas as decisões”, Ribeiro Dantas negou o pedido de substituição da prisão preventiva por medidas cautelares alternativas com o argumento de que a pena máxima para o delito ultrapassava quatro anos. O artigo 313, I, do Código de Processo Penal, admite a decretação de prisão preventiva para tais crimes. Mas o servidor informa que o ex-desembargador do TRF-5 também negou a substituição da detenção em casos de delitos com pena inferior a esse patamar. Nessas situações, o argumento foi o de que o acusado também respondia a outras infrações de maior gravidade.

“Em suma, percebi que a tendência dele foi manter as prisões enquanto esteve no TRF5. Só para ter uma ideia (não vi todos os processos, pois são cerca de 63 que retornaram pelo critério que usei), em praticamente todos os mais recentes dele que pesquisei com a palavra-chave ‘prisão preventiva’ (foram 24 que vi), a decisão foi pela manutenção da prisão e impossibilidade de substituição por outras medidas cautelares, com denegação do HC (isso ocorreu em 22 processos). Em apenas 2 casos ele concedeu o HC, em 1 por excesso de prazo e em outro por excesso no valor da fiança.”

Ataques a ministro

Marcelo Navarro Ribeiro Dantas foi indicado para o STJ pela então presidente Dilma Rousseff em 2015. Ele tomou posse em 30 de setembro, e virou relator dos processos da operação “lava jato” na corte.

O ministro entrou na mira da “lava jato” depois que Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, afirmou à Procuradoria-Geral da República ter ouvido que havia uma “movimentação política” para que seu pai obtivesse um HC por intermediação de um ministro de sobrenome “Navarro”.

Em delação premiada, o ex-senador Delcídio do Amaral (PT-MS) afirmou que Dilma, antes de escolher alguém para o STJ, tinha lhe pedido que “conversasse como o desembargador Marcelo Navarro, a fim de que ele confirmasse o compromisso de soltura de Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo”, da Andrade Gutierrez. Segundo Delcídio, Ribeiro Dantas “ratificou seu compromisso”. As acusações do ex-senador nunca foram comprovadas, e as investigações contra o magistrado não seguiram em frente.

No entanto, o ministro passou a ser perseguido pela “lava jato”. Em uma conversa de 5 de março de 2016, a procuradora Carolina Rezende, da PGR, diz que o objetivo da operação deve ser “atingir Lula na cabeça”.

O diálogo ocorreu um dia depois do ex-presidente ser levado coercitivamente para depor na Polícia Federal. “Depois de ontem, precisamos atingir Lula na cabeça (prioridade número 1), para nós da PGR, acho que o segundo alvo mais relevante seria Renan [Calheiros, PMDB-AL]”, afirmou.

Ainda segundo a procuradora, “atingir ministros do STF” naquele momento poderia fazer com que a “lava jato” comprasse uma briga “com todos ao mesmo tempo”. O melhor seria “atingirmos nesse momento o ministro mais novo do STJ”, disse Carolina, referindo-se a Ribeiro Dantas.

“Não temos como brigar com todos ao mesmo tempo. Se tentarmos atingir ministros do STF, por exemplo, eles se juntarão contra a LJ [“lava jato”], não tenho dúvidas. Tá de bom tamanho, na minha visão, atingirmos nesse momento o min mais novo do STJ. Acho que abrirmos mais uma frente contra o Judiciário pode ser over. Por outro lado, aqueles outros (Lula e Renan) temas para nós hj são essenciais p vencermos as batalhas já abertas.”

Ribeiro Dantas negou diversos pedidos de Habeas Corpus de acusados da “lava jato”, como os de João Vaccari Neto, ex-secretário de finanças do PT, e do empresário Carlos Habib Chater. Porém, votou a favor da libertação de Marcelo Odebrecht e de Otávio Marques de Azevedo na 5ª Turma do STJ. Ele ficou vencido e transferiu a relatoria dos processos da “lava jato” ao ministro Felix Fischer.

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Cruzeiro, Galo, América e outros clubes pedem justiça por Mariana Ferrer


Uma corrente movida nas redes sociais fez com que vários times de futebol ao redor do Brasil se posicionassem contra a absolvição do empresário acusado de estuprar a influenciadora Mariana Ferrer, além da humilhação sofrida pela jovem durante o julgamento (relembre aqui). Cruzeiro, América e Atlético foram alguns dos clubes que divulgaram mensagens de apoio à causa e repudiaram a normalização do crime de estupro.

“Estupro é estupro! Em qualquer lugar. Em qualquer situação. Chega de violência contra a mulher. Para denúncias, ligue 180”, publicou o Cruzeiro no Twitter. “Estupro nunca é culpa da vítima. #JustiçaPorMariFerrer”, escreveu o América. “O Atlético se solidariza com Mariana Ferrer e todas as mulheres vítimas de estupro. Exigimos respeito. Justiça já!!!”, publicou o Galo na rede social.
Fortaleza, Flamengo, Goiás, Corinthians, Vasco, Sport, Fluminense, Grêmio, Internacional e Bahia foram alguns dos times que também fizeram publicações pedindo justiça por Mariana Ferrer e repudiando o caso. Os clubes também divulgaram a frase “Não existe estupro culposo’, em alusão ao argumento do promotor do caso, que afirmou que o crime foi cometido sem que houvesse a intenção de estuprar.

O caso

O empresário André de Camargo Aranha, acusado de estuprar a influenciadora Mariana Ferrer, de 23 anos, em Florianópolis, foi absolvido do crime. Em reportagem publicada pelo Intercept Brasil, nesta terça-feira (3), o promotor responsável pelo caso argumentou não teve “intenção” de estuprar. Imagens ainda mostram a jovem sendo humilhada durante o julgamento. Nas redes sociais, o nome de Mariana Ferrer voltou a figurar entre os assunto mais comentados, com total repúdio ao encerramento do caso.
O juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis, aceitou a argumentação do promotor Thiago Carriço. O empresário foi absolvido em setembro deste ano. O argumento do promotor contraria a tese inicial do próprio MP (Ministério Público), que considerava o homem culpado por estupro de vulnerável. 

Em imagens conseguidas pelo Intercept, é possível ver Mariana sendo humilhada durante o julgamento por videoconferência. A defesa do empresário exibiu fotos sensuais produzidas pela jovem durante trabalhos como modelo profissional antes do crime, como forma de reforçar o argumento que a relação foi consensual.
Fonte: BHAZ

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Delegado não registrou racismo, homofobia nem crime contra animal em inquérito de agressão em SP

Os advogados Djefferson Amadeus e Paulo Iotti, que assumiram o caso, ficaram indignados com a postura do delegado em São Paulo. Djefferson é diretor do Instituto de Defesa da População Negra (IDPN) e Iotti é autor da ação e um dos advogados responsáveis pela defesa de equiparação da LGBTfobia a crime de racismo no STF.

Os agressores de Robson Gael, atacado em via pública na capital paulista, foram identificados no dia da agressão mas o caso foi enquadrado apenas como crime de “menor potencial ofensivo”, como se tudo não passasse de uma mera “lesão corporal leve”, sem as condutas de racismo ou injúria racial.

Os advogados Djefferson Amadeus e Paulo Iotti, que assumiram o caso, ficaram indignados com a postura do delegado em São Paulo. Djefferson é diretor do Instituto de Defesa da População Negra (IDPN) e Iotti é autor da ação e um dos advogados responsáveis pela defesa de equiparação da LGBTfobia a crime de racismo no STF.

“Além disso, o cachorro de Robson também foi chutado, sendo lançado para o meio da rua, o que constitui crime. Este fato também não foi capitulado e precisa sê-lo”, relataram à Mídia NINJA. O vídeo que circulou nas redes registra momentos depois que a agressão já havia se iniciado e o cachorro lançado com chutes.

Segundo os advogados, seu cliente relatou ter sido xingado de “preto safado” e “viadinho”, mas tais ofensas racistas (negrofóbicas e homofóbicas) não constam do inquérito até o momento, apesar de Robson as ter relatado em seu depoimento.

Em relato exclusivo à NINJA, os advogados afirmaram que receberam com muita indignação o fato. “Aqui temos um advogado negro e um advogado gay, isso significa que se preciso for vamos defender os interesses de nosso cliente onde quer que seja, dado ser inadmissível que uma pessoa seja agredida e ofendida por ser negra e gay”, disseram.

Relembre o caso:

Fonte:  Midia Ninja