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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Aécio não ganhou os votos de Marina, mas herdou o coitadismo

O apoio tardio de Marina Silva a Aécio Neves, depois de uma negociação interminável, não rendeu votos ao tucano, mas parece ter provocado uma transferência sensível de humor.
Aécio está incorporando o coitadismo de Marina. Depois do número do dedo em riste (“leviana!”) no debate com Dilma, o candidato do PSDB reclamou que é “vítima de ódio e rancor”. Estão sendo ditas “mentiras, infâmias e calúnias” sobre ele. É uma campanha desesperada, “que não consegue olhar para o futuro. Ela olha para o passado”. Para Aécio, esse é “o modus operandi do PT. Minas Gerais é o estado que tem o maior número de municípios em todo Brasil e temos a melhor educação fundamental do Brasil”. A vitimização é um jogo de cena que foi bastante usado por Marina no primeiro turno. Ela ainda tinha um agravante passivo agressivo: ao mesmo tempo em que se queixava, batia sem dó. O ápice foi quando declarou que passou fome. No caso de Aécio essa tática é, sob todos os aspectos, uma piada. Em seu mundo ideal — a Minas Gerais de suas duas gestões, digamos –, ele solaria à vontade, sem ser questionado por ninguém a respeito de nada.
O apoio tardio de Marina Silva a Aécio Neves, depois de uma negociação interminável, não rendeu votos ao tucano, mas parece ter provocado uma transferência sensível de humor.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

SE PSOL APOIASSE DILMA, 2º GOVERNO DELA SERIA MAIS DE ESQUERDA

Eis que o PSOL tem diante de si a possibilidade de conseguir pela via eleitoral o que não conseguiu com a ruptura com o PT da qual o partido nasceu, nos primórdios do governo Lula
Freixo, como se sabe, em 2012 chegou a ter 30% dos votos cariocas e, em 2014, é o deputado estadual mais votado. Pela importância de Freixo no PSOL, sua decisão pode influenciar o partido no sentido de analisar com a devida calma a possibilidade de apoiar a reeleição de Dilma, sobretudo na pessoa da combativa Luciana Genro, quem, por seu brilhantismo no primeiro turno, conquistou uma bela votação para o seu partido, dada a diferença de recursos de sua campanha para os recursos das campanhas dos adversários. Eis que o PSOL tem diante de si a possibilidade de conseguir pela via eleitoral o que não conseguiu com a ruptura com o PT da qual o partido nasceu, nos primórdios do governo Lula. Afinal, negociando devida e legitimamente o seu apoio a Dilma poderá fazer com que um eventual novo governo dela seja muito mais de esquerda do que o primeiro, além de participar desse governo.O PSOL poderia, por exemplo, negociar a adoção dos kits anti-homofobia nas escolas, envio de projetos de lei do governo ao Congresso propondo mais direitos para os homossexuais, para os índios, para os negros e, além disso, poderia obter avanços mais concretos na reforma agrária, na jornada de trabalho, na Previdência... Além do PSOL, há um movimento no PSB de Luiza Erundina e Roberto Amaral que propõe que o partido se mantenha neutro na disputa entre Dilma e Aécio Neves. Esse movimento, com habilidade do PT, pode desembocar em apoio de setores ou expoentes do partido à reeleição da presidente da República. Afinal, Erundina e Amaral estão divergindo frontalmente de Marina no que tange ela apoiar Aécio.
Foi altamente positiva a manifestação do ex-candidato a prefeito do Rio de Janeiro pelo PSOL Marcelo Freixo no sentido de que, diante da possibilidade de o país vir a ser governado pelo PSDB, não tem dúvida alguma em declarar seu voto em Dilma Rousseff.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

PSB-Marina Silva, noivado mal arranjado; socialistas constrangidos a votar contra si próprios

A candidata a presidente Marina Silva não tem partido e o Partido Socialista Brasileiro não têm candidato. A morte de Eduardo Campos subverteu a hierarquia da coalizão (proto-Rede e PSB) impondo um noivado em que nenhum dos nubentes escolheria voluntariamente o outro. Certamente, Marina Silva nunca foi uma socialista e nem o Partido Socialista Brasileiro teria imaginado apoiar a hegemonia de um banco na Presidência da República. O pacto eleitoral que servia a Eduardo Campos e ao carona Rede passou a acorrentar mutuamente Marina Silva e o Partido Socialista Brasileiro.
Candidata a vice-presidência, Marina podia difundir o Rede, continuando a apologia de uma política de princípios inegociáveis, enquanto cabia a Eduardo Campos conduzir a campanha de acordos eleitorais conforme a conveniência. Eventuais vetos de Marina, como a recusa de participar da campanha em São Paulo, oficialmente em virtude de oposição ao PSDB de Geraldo Alkmin, ratificavam a aura da imaculada candidata a vice. Perdendo a eleição sairia dela pura como entrara, levando na algibeira uma possível bancada parlamentar de marineiros.
A candidata a presidente Marina Silva não tem partido e o Partido Socialista Brasileiro não têm candidato. A morte de Eduardo Campos subverteu a hierarquia da coalizão (proto-Rede e PSB) impondo um noivado em que nenhum dos nubentes escolheria voluntariamente o outro.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Jovens contra a homofobia fazem ato de repúdio a Marina

Estudantes gritam "Mais amor, menos Marina" durante passagem da candidata e realizam beijo gay em protesto contra o recuo no programa de governo após pressão de setores evangélicos

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, foi alvo de protestos nesta terça-feira, durante a sua rápida passagem por Florianópolis, SC. O motivo do manifesto, coordenado por estudantes, foi a aliança com o candidato ao Senado, Paulo Bornhausen, também do PSB. Assim que chegou na sede do partido, na região central da cidade, Marina foi cercada por um grupo de estudantes que carregava cartazes com dizeres “Mais amor, menos Marina”, além de faixas demonstrando que o deputado Marco Feliciano estaria apoiando a candidata. Os jovens também gritaram contra Bornhausen, liderança catarinense que construiu a carreira em partidos como PFL, DEM e PSD. Duas jovens chegaram a realizar um beijo gay para protestarem contra a mudança no programa de governo da candidata que tratava da questão de casamento homoafetivo. “Marina representa o setor mais atrasado da nossa sociedade ao não aceitar a criminalização da homofobia. Marina tem apoio do Malafaia, Feliciano, Bornhausen. Mas não tem o apoio do povo catarinense. O Estado é laico e não podemos aceitar que as influencias religiosas influenciem e dite as regras da nossa sociedade”, disse um dos estudantes.
A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, foi alvo de protestos nesta terça-feira, durante a sua rápida passagem por Florianópolis, SC. O motivo do manifesto, coordenado por estudantes, foi a aliança com o candidato ao Senado, Paulo Bornhausen, também do PSB.

Jatinho fantasma é o mensalão de Marina

Mentira se combate com verdade. Descobriu-se que o jatinho fantasma, pago com dinheiro de caixa 2 e com participação de laranjas, foi usado ao menos 10 vezes por Marina Silva. Essa é a verdade. Assim como também é verdade que Marina já sabia da situação ilegal do jatinho, porque, em maio deste ano, muito antes do acidente, a candidata emplacou Rubens Novelli, seu tesoureiro em 2010 e homem de confiança, como “tesoureiro adjunto” de Henrique Costa, o tesoureiro e “amigo pessoal” de Eduardo Campos. Trecho de matéria publicada no Globo, no dia 08 de maio de 2014: “O tesoureiro será Henrique Costa, amigo pessoal de Campos. Os dois estudaram juntos na faculdade de economia em Pernambuco. Costa fez carreira em bancos, como o BankBoston e o Banco do Estado de Pernambuco (Bandepe). Ele terá como adjunto Rubens Novelli, que já exerceu a mesma função em 2010 [de tesoureiro de Marina]. O programa de governo será coordenado pelo ex-deputado federal petista Maurício Rands e por Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú e ligada a Marina.” Observe que o jornal tratava Neca Setúbal como ela realmente é: herdeira do Itaú. Hoje, a imprensa tenta disfarçar, chamando-a apenas de  educadora”. Notícia publicada no Estadão, no dia 07 de maio deste ano, confimava que Novelli era o homem da Rede dentro do núcleo financeiro da campanha do PSB:
O PSB está em apuros.
E não adianta chorar, Marina.
Nem fazer “oração” contra mentiras.
Mentira não se combate com oração.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Irmão de condenado pela morte de Chico Mendes faz campanha para Marina

Aleci Alves da Silva alega que seu irmão foi injustiçado e que o conflito entre fazendeiros e seringueiros deve ficar no passado
A candidata à presidência da República pelo PSB, Marina Silva, tem um cabo eleitoral pra lá de inusitado. Trata-se de Aleci Alves da Silva que é irmão de Darly Alves da Silva e tio de Darci Alves, ambos condenados pelo assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, amigo pessoal e companheiro de ativismo de Marina Silva. Segundo reportagem publicada no portal G1, Aleci Silva é filiado ao PSB há sete anos e se diz um admirador de Eduardo Campos, morto em acidente áereo no dia 13 de agosto. O militante declarou ter “orgulho” de Marina Silva candidata à presidência da República. Silva disse também que os conflitos entre fazendeiros e seringueiros “ficou no passado”. Declarou que “tudo na vida passa”. Aleci da Silva disse que o seu irmão foi “injustiçado” e que é “inocente” da acusação de assassinato do ativista Chico Mendes. Disse acreditar que o seu irmão “não mandou fazer nada” contra Mendes e que ele foi utilizado como “bode expiatório”.
A candidata à presidência da República pelo PSB, Marina Silva, tem um cabo eleitoral pra lá de inusitado. Trata-se de Aleci Alves da Silva que é irmão de Darly Alves da Silva e tio de Darci Alves, ambos condenados pelo assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, amigo pessoal e companheiro de ativismo de Marina Silva.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Marineiros fraudam vídeo de Lula e espalham na rede

Ex-presidente aparece pedindo votos para "Marina, que eu conheço há mais de 30 anos", em vídeo com logotipos da campanha de Marina Silva, do PSB, no início e no fim; "Ela é a mais preparada para levar adiante os programa sociais do governo"; trata-se, porém, de uma fraude; a Marina a qual Lula se refere é a deputada federal Marina Santana (PT-GO), candidata ao Senado por Goiás; PT mobiliza área jurídica para definir atitude a tomar; presidente Rui Falcão falará sobre a adulteração em Brasília; o que parece uma brincadeira é, na verdade, crime eleitoral; suspeitas recaem sobre quem se beneficia da fraude do apoio do maior cabo eleitoral do País.
Uma fraude eleitoral está circulando na internet.

O segredo de Marina

O segredo de Marina
Já publiquei, à revelia, alguns de seus escritos aqui.

Na área dos marqueteiros

O debate de estreia confirmou outra continuidade: ainda é confundido com safári.
Na área dos marqueteiros
O melhor das eleições para governos volta a ser a expectativa do sobe e desce nas pesquisas.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Avião que era utilizado por Eduardo Campos pode ser fruto de caixa dois

Avião que era utilizado por Eduardo Campos pode ser fruto de caixa dois
A Polícia Federal investiga se o avião que caiu com o candidato à presidência Eduardo Campos (PSB) fo comprado com dinheiro de caixa dois. Segundo levantamentos da PF, o avião pertence ao grupo A. F. Andrade, proprietária de usinas de açucar que já declarou falência e possui dívidas de R$ 341 milhões, portanto, não teria condições de comprar um jatinho.

sábado, 23 de agosto de 2014

Beto Albuquerque, o vice de Marina, é ligado ao agronegócio

Deputado federal gaúcho deve ser o responsável pelo diálogo entre a candidata, de histórico ambientalista, e a bancada ruralista
Beto Albuquerque, o vice de Marina, é ligado ao agronegócio
O deputado federal gaúcho Beto Albuquerque, escolhido pelo PSB para integrar a chapa presidencial do partido como vice deMarina Silva, foi um dos grandes entusiastas da candidatura própria do PSB. 

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

MARINA CAUSA NOVA BAIXA: O PUXADOR DE VOTOS EM MINA

No mesmo dia em que Carlos Siqueira, coordenador nacional da campanha do PSB à Presidência, deixa o posto dizendo que foi tratado com "muita deselegância" por Marina Silva, Alexandre Kalil, que prometia angariar votos para o partido em Minas Gerais, reduto eleitoral do tucano Aécio Neves, desiste de se candidatar a deputado federal; questionado se continuaria no PSB, partido ao qual se filou em outubro, o presidente do Atlético-MG disse: "Este partido, estou pouco me lixando para ele, não tem nada que me interessa. O que me interessava caiu de avião"; o motivo é um só: Marina Silva
No mesmo dia em que Carlos Siqueira, coordenador nacional da campanha do PSB à Presidência, deixa o posto dizendo que foi tratado com
Depois de Carlos Siqueira deixar a coordenação nacional da campanha do PSB à Presidência da República, Marina Silva causa uma nova baixa no partido. Alexandre Kalil, presidente do Atlético-MG, anunciou nesta quinta-feira 21 sua renúncia à campanha a deputado federal pelo partido.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Lula "recupera" a memória de Marina Silva

Marina Silva tem defendido o retorno do tripé econômico implantado no período FHC. Para Lula, Marina “deve ter se esquecido” que “em 1998 a política cambial fez o Brasil quebrar três vezes


Para Lula, Marina “deve ter se esquecido” que “em 1998 a política cambial fez o Brasil quebrar três vezes. A ex-senadora pelo PT tem defendido o retorno do modelo econômico implantado no período FHC (Arquivo)
Agora há pouco a Folha publicou algumas declarações de Lula que baixam a bola da fase “Marina Leitão” que a candidata do PSB vem assumindo em suas entrevistas, nas quais diz que ela vai defender “as conquistas de FHC e de Lula”.
Lula disse que Marina precisa parar de “aceitar com facilidade” lições que estaria tomando na área de economia – uma referência aos velhos tucanos André Lara Rezende e Eduardo Gianetti, o homem da rolha vacum – e parar de dizer que o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) deu ao país a estabilidade econômica.”
A Marina precisa só compreender o seguinte: ela entrou no governo junto comigo em 2003 e ela sabe que o Brasil tem hoje mais estabilidade em todos os níveis que a gente tinha quando entramos. Herdamos do FHC um país muito inseguro, não tinha nenhuma estabilidade, não tínhamos dinheiro sequer para pagar suas importações”, afirmou Lula.
“Tínhamos [US$] 37 bilhões de reservas, dos quais 20 bilhões eram do FMI [Fundo Monetário Internacional], e hoje a gente tem [US$] 376 bilhões de reservas, mais [US$] 14 bilhões emprestados ao FMI. Tínhamos uma inflação de 12% quando cheguei e tem uma inflação hoje de 5,8%. Então, eu penso que Marina precisa não aceitar com facilidade algumas lições que estão lhe dando. Ela precisa acompanhar com mais gente o que era o Brasil antes de a gente chegar”.
Para Lula, Marina “deve ter se esquecido” que “em 1998 a política cambial fez esse Brasil quebrar três vezes.
Não esqueceu, não, Lula. Nem ela, nem Eduardo Campos.
É apenas a perda seletiva de memória que acompanha a mudança de lado.
Fernando Henrique já nos ensinou do que se trata este tipo de amnésia.
É provocado por traumatismo de caráter.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Marina-Campos: Que renovação é essa?


No mesmo dia em que a Veja dava uma contribuição específica ao culto à personalidade de Marina Silva, dizendo que na véspera ela fora dormir com a esperança de “ter um sonho” que pudesse ajudar a decidir o rumo na campanha presidencial, a líder da Rede deu provas de que passou os últimos dias acordadíssima.


Numa união destinada a garantir a Marina um espaço na campanha que a Rede não foi capaz de obter, e a Eduardo Campos, uma projeção que ele dificilmente teria como quarto colocado nas pesquisas de intenção de voto, os dois formaram um condomínio político que constitui um enigma da campanha de 2014.

Filiando-se ao PSB, Marina assegurou um palanque para seguir em sua verdadeira prioridade, cada vez mais semelhante a plataforma básica dos vencidos por Lula e Dilma em 2002, 2006 e 2010: impedir de qualquer maneira e por todos os meios uma quarta vitória do PT e seus aliados em 2014.

Dramatizando a própria situação, ela chegou a dizer que o Rede era primeiro partido “clandestino” da democratização – afirmação de caráter retórico, que não faz sentido para quem levou a sério a luta clandestina contra o regime militar de 64 e reconhece o valor da democracia conquistada depois.

Vamos combinar: se acredita, de fato, que o Rede foi perseguido por adversários políticos, que teriam boicotado o apoio dos 50.000 eleitores que poderiam ter legalizado seu partido, Marina faria um favor ao país se divulgasse indícios e provas para sustentar o que diz. Sabemos que a Justiça eleitoral abriga cidadãos indicados pelos principais partidos políticos, que devem ser substituídos de 5 em 5 anos. É razoável até imaginar uma imensa má vontade aqui, outra mais adiante. É assim, no Brasil e em outros países.

Mas é um universo com tantas surpresas e imprevistos que ninguém consegue adivinhar o que acontece sem uma apuração real. No caso mais avançado que conheço até aqui, um advogado do Rede chegou a dizer de forma vaga, para uma repórter, que “certamente” ocorreram boicotes em algumas prefeituras. Onde? Em Minas Gerais. E agora?

Ironicamente, Marina e Eduardo Campos se comprometeram ontem, justamente, a enterrar a República Velha e a renovar os métodos tradicionais da política. Também falaram do esgotamento do nosso sistema como seu maior compromisso político. Mas não disseram com clareza o que pretendem fazer nem como. Até porque estas são verdades tão fáceis de anunciar mas difíceis de explicar.

Quem tem o direito de dizer que o sistema político está esgotado é o eleitor. Ele fez isso em 1984, quando foi as ruas para pedir eleições diretas em pleno regime militar. Como o Congresso rejeitou as diretas naquele ano, o eleitor repetiu a dose cinco anos depois, em 1989, no primeiro pleito em urna após ao regime militar. Destruídos pelos fracassos de sucessivos planos econômicos, os dois herdeiros do governo Sarney não conseguiram somar 6% dos votos. E foi neste cemitério que nasceu Fernando Collor: sem partido, com ideário confuso, vagas promessas moralizantes e absoluto suporte dos meios de comunicação, tornou-se presidente da República. Seu programa era eliminar privilégios e favores do Estado, sintetizados na palavra marajá, usada para definir altos burocratas do serviço público. Parecia uma causa nacional, capaz de unir ricos e pobres, irmanados pelo infortúnio de sustentar privilegiados com dinheiro do contribuinte.

Falar que o sistema político está esgotado, hoje, é enxergar o mundo pelo olhar dos desejos, de quem não aprova determinado governo mas é duvidoso que seja expressão do pensamento do conjunto da população. É um diagnóstico exagerado, no mínimo, quando o governo federal tem aprovação superior a 50% e a presidente lidera as pesquisas de opinião com 38% das intenções de voto. Quando seu padrinho, Lula, é o mais popular político brasileiro da história. Quando o PT, alvo indiscutível da “publicidade opressiva” praticada pela maioria dos meios de comunicação na ação penal 470, segue o mais popular partido político do país, com 25 ou mesmo 30% da simpatia dos eleitores.

Quem está esgotada, até agora, é a oposição. Se é possível falar em algo perto de esgotamento, fim de linha, o problema encontra-se aí e é mais localizado. E é tão grave que ela procura alimentar-se, na verdade, de músculos e cérebros extraviados do governo, como Marina e Eduardo Campos.

As ruas de junho deixaram claro que nem todo mundo pensa a mesma coisa dos nossos políticos. Os milhões de brasileiros que não querem Dilma também recusam personalidades, nomes e ideias que lhes são oferecidas como alternativa. Esses cidadãos Dizem que querem livrar-se de políticos tradicionais quando, na verdade, querem outros políticos – sejam direitistas, revolucionários, reacionários ou simples camelôs ideológicos. Aqueles manifestantes que tinham pontos específicos a reivindicar – como transportes – voltaram para casa depois que a reivindicação foi atendida. Os outros, permaneceram. Tinham mais a cobrar. Alguns mais quebraram vidros, fizeram provocações. Denunciam o sistema político em nome do fascismo, do anarquismo ou lá o que for.

Em qualquer caso, e é constrangedor lembrar, Dilma ficou sem aliados em seu empenho para aprovar uma reforma política que, bem ou mal, poderia dar uma resposta à nova situação. Não inventou nada. Apoiou um projeto que reúne o apoio de entidades representativas. Não lembro de qualquer manifestação de apoio dos aliados de Marina Silva. O PSB foi explícito. Divulgou nota a favor das reformas – desde que elas não valessem para 2014.

O empenho de Marina para falar do “novo” ajuda a encobrir que, entre seus assessores econômicos, encontra-se André Lara Rezende, banqueiro e profeta da decrescimento econômico, advogado da teoria primeiro-mundista de que os recursos da Terra se esgotaram e que quem não ficou rico até agora deve desistir até de chegar a classe média baixa. Foi padrinho do Plano Cruzado – que ajudou Sarney a tornar-se imperador do país por um semestre, em 1986 – e do Plano Real, berço de tantas heranças, inclusive da privatização das teles, joia da coroa do governo FHC. Seu homem na Justiça é Gilmar Mendes, capaz de dar dois habeas corpus, em apenas 48 horas, a um dos banqueiros aliados de FHC. Seu maior patrocinador financeiro é a herdeira de um banco que esteve ao lado de todos, absolutamente todos os governos brasileiros nas ultimas décadas, sem distinção de cor, credo, religião ou traje – podia ser fardado ou à paisana.

“Novo”?

Falar da velhice alheia é um dos atalhos mais conhecidos para uma pessoa fingir-se de jovem e seduzir os menos atentos naquela hora da festa em que a maioria dos seres vivos parece parda. Não vamos falar do PSB de Eduardo Campos. O governador admite que nem estava pensando em termos politicamente geriátricos até a noite de sexta-feira, dedicando-se a recolher, no laço, quem pudesse reforçar suas fileiras de qualquer maneira. Chegou a trazer para sua casa conservadores notórios, inclusive com ligações diretas com o regime militar. Estranho? Nem um pouco. A política brasileira é feita assim.

O errado é querer tingir o cabelo, fazer uma lipo, tomar um banho de butique e pensar que ninguém enxerga os sinais da plástica. Para quem é adversaria assumida das usinas hidroelétricas, é que Marina Silva tenha ingressado no mesmo partido do ex-ministro Roberto Amaral, um dos poucos políticos brasileiros que é partidário declarado de pesquisas nucleares, seja para fins pacíficos, e mesmo para conhecimento da fissão atômica, necessário para a produção de artefatos militares. (Estou 100% de acordo com o ministro nesse ponto).

Que renovação é essa, meus amigos?

Simples. É a renovação de quem procura um palanque, confunde a memória e quer nos fazer acreditar que não houve história. Eduardo Campos é um dos melhores políticos de sua geração. Tem luz própria, formação e capacidade de articulação real.

Mas não vamos esquecer que é produto direto do Brasil envelhecido de repente que agora denuncia. Talvez seja o grande filhote daquilo que a oposição chama de lulismo. Alimento maior de sua popularidade, o crescimento econômico de Pernambuco, muito superior a média brasileira, foi irrigado por verbas preferenciais de Brasília, com tanto empenho que levou os conservadores preconceituosos do Sul-Sudeste a denunciar em 2010 o favorecimento “aos nordestinos” por parte de Lula.

A herança política de Marina é familiar, também. Segundo o Ibope, a segunda opção de 50% de seus eleitores é Dilma. Em função do receio de explicitar a estes cidadãos o enorme grau de sua ruptura do Lula, Dilma e o PT, referencias que fazem parte de sua identidade política essencial, na visão de tantos brasileiros, Marina Silva tem sido bastante cuidadosa em suas declarações. Evita afirmar, em público, os chavões reacionários, inspirados no golpismo venezuelano, que o conservadorismo nativo utiliza para comparar o Brasil de Lula-Dilma com o país de Chávez-Maduro.

Cada eleitor tem o direito de imaginar que tipo de renovação é essa.
Fonte: Blog do Miro

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Lacerda afirma que metrô pode não ser concluído nos próximos quatro anos



Devido aos sucessivos atos totalmente anti-democrático promovido pelo prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, resolvemos relembrar algumas fábulas por ele contadas .Reeleito no primeiro turno para a prefeitura de Belo Horizonte com 52% dos votos, Marcio Lacerda (PSB) concedeu uma entrevista coletiva para sinalizar como será sua próxima gestão. Dentre os assuntos em pauta, ele tratou sobre preocupações como a violência e a ampliação do metrô na capital.
Lacerda afirmou que as obras podem não ser concluídas até 2017. "O cronograma do metrô, a partir de hoje, pode chegar a quatro anos e meio; um pouco mais. Isso depende de vários acertos com o governo federal. Como não tenho certeza que dê para entregar todo do metrô até o final do próximo mandato eu falei em 80%."
O prefeito dividiu com o governo de Minas a responsabilidade pela segurança. "Temos que cobrar do estado a presença da polícia e instalar mais câmeras na cidade. Isso gera uma sensação de insegurança que abaixa muito a qualidade de vida da cidade."

Vídeo sobre a matéria:
Fonte texto: Jornal Hoje em Dia (Matéria de 13 de maio de 2013)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A difícil tarefa de prever cenários políticos


Coluna Econômica
A definição dos cenários políticos futuros costuma ser tarefa tão inglória quanto a projeção de cenários econômicos.
Esse foi o desafio de uma mesa que mediei na 4a feira à noite, na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Compunham a mesa os professores Aldo Fornazieri, Carlos Melo e André Singer.
***
Um dos pontos de discussão foi sobre o que Fornazieri chamou de “mito determinante das eleições”. Em sua opinião não existe um fator que influencie eleições. O ponto determinante é a conjuntura. Há conjuntura de continuidade e conjuntura de mudança, diz ele.
Em São Paulo, Serra enfrentou uma conjuntura de mudança. E seria derrotado por qualquer um dos três candidatos que representasse o novo, Fernando Haddad, Gabriel Chalita ou Celso Russomano.
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Melo considerou que a indicação de Serra para disputar a prefeitura de São Paulo abortou um movimento de renovação do PSDB. Por que esse erro reiterado do PSDB com Serra, indaga ele? Em sua opinião, há um esvaziamento de lideranças políticas no mundo inteiro.
***
Em minha opinião, o grande problema dos dois maiores partidos brasileiros, o PT e PSDB, é o da governança, da democracia interna.
A atual geração de dirigentes é filha da campanha das diretas, nos anos 80. Estratificaram-se no poder, impedindo a renovação, especialmente a partir de um certo paulicentrismo.
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No caso do PT, houve a renovação – com Dilma e, agora, com Haddad – exclusivamente devido ao enorme poder que Lula desenvolveu internamente no partido, especialmente após o esvaziamento da liderança de José Dirceu, após o episódio do “mensalão”.
Sem essa liderança, os mecanismos internos do partido -  mesmo sendo mais democráticos que no PSDB – jamais teriam aberto espaço para as novas candidaturas.
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No PSDB, Fernando Henrique Cardoso reconheceu a necessidade de renovação mas  não botou a mão na massa – como Lula. A presidência do partido estava nas mãos de um político inexpressivo.
Com isso, deixou espaço livre para a truculência de Serra e do pequeníssimo exército de centuriões que o acompanha.
Não ter lançado Aécio candidato em 2010 pode ter sido o erro final do partido.
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Mesmo aceitando-se a tese da renovação em São Paulo, não houve concordância se  foi um fenômeno nacional. Singer supõe que sim, pelo número de prefeitos novos eleitos, especialmente nas capitais. Fornazieri viu novidades apenas onde prefeitos não poderia se reeleger.
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Em relação às próximas eleições presidenciais, alguns pontos de vista concordantes e outros discordantes.
Primeiro: é sonho sem sentido do PSDB, supor que o governador pernambucano Eduardo Campos aceitaria ser vice em uma chapa com Aécio Neves. Campos tem voo próprio e, se os ventos da economia estiverem favoráveis, vai e resguardar para 2018.
Por outro lado, não se acredita que o PSDB deixará de lançar Aécio como candidato em 2014. Segundo Fornazieri, se Aécio não sair candidato, o PSDB acaba, como grande partido nacional.
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Há arranjos alternativos. Recentemente, em um programa Brasilianas, o cientista social Marcos Nobre aventou a possibilidade de uma dobradinha Campos-Anastasia, com Aécio se candidatando novamente ao governo de Minas, por falta de sucessores no Estado.

O fator 2006 - 1

Para Singer, as eleições de 2006 foram um marco divisor, quando eleitores de baixa renda – que votaram em Fernando Collor e, depois, em Fernando Henrique Cardoso – aderiram em massa à candidatura Lula e, depois, lentamente seguiram em direção ao PT. Esse movimento modificou a base do PT que, antes, era mais de classe média dos grandes centros.
Simultaneamente, ocorre um afastamento da classe média.

O fator 2006 - 2

Esse afastamento ocorre antes do do “mensalão” devido aos paradoxos do governo Lula.  O primeiro mandato misturou políticas díspares. De um lado deu continuidade ao tripé neoliberal (metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário). Teve efeitos nefastos, na quebradeira da cadeia produtiva de diversos setores industriais. Em certa medida ainda está presente na política atual, diz Singer.

O fator 2006 - 3

Na outra ponta, Lula ganhou espaço político para políticas sociais exatamente opostas ao ideário neoliberal, que consistiram em distribuir renda para setores mais necessitados. Mas considera que o modelo lulista esgotará nos grandes centros urbanos, que exigirão muito mais recursos do que as quireras distribuídas pelo Bolsa Família. Sistema de saúde que dê conta de uma população como SP, exige muito dinheiro.
Os novos tempos
Há que se levar em conta outros fatores na história. O país já possui uma carga tributária extremamente elevada, sem muito espaço para mais aumentos. Por outro lado, nos últimos anos houve uma redução significativa da dívida pública e, de agosto do ano passado para cá, da taxa Selic. Isso abrirá espaço para a liberação de recursos para investimentos e gastos públicos. Mas exigirá, sobretudo, melhoria substancial na gestão pública

O papel do gestor público - 1

Hoje em dia, três dos políticos melhor avaliados do país – Eduardo Campos, o prefeito do Rio Eduardo Paes e, antes, Aécio Neves (apesar de jamais ter se envolvido diretamente com a gestão do estado) – souberam incorporar mecanismos de gestão que lhes permitiram entregar parte do prometido ao eleitorado. Mas quando se fala em político gestor, os cientistas sociais tendem a ver o tecnocrata substituindo o político.

O papel do gestor público – 2

Ora, o grande gestor – seja na política ou na grande organização privada – é, acima de tudo, um estadista. Tem que saber definir metas, liderar equipes, conquistar corações e mentes e criar as condições políticas para a implementação das medidas. Um mero tecnocrata jamais será grande gestor. Campos tornou-se político nacional, inicialmente, por reunir virtudes de grande político. E o diferencial do grande gestor.
Fonte texto: Blog Luís Nassif Online

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Campos minimiza disputas com o PT e evita falar em 2014


O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, em entrevista nesta segunda-feira 29
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tem motivos de sobra para comemorar. O partido que preside, o PSB, conseguiu grande destaque nas eleições municipais. A sigla cresceu em número de vereadores, de prefeitos e conseguiu um destaque particularmente importante nas capitais – vai governar cinco, incluindo Recife, Belo Horizonte e Fortaleza, mais que todos os outros partidos. Mesmo com os motivos de comemoração, Campos mantém a serenidade. Em entrevista coletiva nesta segunda-feira 29, no Recife, o governador minimizou a importância das disputas com o PT e evitou falar nas eleições de 2014.
Eduardo Campos usou a entrevista para reforçar a posição do PSB de aliado do governo federal. Segundo ele, seu partido e o PT estiveram juntos na maioria dos municípios e, por isso, as disputas entre eles “viraram notícia”. “Se vocês [jornalistas] fizerem um levantamento dos embates, o PSB sempre esteve em posição a favor da Dilma”, disse o governador segundo o G1. “Já tem muita gente criando problemas para a Dilma, nós queremos ajudá-la a tocar a pauta nacional”, afirmou.
Campos, no entanto, fez questão de alardear o crescimento de seu partido. Lembrou que o PSB ampliou em 42% o número de prefeituras, enquanto o PT cresceu 14%. Para Campos, os resultados do primeiro turno foram bons e, no segundo turno, se tornaram “extraordinários”. Grande parte da felicidade de Campos se deu em detrimento da comemoração do PT. Candidatos do PSB ganharam a prefeitura contra petistas em Belo Horizonte, Recife (no primeiro turno), Fortaleza, Cuiabá e Campinas (segundo turno).
Uma prova da importância do PSB para o governo federal ocorreu durante a entrevista coletiva. Eduardo Campos interrompeu a conversa com os jornalistas por dez minutos para atender um telefonema da presidenta Dilma Rousseff. Segundo ele, a petista deu parabéns pelo resultado e marcou uma conversa com ele para os próximos dias, em Brasília.
O governador de Pernambuco, no entanto, não quis responder se será rival de Dilma em 2014. Ele é um dos principais nomes cotados para a disputa pois, mesmo que não consiga a vitória, teria a possibilidade de formar capital político para uma disputa em 2018, quando Dilma não poderá mais se reeleger. Segundo o governador, é bom para o governo federal que a disputa eleitoral fique para 2014 e não seja antecipada. “Para o governo da presidenta Dilma, deixar 14 para 14 será melhor. Quanto mais a gente antecipa a disputa, a gente acumula dificuldades em um cenário que já tem dificuldades”, afirmou.
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Fonte texto: A Carta Capital

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Aliança com Maluf é preço alto por coisa pequena, diz Erundina


Luiza Erundina durante entrevista nesta quarta-feira, em Brasília. Foto: Beto Oliveira / Agência Câmara
Luiza Erundina durante entrevista nesta quarta-feira, em Brasília. Foto: Beto Oliveira / Agência Câmara
A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), que na terça-feira 19 abandonou o posto de candidata a vice-prefeita na chapa do petista Fernando Haddad, disparou uma série de ataques nesta quarta-feira 20. Erundina criticou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o também deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), cuja aliança com o PT precipitou a saída de Erundina da chapa, e também o PSDB, que cortejou o apoio de Maluf para as eleições municipais.
Em entrevista em Brasília, Erundina deixou claro que a foto em que Lula aparece com Maluf, tirada na segunda-feira 18 na casa de Maluf, a incomodou profundamente. “Você vai à residência da pessoa quando você tem amizade com ela, tem intimidade, tem respeito pela pessoa. Julgo muito sacrifício (o acordo com Maluf) por poucos minutinhos a mais de horário na TV. É importante o tempo de televisão, mas não a ponto de sacrificar a imagem, a história”, afirmou Erundina segundo o portal Terra. Erundina justificou sua posição dizendo que mais tempo de tevê não significa vitória nas urnas. “A mídia é importante, mas não determina o processo eleitoral se não vier somado a outras condições”, afirmou ela segundo aFolha de S.Paulo.
Erundina negou que tivesse conhecimento profundo sobre as negociações entre o PP e o PT. “Sabia que estava sendo discutida a aliança com PP por conta do interesse do tempo de televisão. Isso sim, mas não foi me dito que era coisa certa, definitiva. Não teria deixado chegar ao ponto que chegou”, disse ela segundo a Folha. Ainda segundo Erundina, ao conversar com Fernando Haddad sobre o apoio de Maluf, ele teria “minimizado” a parceria. Ao que parece, Erundina não está disposta a admitir uma mudança de posição. Na sexta-feira passada, ao ser anunciada como vice de Haddad, a aliança do PT com Maluf já estava bem encaminhada. Tanto é que a própria Erundina comentou o fato, ao dizer que Maluf não pautaria o projeto político da coligação. “Ele não é prefeito nem vice-prefeito. Quem vai governar conosco é o povo”.

Erundina lamentou a aliança com Maluf pois, segundo ela, Haddad “é o melhor candidato e tem chances reais” de ser eleito. Para ela, a aparição de Maluf pode prejudicar o candidato do PT pois criou “um clima de perplexidade e desconforto” na militância petista, que é “exigente” e não “indiferente”.
Erundina disse entender que o ex-presidente Lula “passou dos limites” ao se aliar com Maluf, mas disse não ter a intenção de julgar seu ex-companheiro. Segundo o Terra, Erundina disse que Lula “deve ter suas próprias razões” para se aproximar de Maluf. “Lula tem sensibilidade. Ele deve ter percebido no momento ‘fora’ que ele deu, né?”, disse.
A deputada federal também criticou a campanha do PSDB, que terá José Serra como candidato, e lamentou o fato de Maluf ter ressuscitado. “Ele estava morto, só faltou enterrar. Ele tem preço, e só não fechou aliança com o outro lado porque não deram o que ele queria”, afirmou.
Fonte Texto: Portal A Carta Capital

A sorte de Haddad


Fernando Haddad ganhou, e não foi pouco, com a renúncia de Luiza Erundina a vice em sua candidatura a prefeito paulistano. Não tardaria a que o problema para Haddad, e não pequeno, fosse superar os previsíveis embaraços provocados pela maneira irascível, grosseira e individualista que Erundina se permite a pretexto de política.

Luiza Erundina é inconvivível politicamente. Já em seus últimos tempos no PT, a recusa rígida que manteve, diante de dirigentes do partido, ao exame das divergências, deixou mais do que frustração. Há ressentimentos pessoais inapagados até hoje. E motivadores de muitas das reações negativas, nos quadros mais altos do PT, à entrega da vice a Erundina.

Ao menos desde o governo Itamar Franco, que a homenageou com um cargo no governo por escolha sua, de presidente, ficou claro o que significa a proximidade política com Erundina. Do início ao fim de seu breve trânsito pelo governo, Erundina mais pareceu da oposição dura. Até o rompante final em que exibiu arrogância e presunção incapazes de poupar mesmo a quem a homenageara.

Fernando Haddad não teria a esperar senão problemas de convivência com a vice, da vice com a campanha e, bem provável, com segmentos do eleitorado. Mas no PT e no PSB isso não era --não poderia ser-- ignorado por nenhum dos que produziram a "ideia" de dar a vice a Luiza Erundina.

A ansiedade de Lula de impor o seu plano para Recife, cassando ao prefeito João Costa o direito à possível reeleição, pode explicar parte da escolha. Mas nada explica que ao ato autoritário, com que atendeu o governador Eduardo Campos, Lula sobrepusesse falta de lucidez a ponto de aceitar Erundina, tão bem conhecida por ele, para representar o PSB junto a Haddad.

O desgaste maior recai sobre Lula, ainda mais por ser o caso Erundina caudatário do acordo com Paulo Maluf. Mas Fernando Haddad também recebe a sua quota. Por mais sorte sua, o episódio se dá quando nem campanha há ainda. É daqueles que tendem a evaporar sozinhos, se os planos estaduais de Lula permitirem.

Ao esquentar da campanha, também o acordo com Paulo Maluf não será o prato saboroso que o PSDB de José Serra espera.

Há muito noticiário impresso e gravado, muitas declarações e evidências de que o acerto com Maluf era buscado também pelos peessedebistas. E negociado pelo próprio governador Geraldo Alckmin, cuja administração conta com um afilhado de Maluf. Matéria-prima abundante para respostas (senão ataques) contundentes.

Fernando Haddad é o único que nada perdeu com a renúncia de Luiza Erundina. E ganhou, no mínimo, a oportunidade de uma companhia na chapa mais ao seu estilo.

Janio de Freitas, colunista e membro do Conselho Editorial da Folha, é um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Analisa com perspicácia e ousadia as questões políticas e econômicas.

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Fonte texto: Blog O Esquerdopata

segunda-feira, 12 de março de 2012

Serra foi o mais cruel ministro do Planejamento


O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad aumentou o tom das críticas ao pré-candidato do PSDB, José Serra, e ao prefeito da capital paulista, Gilberto Kassab (PSD), hoje (12) em visita à região de Perus, na zona oeste da cidade. Haddad classificou Serra como "o mais cruel ministro do Planejamento" com as universidades públicas federais e, sem citar diretamente Kassab, afirmou que este promove "um concurso de vices" ao querer exonerar cinco secretários para colocá-los à disposição do tucano.

Instado a comentar a versão segundo a qual o PCdoB se afastaria do PT e poderia eventualmente compor com Serra, Haddad afirmou: "Eu não tenho falado com o PCdoB ultimamente. Falei com o Orlando (Silva, ex-ministro) tem uns 15 ou 20 dias. Conhecendo a história do PCdoB e lembrando que talvez o Serra como ministro do Planejamento tenha sido o mais cruel do ponto de vista orçamentário com as universidades públicas federais e, conhecendo a história da luta do PCdoB em defesa das universidades públicas federais, cuja expansão nós patrocinamos, eu duvido que essa informação proceda", respondeu.

Indagado sobre os motivos de Serra ser o mais cruel ministro do Planejamento, Haddad afirmou que o governo do PSDB "privatizou o ensino superior do País". "Foi o maior corte orçamentário. Começou em 1995 o período de arrocho do orçamento ao longo de todo o período plurianual que foi elaborado por ele. O PCdoB sabe disso melhor do que eu porque sentiu na pele. O presidente da UNE à época sentiu na pele o que é ser tratado por um governo que privatizou o ensino superior do País".

O ex-ministro da Educação também disparou contra a administração municipal que, segundo ele, tenta "maquiar" os baixos índices de aprovação com um pacote de obras para a cidade. "Há um desconforto na cidade com os últimos oito anos, mesmo que nos últimos meses se queira maquiar o que está acontecendo. Acho que o prazo é curto para se reverter a percepção que foi-se tendo em oito anos de que o tempo foi em algumas áreas perdido", afirmou.

Sem citar o atual prefeito, criticou o possível afastamento de parte do secretariado municipal. "Essa hipótese do afastamento de cinco secretários municipais é como se houvesse um concurso de vices, em vez de cuidar da cidade até 31 de dezembro. Você exonerar cinco secretários para fazer uma seleção é um descaso com a cidade", avaliou.

Com baixos índices de intenção de voto apontados pelas pesquisas Haddad jogou para o início do horário eleitoral na televisão e no rádio a alavancagem de sua popularidade. "Entendo que, em uma cidade como São Paulo, o único veículo que te dá condições de ser conhecido é a televisão. Nós infelizmente perdemos esse tempo de TV no primeiro semestre e vamos ter de conviver com essa realidade de que não será nessas visitas (semanais nos bairros) que vai aumentar a exposição das nossas ideias e dos nossos pleitos. Numa sociedade de massas, vamos ter de usar um veículo de massa. Vai ficar para a campanha", considerou.

Lula

Haddad afirmou acreditar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva retome na próxima semana as articulações políticas envolvendo a eleição municipal de São Paulo. Em visita à região de Perus, Haddad disse que conversou duas vezes com Lula por telefone hoje e afirmou que o ex-presidente pareceu animado.

"Ele tem que voltar ao hospital para concluir o ciclo de antibióticos até sexta-feira (16). Então, acho que a partir da semana que vem, de forma moderada, ele voltará a se reunir com os companheiros do PT", afirmou.

Questionado se Lula ligaria para Eduardo Campos, presidente nacional do PSB e governador do Pernambuco, para negociar uma possível aliança em São Paulo, Haddad respondeu: "Não posso te antecipar com quem ele vai falar, mas o presidente é bastante conversador". Haddad sustentou ainda que a voz de Lula está "bem melhor" e que sentiu no ex-presidente "condições de viver e participar da vida política do País".

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Fonte texto: Portal Barão de Itararé