O juiz de primeira instância Sérgio Moro conseguiu, finalmente, se projetar internacionalmente.
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domingo, 31 de julho de 2016
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Ministro do STJ invoca Regras de Mandela e mantém livre condenado com carteira assinada
Além de proteger a sociedade contra o crime e prevenir a reincidência, o sistema de justiça criminal objetiva a reabilitação e a reintegração social dos presos, devendo assegurar que, no retorno à liberdade, “sejam capazes de levar uma vida autossuficiente, com respeito às leis”.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Saída das tropas da ONU não significará fim da opressão ao Haiti, afirma historiador
Neste mês de maio [2015], o governo brasileiro anunciou que, dentro de um ano, as tropas nacionais que lideram a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) deixarão o país caribenho, findando um período de ocupação que já dura mais de 10 anos.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Migrantes no Mediterrâneo podem atingir 500 mil em 2015, alerta ONU
O número de migrantes que atravessam o Mediterrâneo pode aumentar este ano para 500 mil se nada for feito contra os traficantes de pessoas, alertou hoje (22) o secretário-geral da Organização Marítima Internacional das Nações Unidas, Koji Sekimizu.
terça-feira, 7 de abril de 2015
ONU anuncia que número de militares no Haiti será reduzido para menos da metade em 2015
Condição para que medida se concretize é a realização de eleições no final do ano; saída da Minustah é exigência de movimentos sociais de todo o continente
A ONU (Organização das Nações Unidas) anunciou nesta segunda-feira (06/04) que o efetivo de tropas que integram a Minustah (Missão para a Estabilização do Haiti), os capacetes azuis, será reduzido para menos da metade ainda este ano.
A ONU (Organização das Nações Unidas) anunciou nesta segunda-feira (06/04) que o efetivo de tropas que integram a Minustah (Missão para a Estabilização do Haiti), os capacetes azuis, será reduzido para menos da metade ainda este ano.
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Ban Ki-moon aconselha israelenses e palestinos a se afastarem do precipício
Secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon aconselhou hoje (24) israelenses e palestinos a “se afastarem do precipício” e regressarem à mesa de negociações, antes que seja tarde demais.
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Jovens contra a homofobia fazem ato de repúdio a Marina
Estudantes gritam "Mais amor, menos Marina" durante passagem da candidata e realizam beijo gay em protesto contra o recuo no programa de governo após pressão de setores evangélicos
A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, foi alvo de protestos nesta terça-feira, durante a sua rápida passagem por Florianópolis, SC. O motivo do manifesto, coordenado por estudantes, foi a aliança com o candidato ao Senado, Paulo Bornhausen, também do PSB.
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Agências humanitárias da ONU definem situação no Iraque como caótica
Acnur registrou mais de 50 milhões de refugiadosno mundo em 2013; temor é que número aumente com conflitos
Agências humanitárias da ONU (Organização das Nações Unidas) definiram nesta sexta-feira (20/06) a situação no Iraque como "caótica". De acordo com o órgão, são dezenas de milhares de deslocados internos que não podem ser ajudados, aumentando o temor do pelo número de refugiados diante da ampliação dos conflitos internos.segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Concentração da mídia é maior ameaça à liberdade de expressão
Para Frank La Rue, relator especial da ONU para a liberdade de expressão, maior ameaça hoje é a concentração dos meios de comunicação nas mãos de poucos.
“Há uma relação direta entre vigilância, privacidade e liberdade de expressão”, defendeu nesta quinta-feira (12) Frank La Rue, relator especial para a liberdade de expressão da ONU. La Rue apresentou alguns dos resultados de suas pesquisas hoje, no Fórum Mundial de Direitos Humanos, ao abrir o debate “Internet e o direito à privacidade e à liberdade de expressão”.
Para La Rue, a liberdade de expressão é um direito humano, e deve passar a ser visto como tal cada vez mais. Para além disso, é importante que seja entendido como um direito humano que facilita o acesso a outros direitos humanos. Poder expressar ideias e receber informação de qualidade, sem o filtro dos interesses mais estreitos, pode fomentar a participação e a cidadania.
Logo antes do painel, La Rue falou com Carta Maior e contou que entende hoje que a maior ameaça à liberdade de expressão paira hoje sobre os jornalistas e o jornalismo de maneira geral. Para ele, o maior problema é a concentração dos meios de comunicação nas mãos de alguns poucos grupos, fenômeno que acontece em nível mundial.
Ele ainda afirmou que considera o atual projeto de marco civil regulatório da internet do Brasil bom, mas que é preciso se estar atento a dois pontos: a questão da propriedade intelectual e a da neutralidade de rede – como ele mesmo explicitou mais tarde, no painel, basilar para uma internet democrática.
O advogado, nascido e formado na Guatemala, foi enfático ao dizer que “não podemos permitir que a internet sirva apenas a uma elite”. Ele fez o paralelo entre o fornecimento de energia elétrica, reconhecido como uma necessidade humana, com o serviço de internet, que deveria chegar a todas as pessoas, com a mesma qualidade.
Para ele, há uma relação direta entre vigilância, privacidade e liberdade. Ele questiona e critica o atual confronto que se coloca entre segurança nacional e respeito à privacidade na rede, e afirma que não há como existir liberdade de expressão de fato sem o respeito às privacidades.
La Rue usa o exemplo dos discursos de ódio e dos casos de cyberbullying presentes na internet, que, por mais que tenham que ser combatidos, não podem ser usados como pretexto para se controlar e censurar a internet. Não se pode deixar que os estados fiquem à vontade para decidir o que pode e o que não pode circular ou ser privilegiado na rede, pois nada garante que, por exemplo, um discurso de oposição ao governo poderia simplesmente ser qualificado como discurso de ódio e não circular livremente.
Fonte: Portal FNDC
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Admirado no mundo, Mujica enfrenta críticas e contradições no Uruguai
Presidente uruguaio é hábil com oposição, mas tem dificuldades na base governista
Na última Assembleia Geral da ONU, em setembro, o uruguaio José “Pepe” Mujica foi um dos presidentes mais aplaudidos e comentados, com um discurso criticando o consumismo e a desumanização da sociedade. Não foi o seu primeiro sucesso internacional – na Cúpula Rio + 20, em junho de 2012, também causou comoção sua intervenção falando sobre o uso irresponsável dos recursos naturais do planeta.
Palavras de efeito, que somadas ao fato dele ter se tornado símbolo de um estilo de vida sem excesso, transformaram Pepe num astro das redes sociais, exemplo de político honesto e sincero.
Porém, dentro do Uruguai, essa imagem não é tão favorável quanto o que se vê fora do país. Segundo a última pesquisa do Instituto Cifra, publicada em agosto, a imagem pessoal de Mujica é bem avaliada por 49% dos uruguaios, e sua gestão de governo é vista como positiva por 45%. A aprovação ainda é maior que a rejeição, que chegou a 33% em ambos os casos.
A contradição sobre a popularidade de Mujica tem a ver, sobretudo, com a sua capacidade de gestão, segundo o cientista político Daniel Buquet, da Universidade da República do Uruguai. “A razão pela qual ele é admirado no mundo é a mesma que o levou a ser eleito presidente pelos uruguaios, a imagem de homem simples, que funcionava muito quando ele era legislador, mas que ficou abalada quando surgiu a imagem do Mujica gestor”, comenta.
A carreira política de Mujica começou em 1995, quando o ex-guerrilheiro tupamaro foi eleito deputado, cargo que exerceu até 2000, antes de ser senador. Em 2005, sendo um dos políticos mais populares do país, Mujica chegou ao poder executivo, como ministro do primeiro governo da Frente Ampla (coalizão de centro-esquerda), liderado por Tabaré Vázquez.
Assumiu o Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca, mas sua gestão foi considerada errática, com algumas de principais medidas favorecendo associações ruralistas – como o perdão da dívida dos produtores e a defesa de uma política de dólar mais caro, que favorecesse os importadores –, o que lhe rendeu muitas críticas da esquerda no país.
A avaliação de Mujica como ministro, porém, não afetou sua popularidade e, em 2009, foi eleito presidente com 52% dos votos. Desde então tem mantido as políticas iniciadas no governo de Vázquez, mesclando pragmatismo econômico com redistribuição de renda.
Bom de diálogo, mal de coesão
Segundo o cientista político Daniel Buquet, Mujica tem grande mérito na sua forma de fazer política, ao dialogar com a oposição e fazer acordos, o que garante maior facilidade em aprovar projetos.
O acadêmico cita o fato de o presidente uruguaio ter permitido a indicação de políticos opositores como diretores de empresas estatais como exemplo da forma de negociar de Mujica. “Ele sabe lidar com as diferenças e conseguir acordos favoráveis para ambos os lados, é um de seus melhores atributos”, define.
Palavras de efeito, que somadas ao fato dele ter se tornado símbolo de um estilo de vida sem excesso, transformaram Pepe num astro das redes sociais, exemplo de político honesto e sincero.
Porém, dentro do Uruguai, essa imagem não é tão favorável quanto o que se vê fora do país. Segundo a última pesquisa do Instituto Cifra, publicada em agosto, a imagem pessoal de Mujica é bem avaliada por 49% dos uruguaios, e sua gestão de governo é vista como positiva por 45%. A aprovação ainda é maior que a rejeição, que chegou a 33% em ambos os casos.
A contradição sobre a popularidade de Mujica tem a ver, sobretudo, com a sua capacidade de gestão, segundo o cientista político Daniel Buquet, da Universidade da República do Uruguai. “A razão pela qual ele é admirado no mundo é a mesma que o levou a ser eleito presidente pelos uruguaios, a imagem de homem simples, que funcionava muito quando ele era legislador, mas que ficou abalada quando surgiu a imagem do Mujica gestor”, comenta.
A carreira política de Mujica começou em 1995, quando o ex-guerrilheiro tupamaro foi eleito deputado, cargo que exerceu até 2000, antes de ser senador. Em 2005, sendo um dos políticos mais populares do país, Mujica chegou ao poder executivo, como ministro do primeiro governo da Frente Ampla (coalizão de centro-esquerda), liderado por Tabaré Vázquez.
Assumiu o Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca, mas sua gestão foi considerada errática, com algumas de principais medidas favorecendo associações ruralistas – como o perdão da dívida dos produtores e a defesa de uma política de dólar mais caro, que favorecesse os importadores –, o que lhe rendeu muitas críticas da esquerda no país.
A avaliação de Mujica como ministro, porém, não afetou sua popularidade e, em 2009, foi eleito presidente com 52% dos votos. Desde então tem mantido as políticas iniciadas no governo de Vázquez, mesclando pragmatismo econômico com redistribuição de renda.
Bom de diálogo, mal de coesão
Segundo o cientista político Daniel Buquet, Mujica tem grande mérito na sua forma de fazer política, ao dialogar com a oposição e fazer acordos, o que garante maior facilidade em aprovar projetos.
O acadêmico cita o fato de o presidente uruguaio ter permitido a indicação de políticos opositores como diretores de empresas estatais como exemplo da forma de negociar de Mujica. “Ele sabe lidar com as diferenças e conseguir acordos favoráveis para ambos os lados, é um de seus melhores atributos”, define.
Mas essa qualidade contrasta com outro problema relacionado com o seu governo, que é a falta de coesão interna. Buquet cita, como exemplo, a má relação entre Mujica e Vázquez, e sua ainda pior relação com Danilo Astori, que é vice-presidente. “Mujica tem mais problemas com as outras facções da Frente Ampla que com a oposição, isso gera uma sensação estranha, de um político que não consegue impor sua liderança”, acredita Buquet.
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Temas polêmicos
Além da imagem de simplicidade, outro fator que tem rendido crédito a Mujica, principalmente pela esquerda de fora do Uruguai, são as conquistas da agenda de direitos civis que o país tem apresentado, com a legalização da maconha, do aborto e do matrimônio civil homossexual.
Agência EfeMujica em sua agenda de personalidade internacional
As leis do aborto e do matrimônio gay, no entanto, nasceram de iniciativas de parlamentares da Frente Ampla, e não contaram com apoio do Poder Executivo até estarem a ponto de serem aprovados.
“Mujica nunca defendeu com força esse projeto, com exceção do projeto da maconha, que ele apoia efusivamente. Quando alguma novidade sobre o tema parece trazer os holofotes para o país e para sua imagem, tenta postergar a aprovação para não confrontar a oposição”, opina Daniel Buquet.
Fonte: Opera Mundi
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
O mundo precisa de mais Sergios
No aniversário de dez anos da morte de Sergio Vieira de Mello, é preciso entender por que há tão poucos brasileiros nas missões da ONU. Por Eduarda Hamann
Em 19 de agosto de 2003, a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Brasil perderam Sergio Vieira de Mello, o brasileiro que chegou mais alto na estrutura da ONU. Sua carreira foi encerrada de forma trágica, em um atentado em Bagdá, que também tirou a vida de outros 21 funcionários.
Sergio era conhecido e admirado por sua coragem, simpatia, astúcia política, respeito aos mais fracos e capacidade de negociação. Ele personificava características associadas por muitos ao Brasil, enquanto ator político internacional. Considerando a projeção de sua carreira e sua reputação, especulava-se que poderia ser o próximo secretário-geral da ONU. Dada a importância de cidadãos como ele para a nossa política externa, por que há tão poucos brasileiros nas missões da ONU?
O Brasil tem demonstrado interesse em ser reconhecido não apenas como líder regional, mas também como um relevante ator global. Esta postura encontra respaldo na expectativa de vários países em relação ao papel que o país pode desempenhar no mundo. Em sua atuação externa, o Brasil advoga a maior participação de nações em desenvolvimento no gerenciamento da ordem internacional, apresentando-se como candidato a representar os países do Sul. Neste sentido, tem feito um grande esforço para abrir embaixadas, perdoar dívidas, diversificar seu comércio e fazer reverberar a voz dos que não são ouvidos.
Muitos Estados do Norte desejam cada vez mais dividir com potências emergentes – África do Sul, Brasil, Índia e Turquia, por exemplo – os custos, riscos e desafios políticos, financeiros e de segurança mundiais. Países em desenvolvimento têm a percepção de que os emergentes são potenciais representantes de suas demandas em foros globais. Esse alinhamento político ajuda o Brasil a avançar na caminhada, mas como materializar o discurso e tornar o avanço sustentável?
A participação em missões de paz e políticas da ONU é um espaço cada vez mais legítimo de engajamento em atividades globais complexas que exigem investimentos políticos, financeiros e de pessoal. Até 2004, os militares brasileiros em missões de paz da ONU não chegavam a 80. Naquele ano, com a criação da missão no Haiti e o interesse em contribuir com tropas, superou-se a barreira dos 1.200. Após o terremoto de 2010, o número ultrapassou os 2 mil – o que corresponde a apenas 2,5% das tropas da ONU.
A quantidade de policiais brasileiros nas missões de paz também é inexpressiva e equivale a 0,9% do total. Os civis nacionais, por sua vez, correspondem a menos de 0,5%. Há apenas 34 brasileiros entre os cerca de oito mil funcionários civis das missões – poucos, em comparação à África do Sul (63) e à Índia (232), por exemplo. Se estivesse vivo, seria somente o 35º civil brasileiro das missões de paz da ONU.
É fundamental entender que a atuação de funcionários civis é cada vez mais importante para a solução duradoura de conflitos contemporâneos. Para ser sustentável, a paz precisa de soldados e também de professores, médicos, juízes, economistas, engenheiros e administradores. Assim, a estratégia de inserção do Brasil por meio das missões de paz deve dar mais atenção à identificação, ao preparo e ao envio de civis para o terreno.
Não faltam credenciais à nova geração para ampliar e consolidar nossa recente ascensão no mundo: são jovens com visão cosmopolita, ávidos por contribuir para os direcionamentos gerais dos bens públicos globais. Alguns deles escolherão o serviço público e, por meio de suas carreiras, virão a trabalhar em alguma missão da ONU.
Outros, porém, ainda que não venham a representar o país – Sergio nunca falou em nome do governo brasileiro –, poderiam levar às missões um pouco de brasilidade e da experiência doméstica, contribuindo para capilarizar a influência do país no mundo.
Para tanto, é preciso promover a maior exposição da juventude brasileira aos problemas internacionais, algo que pode estimular o surgimento, tão desejável, de novos Sergios.
Fonte: A Carta Capital
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Mensagem da ONU no Dia Internacional dos Povos Indígenas
“Faço um apelo aos Estados-Membros e aos principais meios de comunicação para criar e manter oportunidades para que os povos indígenas consigam articular as suas perspectivas, prioridades e aspirações”.
Ban Ki-moon
Secretário-Geral das Nações Unidas
Secretário-Geral das Nações Unidas
“A Aliança das Nações Unidas com os Povos Indígenas tem por objetivo respaldar os esforços dos povos indígenas e de seus governos por plasmar seus direitos e aspirações em uma mudança positiva mediante o fortalecimento de suas instituições e de sua capacidade para participar plenamente nos processos de governança e de políticas em escala local e nacional. Os processos inclusivos devem ter como base o diálogo, o conhecimento e a organização…(sic)… Esta ação é realizada no marco do mandato sobre justiça social relativo à promoção do trabalho decente para todos, que também é imprescindível para estabelecer modelos de crescimento mais equitativos e sustentáveis.”
Juan Somavia
Diretor-Geral da OIT
Diretor-Geral da OIT
No contexto do dia 9 de agosto, Dia Internacional dos Povos Indígenas e dando eco às palavras do Secretário-Geral das Nações Unidas e do Diretor-Geral da OIT, a Equipe da ONU no País reitera a importância da promoção e garantia dos direitos fundamentais dos povos sujeitos da Convenção nº 169 da OIT e da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas, ratificadas pelo Brasil.
De igual forma, manifesta sua confiança nas autoridades brasileiras quanto a uma ação coordenada e sistemática para proteger os direitos dos povos indígenas e tribais e garantir o respeito à sua integralidade (artigo 2º da Convenção 169), compatíveis com os procedimentos do sistema jurídico nacional (artigo 8º da Convenção 169) e com as disposições relativas à consulta prévia previstas nos supracitados instrumentos internacionais (artigos 6º e 15º da Convenção 169 e 32º da Declaração).
A Equipe da ONU no País reafirma seu compromisso e disposição de seguir cooperando tecnicamente para a promoção dos direitos humanos, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável do país.
Vídeo sobre a matéria:
Fonte texto: Portal OIT
segunda-feira, 30 de julho de 2012
A falácia da intervenção “humanitária” na Síria
Mídias desenvolvem papel importante em tornar aceitável aos olhos da opinião pública mundial uma intervenção militar
A Síria enfrenta, há mais de um ano, uma onda de contestações em relação ao regime de Bashar Al Assad. No último mês de abril, foi decretado um cessar-fogo conforme o plano de paz elaborado pelo emissário especial da ONU e da Liga Árabe, e ex-Secretário-Geral das Nações Unidas Kofi Annan. Mais de 300 observadores da ONU foram enviados ao país, mas as hostilidades perduram. No momento, apenas a metade desse número permanece, em razão da absoluta falta de segurança.
A Missão de Observação da ONU na Síria, como a força é conhecida oficialmente, consiste em 300 observadores militares desarmados acompanhados por cerca de 100 funcionários civis de apoio. Foi implantada para supervisionar o cessar-fogo, que tem sido fortemente desrespeitado, e em meados de junho parou de realizar patrulhas diante da intensificação dos combates. No dia 20 de julho, o Conselho de Segurança da ONU votou pela extensão do mandato da missão por 30 dias, embora a escalada da violência tenha impossibilitado a permanência dos observadores no país.
O conflito na Síria desafia em várias frentes. No terreno, violentos combates resultaram no número astronômico de 14000 mortos desde o início da luta armada, segundo observadores internacionais. Na frente diplomática, os partidários de uma ação mais severa contra o regime de Bachar Al Assad, diga-se uma intervenção militar justificada na defesa dos direitos humanos, opõe-se aos aliados do regime, Rússia em primeiro lugar e China, que há poucos dias reiteraram no Conselho de Segurança da ONU sua oposição a qualquer intervenção militar, temendo uma reedição do cenário líbio.
Os Estados Membros da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS), que reagrupa entre outros países a China e a Rússia, além de terem se pronunciado contra qualquer possibilidade de intervenção militar na Síria, também condenaram qualquer imposição relativa à mudança de regime no país, e também quaisquer sanções unilaterais, insistindo na necessidade de fazer cessar toda a violência, seja qual for sua origem, encorajando o lançamento de um amplo diálogo nacional com base na independência, integridade territorial e soberania da Síria. Assim, exaltaram os esforços da ONU com vistas a encontrar uma solução política para a crise, que estaria no interesse tanto da população síria quanto da comunidade internacional, entendida como a comunidade de todos os países, ocidentais e não ocidentais.
Claro está que a questão internacional central, e também o principal embate da encruzilhada síria, está na perigosa articulação do conceito de “intervenção humanitária”. O intelectual e escritor belga Jean Bricmont, em recente fala na Unesco, chama a atenção para o que rotulou de “noção falaciosa de guerra humanitária”, e denuncia um condicionamento ideológico proveniente das mídias, que segundo ele visam a tornar uma intervenção militar na Síria aceitável aos olhos da opinião pública mundial.
Para embasar sua tese, Bricmont constata que historicamente, todas as guerras foram sempre justificadas em intenções altruístas, como o cristianismo e sua missão civilizadora, o fardo do “homem branco”, Hitler e a defesa contra o bolchevismo, depois a luta contra o terror, e hoje a chamada guerra pelos direitos humanos, intitulada de “ingerência humanitária”. Nessa seara, o escritor desenvolve uma crítica exemplificando com a hipótese de que, se a Rússia promovesse uma ingerência humanitária na Síria, ou no Bahrein, estar-se-ia diante da possibilidade concreta de uma terceira guerra mundial, já que as potências ocidentais, inequivocamente, não aceitariam que potências não ocidentais tentassem intervir no Oriente Médio.
A paz mundial, ressalta, depende da ordem internacional construída após a Segunda Grande Guerra, que por sua vez assenta-se sobre o respeito da soberania nacional dos Estados. Foi a ingerência da Alemanha na Tchecoslováquia, relembra, depois na Polônia, em nome da defesa das minorias, que desencadeou aquele conflito mundial, sorte de pretexto que também foi utilizado na carnificina do Kosovo e no Iraque em relação aos curdos.
A ideia central é que a política intervencionista das grandes potências, embora esteja sempre lastreada em motivos nobres, consiste em uma violação total da ordem internacional estabelecida em 1945 com a criação da Organização das Nações Unidas, e não afasta o risco de conduzir a uma nova grande guerra.
Por outro lado, Bricmont constata que o mundo seria melhor se o Ocidente optasse por uma política de paz, ao invés de investir seus recursos em armamentos e equipamentos militares em geral. Essa política de paz deveria ter como pilares a cooperação e o diálogo interestatal amplo, incluindo toda a comunidade internacional, e logo Rússia, China, Irã e Síria. No entanto, as mídias dificultam enormemente essa possibilidade, em razão do que rotula de “bombardeamento midiático”. Em sua leitura Barack Obama, por exemplo, mesmo estando em desacordo com a política de Netanyahou, nada pode frente ao doutrinamento da mídia; ao passo que é extraordinário que a Europa em crise agonizante pretenda ditar a Rússia o que fazer, quando esta tem a aliança da China, representa o movimento dos não-alinhados na questão síria, e é aliada do Irã.
O intelectual belga relembra que por ocasião da guerra na Líbia, praticamente não havia desacordo nas classes políticas em relação à intervenção militar, cenário que se repete hoje na Síria. O debate, segundo ele, tornou-se quase impossível em razão do que chamou de “arcos reflexos”, que vêm doutrinando várias gerações, e que estariam na ideia dos “novos Hitlers” e na culpabilização pelo Holocausto. Bricmont toma todo o cuidado de explicar que não se trata, em hipótese alguma, de negar o Holocausto, nem de menosprezá-lo enquanto acontecimento trágico e abominável, mas de criticar a forma como tem sido explorado politicamente, por meio da manipulação de variadas situações com base nos argumentos dos novos Hitlers ou dos novos Holocaustos, para justificar o emprego da violência em prol de interesses econômicos. Essa matriz ideológica impediria qualquer debate sério acerca da realidade do mundo contemporâneo, seja no campo da esquerda ou da direita.
Faltaria, portanto, a reflexão sobre a própria essência da militarização, dos conflitos que se perpetuam, e sobre o tipo de contribuição que aportam à defesa dos direitos humanos. Bricmont critica ferozmente aqueles que se utilizam da ideologia dos direitos humanos como um pretexto para a guerra, quando ele mesmo tende a ver naquela ideologia uma verdadeira causa sui generis para a guerra, porque empresta ao Ocidente uma ilusão de grandiosidade que ele não tem mais desde o processo descolonizatório e a articulação das potências emergentes. Lamenta, ainda, não saber se a Síria será agredida militarmente, muito embora os rebeldes estejam sendo intensamente armados de forma a criar o caos naquele país por tempo indeterminado.
A posição de Bricmont, e que deveria ser partilhada, é por princípio contrária a qualquer hipótese de “ingerência humanitária” e, portanto, independente de relação com regimes políticos específicos, como o regime de Bashar Al Assad. Também não se caracteriza como uma bandeira de esquerda, de direita, ou de centro. Logo, não é relevante discutir quem está pró ou contra Assad, ou os níveis de crueldade impetrados pelo governo sírio, até mesmo porque organizações internacionais como a Human Rights Watch vem denunciando a violação dos direitos humanos por todas as partes do conflito, incluindo a oposição armada síria. Trata-se, ao contrário, de sustentar uma política global pacífica, antagônica a qualquer sorte de violência e aplicável em todas as frentes, incluindo Palestina, Irã, Coreia do Norte, Cuba, Venezuela, Líbia, Síria. Não se trata, portanto, da questão síria em particular.
No Brasil, Dilma Rousseff insiste em soluções diplomáticas para o conflito na Síria, apoiando-se em exemplos de iniciativas fracassadas de construção da paz, como as intervenções militares externas no Afeganistão e no Iraque. Cite-se que recentemente, europeus e norte-americanos decidiram pela expulsão dos representantes diplomáticos sírios de suas capitais em represália ao massacre de Houla, que deixou 108 mortos. O Brasil retirou seus diplomatas do país, mas manteve relações diplomáticas. A presidência brasileira defende que se edifique um consenso, uma posição comum no Conselho de Segurança da ONU, comum no sentido da construção conjunta, de todas as nações do planeta, de um caminho em que a paz seja articulada por meios diplomáticos multilaterais efetivos, e não militares. Na Síria ou em qualquer outra parte do planeta.
Fonte texto: Portal Opera Mundi
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Rússia e China: gestos de alto teor
Há gestos que concentram em si uma perspectiva de mudança epocal. Gandhi o fizera com o “punhado de sal”: desatou o movimento independentista na Índia.
No Conselho de Segurança da ONU, a Rússia vetou novas medidas contra a Síria. Mas, em seguida, a China levantou a mão, somando-se ao veto. Nem era mais necessário. Mas o gesto é clamoroso!
EUA e OTAN pretendem a guerra civil na Síria para enfraquecê-la (e, junto, a Rússia) e preparar o terreno para isolar e agredir o Irã. A nova doutrina militar de Obama não deixa dúvida qual o alvo para eles, no presente e futuro: a China.
China e Rússia estão em reaproximação e aliança. Isso constitui um dos grandes fatos da atualidade de um mundo em transição acelerada.
Sem dúvida, com a evolução da crise capitalista, o mundo não é e não será mais o mesmo. A receita neoliberal faliu, criou a crise e, com sua ideologia e política econômica, só tem “mais do mesmo” a oferecer.
O velho morreu; o novo não nasceu. Os próximos vinte anos serão bem, bem interessantes mesmo.
Vídeo sobre a matéria:
Fonte Texto: Blog do Sorrentino
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