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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

PSOL anuncia que polícia investiga ataques a vereadoras trans como crime político

Erika Hilton, Carol Iara e Samara Sosthenes, vereadoras do PSOL, foram alvo de ataques na última semana

“Eu cheguei a conversar com um dos peritos  que foram em casa fazer a perícia e ele disse que existe essa linha de investigação. Existem outras, mas essa linha está sendo assumida pela Polícia Civil, pelo DHPP [Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa]”, explicou Carol Iara, co-vereadora do PSOL e uma das vítimas de violência.

Após sequência de atentados contra vereadoras trans do PSOL, o partido se pronunciou em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (4), declarando que já existe uma linha de investigação aberta que apura a relação entre os três casos e apontam transfobia e motivação política nesses crimes.

“Eu cheguei a conversar com um dos peritos  que foram em casa fazer a perícia e ele disse que existe essa linha de investigação. Existem outras, mas essa linha está sendo assumida pela Polícia Civil, pelo DHPP [Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa]”, explicou Carol Iara, co-vereadora do PSOL e uma das vítimas de violência.

Os casos de atentados contra as vereadoras aconteceram todos na semana que visibilidade trans, que ocorre desde 2004 para demarcar a luta contra a transfobia no Brasil. 

Erika Hilton, foi a primeira a ser ameaçada. Seu gabinete foi invadido no dia 26 por um homem que afirmava ser responsável por ataques virtuais feitos à vereadora. Hilton foi a parlamentar mais votada nas últimas eleições.

Os outros dois atos foram mais graves e configuraram atentado contra a vida. Dois tiros foram disparados contra a casa de Carol Iara, co-vereadora da chapa coletiva Bancada Feminista. Iara estava com a mãe e o irmão no momento do ataque, no dia 27.

O último ataque foi feito contra Samara Sosthenes, integrante do Quilombo Periférico, chapa coletiva também eleita nas últimas eleições. Ela conta que um motoqueiro fez um disparo em frente a sua casa e partiu em disparada, na madrugada do dia 31. 

Após fazer boletim de ocorrência, Sosthenes foi transferida para um local seguro, onde permanece atualmente. Ela acredita que os alvos terem sido corpos trans, pretos e periféricos não foi por acaso. Segundo a covereadora, a motivação teria sido política, com objetivo de tirar dessas pessoas o direito de participar dos espaços tradicionais de poder.

“Ontem começou a sessão plenária na Câmara e, para mim e para o movimento, seria importante eu estar lá presente. Um corpo trans que está circulando, que está sendo visto. Durante essa semana estou impedida disso. Então eles conseguiram algo com isso”, afirmou Samara. 

No ano passado, o Brasil registrou um aumento de 41% no número de assassinatos de pessoas trans. Ao mesmo tempo, nunca tantos cargos de poder foram ocupados por essa população. As eleições municipais de 2020 representaram um aumento de 300% de pessoas trans eleitas. Para Samara, essa tomada de poder é um dos motivos por trás dos ataques.

“A mensagem que eles querem passar é o medo que eles próprios têm da potência que é ter travestis, corpos pretos, mulheres de luta e resistência. Eles têm medo disso. E como eles são covardes, eles agem da forma mais truculenta, que é o que eles sabem fazer, usar da bala, da intimidação e da transfobia”, declara Samara.

Após os casos de violência, a Mesa Diretora da Câmara dos Vereadores de São Paulo decidiu reforçar a segurança das parlamentares. Porém, Samara e Iara não teriam esse direito, já que são covereadoras e não possuem o nome registrado oficialmente no legislativo.


O motivo seria que não há número suficiente de guardas para fornecer segurança a todos os funcionários da Casa que eventualmente registrem boletins de ocorrência por ameaça.

Para Fabiana Pinto, pesquisadora do Instituto Marielle Franco, tal ação configura uma outra forma de violência: a institucional, já que reforça as vulnerabilidades e a impossibilidade das mulheres, trans, negras e periféricas exercerem o direito de fazer política.

A pesquisadora ressalta que a vulnerabilidade dessas pessoas, já existente em um contexto normal, aumenta em um espaço institucional.

"Foi o que aconteceu com a Marielle.  Vai fazer três anos que a gente não sabe quem mandou matar. A gente sabe que a chance de investigação não dar em nada é grande. Por isso a gente atua para que tenha investigação e que as instâncias possam garantir a proteção imediata para essas mulheres”, afirma a pesquisadora. 

Uma das ações coordenadas pelo Instituto é a campanha "Não Seremos Interrompidas", que mobiliza pedidos direcionados aos órgãos públicos como o Ministério Público e Conselho Nacional de Direitos Humanos, pedindo maior atenção na investigação desses casos. Até agora quase 10 mil pessoas já registraram sua denúncia.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Áurea Carolina tenta formar frente de esquerda para eleição de BH

Pré-candidata do PSOL busca apoio de legendas do campo progressistas, mas lançamentos de candidaturas próprias é obstáculo para aliança


A pouco mais de dois meses do início da campanha eleitoral, a deputada federal Áurea Carolina (PSOL), pré-candidata à Prefeitura de Belo Horizonte, segue tentando viabilizar a construção de uma frente unificada de esquerda com o objetivo de frear o avanço da direita na cidade.
A pouco mais de dois meses do início da campanha eleitoral, a deputada federal Áurea Carolina (PSOL), pré-candidata à Prefeitura de Belo Horizonte, segue tentando viabilizar a construção de uma frente unificada de esquerda com o objetivo de frear o avanço da direita na cidade.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

A PF descobriu plano para matar deputada do PSOL do Rio, que agora anda escoltada

Os diálogos captados pela PF eram consistentes a ponto de Talíria ter de ficar entre duas e três semanas sem voltar ao Rio, onde foi eleita para seu primeiro mandato federal no ano passado. E o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), solicitou por duas vezes ao governador do estado, Wilson Witzel, um pedido de escolta para a deputada. A resposta não veio. Tampouco ao pedido de reunião com o governador feito pela bancada federal do PSOL para tratar do assunto.
A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) é protegida por uma escolta da Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados em Brasília desde abril. Durante a Páscoa, ela recebeu um telefonema da polícia informando sobre o esquema de segurança, que foi adotado porque a Polícia Federal (PF) do Rio de Janeiro detectou, em mensagens trocadas pela Dark Web (uma camada abaixo da Deep Web), que sua vida estava em risco.

quinta-feira, 15 de março de 2018

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

quinta-feira, 30 de março de 2017

Randolfe Rodrigues: “Pelo visto o PSOL amadureceu”

Há quase três anos, em plena pré-campanha de 2014, o senador do Amapá Randolfe Rodrigues, escolhido candidato à presidência pelo PSOL, resolveu presentear seu colega de parlamento e também presidenciável do PSDB Aécio Neves com um livro: 1964 – O Verão do Golpe, de Robert Sanders. Aécio postou a foto dos dois posando com o livro em seu facebook e foi aquele auê. Achincalhado pelos próprios colegas de partido como “a esquerda que a direita gosta”, Randolfe desistiu da candidatura e acabou abandonando o PSOL meses depois.
Há quase três anos, em plena pré-campanha de 2014, o senador do Amapá Randolfe Rodrigues, escolhido candidato à presidência pelo PSOL, resolveu presentear seu colega de parlamento e também presidenciável do PSDB Aécio Neves com um livro: 1964 – O Verão do Golpe, de Robert Sanders.

sábado, 31 de outubro de 2015

A épica batalha entre Jean Wyllys e João Rodrigues.

Numa mensagem de apoio a Jean, o deputado estadual do PSOL no Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, resumiu o confronto: “Talvez você não tenha ainda a dimensão de tudo que fez quando resolveu fazer esta fala no microfone da Casa Grande. O coronel lhe pergunta: sabe com quem está falando? Sim, coronel. Nós sabemos com quem falamos e o que enfrentamos. Acho que é ele que não sabe com quem está falando. Ou não sabia até você romper com os troncos invisíveis que se espalham pelas casas legislativas e ruas do nosso Brasil”.
É difícil às vezes fugir de maniqueísmos, do confronto dos bons contra os maus.
O embate entre os deputados Jean Wyllys (PSOL-RJ) e João Rodrigues (PSD-SC) é um desses casos.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

SE PSOL APOIASSE DILMA, 2º GOVERNO DELA SERIA MAIS DE ESQUERDA

Eis que o PSOL tem diante de si a possibilidade de conseguir pela via eleitoral o que não conseguiu com a ruptura com o PT da qual o partido nasceu, nos primórdios do governo Lula
Freixo, como se sabe, em 2012 chegou a ter 30% dos votos cariocas e, em 2014, é o deputado estadual mais votado. Pela importância de Freixo no PSOL, sua decisão pode influenciar o partido no sentido de analisar com a devida calma a possibilidade de apoiar a reeleição de Dilma, sobretudo na pessoa da combativa Luciana Genro, quem, por seu brilhantismo no primeiro turno, conquistou uma bela votação para o seu partido, dada a diferença de recursos de sua campanha para os recursos das campanhas dos adversários. Eis que o PSOL tem diante de si a possibilidade de conseguir pela via eleitoral o que não conseguiu com a ruptura com o PT da qual o partido nasceu, nos primórdios do governo Lula. Afinal, negociando devida e legitimamente o seu apoio a Dilma poderá fazer com que um eventual novo governo dela seja muito mais de esquerda do que o primeiro, além de participar desse governo.O PSOL poderia, por exemplo, negociar a adoção dos kits anti-homofobia nas escolas, envio de projetos de lei do governo ao Congresso propondo mais direitos para os homossexuais, para os índios, para os negros e, além disso, poderia obter avanços mais concretos na reforma agrária, na jornada de trabalho, na Previdência... Além do PSOL, há um movimento no PSB de Luiza Erundina e Roberto Amaral que propõe que o partido se mantenha neutro na disputa entre Dilma e Aécio Neves. Esse movimento, com habilidade do PT, pode desembocar em apoio de setores ou expoentes do partido à reeleição da presidente da República. Afinal, Erundina e Amaral estão divergindo frontalmente de Marina no que tange ela apoiar Aécio.
Foi altamente positiva a manifestação do ex-candidato a prefeito do Rio de Janeiro pelo PSOL Marcelo Freixo no sentido de que, diante da possibilidade de o país vir a ser governado pelo PSDB, não tem dúvida alguma em declarar seu voto em Dilma Rousseff.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

"Golpe" pode antecipar fim da 1ª prefeitura do PSOL

Sem base de apoio na Câmara, prefeito do interior do Rio de Janeiro sofre CPI e mobiliza a cúpula do partido para evitar destituição.

De Itaocara
“Povo itaocarense! Aqui é o prefeito Gelsimar Gonzaga. Querem me tirar do cargo, mas só com o povo na rua conseguiremos acabar com essa tentativa de golpe.” Um carro de som percorria diversas vezes o município do interior fluminense na tarde da última quinta-feira 12. Nas ruas íngremes da periferia da cidade, panfletos chamavam para uma manifestação “contra o golpe” naquela noite.
A prefeitura passava à população a ideia de que o chefe do Executivo poderia ser retirado do cargo a qualquer momento, uma possibilidade plausível diante dos atos da Câmara de Vereadores durante o primeiro ano de mandato do prefeito do PSOL. Gelsimar enfrenta a resistência do Legislativo municipal, onde somente um vereador o apoia e uma CPI foi aberta para investigá-lo.
Itaocara tem somente 23 mil habitantes, mas recebe atenção nacional do PSOL. A cidade é uma das duas primeiras prefeituras do partido, após quase dez anos como oposição no Legislativo. O PSOL acredita que a Itaocara poderia servir como uma vitrine de suas administrações, um exemplo da possibilidade de governar sem se comprometer com as concessões da “governabilidade” –principal motivo para dissidentes do PT terem formado o partido no começo da década passada.
Figuras mais conhecidas do PSOL, como o deputado estadual Marcelo Freixo (RJ) e a ex-deputada Luciana Genro (RS), já estiveram na cidade para demonstrar apoio ao prefeito. O diretório nacional e as bancadas do Congresso seguem na mesma linha, argumentando que a investigação na cidade é um golpe contra o prefeito.
Câmara não divulga motivo da CPI
A Câmara instalou a comissão no dia 3 de dezembro, com somente um voto contrário. Os aliados do prefeito Gelsimar Gonzagaargumentam que a CPI não tem um objeto claro e não investiga nada relacionado a corrupção. Segundo informações da Câmara, a comissão foi aberta porque um cidadão fez um ofício à casa pedindo informações da prefeitura. De lá, os requerimentos foram enviados ao prefeito, mas ele não deu respostas.
A reportagem tentou ter acesso aos pedidos não respondidos, mas o presidente da Câmara, Robertinho Cruz (PR), não os forneceu. O vereador alegou que o requerimento é um “documento da casa, interno”, e seria necessário o aval de toda a mesa diretora para ele ser acessado. Em entrevista, Robertinho não especificou quais foram os pedidos:
CartaCapital: No que consistem esses pedidos que não foram respondidos?
Robertinho: Informações do executivo, da administração.
CC: E o senhor sabe dizer quais informações são essas?
R: Assim de memória, todos, não. Se qualquer pessoa que faz a denúncia, você tem que se explicar. E agora, quem tem que se explicar é o prefeito. Nós não temos a resposta porque ele foi omisso.
CC: Mas quais foram os requerimentos?
R: Eu já entendi sua pergunta e você já teve sua resposta.
A reportagem tentou falar com os três integrantes da CPI para entender o que seria investigado nela. O vereador Edson da Sinuca (PMN) e a vereadora Aveline (PMN) se recusaram a dar entrevista. O vereador Renato do Papagiao (PMDB) não foi encontrado.
O único vereador do PSOL, Fernando Arcenio, diz que não teve acesso aos requerimentos e não conhece seu conteúdo. O vereador solicitou à mesa diretora acesso aos pedidos. Caso o pedido seja negado, Arcenio vai recorrer à Justiça.
O prefeito diz estar disposto a dar respostas, mas não tem como faze-lo sem saber do que tratam os requerimentos. “Não responder requerimento... tem sentido isso? CPI é para quando tem corrupção comprovada, ou mesmo não comprovada. Mas essa não tem justificativa nenhuma”, diz Gelsimar.
A prefeitura diz que esta não foi a primeira resistência da Câmara dos Vereadores. Outro episódio ocorreu na aprovação do aumento de salário de todos os servidores da cidade, feito em dezembro de 2012. Isso fez com que o custo dos salários em Itaocara extrapolasse os limites permitidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (46,55% da receita) quando o novo prefeito assumiu o cargo. Gelsimar se recusa a demitir funcionários e tenta outra forma de sanar as contas, enquanto rompe os limites da lei federal.
O prefeito também alega que a compra de remédios na cidade foi impedida durante 25 dias porque a Câmara não permitia o remanejamento de verbas, deixando os cidadãos cerca de um mês sem medicamentos. O presidente da Câmara, por sua vez, rebate. Segundo Robertinho Cruz, o problema foi gerado pela má administração do prefeito, a quem ele se referiu como “bobo da corte”. Assim como no caso da CPI, a prefeitura tentou mobilizar a população para conter os danos. Foram distribuídos panfletos em que se explicava a dificuldade com a Lei de Responsabilidade e os remédios.
Ex-cortador de cana, Gelsimar foi eleito na sétima tentativa
O atual prefeito de Itaocara perdeu seis eleições antes de ser eleito. Tentou ser deputado, vereador e prefeito em outros pleitos. Cortador de cana na infância, Gelsimar fez parte do sindicato dos bancários no Rio de Janeiro e entrou para o PT. De volta a Itaocara, militou no sindicato dos servidores públicos na cidade. Quando foi candidato a vereador pela primeira vez, em 1992, recebeu 56 votos.
Sua votação cresceu nos 18 anos seguintes. Neste período, migrou do PT ao PSOL, quando os “radicais” do PT foram expulsos porque votaram contra a Reforma da Previdência proposta por Lula. Em sua primeira tentativa de se eleger prefeito, em 2008, Gelsimar obteve pouco mais de 6% dos votos. Em 2010, conseguiu quase 25% dos votos para deputado estadual da cidade, quando anunciou que deveria ser candidato novamente. Em 2012, foram 44,3% do total – 6.796 votos.
Gelsimar diz que seu principal programa na prefeitura foi a instituição do “passe livre” para os estudantes que moram em Itaocara e estudam em faculdades de outras cinco cidades do noroeste carioca.
O prefeito também tem tentado aumentar a participação da população no mandato. Seus secretários, por exemplo, foram escolhidos em praças públicas. O prefeito também tem feito reuniões na periferia da cidade, onde responde qualquer questionamento dos cidadãos. Robertinho, o presidente da Câmara, diz que os secretários eram pré-indicados e que as assembleias do prefeito são “um circo”.
Gelsimar alega que não consegue governar por não ter aceitado se submeter às práticas de corrupção da cidade. O combate à corrupção é a principal bandeira do prefeito, que inclusive usa o termo “marajás” em seus discursos. Antes de Gelsimar assumir a prefeitura, Itaocara povoou o noticiário político com casos de funcionários fantasmas no serviço público e a dispensa ilegal de licitação pública, ambos denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Em 2012, um secretário foi preso por desviar marmitas de um hospital público. No ocasião, foram apreendidas 16 quentinhas.
Itaocara é prefeitura mais radical do PSOL
Itaocara foi a única cidade em que o PSOL venceu no primeiro turno da eleição municipal de 2010. A outra prefeitura do partido é Macapá, a capital do Amapá, onde Clécio Luis foi eleito com apoio de outros partidos e doações de empresas. A postura gerou críticas das tendências mais à esquerda do PSOL.
Em Itaocara, uma ala menos sujeita a alianças foi vitoriosa. Para Gelsimar, Clécio pratica o “mensalão” para se manter na cidade, já que busca alianças amplas. Ele também diz que não irá apoiar a candidatura do senador Randolfe Rodrigues (AP) à presidência se ele não “vier mais para a esquerda”.
Gelsimar faz parte da tendência de influência trotskista Corrente Socialista dos Trabalhadores, cujo nome mais conhecido é o ex-deputado federal Babá (PA). Ele esteve no protesto da cidade na última quinta-feira, quando cerca de 300 militantes foram à frente da prefeitura em apoio ao prefeito. Um ônibus de militantes do PSOL, vindo do Rio de Janeiro, também compunha o ato.
O chefe de gabinete do prefeito, Marco Antonio, faz parte da mesma corrente de Gelsimar e Babá. Críticos à nomeação de Marco Antonio, vereadores se mobilizaram contra a presença do que chamavam de “forasteiros” na prefeitura. Em junho, eles chegaram a fazer protestos pedindo a saída do chefe de gabinete, nascido em Macapá e radicado no Rio de Janeiro. “Ninguém sabe suas origens. O que é, para que veio. Esse rapaz caiu de paraquedas e hoje é o homem que manda no município, um cidadão que nem voto tem. O prefeito eleito não escuta ninguém, só esse rapaz,” diz Robertinho.
O chefe de gabinete diz ter buscado diálogo com os vereadores desde que chegou, no ano anterior, mas não foi bem sucedido. “Somos revolucionários, mas não somo porra-loucas,” diz Marco Antonio.
Isolado, Gelsimar diz que governar desta forma era sua única alternativa, e faz um paralelo com o ex-presidente Lula. “[Os vereadores] falaram: ou você dá o dinheiro, ou você não vai governar. Nós vamos bagunçar seu orçamento e nós vamos tentar te afastar de todas as formas,” diz Gelsimar. “Eu resolvi não dar. Eu prefiro ser cassado do que implementar a corrupção que era antes aqui, e que acontece no Brasil todo”.
Fonte: A Carta Capital