O carro onde estava o músico e segurança Evaldo Rosa dos Santos, de 51 anos, e sua família, foi alvo de mais de 80 tiros disparados por homens do Exército, nesse domingo (7), no Rio de Janeiro.
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segunda-feira, 8 de abril de 2019
segunda-feira, 16 de julho de 2018
Após cinco meses de intervenção no Rio, chacinas aumentam e apreensão de fuzis diminui
Levantamento foi feito pelo Observatório da Intervenção: “Até agora, a presença das Forças Armadas não resultou na percepção de que a segurança do Rio melhorou depois da intervenção”, diz o estudo
O Observatório da Intervenção, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, divulgou nesta segunda-feira (16) um balanço dos cinco meses de intervenção federal no Rio de Janeiro. E a conclusão é clara: “Muito tiroteio e pouca inteligência”. As práticas policiais violentas continuam predominando contra as favelas.
O Observatório da Intervenção, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, divulgou nesta segunda-feira (16) um balanço dos cinco meses de intervenção federal no Rio de Janeiro. E a conclusão é clara: “Muito tiroteio e pouca inteligência”. As práticas policiais violentas continuam predominando contra as favelas.
As operações, que segundo o Gabinete da Intervenção chegam a mobilizar 5 mil homens, resultam em medo, mortes e poucos efeitos positivos, segundo o levantamento. No período dos cinco meses de intervenção, tiroteios e disparos aumentaram 37%. As chacinas aumentaram 80% e as mortes em chacinas (três pessoas mortas ou mais) aumentaram 128%. Em contrapartida, a apreensão de fuzis, metralhadoras e submetralhadoras caiu 39% de fevereiro a maio de 2018, em relação ao mesmo período em 2017.
“Nosso diagnóstico é que o comando da intervenção investe muito em operações militares e pouco em inteligência. O resultado é o aumento daquilo que a população tem mais medo: bala perdida, fogo cruzado e tiroteios. Até agora, a presença das Forças Armadas não resultou na percepção de que a segurança do Rio melhorou depois da intervenção”, diz o estudo.
O Observatório da Intervenção foi criado para monitorar e divulgar dados de diferentes fontes. O órgão documenta e produz análises sobre os impactos da intervenção coordenada pelas Forças Armadas, observando seu modelo, suas práticas e resultados.
Confira abaixo o infográfico com um balanço dos quatro meses de intervenção:
Fonte: Revista Forum
terça-feira, 7 de abril de 2015
ONU anuncia que número de militares no Haiti será reduzido para menos da metade em 2015
Condição para que medida se concretize é a realização de eleições no final do ano; saída da Minustah é exigência de movimentos sociais de todo o continente
A ONU (Organização das Nações Unidas) anunciou nesta segunda-feira (06/04) que o efetivo de tropas que integram a Minustah (Missão para a Estabilização do Haiti), os capacetes azuis, será reduzido para menos da metade ainda este ano.
A ONU (Organização das Nações Unidas) anunciou nesta segunda-feira (06/04) que o efetivo de tropas que integram a Minustah (Missão para a Estabilização do Haiti), os capacetes azuis, será reduzido para menos da metade ainda este ano.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Wikileaks, Ramonet e Nassif

Kristinn Hrafnsson, porta-voz do Wikileaks; Ignácio Ramonet, o criador do Le Monde Diplomatique; e o jornalista e blogueiro Luis Nassif debateram sobre o papel das novas mídias na primeira mesa do 1º Encontro Mundial de Blogueiros, que teve início nesta quinta-feira (27) e segue até sábado (29) na Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (PR).
Wikileaks não morreu
Kristinn Hrafnsson iniciou desmentindo as notícias de que o Wikileaks estaria prestes a acabar. Ele disse que a organização suspendeu suas atividades para concentrar esforços em levantar fundos frente ao boicote promovido pelas empresas Visa, Mastercard, Paypal e Bank of America. Mas ele garante que as ações do Wikileaks serão retomadas.
O finlandês se disse decepcionado com a mídia tradicional pelas tentativas de supressão de informações e existência de censura interna, além de relação muito próxima aos governos. Kristinn diz que não esperava, por exemplo, que uma potência como o The New York Times, jornal que veiculou o escândalo de Watergate na época de Nixon, se dobraria diante de um pedido da Casa Branca de não publicação de histórias, como aconteceu. Ele relatou ainda sobre a recusa dos jornais de denunciarem práticas como esta, mesmo que o veículo a ser denunciado não disputasse público por ser em outro país, por exemplo.
Para Kristinn, é evidente a existência de uma lacuna entre o público e a confiança na mídia, algo constatado desde uma das primeiras ações do grupo, com a divulgação dos “Diários de Guerra do Afeganistão”. Para ele, uma ação conjunta do Wikileaks com blogueiros pode ser uma resposta eficaz à sociedade. “Wikileaks e blogueiros devem atuar de mãos dadas, quero que tenhamos a oportunidade de trabalhar juntos, pois sabemos que essa lacuna existe”.
Ramonet: luzes e sombras
O teórico da comunicação e criador do Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, abordou o que ele próprio chamou de “luzes e sombras” do papel dos novos meios. O francês afirmou que já não é possível fazer jornalismo desconsiderando os novos meios e os novos atores que surgem com a utilização destes. Em seguida, listou as principais consequências que identifica a partir da utilização das novas mídias.
Entre as luzes, que seriam os aspectos positivos, Ramonet avalia que os veículos tradicionais vivem uma crise e, ainda, que os Estados autoritários já não podem controlar a circulação de informação, de forma que os cidadãos podem se organizar utilizando a internet – o exemplo dado pelo palestrante foram as recentes manifestações no norte da África. Ele avalia como positiva ainda a substituição da figura do jornalista como herói solitário pela produção de informação a diversas mãos, com uma estratégia de “enxame” que caracteriza a blogosfera, como ele define. “A inteligência coletiva é superior à proeza individual”, concluiu Ignácio Ramonet.
Quanto às sombras, ou seja, os aspectos a respeito dos quais se deve refletir, o intelectual alerta que o momento que vivemos é transitório. Ele lembra que há cinco anos não existiam Twitter, Facebook, i-phone, tablet e Wikileaks, por exemplo. “É certo que blogueiros, twitteiros, serão cada vez mais importantes. Mas não sabemos como o Estado e as empresas de comunicação se organizarão para retomar um poder que perderam”.
Para Ignácio Ramonet, o momento de mudança que vive a comunicação é comparável ao surgimento da imprensa com Gutemberg, que foi um elemento importante em grandes mudanças sociais do período, como o surgimento do protestantismo, ou de novas formas de Estado, entre outras. “Alterações nos campos estruturais da comunicação sempre refletem em campos gerais da sociedade”, alertou o teórico.
Ele afirmou ainda que o trabalho voluntário de milhões de blogueiros contribui para o enriquecimento de grandes conglomerados, citando o Google e o Facebook como exemplos. Por fim, falou sobre a característica de dispersão e fragmentação da informação que marca a blogosfera, para concluir: “o jornalismo não pode ser eliminado”, justificando que o papel do jornalismo deve ser o de dar sentido geral às coisas, a fim de “melhor compreender o mundo, para melhor participar dele”.
Nassif e a mídia do capital financeiro
Luis Nassif completou o debate ao focar a relação da imprensa com o capital financeiro no Brasil. Ele fez um histórico do comportamento da mídia convencional no país e resgatou exemplos de ação coordenada dos seus veículos, como no caso dos ataques recentes ao ministro Orlando Silva. “Após a queda do Orlando a mídia deu voz ao seu advogado, para defender a sua reputação(…). Quado ela quer, a mídia cria um clima de corrupção com um fato irrelevante por dia – como o caso da tapioca”, denunciou o jornalista.
Para Nassif, o papel que a blogosfera cumpriu rebatendo o discurso da mídia convencional sobre o caso Satiagraha foi um bom exemplo do seu potencial. “A mídia jogou seu poder para atacar a operação e defender Daniel Dantas e Gilmar Mendes. O contraponto foi na blogosfera, que respondeu, ponto por ponto, as inverdades levantadas pela mídia, com informações”. Para ele, a tendência é que sejam criados espaços de discussão e mediação do conjunto de informações que circulam na blogosfera, fortalecendo o papel das novas mídias de informar e combater a contra-informação veiculada pelas mídias convencionais.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
A falácia da intervenção “humanitária” na Síria
Mídias desenvolvem papel importante em tornar aceitável aos olhos da opinião pública mundial uma intervenção militar
A Síria enfrenta, há mais de um ano, uma onda de contestações em relação ao regime de Bashar Al Assad. No último mês de abril, foi decretado um cessar-fogo conforme o plano de paz elaborado pelo emissário especial da ONU e da Liga Árabe, e ex-Secretário-Geral das Nações Unidas Kofi Annan. Mais de 300 observadores da ONU foram enviados ao país, mas as hostilidades perduram. No momento, apenas a metade desse número permanece, em razão da absoluta falta de segurança.
A Missão de Observação da ONU na Síria, como a força é conhecida oficialmente, consiste em 300 observadores militares desarmados acompanhados por cerca de 100 funcionários civis de apoio. Foi implantada para supervisionar o cessar-fogo, que tem sido fortemente desrespeitado, e em meados de junho parou de realizar patrulhas diante da intensificação dos combates. No dia 20 de julho, o Conselho de Segurança da ONU votou pela extensão do mandato da missão por 30 dias, embora a escalada da violência tenha impossibilitado a permanência dos observadores no país.
O conflito na Síria desafia em várias frentes. No terreno, violentos combates resultaram no número astronômico de 14000 mortos desde o início da luta armada, segundo observadores internacionais. Na frente diplomática, os partidários de uma ação mais severa contra o regime de Bachar Al Assad, diga-se uma intervenção militar justificada na defesa dos direitos humanos, opõe-se aos aliados do regime, Rússia em primeiro lugar e China, que há poucos dias reiteraram no Conselho de Segurança da ONU sua oposição a qualquer intervenção militar, temendo uma reedição do cenário líbio.
Os Estados Membros da Organização de Cooperação de Shanghai (OCS), que reagrupa entre outros países a China e a Rússia, além de terem se pronunciado contra qualquer possibilidade de intervenção militar na Síria, também condenaram qualquer imposição relativa à mudança de regime no país, e também quaisquer sanções unilaterais, insistindo na necessidade de fazer cessar toda a violência, seja qual for sua origem, encorajando o lançamento de um amplo diálogo nacional com base na independência, integridade territorial e soberania da Síria. Assim, exaltaram os esforços da ONU com vistas a encontrar uma solução política para a crise, que estaria no interesse tanto da população síria quanto da comunidade internacional, entendida como a comunidade de todos os países, ocidentais e não ocidentais.
Claro está que a questão internacional central, e também o principal embate da encruzilhada síria, está na perigosa articulação do conceito de “intervenção humanitária”. O intelectual e escritor belga Jean Bricmont, em recente fala na Unesco, chama a atenção para o que rotulou de “noção falaciosa de guerra humanitária”, e denuncia um condicionamento ideológico proveniente das mídias, que segundo ele visam a tornar uma intervenção militar na Síria aceitável aos olhos da opinião pública mundial.
Para embasar sua tese, Bricmont constata que historicamente, todas as guerras foram sempre justificadas em intenções altruístas, como o cristianismo e sua missão civilizadora, o fardo do “homem branco”, Hitler e a defesa contra o bolchevismo, depois a luta contra o terror, e hoje a chamada guerra pelos direitos humanos, intitulada de “ingerência humanitária”. Nessa seara, o escritor desenvolve uma crítica exemplificando com a hipótese de que, se a Rússia promovesse uma ingerência humanitária na Síria, ou no Bahrein, estar-se-ia diante da possibilidade concreta de uma terceira guerra mundial, já que as potências ocidentais, inequivocamente, não aceitariam que potências não ocidentais tentassem intervir no Oriente Médio.
A paz mundial, ressalta, depende da ordem internacional construída após a Segunda Grande Guerra, que por sua vez assenta-se sobre o respeito da soberania nacional dos Estados. Foi a ingerência da Alemanha na Tchecoslováquia, relembra, depois na Polônia, em nome da defesa das minorias, que desencadeou aquele conflito mundial, sorte de pretexto que também foi utilizado na carnificina do Kosovo e no Iraque em relação aos curdos.
A ideia central é que a política intervencionista das grandes potências, embora esteja sempre lastreada em motivos nobres, consiste em uma violação total da ordem internacional estabelecida em 1945 com a criação da Organização das Nações Unidas, e não afasta o risco de conduzir a uma nova grande guerra.
Por outro lado, Bricmont constata que o mundo seria melhor se o Ocidente optasse por uma política de paz, ao invés de investir seus recursos em armamentos e equipamentos militares em geral. Essa política de paz deveria ter como pilares a cooperação e o diálogo interestatal amplo, incluindo toda a comunidade internacional, e logo Rússia, China, Irã e Síria. No entanto, as mídias dificultam enormemente essa possibilidade, em razão do que rotula de “bombardeamento midiático”. Em sua leitura Barack Obama, por exemplo, mesmo estando em desacordo com a política de Netanyahou, nada pode frente ao doutrinamento da mídia; ao passo que é extraordinário que a Europa em crise agonizante pretenda ditar a Rússia o que fazer, quando esta tem a aliança da China, representa o movimento dos não-alinhados na questão síria, e é aliada do Irã.
O intelectual belga relembra que por ocasião da guerra na Líbia, praticamente não havia desacordo nas classes políticas em relação à intervenção militar, cenário que se repete hoje na Síria. O debate, segundo ele, tornou-se quase impossível em razão do que chamou de “arcos reflexos”, que vêm doutrinando várias gerações, e que estariam na ideia dos “novos Hitlers” e na culpabilização pelo Holocausto. Bricmont toma todo o cuidado de explicar que não se trata, em hipótese alguma, de negar o Holocausto, nem de menosprezá-lo enquanto acontecimento trágico e abominável, mas de criticar a forma como tem sido explorado politicamente, por meio da manipulação de variadas situações com base nos argumentos dos novos Hitlers ou dos novos Holocaustos, para justificar o emprego da violência em prol de interesses econômicos. Essa matriz ideológica impediria qualquer debate sério acerca da realidade do mundo contemporâneo, seja no campo da esquerda ou da direita.
Faltaria, portanto, a reflexão sobre a própria essência da militarização, dos conflitos que se perpetuam, e sobre o tipo de contribuição que aportam à defesa dos direitos humanos. Bricmont critica ferozmente aqueles que se utilizam da ideologia dos direitos humanos como um pretexto para a guerra, quando ele mesmo tende a ver naquela ideologia uma verdadeira causa sui generis para a guerra, porque empresta ao Ocidente uma ilusão de grandiosidade que ele não tem mais desde o processo descolonizatório e a articulação das potências emergentes. Lamenta, ainda, não saber se a Síria será agredida militarmente, muito embora os rebeldes estejam sendo intensamente armados de forma a criar o caos naquele país por tempo indeterminado.
A posição de Bricmont, e que deveria ser partilhada, é por princípio contrária a qualquer hipótese de “ingerência humanitária” e, portanto, independente de relação com regimes políticos específicos, como o regime de Bashar Al Assad. Também não se caracteriza como uma bandeira de esquerda, de direita, ou de centro. Logo, não é relevante discutir quem está pró ou contra Assad, ou os níveis de crueldade impetrados pelo governo sírio, até mesmo porque organizações internacionais como a Human Rights Watch vem denunciando a violação dos direitos humanos por todas as partes do conflito, incluindo a oposição armada síria. Trata-se, ao contrário, de sustentar uma política global pacífica, antagônica a qualquer sorte de violência e aplicável em todas as frentes, incluindo Palestina, Irã, Coreia do Norte, Cuba, Venezuela, Líbia, Síria. Não se trata, portanto, da questão síria em particular.
No Brasil, Dilma Rousseff insiste em soluções diplomáticas para o conflito na Síria, apoiando-se em exemplos de iniciativas fracassadas de construção da paz, como as intervenções militares externas no Afeganistão e no Iraque. Cite-se que recentemente, europeus e norte-americanos decidiram pela expulsão dos representantes diplomáticos sírios de suas capitais em represália ao massacre de Houla, que deixou 108 mortos. O Brasil retirou seus diplomatas do país, mas manteve relações diplomáticas. A presidência brasileira defende que se edifique um consenso, uma posição comum no Conselho de Segurança da ONU, comum no sentido da construção conjunta, de todas as nações do planeta, de um caminho em que a paz seja articulada por meios diplomáticos multilaterais efetivos, e não militares. Na Síria ou em qualquer outra parte do planeta.
Fonte texto: Portal Opera Mundi
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