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segunda-feira, 10 de maio de 2021

Bolsonaro cria orçamento secreto bilionário para comprar apoio no Congresso.

Reportagem do Estadão mostra que parte da verba foi gasta para compra de tratores com preços até 259% acima dos valoresSegundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o chefe do Executivo reservou um orçamento secreto de R$ 3 bi em emendas, boa parte delas destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas por preços até 259% acima dos valores de referência fixados pelo governo.


O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criou um esquema bilionário para obter apoio do Congresso na última eleição que elegeu seus candidatos.

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o chefe do Executivo reservou um orçamento secreto de R$ 3 bi em emendas, boa parte delas destinada à compra de tratores e equipamentos agrícolas por preços até 259% acima dos valores de referência fixados pelo governo.

A reportagem encontrou o orçamento em um conjunto de 101 ofícios enviados por deputados e senadores ao Ministério do Desenvolvimento Regional e órgãos vinculados para indicar como eles preferiam usar os recursos.

Os documentos mostram que o esquema atropela leis orçamentárias, pois são os ministros que deveriam definir onde aplicar os recursos, e dificulta o controle do Tribunal de Contas da União (TCU) e da sociedade. Os acordos para direcionar o dinheiro não são públicos, e a distribuição dos valores não é equânime entre os congressistas, atendendo a critérios eleitorais. Só ganha quem apoia o governo.

O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), que contou com o apoio do Planalto para eleger Rodrigo Pacheco  determinou a aplicação de R$ 277 milhões de verbas públicas só do Ministério do Desenvolvimento Regional, assumindo a função do ministro Rogério Marinho.

Ele precisaria de 34 anos no Senado para conseguir indicar esse montante por meio da tradicional emenda parlamentar individual, que garante a cada congressista direcionar livremente R$ 8 milhões ao ano.

Ao deputado federal Lúcio Mosquini (MDB-RO), o governo aceitou pagar R$ 359 mil em um trator que, pelas regras normais, somente liberaria R$ 100 mil dos cofres públicos. No total, o deputado direcionou R$ 8 milhões.

Os deputados do Solidariedade Ottaci Nascimento (RR) e Bosco Saraiva (AM) direcionaram R$ 4 milhões para Padre Bernardo (GO), cidade a cerca de dois mil quilômetros de seus redutos eleitorais, para máquinas agrícolas. Se a tabela do governo fosse considerada, a compra sairia por R$ 2,8 milhões.

As máquinas são destinadas a prefeituras para auxiliar nas obras em estradas nas áreas rurais e vias urbanas e também nos projetos de cooperativas da agricultura familiar. Políticos costumam promover festas de entrega dos equipamentos, o que lhes garante encontros e fotos com potenciais eleitores em ano pré-eleitoral.

Ao serem entrevistados, deputados e senadores negavam o direcionamento dos recursos ou se recusavam a prestar informações. Confrontados com ofícios assinados por eles e a planilha do governo, acabaram por admitir seus atos.

Na prática, a origem do novo esquema está no discurso de Bolsonaro de não distribuir cargos, sob o argumento de não lotear o primeiro escalão do governo. De um jeito ou de outro, a moeda de troca se deu por meio da transferência do controle de bilhões de reais do orçamento ao Congresso. Tudo a portas fechadas, longe do olhar dos eleitores.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Bretas copia práticas ilegais de Moro que destroem o processo penal, dizem juristas

Da parcialidade do juiz à perseguição da advocacia, magistrados levam a prática processual a um autoritarismo medieval

As recentes investidas da força-tarefa Operação Lava Jato contra o escritório do advogado Cristiano Zanin, autorizadas pelo juiz federal do Rio de Janeiro Marcelo Bretas, chamaram a atenção de juristas pela forma autoritária e distante da legalidade com que manipularam as atividades investigatórias das instituições públicas e as normas e garantias previstas na Constituição Federal e no Código de Processo Penal. Mas, em um ponto, todos os especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato para a realização desta reportagem concordam: não causam nenhuma surpresa que ajam dessa maneira.

As recentes investidas da força-tarefa Operação Lava Jato contra o escritório do advogado Cristiano Zanin, autorizadas pelo juiz federal do Rio de Janeiro Marcelo Bretas, chamaram a atenção de juristas pela forma autoritária e distante da legalidade com que manipularam as atividades investigatórias das instituições públicas e as normas e garantias previstas na Constituição Federal e no Código de Processo Penal. Mas, em um ponto, todos os especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato para a realização desta reportagem concordam: não causam nenhuma surpresa que ajam dessa maneira.

A atuação do juiz federal de primeira instância do Rio de Janeiro não apenas no caso envolvendo o escritório de advocacia que atende também o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também em outros processos da Lava Jato e nas investigações envolvendo o governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, de acordo com juristas ouvidos pela reportagem, são de mesmo teor e carregadas das mesmas crenças que moldavam a atuação do ex-juiz federal Sergio Moro, quando atendia na 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba.

Trata-se de uma atuação politizada do Poder Judiciário, em busca de exercer um papel (ilegal) de juiz super-herói, que confunde a atribuição de julgador imparcial com a de justiceiro contra criminosos e/ou corruptos que age politicamente e atropela toda e qualquer garantia legal para alcançar este objetivo.
Veja, abaixo, os principais pontos de conflito entre a Lei e o fazer processual de Sergio Moro e Marcelo Bretas, e como essas práticas maculam a norma penal, as garantias individuais previstas na Constituição e o Estado de Direito.

1 - A parcialidade do juiz e o fim da equidistância processual

É entendimento pacificado em toda a legislação, doutrina e jurisprudência penal que um juiz, para julgar com neutralidade, deve se manter equidistante das duas partes em litígio em um processo judicial. No caso do processo penal, via de regra, as partes são o Ministério Público e o acusado. 
Tanto Sergio Moro como Marcelo Bretas não observam este princípio. Os dois conduzem ou conduziam as investigações criminais a seu cargo se aproximando do órgão acusador, o Ministério Público Federal. No caso de Sergio Moro, tal fato ficou evidente com as revelações da Vaza Jato: o ex-juiz de Curitiba chegava ao requinte de sugerir a uma das partes o melhor procurador para atuar neste ou naquele processo.

Já o juiz Bretas revela sua parcialidade na forma como acata todos os pedidos de prisão preventiva ou outras medidas cautelares solicitadas pelo MPF, enquanto rejeita sistematicamente os pleitos da Defesa nos processos, como para a produção de provas técnicas ou oitiva de testemunhas. 

"Existe uma semelhança muito grande entre a atuação do Marcelo Bretas e do Sergio Moro. Ambos têm uma veia inquisitória, uma crença em um processo inquisitorial. O nome inquisitorial deriva justamente da Santa Inquisição, quando os julgamentos eram feitos pela Igreja Católica e se buscava justamente a punição do acusado, com o juiz e o acusador sendo a mesma pessoa", explica André Lozano Andrade, advogado criminalista sócio do escritório Jacob Lozano e professor de Direito e Processo Penal. 
O especialista aponta a inconveniência de se adotar semelhante postura em uma democracia. "Veja só, era um juiz que desejava que o acusado fosse condenado, que tinha interesse na sua condenação. Obviamente, a imparcialidade, nesse caso, não existia", afirma Lozano, que também é coordenador do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim) e conselheiro de Prerrogativas da OAB/SP.

2 - O juiz super-herói e a espetacularizacão do processo penal

Tanto Sergio Moro como Marcelo Bretas constroem uma imagem de um juiz que atua como defensor da sociedade contra a corrupção e os males advindos da criminalidade. A figura arquetípica até poderia ser utilizada - embora nem nesses casos seja recomendável - por delegados de polícia, promotores e procuradores do Ministério Público, que têm por função investigar atos criminosos e processar seus autores, em busca das punições previstas em lei.

Um juiz de Direito, por sua vez, de nenhuma maneira poderia investir-se dessa atribuição alegórica. Um magistrado não é um caçador de bandidos ou corruptos. A um juiz, cabe simplesmente julgar, no âmbito de um processo judicial, se as provas apresentadas pelo órgão acusador são suficientes para justificar uma condenação, sempre após a instalação do devido processo legal e à observação do direito a ampla defesa.

"Os dois (Moro e Bretas) encarnam a figura do juiz super-herói. O juiz super-herói, no imaginário popular legitimado pelo discurso dos grandes veículos de comunicação, é deturpada. Eles utilizam do cargo que exercem para atuar como militantes políticos e ideológicos", pondera Fernando Hideo Lacerda, advogado, doutor em Direito e professor da Escola Paulista de Direito, que completa:
"A função do magistrado, que deveria ser a de um árbitro, que assegure as garantias individuais aos réus e analise a hipótese acusatória, não acontece. Tanto com Moro como Bretas, o que se vê são processos políticos camuflados como se processos judiciais criminais fossem."  

3 - O uso ilegal da prisão preventiva como forma de tortura e ato de coerção

Assim como fazia Sergio Moro, o juiz Bretas permite que se faça uso da prisão preventiva como forma de pressão e coação física, visando a obtenção de confissões e assinaturas de contratos de delação premiada.

A prisão preventiva de um réu só pode acontecer se estiverem presentes as razões que a motivam previstas em lei, como, por exemplo, risco de fuga do processo, destruição de provas ou ameaça a testemunhas.

Mas, no âmbito da Operação Lava Jato, tanto em Curitiba como no Rio de Janeiro, os juízes responsáveis pelos casos autorizaram prisões sem que estivessem presentes esses requisitos legais, com o objetivo único de pressionar o acusado, levando-a a uma confissão imposta e negociada com o Ministério Público, via de regra acompanhada de uma delação que envolva um alvo político da acusação.

É o que explica o advogado criminalista Anderson Lopes, mestre em Direito Penal pela USP e causídico atuante na Operação Lava Jato, como advogado de Defesa de acusados e denunciados pela força-tarefa. "De maneira alguma a Constituição ou a lei processual penal amparam a visão de que a prisão preventiva é utilizada como forma de obter delações premiadas. Isso é algo totalmente inconstitucional. A prisão cautelar tem uma função muito específica. A gente pode até considerar isso uma forma de tortura moderna, seja ela física ou psicológica".  

4 - A criminalização da advocacia e o uso do processo como ferramenta de perseguição política

Bretas e Moro autorizaram ações policiais, instalação de escutas, buscas e apreensões contra escritórios de advocacia que atuavam em defesa de réus e acusados da Operação Lava Jato.

Em que pese não existir determinação legal que impeça ações policiais contra advogados, há uma série de  princípios e normas legais que buscam proteger a atividade advocatícia contra investidas autoritárias do Estado. O motivo é óbvio: se o Estado passa a acossar aqueles que defendem determinado acusado, quem irá se dispor a defendê-lo sem temer?

No mais recente caso dessa natureza, o juiz Bretas determinou buscas e recepcionou  acusações contra o escritório do advogado de Lula, Cristiano Zanin, sob a justificativa de que teria recebido pagamentos indevidos da Fecomercio-RJ, que na realidade seriam pagamentos de propinas travestidos de honorários.

A comunidade jurídica nacional se espantou ao tomar conhecimento da inconsistência das provas apresentadas pelo MPF para tanto, ainda mais quando o escritório de Zanin apresentou auditoria independente mostrando a idoneidade de todos os pagamentos.

"Nessa operação, em especial, foi cometida uma grande injustiça contra o doutor Zanin, que comprovou nos próprios autos, através de uma auditoria independente com farta documentação comprobatória, que não havia nenhuma irregularidade em sua atuação", conta Marco Aurélio de Carvalho.
advogado que coordena a defesa tributária de Fábio Luís Lula da Silva e sócio fundador do Grupo Prerrogativas e da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD). 

De acordo com o jurista, "fica evidente que existe em relação ao advogado do ex-presidente uma tentativa de perseguição, de desviar o seu foco do trabalho que desenvolve".

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

O Judiciário brasileiro resistiria a um julgamento público?

Com uma proposta de Reforma Administrativa que promete livrar o Judiciário, férias de 60 dias liberadas para serem vendidas e diversas faltas disciplinares que aparecem a olhos vistos, não é difícil achar explicações para o desgaste na imagem da Justiça brasileira

No Brasil, é impossível acompanhar os últimos fatos da semana sem se deparar com o Judiciário no centro da pauta. O último debate nos dá conta de uma espécie de Cavalo de Tróia travestida de uma Reforma Administrativa que, adivinhem, exclui militares, parlamentares e magistrados. Há poucos dias, o assunto da vez era a autorização por parte do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, para a possibilidade da venda das incríveis férias de 60 dias da qual a magistratura (Ministério Públicos e afins) tem direito.

No Brasil, é impossível acompanhar os últimos fatos da semana sem se deparar com o Judiciário no centro da pauta. O último debate nos dá conta de uma espécie de Cavalo de Tróia travestida de uma Reforma Administrativa que, adivinhem, exclui militares, parlamentares e magistrados. Há poucos dias, o assunto da vez era a autorização por parte do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, para a possibilidade da venda das incríveis férias de 60 dias da qual a magistratura (Ministério Públicos e afins) tem direito.

Voltando um pouco no tempo, nos deparávamos com o debate público em torno da carteirada do desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) Eduardo Siqueira. Isso para focar apenas nas questões restritas à atuação funcional, excluindo o caso da “rachadinha” do clã Bolsonaro, que aportou no Superior Tribunal de Justiça (STJ), e outras da seara política.

Mas o fato é que, do questionamento sobre decisões judiciais à conduta de magistrados no, digamos, trato republicano da vida comum, talvez o que o Judiciário não tenha ainda percebido é que, sim, ele está sendo julgado. Como agravante, isso ocorre em um momento em que o debate público “tradicional” se vê interditado pelo fim da mediação. Ou seja, vai ser difícil conter aquela notinha indesejada, que antes estava visível apenas no jornal do dia seguinte.

De forma direta, não é possível ao Judiciário ter tanto protagonismo político e não se ater às consequências disso, mas essas consequências são, em boa parte, imponderáveis quando não há controle da própria conduta e se está diante de um agendamento que vai rompendo a mediação tradicional da imprensa.
 
Não em praça pública

Nesse imenso nariz de cera de tantos episódios que poderiam ser utilizados para ilustrar o argumento, fiquemos com o corriqueiro caso da carteirada do desembargador Eduardo Siqueira, dada em um agente municipal de Santos, para evitar uma multa por estar caminhando na orla sem máscara. No dia 25 de agosto, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu, por unanimidade, abrir procedimento administrativo disciplinar para apurar a conduta do desembargador. Afastado das funções até o fim desse processo, Siqueira se viu exposto nas redes e na imprensa.

De forma “curiosa”, foi justamente o caso em questão, com toda a repercussão envolvida, que implicou uma, a única que se sabe, sanção objetiva ao desembargador cujo histórico disciplinar apresentava 40 autos processuais, que chegaram a ser instaurados há mais de 15 anos e foram arquivados.

Nesse caso, chamo a atenção para duas declarações. A primeira presente no voto do corregedor do CNJ, Humberto Martins: “É necessário o afastamento cautelar para que se investigue o exercício das funções administrativas e jurisdicionais do desembargador porque, durante seu período no Tribunal, ele pode influenciar outras condutas agressoras e que possam violentar a cidadania e possam ferir a imagem da digna e honrosa magistratura do Brasil”. Vale a pausa para reler a última oração.

Agora, em um corte, recordo um trecho da nota divulgada pelo próprio TJSP quando a carteirada veio à tona e foi duramente criticada: “As discussões voltadas às correções das decisões devem ocorrer nos autos, não em praça pública”. O texto é uma tentativa desconjuntada de rebater um tal ‘autor da matéria’. Sem nomear o interlocutor, faz clara referência ao professor Conrado Hubner, da Universidade de São Paulo (USP), também colunista da Folha de S.Paulo, que não poupou o desembargador e o TJSP das devidas críticas. O caso foi documentado à farta, a magistratura foi questionada (como ser diferente?) e o encaminhamento do CNJ dá provas disso.

Juntando as pontas sobre o “cuidado” do CNJ com a imagem do Judiciário e o temor do TJSP de que as condutas dos magistrados sejam discutidas publicamente, desenha-se o dilema: o Judiciário brasileiro resistiria a um julgamento público? A pergunta é retórica por dois aspectos. Primeiro, porque, sim, esse julgamento já acontece e vem sendo montado há anos, como naquelas histórias de Tribunal do Júri repletas de momentos de tensão e adiamentos. Segundo, porque é muito irônico que a própria magistratura use as armas que quer evitar. Em outras palavras, diga publicamente que não é, vejam vocês, publicamente, que as coisas se resolvem. Vou dispensar considerações mais sofisticadas sobre essa última questão. É um sofisma insolúvel e uma estratégia pífia. Nesse luto, cabe ao Judiciário passar adiante na fase da aceitação.

Contudo, ao contrário de um veredicto final, imagem é algo que se constrói e se molda dinamicamente. Não é estanque e, no acumulado do distópico Brasil atual, às questões da política se somam as questões intestinas Mas, por ora, vou me ater às últimas, porque elas são um elemento importante do que, mais adiante, pode aparecer como fratura estruturalmente exposta.
 
Bangue-bangue!

Há muito questões como auxílio-moradia, férias de 60 dias e diversos outros penduricalhos da magistratura vêm e voltam no debate público. Por exemplo, no apagar das luzes da gestão Toffoli, foi aprovada uma “gratificação por acervo”, mecanismo que na prática recompensa quem tem mais processos para julgar (por que mesmo alguém se esforçaria para ter menos?).

Contudo, essas questões são constantemente camufladas pela nova fase da Operação Lava Jato, pela mais recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e seja lá por qual for o episódio onde a prestação jurisdicional tire de foco seu custo. Nesse sentido, vale lembrar os dados relevados no relatório “Justiça em Números”: nas informações referentes a 2019, o custo de um juiz é de R$ 50,9 mil por mês; no ano anterior, a média era de R$ 46,8 mil.

Claro que se deve ponderar aspectos relativos às garantias funcionais, às demandas e à eficiência do Judiciário. Porém, a pergunta sobre o alto valor do investimento cresce na mesma proporção em que a crise econômica afeta o país, a magistratura se insula como elite descolada da realidade e sua imagem explode num julgamento público a cada dia mais amplo e segmentado (repito: o que acontece no grupo do tio do zap tem diversos matizes distintos, vai dos leões patriotas contra as hienas do Supremo a frases como “o Supremo é o povo”).

É aí que as pautas políticas se cruzam com as funcionais, e isso é um tópico específico de discussão, que aqui pode ser resumido na seguinte pergunta: por que pagar tão caro por um poder que não cumpre seu papel? Se restringirmos o ponto às questões funcionais, vamos lembrar as pautas que rondaram a Reforma do Judiciário, há 16 anos. Lá se discutia a “caixa-preta” da magistratura, seu poder de correição, elementos como nepotismo etc. Um pacote de temas que, em primeiro plano, estava muito mais ligado à atuação funcional do que a questões de interferência política em outros poderes. Contudo, foi exatamente o agendamento sobre a necessidade de se “prestar contas à sociedade” que fez a Reforma ganhar fôlego no debate público.

Hoje parece que o bolsonarismo engolfou essas questões institucionais “miúdas”. O grande tema presente na mesa de debates é a democracia brasileira – na verdade, seu risco de sobrevivência. Ocorre que, com um Judiciário insulado, de bolsos cheios e arroubos prepotentes, a Justiça será vista muito mais como parte do problema do que como uma solução. Mesmo que as benesses levem a bom grado de imediato, tal qual ocorre com o orçamento do Exército, um pouco de senso de autopreservação a médio e longo prazos mostraria o contrário.

Certa vez, em sala de aula, em um curso para a magistratura, escutei a seguinte frase: “A sociedade não quer entender a gente”. Guardo-a comigo com um petardo e recorro a ela sempre que preciso de uma explicação freudiana para o deslocamento da magistratura da realidade. Novamente, é o caso de reiterar a pergunta: o Judiciário brasileiro resistiria a um julgamento público? Com ironia, podemos dizer que, decerto, a culpa é do outro. Inconsciente: decifra-me ou devoro-te.

Aí se fecha o ciclo, porque, se na ponta, o bolsonarismo encapsulou as pautas institucionais da magistratura, por outro lado, ele as deixou aparente nesse mundo da falta de mediação. Se estivéssemos na década de 1990 e 2000, seria fato inconteste que pensar na imagem institucional futura da instituição era luxo para “amanhã”, com o orçamento de hoje já garantido. Mas, atualmente, essa disputa pela imagem em muitos aspectos se perdeu no fantástico mundo de Alice. Notas de repúdio, clamores para que julgamentos sejam restritos aos autos e toda uma série de estratégias old school nem resolvem o cerne do problema e nem chegam àquele que defende a Lava Toga.

Repito alguns elementos da conjuntura: privilégios da magistratura, crise econômica e insulamento institucional. Mesmo ciente da capacidade das instituições de se preservarem, diante da distopia, não seria um exercício de imaginação muito improvável que, tal qual em filmes como Pulp Fiction, o cenário montado para um tiroteio previsível abrisse espaço para o inesperado. Acho que, de fato, em algum momento talvez seja possível a magistratura dizer com propriedade que, sim, “a sociedade não quer entendê-la”. Bangue-bangue!

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Wassef usa gravações de conversas com Bolsonaro para chantagear Planalto, diz revista

Pessoas próximas ao ex-advogado da família do presidente teriam confirmado o acervo da áudios

Segundo a revista, pessoas próximas ao advogado confirmam a existência das gravações. Não se sabe, no entanto, qual o conteúdo das conversas. Uma fonte do veículo afirmou que a simples a desconfiança da existência dos áudios faz com que ele tenha prioridade em Brasília.

O advogado Frederick Wassef, que trabalhava para a família do presidente e foi quem escondeu Flávio Queiroz em sua chácara em Atibaia (SP), estaria utilizando gravações de conversas com Jair Bolsonaro para ter suas vontades atendidas no Palácio do Planalto. A informação é da revista Crusoé, em nota publicada nesta sexta-feira (4).

Segundo a revista, pessoas próximas ao advogado confirmam a existência das gravações. Não se sabe, no entanto, qual o conteúdo das conversas. Uma fonte do veículo afirmou que a simples a desconfiança da existência dos áudios faz com que ele tenha prioridade em Brasília.

A revista também informou que a esposa de Wassef, Maria Cristina Boner Leo, teria contas na Suíça e firmas registradas em paraísos fiscais. A informação teria sido repassada por promotores do país às autoridades brasileiras durante as investigações do esquema de mensalão do DEM. Um processo por improbidade contra Cristina foi aberto em 2011 após um ex-secretário de governo do Distrito Federal delatar propina em troca de um contrato de R$ 9,8 milhões.

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado para o Ministério Público Federal (MPF) no Rio e para a Polícia Federal em 15 de julho identificou que Wassef repatriou 2 milhões de dólares de uma conta nos EUA para suas contas pessoas no Brasil no ano de 2016. Os créditos pertencem principalmente a Bruna Boner Leo Silva.

Bruna é filha e sócia da ex-esposa de Wassef nas empresas Globalweb Outsourcing e Dinamo Network, que têm diversos contratos com o governo federal.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Empresários ligados ao MBL são presos em investigação de lavagem de dinheiro em SP, diz MP; movimento nega relação com detidos

Sede do MBL foi alvo de buscas. Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso foram presos em operação na manhã desta sexta (10).


Dois empresários ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL) foram presos na manhã desta sexta-feira (10) em São Paulo em uma investigação de um esquema milionário de lavagem de dinheiro, segundo o Ministério Público. O grupo nega relação com eles. A operação é realizada em parceria com a Polícia Civil e a Receita Federal.
Dois empresários ligados ao Movimento Brasil Livre (MBL) foram presos na manhã desta sexta-feira (10) em São Paulo em uma investigação de um esquema milionário de lavagem de dinheiro, segundo o Ministério Público. O grupo nega relação com eles. A operação é realizada em parceria com a Polícia Civil e a Receita Federal.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Fundador da Ricardo Eletro é solto após prestar depoimento

Advogado do empresário argumenta que "dever tributo não é crime" e diz que seu cliente vai responder ao processo em liberdade


O fundador da rede de lojas Ricardo Eletro, empresário Ricardo Nunes, teve o pedido de prisão temporária revogado pela Justiça de Minas Gerais na tarde desta quinta-feira (9). A informação foi confirmada pelo advogado Marcelo Leonardo. Ricardo foi solto após prestar depoimento em Contagem, na Grande Belo Horizonte.
O fundador da rede de lojas Ricardo Eletro, empresário Ricardo Nunes, teve o pedido de prisão temporária revogado pela Justiça de Minas Gerais na tarde desta quinta-feira (9). A informação foi confirmada pelo advogado Marcelo Leonardo. Ricardo foi solto após prestar depoimento em Contagem, na Grande Belo Horizonte.

terça-feira, 2 de junho de 2020

Anonymous começa a vazar dados de família Bolsonaro e ministros

Até o momento, foram disponibilizadas informações pessoais de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), Douglas Garcia (deputado estadual — PSL), Abraham Weintraub (ministro da Educação), Daniela Weintraub (esposa de Weintraub), Damares Alves (ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) e Luciano Hang (cofundador da Havan).
Uma célula brasileira da Anonymous publicou diversos documentos no Pastebin na noite desta segunda-feira (01) com informações de cidadãos envolvidos no Governo Bolsonaro. De acordo com o grupo, o vazamento será sistemático.

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Falcatruas no Cruzeiro podem cassar títulos, proibir registros e desfiliar clube

Relatório da Kroll indica irregularidades no Regulamento Nacional de Registros e Transferências de Atletas, que prevê severas punições no âmbito desportivo; CNRD já investiga o caso


O relatório da consultoria Kroll, entregue pelo Conselho Gestor do Cruzeiro ao Ministério Publico de Minas Gerais (MPMG) na semana passada, reúne graves infrações ao Regulamento Nacional de Registros e Transferências de Atletas de Futebol (RNRTAF), o que pode ocasionar sérias punições ao clube. Segundo apurou o Super.FC, a Câmara Nacional de Resoluções e Disputas (CNRD) já investiga as irregularidades desde meados do ano passado, na época das denúncias divulgadas pela programa
O relatório da consultoria Kroll, entregue pelo Conselho Gestor do Cruzeiro ao Ministério Publico de Minas Gerais (MPMG) na semana passada, reúne graves infrações ao Regulamento Nacional de Registros e Transferências de Atletas de Futebol (RNRTAF), o que pode ocasionar sérias punições ao clube. Segundo apurou o Super.FC, a Câmara Nacional de Resoluções e Disputas (CNRD) já investiga as irregularidades desde meados do ano passado, na época das denúncias divulgadas pela programa "Fantástico", da TV Globo.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Suspeita de superfaturamento: Fux leva notícia-crime contra Bolsonaro à PGR

O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), encaminhou à PGR (Procuradoria-Geral da República) uma notícia-crime contra Jair Bolsonaro (sem partido) assinada pelo criminalista Sidney Duran Gonçalez. Na petição, ele pede que o presidente seja investigado com base em reportagem da Agência Sportlight, do último dia 7, segundo a qual o presidente teria superfaturado verba parlamentar para combustíveis na época em que era deputado.
O ministro Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal), encaminhou à PGR (Procuradoria-Geral da República) uma notícia-crime contra Jair Bolsonaro (sem partido) assinada pelo criminalista Sidney Duran Gonçalez. Na petição, ele pede que o presidente seja investigado com base em reportagem da Agência Sportlight, do último dia 7, segundo a qual o presidente teria superfaturado verba parlamentar para combustíveis na época em que era deputado.

terça-feira, 28 de abril de 2020

Sob Bolsonaro, PF vai voltar a ser “polícia de perseguição de adversários”

Advogado que trabalhou no Ministério da Justiça durante os governos petistas explica que as acusações de Moro indicam que o presidente quer romper com construção institucional

“O presidente me disse mais de uma vez que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele [na Polícia Federal], que ele pudesse ligar, colher relatórios de inteligência. Realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação”.
“O presidente me disse mais de uma vez que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele [na Polícia Federal], que ele pudesse ligar, colher relatórios de inteligência. Realmente não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação”. 

sábado, 4 de abril de 2020

Procuradoria eleitoral aceita processo para extinguir o PT

Vice-procurador-geral eleitoral deu parecer favorável a um processo que pede o cancelamento do registro do PT com base em depoimentos da Lava JatoDe acordo com a coluna de Fausto Macedo, do Estadão, a ação tem como base depoimentos colhidos pela operação Lava Jato contra o partido que dariam conta de que a legenda recebeu recursos ilícitos de origem estrangeira, o que violaria o inciso I do art. 28 da Lei dos Partidos Políticos
O vice-procurador-geral eleitoral Renato Brill de Goés deu parecer favorável a um processo que pede o cancelamento do registro do Partido dos Trabalhadores – isto é, a extinção do PT.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

‘Luanda Leaks': mulher mais rica de África acusada de corrupção e enriquecimento ilícito

Uma investigação denominada “Luanda Leaks”, feita por um colectivo de jornalistas de vários países do mundo e liderada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), revelou como Isabel dos Santos, filha do ex-presidente de Angola José Eduardo dos Santos, acumulou uma fortuna de mais de dois mil milhões de dólares de maneira ilícita e com ajuda de firmas de consultoria norte-americanas e europeias.
Uma investigação denominada “Luanda Leaks”, feita por um colectivo de jornalistas de vários países do mundo e liderada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), revelou como Isabel dos Santos, filha do ex-presidente de Angola José Eduardo dos Santos, acumulou uma fortuna de mais de dois mil milhões de dólares de maneira ilícita e com ajuda de firmas de consultoria norte-americanas e europeias.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Demora na justiça fez prescrever ação que investigava Edir Macedo por lavagem de dinheiro


Além do bispo da Igreja Universal, ação do MPF investigava outras três pessoas; processo estava pronto para ter uma sentença desde 2018, o que não aconteceu
O líder religioso e outros três integrantes da igreja também foram denunciados, no mesmo processo, por outros dois crimes: enviar remessas de dinheiro de forma ilegal ao exterior e por formação de quadrilha — mas também essas acusações foram consideradas prescritas, nestes casos, em fevereiro do ano passado.

 

Segundo o Código Penal, o prazo de prescrição para o crime de lavagem de dinheiro é de 16 anos mas cai pela metade quando envolve réus com mais de 70 anos — caso do líder da Universal que completou 74 anos em fevereiro, o que fez a ação penal extrapolar há um mês o prazo de oito anos para eventuais punições a Macedo.
  • Acusação de evasão de divisas e associação criminosa também tiveram prescrição decretada, só que no ano passado

  • Nas alegações finais, o MPF argumentou que não havia provas suficientes da evasão como antecedente da lavagem de dinheiro e pediu as absolvições dos investigados

  • “Assim sendo, prescrição, ou absolvição pura e simples, qual a diferença para o combativo órgão ministerial?”, questionou a juíza

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Entrevista exclusiva: “Tem coisa muito mais importante que Lula Livre neste país”, diz Lula

Em entrevista exclusiva à Fórum, presidente também disse que, apesar disso, o PT não tem que participar de movimento por direitos onde tem gente que rasgou a Constituição no golpe contra Dilma para entregar o país; assista
Em entrevista exclusiva concedida ao editor da Fórum, Renato Rovai, da superintendência da Polícia Federal em Curitiba, nesta quarta-feira (18), o ex-presidente Lula avaliou que há coisas “mais importantes” do que a pauta “Lula livre” no Brasil. Ele ponderou, contudo, que que a luta por direitos não deve considerar a campanha em razão de sua liberdade como uma “afronta”.
Em entrevista exclusiva concedida ao editor da Fórum, Renato Rovai, da superintendência da Polícia Federal em Curitiba, nesta quarta-feira (18), o ex-presidente Lula avaliou que há coisas “mais importantes” do que a pauta “Lula livre” no Brasil. Ele ponderou, contudo, que que a luta por direitos não deve considerar a campanha em razão de sua liberdade como uma “afronta”.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Lava Jato prende filho do ex-ministro Edison Lobão

Márcio Lobão, filho do ex-ministro Edison Lobão, foi preso na manhã desta terça-feira (10) na 65ª fase da Lava Jato, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). A prisão é preventiva, ou seja, por tempo indeterminado e foi efetuada no Rio de Janeiro (RJ).

A nova etapa da operação investiga crimes de corrupção e lavagem de dinheiro proveniente de pagamento de vantagens indevidas relacionadas à Transpetro, que é subsidiária da Petrobras, e à Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.
Márcio Lobão, filho do ex-ministro Edison Lobão, foi preso na manhã desta terça-feira (10) na 65ª fase da Lava Jato, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). A prisão é preventiva, ou seja, por tempo indeterminado e foi efetuada no Rio de Janeiro (RJ).

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Mensagens vazadas expõem relação de Moro e Dallagnol na Lava Jato

Site publica mensagens entre Moro e Dellagnol nos bastidores da Lava Jato. MPF diz sobre ‘ataque de hackers
A obsessão por tirar o ex-presidente Lula da corrida eleitoral, as parcialidades dos responsáveis por conduzirem a maior operação da Polícia Federal da história e as interferências nos trâmites das provas colocam em xeque a confiabilidade das condenações. As mensagens datariam entre 2015 e 2017.

Em nota, a força-tarefa disse ter sido alvo de hackers e atacou o que chamou de ‘viés tendencioso’ da reportagem. Nas redes sociais, o atual ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou que “uma leitura atenta revela que não tem nada ali apesar das matérias sensacionalistas”.
Um vazamento de mensagens entre o ministro Sergio Moro e o procurador Deltan Dellagnol, feito pelo site The Intercept, provaria que o ex-juiz federal e o procurador do Ministério Público Federal colaboraram entre si quando faziam parte da força-tarefa da Operação Lava Jato.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Assessora de Flávio Bolsonaro que foi candidata repassou 59% de verba da campanha para o marido

Elisangela Machado dos Santos de Freitas, administradora do perfil República de Curitiba no Facebook, disputou uma vaga na Câmara como "Elisa Robson, a federal do Bolsonaro no DF". Derrotada, ela foi contratada pelo filho de Bolsonaro no Senado
Reportagem de Daniel Carvalho, na edição desta segunda-feira (11) da Folha de S.Paulo, revela que a jornalista Elisangela Machado dos Santos de Freitas, administradora do perfil República de Curitiba no Facebook, repassou 59% da verba pública que recebeu para fazer a campanha para o cargo de deputada federal para o próprio marido. Derrotada, a jornalista foi contratada para trabalhar no gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PSL/RJ).
Reportagem de Daniel Carvalho, na edição desta segunda-feira (11) da Folha de S.Paulo, revela que a jornalista Elisangela Machado dos Santos de Freitas, administradora do perfil República de Curitiba no Facebook, repassou 59% da verba pública que recebeu para fazer a campanha para o cargo de deputada federal para o próprio marido.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

“Sensibilizado” com políticos, Sergio Moro retira caixa 2 de projeto anticrime

Ex-juiz criticou o enfrentamento a casos de corrupção em governos anteriores e se eximiu de comentar sobre candidaturas laranjas do PSL: "Seria prematuro da minha parte fazer juízo de valor a respeito"
“Inicialmente, iríamos apresentar um único projeto. Vieram reclamações. Alguns políticos se sentiram incomodados de isso (crime de caixa dois) ser tratado junto com corrupção e crime organizado. Fomos sensíveis. Colocamos separado, mas será apresentado junto (com o pacote). O governo está atendendo reclamações que são razoáveis”, disse o superministro de Jair Bolsonaro (PSL).
Sensibilizado com o incômodo causado na classe política, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, confirmou nesta terça-feira (19) que a tipificação do crime de caixa dois foi retirado do chamado pacote anticrime apresentado por ele.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Em prática ilegal, empresas bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp, diz Folha

Reportagem da Folha de S.Paulo revela que empresas estão comprando pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp e preparam uma grande operação para a próxima semana, que antecede o segundo turno. A prática é considerada ilegal, pois caracteriza doação de campanha por empresas, proibida pela legislação eleitoral, e não declarada. Segundo a reportagem, cada contrato chega a R$ 12 milhões e entre as empresas compradoras está a Havan, cujo dono faz campanha aberta em favor de Jair Bolsonaro (PSL). Ele nega, porém, que tenha feito esse tipo de contratação. Os contratos são para disparos de centenas de milhões de mensagens.
Reportagem da Folha de S.Paulo revela que empresas estão comprando pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp e preparam uma grande operação para a próxima semana, que antecede o segundo turno.