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quinta-feira, 18 de junho de 2020

Em vídeo ao lado de Bolsonaro, ministro Abraham Weintraub, da Educação, anuncia saída do cargo

Ministro permaneceu 14 meses. Deixará MEC após sequência de crises com outras instituições. Nos últimos meses, ofendeu chineses e chamou ministros do STF de 'vagabundos'.


Nesta quarta, a comentarista do G1 e da GloboNews Cristiana Lôbo informou que o governo pretende indicar Weintraub para o Banco Mundial, em Washington, o que o ministro confirmou no vídeo. No Banco Mundial, o Brasil lidera um grupo de nove países e, como maior acionista, tem a prerrogativa de indicar o diretor da área.
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou nesta quinta-feira (18) que deixará o cargo. A informação foi dada em um vídeo publicado pelo próprio Weintraub, em que o ministro aparece ao lado do presidente Jair Bolsonaro e lê um texto de despedida. O nome do substituto não foi informado.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

As verdadeiras razões porque pessoas estão fugindo de Honduras

Vamos além do discurso da 'violência e pobreza'
De acordo com o governo da Guatemala, entre os dias 15 e 16 de janeiro de 2020, mais de 3.500 pessoas cruzaram a fronteira do país à pé, com a esperança de construir uma vida nova nos Estados Unidos ou no México. A maioria vem de Honduras.

De acordo com o governo da Guatemala, entre os dias 15 e 16 de janeiro de 2020, mais de 3.500 pessoas cruzaram a fronteira do país à pé, com a esperança de construir uma vida nova nos Estados Unidos ou no México. A maioria vem de Honduras. De acordo com reportagens da mídia internacional, como NPR, Wall Street Journal Reuters, emigrantes por toda a América Central estão fugindo da “pobreza e violência”, mas essas palavras não explicam porque as pessoas escolheram caminhar por milhares de quilômetros e enfrentar um futuro incerto na fronteira dos EUA com o México.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

PNAD Contínua: SP é o único Estado a registrar queda no desemprego

Nacionalmente, a taxa de ocupação aumentou, mas os números continuam sendo puxados pela informalidade
O Estado de São Paulo foi o único a apresentar queda no nível de desemprego, segundo dados do PNAD Contínua Trimestral divulgados nesta terça-feira 19 pelo IBGE. A taxa de desocupação caiu para 12% no terceiro trimestre de 2019, após registrar 12,8% no segundo trimestre.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A crise e a UNE

O Beltrano levou Carina Vitral, presidente da UNE, para uma conversa numa mesa de bar do Mercado Central
O próximo Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), entre os dias 14 e 18 de junho, acontecerá em Belo Horizonte.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Carnaval desmente catastrofismo da mídia

O catastrofismo da mídia e da oposição parece não ter encontrado abrigo entre turistas e foliões. No Rio de Janeiro, por exemplo, o Carnaval recebeu uma multidão bem maior que no ano anterior, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIH-RJ). Na semana anterior aos festejos de Momo, a média de ocupação na rede hoteleira da cidade já estava acima de 82%, um incremento de 35% no comparativo a igual período de 2015. Os albergues tiveram quase 96% de reservas.

De acordo com o presidente da Abih-RJ, Alfredo Lopes, cerca de 70% dos hóspedes vêm de outras cidades do Brasil, prova de que ainda há espaço no orçamento das famílias para investir em cultura e lazer – diferente do que querem fazer crer as manchetes dos jornais. 

A expectativa da Secretaria Municipal de Turismo (Riotur) era de que 1,026 milhão de turistas visitassem a cidade na semana do Carnaval, injetando cerca de R$ 3 bilhões na economia.
O catastrofismo da mídia e da oposição parece não ter encontrado abrigo entre turistas e foliões. No Rio de Janeiro, por exemplo, o Carnaval recebeu uma multidão bem maior que no ano anterior, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIH-RJ).

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Nos EUA, aluguel alto leva jovens a morarem em contêineres

  • Neste verão americano, o aluguel médio de um apartamento de um quarto em San Francisco subiu mais do que em Manhattan, impulsionado por um déficit habitacional alimentado em parte pela chegada de levas de pessoas que vêm minar o ouro da tecnologia.

E assim, como sempre acontece com essas cidades, as pessoas que não conseguem arcar com o aluguel são obrigadas a sair da cidade -- em Nova York, para o Brooklyn e cada vez mais para o Queens. Para os moradores de San Francisco, o refúgio é em Oakland, onde os preços também estão subindo. Tanto é assim que os jovens profissionais estão morando em contêineres reaproveitados, enquanto os sem-teto estão arrastando caixas para dormir sobre rodas.
    Heather Stewart entra no contêiner onde vive em Oakland; aluguel custa US$ 600
Neste verão americano, o aluguel médio de um apartamento de um quarto em San Francisco subiu mais do que em Manhattan, impulsionado por um déficit habitacional alimentado em parte pela chegada de levas de pessoas que vêm minar o ouro da tecnologia.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Partidos pró-independência ganham eleições na Catalunha

As eleições na Catalunha, convertidas num referendo “de fato” sobre a soberania da região, terminaram com os partidos pró-independência obtendo maioria absoluta em deputados, mas falhando no objetivo de reunir mais da metade dos votos populares.
Com quase 99% dos votos contabilizados, a principal plataforma pelo sim à independência, a Junts pel Si (Juntos pelo Sim, do presidente Artur Mas) conseguiu 62 deputados, a seis de conseguir sozinha a maioria absoluta. No entanto, o outro partido que defende uma declaração de independência, a CUP (Candidatura de Unidade Popular, de extrema esquerda), obteve dez deputados.

Os dois juntos poderiam aprovar uma declaração de independência no novo Parlamento catalão. No entanto, não é certo que isso ocorra, uma vez que a CUP sempre defendeu maioria popular e ambos os partidos não registaram mais do que 47,8% dos votos (os partidos contrários à esta via obtiveram 52,2% dos votos).
As eleições na Catalunha, convertidas num referendo “de fato” sobre a soberania da região, terminaram com os partidos pró-independência obtendo maioria absoluta em deputados, mas falhando no objetivo de reunir mais da metade dos votos populares.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Mais europeus estão migrando para América Latina do que o contrário, diz estudo

O documento mostra que em 2012 mais de 181 mil europeus deixaram seus países, em comparação com os 119 mil latinos que seguiram no caminho contrário. Os dados mostram uma queda de 68% neste último em relação a 2007, quando o número de migrantes da América Latina e do Caribe para a Europa bateu recorde e superou a marca de 350 mil pessoas.
Ao contrário do que diz o senso comum, atualmente mais europeus estão migrando da Europa para a América Latina e o Caribe do que no sentido inverso.

domingo, 12 de abril de 2015

5 sinais de que os EUA não estão conseguindo superar a crise estrutural capitalista

As especulações com o petróleo, as pressões econômicas sobre a Rússia e a influência geopolítica sobre o Oriente Médio: nada disso tem surtido mais efeito.
As últimas semanas trouxeram notícias surpreendentes, mesmo para aqueles acostumados a analisar os eventos geopolíticos.

domingo, 25 de janeiro de 2015

A Grécia na hora do voto de protesto

Segundo Stan Draenos, um governo liderado pelo Syriza poderá desencadear um “efeito dominó” para incluir a FN de Marine Le Pen. E outros mais...A previsão é de numerosos observadores, inclusive o greco-americano Stan Draenos, analista político e biógrafo do ex-premier socialista Andreas Papandreou (1919-1996). Medidas de austeridade impostas pela Troika (Banco Central Europeu, UE e FMI) não funcionaram durante seis anos de recessão. A Grécia sofreu uma queda de produtividade de 25%, tem um nível de desemprego de 26%. Pelo menos 30% da população está mergulhada na miséria. Alexis Tsipras, líder do Syriza, pretende permanecer na Zona do Euro. No entanto, seu programa econômico de inspiração keynesiana não poderá ser implementado “sem violar os acordos de políticas econômicas selados com os credores”, diz o analista. Draenos leva em conta uma União Europeia, onde o mercado livre é o alvo abençoado pela chanceler alemã, Angela Merkel. Nem por isso ele tem certeza de que Tsipras é a solução.
Os extremismos se assemelham. É o que ficará claro se o Syriza conseguir formar um governo. Quase certa é a vitória dessa legenda de extrema-esquerda nas legislativas antecipadas de domingo 25, salvo uma grande surpresa.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Produtividade, Deflação e Depressão...

Michael Roberts - SinPermiso
Arquivo
O crescimento global da produtividade se desacelerou pelo terceiro ano consecutivo, segundo  estatísticas do grupo privado Conference Board dos Estados Unidos. A organização estima que a produção por trabalhador tenha crescido somente 1,7% em 2013, frente a 1,8% em 2012, 2,6% em 2011 e 3,9% em 2010.
O crescimento se desacelerou somente em três anos seguidos, durante as recessões de 2001 e na grande recessão de 2008. E estes números incluem as economias emergentes da Índia e da China, que cresciam rapidamente até então.

Esta desaceleração me parece outro sinal de que a economia mundial (ou pelo menos as economias capitalistas avançadas) se deparam com uma depressão. Também demonstra que o capitalismo mundial não é capaz de um crescimento dinâmico (veja meu texto Crise ou colapso, no original, ¿Crisis o colapso?).

Examinei os dados da organização e calculei o crescimento da produtividade nas economias avançadas desde 1960. Este é o gráfico resultante.

Crescimento anual da produtividade nas economias avançadas (BIP real por trabalhador) em % 

No gráfico seguinte, é possível notar que o dinamismo das economias avançadas foi desaparecendo década após década.

Média de crescimento de produtividades em economias avançadas (%)



A globalização e a revolução da tecnologia da informação nos anos 1990 reverteram a diminuição do crescimento da produtividade naquela década mas, neste século, o crescimento da produtividade das economias avançadas foi se estancando. Somente o crescimento da produtividade nas economias emergentes permitiu um crescimento da produtividade mundial perto de 2% ao ano. E, conforme mostram os dados do grupo, não impediu a desaceleração do crescimento da produtividade nos últimos três anos.

O crescimento real do PIB pode ser considerado resultado de dois fatores: o crescimento do emprego. O primeiro mostra a mudança no novo valor agregado pelo trabalhador empregado regular, e o segundo mostra o número de empregados adicionais – ou seja, aqueles que são contratados para eventualmente cobrir os empregados regulares. O ponto de vista neoclássico majoritário é que estes componentes são independentes um dos outros e são exógenos à economia. Os avanços tecnológicos e o crescimento da população seriam variáveis independentes aos processos do modo de produção capitalista.

O ponto de vista marxista é justamente contrário: são endógenos. Na economia marxista, o crescimento do emprego não depende do crescimento da população como tal, mas sim da demanda de mão de obra do setor capitalista da economia. O investimento capitalista é a variável determinante, e o emprego é a dependente. A acumulação de capital pode ser positiva para o emprego quando o investimento cresce, mas também pode ser negativa quando as máquinas ou a tecnologia (robôs) substituem a mão de obra (veja meu textoMaçãs, robôs e plutocratas, no original Manzanas, robots y plutócratas ). O crescimento da produtividade é realmente a outra face do crescimento do investimento. A acumulação de capital tem por objetivo aumentar a rentabilidade mediante a introdução de novas técnicas que aumentem a produtividade e a mais-valia relativa. Nenhuma técnica nova é introduzida, a menos que o capitalista individual pense que, com isso, oferecerá mais valor do que se não o fizesse.

O problema no processo de produtividade capitalista é que o impulso para conseguir uma produtividade maior para ter vantagens competitivas diante de outros rivais capitalistas provoca a queda potencial da taxa de beneficio que, com o tempo, impõe o aumento da taxa de mais-valia e outros fatores que contrastam com esta tendência (veja meu textoMichael Heinrich, as leis de Marx e a teoria da crise, no original, Michael Heinrich, las leyes de Marx y la teoría de la crisis ).

Isso leva a uma crise de rentabilidade que pode ser resolvida somente mediante uma crise e a desvalorização do capital existente empregado, com a finalidade de reiniciar o processo de acumulação e de crescimento de novo.

O que taxas de crescimento da produtividade demonstram é que a capacidade do capitalismo (ou pelo menos das economias avançadas) para gerar uma produtividade maior está diminuindo. Os capitalistas reduziram a participação do novo valor-trabalho e aumentaram a participação dos benefícios para compensar.
Mas, sobretudo, fizeram cortes na taxa de acumulação do capital na “economia real”, tentando obter benefícios extras na especulação financeira e imobiliária. Este é o crescimento do stock acumulado do capital nas economias capitalistas avançadas.

Crescimento médio do stock de capital nas economias avançadas (%)

Temos, então, um crescimento anual da produtividade de menos de 2% no mundo – isto é, aproximadamente 3% nas economias emergentes e menos de 1% nas economias avançadas, que atualmente representam 52% do PIB mundial (a provisão é que caia para 48% em 2025)



Conforme o grupo escreveu: “Os mercados emergentes, e especialmente a China, supõem a maior parte do crescimento da produtividade do mundo. Mas os anos de fácil e rápida melhora parecem ter terminado. Visto que estes países continuam sendo significativamente menos produtivos em dólares do que as economias maduras, a contínua transferência da atividade econômica fora destes se soma à desaceleração global da produtividade”.

A história da produtividade se repete para o crescimento do emprego nas economias avançadas. O crescimento do emprego é muito menor que 1% ao ano no século XXI.

Economias avançadas: crescimento do emprego médio anual (%)


Se, ao crescimento da produtividade, for agregada uma taxa anual de crescimento do emprego em nível mundial de somente 1%, o resultado será de um crescimento mundial pouco maior que 3% ao ano durante a próxima década (e de 2% ao ano nas economias avançadas), a menos que esta taxa “depressiva” do crescimento e do emprego seja resultado simplesmente de uma recessão cíclica e  volte a crescer quando a economia mundial se recuperar. A evidência dos dados sugere que não é assim, e que o dinamismo do capitalismo mundial está diminuindo porque a rentabilidade continua sendo baixa segundo os padrões da época dourada da década de 1960, e para baixo dos níveis, inclusive, da década de 1990.

A economia neoclássica gosta de usar uma forma mais sofisticada para medir a produtividade, chamada produtividade total dos fatores. Mede-se, assim, não somente a produtividade da mão de obra empregada, mas também a produtividade conquistada pelas inovações. Na realidade, é somente um valor resultante da diferença entre o crescimento do PIB real e dos insumos da produtividade da mão de obra e do “capital”. Portanto, na realidade, é um quadro bastante falso. Mas usando a produtividade total dos fatores para aquilo que diz medir, o grupo estima que o índice tenha caído para algo menor do que zero na economia mundial em 2013, o que indica “estancamento na alocação eficiente e na utilização ótima dos recursos”.

Pior ainda, à medida que o crescimento da produtividade se retarda, parece que a inflação mundial também está desacelerando em várias economias chave em direção a uma deflação de preços – outro indicador clássico de depressão. O que preocupa o FMI e sua diretora-gerente, Christine Lagarde, que pediu aos bancos centrais que atuassem contra o “monstro da deflação”. Nós, os mortais comuns, pensaríamos que o congelamento ou a queda dos preços é uma boa notícia para nossa carteira na vida cotidiana mas, para os estrategistas do capital, quer dizer margens de benefício mais estreitas, crescimento do investimento mais fraco e o fim da 'recuperação'. Se as pessoas esperam que os preços caiam, contenham seus gastos e esperem que o façam. E se não há inflação, as empresas e os governos com grandes dívidas não encontram alívio na redução do valor real da dívida. De forma que precisam empregar mais impostos ou benefícios para pagar a dívida.

A desaceleração da produtividade e da deflação da dívida: esses sim são sérios indicadores desta época depressiva!
Fonte: A Carta Maior

terça-feira, 28 de maio de 2013

O capitalismo e seus afetos

Para decifrar o desencanto trazido pela crise de 2008 e o esgotamento dos modelos políticos e sociais, é preciso levar em conta os novos desafios da crítica
Uma importante discussão no interior da filosofia social diz respeito ao modelo de crítica que a contemporaneidade exige. A partir de qual perspectiva deve estruturar-se uma crítica que queira dar conta dos impasses de nossas formas de vida sob o auspício do capitalismo avançado? Em nosso momento histórico, em que procuramos aproveitar o desencanto trazido pela crise econômica de 2008 a fim de mostrar como tal crise é, também, um esgotamento de modelos políticos e sociais, vale a pena ter em vista os novos desafios da crítica. Para tanto, gostaria de lembrar aqui de dois modelos que trazem, entre si, relações importantes, embora se trate de tipos diferentes de crítica.
O primeiro é conhecido pelo nome de “crítica da economia política” e foi, durante muito tempo, a base para pensarmos as figuras da crítica da ideologia e da falsa consciência no capitalismo. Para tal modelo, o capitalismo seria inseparável de um regime de sofrimento social conhecido por “reificação” e que indicaria a coisificação irrefreável das relações intersubjetivas e de si mesmo.
Lembremos aqui da famosa injunção de Marx sobre como as relações entre sujeitos se transforma, no capitalismo, em relação entre coisas. Pois a maneira com que as relações intersubjetivas mediadas pelo trabalho desaparecem nas coisas trabalhadas daria a base para o pior de todos os sofrimentos sociais: o sofrimento de ser tratado e de tratar-se como coisa. Ou seja, como algo, neste contexto, quantificável, mensurável e calculável. Alguns sociólogos, como Josef Gabel, sugeriram que tal modalidade de sofrimento poderia descrever, no seu extremo, uma patologia psíquica ligada a comportamentos psicóticos.
Tal crítica partia da possibilidade de quebrar tal tendência afirmando que a consciência deveria ser capaz de compreender as relações econômicas que definem as dinâmicas da vida social. Haveria uma totalidade acessível à reflexão que se desvelaria a partir do momento em que apreendemos como o movimento de circulação do Capital e de generalização da forma-mercadoria define a racionalidade de todo processo social. Criticar é desvelar a totalidade que a consciência é incapaz de ver, mas que determina sua conduta sem que ela saiba.
No entanto, há um segundo modelo de crítica que poderíamos chamar de “crítica da economia libidinal”. Ele procura partir da ideia de que o capitalismo não é apenas um sistema de trocas econômicas, mas um modo de produção e administração dos afetos. Não se deseja da mesma forma dentro e fora do capitalismo. Há uma maneira de desejar própria do capitalismo, de sua velocidade, seu ritmo, seu espaço.
Assim, se quisermos compreender de onde vem a força de adesão do capitalismo, devemos nos perguntar sobre como ele mobiliza afetos, como ele nos descostuma de certos modos de afecção e como privilegia outros. Não nos perguntaremos apenas sobre como somos alienados de nosso próprio trabalho, mas também como somos alienados de nossos próprios desejos.
Mas quem pode falar sobre um desejo não alienado? Longe de partir de uma pergunta como esta, partiremos de algo menos normativo. Nós simplesmente analisaremos as figuras do sofrimento contemporâneo (como a depressão, o narcisismo, a personalidade borderline, a perversão, o fetichismo, a anomia) e procuraremos nelas não apenas a história individual dos sujeitos que sofrem, mas a história de uma sociedade inconsciente de si mesma.
Nesse caso, o sofrimento psíquico será a porta de entrada para um modelo alternativo de crítica social. Ele não procurará fundar a crítica na possibilidade redentora de uma consciência capaz de apreender a totalidade da vida social e agir a partir de tal perspectiva privilegiada. Na verdade, ele se voltará para os afetos produzidos pelo capitalismo, para a maneira com que ele faz circular o medo, como ele traz uma excitação que ao mesmo tempo é interditada, um prazer que é estragado no momento mesmo de sua enunciação, vinculando afetos sociais e sofrimento psíquico. Nesta dimensão afetiva, talvez encontremos uma crítica que saberá que a primeira condição para a transformação social é modificar a maneira com que desejamos.

Fonte texto: A Carta Capital

terça-feira, 23 de abril de 2013

Falta formulação estratégica à Fazenda


Há uma perna manca na condução da política econômica: a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
Na Fazenda há duas secretarias: a Executiva, incumbida da parte operacional e das estratégias de curto prazo; e a de Política Econômica, de desenvolver cenários, e trabalhar temas de longo prazo.
No período Antônio Palocci, a Secretaria contou com Marcos Lisboa trabalhando as chamadas reformas estruturais. Saíram de lá os estudos que permitiram destravar o crédito imobiliário, por exemplo. Antes e depois dele, a Secretaria produziu anteprojetos de reforma fiscal ou ajudou a consolidar políticas industriais, dependendo do perfil de cada Secretário.
No período Guido Mantega, na crise de 2008 brotaram de lá as principais estratégias que evitaram que a economia afundasse com a crise global.
***
Não se trata, portanto, de algo trivial. Cabe à Secretaria explicar as políticas, identificar pontos vulneráveis a serem trabalhados, decupar a lógica e a consistência das medidas tomadas. Em suma: fornecer o discurso.
Essa função ganha especial relevância em um quadro em que a principal crítica dirigida ao governo é o de não pensar prospectivamente e ter dificuldades em mostrar o todo e demonstrar a consistência temporal das medidas tomadas.
**
Tome-se o caso da isenção da folha de pagamentos das empresas.
A questão central são as dúvidas que suscita: como ficará o financiamento da Previdência no longo prazo; quem bancará os subsídios implícitos na desoneração, já que a contribuição dos trabalhadores – nos setores desonerados – não será suficiente para compensar os benefícios futuros.
Na grande discussão pública, esta é a questão relevante.
No entanto, confira-se o artigo da Secretaria sobre as medidas, publicado na Folha:
1. A desoneração é um dos pilares da reforma tributária que o governo vem executando.
Que reforma é essa? O distinto público não tem a menor ideia.
2. Trata-se de medida definitiva que aumentará a competitividade da economia brasileira e ajudará a reduzir o peso dos impostos na economia.
Depois de anos alardeando o desequilíbrio estrutural da Previdência Social, alguma outra forma de financiamento precisará compensar a desoneração. Mas a Secretaria não informa qual.
3. Em 2014 a desoneração representará R$ 90 bilhões, “possível por causa dos espaços fiscais criados graças a uma política fiscal responsável e pelo controle de despesas de custeio da máquina pública”.
Não bate. Está se falando de políticas fiscais pontuais, referentes ao ano em curso. Por mais responsáveis que sejam, não se trata de nada estrutural.
A única informação sobre o equilíbrio fiscal é falsa. Diz que a desoneração não pode ser opcional, por conta das incertezas sobre o impacto fiscal. Todos os setores beneficiados são intensivos em mão-de-obra. Na soma total das empresas, haverá muito mais benefícios futuros (graças à formalização do emprego) e muito menos contribuições, independente do grau de adesão.
A questão central é: quem vai bancar os subsídios previdenciários? A Secretaria não responde.
Vídeo sobre a matéria:
Fonte texto: Luis Nassif On Line

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Número de desempregados na Espanha já beira os 5 milhões


Apesar de o índice de desemprego registrado em dezembro na Espanha tenha recuado em 59.094 pessoas em comparação a novembro, o total de pessoas economicamente ativas sem trabalho no país ao final de 2012 ficou em 4,84 milhões de pessoas, 9,64% a mais do que 2011.

De acordo com publicação do Ministério do Emprego e Previdência Social espanhol, este foi o mês de dezembro com a maior queda de desemprego já registrada no país, e fez com que o total de pessoas que perderam o emprego ao longo de 2012 recuasse, ficando em pouco mais de 426 mil.

Entre os meses de novembro e dezembro do ano passado, o desemprego caiu sobretudo nos setores de serviços (1,62%) e na agricultura (1,62%). Na construção e na indústria o desemprego aumentou 0,58% e 0,52% respectivamente. 

O número de desempregados entre jovens com menos de 25 e estrangeiros, bastante afetados até então, diminuiu: foram reinseridos no mercado de trabalho 4.366 pessoas em dezembro e 13.853 ao longo de 2012. Hoje, essas categorias, somadas, têm 612.050 pessoas sem emprego.


Vídeo sobre a matéria:
Fonte Texto: Portal Vermelho.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Filhos e bastardos


A ideia bonita e gratificante de que, no Brasil, praia é lugar democrático por excelência, onde classes e raças se misturam harmoniosamente, sofreu dias atrás um contundente revés. Aconteceu em Ipanema, a orla mais badalada e rica do País, celebrada por ­poetas, músicos e turistas, o que torna o incidente, ainda que pequeno, bastante significativo.
Tudo começou por culpa do altinho, um jogo de praia muito apreciado pelos jovens. O jogo consiste em passar a bola, com o pé ou a cabeça, aos companheiros(as) em roda, sem deixá-la cair na areia. Em suma: embaixadinha de grupo. Acontece que, respondendo a numerosas queixas dos banhistas, a prefeitura proibiu, faz anos, o altinho e o frescobol das 8 até as 17 horas na beira d’água, onde essas práticas exuberantes de uma minoria comprometiam, de fato, o conforto e a segurança da maioria praieira.
O desafio repetido à proibição por parte de um grupo, numa terça-feira de sol, foi seguido de pesados xingamentos à Guarda Municipal, e da ação/reação desmedida desta, transformando o “mítico” Posto 9 em uma espécie de campo de batalha entre gangues rivais. Depois do ataque verbal de um banhista arrogante, os guardas partiram para a violência física “engravatando” o rebelde. Como faísca na gasolina, tal ação desencadeou a reação descontrolada de centenas de banhistas que, com furor digno de outras batalhas, reagiram e enfrentaram as forças públicas com o lançamento de cocos, cadeiras e guarda-sóis, obrigando-as à retirada. Os insultos repetidos de alguns banhistas contra os guardas, agora na calçada, resultaram em um ataque com cassetetes, particularmente raivoso, contra um jovem jogado na areia. Seguiram-se novos insultos de banhistas, dedo em riste, enfrentando os guardas por intermináveis minutos, até que a tensão, finalmente, baixou.
Não é o caso de entrar em mais detalhes desta crônica sobre a qual os interessados podem encontrar documentação abundante na internet e no YouTube. Acredito que vale a pena refletir sobre o que aconteceu em Ipanema, porque, ao contrário das interpretações folclóricas difundidas pela mídia, o episódio, aparentemente farsesco, na realidade esconde sérios dramas e contradições sociais.
A mentalidade de quem identifica a proibição do altinho como “falta de liberdade”, “autoritarismo” ou “repressão do esporte por parte dos guardas” representa, no mínimo, uma la­cuna grave de educação cívica. Deveria ser ensinado nas escolas que a convivência civil supõe que a liberdade individual não seja ilimitada, mas esteja circunscrita aos limites traçados pelos direitos dos outros. Do mesmo modo, os guardas, chamados pelo Estado, ou seja, por nós, a zelar por respeito às leis, não podem ser definidos com tanta superficialidade como repressores pelo simples fato de tentar impor a legalidade. Considerando que a polícia carioca está entre as mais mal pagas do Brasil, resulta quase patético o apelo de certos sábios por um melhor treinamento e profissionalismo. Mais construtivo seria, talvez, ao lado disso, reivindicar maiores financiamentos para a Segurança.
O fato de que uma força pública, de extração social humilde, presida a praia de Ipanema, como nenhum outro lugar do País, para garantir segurança aos banhistas sete dias por semana, confesso que suscita em mim uma instintiva simpatia por ela, a parte mais fraca. É evidente que qualquer forma de violência desnecessária pela força pública é inaceitável, mas me atrevo a dizer que esses homens mereceriam outro tratamento dos cidadãos beneficiados. Não só: acho que seria honesto refletir sobre o diferente deslocamento das forças públicas nos bairros da cidade. Não será difícil, assim, chegar à conclusão de que vivemos em uma situação em que os cidadãos não recebem, todos, a mesma proteção.
Ao mesmo tempo, não posso esquecer que a polícia do Rio não é só aquela que mais morre, mas é também aquela que mais mata no Brasil: é filha de uma cultura de violência e prepotência, na qual foi historicamente treinada, em uma sociedade que continua sendo, pelo visto, profundamente autoritária e desigual.
De volta aos acontecimentos da praia carioca, é certo que, antes da pancadaria, a tensão começou com a frase “sou filho de juiz”, por parte de um jovem ­jogador, e explodiu depois com outros iluminantes epítetos, como: “Ipanema é nossa, ­bando de fodidos”. Essas frases estão gravadas e, além de atestar a confusão mental daqueles que as pronunciaram, são incontestável expressão de uma mentalidade mais ampla, que se expressou plasticamente na fúria anarcoide dos banhistas combatentes. É a cultura da diferença – de classe e de raça – que separa o nós e os outros, os privilegiados e os discriminados. Não somente nas praias, mas nas consciên­cias. É dramaticamente essa condição, como se o pai Brasil tivesse filhos e bastardos.
Fonte texto: A Carta Capital

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Euro: uma conversa entre a morte e a agonia


O presidente do Banco Central Europeu declarou nesta 5ª feira que fará o que for preciso para salvar a Espanha e a Itália da moratória iminente - e o fará de modo suficiente. Ato contínuo os juros tombaram; as bolsas dos dois países subiram. Eureka! Mas, então, por que não o fez antes, há menos de uma semana, por exemplo, quando o mesmo Mário Draghi, cobrado a agir, declarou que o BCE não estava a serviço de países? A resposta começa por aí.

O banco central de UE não foi concebido para servir à sociedade européia, mas aos mercados financeiros que definiram sua supremacia nos alicerces de uma união batizada nas águas neoliberais do tratado de Maastricht. O colapso da ordem neoliberal descarregou sobre esse tabuleiro o peso das contradições letais: aquelas que se confrontam com os seus próprios termos e reduzem as opções a uma conversa entre a morte e a agonia. 

Isso explica a diversidade de sentenças peremptórias emitidas pelo normalmente pacato Draghi em tão curto espaço de tempo. Ele e todo aparato definido em Maastricht estão sendo cobrados a servir a uma demanda para a qual não foram concebidos. Enquanto a engrenagem das finanças desreguladas reinava inconteste , o crédito abundante emprestava ares de harmonia entre as instituições e a sociedade. O dinheiro jorrava dos ricos para a periferia. Bolhas se multiplicavam para satisfação de ambos os lado. O fastígio do laissez faire financeiro levaria capitais europeus a bancarem também festa equivalente do outro lado Atlântico, nos EUA, convalidando o novo way of life de consumo sem poupança, com desindustrialização à tiracolo. 

Era funcional. O afluxo de recursos externos servia para financiar o rombo das importações chinesas, que revertiam em compra de títulos do Tesouro gringo pelos próprios chineses, mas também por europeus e até latino-americanos. Americanos animados trocaram o emprego pela corretagem da própria casa, incorporando-se a uma corrente que, como se sabe, rompeu-se em 2007 e fundiria em 2008. 

Quando o lubrificante da roldana global foi chamado a retornar ao bolso dos seus donos, basicamente bancos e fundos, o cheiro de queimado impregnou o ar. O aparato ao qual o BCE pertence foi convocado então a cumprir seu dever: servir aos mercados. A julgar pelo pêndulo em que se transformou a língua de Mário Draghi cumprir o dever não é tão simples assim. Reconduzir trilhões em créditos de volta aos bolsos de origem implica obter juros em dia. 

Quando o investimento feito propicia o lucro imaginado - não é o caso dos 700 mil imóveis encalhados no mercado espanhol -ou a venda do próprio trabalho equilibra as contas, tudo bem. De um modo geral, não é este o cenário na UE. A renda européia medida pelo PIB encontra-se em retração e tão cedo não se recupera; 30% da economia regional quebrou;o desemprego atinge mais de 18 milhões de pessoas e fulmina 25% da sociedade no caso espanhol. 

A tentativa de transferir esse gigantesco mico das mãos privadas (salvar bancos locais, basicamente) para os Tesouros nacionais, associada a uma contenção de gastos para honrar os juros, revelou-se um desastre de proporções ferroviárias. De um lado, a recessão aborta a receita fiscal; de outro, a despesa financeira explode pressionada por juros crescentes cobrados por quem se dispõe a financiar Estados à beira da moratória.

Até dezembro, a Itália encara uma rolagem total de dívidas da ordem de 400 bi de euros, mais um déficit de 100 bi, que vai se acrescentar à divida velha. 
Outros 400 bi de euros terão que socorrer a equação fiscal da Espanha no mesmo período. O peso do juro nesse conjunto é asfixiante. Até a crise de 2007, a Espanha pagava cerca de 17 bi de euros por ano aos rentistas; em 2012 pagará quase 35 bi de euros. Sua dívida cresceu 102% desde então; a conta dos juros saltou 104% . O contraste com a Alemanha, onde as percentagens são, respectivamente, de 33,5% e apenas 2,3%, é influenciado pela fuga de capitais. 

Mais de 500 bilhões de euros saíram da economia espanhola e italiana no ano passado em busca de segurança e qualidade nos cofres soberanos alemães, americanos e suíços. A correnteza permite que os ricos se financiem a juros negativos, repassados a banqueiros, que esfolam Madrid e Roma impondo-lhes taxas acima até de 7,5%, como foi o caso dos últimos dias. 

Para afrouxar esse torniquete de muitas voltas Draghi terá que adquirir toda a dívida soberana que não encontrar comprador no mercado - cerca de um trilhão de euros apenas nos casos de Espanha e Itália. A resistência da cúpula do euro a esse aspirador converge para uma palavra: inflação. Apesar da recessão apontar em sentido contrário, os detentores da riqueza temem que uma inundação de dinheiro na praça desvalorize seus direitos de saque sobre os endividados, fazendo na prática aquilo que a política já deveria ter feito: uma desvalorização brutal de ativos. A ver.
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Fonte texto: Portal Carta Maior

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Brasil já é terceiro credor dos EUA


Até agora, ninguém deu a notícia. Com 372 bilhões de dólares em reservas internacionais, o Brasil acaba de se converter, aplicando mais da metade delas em “treasuries”, no terceiro maior credor individual externo dos Estados Unidos, como pode ser visto na própria página oficial do tesouro norte-americano. O acúmulo de reservas internacionais, cujo custo de carregamento tem caído em linha com a redução da taxa Selic, serve para valorizar o dólar com relação ao real, favorecendo nossas exportações, e é, sobretudo, uma arma geopolítica, que mantêm em situação positiva a imagem do Brasil frente às agências internacionais de classificação de risco e em uma posição de força em organismos como o G-20, o Banco Mundial e o FMI.


Conheço empresários brasileiros de linha mais desenvolvimentista, no entanto, que pensam que a política de acúmulo de dólares poderia ser complementada com a emissão de moeda, no mercado interno, destinada a investimentos diretos do governo na área de infraestrutura, por exemplo. Tal medida, com uma pequena expansão administrável da inflação, derrubaria o valor do real frente ao dólar, favorecendo as exportações, injetaria dinheiro em todos os níveis da economia produtiva, e criaria milhões de empregos.



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Fonte texto: Blog do Miro.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Rússia e China: gestos de alto teor


Há gestos que concentram em si uma perspectiva de mudança epocal. Gandhi o fizera com o “punhado de sal”: desatou o movimento independentista na Índia.
No Conselho de Segurança da ONU, a Rússia vetou novas medidas contra a Síria. Mas, em seguida, a China levantou a mão, somando-se ao veto. Nem era mais necessário. Mas o gesto é clamoroso!
EUA e OTAN pretendem a guerra civil na Síria para enfraquecê-la (e, junto, a Rússia) e preparar o terreno para isolar e agredir o Irã. A nova doutrina militar de Obama não deixa dúvida qual o alvo para eles, no presente e futuro: a China.
China e Rússia estão em reaproximação e aliança. Isso constitui um dos grandes fatos da atualidade de um mundo em transição acelerada.
Sem dúvida, com a evolução da crise capitalista, o mundo não é e não será mais o mesmo. A receita neoliberal faliu, criou a crise e, com sua ideologia e política econômica, só tem “mais do mesmo” a oferecer.
O velho morreu; o novo não nasceu. Os próximos vinte anos serão bem, bem interessantes mesmo.
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Fonte Texto: Blog do Sorrentino