sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Pró-Esia - Fábrica... DESTROYER | POISON SEASON

O mesmo andamento é preparado para “Bangkok”: as notas ardilosas, aqui, vêm do piano de Ted Bois, criando um espaço etéreo que tem paralelo no complexo Field Of Reeds(2013), do These New Puritans. A solução final, neste caso, é entregue à bela dissonância de uma guitarra folk e um trompete tão confortável quanto uma lareira ardendo em chamas no mais frio dos aposentos.

Com mais foco nas técnicas vocais e na construção sonora, Daniel Bejar mostra que o indie está muito longe de definir o Destroyer

Gravadora: Merge/Dead Oceans
Data de Lançamento: 28 de agosto de 2015
Da seção rítmica soft do elogiado Kaputt (2011) e das aventuranças pela música ibérica no antecessor EP Five Spanish Songs (2013), Daniel Bejar condensou um mar de possibilidades musicais bem mais diverso em Poison Season, 10º trabalho de sua discografia.
Podem tirar de vez o rótulo injustamente pregado ao Destroyer de indie.
Liricamente mais paisagístico, Bejar soube transparecer suas influências da música europeia, da percussão caribenha e do cool-jazz em temas em que sua voz soa melhor como extensão musical de si próprio que mensageiro de temas melancólicos.
O que não quer dizer que a melancolia saiu de vez. Em “Hell”, ela é pincelada por violoncelos em busca da ária inatingível – enquanto isso, o vocalista se imagina na passagem para o sobrenatural a partir do material insólito. Se há esperança, ela é representada por uma direção musical efusiva e intensa, como a que encerra a canção.
Por mais equivocado que possa parecer classificarPoison Season como um disco de baladas, são elas que edificam a qualidade doDestroyer
O mesmo andamento é preparado para “Bangkok”: as notas ardilosas, aqui, vêm do piano de Ted Bois, criando um espaço etéreo que tem paralelo no complexo Field Of Reeds(2013), do These New Puritans. A solução final, neste caso, é entregue à bela dissonância de uma guitarra folk e um trompete tão confortável quanto uma lareira ardendo em chamas no mais frio dos aposentos.
Para provar que a predeterminação estética não interessa ao compositor, “Girl in a Sling”, que bem poderia ser trecho de uma ópera de Lindsey Stirling, é absolutamente gélida. Desprovida de dinâmica, exala saudade e deixa que a voz mantenha-se como único contraponto da atmosfera cristalina.
Por mais equivocado que possa parecer classificar Poison Season como um disco de baladas, são elas que edificam a qualidade do Destroyer. Aí que se encontra a brecha para entender o motivo de Bejar nortear um caminho mais avant-garde em sua obra. A explosão que condensa rock, jazz, folk e funk em “Dream Lover” é notório exemplo, mas os traços de uma canção coordenada e retilínea não abandonam o tom excessivamente sereno de Bejar – isso é um acerto, já que a identidade prevalece ao interesse de incorporar elementos à obra.
Por falar em elementos, seria lógico, se não improvável, perceber que “Forces From Above” se universaliza ao permitir que as percussões de Josh Wellssurjam como a veia pulsante de uma das poucas faixas fervilhantes já gravadas pelo Destroyer – algo levado ao extremo em “Midnight Meets The Rain”. “É como o terrível estado de encontrar o mundo em chamas como background“,disse Bejar, à Pitchfork, sobre a canção. “[Isso acontece] enquanto uma peça de drama romântico adquire o primeiro plano e torna-se ainda mais insignificante, por conta das circunstâncias que a rondam”.
Notas monossilábicas de piano são uma espécie de zona de conforto a Bejar, mas, se são elas que dão início a temas como “The River” ou “Sun in The Sky”, não demora para que o vocalista sugira fugas musicais para distinguir as canções, sejam os estouros imprevisíveis da primeira ou os acordes soltos de violão na segunda.
E, claro, como esquecer “Times Square”? A faixa abre, conclui e aparece no meio do disco, em três versões distintas que não deixam de ser reflexo de procura por maior versatilidade estética que versatilidade na escrita das composições. Tratando-se de um talento que faz honra à escola de David Sylvian (com um toque Bowie), Poison Season é só acréscimos na obra do Destroyer.
fonte: Na Mira do Groove

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