sábado, 5 de setembro de 2015

Carlos Barros: força alquímica ente voz e inteligência

O cantor Carlos Barros é um emblemático exemplo do que se pode fazer, musicalmente, quando se tem uma bela voz e disposição intelectual sobrando. Ele se desenha, na atualidade baiana, como um dos melhores intérpretes disso que chamamos com imprecisão e galhardia de música popular brasileira. Esta que assinala Dorival Caymmi, Emílio Santiago, Luiz Melodia, Gilberto Gil, Cartola, Djavan, Jamelão, Ataulfo Alves, Caetano Veloso, Roberto Ribeiro, Jorge Ben. E Maria Bethânia. Gal Costa. Nana Caymmi. Elis Regina. Aracy de Almeida. Carmen Miranda. Alaíde Costa. Jussara Silveira. Claudia Cunha. Fabiana Cozza. E Virginia Rodrigues.
O cantor Carlos Barros é um emblemático exemplo do que se pode fazer, musicalmente, quando se tem uma bela voz e disposição intelectual sobrando.
Ele se desenha, na atualidade baiana, como um dos melhores intérpretes disso que chamamos com imprecisão e galhardia de música popular brasileira. Esta que assinala Dorival Caymmi, Emílio Santiago, Luiz Melodia, Gilberto Gil, Cartola, Djavan, Jamelão, Ataulfo Alves, Caetano Veloso, Roberto Ribeiro, Jorge Ben. E Maria Bethânia. Gal Costa. Nana Caymmi. Elis Regina. Aracy de Almeida. Carmen Miranda. Alaíde Costa. Jussara Silveira. Claudia Cunha. Fabiana Cozza. E Virginia Rodrigues.
Sua narrativa transmuta-se entre masculino e feminino, sem desgastes imagéticos e confusões, ali desnecessárias, de gênero. Mas ele afirma: “meu canto é feminino”. Sente a própria voz repousar em interferências de emissão apreendidas de sua musa maior Gal Costa e da consolidada cantora Maria Rita. Entre invenções de si e espelhamentos estéticos na imbatível Maria Bethânia, o artista, de 38 anos, tem muito a dizer à Bahia. Daí, depois “de aqui”, ele tem fôlego para dizer ao mundo.
Seu CD de estreia, Cantiga vem do céu, lançado em 2009, é um mimo sonoro que deveria ser mais conhecido, para o bem de nossa audição e possíveis diversões. O cantor é marcado por angústias geradas pelo desejo de expressão. Parece estar em constante combate com as organizações cênicas e mercadológicas da música baiana. Possui uma reverência comovente aos astros e estrelas que o convidaram, em sonhos e audições, a seguir uma carreira de cantor, deixando num certo prejuízo a brilhante carreira de intelectual acadêmico que ele poderia ratificar para si e para a tal sociedade.
Lançou, no formato digital, em 2014, o CD Antes da próxima estação. Trabalho que o qualifica como um atuante projetista, cônscio do que quer dizer, do que se força a dizer com a afinada voz que possui. Mas, às vezes titubeia, entre ser o que é e às cobranças que lhe fazem entre forma e conteúdo, para que seja respeitado entre seus pares e os tais críticos.
Em Carlos Barros se apresentam muito fortemente a sua inteligência e a sua dramaticidade cênica que destaca seu lado como intérprete. Sua presença em cena imprime certos exageros que nos afastam do desenho doce da voz. Ele canta com qualidade. E por medo de ir mais fundo, do seu jeito, perde a verdade. Sem desqualificar o seu talento.
Da verve artística que possui, nasce ideias inteiras como esta de fazer um show abrindo o mês de setembro em Salvador, e chamá-lo de Alquimia. Ele, o cantor das misturas tropicalistas, meio Caetano Veloso meio Daniela Mercury, tem habilidade em experiências musicais ao modo das experiências alquímicas que transformam rochas comuns em pedras preciosas alcançadas na forma do som que advém da sua garganta.
O artista fará o show Alquimia, dia 04 de setembro, às 21 horas, na Praça Pedro Archanjo, no Pelourinho, com ingresso no valor de 10 reais (preço único). Acompanhado dos músicos Tarcísio Filho (violão e guitarra), Marcus Santos (bateria), Ricardo Carvalho (percussão) e Nelmário Marques (baixo). Contando com a participação especial da fiel escudeira, a impressionante cantora Vércia.
O repertório é pura alquimia. E para saber mesmo, só de perto. Misturando-se às possibilidades musicais que a voz de um grande cantor pode proporcionar.

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