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terça-feira, 29 de setembro de 2020

‘Sou negro, adotei um menino branco e fui acusado de sequestro

Johnny*, de sete anos, estava agitado. Ele havia acordado de mau humor e isso só aumentava com o passar do dia. Agora, em um restaurante em Charlotte, no Estado americano da Carolina do Norte, Peter podia ver Johnny discutindo com outra criança na área de recreação.

Histórias de acolhimento e adoção inter-racial são quase sempre contadas por pais brancos que se dedicam a cuidar de crianças não-brancas.

Mas o que acontece quando pais não-brancos resolvem adotar crianças brancas?

Um cotidiano de suspeita e interrogatório, dizem eles.

Peter, que nasceu na Uganda, já viveu isso na pele. Ele é pai adotivo de crianças brancas nos EUA.

‘Há um homem negro sequestrando uma criança branca’

Johnny*, de sete anos, estava agitado. Ele havia acordado de mau humor e isso só aumentava com o passar do dia. Agora, em um restaurante em Charlotte, no Estado americano da Carolina do Norte, Peter podia ver Johnny discutindo com outra criança na área de recreação.

Ele teve que agir rápido para tirar seu filho adotivo do restaurante. Pegando o menino nos braços, Peter pagou rapidamente a conta.

Enquanto carregava Johnny para o carro, a criança se contorcia em seus braços e não parou até Peter a colocar no chão para abrir a porta do carro.

Uma mulher se aproximou deles e confrontou Peter.

“Onde está a mãe desse menino?”, perguntou ela.

“Eu sou o pai dele”, respondeu Peter.

A mulher deu um passo para trás e parou na frente do carro de Peter. Ela olhou para a placa dele e pegou o telefone.

“Olá, polícia, por favor”, disse ela calmamente ao telefone. “Ei, é um homem negro. Acho que ele está sequestrando um garotinho branco.”

Johnny parou de fazer birra de repente e olhou para Peter. Peter colocou o braço em volta do filho adotivo.

“Está tudo bem”, disse ele ao menino.


Infância pobre

No site de viagens Lonely Planet, Kabale é descrita como “o tipo de lugar por onde a maioria das pessoas passa o mais rápido possível”.

Em Uganda, perto da fronteira com Ruanda e a República Democrática do Congo, serve como via de transporte para vários parques nacionais famosos nas proximidades.

Para Peter, sua cidade natal ainda guarda memórias dolorosas.

Ele teve uma educação precária. Quando criança, oito membros de sua família dormiam no chão duro de uma cabana de dois quartos.

“Não havia muito o que esperar. Se tivéssemos uma refeição, seria batata e sopa”, diz ele, “e se tivéssemos sorte, comeríamos feijão.”

A violência e o alcoolismo eram uma realidade diária na vida de Peter. Ele corria para a casa de suas tias, que moravam a metros de distância, para escapar.

“Por um lado, tinha o apoio das minhas tias e aprendi que, às vezes, é necessário um vilarejo inteiro para criar um filho”, diz ele. “Mas foi caótico.”

Aos dez anos, Peter decidiu que preferia ficar sem teto do que continuar morando com sua família. Juntou o máximo de moedas que pôde e correu para o ponto de ônibus local.

“Qual deles vai mais longe?”, perguntou ele a uma mulher que estava ali. Ela apontou para um ônibus e, embora Peter não conseguisse ler a placa, embarcou nele. Seu destino estava a 400 km de distância: a capital de Uganda, Kampala.

Quando Peter desembarcou depois de quase um dia de viagem, ele se dirigiu às barracas do mercado que margeiam as ruas e perguntou aos vendedores se ele poderia trabalhar – qualquer trabalho – por comida.

Nos anos seguintes, Peter viveu nas ruas. Fez amizade com outros meninos sem-teto e eles dividiam seus ganhos e refeições. Peter diz que aprendeu uma habilidade inestimável para toda sua vida: ser capaz de reconhecer a bondade nas outras pessoas.

Ali, ele também conheceu um homem gentil: Jacques Masiko. Ele visitava o mercado semanalmente e sempre comprava uma refeição quente para Peter antes de partir.

Depois de cerca de um ano, Masiko perguntou a Peter se ele gostaria de estudar. Peter disse que sim, então Masiko conseguiu uma vaga para ele em uma escola local.

Ao vê-lo progredir nos estudos, Masiko e sua família ofereceram a Peter que fosse morar com eles.

Em Jacques Masiko, Peter encontrou um homem que o tratava como um membro da família. Peter retribuiu, destacando-se na escola e, finalmente, conseguindo uma bolsa de estudos para uma universidade dos Estados Unidos.

Algumas décadas depois, Peter estava com quarenta e poucos anos e felizmente já bem estabelecido nos Estados Unidos. Ele trabalhava para uma ONG que levava doadores a Uganda para ajudar comunidades carentes. Foi em uma dessas viagens que ele viu uma família branca trazer sua filha adotiva com eles.

Peter percebeu que crianças dos EUA precisavam de um novo lar tanto quanto as crianças em Uganda. Em seu retorno à Carolina do Norte, Peter foi a uma agência de adoção local e disse que gostaria de fazer trabalho voluntário para eles.

“Você já pensou em se tornar um pai adotivo?”, perguntou a funcionária do orfanato, enquanto anotava seus dados.

“Sou solteiro”, respondeu Peter.

“E daí?”, rebateu a mulher: “Há muitos meninos buscando um modelo a seguir, pessoas que desejam ser uma figura paterna em suas vidas”.

Havia apenas um outro homem solteiro que se inscreveu para ser pai adotivo no Estado da Carolina do Norte na época.

Quando preencheu seus formulários, Peter presumiu que seria automaticamente associado a crianças afro-americanas. Mas ele ficou chocado ao saber que a primeira criança que ficou sob seus cuidados foi um menino branco de cinco anos.

“Foi quando percebi que todas as crianças precisavam de um lar, e a cor não deveria ser um fator para mim”, diz Peter.

“Tinha dois quartos extras e deveria abrigar quem precisasse.”

“Assim como o sr. Masiko me deu uma chance, eu queria fazer isso por outras crianças.”

‘Posso te chamar de pai?’

Ao longo de três anos, Peter foi guardião de nove crianças por vários meses, usando sua casa como uma espécie de porto seguro antes que elas fossem devolvidas às suas famílias biológicas. Eram negras, hispânicas e brancas.

“Uma coisa para a qual eu não estava preparado era dizer adeus”, diz ele, “Você nunca está preparado”, acrescenta.

Peter cuidava de crianças em intervalos de tempo diferentes para que isso não afetasse sua saúde emocional.

Então, quando recebeu uma ligação na noite de uma sexta-feira da agência de adoção sobre um menino de 11 anos chamado Anthony, que precisava de um lugar urgente para ficar, Peter recusou a oferta.

“A última criança partira havia três dias, então eu disse, ‘Não, preciso de pelo menos dois meses’. Mas eles me disseram que este era um caso excepcional, um caso trágico, e eles só precisavam hospedá-lo no fim de semana até que encontrassem uma solução.”

Relutantemente, Peter concordou e Anthony – um garoto alto, pálido e atlético de cabelos encaracolados castanhos – foi deixado em sua casa às 3 da manhã. Na manhã seguinte, Anthony e Peter sentaram-se para o café da manhã.

“Você pode me chamar de Peter”, disse ele ao menino.

“Posso te chamar de pai?”, respondeu Anthony.

Peter ficou chocado. Os dois só se conheciam havia 20 minutos. Embora ele ainda não conhecesse a história de Anthony, Peter se sentiu instantaneamente conectado a ele. Os dois passaram o fim de semana cozinhando e conversando.

Foram ao shopping para que Peter pudesse comprar algumas roupas para ele. Também falaram sobre quais comidas e filmes mais gostavam.

“Estávamos os dois tentando ver como nos adequaríamos um ao outro.”

Na segunda-feira, quando a assistente social veio, Peter soube da história do menino.

Anthony foi colocado à adoção aos dois anos de idade e adotado por uma família quando tinha quatro.

Mas agora, sete anos depois, os pais adotivos de Anthony o abandonaram do lado de fora de um hospital. Assim que foram localizados, disseram à polícia que não podiam mais cuidar dele.

“Não pude acreditar”, diz Peter, “Eles nunca se despediram, nunca deram um motivo e nunca voltaram. Isso me matou. Como as pessoas podem fazer isso?”

“A vida de Anthony me levou de volta à minha infância”.

“Esse garoto era como eu aos 10 anos nas ruas de Kampala, sem ter para onde ir. Então, me virei para a assistente social e disse: ‘Quer saber? Só preciso da papelada para ele ir à escola e vamos ficar bem.'”

Peter olhou para Anthony e percebeu que o menino talvez tivesse uma visão que ele não teve.

“Ele me chamou de ‘pai’ imediatamente. Esse garoto sabia que eu seria seu pai.”


Abraçando a cultura africana

“Acho que nós dois percebemos imediatamente que ele ficaria comigo permanentemente”, diz Peter. Dentro de um ano, Peter adotou formalmente Anthony.

O vínculo entre Peter e Anthony passou a crescer. Anthony queria ouvir tudo sobre a vida de seu pai em Uganda, porque agora, diz Peter, isso também fazia parte de sua história. Anthony ajudava Peter a preparar pratos de Uganda como o katogo, um café da manhã com mandioca picada misturada com feijão.

Na escola, Anthony gostava de apresentar Peter aos amigos.

“Este é meu pai”, ele dizia, gostando dos olhares às vezes confusos que vinham de seus colegas.

Chamando a polícia

Mas nem tudo foi um mar de rosas. Em um feriado, a segurança do aeroporto parou Anthony para perguntar onde seus pais estavam.

“Este é meu pai,” Anthony apontou para Peter. Enquanto o segurança fazia a verificação de antecedentes criminais de Peter, Anthony ficava cada vez mais frustrado com o que considerava um ato de racismo aberto, mas Peter o acalmou.

“Sou seu pai e amo você”, disse Peter a Anthony, que agora tinha 13 anos, “mas as pessoas que se parecem comigo nem sempre são bem tratadas. Seu trabalho é não ficar com raiva das pessoas que tratam assim, seu trabalho é garantir que você trate as pessoas que se parecem comigo com honra”.

Na primavera deste ano, a agência de adoção ligou para Peter para ver se ele poderia cuidar temporariamente de um menino de sete anos chamado Johnny *, cuja família estava com problemas financeiros devido à pandemia de coronavírus. Johnny se adaptou tão bem quanto Anthony e, vendo como seu irmão adotivo se dirigia a Peter, ele também passou a chamá-lo de pai.

Johnny, com seu cabelo loiro liso e estrutura pequena e pálida, atraía ainda mais olhares das pessoas quando estava com Peter.

Motivo pelo qual Peter não ficou surpreso quando a mulher que os viu saindo do restaurante chamou a polícia. Os policiais levaram apenas alguns minutos para verificar se Peter era o guardião de Johnny, mas o fato deixou o menino abalado. Foi uma discussão que Peter já tivera com seu filho mais velho.

Após o assassinato de George Floyd, um homem negro de 40 anos imobilizado e sufocado por um policial branco, em maio, Peter conversou com Anthony sobre o movimento Black Lives Matter. Foi uma conversa emotiva em que Peter pediu ao menino que se certificasse de que estava com seu celular pronto caso a polícia os parasse.

“Como um homem negro, tenho 10 segundos para explicar quem sou à polícia antes que tudo termine em tragédia”, diz Peter.

“Eu sempre digo a Anthony: ‘Se a polícia me parar, por favor, pegue o telefone e grave imediatamente.’ Porque eu sei que ele é minha única testemunha, sabe? E eu tenho 10 segundos para salvar minha vida. ”

“Acho que ele entendeu. Ele sabe que, porque estamos nos Estados Unidos e eu pareço diferente dele, vou ser tratado de maneira diferente”.

“Esse tipo de tensão e suspeita não é algo que um pai branco enfrenta quando adota uma criança negra.”

Adoção inter-racial

Os procedimentos de adoção variam de país para país e não há estatísticas oficiais sobre adoção inter-racial global – embora, segundo a plataforma online de adoção Rainbow Kids, 73% das crianças não-brancas adotadas por meio de adoção internacional são acolhidas por famílias caucasianas.

De acordo com Nicholas Zill, psicólogo e pesquisador sênior do Instituto para Estudos da Família, as famílias brancas nos Estados Unidos têm muito mais probabilidade do que as famílias negras de adotar pessoas de outras raças.

“Os últimos dados que temos são de 2016. Naquele ano, apenas 1% das famílias negras adotaram crianças brancas e 92% adotaram crianças negras. As famílias brancas adotaram 5% crianças negras e 11% crianças multirraciais”, diz ele à BBC, “Mesmo hoje, ainda é muito raro ver famílias negras adotando crianças brancas, muito mais do que o contrário, e isso pode ter a ver com preconceitos culturais que ainda existem dentro do sistema de adoção dos EUA.”

No ano passado, no entanto, um casal britânico, Sandeep e Reena Mander, ganhou cerca de £120 mil (cerca de R$ 840 mil) de indenização depois que um juiz decidiu que eles foram discriminados por não terem permissão para adotar uma criança de origem não asiática.

O casal disse que foi informado pelo serviço de adoção local para pesquisar a adoção de uma criança da Índia ou do Paquistão, e processou o Estado por discriminação, em um caso apoiado pela Comissão de Igualdade e Direitos Humanos.

“A lei no Reino Unido é muito clara: a raça não deve ser um fator decisivo na adoção de crianças”, diz Nick Hodson, sócio do escritório de advocacia de família McAlister no Reino Unido, que cuida de casos relacionados a direito das crianças há mais de 20 anos.

Ele acrescenta que, embora não possa comentar sobre casos individuais, a lei britânica atual, após sua última revisão, impede que a raça seja considerada um fator principal no processo de adoção. Agora, acrescenta, o que mais importa são as necessidades individuais da criança.

Fonte: Geledes

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Pró-Esia - Fábrica de Versos... Cantora Sara Tavares

Sara Alexandra Lima Tavares (Lisboa, 1 de Fevereiro de 1978) é uma cantora e compositora portuguesa com ascendência cabo-verdiana. A música que ela interpreta é definida como world music.
Sara ganhou a final da 1ª edição (1993/1994) do concurso Chuva de Estrelas da SIC onde interpretou um tema de Whitney Houston.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

História - As personalidades da história africana que o mundo deveria conhecer melhor: Richard Ratsimandrava

Este artigo faz parte de uma série sobre personalidades da história africana desconhecidas do grande público e que, de acordo com a equipe editorial da Global Voices, devem ser mais bem compreendidas. Esta série pretende tornar essas personalidades e o contexto em que atuaram mais conhecidos do grande publico, bem como fazer uma crítica sobre como foram apresentadas ao resto do mundo.
Este artigo faz parte de uma série sobre personalidades da história africana desconhecidas do grande público e que, de acordo com a equipe editorial da Global Voices, devem ser mais bem compreendidas. Esta série pretende tornar essas personalidades e o contexto em que atuaram mais conhecidos do grande publico, bem como fazer uma crítica sobre como foram apresentadas ao resto do mundo.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Da Nigéria a Zanzibar, a África desempenhou nos bastidores um papel crucial no pouso lunar dos EUA

Estações de satélite africanas foram conexões vitais com o espaço
A Guerra Fria entre a União Soviética e os Estados Unidos se desenrolou de forma dramática durante a grande corrida espacial. Para que fosse possível pousar com sucesso na Lua, os EUA tiveram de testar naves espaciais tripuladas e não tripuladas. Em outubro de 1958, a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA) lançou o Projeto Mercury, com duração de cinco anos e um orçamento de US$ 400 milhões, com o objetivo de testar a viabilidade de viagens espaciais com humanos.
No dia 20 de julho de 1969, a Apollo 11 fez história quando pousou na lua. Porém, até hoje, poucos sabem sobre as estações da NASA em Kano, no norte da Nigéria, e Tunguu, em Zanzibar, que formaram parte da infraestrutura básica que posteriormente possibilitou a missão Apollo 11.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Por que o ciclone de Moçambique não despertou a comoção da imprensa internacional?

A passagem do ciclone Idai deixou rastro de destruição jamais visto no Hemisfério Sul. Moçambique, Malawi e Zimbábue foram os países africanos atingidos pela fúria da natureza. Pera, natureza?

Pessoas estão ilhadas, sem comida, roupas, teto. Apenas em Moçambique, pelo menos 700 cidadãos morreram em um cenário onde autoridades locais sequer fazem ideia da quantidade de desaparecidos. Filipe Nyusi, presidente moçambicano, teme que o número de óbitos passe de mil.
A passagem do ciclone Idai deixou rastro de destruição jamais visto no Hemisfério Sul. Moçambique, Malawi e Zimbábue foram os países africanos atingidos pela fúria da natureza. Pera, natureza?

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Riquezas naturais cercadas pelo terror: o que explica os ataques no norte de Moçambique?

Quando a empresa australiana Triton Minerals anunciou, no fim de 2014, que havia encontrado o maior depósito de grafite conhecido do mundo no norte de Moçambique, a notícia chegou como uma bênção para o país que atualmente luta para reestruturar sua dívida externa.
As 115,9 milhões de toneladas de grafite somam-se ao impressionante tesouro mineral da província de Cabo Delgado: 40% das reservas conhecidas de rubi do mundo, descobertas em 2009; gás e petróleo que, segundo projeções do governo, farão do país o terceiro maior exportador de gás natural do mundo depois do Qatar e da Austrália a partir de 2022.
Quando a empresa australiana Triton Minerals anunciou, no fim de 2014, que havia encontrado o maior depósito de grafite conhecido do mundo no norte de Moçambique, a notícia chegou como uma bênção para o país que atualmente luta para reestruturar sua dívida externa.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Winnie Mandela, militante sul-africana contra o apartheid, morre aos 81 anos

Anúncio foi dado por porta-voz da família nesta segunda-feira (02/04); ícone da defesa por igualdade racial foi casada com Nelson Mandela de 1958 a 1992


Winnie Madikizela-Mandela, ativista antiapartheid e ex-esposa de Nelson Mandela, morreu nesta segunda-feira (02/04) aos 81 anos. Winnie “sucumbiu pacificamente nas primeiras horas da tarde desta segunda, cercada por sua família e por entes queridos”, informou o porta-voz da família Victor Dlamini, em um comunicado.
Winnie Madikizela-Mandela, ativista antiapartheid e ex-esposa de Nelson Mandela, morreu nesta segunda-feira (02/04) aos 81 anos.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Filho do presidente angolano gasta 500 mil euros em leilão, expondo riqueza extrema da família Dos Santos

Um vídeo que tem circulado nas redes sociais parece mostrar um dos filhos mais novos do Presidente angolano arrematar, num leilão na França, um relógio por 500 mil euros.

Eduane Danilo dos Santos, 25, é um dos nove filhos de José Eduardo dos Santos, que completará 38 anos na presidência de Angola em Setembro.
Um vídeo que tem circulado nas redes sociais parece mostrar um dos filhos mais novos do Presidente angolano arrematar, num leilão na França, um relógio por 500 mil euros.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

“Há mais militares do que população em Cabinda”, diz ativista angolano Marcos Mavungo

“Não há água, não há luz. Há fome”, foi assim que o ativista cívico José Marcos Mavungo foi descrevendo em Lisboa (14.01) a dura realidade que se vive em Cabinda, o enclave que pretende ser independente desde os tempos do colonialismo português (FLEC) e onde atualmente existem “mais militares do que população”. Segundo Mavungo, “Cabinda é um território escandalosamente rico” e por essa razão “o regime angolano depositou o seu poder militar na região”.

José Marcos Mavungo é um defensor dos direitos humanos de Cabinda que foi preso pelo regime angolano sob a acusação de “incitação à rebelião e violência”. O ativista cívico foi condenado a cumprir uma pena de 6 anos de prisão mas acabou absolvido, por falta de provas. Cumpriu um ano na cadeia.
“Não há água, não há luz. Há fome”, foi assim que o ativista cívico José Marcos Mavungo foi descrevendo em Lisboa (14.01) a dura realidade que se vive em Cabinda, o enclave que pretende ser independente desde os tempos do colonialismo português (FLEC) e onde atualmente existem “mais militares do que população”.

domingo, 13 de novembro de 2016

Sobre brancos, “mestiços” e afroconvenientes

Semana retrasada noticiaram que, a fim de evitar abusos, as comissões avaliadoras podem eliminar do sistema de cotas candidatos que não aparentem ser negros – pretos ou pardos (afrodescendentes). Porém, a notícia de que a avaliação dos requerentes às ações afirmativas será realizada por fenotipo e não por ascendência genética gerou controvérsias. Muitos consideraram a inciativa discriminatória e até mesmo racista conta os afrodescendentes mais claros, enquanto outros festejaram a implementação dessa medida elaborada com o intento de garantir o acesso de pessoas negras em espaços que historicamente as marginalizavam. De ambos os lados a mesma dúvida: o que significa ser negro no Brasil?
Depois de estabelecido que os portugueses não são tão “puros” quanto Hitler aprovaria, é importante reconhecermos a impossibilidade de adotar os mesmos critérios do norte da Europa para estabelecer branquitude em terra brasilis. Afinal, os traços físicos que associamos às pessoas brancas da Península Ibérica não são os mesmos quando imaginamos um sueco, um francês, um alemão ou um irlandês. Isso porque somos expostos a um vasto espectro de pessoas brancas — loiras, morenas, ruivas, de cabelo liso, cacheado, com nariz de adunco, nariz arrebitado, com sardas, de olhos pretos, azuis e até violeta —, o que nos permite diferenciar brancos do Mediterrâneo de brancos dos Alpes, por exemplo. Agora quando pensamos em africanos e asiáticos… A tendência (racista) é achar que são todos muito parecidos. Embora se saiba que existem diversas etnias entre os dois grupos.


DOS BRANCOS
Antes de tentar definir a negritude tupiniquim é necessário termos em mente que ser branco no Brasil sempre significou algo bem diferente do que é conceituado na África do Sul, nos Estados Unidos e na Europa. A branquitude dos portugueses não se apresenta da mesma forma que nos holandeses e britânicos.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

São Tomé e Príncipe vai ter segunda volta nas eleições presidenciais

A corrida para a presidência santomense contou com um total de cinco candidatos. O professor de biologia, Manuel do Rosário e o economista Hélder Barros, com 0.7% e 0.3% dos votos provisórios respetivamente, foram os candidatos independentes.

A segunda volta poderá revalidar o frente a frente entre Manuel Pinto da Costa e Evaristo de Carvalho, tal como aconteceu nas presidenciais de 2011. Contudo, não se sabe ainda os resultados finais que, segundo a própria CEN, compete à Assembleia de Apuramento Geral do Tribunal Constitucional divulgar.
A Comissão de Eleições Nacional (CEN) Santomense deixou em aberto, numa nota oficial enviada à imprensa, a segunda chamada às urnas dos eleitores a fim de elegerem o novo Presidente da República. A data para a segunda volta não está ainda definida.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Jamaica inicia processo para tornar reggae patrimônio cultural intangível da Unesco

‘Temos que proteger a história distintiva do reggae como um patrimônio intangível e devemos fazê-lo antes que alguém o faça’, diz ministra da Cultura
O Ministério de Cultura da Jamaica iniciou o processo para inscrever o reggae na lista de patrimônio cultural intangível da Unesco, onde pode figurar como um bem jamaicano, informou nesta terça-feira (09/02) o governo da ilha caribenha em sua conta no Twitter.
A diretora da Divisão de Indústrias Culturais e Criativas do Ministério, Janice Lindsay, explicou que a ideia é designar um comitê que preparará a proposta com o objetivo de apresentá-la em março de 2017.
O Ministério de Cultura da Jamaica iniciou o processo para inscrever o reggae na lista de patrimônio cultural intangível da Unesco, onde pode figurar como um bem jamaicano, informou nesta terça-feira (09/02) o governo da ilha caribenha em sua conta no Twitter.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Pró-Esia - Fábrica de Versos... Do século 18 à arte contemporânea, mostra traz produção de artistas negros

Apenas 51 anos após sua fundação, a Pinacoteca do Estado de São Paulo recebeu a primeira obra de um artista negro. O Autorretrato de Arthur Timótheo da Costa foi doado à instituição em 1956 e agora integra a mostra Territórios: Artistas Afrodescendentes no Acervo da Pinacoteca. A exposição faz parte das celebrações dos 110 anos do museu, e pode ser vista na Estação Pinacoteca, próxima a Estação Júlio Prestes, região central da capital paulista.
Segundo o curador Tadeu Chiarelli, a incorporação de trabalhos feitos por afrodescendentes ao acervo da Pinacoteca foi lenta.

domingo, 13 de setembro de 2015

Julgamento “carta aberta ao Presidente” é um teste à Liberdade de Expressão em Moçambique

Chamado a explicar as razões que o levaram a escrever a carta/post, Castel Branco emociona-se (chora) ao contar a sua história com Guebuza nas antigas Forças Populares de Libertação Moçambique (FPLM), onde entrou com apenas 17 anos. Castel Branco escrevia os discursos de Armando Guebuza que na altura era Comissário (…)
Como previsto, o último dia de Agosto esteve reservado ao julgamento do académico e economista, Nuno Castel-Branco e do jornalista Fernando Mbanze pela “carta aberta” que o professor escreveu ao ex-Presidente da República, Armando Guebuza, e que o jornalista republicou no jornal onde trabalhava.

sábado, 1 de agosto de 2015

terça-feira, 28 de julho de 2015

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Caçadores ilegais, milícias e petroleira ameaçam Virunga, mais antigo parque nacional africano

Localizado entre Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo, parque nacional contém cerca de 40% das espécies do continente africano; abundância de recursos naturais coloca parque e funcionários em risco devido a exploração ilegal 
No dia 15 de abril de 2014, De Merode sofreu uma emboscada na estrada entre a capital regional, Goma, e a sede do parque, próxima a Rumangabo. Ele foi baleado no peito e no abdômen. De Merode teve muita sorte em sobreviver. Durante o genocídio ruandês, em abril de 1994, e após o subsequente aumento do número de milícias operantes na região leste da República Democrática do Congo, 140 guardas florestais do parque de Virunga foram mortos em confrontos entre caçadores ilegais e milicianos, atividades que frequentemente se confundem na região. A sede do parque foi bombardeada e atacada.
Este é um dos mais belos lugares do planeta. E também um dos mais trágicos. É o lugar onde se encontram as fronteiras de Ruanda, Uganda e da República Democrática do Congo.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Após um ano de epidemia de ebola, ONG critica ‘fracasso global’ em conter surto

Médicos Sem Fronteiras ressalta lentidão e ineficácia da ajuda internacional na hora de responder a situações de emergência causadas pelo vírus
No dia 23 de março de 2014, a OMS (Organização Mundial de Saúde) confirmou a existência da epidemia de ebola na África Ocidental.