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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Pró-Esia - Fábrica de Versos... Nordestes mil – as múltiplas narrativas de Juliana Linhares

Foi no teatro que Juliana Linhares se encontrou primeiramente com a arte.
A entrevistada da seção #ArtistaFOdA desta semana nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, e atualmente mora no Rio de Janeiro. Ela conta que acabou entrando num grupo de teatro escolar após uma sugestão feita pela sua mãe, que pensou nessa possibilidade para poder ajudá-la com alguns exercícios de interpretação de texto. “Eu entrei no teatro e mal sabiam eles que o teatro ia tomar a minha vida como tomou. Nem eu imaginava que eu ia me encontrar tanto lá.”
A entrevistada da seção #ArtistaFOdA desta semana nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, e atualmente mora no Rio de Janeiro. Ela conta que acabou entrando num grupo de teatro escolar após uma sugestão feita pela sua mãe, que pensou nessa possibilidade para poder ajudá-la com alguns exercícios de interpretação de texto. “Eu entrei no teatro e mal sabiam eles que o teatro ia tomar a minha vida como tomou. Nem eu imaginava que eu ia me encontrar tanto lá.”

A partir daí, ela começou a se apresentar em alguns lugares e, com 17 anos, percebeu que também tinha uma habilidade para cantar. Mas ela ainda não se entendia como cantora.

“Eu sempre falo isso. Quando você é cantor ou cantora, você tem mais noção do que a sua voz representa ou do que ela pode representar, ou pelo menos deveria ter. Porque na hora que você se coloca como cantor, a pessoa está muito ali para te ouvir. Eu sinto que eu sou cantora desde o momento em que eu entendi que podia assumir esse lugar, que eu sabia o que estava dizendo, que eu sabia o que estava fazendo.”

Dona de uma voz potente, Juliana já se apresentou por muitos palcos pelo país, seja com a banda Pietá, que surgiu em meados de 2011, quando ela estudava direção teatral na UNIRIO, ou até mesmo com espetáculos musicais, dos quais ela fez parte do elenco. A artista também integra o projeto Iara Ira ao lado de Duda Brack e Julia Vargas. Partindo da imagem de Iara, tradicional figura do folclore brasileiro, o projeto surgiu com a ideia de unir, pela primeira vez, três das destacadas vozes femininas da jovem geração da MPB, para então rever esta lenda, tirando a sereia do imaginário de um canto letárgico e nostálgico. As canções de Iara Ira estão disponíveis nas plataformas digitais e podem ser acessadas aqui.

Sobre o surgimento da banda Pietá, que também é composta por Frederico Demarca e Rafael Lorga, ela comenta: “Foi um momento de descoberta de uma autoralidade, de diferentes formas. Tanto dentro da banda, com um processo de música autoral, que era uma coisa muito nova pra mim como, ao mesmo tempo, pude também descobrir a autoralidade da minha própria voz, nesse estudo do canto.”

De lá pra cá, 2020 foi um ano que abriu também novas possibilidades na sua carreira, a partir do lançamento do seu primeiro trabalho solo. “A minha identidade como cantora se tornou muito misturada com a identidade do Pietá. E foi muito difícil pra mim entender quem eu era. É muito doido quando você é cantora de uma banda e lança um trabalho solo”.

Em dezembro do ano passado, ela lançou o EP “Perdendo o Juízo” como uma primeira experiência no campo das composições. “Eu vim amadurecendo uma coisa no meu coração, entendendo que eu precisava compor, que eu estava com a necessidade de me colocar dessa forma no mundo. De entender que eu posso, que eu sou capaz sim, e que eu não preciso me comparar às composições do Pietá. Então, no meio do processo do disco que eu estou preparando para este ano, eu fui convidada para participar de um lançamento de uma aceleradora de mulheres do Rio Grande do Norte, de Natal, chamada Pólen Aceleradora, e elas resolveram fazer um desafio que era desenvolver em 02, 03 meses um EP de 03 canções, com 03 vídeos de apresentação, produzido por mulheres.”

Juliana convidou a cantora Josyara, que é sua amiga, para poder assinar a produção musical deste trabalho. “Foi uma estreia nossa e foi muito importante para a nossa relação.” O EP conta também com outras parcerias, como é o caso do single que dá nome ao trabalho – uma composição desenvolvida em conjunto com Julia Branco, que também participa dos vocais da música.

Assista ao vídeo oficial de “Perdendo o Juízo”:

Mas é em 2021 que Juliana acredita que acontecerá de fato a sua estreia numa carreira solo. Ela lançará ainda no primeiro semestre o disco “Nordeste Ficção”. Para o desenvolvimento deste trabalho, ela compartilha que foi buscando entender sobre o que poderia falar e sobre o que seria interessante da sua voz falar nesse momento.

“Dentro de tudo isso, eu escolhi um tema que é o Nordeste Ficção, que é a invenção do Nordeste. E eu queria trazer para o disco, trazer para esta pauta do trabalho, neste momento, esta discussão. A discussão de um Nordeste inventado, que data de algo muito recente. De um Nordeste inventado após o surgimento de um regionalismo como conceito, e de como isso foi estabelecido, instaurado, reproduzido e continua sendo repetido até hoje, inclusive através deste disco que eu vou lançar. Eu não quero com o meu disco quebrar nada. Eu só quero falar sobre isso.”

Ela também conta que este lançamento trará parcerias muito importantes, de pessoas que fizeram parte da sua formação musical, como é o caso do artista Zeca Baleiro, uma referência para o desenvolvimento do seu trabalho.

“No disco, eu queria brincar com as ficções que existem, que a gente estabeleceu, que a gente gosta e que a gente segue. Eu vou seguir defendendo o cuscuz, eu vou seguir defendendo o forró… Mas, ao mesmo tempo, eu quis também brincar com as coisas que são menos esperadas. Eu queria que as pessoas entendessem que o Nordeste sempre é muito mais diverso. Que essas fronteiras estão em eterna modificação. Que as fronteiras não são criações geográficas. Elas são criações de discursos políticos, elas vêm a partir de lutas políticas, então a gente está aqui pra mexer, para fazer essas fronteiras balançarem.”

A artista comenta que o disco tem um tom festivo e que também aborda outros assuntos que fazem parte das suas vivências. “Fiz uma música que é uma lambada divertida para uma mulher, e durante o show eu quero poder falar sobre isso, quero fortalecer esse tipo de afeto, de amor, de relacionamento, de existência.”

Ainda conversando sobre o que motivou esta criação, ela conclui: “Ser nordestino é muito complexo. A gente é muito múltiplo, a gente é muito diferente. Cada estado é uma coisa… E colocaram a gente numa mesma massa. Ao mesmo tempo, não é só que colocaram, mas a gente mesmo reproduz também um tipo de história do Nordeste que nos faz permanecer em alguns lugares, com dificuldade de virar essa chave. Eu quero mais é poder falar sobre as fronteiras fluidas, sobre o discurso político potente de transformação. Poder entender como a gente foi parar nesse lugar, quais são os feitos midiáticos que fazem a gente ser dessa forma, o que a gente incorporou e reproduziu, e como a gente pode modificar isso a partir do momento em que tomamos consciência e entendemos que estamos vivos. Que Nordeste é esse que a gente quer agora? Eu quero seguir nessa construção viva e não enraizada. Esse lugar enraizado do Nordeste é equivocado, ele é fake. A gente está livre para poder fazer acontecer.”

Para acompanhar os novos trabalhos de Juliana, é só seguir o seu perfil no Instagram: @xulianalinhares. A banda @pieta_ também está por lá, e ela adiantou que logo mais será lançado um novo single do grupo, ainda em fevereiro.

Acompanhe a seção #ArtistaFOdA, que se propõe a semanalmente apresentar trabalhos de artistas LGBTQIAP+ das mais diversas linguagens, e siga @planetafoda.
*@planetafoda é a página de conteúdos LGBTQIAP+ produzidos pela rede FOdA, da Mídia NINJA, junto a colaboradores em todo o Brasil.

Fonte: Mídia Ninja

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Pró-Esia - Fábrica de Versos... Flaira Ferro

Nascida em Recife, Flaira ingressou na vida artística aos seis anos de idade através da dança. Filha de pais foliões, viveu a infância rodeada de estímulos artísticos ligados às manifestações do carnaval de Pernambuco. Formada em Comunicação Social, Flaira é cantora, compositora e dançarina.
Nascida em Recife, Flaira ingressou na vida artística aos seis anos de idade através da dança. Filha de pais foliões, viveu a infância rodeada de estímulos artísticos ligados às manifestações do carnaval de Pernambuco. Formada em Comunicação Social, Flaira é cantora, compositora e dançarina.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Pró-Esia - Fábrica de Versos... Os poetas analfabetos do sertão que foram parar sem querer no YouTube e viraram sucesso na internet

O mundo do agricultor Leonardo Bastião se resume ao sítio onde mora, na zona rural de Itapetim, no sertão do Pajeú pernambucano. De lá, ele quase nunca sai. E, desse universo, tira a inspiração para fazer poesia:
"A sombra que me acompanha/ Não é a que me socorre/ Se eu andar, ela anda/ Se eu correr, ela corre/ E é mais feliz do que eu/ Não adoece nem morre"

terça-feira, 14 de março de 2017

População vaia Temer e grita "Lula" durante inauguração de obras do São Francisco

No sertão nordestino, o povo não engoliu a tentativa de Michel Temer de apropriar-se da Transposição do Rio São Francisco. O presidente levou enorme comitiva, mas não adiantou: foi vaiado e ouviu gritos de "Lula, Lula!" (VÍDEO)
O presidente Michel Temer foi até a cidade de Monteiro, na Paraíba, no último fim de semana, para a inauguração da obra da Transposição do rio São Francisco.
Temer estava acompanhado de grande comitiva de ministros, senadores, deputados e políticos locais. Por isso, imaginava-se, em tese, que a inauguração iria transcorrer de maneira tranquila: os caciques políticos e os seus respectivos currais eleitorais garantiriam blindagem ao presidente.
O presidente Michel Temer foi até a cidade de Monteiro, na Paraíba, no último fim de semana, para a inauguração da obra da Transposição do rio São Francisco.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Nordeste: a terra da vingança do golpe

A matéria publicada hoje no Estadão é o retrato do que, ontem, levantou-se aqui na crítica à visão tecnocrática de que a redução dos programas sociais – a previdência publica universal é um deles – traria para as regiões mais pobres do Brasil.

Um estudo de uma consultoria econômica, a Tendências, mostra como os nordestinos são vítimas, em muito maior grau, do cenário de devastação econômica inciado por Joaquim Levy e imensamente aprofundado pela dupla Henrique Meirelles- Michel Temer.
A matéria publicada hoje no Estadão é o retrato do que, ontem, levantou-se aqui na crítica à visão tecnocrática de que a redução dos programas sociais – a previdência publica universal é um deles – traria para as regiões mais pobres do Brasil.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

A miséria mental da mulher do presidente da Abril ao falar sobre os nordestinos.

Cristina Partel, mulher do presidente da Abril, Walter Longo, deu um show de xenofobia no Twitter:

“O nordeste colocou Dilma no Planalto e agora um nordestino não quer deixá-la sair. Depois diz que somos preconceituosos.”

Ela representa fidedignamente a direita brasileira. Branca, rica e sulista, atribui aos nordestinos tudo aquilo que considera desastroso e lamentável: uma mulher na presidência, pobres nas universidades, negros se expressando, gays representando o povo e nordestinos fazendo a diferença na política.
Cristina Partel, mulher do presidente da Abril, Walter Longo, deu um show de xenofobia no Twitter:
“O nordeste colocou Dilma no Planalto e agora um nordestino não quer deixá-la sair. Depois diz que somos preconceituosos.”

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Pró-esia - Vida Maria

"Vida Maria"
Maria José, uma menina de 5 anos de idade, é levada a largar os estudos para trabalhar. Enquanto trabalha, ela cresce, casa, tem filhos, envelhece.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Grupo de extermínio em Maceió

A indústria da morte em Alagoas vai além do que é apresentado pela mídia hegemônica, local ou nacional, de que o pobre é violento por ser pobre e é pobre por ser violento. Nos últimos anos, o Estado vem sendo apresentado como o mais homicida do país e a sua capital como a quinta cidade em que mais se é registrado assassinatos em uma escala de 100 mil habitantes. Grupos que atuam em defesa da vida chegam a afirmar que há um verdadeiro genocídio contra a população empobrecida. Enquanto tudo isso funciona, uma das ‘empresas’ geradoras do lucrativo mercado da morte seria de propriedade do terceiro secretário da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, o deputado Marcos Barbosa. Isso é o que aponta o sobrinho do parlamentar, Eliseu Oliveira Barbosa, que em mais de doze horas de depoimentos delatou a existência de um grupo de extermínio, inclusive, com controle do tráfico de drogas.
A indústria da morte em Alagoas vai além do que é apresentado pela mídia hegemônica, local ou nacional, de que o pobre é violento por ser pobre e é pobre por ser violento.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Cresce o consumo no Nordeste. O Brasil não é só o Sudeste, e isso é ruim?

Dá para perceber certa tristeza no editor do Estadão que colocou o título de “Sudeste deixa de responder por mais da metade do consumo brasileiro” na matéria que mostra que o consumo no Brasil caminha na direção de um ainda distante equilíbrio regional.
Afinal, se o Sudeste tem 42% da população brasileira, é essa a percentagem que, na teoria, deveria deter do consumo.
E se no Nordeste estão 28% dos brasileiros, deveria representar 28% o consumo que se faz lá.
Portanto, os números previstos na pesquisa de consumo feita pela  consultoria IPC Marketing que  mostram que São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo “responderão por 49,21% de tudo o que será consumido no País este ano” são, ainda o retrato de uma (menor) injustiça, e que não é com o Sudeste.
A matperia, aliás, o registra, dizendo que a “menor participação do Sudeste pode ser explicada pela melhora econômica das demais regiões brasileiras”, uma vez que também o Norte do país (8,4% da população) vai, finalmente, chegar a 6% do consumo nacional.
Não quer dizer que ninguém esteja consumindo menos, é obvio, uma vez que o volume total deve crescer para todos. Mas mais para os mais pobres.
A pesquisa informa que é o salário-mínimo o grande motor desta expansão: só as aposentadorias, majoritariamente de um salário, respondem por 20% da renda na região Nordeste.
O Bolsa Família, mesmo que seja visto com um olhar preconceituoso de que alimenta uma multidão de preguiçosos, só  representa 3%.
“”Há dez anos, não existia uma classe média, principalmente no Nordeste. Quando o governo fez chegar dinheiro no bolso da população de mais baixa renda, ele fez com que essa parte da população tivesse uma condição melhor de vida e obviamente de consumo”, diz Marcos  Pazzini, diretor da empresa que fez a pesquisa.
Mas quem fica preocupado com os “haitianos” da Bahia desembarcarem em São Paulo tem motivo de sobressalto.
É que se acaso viessem aquelas “medidas impopulares” da dupla AA (Aécio-Armínio Fraga) o crescimento que tem ajudado a diminuir a imigração vai pro brejo.
Ainda bem que quem vai pro brejo é a dupla.

Dá para perceber certa tristeza no editor do Estadão que colocou o título de “Sudeste deixa de responder por mais da metade do consumo brasileiro” na matéria que mostra que o consumo no Brasil caminha na direção de um ainda distante equilíbrio regional. 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

O Poeta da Vez...

Patativa do Assaré

Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré (Assaré, Ceará, 5 de março de 1909  8 de julho de 2002), foi um poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro.
Biografia
Memorial Patativa do Assaré, em sua cidade natal.
Uma das principais figuras da música nordestina do século XX. Segundo filho de uma família pobre que vivia da agricultura de subsistência, cedo ficou cego de um olho por causa de uma doença. Com a morte de seu pai, quando tinha oito anos de idade, passou a ajudar sua família no cultivo das terras. Aos doze anos, frequentava a escola local, em qual foi alfabetizado, por apenas alguns meses. A partir dessa época, começou a fazer repentes e a se apresentar em festas e ocasiões importantes. Por volta dos vinte anos recebeu o pseudônimo de Patativa, por ser sua poesia comparável à beleza do canto dessa ave.
Indo constantemente à Feira do Crato onde participava do programa da Rádio Araripe, declamando seus poemas. Numa destas ocasiões é ouvido por José Arraes de Alencar que, convencido de seu potencial, lhe dá o apoio e o incentivo para a publicação de seu primeiro livro, Inspiração Nordestina, de 1956.
Este livro teria uma segunda edição com acréscimos em 1967, passando a se chamar Cantos do Patativa. Em 1970 é lançada nova coletânea de poemas, Patativa do Assaré: novos poemas comentados, e em 1978 foi lançado Cante lá que eu canto cá. Os outros dois livros, Ispinho e Fulô e Aqui tem coisa, foram lançados respectivamente nos anos de 1988 e 1994. Foi casado com Belinha, com quem teve nove filhos. Faleceu na mesma cidade onde nasceu.
Obteve popularidade a nível nacional, possuindo diversas premiações, títulos e homenagens (tendo sido nomeado por cinco vezes Doutor Honoris Causa). No entanto, afirmava nunca ter buscado a fama, bem como nunca ter tido a intenção de fazer profissão de seus versos. Patativa nunca deixou de ser agricultor e de morar na mesma região onde se criou (Cariri) no interior do Ceará. Seu trabalho se distingue pela marcante característica da oralidade. Seus poemas eram feitos e guardados na memória, para depois serem recitados. Daí o impressionante poder de memória de Patativa, capaz de recitar qualquer um de seus poemas, mesmo após os noventa anos de idade.
A transcrição de sua obra para os meios gráficos perde boa parte da significação expressa por meios não-verbais (voz, entonação, pausas, ritmo, pigarro e a linguagem corporal através de expressões faciais, gestos) que realçam características expressas somente no ato performático (como ironia, veemência, hesitação, etc.). A complexidade da obra de Patativa é evidente também pela sua capacidade de criar versos tanto nos moldes camonianos (inclusive sonetos na forma clássica), como poesia de rima e métrica populares (por exemplo, a décima e a sextilha nordestina). Ele próprio diferenciava seus versos feitos em linguagem culta daqueles em linguagem do dia-a-dia (denominada por ele de poesia "matuta").
Obras
Livros de poesia
§  Inspiração Nordestina: Cantos do Patativa (1967);
§  Cante Lá que Eu Canto Cá (1978);
§  Ispinho e Fulô (2005) (1988);
§  Balceiro. Patativa e Outros Poetas de Assaré (Org. com Geraldo Gonçalves de Alencar) (1991);
§  Cordéis (caixa com 13 folhetos) (1993);
§  Aqui Tem Coisa (2004) (1994);
§  Biblioteca de Cordel: Patativa do Assaré (Org. Sylvie Debs) (2000);
§  Digo e Não Peço Segredo (Org. Guirlanda de Castro e Danielli de Bernardi) (2001);
§  Balceiro 2. Patativa e Outros Poetas de Assaré (Org. Geraldo Gonçalves de Alencar) (2001);
§  Ao pé da mesa (co-autoria com Geraldo Gonçalves de Alencar) (2001);
§  Antologia Poética (Org. Gilmar de Carvalho) (2002);
§  Cordéis e Outros Poemas (Org. Gilmar de Carvalho) (2008).

Poemas

§  A Triste Partida;
§  Cante Lá que eu Canto Cá;
§  Coisas do Rio de Janeiro;
§  Meu Protesto;
§  Mote/Glosas;
§  Peixe;
§  O Poeta da Roça;
§  Apelo dum Agricultor;
§  Se Existe Inferno;
§  Vaca estrela e Boi Fubá;
§  Você se Lembra?;
§  Vou Vorá;
§  Caboclo Roceiro.
Caboclo Roceiro, das plaga do Norte
Que vive sem sorte, sem terra e sem lar,
A tua desdita é tristonho que canto,
Se escuto o meu pranto me ponho a chorar.....

Tu és meu amigo, tu és meu irmão.

— '''Caboclo Roceiro, Patativa do Assaré
LPs
§  Em 1979, Patativa do Assaré se apresentou no Teatro José de Alencar sob a produção artística do amigo Raimundo Fagner. De posse de um gravador, Fagner editou o show e a CBS lançou o LP "Poemas e Canções".
Títulos e prêmios
§  1979 - Homenageado pela programação cultural do encontro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC, em Fortaleza;
§  1982 - Recebe o diploma de “Amigo da Cultura”, outorgado pela Secretaria da Cultura do Estado, pela “decidida atuação a favor do aprimoramento cultural do Ceará”;
§  1982 - Cidadão de Fortaleza, título aprovado pela Câmara Municipal;
§  1987 - Recebe a “Medalha da Abolição”, pelos “relevantes serviços prestados ao Estado”;
§  1989 - Cariri Ceará - Doutor Honoris Causa pela Universidade Regional de Cariri;
§  1989 - Inauguração da rodovia “Patativa do Assaré”, com 17 km, ligando Assaré a Antonina do Norte
§  1991 - Enredo da Escola Acadêmicos do Samba, de Fortaleza;
§  1995 - Fortaleza, Ceará - Prêmio do Ministério da Cultura na categoria Cultura Popular entregue pelo Presidente da República Fernando Henrique Cardoso no Teatro José de Alencar;
§  1998 - Recebe, dia 22 de maio, a “Medalha Francisco Gonçalves de Aguiar”, do Governo do Estado do Ceará, outorgada pela Secretaria de Recursos Hídricos;
§  1999 - Assaré, Ceará - Inauguração do Memorial Patativa do Assaré;
§  1999 - Título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual do Ceará - UECE;
§  1999 - Título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará - UFC;
§  1999 - Prêmio Unipaz, VII Congresso Holístico Brasileiro, Fortaleza, dia 20 de outubro;
§  2000 - Na festa dos 91 anos, recebe o título de Cidadão do Rio Grande do Norte;
§  2000 - Título de Doutor Honoris Causa da Universidade Tiradentes, de Sergipe;
§  2001 - Terceiro colocado na eleição do “Cearense do Século”, promovido pelo Sistema Verdes Mares de Comunicação (o vencedor foi Padre Cícero);
§  2001 - Recebe o troféu “Sereia de Ouro”, do Grupo Edson Queiroz, no Memorial Patativa do Assaré, dia 28 de setembro;
§  2002 - Prêmio FIEC, "Artista do Turismo Cearense", Fortaleza;
§  2003 - Prêmio UniPaz, V Congresso Holístico de Crianças e Jovens, Fortaleza;
§  2005 - Inauguração da "Biblioteca Pública Patativa do Assaré", Piauí;
§  2004 - Título EFESO "Cidadão Empreendedor"(Escola de Formação de Empreendedores Sociais);
§  2004 - Troféu MST (Homenageado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra);
§  2005 - Homenageado com Medalha Ambientalista Joaquim Feitosa;
§  2005 - Inauguração da Biblioteca Municipal Patativa do Assaré, Vila Nova, Piauí;
§  2005 - Título de Doutor Honoris Causa da Universidade (?), Mossoró, Rio Grande do Norte.
Representações na cultura
A vida do poeta foi retratada em "Concerto de Ispinho e Fulô", da Cia. do Tijolo, peça que deu a William Guedes o Prêmio Shell de Teatro em 2009 na categoria de melhor música.A mesma companhia também retratou o poeta na peça "Cante Lá que Eu Canto Cá!".

Poesia
O Peixe
Tendo por berço
o lago cristalino,
folga o peixe
a nadar todo inocente.
Medo ou receio
do porvir não sente,
pois vive incauto
do fatal destino.
Se na ponta de
um fio longo e fino
a isca avista,
ferra-a inconsciente,
ficando o pobre
peixe de repente,
preso ao anzol
do pescador ladino.
O camponês também
do nosso Estado,
ante a campanha eleitoral:
Coitado.
Daquele peixe tem
a mesma sorte.
Antes do pleito:
festa, riso e gosto.
Depois do pleito:
imposto e mais imposto…
Pobre matuto do
Sertão do Norte.

Vídeo sobre a matéria:

Fonte Texto: Wikipédia