segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Jean Wyllys: "Eles não querem me punir pelo cuspe, mas por ser homossexual"

Deputado do PSol alega perseguição no pedido de suspensão de mandato feito por Ricardo Izar (PP)
Em resposta às provocações contínuas de Jair Bolsonaro, em meio à abertura do processo de impeachment que afastou Dilma Rousseff da Presidência, em abril deste ano, Jean Wyllys (PSol) cuspiu em direção ao deputado do Partido Social Cristão (PSC).
A ação, que resultou em um processo disciplinar levado ao Conselho de Ética da Câmara, teve novo episódio nesta terça-feira (15), quando o deputado Ricardo Izar (PP), relator do processo, recomendou que Wyllys fosse suspenso por 120 dias.

No parecer, Izar diz que
Em resposta às provocações contínuas de Jair Bolsonaro, em meio à abertura do processo de impeachment que afastou Dilma Rousseff da Presidência, em abril deste ano, Jean Wyllys (PSol) cuspiu em direção ao deputado do Partido Social Cristão (PSC).
A ação, que resultou em um processo disciplinar levado ao Conselho de Ética da Câmara, teve novo episódio nesta terça-feira (15), quando o deputado Ricardo Izar (PP), relator do processo, recomendou que Wyllys fosse suspenso por 120 dias.
No parecer, Izar diz que "tendo em vista o alto grau de reprovabilidade da conduta perpetrada pelo deputado", ele deveria sofrer "severa reprimenda" por parte da Câmara. Caso a recomendação seja aprovada, os deputados votarão em plenário.
Em entrevista à Caros Amigos, Jean Wyllys afirma a partir do seu depoimento e de várias testemunhas, inclusive de adversários políticos, ficou claro que não houve quebra de decoro parlamentar.
“Eu reagi aos insultos e à violência sistemática desse senhor. Izar entendeu isso perfeitamente, mas ele faz um jogo político, porque responde aos interesses de seu partido, campeão de acusados na Lava Jato, e dos seus aliados, notoriamente Eduardo Cunha, que é quem está por trás desse processo contra mim. Eles não querem me punir pelo cuspe, mas por ser homossexual, por defender os direitos humanos e por ter me posicionado contra o golpe”, argumenta o deputado.
No início do mês, a Polícia Civil do Distrito Federal apontou como incorreta a legenda de um vídeo apresentado à Comissão de Ética da Câmara em que Jean Wyllys teria premeditado cuspir em Bolsonaro. Para o deputado do PSol, o processo é uma retaliação e manifestação de ódio. “Bolsonaro é um deles, então jamais será punido, mesmo que cuspa cinquenta vezes. De fato, o filho de Bolsonaro cuspiu contra mim, está filmado cuspindo e o Conselho de Ética nada fez. É muita hipocrisia! O único parlamentar que foi suspenso na história do País estava envolvido num esquema de corrupção com Carlinhos Cachoeira, e deram 90 dias. Ser gay é um crime pior que ser corrupto, por isso pedem 120 (dias de suspensão) pra mim”.
O deputado duvida que o parecer será aprovado, mas, caso seja, irá recorrer à CCJ. Segundo ele, é possível pedir a nulidade do processo pelo fato de Izar ter antecipado ilegalmente o voto antes do fim da instrução do processo, além de demonstrar parcialidade, ignorar provas e admitir provas falsificadas durante o processo. O psolista alega que Izar deturpou falas e textos escritos por ele e por sua advogada no dia da apresentação do parecer.
“Não descartamos recorrer ao STF e, se necessário, à Corte Interamericana de Direitos Humanos, para denunciar a perseguição política de que sou objeto. Aliás, se eu, um deputado honesto, que não está citado na Lava Jato, que nunca cometeu desvio ético, for suspenso por minha orientação sexual e por ter reagido a um bullying orquestrado e sistemático, vai ser um escândalo internacional. Eles fiquem sabendo que, caso esse parecer absurdo seja aprovado, passarei os 120 dias denunciando o governo brasileiro em todos os fóruns e tribunais internacionais de direitos humanos do mundo”, comenta Wyllys.
Declarações de apoio
Diversas personalidades como a filósofa Márcia Tiburi, os atores Camila Pitanga, Gregório Duvivier, e o jornalista Bob Fernandes, assim como os deputados Marcelo Freixo (PSol) e Manuela D’Avila (PCdoB), entre outros, publicaram declarações de apoio a Jean Wyllys e repudiaram a recomendação de Izair.
“O mandato do Jean é fundamental para a democracia que queremos, defende pautas decisivas para vida dos que mais precisam de justiça. Essa punição descabida, baseada num vídeo que a perícia já declarou falso, é resultado de um Congresso com a cara de Cunha e outros. Em tempos de graves denúncias de corrupção, suspender o mandato de um dos poucos honestos na Câmara é inaceitável”, escreveu Marcelo Freixo em seu perfil oficial no Facebook.
Com a hashtag #queremcalarumdenós, a executiva nacional do partido organiza uma moção de apoio ao deputado federal. 
Fonte: Caros Amigos

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