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segunda-feira, 1 de julho de 2013

2º Encontro da Juventude da CTB define Coletivo Nacional e apresenta propostas para unir a juventude que trabalha e estuda na luta sindica

Superar o desafio de incorporar a energia transformadora da juventude que trabalha e estuda ao movimento dos trabalhadores e trabalhadoras e intensificar a luta para que o Brasil avance mais rapidamente, incluindo a juventude da cidade e do campo no projeto nacional desenvolvimento. Estas são algumas das propostas contidas na carta “Unir a juventude que trabalha e estuda na luta sindical”, aprovada no encerramento do 2º Encontro Nacional da Juventude da CTB, neste domingo (30), em Belo Horizonte.
A carta, que será encaminhada à direção nacional da Central como contribuição para os debates do 3º Congresso da CTB, que ocorrerá em agosto, também aponta uma série pontos para organizar a juventude trabalhadora da CTB, como: criação de secretarias de juventude em todas as CTBs estaduais e diretorias de entidades filiadas; garantia de previsão orçamentária para a Secretaria de Juventude; ampliação da organização da Juventude da CTB nos ramos onde a Central está presente; criação da escola nacional da CTB com garantia de participação dos jovens; e realização de festivais da juventude do campo e da cidade, entre outros.
Coletivo
No final do encontro, que teve início na sexta-feira (28), também foram definidos os membros do Coletivo Nacional de Juventude da CTB, que integra
homens e mulheres do campo e da cidade, de diversos ramos e de estados de quatro regiões do País. São eles: Vitor Espinoza (CTB-RS), Igor Pereira (CTB-RS), Juliana Matias (CTB Minas), Wallace Melo (Sinpro-PE), Alfredo Santiago (CTB-BA), Rose Santos (Sindicato dos Bancários de Sergipe), Maria Alves (Fetaemg), Dorenice Flor (Contag), Renato Pires (CTB-MS), Robson Porto (Sindicato dos Metalúrgicos de Betim - MG), Wellington Guilherme (Sindicato dos Metalúrgicos de Jaguariúna - SP), Luciane Severo (Sindicato dos Sapateiros Campo Bom - RS) e Kleiton Alder (Sindicato dos Metalúrgicos da Camaçari - BA).
“O Coletivo Nacional que sai deste encontro é muito representativo, composto por entidades fortes de grandes ramos e de estados onde a CTB está organizada. Não é pouca coisa conseguir o compromisso destas entidades com a luta sindical nacional da juventude da CTB. Damos um salto e nos armamos para, na próxima gestão da CTB e da Secretaria da Juventude, poder realizar um trabalho mais coletivo, mais organizado e mais forte, dialogando com as preocupações da juventude e do Brasil”, disse o secretário nacional de Juventude da CTB, Paulo Vinícius.
Participação
A grande representatividade dos delegados e a participação de lideranças nacionais no encontro também foram ressaltadas pelo secretário de Juventude. “Tivemos neste um encontro mais de 30 entidades, que representam centenas de categorias e milhares de trabalhadores, e a presença de importantes lideranças, como a presidenta da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Manuela Braga; a presidenta  Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), Luana Bonone; e o dirigente nacional da CTB Adilson Araújo, que veio para ouvir, dar sugestões e firmou compromissos que sinalizam apoio à juventude”.
Sobre as manifestações realizadas no Brasil nas últimas semanas e a tentativa da direita em disputar a juventude, Paulo Vinícius disse que as reflexões realizadas durante o encontro contribuíram para que a juventude da CTB se posicione nesta batalha com mais força, defendendo a pauta de reivindicações da classe trabalhadora.
O coordenador do Coletivo Nacional de Juventude da CTB, Vítor Espinoza, elogiou o encontro. “Foi excelente, pois conseguimos realizar um amplo debate sobre diversos temas de interesse da juventude trabalhadora, como os problemas enfrentados pela juventude trabalhadora urbana e rural, a precarização do trabalho, a questão do estágio e as recentes manifestações”.
Segundo Vítor, a juventude trabalhadora da CTB tem que ir para as ruas participar das manifestações e defender pautas como a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução do salário, o fim do fator previdenciário, a destinação de 10% do PIB e de 100% dos royalties do pré-sal para a Educação e a democratização da mídia.
Opiniões
Confira a opinião de outras lideranças que participaram do 2º Encontro Nacional da Juventude da CTB:
Maria Alves de Souza (Fetaemg): “O encontro garantiu o fortalecimento e a criação de novas estratégias para contribuir com o processo construção política da CTB e dos sindicatos, federações e confederações filiados a ela. Saímos do encontro com a possibilidade de uma maior participação e visibilidade da juventude no 3º Congresso da CTB e em espaços estratégicos de decisões políticas da sociedade como um todo. Valeu a pena participar deste encontro porque garantiu a qualificação e formação política dos jovens que aqui estiveram, que servirão de multiplicadores em suas bases, nos seus sindicatos e por onde quer que passem no processo de participação social”.
Alfredo Santiago de Jesus Junior (Sindicato dos Comerciários de Salvador -BA): “O encontro foi um espaço de debates que abriu novos horizontes frente aos acontecimentos no País, nos orientando como proceder e caminhar neste novo momento de junção da luta social com a luta sindical para que os trabalhadores também tenham sua pauta de reivindicações atendidas e, com isso, avançar na qualidade de vida tanto enquanto trabalhador(a) e cidadão(ã) deste País. O debate também nos proporcionou como construir de fato um elo mais próximo do contato com os trabalhadores no seu local de trabalho. Tivemos a oportunidade de expressar o que os trabalhadores estão sentindo e passando, o que costuma ficar nos bastidores e o movimento sindical nem sempre consegue visualizar”.
Lucas Nascimento da Silva (CTB Maranhão): “Vim para este encontro com o objetivo de absorver o maior número de informações possíveis. Aqui, abri muito a minha visão política e tive a oportunidade de discutir com jovens de todo o País, de maneira eficiente e forte, diversas questões sofridas pelos trabalhadores. Aprendi que a juventude tem que se unir e se organizar para ampliarmos nossa participação nos sindicatos e na própria CTB. Considero que a construção do Coletivo Nacional de Juventude da CTB foi muito importante, porque vai nos aproximar da direção nacional e das esferas governamentais, podendo, assim, defender o jovem trabalhador. Saio deste encontro com a convicção de que devemos nos unir, trabalhar e mostrar para o Brasil que o jovem trabalhador e o jovem sindicalista têm que ser ouvido e respeitado”.
Juliana Matias (CTB Minas): O encontro aqui em Minas foi muito propulsor. Fortalece a CTB na ação, crescimento e valorização da classe trabalhadora, principalmente aos trabalhadores que trabalham e estudam e os rurais. O Coletivo Nacional de Juventude certamente proporcionará um diálogo ainda maior com a Central e com os próprios trabalhadores e trabalhadoras”.
Carta
Leia a íntegra da carta do 2º Encontro da Juventude da CTB:
Unir a juventude que trabalha e estuda na luta sindical
A luta dos trabalhadores e trabalhadoras e da juventude nunca dormiu. Em 2013, o povo na rua nas maiores marchas desde o Fora Collor dá uma outra força para avançar nas mudanças e mudar a fase do projeto iniciado com a vitória de Lula em 2003. Queremos mais direitos e desenvolvimento. E precisamos lutar por isso, pois a crise mundial do capitalismo só tem a oferecer miséria, precarização do trabalho, guerras e degradação do meio ambiente. No Brasil, a direita neoliberal liderada pela mídia golpista fará de tudo para interromper o ciclo de vitórias conquistado pela juventude e os trabalhadores.
Expressar a liberdade nas ruas e nas redes, a juventude quer seu lugar no Projeto Nacional de Desenvolvimento. As marchas expressam a luta pela mobilidade e o direito a cidade, melhores serviços na área da saúde e educação, profunda transformação na política, que não representa o povo, mesmo com os avanços que tivemos. Contra isso haverá a resistência e as manipulações das velhas elites. É preciso evidenciar que a mobilidade urbana, os serviços de saúde e educação não vão melhorar enquanto os gastos com banqueiros e especuladores tomarem quase metade do orçamento do Brasil, inviabilizando o desenvolvimento e o lugar da juventude.
A origem da corrupção é o peso do dinheiro na eleição dos representantes. Basta de eleger somente quem os banqueiros, os latifundiários e empresários financiam. Queremos o lugar das mulheres, da juventude, dos negros, da classe trabalhadora. Política não é mercadoria. Reforma política já, com financiamento público e exclusivo de campanha.
A mídia continuará tentando manipular o povo e criminalizar os movimentos sociais enquanto houver o monopólio dos meios de comunicação. A juventude e os trabalhadores(as) estão nas ruas para expressar a liberdade que não encontram na telinha e nos jornalões. É preciso uma nova lei que desconcentre os meios de comunicação, garantindo liberdade, pluralidade e diversidade. Por uma nova lei da mídia democrática já!
Posicionar a juventude trabalhadora nas lutas
Nesse cenário a juventude da CTB realiza em Belo Horizonte o seu 2º Encontro Nacional. Depende de nós o desafio de incorporar a energia transformadora da juventude que trabalha e que trabalha e estuda ao movimento dos trabalhadores e trabalhadoras. Somos mais de 60% da população economicamente ativa, sofremos na pele a dificuldade de conciliar trabalho e estudo, a precarização do trabalho, o desemprego. Lutamos por um Brasil desenvolvido no campo e na cidade, que respeite nossa voz e diversidade, sem preconceitos por nossa idade, orientação sexual, cor da nossa pele, convicções políticas. Queremos mais direitos, e só com unidade da classe trabalhadora em luta que conseguiremos vitórias.
Para isso, a juventude da CTB dialoga com o 3º Congresso dessa vitoriosa central que já reúne cerca de 10% o sindicalismo em apenas cinco anos. Estamos convencidos da importância de nosso diálogo com a juventude trabalhadora a serviço de nossa central.  O povo unido jamais será vencido, e acreditamos muito na união dos jovens trabalhadores, estudantes e mulheres para impulsionar o fortalecimento da luta dos trabalhadores. Com esse bloco podemos acelerar as mudanças, botar o pé no acelerador e trocar de marcha.
É preciso traçar alguns pontos para organizar esse time da juventude trabalhadora da CTB:
- 40 horas semanais já! Fim do fator previdenciário;
- Nenhuma direção da CTB ou sindicato da CTB sem secretaria da juventude! Queremos oportunidade de contribuir para as decisões da luta dos trabalhadores(as);
- Garantir na previsão orçamentária da CTB orçamento próprio da Secretaria de Juventude para as ações e atividades desta;
- Intensificar a luta pela educação. 10% do PIB para educação de qualidade, com creches para o povo, educação pública para a cidadania e o mundo do trabalho em todos os níveis no campo e na cidade com valorização dos trabalhadores da educação;
- Lutar por oportunidades de permanência da juventude no campo, garantindo a sucessão rural, fortalecendo a educação do campo;
- Lutar por reforma agrária garantindo assentamento dos jovens trabalhadores (as) rurais;
- Lutar pelo empoderamento das mulheres em todos os espaços, com equidade salarial de gênero;
- Fora Feliciano! Contra a homofobia;
- Levar o debate do estágio e ingresso no mundo do trabalho para as entidades representativas dos estudantes (grêmios, partidos e movimentos estudantis);
- Fortalecer o relacionamento da juventude da CTB com as centrais da América do Sul e em especial do cone sul Venezuela e Cuba;
- Criar condições para a conciliação do trabalho e estudo;
- Combater o assédio moral e sexual;
- Apoiar o projeto de lei de iniciativa popular que regulamente e democratize a mídia;
- Ampliar e melhorar a comunicação dos nossos sindicatos, aumentando a produção e divulgação de materiais em áudio e vídeo, disponibilizando o compartilhamento desses arquivos na internet;
- Mais transparência no sistema “S” contemplando: inclusão da formação voltada á agricultura de pequena e média escala e a ao empreendedorismo rural;
- Participar dos encontros de estudantes técnicos com campo e cidade;
- Lutar para garantir a qualidade do ambiente de trabalho, e combater a exploração da mão de obra juvenil cobrando que o Ministério do Trabalho tenha uma posição em defesa dos trabalhadores(as);
- Realizar festivais da juventude do campo e da cidade;
- Realizar reuniões do Coletivo Nacional para o ano com a CTB;
- Ampliar a organização da Juventude da CTB nos ramos onde estamos mais organizados;
- Criar uma escola nacional da CTB com garantia de participação dos jovens.
A juventude trabalhadora do campo e da cidade protagonista das mudanças que o Brasil necessita, fortalecendo as ações da juventude brasileira com as nossas bandeiras.
Belo Horizonte, 30 de junho de 2013
Fonte texto: Blog CTB MG

A emergência da reforma política


Na sequência das manifestações de massas que mobilizaram multidões nas ruas e praças de todo o País durante o mês de junho, o Brasil está agora imerso em importante embate político e social pela realização de reformas estruturais.

A primeira delas tem caráter institucional e atinge o sistema político e eleitoral do País. Em boa hora, numa demonstração de compreensão do sentido mais profundo das manifestações – o clamor da população por mais democracia e pelo efetivo combate aos vícios das classes dominantes no exercício de mandatos eletivos e administrativos – a presidenta Dilma propôs a realização da reforma política e eleitoral. 


Como método, a presidenta apresentou propostas que, por princípio e essência, buscam a legitimidade na consulta organizada à população, o que também significa um grau superior de participação popular na condução dos destinos do País. A ideia original do Palácio do Planalto combinava a convocação de um plebiscito e de uma Assembleia Constituinte específica para a elaboração e decisão da reforma política. 

A estridência com que a mídia privada e monopolista, alguns setores do Judiciário e partidos políticos – não só os oposicionistas, mas também algumas importantes siglas da base de sustentação do governo – bombardearam a proposta da Constituinte específica, fizeram a mandatária voltar atrás neste aspecto.

A diretriz de fazer o plebiscito, contudo, está de pé, alcança maior aceitação e apenas duas ou três siglas oposicionistas não a apoiam. Nos últimos dias, o governo conseguiu unificar os partidos de sua ampla, diversificada e heterogênea base em torno da proposta e as medidas nas áreas do Executivo e do Judiciário para fazê-lo em tempo hábil a que a reforma política tenha validade já nas próximas eleições de 2014 estão a pleno vapor. 

Destaque-se a formação de uma frente de partidos de esquerda da base de sustentação do governo, que anunciou a disposição de atuar unida em torno do tema. 

Tem o país uma importante oportunidade de, ao acionar um mecanismo de democracia direta, dar o ponto de partida para realizar uma reforma política realmente democrática e que seja capaz de soerguer outro sistema político eleitoral, em face da evidência de que o atual está inteiramente superado.

Resolvida a questão do método, já se desenvolve uma frontal luta política em torno do mérito da reforma institucional-eleitoral, luta que doravante será ainda mais intensa. O Brasil pode estar no limiar de uma nova fase de seu desenvolvimento político, de aprofundamento e ampliação da democracia, de elevação dos níveis de participação popular na vida política e na governação do país, mas pode também sofrer grave retrocesso se a reforma política for pautada pelo pensamento conservador e antidemocrático.

Por meio da mídia privada, os conservadores semeiam confusão política e ideológica e criam um ambiente para a rejeição “à política” e “aos políticos” de uma maneira geral, como se a má gestão, a corrupção, a locupletação, a prevaricação e a traição à vontade popular fossem características indistintas da ação política. Com base nisso, pregam a redução pela força do número de partidos, por meio da adoção de normas eleitorais restritivas, como a cláusula de barreira, o voto majoritário (aqui chamado de distrital) para a eleição de representantes do povo nas casas legislativas e a proibição das coligações em eleições proporcionais. Deblateram contra as práticas espúrias e relações promíscuas entre agentes dos interesses privados e titulares de mandatos eletivos, mas nada dizem nem fazem contra o financiamento privado das campanhas eleitorais. Ao contrário, estigmatizam o financiamento público como se este fosse desviar recursos de outras áreas.

O busílis da questão se o sistema político e eleitoral será democrático ou não está no grau de participação popular e na representação do conjunto da sociedade. No quadro do Estado burguês, esta possibilidade será sempre relativa e restrita, mas não cabem dúvidas de que, em termos da “democracia” burguesa, não há sistema eleitoral mais democrático do que o que assegura o voto universal, direto, secreto e proporcional, com ampla liberdade de organização partidária, total autonomia destes na gestão de seus assuntos internos e sem cláusulas de barreira. 

O sistema eleitoral proporcional é o que assegura a representação de todos os setores políticos, inclusive os minoritários, porque se baseia na distribuição das cadeiras de vereadores, deputados estaduais e deputados federais em proporção aos votos obtidos pelos partidos ou coligações partidárias. 

O defeito do sistema proporcional brasileiro, que a reforma política e eleitoral pode corrigir, é que as vagas nas casas legislativas são atualmente preenchidas pelos candidatos mais votados da lista do partido ou coligação, até o limite das vagas obtidas, segundo o cálculo do quociente partidário e distribuição das sobras. É o sistema de listas abertas, pelo qual nas campanhas eleitorais prevalecem as individualidades e não as siglas partidárias. 

Como não há democracia sem partidos sólidos e representativos, a reforma política e eleitoral deveria substituir a lista aberta por um sistema de distribuição das vagas a partir das listas pré-ordenadas pelos próprios partidos, em convenções democráticas ou primárias internas. 

Ao contrário do que se propala, o sistema de votação proporcional não exclui, mas até pressupõe, as coligações partidárias. A união de partidos afins em frentes partidárias para efeitos de elevar o grau de intervenção política, potenciar a capacidade de obter maiores votações e eleger numerosas bancadas é direito democrático legítimo que a reforma política não deveria tolher.

Por fim, a reforma política deveria ter como uma das suas principais medidas a instituição do financiamento exclusivamente público das campanhas eleitorais, mediante critérios estritos e sob supervisão dos órgãos de fiscalização e controle da República ou outros que podem ser criados no âmbito da Justiça Eleitoral. Urge uma campanha de esclarecimento da opinião pública de que o financiamento privado das campanhas eleitorais é um dos principais instrumentos de corrupção e de submissão da vida política do País à vontade da plutocracia. 

Com dez anos de vigência de governos democráticos e progressistas, o Brasil vive um paradoxo. Os poderes de fato ainda são exercidos pelas classes dominantes retrógradas. Uma reforma política democrática pode abrir caminho para outras e pôr nas mãos das forças progressistas novos meios de acumulação de forças na luta estratégica pela libertação social e nacional do povo brasileiro.


Fonte texto: Blog do Miro.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O combustível que alimenta as manipulações nas passeatas

Há um combustível eficiente para dar gás às manobras da direita: as movimentações da esquerda.
O esquema de provocação é simples de entender. Há um mal-estar generalizado no ar, contra tudo e contra todos. As redes sociais potencializaram esse sentimento, que acabou transbordando para as ruas.
Nas ruas, constatou-se o que lideranças lúcidas do PT já tinham percebido desde os tempos do mensalão: é mais fácil a classe média tomar as ruas do que os movimentos populares. A velha mídia tentou criar essa mobilização no julgamento do mensalão. Quase conseguiu. Agora pegou carona nos movimentos do Passe Livre.
Ocorre que ficou claro a existência das bandeiras difusas, a falta de uma voz centralizada de comando, como limalhas jogadas em uma placa, sem um imã para juntá-las.
Quais as bandeiras da direita? O casamento gay, certamente não. A PEC 37, apenas um slogan para a maioria dos participantes. A redução do preço da passagem, de modo algum. Os ataques `a Globo e Veja?
O que os provocadores fazem é potencializar alguns sentimentos difusos, manobrando-os para seu lado. E aí conseguiram a extraordinária contribuição da esquerda. Por exemplo, havia o sentimento disseminado de que a manifestação deveria ser apartidária. Aí o presidente do PT São Paulo decide que as ruas são do PT e coloca manifestantes com a camiseta e as bandeiras do partido.
Entregou de bandeja para os provocadores do tal Movimento Nacionalista, que transformaram o sentimento em ação violenta.
Agora, organizações de esquerda planejam uma grande movimentação esta semana, para mostrar a capacidade de mobilização das esquerdas.
Há a necessidade de um mínimo de bom senso. Qualquer movimentação de rua, neste momento, servirá apenas para prolongar a catarse e servir como massa de manobra para provocadores.
Assim como a violência policial incendiou o movimento, a disputa esquerda-direita jogará combustível em um fenômeno que começa a ceder.
Deixem esvaziar o movimento de ruas e confinem as disputas apenas às redes sociais.
As últimas cenas violentas de rua começam a afastar a classe média. Não há consenso nem entre os grandes grupos de mídia. A Globo está empenhada em mostrar o caráter pacífico e difuso do movimento, com receio de que derive para uma ação contra a Copa do Mundo que prejudique seu negócio da década. Por aí entende-se o editorial do jornal, pedindo o fim das manifestações.
O Estadão não tem interesse em dar corda contra Dilma, para não trazer de volta Lula. Veja parece um desses canhões de navio que ficam soltos no convés, destruindo tudo ao seu redor.
Pretender disputar a rua, neste momento, significará apenas dar forma e substância ao que é, hoje em dia, apenas a exploração oportunista de sentimentos difusos.
Façam uma pausa, recolham as armas, dêem tempo para os diversos governos - federal, estaduais e municipais - respirarem e pensarem nas respostas objetivas às demandas da população.
Fonte texto: Luis Nassif On Line

Discurso do secretário-geral da FSM George Mavrikos, no plenário da 102ª Convenção da Organização Internacional do Trabalho

As condições de vida e trabalho do povo trabalhador hoje são mais difíceis do que durante a última conferência da OIT.
Altíssimas taxas de desemprego, redução de salários e pensões, privatizações em todos os setores economia, as políticas criminosas dos empresários causam a falta de segurança nos locais de trabalho, a violência estatal e a agressividade imperialista são predominantes.
É significativo que enquanto a riqueza produzida aumenta e os mercados estão cheios de produtos de todo tipo, bem como os lucros das multinacionais e da maioria dos empregadores seguem sendo extremamente altos, os direitos dos trabalhadores são eliminados. Essas são as características da profunda crise do sistema capitalista.
Ao mesmo tempo, isso mostra que o capital está aproveitando a crise para aumentar seus lucros à custa das massas populares.
A situação da classe trabalhadora em todos os continentes está piorando.
Em Bangladesh as políticas criminosas das multinacionais e os empresários locais seguem matando trabalhadores. Na Turquia, a violência estatal e o ataque contra os trabalhadores estão aumentando; na Costa Rica, as greves no setor público estão proibidas; no Panamá, os trabalhadores do Canal não podem entrar em greve; o Chile é um exemplo de muitos países que ainda estão violando os convênios fundamentais ratificados há 14 anos.
No Cazaquistão, nos países do Golfo e na Guatemala quase não existe a liberdade de associação. Na Colômbia, os metalúrgicos e mineiros são atacados constantemente. Os trabalhadores da multinacional Glencore estavam em greve durante 98 dias e a multinacional os trata como delinquentes. A Michelin fecha fábricas em Cali e Chusacá. Mas, sem ter em conta tudo isso, a OIT exclui a Colômbia da lista. No Paraguai, dirigentes camponeses são perseguidos, assim como nossos companheiros dirigentes do MOAPA. A classe trabalhadora europeia está sendo empurrada para a pobreza pelas políticas aplicada pela União Europeia e os governos a favor dos empresários. Os trabalhadores e o povo da África vivem em condições extremamente ruins, enquanto seus recursos naturais são roubados diariamente pelas multinacionais.
O direito de oito horas de trabalho estável e seguro, o direito de negociação coletiva setorial e nacional, o direito de greve, o direito à seguridade social e de pensões, o direito à educação pública e à saúde se encontram no epicentro do ataque lançado pelo FMI, Banco Mundial, União Europeia e pelos governos que os apoiam.
A Federação Sindical Mundial, que representa atualmente 86 milhões de membros em 128 países não deixará de defender esses direitos. Seguiremos organizando atividades internacionais e jornadas de ação, seguiremos denunciando essas políticas em nível mundial e continuaremos nos organizando para impedi-los, junto de nossos filiados e amigos na linha de frente pelos direitos do povo trabalhador.
Lamentavelmente, o papel da OIT e de seus escritórios regionais não está ajudando nessa direção. Ao contrário: em vários continentes, como na América Central e no Oriente Médio, seguem uma política de discriminação aos trabalhadores. Estão favorecendo outras partes. Geram dificuldades e obstáculos para muitos sindicalistas. Isso tem que parar. A função dos escritórios regionais e da OIT é tratar a todos os trabalhadores e seus representantes da mesma forma. Estamos pedindo que se detenham as discriminações contra os amigos e filiados da FSM. Pedimos a representação proporcional.
A Federação Sindical Mundial continuará a chamar o movimento sindical internacional na luta conjunta contra a exploração e a barbárie capitalista. Pelo segundo ano, em 3 de outubro de 2013 chamaremos todas as organizações sindicais a marchar militantemente com manifestações, greves e outras atividades por direito à alimentação, água potável, remédios, livros, moradia e outras necessidades atuais do povo.
Ao mesmo tempo, fazemos um chamado a todos os sindicatos combativos e com espírito internacionalista e solidário a estar ao lado do povo palestino em sua luta pela pátria independente. Para defender o direito do povo da Líbia, do Iraque, Síria, Mali, Venezuela, Honduras e Paraguai de defender por si mesmo seu presente e futuro, sem a OTAN ou os imperialistas. Também exigimos que se detenha o bloqueio dos Estados Unidos e seus aliados contra o povo cubano.
Ao fazer uso da palavra aqui na OIT, expresso mais uma vez o respeito e a apreciação da FSM em relação à classe operária da Grécia, que, com sua luta classista resiste e mostra sua desobediência no combate às políticas bárbaras e antipopulares.
Condenamos o governo da Grécia, que demitiu inesperadamente e em uma só noite 2.260 trabalhadores da TV e Rádio públicas do país, e com uma decisão ditatorial fechou a ambas. Os trabalhadores e os dois milhões de desempregados na Grécia devem saber que não estão sozinhos. Estamos a seu lado.
Fonte texto: Portal FSM

CTB Minas convoca dirigentes sindicais e populares para ato público no centro de BH neste sábado


A CTB Minas convoca os sindicatos filiados e os trabalhadores e trabalhadoras de Minas Gerais para participarem do ato público que será realizado neste sábado (26), às 12hs, na Praça Afonso Arinos, no centro de Belo Horizonte.
“Nos últimos dias, o povo brasileiro, principalmente a juventude, tomou as ruas de centenas de cidades, em vários estados, surpreendendo o mundo inteiro, numa maré de manifestações democráticas. Nós, sindicalistas classistas e trabalhadores, que sempre estivemos nas ruas lutando por melhores condições de trabalho, salário, saúde e segurança, não podemos ficar de fora destas manifestações. Temos que participar ativamente das manifestações, enriquecendo-as com as bandeiras de lutas dos trabalhadores”, argumenta o vice-presidente da CTB Minas, José Antônio de Lacerda, o Jota.
Na mobilização, serão defendidas bandeiras de lutas como:
- Redução imediata das tarifas - passe livre já;
- 10% do PIB para Educação;
- 10% do Orçamento Federal para a Saúde;
- Reforma agrária;
- Redução de jornada de trabalho para 40 horas semanais;
- Fim do Fator Previdenciário.
Fonte texto: Blog da CTB MG

Velha mídia dá tiro no próprio pé


Entre mortos e feridos, a mídia golpista brasileira foi quem mais perdeu com as manifestações das últimas semanas. Sua perda tem a ver com a credibilidade que tinha, isto é, se ainda tinha alguma. Sua campanha frenética em nada alterou ou vai alterar a conjuntura política e eleitoral de 2014. Eu diria, sem medo de errar, deu um tiro de bazuca no próprio pé.


Os conglomerados de comunicação incentivaram de Norte a Sul a luta contra os partidos políticos nas manifestações de rua no país. Almejavam eles mesmos disputar o rumo das massas inconformadas com várias coisas, por isso propugnavam pelo “apartidarismo” nos protestos.

Além de faixas e cartazes contra políticos, nas ruas, também havia muita hostilidade em relação à mídia. Prova disso furgões de reportagem do SBT e da Record foram incendiados e profissionais da Globo só conseguiram trabalhar camuflando a logomarca de seus microfones.

O ridículo nisso tudo não é a mídia disputar e perder, mesmo não sendo um partido político (embora ela aja como tal). O pior ainda é que os barões da mídia “introjetaram” bandeiras de seu interesse no movimento das ruas, como a luta contra a PEC 37. Um troço estranho à reivindicação concreta da juventude, como a redução nas tarifas de transporte coletivo.

Os mais tongos, é claro, empunharam a bandeira contra a PEC 37. Agora, além da mídia e alguns direitosos antipetistas de plantão, quem defende poder quase fascista aos promotores de Justiça? Tenha certeza, caro leitor, que o povo não defende isso. Pelo contrário.

O espírito democrático dos brasileiros é maior do que esse interesse de classe disfarçado de luta contra a corrupção. Folgo afirmar que poucos sabem o que representa essa tal PEC 37 e se soubessem sua essência a apoiariam, inclusive os jornalistas que costumam assumir as bandeiras de seus chefes para lhes puxar o saco.

Essa lorota de ser contra a PEC 37 é udenismo puro, portanto. Eu vou mais adiante: quero votar para juiz e promotor de Justiça. Eleição direta. Chega de cargos vitalícios, de tetas vitalícias. Se os brasileiros não têm esse privilégio, por que juízes e promotores precisam dessa mamata?

O bacana que dessas picaretagens patrocinadas pela velha mídia também se extrai ensinamentos pedagógicos. O primeiro diz respeito à necessidade dos partidos políticos na sociedade: ruim com eles, pior sem eles; o segundo, que os barões da mídia transformam seus veículos em partidos mesmo sem alistamento no Tribunal Superior Eleitoral e partem para a disputa de opinião; e o terceiro é que a classe média continua sociologicamente covarde como sempre, pois não tem projeto nem coragem de avançar rumo ao poder — ficou com medo diante dos atos de vandalismo proporcionados pela ausência de verticalidade nos movimentos de rua.

A velha mídia não forçou a barra somente com a questão da PEC 37. Ela também tentou jogar a massa embriagada pelo “apartidarismo” contra as obras da Copa do Mundo. Em Curitiba, nesta sexta-feira, burguesinhos bem nutridos literalmente levaram “pau” da torcida organizada ‘Os Fanáticos’ do Clube Atlético Paranaense, que defenderam a integridade da Arena da Baixada.

Se alguma tragédia ocorreu ou ocorrer nesses protestos de rua, a meu ver, tem uma única culpada: a carcomida velha mídia; ela mesma, aquela que sempre apoiou a “borracha” nos estudantes e a tortura na ditadura militar, inclusive com eliminação física dos oponentes.

Precisa falar (escrever) mais?


Fonte texto: Blog do Miro.

Governo lança nota sobre investimentos federais para a Copa

Os ministérios do Esporte e de Planejamento e Gestão lançaram na noite deste domingo (23) nota conjunta desmentindo a matéria veiculada pelo Portal UOL no mesmo, assinada por Rodrigo Mattos e Vinicius Konchinski, que, “distorce informações, faz relações incorretas e induz o leitor a uma interpretação errada dos fatos.  


De acordo com o governo federal, “não há um centavo do Orçamento da União" direcionado à construção ou reforma dos estádios onde serão disputados os jogos da Copa do Mundo de 2014.

Os dois ministérios esclarecem que há uma linha de empréstimo, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com juros e exigência de todas as garantias bancárias, como qualquer outra modalidade de crédito do banco. 

“O teto do valor do empréstimo, para cada arena”, diz a nota ministerial, “é de 400 milhões de reais, estabelecido em 2009, valor que permanece o mesmo até hoje”. O documento informa ainda que o BNDES tem taxas de juros específicas para diversas modalidades de obras e projetos e que o financiamento dos estádios faz parte de uma dessas modalidades.

O texto é taxativo: “Não houve qualquer aporte de recursos do Orçamento da União nos últimos anos para a Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília). Portanto, a matéria do UOL está errada. Não há recurso algum do Orçamento da União para a obra de nenhuma das arenas, o que inclui o Estádio Nacional Mané Garrincha”.

De acordo com os ministérios do Esporte e de Planejamento e Gestão, as isenções discais não podem ser consideradas gastos. Segundo a ótica do governo, estas isenções “alavancam geração de empregos e desenvolvimento econômico e social, e são destinadas a diversos setores e projetos”. A nota exemplifica: “Só as obras com as seis arenas concluídas até agora geraram 24.500 empregos diretos, além de milhares de outros indiretos, principalmente na área da construção civil”.

O documento reitera a destinação dos aportes de dinheiro público para a Copa do Mundo de 2014: “É importante reforçar que todos os investimentos públicos do Governo Federal para a preparação da Copa 2014 são em obras estruturantes que vão melhorar em muito a vida dos moradores das cidades. São obras de mobilidade urbana, portos, aeroportos, segurança pública, energia, telecomunicações e infraestrutura turística”.

A nota ministerial finaliza afirmando que a realização de megaeventos representa para o país uma oportunidade para acelerar investimentos em infraestrutura e serviços, melhorando as cidades e a qualidade de vida da população brasileira. “Os investimentos fortalecem a imagem do Brasil, de seus produtos no exterior e incrementa o turismo no país, gerando mais empregos e negócios para o povo brasileiro”.

Fonte texto: Portal Vermelho

terça-feira, 18 de junho de 2013

Medo?


Tive medo.
Por alguns minutos eu me encolhi em mim mesmo.
Me passou muitas coisa pela cabeça.
Ao olhar a cara dos trabalhadores da segurança publica (ou quase publica), nos olhando com se fossemos bandidos e fossemos atacar o maior bem do povo: a democracia.
Tive medo.
Tive vontade de correr e me esconder em algum lugar alí, proximo a avenida, de forma que não conseguisse ver ou ouvir nada.
Fingir para mim mesmo que não está acontecendo nada.
Tive medo.
Tive muito medo.
Um medo incontrolavel de ficar dias pensando neste acontecimento.
Mas o medo que sentia não era de entrar na frente dos soldados da policia anti-povo.
Não era de abrir os braços e de encontro as bombas e balas de borracha.
Sai do movimento sindical em que temos um adversario que não mede esforços para nos derrotar.
Não tive receio da mídia golpista pronta para deturpar os movimentos sociais e enaltecer o sistema de exploração.  
Na verdade o que tive, foi um medo pavoroso de dizer para as minhas filhas que aquilo que elas leram ou lerão nos livros de história do Brasil foi vivencial pelo seu pai quase quarenta anos após o seu final anunciado.
Que democracia dos atos dos movimentos sociais são tratados com balas de borracha.
Que quando andei de braços abertos para seguir em frente sem me armar com a covardia do estado fui intimidado com gás lacrimogeneo.
Que não dei a mão para o companheiro para lhe comprimentar e sim para levanta-lo após ser agredido pela força policial.
Tenho medo de dizer que senti um pouco do gosto amargo da ditadura militar.
De um sindicalista e trabalhador e ser tratado com marginal.
De ver a constituição que todos lutaram por ela, ser rasgada a caneta do neo-liberalismo.
Tenho medo do estado opressor atacar minha casa.
Desonrar minha familia.







Romney Mesquita
Dirigente SITRAMICO MG e CTB MG

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Haddad, exclusivo: o MPL e a militância digital

Em plena efervescência do Movimento Passe Livre, o prefeito Fernando Haddad recebeu o Jornal GGN em seu gabinete, na prefeitura de São Paulo, para uma entrevista gravada.
Contou sobre os convites para que o MPL viesse negociar, a dificuldade de identificar os líderes do movimento, a surpresa quando viu reprtagem com uma das lídreres - que parecia ser da idade de sua filha.
Mostrou a impossibilidade da tarifa zero, os custos dos transportes nos últimos anos.
Finalmente, discorreu sobre o novo personagem político, o militante virtual. Muitos de seus assessores foram às ruas pelas diretas e com os caras pintadas. No momento, debruçam-se em reuniões para aprender como abrir a porta e trazer a rapaziada para as salas, em vez de ficarem batendo a cabeça nos corredores.
É cuidadoso na análise dos incidentes, para não contaminar as relações com o governo do Estado.
Vídeo sobre a matéria:

A resposta é mais democracia


Não enxergar o elo entre as ruas e o ciclo histórico costuma ser fatal às lideranças de uma época. 

Acreditar que o elo, no caso dos recentes protestos em São Paulo, está no aumento de 20 centavos sobre uma tarifa de transporte congelada desde janeiro de 2011, é ingenuidade.

Supor que a ordenação entre uma coisa e outra poderá ser restabelecida à base de cassetetes e pedradas é o passaporte para o desastre.

Desastre progressista, bem entendido.

A lógica conservadora nunca alimentou dúvidas existenciais ou políticas quanto a melhor forma de manter o caos nos eixos. 

Esse é um apanágio do seu repertório histórico.

O colapso do trânsito, inclua-se nesse desmanche o custo e o tempo despendidos nos deslocamentos, é apenas o termômetro mais evidente de um metabolismo urbano comatoso.

Cerca de 1/3 dos paulistanos, aqueles mais pobres, residentes nas periferias distantes, levam mais de uma, a até mais de duas horas no trajeto da casa ao trabalho.

Os tempos indicados são referentes à ida; não consideram o gasto no retorno.

Os dados são de pesquisa recente do Ibope.

Não se produz uma irracionalidade desse calibre sem um acúmulo deliberado. 

Estudos do Ipea reiteram a piora nas condições de transporte urbano das principais áreas metropolitanas do país desde 1992.

O Brasil tem a taxa de urbanização mais alta em uma América Latina que lidera o ranking mundial nesse indicador, diz a ONU.

O país concluiu a transição rural/urbana em três décadas, açoitado pela política de modernização conservadora do campo.

Isso se fez sob a chibata de uma ditadura militar .

E não poderia ter sido feito exceto assim.

A virulência do Estado ditatorial fez em um terço do tempo aquilo que as nações ricas levaram um século para realizar.

A coagulação da insensatez na atual ‘imobilidade urbana’ reflete o saldo de perdas e danos dessa marcha batida da história.

O crescimento populacional desordenado das grandes cidades, agudizado pelas referidas migrações é um dos alicerces da ruína. 

Ancorada na omissão pública de décadas, a expansão irracional e especulativa da mancha urbana ganhou vida própria. 

Com os desdobramentos logísticos sabidos: aumento das taxas de deslocamento e motorização; explosão dos congestionamentos e do custo do transporte.

Na vida da cidade e no bolso de cada cidadão.

Não é figura de retórica dizer que esses ingredientes acionam o pino de cada bomba de gás lacrimogênio e faíscam o pavio de cada enfrentamento irrefletido nas batalhas campais registradas na cidade de São Paulo em menos de uma semana.

Repita-se: o conservadorismo tem certezas esféricas quanto a melhor forma de lidar com a nitroglicerina social contida nas cápsulas de concreto que ergueu no país nas últimas décadas. 

Suas escolhas não podem ser as mesmas das forças progressistas.

O nivelamento regressivo acontecerá caso a inércia política ceda o comando dos acontecimentos à lógica da violência.

No caso dos protestos em São Paulo, a responsabilidade da autoridade municipal é superlativa. 

Cabe-lhe reafirmar o divisor entre a gestão progressista de uma sociedade e a visão conservadora sobre os seus conflitos.

Carta Maior saudou a vitória de Fernando Haddad em 2012 por entender, como entende, que ele representa o resgate do cimento da democracia na reconstrução de São Paulo.

Mais que isso.

Por entender que a sorte de São Paulo sob a liderança da nova administração marcará o destino da agenda progressista brasileira no período em curso. 

A maior metrópole latino-americana constitui um gigantesco laboratório de desafios e recursos.

Tem a escala necessária para gerar contracorrentes vigorosas, a ponto de sacudir e renovar a agenda da esquerda brasileira, após mais de uma década no comando do país. 

A deriva em que se encontram os serviços e espaços públicos da cidade é obra meticulosa e secular de elites predadoras.

Ao longo de décadas, a Prefeitura consolidou-se aos olhos da população como um anexo dessa lógica expropriatória, quando deveria funcionar como um escudo do interesse coletivo.

Incapaz de se contrapor à tragédia estrutural que marca a luta pela vida em São Paulo, tornou-se uma ferramenta irrelevante aos olhos da cidadania.

A tragédia se completa com o descrédito da população em relação ao seu próprio peso na ordenação institucional da cidade.

Daí para acender uma espiral de enfrentamentos bastam 20 centavos de diferença na tarifa.

Sim, há outras nuances e interesses entrelaçados ao destaque esquizofrênico com que a mídia convoca e, depois, alardeia o caos a cada protesto.

Tais motivações são as mesmas que fizeram do tomate um astro olímpico na modalidade ‘descontrole dos preços’, há menos de um mês. 

As mesmas que hoje alardeiam ‘a explosão’ do dólar – e, ontem, denunciavam o ‘populismo cambial’ e os malefícios, verdadeiros, do Real sobrevalorizado.

Essas motivações exercitam sua sofreguidão cotidianamente na mesmice de uma mídia que se esboroa sob o peso de sua própria irrelevância jornalística.

A resposta da Prefeitura de São Paulo aos protestos não deve se pautar pelos uivos do jogral conservador.

Não se trata, tampouco, de conciliar com a violência gratuita.

Mas, sim, de encarar as manifestações como um mirante privilegiado para fixar uma nova referência na vida da cidade.

Qual seja, a de calafetar o abismo conservador que predominou secularmente na relação entre a Prefeitura e os moradores da metrópole, sobretudo a sua parcela mais pobre.

O trunfo do prefeito Fernando Haddad é ter sido eleito para isso.

Ele tem legitimidade para subtrair espaços à engrenagem opressora e devolve-los a uma cidadania há muito alijada das decisões referentes ao seu destino e ao destino do seu lugar.

Um salto de qualidade e intensidade na participação democrática na gestão da cidade; essa é a resposta para a fornalha da insatisfação.

Da qual os incidentes de agora podem representar apenas um prenúncio pedagógico.

São Paulo é o produto mais representativo do capitalismo brasileiro. 

Um labirinto de contradições, uma geringonça que emperra e se arrasta, desperdiça energia e cospe gente enquanto tritura e refaz o seu concreto de desigualdade.

Não há solução administrativa ou orçamentária imediata para o caos deliberadamente construído aqui.

A resposta à lógica que sequestrou a cidade dos seus cidadãos é devolvê-la a eles fortalecendo os canais existentes e abrindo outros novos, que dilatem o seu discernimento e a capacidade de erguer linhas de passagem entre o presente e o futuro. 

A alternativa é a anomia, eventualmente sacudida de gás lacrimogênio e pedradas.


Fonte texto: A Carta Maior

Chefes da Fiat tentam impedir direito de organização dos trabalhadores e agridem dirigentes do Sindicato

Dois diretores do Sindicato foram agredidos por líderes da Fiat Automóveis, na portaria 5 da montadora, em Betim, na última quinta-feira (13), quando tentavam informar os trabalhadores sobre o andamento das negociações da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) de 2013, nas quais, até o momento, a Fiat não apresentou nenhuma proposta aos metalúrgicos.
Os alvos das agressões foram os diretores Alex Santos e José Nunes, que trabalham na empresa. Inicialmente, alguns RHs e cerca de 15 líderes desferiram palavrões contra os dirigentes sindicais. Como ambos não se deixaram intimidar, Alex Santos (foto) acabou sendo agredido com socos nas costas por um dos chefes.
“A agressão não foi maior porque alguns colegas seguraram o líder. Mesmo assim, ele ainda tentou se desvencilhar para me agredir e me ameaçou, dizendo que estaria me esperando naquele local novamente para ‘quebrar minha cara’ ”, contou Alex.
Mesmo com toda a repressão e agressão dos líderes, Alex Santos recebeu uma advertência do RH da Fiat, que alegou que ele havia dito palavras que desabonaram o agressor.
Na sexta-feira (14), os diretores do Sindicato voltaram a ser atacados por chefes da Fiat, na tentativa de impedir que os dirigentes sindicais tivessem contato com os metalúrgicos da fábrica.
Diante da gravidade da situação, o Sindicato, por meio do seu Departamento Jurídico, estuda as medidas cabíveis a serem tomadas para resguardar a segurança dos dirigentes sindicais e o direito de organização dos trabalhadores.
“O Sindicato, como legítimo representante dos metalúrgicos, não vai se deixar intimidar por chefes despreparados, que tentam calar a todo custo os diretores do Sindicato e impedir os trabalhadores de terem acesso às informações de seu interesse. Exigimos respeito aos dirigentes do Sindicato e aos trabalhadores em seu local de trabalho e mais democracia na fábrica”, disse o diretor do Sindicato, Alex Santos.
Fonte texto: Blog da CTB MG

Foz de Iguaçu : XXI Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba reúne cerca de 400 apoiadores


Os mais de 400 delegados de grupos de solidariedade e associações José Martí de todo o território do Brasil participaram da XXI Convenção Brasileira de Solidariedade a Cuba  na cidade de Foz de Iguaçu. No dia 14, os participantes ouviram  conferência oferecida pelo doutor Angel Mauro Alfonso Fernández, que falou sobre o programa de atendimento primário de saúde e a cooperação internacional neste ramo.

Os desafios do processo de integração latino-americano e as experiências dos movimentos de solidariedade foram outros temas a serem discutidos no encontro, realizado na fronteira com a Argentina e o Paraguai.

Durante o evento, Socorro Gomes, do Centro Brasileiro de Solidariedade com os Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), exigiu a retirada das tropas norte-americanas da base de Guantánamo, território cubano ocupado ilegalmente pelos Estados Unidos. Exigiu nesse sentido a necessidade de construir a unidade latino-americana para exigir com mais força a entrega dese pedaço de solo cubano ao seu povo e a suspensão da política hostil da Casa Branca contra a maior das Antilhas.

Apesar do bloqueio econômico e financeiro imposto pela Casa Branca há mais de 50 anos contra Cuba, essa nação é um país soberano que conta com o melhor sistema sanitário do mundo, assegurou.

Uma das convidadas a esse encontro, Adriana Pérez, esposa de Gerardo Hernández, um dos cinco antiterroristas cubanos presos nos Estados Unidos em 1998, solicitou apoio para conseguir a libertação desses lutadores.

Pérez denunciou as violações dos direitos humanos cometidas pela administração estadunidense, que negou a possibilidade de visitar seu marido ao negar-lhe o visto todas as 12 vezes nas quais foi solicitado.

Gerardo Hernández foi condenado a duas condenações perpétuas mais 15 anos de prisão e ainda permanece preso, da mesma forma que outros três de seus companheiros de causa: Ramón Labañino, Antonio Guerrero y Fernando González, apesar da forte pressão internacional para que o governo estadunidense os libere.
O outro antiterrorista, René González, saiu da prisão em liberdade condicional está em Havana, após renunciar a sua cidadania estadunidense.

Os Cinco, como são conhecidos a nível internacional, monitoravam os planos das organizações terroristas financiadas pelos Estados Unidos e sediadas no sul da Flórida.

A XXI Convenção brasileira encerrou com  com a aprovação de um documento chamado Carta de Foz do Iguaçu, na qual serão expostas as medidas e ações para impulsionar durante os próximos 12 meses a defensa de Cuba.

No sábado, dia 15 de junho, os participantes fizeram manifestação de apoio a Cuba na Ponte da Amizade, divisa entre Brasil e Paraguai
Fonte texto: Blog da ACJM MG