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terça-feira, 10 de março de 2015

O PT ainda não entendeu o "antipetismo"?

Para professor da USP, autor de "A história do PT", o partido erra ao se comparar com os governos anteriores e demonizar a classe média
Dez anos depois de ter seus principais líderes envolvidos no“mensalão”, o Partido dos Trabalhadores vê mais dirigentes serem diretamente acusados na Operação Lava Jato. Apesar de a polêmica desgastar ainda mais a imagem do partido, para Lincoln Secco, professor de História da Universidade de São Paulo e autor do livro A história do PT, o grande problema do partido é a base cada vez maior do antipetismo, crescente principalmente entre as classes médias. “[Esse sentimento está] traduzido pelo discurso anticorrupção, ‘antiaparelhismo’ do Estado, por mais que sejam noções que se aplicam também a governo anteriores. Mas não basta o PT dizer isso porque o partido já está no poder há 13 anos”. 
Em entrevista a CartaCapital, Secco explica como o modelo de gestão petista, baseado no pacto de conciliação de classes, “deixou uma margem de manobra crítica para os setores médios”. “O erro do PT é esse. O partido jamais quis acirrar a luta de classes, mas o modelo de governo que ele constituiu, que elevou uma parte das classes pobres socialmente, acirraria inevitavelmente a luta de classes”.
Dez anos depois de ter seus principais líderes envolvidos no“mensalão”, o Partido dos Trabalhadores vê mais dirigentes serem diretamente acusados na Operação Lava Jato.

sábado, 20 de setembro de 2014

HADDAD, O PREFEITO DA CIVILIDADE, CONSEGUIRÁ HUMANIZAR A BÁRBARA ELITE ESCRAVOCRATA PAULISTANA?

Ontem, Diego Casaes (Avaaz) perguntou-me quem eu chamaria para falar na Caminhada sobre o Clima, megaevento mundial com participação de inúmeros sindicatos, centrais e movimentos sociais: “Quem deve falar ao público? Quem deve transmitir a mensagem de que o futuro vale a pena?!”
Respondi a ele: Fernando Haddad, o prefeito mais cidadão do planeta, que tenta de toda maneira fazer os bárbaros coxinhas entenderem que é possível caminhar, andar de bicicleta de modo seguro e priorizar transporte coletivo sem que o mundo acabe. Que uma cidade para todos é uma cidade mais humana para o planeta inteiro, que Sampa do jeito que está vai implodir. Daí me deparo com o texto da Aina que deixa bem claro isso:
Esses dias, nessas minhas idas à cidade de São Paulo, conversando sobre a vida com M., uma grande amiga, ela me contou do quanto a coisa estava difícil por lá e do quanto ela estava apavorada com a possibilidade do racionamento de água. Minha amiga estava, na verdade, em pânico com a possibilidade de ter de conviver com os dejetos de outrem no trabalho e em casa, já que divide o apartamento com mais duas pessoas.Eu apenas escutava e achava compreensível aquele mal-estar.Então, não sei explicar como e nem por que, mas nossa conversa foi assumindo acepções políticas e encontrei minha amiga totalmente inconformada com o fato de nossa amada cidade cinza rejeitar e desaprovar a administração do prefeito Haddad e, em contrapartida, desejar a reeleição do atual governador do estado. Ela discorria continuamente sobre as ciclovias, o corredor de ônibus e comparava essas iniciativas louváveis aos feitos do atual governador. Por fim, já completamente desesperada, ela olhou para mim com seus olhos nipônicos e expressivos e disse: “por que essas pessoas querem isso, Ni!?”
Esses dias, nessas minhas idas à cidade de São Paulo, conversando sobre a vida com M., uma grande amiga, ela me contou do quanto a coisa estava difícil por lá e do quanto ela estava apavorada com a possibilidade do racionamento de água. Minha amiga estava, na verdade, em pânico com a possibilidade de ter de conviver com os dejetos de outrem no trabalho e em casa, já que divide o apartamento com mais duas pessoas.

sábado, 9 de agosto de 2014

Espetáculo mergulha na classe média metropolitana

Grupo Sobrevento move-se pelos registros líricos, trágicos e cômicos em espetáculo que usa dados biográficos de atores em proposta colaborativa
Grupo Sobrevento move-se pelos registros líricos, trágicos e cômicos em espetáculo que usa dados biográficos de atores em proposta colaborativa
Quantas memórias se encravam nos cômodos da casa familiar? Que histórias se entranham nas paredes de uma morada após décadas de ocupação?

sexta-feira, 20 de junho de 2014

UMA RESPOSTA AO ARTIGO INCRÍVEL GERAÇÃO DE MULHERES!

UMA RESPOSTA AO ARTIGO INCRÍVEL GERAÇÃO DE MULHERES!
Eu acreditava nas causas firmes e fortes das feministas do partido, até jurava que nunca entenderia a crise as quais elas sempre enfrentavam (e enfrentam), porque eu era fraca. Uma ocasião até me chamou a atenção para uma atuação mais consistente na área, pois oras que faz uma jovem comunista fora de uma organização de mulheres né?

O Agricultor e a Luta de Classe

O Agricultor e a Luta de Classe
Este vídeo mostra a luta de classe na visão de um agricultor catarinense.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Capitalismo e desigualdade social são duas faces da mesma moeda

De acordo com o relatório do banco Credit Suisse (The Credit Suisse Global Wealth Report 2012), 0,6% da população de milionários abocanha 12 vezes mais riquezas que 69,3% dos habitantes do planeta. O informe estima uma riqueza global de US$ 223 trilhões em 2012 (meados do ano). Como havia 4,59 bilhões de pessoas adultas no mundo, a riqueza per capita por adulto foi de US$ 49 mil. Ou seja, esse seria o valor caso dividíssemos igualmente a riqueza para todas as pessoas do mundo. 
 
Esse informe mostra de maneira clara que não há distribuição de riqueza no sistema capitalista. Como o Manifesto Comunista explica, nossa sociedade está dividida, principalmente, entre proletários e burgueses. Os proletários são aqueles que não têm nada além da sua força de trabalho para sobreviver. São os operários da fábrica, professores, enfermeiros, vendedores, resumindo: são os 69,3% que deveriam ter uma renda per capita de US$ 49 mil. 
 
Os burgueses são os 0,6%. Vivem do dinheiro que os proletários geram.  São os donos de bancos, grandes empresas e latifúndios que exploram a maioria da população para conseguir acumular as mansões, carros, jatinhos e toda a riqueza que possuem. 
 
Analisemos mais de perto os 69,3% de adultos que representam 3,184 bilhões de pessoas com maior idade. Eles são a “A base da pirâmide” de nossa sociedade e detiveram apenas 3,3% da riqueza mundial. Ou seja, 2/3 dos adultos ficaram com apenas 7,3 trilhões dos 223 trilhões da riqueza global. Sendo assim, ou invés de US$ 47 mil eles receberam US$ 2.293. Enquanto isso, os milionários, aqueles com patrimônio acima de um milhão de dólares eram somente 29 milhões de adultos, representando 0,6% do total no mundo. Todavia eles possuem 12 vezes o patrimônio da “base da pirâmide”, concentrando 39,3% da riqueza global, um montante de US$ 87,5 trilhões. 
 
A pesquisa mostra ainda dados sobre os grupos intermediários, que poderíamos situar de maneira abstrata, como a pequena burguesia ou classe média. Seriam os pequenos e médios empresários, comerciantes e profissionais liberais. 
 
Para a riqueza entre US$ 10 mil e US$ 100 mil, havia 1,035 bilhão de adultos, o que representava 22,5% do total de pessoas adultas no mundo. O montante de toda a riqueza deste contingente intermediário foi de US$ 32,1 trilhões, o que representava 14,4% da riqueza global. Ou seja, pouco menos de um quarto (1/4) dos adultos do mundo possuíam 14,4% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 31 mil.
 
No grupo de riqueza entre cem mil e um milhão de dólares, havia 344 milhões de adultos, o que representava 7,5% do total de pessoas na maioridade no mundo. O montante de toda a riqueza deste contingente intermediário foi de US$ 95,9 trilhões, o que representava 43,1% da riqueza global. Ou seja, pouco menos de um décimo (1/10) dos adultos do mundo possuíam 43,1% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 279 mil.
 
A incrível pirâmide da desigualdade global como chama o professor José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal Ecodebate é a hierarquia do sistema capitalista e não irá mudar, enquanto nosso sistema estiver assentado na exploração do homem pelo homem. Para os 0,6% estarem no topo é preciso que milhares sejam explorados todos os dias.
 
O problema dessa desigualdade não é a necessidade de outra política de tributação para os mais ricos. Isso pode até ajudar, mas para que todos tenham igual distribuição de riqueza, precisaremos de outro sistema no qual a prioridade seja o bem estar geral da população, não o lucro. Assim poderíamos garantir a riqueza per capita de US$ 49 mil por adulto.

Fonte Texto: Blog Esquerda Marxista

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O combustível que alimenta as manipulações nas passeatas

Há um combustível eficiente para dar gás às manobras da direita: as movimentações da esquerda.
O esquema de provocação é simples de entender. Há um mal-estar generalizado no ar, contra tudo e contra todos. As redes sociais potencializaram esse sentimento, que acabou transbordando para as ruas.
Nas ruas, constatou-se o que lideranças lúcidas do PT já tinham percebido desde os tempos do mensalão: é mais fácil a classe média tomar as ruas do que os movimentos populares. A velha mídia tentou criar essa mobilização no julgamento do mensalão. Quase conseguiu. Agora pegou carona nos movimentos do Passe Livre.
Ocorre que ficou claro a existência das bandeiras difusas, a falta de uma voz centralizada de comando, como limalhas jogadas em uma placa, sem um imã para juntá-las.
Quais as bandeiras da direita? O casamento gay, certamente não. A PEC 37, apenas um slogan para a maioria dos participantes. A redução do preço da passagem, de modo algum. Os ataques `a Globo e Veja?
O que os provocadores fazem é potencializar alguns sentimentos difusos, manobrando-os para seu lado. E aí conseguiram a extraordinária contribuição da esquerda. Por exemplo, havia o sentimento disseminado de que a manifestação deveria ser apartidária. Aí o presidente do PT São Paulo decide que as ruas são do PT e coloca manifestantes com a camiseta e as bandeiras do partido.
Entregou de bandeja para os provocadores do tal Movimento Nacionalista, que transformaram o sentimento em ação violenta.
Agora, organizações de esquerda planejam uma grande movimentação esta semana, para mostrar a capacidade de mobilização das esquerdas.
Há a necessidade de um mínimo de bom senso. Qualquer movimentação de rua, neste momento, servirá apenas para prolongar a catarse e servir como massa de manobra para provocadores.
Assim como a violência policial incendiou o movimento, a disputa esquerda-direita jogará combustível em um fenômeno que começa a ceder.
Deixem esvaziar o movimento de ruas e confinem as disputas apenas às redes sociais.
As últimas cenas violentas de rua começam a afastar a classe média. Não há consenso nem entre os grandes grupos de mídia. A Globo está empenhada em mostrar o caráter pacífico e difuso do movimento, com receio de que derive para uma ação contra a Copa do Mundo que prejudique seu negócio da década. Por aí entende-se o editorial do jornal, pedindo o fim das manifestações.
O Estadão não tem interesse em dar corda contra Dilma, para não trazer de volta Lula. Veja parece um desses canhões de navio que ficam soltos no convés, destruindo tudo ao seu redor.
Pretender disputar a rua, neste momento, significará apenas dar forma e substância ao que é, hoje em dia, apenas a exploração oportunista de sentimentos difusos.
Façam uma pausa, recolham as armas, dêem tempo para os diversos governos - federal, estaduais e municipais - respirarem e pensarem nas respostas objetivas às demandas da população.
Fonte texto: Luis Nassif On Line

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Jovem rico erra. “Menor” pobre comete crime


Os repetidos casos de violência gerados por jovens da classe média alta brasileira e a forma aviltante com a qual têm sido tratados adolescentes pobres no processo de ocupação policial de comunidades no Rio de Janeiro me deixam duplamente incomodado. Primeiro, é claro, pelo fato em si. Segundo, pela forma como a sociedade se comporta diante disso.
Sabemos que é mais fácil uma pessoa que roubou um xampu, um litro de leite ou meia dúzia de coxinhas ir amargar uma temporada no xilindró – como mostram diversos casos que já trouxe aqui – do que um empresário que corrompeu ou um político que foi corrompido passarem uma temporada fora de circulação.
Não que o princípio da insignificância (que pode ser aplicado quando o caso não representa riscos à sociedade e não tenha causado lesão ou ofensa grave) não seja conhecido pelo Judiciário. Insignificante mesmo é quem não tem um bom advogado, muito menos sangue azul ou imunidade política.
Tempos atrás, a seguinte notícia veio a público:
“A empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, de 32 anos, teve a bolsa roubada e foi espancada por cinco jovens moradores de condomínios de classe média da Barra da Tijuca, na madrugada de sábado. Os golpes foram todos direcionados à sua cabeça. Presos por policiais da 16ª DP (Barra), três dos rapazes (…) confessaram o crime e serão levados para a Polinter. Como justificativa para o que fizeram alegaram ter confundido a vítima com uma prostituta.”
Os rapazes não eram da ralé. Se fossem de classe social mais baixa, certamente o texto seria sutilmente diferente:
“A empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, de 32 anos, teve a bolsa roubada e foi espancada por cinco moradores da favela da Rocinha, na madrugada de sábado. Os golpes foram todos direcionados à sua cabeça. Presos por policiais da 16ª DP (Barra), três dos bandidos (…) confessaram o crime e estão presos. Como justificativa para o que fizeram alegaram ter confundido a vítima com uma prostituta.”
Rico é jovem, pobre é bandido. Um é criança que fez coisa errada, o outro um monstro que deve ser encarcerado. Lembro que o pai de um deles, num momento de desespero, justificou a atitude do filho como sendo perdoável. Da mesma forma, o pai de um dos jovens que agrediram homossexuais com lâmpadas fluorescentes na avenida Paulista, em São Paulo, pediu condescendência. Afinal, isso não condiz com a criação que tiveram. Bem, são pais, é direito deles. O incrível é como a sociedade encara o tema, com uma diferenciação claramente causada pela origem social.
Tenho minhas dúvidas se a notícia sairia se fosse o segundo caso. Provavelmente, na hora em que o estagiário que faz a checagem das delegacias chegasse com a informação, ouviria algo assim na redação: “Pobre batendo em pobre? Ah, acontece todo dia, não é notícia. Além disso, é coisa deles com eles. Então, deixem que resolvam”.
Amigos que trabalharam em uma rádio grande de São Paulo, pertencente a um grupo de comunicação, já ouviram algo muito parecido, mas mais cruel… É triste verificar mais uma vez que o conceito de notícia depende de qual classe social pertencem os protagonistas. Somos lenientes com os nossos semelhantes, com aqueles que poderiam ser nossos primos e irmãos, e duros com os outros.
A justificativa dos espancadores também é bastante esclarecedora. Ou seja, “puta” e “bicha” pode. Assim como índio e “mendigo”. Lembram-se do Galdino, que morreu queimado por jovens da classe média brasiliense enquanto dormia em um ponto de ônibus? Ou a população de rua do Centro de São Paulo, que vira e mexe, é morta a pauladas enquanto descansa? Até onde sabemos, apesar dos incendiários brasilienses terem sido presos, eles possuíam regalias, como sair da cadeia para passear. E na capital paulista, crimes contra populacão de rua tendem a ser punidos com a mesma celeridade que agressões contra indígenas no Mato Grosso do Sul.
Na prática, as pessoas envolvidas nesses casos apenas colocaram em prática o que devem ter ouvido a vida inteira: putas, bichas, índios e mendigos são a corja da sociedade e agem para corromper os nossos valores morais e tornar a vida dos cidadãos de bem um inferno. Seres descartáveis, que vivem na penumbra e nos ameaçam com sua existência, que não se encaixa nos padrões estabelecidos. E por que não incluir nesse caldo as empregadas domésticas, que existem para servir? Se eles soubessem a profissão de Sirley, teria feito diferença?
A sociedade tem uma parcela grande de culpa em atos como esse e os dos jovens que se tornam soldados do tráfico por falta de opções e na busca por dignidade, fugindo da violência do Estado e do nosso desprezo. A culpa não é só deles.
A diferença é que, para os da classe média e alta, passamos a mão na cabeça. Afinal, são “jovens”. Para os pobres, os “menores”, passamos bala.
Vídeo sobre a matéria:
Fonte texto: Portal UJS