quarta-feira, 9 de março de 2016

Deputada, umbandista e negra contra todas as formas de discriminação no Uruguai

Mãe Susana Andrade é presidenta da Federação Afroumbandista (IFA) do Uruguai e integrante dogrupo Atabaque. Ativista social e política, é ainda deputada nacional pela Frente Ampla (FA), bloco político que dá suporte ao atual presidente uruguaio, Tabaré Vázquez. Além de ser a primeira afroumbandista a ocupar tal posição política no país, Mãe Susana é ainda a primeira mulher negra a ser eleita deputada pela FA.

Esta entrevista foi concedida por ocasião do lançamento do seu livro
Mãe Susana Andrade é presidenta da Federação Afroumbandista (IFA) do Uruguai e integrante dogrupo Atabaque.
Ativista social e política, é ainda deputada nacional pela Frente Ampla (FA), bloco político que dá suporte ao atual presidente uruguaio, Tabaré Vázquez. Além de ser a primeira afroumbandista a ocupar tal posição política no país, Mãe Susana é ainda a primeira mulher negra a ser eleita deputada pela FA.

Esta entrevista foi concedida por ocasião do lançamento do seu livro "Mima Kumba e outros encantos negros”, lançado pela
 Rumbo Editorial. Agradecemos a amabilidade de Mãe Susana em conceder a entrevista. Desejamos-lhe êxito em seu livro e bençãos à sua missão religiosa, ao seu trabalho político e de militância social.

O que significa, para você, [o libro] "Mima Kumba e outros encantos”?
Catalogado pelo professor e escritor Lauro Marauda (que o editou), é visto como um livro de "denúncia e amor”. Pessoalmente, é uma mensagem de igualdade social, que necessita ser difundida. É mais compreensível quando se mostra, na prática do dia-a-dia, os obstáculos que surgem contra o pleno desfrute dos direitos a ser praticante de uma forma de religiosidade discriminada por suas origens indígenas e africanas; isto é um indicador importante da situação. Pensei que compartilhar experiências ajudaria muitas pessoas que se encontram nesse mesmo caso que eu. Pelo menos é reconfortante saber que acontece a mesma coisa com outros.
divulgacao
O que representa escrever como mulher, como afrodescendente e como umbandista?
Escrever, no meu caso, é um compromisso e uma satisfação. A gratificação vem da necessidade de comunicação, concretizada ao menos parcialmente. A mais alta probabilidade de que isso se modifique é se falamos disso. Sobretudo, tratando-se de setores da sociedade histórica e altamente vulnerabilizados. É o que se chama empoderamento e resiliência: sobrepor-se e apropriar-se da própria vulnerabilidade, e utilizá-la como arma de igualdade e de denúncia de desigualdade, maximizada ao reunirem-se múltiplas discriminações.
Continuamos sendo uma sociedade machista e conservadora?
Em nossa sociedade, que se diz plural, mas é realmente hegemônica e ocidentalizada, com imaginários em que se veem ainda a hierarquia entre as culturas, com um patriarcado transformado em um machismo ultrapassado, que se nega a desaparecer e mostra suas mais horripilantes caras, como a violência contra as mulheres, que, inclusive, aumenta, há reticências à aceitação da diversidade cultural, que implica igualdade nos direitos de gênero e o respeito à pluralidade étnica. Como no tema equidade racial há marcos normativos avançados, mas, entretanto, a sociedade continua sendo conservadora e vertical.
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Membros do IFA acompanhando Mãe Susana. Foto: divulgação.


Qual é, para você, a relação entre ser religioso e estar comprometido com a política?Existe um equilibrio benéfico?
A relação ou o denominador comum é o ser humano. E, como tal, coexistem em nós as distintas facetas que uma pessoa pode desenvolver ao longo de sua vida. Em nosso caso, dedicados organicamente à luta por equidade racial e cultos afro em geral, a política partidária é uma ferramenta a mais de mudança. Daí a necessidade de ocupar lugares de decisão, para conseguir aprofundar a democracia no sentido de uma maior inclusão de coletivos minoritários e suas expressões culturais, entre elas o aspecto religioso. Nesse sentido, a partir do nosso ponto de vista, há uma junção positiva.
A partir desse lugar no mundo, ao sul da América Latina, o que você diria a tantas mulheres que vivem humilhadas e escravizadas, que já não podem crer em Deus, por tantos sofrimentos suportados?
Devemos ter a capacidade de ser a mão visível de Deus na Terra.
Fonte:Adital

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