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quarta-feira, 10 de março de 2021

Morador de rua é queimado enquanto dormia na Praça da Estação

Um senhor em situação de rua foi vítima de um grave e covarde atentado no fim da madrugada desta terça-feira (9), na Praça da Estação, região Central de Belo Horizonte. Dois homens ainda não identificados jogaram gasolina sobre ele e atearam fogo, segundo o flagrante de testemunhas. O homem, que estava dormindo, sofreu queimaduras severas e teve o socorro ignorado por quem passava pelo local – mesmo com algumas partes do corpo em carne viva.

Um senhor em situação de rua foi vítima de um grave e covarde atentado no fim da madrugada desta terça-feira (9), na Praça da Estação, região Central de Belo Horizonte. Dois homens ainda não identificados jogaram gasolina sobre ele e atearam fogo, segundo o flagrante de testemunhas. O homem, que estava dormindo, sofreu queimaduras severas e teve o socorro ignorado por quem passava pelo local – mesmo com algumas partes do corpo em carne viva.

Quem amenizou a agonia da vítima foi Anne Menezes, que saiu do metrô na Estação Central por volta das 8h – portanto, mais de 2h após o atentado. “Ninguém socorreu ele, ele estava queimado desde o final da madrugada. É muito triste ver que tem pessoas que fazem isso e pessoas que ignoram completamente a situação. Na Praça das Estação, o metrô abre às 5 horas da manhã, passando gente praticamente em cima dele desde antes dele pegar fogo”, relata ao BHAZ.

Um dos moradores em situação de rua que estava ajudando a vítima contou à mulher que ninguém atendeu aos pedidos de ajuda. “Ele [o senhor] tremia de dor, se arrastava de dor no chão e ninguém fazia nada. E o morador de rua falando assim para mim: ‘Eu não consigo chamar o Samu, eu não tenho telefone’. Eu disse para ele que chamaria, depois da ligação, perguntei: ‘Por que vocês não ligaram antes?’ Foi quando ele me respondeu: ‘A gente pediu ajuda, ninguém quis ajudar'”, revela.

O crime

O crime aconteceu no final da madrugada. De acordo com o relato dos moradores de rua à mulher, um carro parou no local entre 5h30 e 6h. “Pelo o que eles falaram, o carro parou… Na hora que o carro parou, eles viram, e aí uns homens foram andando… No que foram andando, jogaram a gasolina e jogaram fogo muito rápido”, conta Anne. “Eles falaram: ‘Passou uns playboy doidão aí e jogaram fogo nele, não deu tempo da gente acudir'”.

Os responsáveis, sempre conforme testemunhas, fugiram do local depois de atacarem o senhor em situação de rua. “Saíram e arrancaram o carro”, completa a mulher. Depois do crime, o corpo dele ficou em carne viva. “Ele estava com a pele muito visível na carne viva, estava destampado porque o cobertor dele também pegou fogo. Então ele estava com metade do cobertor, com as pernas todas queimadas e um dos pés praticamente atrofiou”, diz.

Invisibilidade

A tragédia não acabou por aí. O homem foi negligenciado novamente – desta vez, por todos que passaram pela estação. “Ele estava na Caetés no meio da rua, no meio da calçada, estava jogado entre o meio fio e a calçada, tremendo. E ninguém falava nada, como se fosse normal um homem sentir dor daquela forma, acha que porque é morador de rua, não merece atenção, não sente dor”, desabafa Anne.

“Nesse horário, o fluxo já é muito grande, gente chegando para trabalhar no Centro o tempo inteiro. Ele ficou de 2 a 3 horas agonizando e ninguém fazendo nada, as pessoas passando de um lado pro outro”, diz. “Com certeza já tinha gente quando jogaram fogo nele, com certeza alguém viu alguma coisa, é uma sucessão de ignorar o ser humano muito longa. Ele tá ali, é invisível, a parte invisível da nossa cidade, é muito doido isso, ter seres humanos que para a maioria das pessoas não são considerados humanos. Ele e um poste dá na mesma”, desaba.

Quando chamou o Samu, a mulher precisou ser acalmada pelos profissionais do outro lado do telefone. “Eu liguei pro Samu, eles me acalmaram, porque eu estava chorando muito. Uma moradora de rua me agradeceu pela ajuda. Eu falei: ‘Não tem como não ajudar, é um ser humano’. Mas ela me respondeu: ‘As pessoas não veem a gente como um ser humano, igual você está vendo'”, conta, comovida.

Uma situação de 20 minutos na manhã de Anne fez com que ela parasse para refletir. “Estamos em uma onda de ignorar a Covid, ignorar o fechamento, essa individualidade reflete muito do que a gente está vivendo no todo. Essas pessoas não existem só no Natal, para levar comida uma vez por mês, tirar foto e postar no Instagram”, finaliza.

Mais invisibilidade?

Ao BHAZ, o Samu confirmou que foi acionado hoje na manhã desta terça-feira (9) para atendimento de um homem com cerca de 50 anos que apresentava queimaduras. Apesar da reportagem perguntar detalhes sobre o atendimento, a assessoria se limitou a dizer, por nota (leia a íntegra abaixo), que a vítima foi encaminhada à UPA Centro-Sul.

Já a Polícia Civil, quando questionada pela reportagem sobre as investigações, informou que ainda não houve registro do caso. A reportagem tentou contatar a Polícia Militar (PM), na tarde de hoje, mas não conseguiu obter uma resposta. O Corpo de Bombeiros também informou que não foi acionado para atuar no resgate e, portanto, não registrou o ocorrido.

Nota Samu

“A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, informa que o SAMU foi acionado hoje na manhã desta terça-feira (9) para atendimento de um homem com cerca de 50 anos que foi encaminhado para a UPA Centro Sul com queimaduras”. 

Fonte: BHAZ

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Juninho Pernambucano acha homem agredido em Mato Grosso e oferece ajuda: Dignidade humana

Junto com advogado, ex-jogador encontrou Anderson, que é dependente químico, ofereceu internação, que foi aceita, e vai processar agressor
O ex-jogador Juninho Pernambucano encontrou, com a ajuda de advogado, o homem que, ao pedir dinheiro, foi agredido por um madeireiro com 22 processos nas costas. De acordo com Juninho, ele se chama Anderson e é dependente químico. “Antes de criticá-lo, saiba que na maioria das vezes, o caminho das drogas é o único que é capaz, para muitos, de trazer algum prazer em estar vivo”, escreveu em seu twitter. “Não incentivo ninguém a usar, mas não me acho no direito de dizer o que cada um deve fazer com seu corpo, pois a única coisa intocável que você tem, é sua vida, sua liberdade, mesmo que seja pra fazer mal a você mesmo”, continuou o ex-jogador.
O ex-jogador Juninho Pernambucano encontrou, com a ajuda de advogado, o homem que, ao pedir dinheiro, foi agredido por um madeireiro com 22 processos nas costas. De acordo com Juninho, ele se chama Anderson e é dependente químico. “Antes de criticá-lo, saiba que na maioria das vezes, o caminho das drogas é o único que é capaz, para muitos, de trazer algum prazer em estar vivo”, escreveu em seu twitter. “Não incentivo ninguém a usar, mas não me acho no direito de dizer o que cada um deve fazer com seu corpo, pois a única coisa intocável que você tem, é sua vida, sua liberdade, mesmo que seja pra fazer mal a você mesmo”, continuou o ex-jogador.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Policiais de São Paulo espancam morador de rua com chutes na cabeça e socos; vídeo gera revolta

Dois policiais militares foram flagrados espancando um morador de rua na Vila Leopoldina, região Oeste de São Paulo (SP). O vídeo começou a circular na manhã desta segunda-feira (17), e gerou revolta. De acordo com a Polícia Militar de São Paulo, os dois militares foram afastados para investigação.
Dois policiais militares foram flagrados espancando um morador de rua na Vila Leopoldina, região Oeste de São Paulo (SP). O vídeo começou a circular na manhã desta segunda-feira (17), e gerou revolta. De acordo com a Polícia Militar de São Paulo, os dois militares foram afastados para investigação.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Carro de músico é fuzilado com mais de 80 tiros por militares do Exército; repórter recebe ameaça

O carro onde estava o músico e segurança Evaldo Rosa dos Santos, de 51 anos, e sua família, foi alvo de mais de 80 tiros disparados por homens do Exército, nesse domingo (7), no Rio de Janeiro. A família estava na Vila Militar, em Guadalupe, na zona Oeste do Rio, e seguia para um chá de bebê, quando o veículo, um Ford Ka Fiesta Sedã, foi alvejado pelos fuzis do Exército.
O carro onde estava o músico e segurança Evaldo Rosa dos Santos, de 51 anos, e sua família, foi alvo de mais de 80 tiros disparados por homens do Exército, nesse domingo (7), no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Por que o ciclone de Moçambique não despertou a comoção da imprensa internacional?

A passagem do ciclone Idai deixou rastro de destruição jamais visto no Hemisfério Sul. Moçambique, Malawi e Zimbábue foram os países africanos atingidos pela fúria da natureza. Pera, natureza?

Pessoas estão ilhadas, sem comida, roupas, teto. Apenas em Moçambique, pelo menos 700 cidadãos morreram em um cenário onde autoridades locais sequer fazem ideia da quantidade de desaparecidos. Filipe Nyusi, presidente moçambicano, teme que o número de óbitos passe de mil.
A passagem do ciclone Idai deixou rastro de destruição jamais visto no Hemisfério Sul. Moçambique, Malawi e Zimbábue foram os países africanos atingidos pela fúria da natureza. Pera, natureza?

quarta-feira, 20 de março de 2019

“Estamos em uma guerra ideológica para matar pobre”, diz policial perseguido por criticar PM

“Somos treinados com o mantra bandido bom é bandido morto, mas nunca vi policial executar deputado bandido, juiz que vende sentença, senador chefe de tráfico” – confira o relato do policial militar
E eu disse, em algum momento, que queria acabar com o programa? Eu queria melhorá-lo! Eles me devolveram os papéis com as pesquisas impressas e eu fui embora.

Fiz um vídeo falando sobre esses pontos. A ideia era ensinar policiais por outras vias. Gravava vídeos sobre abordagem, prevenção, violência, etc. Vários policiais acompanhavam e eu me sentia satisfeito em lutar por um mundo melhor.


Eu voltei para a polícia militar em 2016. O motivo e as circunstâncias são longos demais para se narrar aqui.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Juan aprendeu logo o que é ser preto e favelado; e morreu mais cedo ainda

Juan aprendeu cedo o que é ser preto e pobre no Brasil: brincava com amigos quando foi confundido com um assaltante e acabou preso. Dois meses depois, quando também brincava com amigos, um policial a paisana atirou 11 vezes contra ele
A auxiliar de serviços gerais Eliane da Silva Amorim, de 48 anos, tentou mudar de assunto, mas não conseguiu. “Ainda dói muito. Um filho seu chega e o outro não. A impressão é que ele vai voltar logo”, diz à reportagem da Ponte. A mãe de Juan Henrique Amorim dos Santos não se conforma com o destino do filho, morto no mês passado, aos 15 anos, depois de ser alvejado por um PM à paisana em Mesquita, na Baixada Fluminense. O amigo dele, Carlos André Santos de Jesus, de 13, estava junto, foi atingido e socorrido, mas morreu uma semana depois.
A auxiliar de serviços gerais Eliane da Silva Amorim, de 48 anos, tentou mudar de assunto, mas não conseguiu. “Ainda dói muito. Um filho seu chega e o outro não.