sábado, 2 de abril de 2016

Ocupação: o sonho da casa própria do excluído

Entre a chamada “nova classe média”, ou classe C, o desejo é ainda maior: 57,6%. Entre as classes D e E, o percentual, por incrível que pareça, cai para 27,2%. Por que será? Ora, porque para quem é pobre no Brasil ter uma casa própria é um sonho praticamente impossível. Como é que uma pessoa que não tem nem o que comer direito pode sonhar em COMPRAR uma casa para morar?
Segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios) de 2013, 17,9% dos domicílios brasileiros são imóveis alugados, enquanto 7,4% são imóveis “cedidos” ou, como se diz, ocupados por pessoas que vivem “de favor”. Só em São Paulo existem, de acordo com o último censo da prefeitura, cerca de 16 mil pessoas morando nas ruas. Fica difícil acreditar que pessoas sob estas condições consigam ter algum sonho de consumo e muito menos que este sonho seja adquirir uma casa própria. A direita dirá que lhes faltou “esforço” para tal, embora na maioria dos casos sejam pessoas excluídas há várias gerações.
A Organização das Nações Unidas apresentou em março um relatório que afirma que o número de pessoas sem-teto está aumentando no mundo inteiro, em vários países, independentemente do grau do desenvolvimento ou da economia. “O aumento do número de sem-teto é evidência da falha dos Estados em proteger e garantir os direitos humanos das populações mais vulneráveis”, disse Leilani Farha, relatora especial da ONU para o direito à moradia.
Uma pesquisa do instituto Data Popular divulgada em 2012 constatou que 19,2 milhões de brasileiros das classes C e D sonham em ter uma casa própria.
Entre a chamada “nova classe média”, ou classe C, o desejo é ainda maior: 57,6%. Entre as classes D e E, o percentual, por incrível que pareça, cai para 27,2%. Por que será? Ora, porque para quem é pobre no Brasil ter uma casa própria é um sonho praticamente impossível. Como é que uma pessoa que não tem nem o que comer direito pode sonhar em COMPRAR uma casa para morar?
Segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios) de 2013, 17,9% dos domicílios brasileiros são imóveis alugados, enquanto 7,4% são imóveis “cedidos” ou, como se diz, ocupados por pessoas que vivem “de favor”. Só em São Paulo existem, de acordo com o último censo da prefeitura, cerca de 16 mil pessoas morando nas ruas. Fica difícil acreditar que pessoas sob estas condições consigam ter algum sonho de consumo e muito menos que este sonho seja adquirir uma casa própria. A direita dirá que lhes faltou “esforço” para tal, embora na maioria dos casos sejam pessoas excluídas há várias gerações.
A Organização das Nações Unidas apresentou em março um relatório que afirma que o número de pessoas sem-teto está aumentando no mundo inteiro, em vários países, independentemente do grau do desenvolvimento ou da economia. “O aumento do número de sem-teto é evidência da falha dos Estados em proteger e garantir os direitos humanos das populações mais vulneráveis”, disse Leilani Farha, relatora especial da ONU para o direito à moradia.
No relatório, a ONU pede que os governos se comprometam a solucionar o problema dos sem-teto até 2030. Enquanto isso não ocorre (se é que vai ocorrer), o que pode fazer esta legião de pessoas sem ter onde morar? Ocupar, claro. Não há como não se solidarizar com os trabalhadores sem-teto que ocupam prédios abandonados ou terrenos não-utilizados como forma de lutar para ter uma moradia. As ocupações são uma forma de os excluídos realizarem, como a classe média, o sonho da casa própria.
Os estudantes de Jornalismo da Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação (FAPCOM), em São Paulo, fizeram um mini-documentário em uma dessas ocupações, a Vila Nova Palestina, no extremo Sul da capital. Há cerca de 5 mil pessoas cadastradas na ocupação, que está aguardando um laudo da CETESB para iniciar a construção das casas, prometida pelo prefeito Fernando Haddad (PT). A expectativa é de que sejam construídas 3500 moradias com recursos do programa Minha Casa Minha Vida.
A vida por lá é dura. Não há rede de esgoto e nem mesmo privadas ou banheiros nas barracas improvisadas com lonas e plásticos. Há o medo constante de incêndios. As crianças são estigmatizadas, mas frequentam a escola. O sonho de ter uma moradia para chamar de sua faz com que estas pessoas insistam e sigam em frente. Assista, é muito emocionante. Espero que ajude a mudar a forma com que muitos vêem as ocupações pelos sem-teto. Não é “crime”, é o contrário, é a busca pela cidadania.

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