Ela mostra apenas os olhos – aliás, lindos – com o restante do corpo completamente coberto pela Niqab – ou burka, como a chamamos nós genericamente. Defende com bravura seu uso, dizendo que é sua escolha, e que tem o direito de usá-la na universidade. Estuda Engenharia, deve andar na casa dos vinte e poucos, no máximo. Diz que é constrangida por professores que se recusam a recebê-la, alegando “um problema de comunicação”. Afirma ainda que não é constrangida por ninguém, nem quer constranger outras pessoas. É apoiada por um estudante a seu lado, numa das tantas mesas de que dispõem os participantes do Fórum Social Mundial, décima segunda edição, em Túnis, capital da Tunísia.
O assunto, é claro, provoca controvérsia. É livre ou não é livre? Seu uso (da Niqab) penaliza ou não as mulheres? Afinal, penso eu, em minha vida de professor nunca pedi que freira nenhuma deixasse minha aula, nem faria isso. E agora, José? Mas, lembra minha esposa Zinka, o que pensará ela daqui a vinte anos? E se tiver uma filha, o que acontecerá?
Este foi um dos tantos momentos deste primeiro dia efetivo do Fórum Social Mundial, realizado no campus da Universidade El Manar, no subúrbio da capital tunisiana. No dia anterior houve a marcha de abertura, que atravessou a cidade da praça 14 de Janeiro, assim batizada em lembrança do movimento que, dois anos atrás, derrubou o ditador Zine Ben Ali, até o longínquo estádio Menzah. Muita música, festa, palavras de ordem sobre meio-ambiente, Palestina, emprego, fim do imperalismo e do capitalismo e… mulheres.
Elas são, de fato, tema e presença dominante neste fórum. Previamente, uma conferência de seus movimentos antecedeu o próprio evento e a marcha de abertura. Ao fim da marcha, no estádio, houve uma sessão de discursos, antes do esperado show de Gilberto Gil. Falaram só mulheres, de todos os quadrantes da África. A representante do Mali atacou o desemprego em seu país e a guerra dividida entre a presença de partidários da Al Qaeda e/ou dela emanados e a das tropas francesas como uma guerra pelos recursos minerais do deserto, não por liberdade deste ou daquele lado. Foi o discurso decididamente mais vigoroso dentre todos os vigorosos ali pronunciados.
Vê-se que os movimentos de mulheres estão tecendo uma rede pan-africana (bons dias em que as Penélopes teciam em casa, dirão os Ulisses) e que, com ela, estão pondo o continente em contato com o resto do mundo. Afinal, esta é uma das finalidades precípuas dos fóruns sociais mundiais e seus desdobramentos temáticos ou regionais, desde sua primeira edição em Porto Alegre, em 2001.
Também é importante que essa rede se teça entre as nações do mundo árabe, sacudidas por suas primaveras, conquistas, impasses, dramas e tragédias. Os contatos entre os povos destas nações, em que pesem tradições, línguas e religião comuns, são na verdade muito tênue, bloqueados pelos muros das ditaduras, monarquias retrógradas e regimes presidenciais ou parlamentares de fancaria que governaram a região durante as últimas décadas. E as redes entre movimentos de trabalhadores, desempregados, jovens estudantes, ONGs (muito dependentes, muitas vezes, das europeias) são também ainda muito incipientes e tênues. Neste sentido, os movimentos de mulheres, animados por ideais e uma linguagem comum diante das sociedades tradicionalmente machistas de diferentes matizes que enfrentam, estão na vanguarda.
A invasão do Iraque pelos Estados Unidos completa 10 anos. A decisão tomada pelo então presidente George W. Bush foi unilateral e ilegal, mas não sofreu consequências. Por isso, ele conseguiu manter por anos a fio uma guerra imperialista que custou milhões de vidas aos iraquianos, cometendo crimes contra a humanidade até hoje impunes.
US Army
Tropas dos EUA invadem o Iraque em 20 de março de 2003
A decisão de Bush inseriu-se em um contexto internacional dominado pela Doutrina Bush, que foi caracterizada pelo empenho por um mundo unipolar, de políticas unilaterais e imperialistas que tinham como único objetivo o estabelecimento irrefutável da hegemonia estadunidense sobre o mundo.
A convicção arrogante de que o país é um poder hegemônico que deve ordenar mundo (principalmente quando vendo seus amplos, ambíguos e instrumentais “interesses nacionais” ameaçados) foi a base da política externa estadunidense, mas que ainda precisava de aliados.
Dias antes da invasão, os EUA organizaram o ensaio de legitimação para a sua decisão unilateral e imperialista com a Cimeira dos Açores, realizada em 16 de março, em que se reuniu com os então primeiros-ministros Tony Blair (Reino Unido) e José María Aznar (Espanha), por exemplo.
No dia seguinte, Bush deu um “ultimatum” para que o presidente iraquiano Saddam Hussein e sua família deixassem o Iraque em 48 horas. Não correspondido, com o final do prazo o então presidente anunciou que iniciaria ataques aéreos e que enviaria 250.000 soldados ao Iraque, o que aconteceu gradualmente.
Depois de votarem contra a resolução de guerra levada pelos EUA ao Conselho de Segurança da ONU, a França e outros países europeus viram-se ameaçados pela afirmação de Bush, ainda nos Açores (quando já previa uma guerra), de que aquele seria “o momento da verdade”.
O apoio do Reino Unido (o principal aliado dos EUA então) custou caro politicamente para o então primeiro-ministro Tony Blair, que além de contrariar os protestos da população civil, contrariou também o seu próprio Partido Trabalhista: cerca de 160 dos seus parlamentares haviam votado contra a iniciativa do governo de juntar-se à guerra dos EUA.
Já há uma série de estatísticas e avaliações, em relatórios complexos, discursos e avaliações de políticas de Estado, mas ainda nenhuma explicação plausível para a Guerra no Iraque, iniciada unilateralmente e de forma ilegal há exatos 10 anos pelos Estados Unidos contra aquele país.
De 2001 a 2013, neste novo século já iniciado por uma política internacional dominada pelo imperialismo estadunidense (através da instrumental “guerra contra o terror” que criou raízes no imaginário norte-americano e, depois, de seus aliados europeus), os EUA gastaram ou comprometeram-se com obrigações que somaram 3,1 trilhões de dólares em guerras no Afeganistão, Iraque e Paquistão. O custo total é ainda mais alto quando considerados os gastos relacionados com a guerra no Departamento de Segurança Interna, e se calculados os juros dos empréstimos feitos para pagar pelas guerras.
A motivação declarada em diversos discursos era a suposta existência de armas de destruição em massa, para começar, depois a “guerra contra o terror”, e também a derrubada de um “ditador”, na figura odiada pelo então presidente dos EUA, a do presidente Saddam Hussein.
“Comemorações” na mídia
Jornais como The New York Times, nesta “comemoração” dos 10 anos desde a invasão, publicaram infográficos sobre as mortes relacionadas à guerra, separando-as por “forças americanas”, “forças de outras coalizões”, “forças iraquianas”. Ficam faltando os civis, porém, as maiores vítimas.
Ainda, há separações por causas, como “fogo amigo”, “fogo inimigo”, “ataque suicida”, entre outras, e há inclusive uma categoria que mereceria análise, pois aglomera as causas “não hostil/acidental/suicídio”.
Oficialmente, para os EUA, a guerra terminou no dia 15 de dezembro de 2011, de acordo com anúncios do presidente Barack Obama, desde a sua primeira vitória eleitoral, em 2008. Foi quando as últimas forças estadunidenses (especificamente, as engajadas em combate direto com os iraquianos) foram retiradas. Entre 2003 e 2012, no total, contabiliza-se a morte de 4.480 soldados, mas as consequências afetam milhões de pessoas nos EUA indiretamente, e incluem também a invalidez de vários ex-combatentes e o stress pós-traumático diagnosticado em grande parte deles.
O aniversário da invasão do Iraque resultou em numerosos documentos, relatórios, declarações e matérias de jornal, como a do New York Times, que se propôs a publicar uma série com as declarações de soldados que estiveram na guerra, contando como isso mudou as suas vidas.
Provavelmente, porém, a semana de “eventos comemorativos” terminará antes que jornais como este possam ouvir “como a guerra afetou as vidas” não dos soldados, mas da população civil do país invadido.
O escritor norte-americano David Swanson, em seu relatório “A guerra do Iraque entre os piores eventos do Mundo” (Iraq’s War Among the World’s Worst Events, ainda sem tradução para o português) lembrou também dos 22 anos da Operação Tempestade no Deserto (ou da Guerra do Golfo, de 1990), que precedeu a “Operação Libertação do Iraque” (cuja sigla em inglês é OIL, em alusão ao interesse dos EUA pela região, o petróleo, segundo Swanson), também chamada de Segunda Guerra do Golfo.
Impacto real da Guerra (dos EUA) no Iraque
Neste 20 de março de 2013, porém, para a população invadida, não há muito para comemorar, apesar da “retirada” oficial das tropas invasoras ter sido anunciada há dois anos. O governo atual do primeiro-ministro Nouri al-Maliki (praticamente instalado pelos EUA) tem sido acusado pela população civil de autoritarismo, de patrocinar execuções sumárias, prisões arbitrárias, tortura e estupro, de acordo com uma matéria da emissora árabe Al-Jazeera.
De acordo com números que Swanson recolheu de vários informes, o Iraque perdeu cerca de 1,4 milhões de vidas como resultado da OIL, o que representou 5% da sua população. Esta cifra não chega a se comparar às perdas sofridas pela França (1%) e dos EUA (0,3%), por exemplo, durante a Segunda Guerra Mundial.
As mortes de estadunidenses nesta guerra não chegam a representar 0,3% das mortes totais, o que pode ser explicado, para começar, com o hábito dos EUA de invadir e agredir diretamente países que ficam longe da sua vizinhança, quase como um “plano estratégico” perfeito, para além de instrumental, dados os seus interesses políticos e econômicos na região onde mais tem investido militarmente: o Oriente Médio.
Como se já não bastasse, lembra Swanson, também resultaram da OIL cerca de 4 milhões de feridos e 4,5 milhões de refugiados, que tiveram de fugir não só para os países vizinhos como também para outras regiões.
Além disso, de acordo com a base de dados sueca do Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo (Sipri, da sigla em inglês), há também entre 2,3 milhões e 2,6 milhões de pessoas que foram forçadas a deslocar-se internamente (por isso, não são contadas como refugiadas), número reduzido a 1,3 milhão pelas estimativas da ONU, que só contabiliza os que foram inscritos pelas autoridades iraquianas desde 2006.
Os custos materiais também não escaparam de maior análise. Para além da infraestrutura atual, a Unesco também denunciou a destruição de sítios arqueológicos e outros patrimônios históricos de extrema importância, como é de costume em guerras tão devastadoras. Em artigo publicado na Folha de S.Paulo na véspera deste aniversário, nesta terça-feira (19), o especialista em estudos árabes e islâmicos Paulo Daniel Farah também menciona os danos ao patrimônio cultural do Iraque, que se situa na antiga Mesopotâmia.
Farah lembra que, “referência cultural nos anos 1970, o Iraque abriga milhares de sítios arqueológicos que foram submetidos à pilhagem e ao contrabando, junto com toda uma memória coletiva humana.”
Ainda antes disso, desde o embargo imposto ao país em 1990, que começou com a Resolução 661 do Conselho de Segurança da ONU (adotada naquele mesmo ano), houve “saques sistemáticos e organizados ao patrimônio material iraquiano que colocam em risco grave a história da humanidade”, afirma Farah.
A invasão iniciada em 2003, entretanto, só agravou a vulnerabilidade a esses saques. ”Menos de duas semanas após a invasão norte-americana, muitas dessas obras já se encontravam nos Estados Unidos e na Europa”, como afirma o arqueólogo sírio Ahmad Serrie, citado por Farah.
Performances e custos da guerra
A invasão de 2003 incluiu, de acordo com Swanson, 29.200 ataques aéreos, fora os 3.900 realizados nos oito anos seguintes. As forças militares estadunidenses tiveram em seus alvos tanto civis quanto jornalistas, hospitais e ambulâncias.
Além disso, como já denunciado por várias organizações internacionais, o exército dos EUA também fez uso do que se pode chamar de “armas de destruição em massa”, como as bombas de racimo, fósforo branco, urânio empobrecido e um novo tipo de napalm (substância que também usou na sua Guerra contra o Vietnã, na década de 1970), em áreas urbanas densamente habitadas.
Mais de um desses recursos já são proibidos por convenções internacionais, e o seu uso configura “crimes de guerra” e até “crimes contra a humanidade”, sob o direito internacional humanitário. Mas isso não preocupa os Estados Unidos, pois não seria a primeira nem a última vez.
O resultado, como também já conhecido de outras guerras, foi o aumento das taxas de câncer, de mortalidade infantil, entre outras. As fontes de água, as plantas de tratamento de esgoto, hospitais, pontes e plantas de energia elétrica foram devastadas, e a maior parte continua sem conserto.
Ainda antes da guerra iniciada em 2003, uma guerra econômica contra o país já havia deteriorado o sistema de saúde e nutrição, como relembra Swanson, “através das mais abrangentes sanções econômicas já impostas na história moderna.”
Não é difícil também para os analistas econômicos encontrarem indícios de uma intencionalidade comercial da guerra empreendida pelos EUA, não só pelo tema do complexo industrial-militar, que encontra terreno bastante fértil para ser desenvolvido, como também pelos esforços de “reconstrução” do Iraque, que garantiram contratos milionários com construtoras.
Reconstrução do Iraque
Ainda assim, Swanson afirma que o dinheiro gasto pelos Estados Unidos na “reconstrução” era sempre menos de 10% do que era gasto com a destruição, e a maior parte nunca foi realmente posta em uso construtivo. Ao menos um terço foi gasto em “segurança”, enquanto muito do resto foi gasto em corrupção pelos militares e funcionários dos EUA.
Em uma análise do fator social, ainda, o jornalista lembra que os iraquianos que poderiam ajudar na reconstrução do país tiveram de fugir durante a guerra. O Iraque tinha as melhores universidades da Ásia ocidental durante a década de 1990, mas agora é um expoente do analfabetismo, com uma população de professores, em Bagdá, reduzida em 80%.
Contribuindo para a instabilidade e os conflitos internos, durante anos as forças ocupantes fragmentaram a sociedade, encorajando a violência e a divisão étnica e sectária, como dita o costume dos impérios coloniais e modernos. Diversos cientistas políticos já identificaram esforços concretos neste sentido.
Swanson afirma ainda que “enquanto a dramática escalada da violência” esperada com a retirada dos EUA não se realizou, o Iraque ainda tem de lidar com a instabilidade interna, as tensões regionais e, claro, o ressentimento generalizado contra os estadunidenses, exatamente o oposto do que os EUA declararam como objetivo para tornar o país mais seguro.
“Se os EUA tivessem pegado os 5 trilhões de dólares e, ao invés de destruir o Iraque, tivessem escolhido fazer algo bom com isso, em casa ou no exterior, imagine as possibilidades”, diz Swanson, que lembra que a ONU teria declarado, por exemplo, que 30 bilhões de dólares por ano acabariam com a fome no mundo.
Mesmo assim, a Casa Branca também publicou seu próprio infográfico, onde figuram, é claro, as “promessas cumpridas” com relação à guerra. Obama caracterizou o fim de uma “missão de combate” em setembro de 2011, com a remoção de 100.000 soldados, de acordo com um acordo assinado em 2008, entre os EUA e o Iraque (“Acordo sobre o status das Forças estadunidenses e iraquianas”).
Entretanto, isso não pressupôs, na verdade, a retirada total das tropas, que seguem presentes ainda que sob um mandato diferente, como os já conhecidos treinamentos das forças de segurança iraquianas. Para objetores estadunidenses, ainda, as tropas que continuaram no país servem também para apoiar o governo do primeiro-ministro Nouri al-Maliki, em mais uma intervenção política de bastidores, outra especialidade dos EUA.
Segundo a Casa Branca, o objetivo é encontrar uma forma de “acabar responsavelmente” com a guerra. Entretanto, talvez o plano devesse ser, daqui para frente, como “responsavelmente manter-se fora dela”, ou como respeitar a soberania alheia.
A estratégia frequente de divisões sectárias e a instigação da violência supostamente baseada em diferenças identitárias (portanto, diferenças culturais instrumentalizadas de acordo com objetivos políticos) também foi posta em prática pelos EUA de Bush durante a sua invasão.
Depois, restou ao presidente Obama a tarefa igualmente assentada na ingerência de telefonar ao governo iraquiano para apelar para um governo de unidade nacional, mais especificamente pedindo ao presidente que se demitisse para dar lugar a um novo candidato que os EUA já tinham nomeado. A alternativa seria aceitar a presença de tropas estadunidenses por mais tempo, e apesar de ambas as “opções” terem sido negadas, assim é a situação atual do Iraque. Vídeo sobre a matéria:
Aconteceu no domingo dia 17 de março o IV Encontro da União Metropolitana por Moradia Popular. O evento reuniu as mais importantes entidades de luta pela moradia como UNMP(União Nacional por Moradia Popular), UEMP(União Estadual por Moradia Popular), CMP(Central dos Movimentos Populares), Associação Rosa de Saron, entre outras. O encontro que começou as 9hs da manhã com o discurso de dirigentes de algumas das mais expressivas entidades do movimento se encerrou as 17hs com o debate em grupo sobre as estruturações dos espaços urbanos para a conclusão do projeto de moradia. Compondo com total relevância, a juventude também esteve presente representada principalmente pela juventude classista e de luta da CTB MG que avança nos debates sobre as questões da moradia para a juventude. " É de extrema importância que discutimos a questão das moradias para a juventude, analisando que o jovem está numa disparidade nessas conquistas, através do projeto Minha Casa, Minha Vida. Sentimos a necessidade de ampliar esse debate com os órgãos governamentais para sanar essa disparidade, pois a muitos jovens que se encontram em condições precárias de vida, jovens que são arimos de família e precisam ter sua moradia, mas por questão de sua idade tem uma pontuação menor para os sorteios das casas". Diz o representante da juventude da CTB MG Romney Mesquita. O encontro serviu principalmente para reforçar os trabalhos das entidades no sentido de formar os próprios projetos e seguir com o Minha Casa, Minha Vida Entidades que é parte do Minha Casa, Minha Vida mas que são captações de recurso que as entidades fazem através de projetos junto a Caixa com o capital público.
Pelo fim da violência e exterminio da juventude negra e pela desmilitarização das policias. ... Nos deparamos a cada dia com a ampliação do abismo social entre negros e brancos, com relação à renda, emprego, escolaridade, acesso à justiça e poder. O drama social acomete, com maior gravidade, a população negra, que habita as favelas e periferias desestruturadas, tornando presa fácil da criminalidade, assistindo nossos jovens serem mortos pela violência urbana e nos negando oportunidades de mobilidade social. Dados levantados junto ao sistema penitenciário brasileiro apontam que o encarceramento, nos primeiros seis meses de 2012, superou a marca de 549.500 presos em todo o país, representando um aumento de 511% nos últimos vinte anos. A maior parte dos aprisionados é composta de jovens negros. Dados do Ministério da Saúde mostram que metade das vítimas de homicídios no Brasil tem entre 15 e 29 anos e sete de cada dez jovens assassinados são negros, sendo mais de 90% do sexo masculino. O jovem negro que mora em bairros da periferia é o principal alvo da violência urbana no País. A manutenção ou mesmo ampliação destes índices aponta para uma “banalização” da violência cotidiana, a qual a juventude negra do nosso país é submetida, permeando as práticas tanto do poder público, quanto de grande parcela da sociedade civil e gerando uma realidade por nós compreendida como verdadeiro programa de extermínio da nossa juventude. A política de guerra às drogas tem servido de justificativa para a criminalização da pobreza e é a principal responsável pelo grande índice de homicídios que vitimizam os jovens negros que habitam as periferias e favelas do nosso país. Essa guerra objetiva punir somente o elo mais vulnerável de toda a cadeia produtiva das drogas ilícitas. Os 'inimigos' a serem eliminados são os pobres, negros, marginalizados e sem acesso à justiça. A organização em que se estrutura a polícia militar no Brasil é marcada por resquícios ideológicos do período ditatorial (1964-1984), que vêem a população pobre e negra como inimigos internos e potenciais criminosos, do mesmo modo pelo qual as forças repressoras eram orientadas no período colonial – combatendo e capturando os negros escravizados, em resistência. Vídeo sobre a matéria:
Garantir uma grande participação da juventude na 7ª das Centrais Sindicais e Movimentos Sociais, no dia 6 de março, em Brasília. Este é o objetivo do Coletivo de Juventude da CTB Minas, que se reuniu no último dia 20, na sede da central, em Belo Horizonte, para tratar dos detalhes da organização da caravana à Capital Federal.
Ao menos 15 ônibus de sindicatos filiados à CTB deverão seguir para a Marcha em defesa do desenvolvimento e valorização do trabalho, calcula o membro do Coletivo da CTB Minas Romney Mesquita, dirigente do Sitramico.
“Além de fortalecer a luta, a Marcha é uma boa oportunidade para reafirmarmos a importância da juventude nos movimentos sindical e popular e ampliarmos ainda mais sua participação”, disse Romney.
Na reunião, que também serviu para definir o calendário de atividades da Juventude da CTB em 2013, foram debatidos diversos temas, como a reestruturação do Coletivo, a necessidade de se criar um visual próprio para utilização em grandes atividades, como a Marcha e o Congresso da CTB, que será realizado este ano.
Os participantes do encontro também apontaram a necessidade de mobilizar o maior número possível de jovens sindicalistas para o congresso estadual e nacional; de se promover cursos de formação política e sindical específicas para os jovens dirigentes, bem como de organizar culturais e esportivos para agregar a juventude.
Por fim, ficou acertada a criação de um documento unitário de luta, entre os jovens trabalhadores da cidade e do campo, e a realização de reuniões bimestrais do Coletivo.
“O encontro foi muito importante para retomarmos as discussões dos temas de interesse dos trabalhadores, especialmente da juventude, e definirmos o calendário de lutas para este ano. Pela disposição demonstrada pelos presentes, garra não faltará nas lutas deste ano”, concluiu Romney.
A reunião contou com a participação de Romney Mesquita (Sitramico), Deyller (Saae), Herivelton Ferraz (servidor público), Renan Fernandes, Lucas Martins, Marilene Faustino, Maria Alves (Fetaemg), Jaime Coelho, Jonathan Barros e Robson Teixeira (Sindmetal Betim).
Sem os recursos naturais da Líbia, mas no coração do conflito no Oriente Médio, a Síria é atraente para as nações ocidentais que tentam desestabilizar o país, avaliou a jornalista libanesa Ogarite Dandache, em visita a Cuba.
Jovem repórter com experiência em coberturas na região, considerou em entrevista exclusiva à Prensa Latina que além do interesse pelas riquezas desses territórios árabes, os Estados Unidos e os países europeus envolvidos querem a Síria e a Líbia por sua posição geográfica e pelas relações internacionais.
Desde o início dos distúrbios nestas terras árabes, Dandache visita-as frequentemente e nos últimos meses permaneceu nas cidades sírias de Alepo e Damasco, junto ao exército da nação para cobrir as batalhas.
Apesar de o conflito na Síria se estender por dois anos, o povo ainda resiste, assegurou, eles continuam lutando numa disputa que diz respeito a todos porque pode mudar o mundo.
A jornalista explicou que a resistência síria não só enfrenta a invasão dos Estados Unidos, governo que envia seus aviões e helicópteros ao Oriente Médio, mas que nessa luta também defendem seus pontos de vista políticos e sua ideologia.
Por outro lado, assinalou que a oposição é integrada por pessoas vindas de várias partes do mundo: "é gente que mata sem se importar, e não estão interessados no presidente, Bashar Al Assad, nem nada disso, vieram pela mentalidade de matar os que não pensam igual a eles".
Não obstante, alertou, nessa nação as coisas são diferentes ao sucedido na Líbia, já que os sírios são mais fortes e sabem como podem jogar este jogo.
Na Síria estão conscientes do que está ocorrendo, continuou, e ao mesmo tempo os países vizinhos sabem que se ocorre algo ali, os prejudicará também de alguma maneira.
"Então, eles não estão lutando só por seu país, mas por toda a região, isso nos ajudará a todos a resistir e a ganhar nossas causas".
A jornalista da rede televisiva Almayadeen também esteve várias vezes na Líbia para ser testemunha das contendas armadas e "comprovar por mim mesma que eram os supostos rebeldes".
Agregou que ao chegar percebeu que os acontecimentos não tinham nada a ver com rebeldes nem com revolução, o que interessava era o petróleo, o gás, isto é, os recursos naturais do país.
"Numa ocasião visitei uma pequena cidade, Ras Lanuf, a qual estava muito conturbada porque nela havia petróleo, e esse lugar era para eles - a oposição - mais importante até que Bengasi, por exemplo, a segunda maior cidade do país".
Dessas experiências, Dandache concluiu que há algo maior nos planos e que inclui toda a região, não só a Líbia ou a Síria".
Como profissional do jornalismo, Ogarite Dandache podia se dedicar a reportar espetáculos, eventos científicos, eventos esportivos ou processos eleitorais; no entanto sua decisão foi outra: cobrir a guerra.
De acordo com suas palavras, para ela há princípios acima do perigo que significa ir ao campo de batalha armada com câmeras, gravadores e microfones.
"Dispararam na primeira câmera que levei, e mesmo que não tenha causado muito dano, porque levava um colete antibalas, a impressão foi forte. Eu sei que é perigoso, mas é minha forma de lutar por minha causa", assegurou.
Com a naturalidade de quem fala sobre algo habitual, ela assume que pode morrer de muitas maneiras.
"Posso dirigir por qualquer lugar e ter um acidente. A morte é normal, algo que devemos aceitar porque vai chegar em algum momento, e para mim vale a pena morrer fazendo meu trabalho e lutando para salvar meu povo, por minha independência, por minha dignidade. É meu dever", afirmou.
Na opinião da libanesa, o jornalismo é hoje uma arma principal, uma das mais valiosas nas guerras contemporâneas, e considera necessário usar contra o inimigo para desmascará-lo.
A isso se soma, continuou, que muitas pessoas no mundo não sabem nada sobre as causas do conflito no Oriente Médio; eu tenho que mostrar ao mundo nossas lutas e sobretudo nosso direito de lutar.
"Nós lutamos para defender o direito à independência, por nossa dignidade, de usar os recursos naturais que estão em nossos territórios em benefício de nossos povos", apontou.
No entanto, para fazer seu trabalho teve que ultrapassar obstáculos como a indecisão por parte dos que a dirigem na rede televisiva.
"Foi duro para eles me deixarem ir sem saber se ia regressar. Mas quando fiz meus primeiros trabalhos na Líbia, Iêmen e Egito, começaram a confiar e agora me deixam livre para ir aonde eu quiser, porque sabem que trarei muito trabalho, e acho que bom trabalho", assinalou.
No caso de minha família, agrega, preocupam-se o tempo todo, "às vezes estou em regiões onde não há telefone, nem Internet e é realmente perigoso. Mas sei que no fundo estão orgulhosos".
Ainda que a rotina de trabalho desta jornalista centre-se na área de conflitos do Oriente Médio, ela decidiu fazer uma interrupção e vir a Cuba.
"Há vezes em que meu diretor me manda a lugares e noutras eu decido por minha conta. Em ocasiões pediram-me para cobrir coisas e tenho dito que não porque acho que outros podem fazê-lo, mas quando me propuseram vir a Cuba disse: Sim, eu vou".
Entre as motivações da visita, destacou: "quero compreender como por cinquenta anos, vocês têm resistido contra o maior império que já existiu".
Vim porque considero isto parte de meu dever, afirma, porque o que vocês estão fazendo aqui é parte da nossa guerra e nossa resistência contra o inimigo. É minha primeira visita, mas acho que não será a última. Vídeo sobre a matéria:
Após se reunir com ministros e instaurar estado de emergência no Egito, Mursi chama opositores para reunião
Residentes de três cidades egípcias na região do Canal de Suez terão que obedecer a partir desta segunda-feira (28/01) ao toque de recolher das 21 às 6 horas. A medida, implementada dentro do contexto de estado de emergência, terá duração de pelo menos 30 dias e tem como objetivo conter protestos violentos que já deixaram ao menos 49 mortos e centenas de feridos nos últimos cinco dias.
O presidente do país, Mohamed Mursi, declarou estado de emergência em Port Said, Suez e Ismailia na noite deste domingo (27/01) em um discurso inesperado, transmitido na cadeia nacional. O líder da Irmandade Muçulmana ainda afirmou que não hesitaria em tomar mais ações para controlar a violência nas cidades egípcias. A iniciativa remete aos tempos ditatoriais de Hosni Mubarak, quando o governo reprimia manifestações populares contra o regime. Mursi garantiu, no entanto, que não vai levar o país de volta aos tempos autoritários e convocou uma reunião com os partidos opositores para esta tarde.
Logo após o anuncio presidencial, centenas de pessoas tomaram as ruas para protestar contra a decisão no quinto dia consecutivo de manifestações contra o governo, tanto no Cairo como nas cidades do Suez. A polícia reprimiu os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo, informou a rede Al Jazeera.
“Nós queremos derrubar o regime e acabar com o estado controlado pela Irmandade Muçulmana”, explicou à Reuters Ibrahim Eissa, um jovem de 26 anos que está acampado na Praça Tahir – o principal local dos revolucionários da Primavera Árabe no país.
Protestos
Os protestos mais violentos ocorreram em Port Said, onde 40 pessoas foram mortas em apenas dois dias. A revolta na cidade teve início no sábado (26/01) quando 21 pessoas foram condenadas à morte por envolvimento em distúrbios violentos no estádio local, em 1º de fevereiro do ano passado. A pancadaria entre torcedores dos times Al-Masry, de Port Said, e Al-Ahly, do Cairo, deixou um saldo de 74 mortos.
Desde sexta-feira (25/01), milhares de pessoas saíram às ruas de diversas cidades do país para celebrar o segundo aniversário do levante popular que tirou do poder o ditador Mubarak. Os ativistas realizaram protestos em massa pedindo mais reformas políticas e econômicas e em repúdio ao governo de Mursi.
Os manifestantes acusam a Irmandade Muçulmana de "roubar" a revolução, promover o mal no país e tentar se apossar da cena política. "A Irmandade Muçulmana monopolizou tudo", disse à Efe a manifestante Karima Ahmed. "Passaram-se sete meses (do início do governo da Irmandade Muçulmana) e não vi nada: nem pão, nem liberdade, nem justiça social", continuou.
Diálogo com oposição
O presidente convocou uma reunião às 18 horas (no horário local) para discutir a crise no país e convidou membros da oposição – liberais, esquerdistas e outros.
O principal grupo opositor, a Frente Nacional de Salvação, vai se reunir dentro das próximas horas para discutir uma resposta, mas muitos membros já afirmaram que não possuem expectativas quanto à reunião.
“A menos que o presidente assuma a responsabilidade pelos eventos sangrentos e o compromisso de formar um governo com a Frente e um comitê equilibrado para alterar a Constituição, qualquer diálogo será perda de tempo”, escreveu Mohamed El Baradei em sua conta de Twitter.
Hamdeen Sabahy, outro membro importante da organização, disse que não iria comparecer ao encontro “a menos que o derramamento de sangue pare e as demandas do povo sejam atendidas”.
Muitos opositores afirmaram que o tom do discurso do presidente foi muito mais ameaçador do que conciliador. “O Egito está em perigo e totalmente dividido”, disse à Reuters Ahmed Said do Partido Egípcios Livres.
Instabilidade desde novembro
Esta é a segunda crise política que o presidente enfrenta desde que foi eleito em junho do ano passado. Em novembro, o país foi tomado por protestos quando Mursi aprovou um decreto lhe garantindo poderes extraordinários, imunidade em relação ao Legislativo e Judiciário e a impossibilidade de dissolver a atual Assembleia Constituinte de maioria islâmica. A medida, entendida por muitos como a volta à era ditatorial, também impedia o cancelamento ou suspensão de decisões de Mursi.
As manifestações continuaram depois da redação e aprovação de um texto constitucional por apenas 234 parlamentares vinculados a Irmandade Muçulmana durante uma sessão da Assembleia Constituinte boicotada por representantes de outros setores, que protestavam contra medidas de Mursi.
A revolta apenas teve fim quando o presidente cancelou o decreto e o texto constitucional foi aprovado em referendo. Apesar disso, a insatisfação com o novo governo do país continua alta e muitos apontam que a revolução popular foi perdida, mas deve ser retomada.
Numa demonstração de que a Feira de Agricultura Familiar de Minas Gerais (AgriMinas) está cumprindo o seu papel, a Fetaemg firmou parceria com a rede de supermercados Martplus para a comercialização de produtos da agricultura familiar nos gôndolas dos 77 supermercados que hoje congregam a rede Martplus na capital mineira. De acordo com o gerente operacional do Martplus, Rogério Andrade, há um interesse muito grande dos consumidores por produtos produzidos artesanalmente e a agricultura familiar tem produtos de qualidade, com forte potencial para o mercado. “Nós temos hoje nas lojas áreas para receber esses produtos regionais valorizando a diversificação de Minas Gerais através de suas regiões e de encontro à necessidade do consumidor em resgatar os sabores do campo. Essa parceria é para desenvolvermos isso, buscando dentro da agricultura familiar todas as opções para abastecer as lojas e ter um produto diferenciado que remeta as origens da população, principalmente da capital”, explica Andrade.
O interesse pelos produtos da agricultura familiar surgiu a partir de visitas de representantes da rede Martplus à AgriMinas, que puderam conhecer e comprovar o diferencial dos produtos, resultando, inclusive, no fechamento de negócios com agricultores.
O integrante da Conspiração Gastronômica Eduardo Maya diz que a ideia é valorizar e dar nome aos produtos e o consumidor já tem consciência da importância para a saúde de um produto de qualidade e assim, valoriza o que é produzido no campo sem uso de agrotóxico ou conservante. Maya diz que a parceria do Martplus com a Fetaemg já comprova que há muito espaço para os produtos da agricultura familiar no mercado. “Eu acho que ao colocarmos esses produtos nessa rede de supermercados, que está entre as dez maiores do Brasil, nós vamos conseguir cada vez mais valorizar os pequenos produtores.”
O presidente da Fetaemg, Vilson Luiz da Silva, diz que já não há mais dúvidas que a AgriMinas está abrindo portas e para ocupar esse espaço o agricultor precisa estar a cada dia mais organizado. Vilson diz ainda que a ideia é criar o selo AgriMinas para a identificação dos produtos, o que pode ampliar ainda mais a abertura de mercados.
Na última semana de 2012, a Bancada dos Trabalhadores na Mesa Nacional da Indústria da Construção emitiu um documento, no qual faz um balanço do Compromisso Nacional para o Aperfeiçoamento das Relações de Trabalho na Indústria da Construção, lançado no último 1º de março, com o objetivo aprimorar as condições de trabalho nos canteiros de obras do país.
Além da CTB, participam da Mesa, como representantes dos trabalhadores, as seguintes entidades: Central Única dos Trabalhadores (CUT); Força Sindical; Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB); União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST); Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção (CNTIC); Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira (CONTICOM); Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Construção e do Mobiliário (CONTRICOM); Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada (FENATRACOP); Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da Região Metropolitana de Fortaleza; Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e Mobiliário de Belém/Pará; e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Já a parte patronal está representada pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada-Infraestrutura (Sinicon) e pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Além da Secretaria-geral e do Ministério do Trabalho e Emprego, também estão representados na Mesa, pelo governo federal, os seguintes Ministérios: Planejamento, Orçamento e Gestão; Previdência Social; Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Casa Civil; Educação; Cidades; Minas e Energia; Esporte; Integração Nacional; Transportes; e a Secretaria de Direitos Humanos.
Leia abaixo a íntegra do documento elaborado pelos trabalhadores do setor da construção:
Passados dez meses do lançamento do Compromisso Nacional para o Aperfeiçoamento das Relações de Trabalho na Indústria da Construção e, frente à realização da 4ª reunião da mesa nacional tripartite, as entidades representativas dos trabalhadores avaliam que no ano de 2012 segundo levantamentos das entidades nacionais dos trabalhadores, mais de 600.000 operários participaram de greves em obras da construção em todo o país, sendo que 80% destas greves tiveram como reivindicações questões básicas, tais como a isonomia nos salários e nos benefícios entre as obras das regiões Sul e Sudeste e as das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste.
Apesar dos esforços de implantação do Compromisso Nacional, até o momento com a adesão de 25 grandes obras, este número é ainda muito pequeno para um setor com milhares de obras. No setor da construção predial apenas uma empresa iniciou o processo de adesão ao compromisso. Além disso, houve pouco avanço em obras de Montagem, Óleo e Gás e em outras obras federais de infraestrutura, o que acreditamos está relacionado ao baixo engajamento de empresas e órgãos federais, entre elas a Petrobras e o DNIT.
Estamos convencidos de que a existência da Mesa Nacional Tripartite, em grande medida, teve origem e se deve ao espírito de luta dos operários de nossa categoria no ano de 2011. Embora reconheçamos o esforço das demais representações na Mesa, seus resultados ainda estão aquém do necessário. Ao mesmo tempo consideramos a Mesa como um espaço de negociação nacional e de busca dos consensos possíveis, inédito para uma categoria com mais de 7 milhões de trabalhadores. As lutas desenvolvidas pela categoria em 2012 demonstram que estes trabalhadores perseguem a mudança. Neste sentido, consideramos a necessidade de obter avanços nas obras de responsabilidade dos estados e municípios, assim como na modernização das relações de trabalho nas obras de responsabilidade de todas as empresas publicas e privadas e nos ministérios federais, é necessário ações e iniciativas mais incisivas do governo federal.
A manutenção de inúmeros problemas para os trabalhadores do setor, mesmo com a existência da Mesa Nacional, deve-se à complexidade e tamanho da indústria da construção, ao histórico atraso das relações de trabalho, a pouca mobilização do setor para temas nacionais, e a ausência de políticas publicas nacionais que respondam as grandes necessidades e desafios da categoria.
Por ser um Compromisso de adesão voluntária por parte das empresas, obras ou conjunto de obras, tal instrumento não foi até o momento capaz de superar tais dificuldades com maior velocidade. Acreditamos que uma atuação mais incisiva e efetiva do governo para que haja a adesão dos grandes contratantes das obras, como está definido no Termo Nacional, poderá reforçar a implantação do Compromisso.
Outra questão que nos preocupa é a falta efetiva de negociação do setor e de representação sindical patronal na área da construção civil predial, pois apesar da adesão da CBIC ao Compromisso, esta não tem conseguido efetivar seus desdobramentos no plano nacional, nem mobilizar os Sinduscons estaduais para isto. Desta forma continuamos verificando práticas autoritárias, antissindicais e o aumento da judicialização e criminalização das lutas de nossa categoria, sendo urgente desdobrar o acordo nacional nos estados e municípios.
Nós Trabalhadores chegamos a Mesa em sua quarta reunião com o orgulho de termos lutado por melhores condições de trabalho e de vida juntamente com centenas de milhares de trabalhadores em todo o país. Nossas principais vitórias e conquistas em 2012 tais como as melhorias salariais e melhorias dos pacotes de benefícios se deram fundamentalmente pela capacidade de luta e organização da categoria em nível local e regional, sem que a mesa tenha sido capaz de generalizá-las nacionalmente.
Repudiamos os casos de prisões sem justo motivo de trabalhadores, as dezenas de demissões por “justa-causa”, a demissão de dezenas de cipistas e de lideranças dos trabalhadores em todo o país, o envio de tropas da Força Nacional de Segurança e a militarização de alguns canteiros de obras e a judicialização dos conflitos. Desta forma reivindicamos das entidades nacionais e dos governos a revisão das demissões por justa causa, a readmissão dos cipistas e lideranças sindicais demitidas, principalmente nas obras das empresas aderentes ao acordo nacional, nas obras do PAC, e do Projeto Minha Casa, Minha Vida e a imediata libertação dos 5 operários da obra de Belo Monte presos injustamente em Altamira/PA.
Apontamos que as profundas distorções e desigualdades regionais que motivaram estas mobilizações e greves em 2012 permanecem apesar de alguns avanços. Ainda assim continuam ocorrendo distorções causadas entre outros motivos pela insuficiência flagrante no que toca a falta de estrutura dos órgãos fiscalizadores das relações e direitos trabalhistas. Enfatizamos a necessidade de ampliar a estrutura do Ministério do Trabalho, a começar pelo número de auditores fiscais presentes no quadro desse órgão e de fortalecer a Fundacentro como importante instrumento para pesquisa e estudos na área de saúde e segurança dos trabalhadores.
Recentemente o governo federal anunciou a desoneração da folha de pagamento do setor da construção civil. Entendemos que tal isenção tributária, que foi estimada pelo governo em 6,28 bilhões de reais, não deveria ser adotada sem ter sido precedida de discussões com as entidades nacionais representativas dos trabalhadores do setor da construção. Consideramos que o anúncio, sem prévia discussão na Mesa Nacional, significou um desrespeito a este fórum tripartite, totalmente ignorado nesse tema. Por este motivo, demandamos que a desoneração da folha do setor bem como qualquer outro tema relacionado com o setor da construção antes de deliberação seja pautada e discutida na Mesa Nacional da Construção.
Pelo exposto, a bancada dos Trabalhadores membros dessa Mesa, aponta como caminho e efetiva solução dos conflitos a proposta de pauta nacional e acordo coletivo nacional que busca solucionar os problemas mais graves do setor da construção, visando avançar para a negociação e concretização de Contrato Coletivo Nacional Articulado com os setores para os trabalhadores da Indústria da Construção. Esta ação poderá reforçar a Mesa Nacional e dar efetividade nas suas decisões para mudar a realidade das condições de salário e trabalho existentes nos canteiros.
Com o clima de resistência em cada olhar, apoiadores da causa palestina de todo o mundo participaram do Fórum Social Mundial Palestina Livre (FSMPL) entre os dias 28 de novembro e 1º de dezembro. Os militantes da Esquerda Marxista (corrente do PT e seção brasileira da Corrente Marxista Internacional –www.marxist.com) intervieram no evento junto com a União Democrática das Entidades Palestinas do Brasil (UDEP) e o Movimento Palestina para Todos (Mopat).
O Fórum foi aberto com a marcha dos movimentos sociais, que reuniu milhares de pessoas nas ruas do Centro de Porto Alegre. Cerca de 300 debates aconteceram espalhados pela cidade. A logística desagregava ao invés de integrar os participantes.
A realização do Fórum enfrentou várias dificuldades, segundo um dos membros da comissão organizadora, Abdel Howas, que é da Sociedade Palestina de Santa Maria e da UDEP. “A discussão sobre a liberdade da Palestina não aconteceu da forma como era para ser”, explica. Em outubro o embaixador de Israel, Rafael Eldad, e o presidente da Federação Israelita (FIRS), Jarbas Milititsky, vieram ao Brasil para pressionar o cancelamento do evento.
Abdel relata que também houve problemas internos ao comitê organizador. “Tínhamos mais de 100 palestrantes para trazer do mundo. Mas a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) articularam para esvaziar este fórum e a vinda dessas pessoas.” Ele afirma que, quando essas organizações não conseguiram passar suas posições sobre o que fazer, começaram a boicotar a própria realização do FSM. “O resultado foi um evento desorganizado, pulverizado e que desfavorece o debate democrático”.
A Esquerda Marxista participou com delegações de Recife, São Paulo, Joinville e Florianópolis. Na oportunidade, foi lançada a brochura “Palestina Livre”. A faixa estendida pelos marxistas na entrada do Gasômetro explicava sua posição: “Por um Estado único, laico e democrático sobre toda a Palestina histórica! Pelo Direito de Retorno de todos os Refugiados Palestinos”. Esta proposta para o conflito rivalizou com a tese da criação de um Estado da Palestina ao lado do Estado de Israel defendida pela Fepal e setores da CUT.
Na mesa do debate, que reuniu dois temas, “Um Estado democrático" e "O desrespeito ao direito internacional na questão palestina”, os palestrantes Ramadan Ali e Serge Goulart (este último, dirigente da Esquerda Marxista) contextualizaram os conflitos na região com o desenvolvimento do sionismo. Afirmaram que o inimigo dos palestinos é o Estado sionista de Israel e não os judeus.
“A criação de dois Estados não é possível, pois o sionismo continuará em Israel”, disse Serge Goulart ao público, “mas isso não quer dizer que não possa haver um Estado fantoche. Ele servirá apenas para os sionistas ganharem tempo enquanto continuam o massacre.”
O debate de fato no Fórum era este: De um lado, a UDEP e várias entidades palestinas, junto com o MST, sindicatos e organizações de esquerda, como a Esquerda Marxista, defendiam a posição histórica contra a existência do Estado de Israel e o direito de retorno de todos os 6 milhões de refugiados palestinos. De outro lado, representantes do Governo Brasileiro, da Autoridade Palestina, setores da CUT e a FEPAL (leia-se, PCdoB) defendiam “Estado Palestino Já!”, que na prática significa reconhecer como legítimo o Estado Sionista de Israel e estabelecer um Estado Palestino títere ao seu lado, completamente submisso política e militarmente, ocupando apenas 18% do território histórico da Palestina. Ou seja: não resolve nenhum dos problemas dos palestinos, além de inviabilizar completamente o retorno dos refugiados às suas casas, das quais foram expulsos desde 1948.
Na Assembleia Geral dos Movimentos Sociais que encerrou o Fórum, manobras por parte de dirigentes da CUT, da FEPAL e do Governo Brasileiro, levaram o MST e outras entidades a se retirar (leia abaixo carta-denúncia do MST). Em nome do Mopat, o camarada Caio Dezorzi, da Esquerda Marxista, teve 2 minutos para falar: “Se este Fórum Social Mundial Palestina Livre quer fazer jus ao nome que leva, se de fato quer uma Palestina Livre, então deve expressar em sua declaração final, de maneira clara e objetiva, que repudia a existência do Estado de Israel. E para ser coerente com isso, não pode reivindicar um ‘Estado Palestino Já’ aceitando que o Estado religioso-sionista de Israel permaneça. Só um Estado único, laico e democrático sobre todo o território histórico da Palestina permitirá que todos possam conviver com direitos iguais, independente de sua religião ou origem. Só um Estado como esse garantirá o direito de retorno de todos os palestinos refugiados.”
Apesar desta fala expor claramente a falta de consenso entre os membros participantes do Fórum, os setores que detinham o controle econômico do Fórum manobraram para que aparecesse como “posição consensual” a política defendida por eles, que é a linha defendida por setores do Imperialismo e do Sionismo, de dois Estados.
Ao final do evento um golpe
Abaixo segue a nota do MST que denuncia um golpe dado contra os palestinos por setores da CUT e CTB, governo e outros órgãos que romperam o acordo realizado para a elaboração da declaração final do FSM Palestina Livre e divulgaram um documento que não corresponde ao que havia sido produzido em acordo com os organizadores do evento.
Uma vez mais a política de conciliação de classes confirma-se como nociva e desagregadora. Esta acaba por dar sustentação à defesa incondicional do governo Dilma e à sua política internacional de colaboração com o imperialismo, que está na origem do golpe ao que seria a declaração final do evento.
Repudiamos e condenamos esse golpe, nossa solidariedade aos camaradas palestinos! Por um único estado laico e democrático em todo o território histórico da Palestina
Metalúrgicos da Magna Seating - uma das principais fornecedoras da Fiat Automóveis – situada em São Joaquim de Bicas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), conquistaram nesta sexta-feira (28), após greve de 24 horas, um reajuste salarial de 9%, índice que, até o momento, é considerado um dos maiores negociados este ano em um acordo salarial por uma categoria profissional no país. Com o fim da greve, os metalúrgicos da fábrica também conquistaram abono de R$ 1.300,00, garantia de emprego por 90 dias, aumento no valor da cesta-alimentação, que passou de R$ 80,00 para R$ 140,00, e remuneração das horas-extras a 100% todos os dias da semana, inclusive aos sábados e domingos. Também não haverá desconto das horas paradas e nem punição aos grevistas. A paralisação na fábrica foi iniciada na última quinta-feira (27) e teve como estopim a insatisfação dos metalúrgicos da Magna em relação à proposta apresentada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) à categoria nas negociações da Campanha Salarial Unificada dos Metalúrgicos, cuja data-base é 1º de outubro. Saldo positivo “As empresas continuam ganhando muito e têm sido beneficiadas com incentivos vindos do governo federal, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a desoneração da folha de pagamento e, mais recentemente, com a diminuição nas tarifas de energia elétrica, mas não oferecem uma proposta que valorize o trabalho da categoria”, avalia o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim e Região, João Alves de Almeida. Na avaliação de Almeida, a paralisação deixa um saldo positivo. “Esta conquista terá reflexo em toda a categoria, pois mostra que as empresas do setor, de maneira geral, têm condições de apresentar uma proposta que esteja à altura do empenho e dedicação dos trabalhadores nas fábricas, onde o ritmo de produção continua acelerado com a realização de horas-extras em excesso”, ressalta. Proposta da Fiemg não agrada Em reunião realizada na última quarta-feira (26), na quinta rodada de negociações da Campanha Salarial Unificada, a Fiemg limitou-se a manter a proposta anteriormente apresentada aos metalúrgicos, que prevê reajuste de 4,5% - que seria aplicado sobre os salários recebidos pela categoria em setembro de 2011 - mais 0,5% a partir de janeiro de 2013, índices que não repõem as perdas salariais da categoria com a inflação do período (1º de outubro de 2011 a 30 de setembro deste ano), estimada em pouco mais de 5% - a reivindicação dos metalúrgicos é de um reajuste de 12%. Em relação ao piso salarial, a proposta patronal é de um reajuste de 5%, conforme a faixa salarial e o número de empregados por fábrica. A proposta da Fiemg não inclui outras reivindicações feitas pelos metalúrgicos, como pagamento de abono de um salário nominal, garantia de emprego e redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, sem diminuição dos salários. A próxima rodada de negociações entre metalúrgicos mineiros e a Fiemg está marcada para o dia 9 de outubro. A Campanha Salarial Unificada dos Metalúrgicos é encabeçada pela Federação Interestadual dos Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil (FIT Metal), Federação dos Metalúrgicos/MG (FEM), ligada à CUT, e Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas (FEMETAL MG), que, juntas, representam cerca de 250 mil metalúrgicos em todo o estado. Vídeo sobre a matéria:
Conforme anunciado, bancários, químicos, metalúrgicos, petroleiros e trabalhadores dos Correios lotaram a Avenida Paulista, na manhã desta quinta-feira (20), em defesa de suas reinvindicações, que incluem reajuste salarial, melhores condições de trabalho e manutenção dos direitos.
Durante o ato, promovido pelas centrais sindicais CTB, CUT, Força Sindical e a Conlutas, os trabalhadores denunciaram o tratamento dispensado pelos empresários, que ainda usam a velha alegação da crise econômica, quando chega à época de negociar a pauta trabalhista.
“É fundamental essa unidade construída entre as centrais e, principalmente, entre as categorias. Essa unidade é a força máxima da classe trabalhadora que só avança nos direitos através de muita luta e mobilização. Por isso estamos aqui, mostrando que não vamos nos calar, não vamos aceitar essa exploração imposta pelo patronado. Vamos para as ruas para evitar a retirada e flexibilização de direitos. Juntos, somos fortes”, afirmou Onofre Gonçalves, presidente da CTB São Paulo.
Além de fortalecer a luta dos trabalhadores, tanto da iniciativa privada quanto do setor público por aumentos reais de salários e melhoria de benefícios, o ato teve como objetivo reforçar a luta pela pauta nacional da classe trabalhadora, que está parada no governo e no Congresso Nacional.
Nortearam as falas dos sindicalistas, a isenção de imposto de renda na PLR – Participação nos Lucros e Resultados, a regulamentação da Convenção 151 e ratificação da Convenção 158, ambas da OIT, o fim da terceirização e da rotatividade.
Vagner Freitas, presidente da CUT, destacou que é fundamental fortalecer a luta dos trabalhadores por aumento de salário e melhores condições de trabalho, até mesmo para ajudar o país a enfrentar os efeitos da crise econômica internacional. “Com mais salário, melhores condições de trabalho e parcela maior da PLR no bolso do trabalhador continuaremos contribuindo para o fortalecimento do mercado interno, que, desde 2008, vem sendo a principal âncora da nossa economia. Foi esta estratégia, iniciada no governo Lula que permitiu que o Brasil não sofresse tanto os efeitos da crise como a Europa e os Estados Unidos”, argumentou o dirigente.
Opinião compartilhada por Miguel Torres, presidente em exercício da Força Sindical. “Nossa solidariedade é importante neste momento. Vale lembrar que os patrões que negociam com os metalúrgicos do ABC são os mesmos que vão negociar conosco. Precisamos estar firmes e mobilizados para enfrentar os desafios da negociação por aumento real, valorização do piso salarial, redução da jornada e outros avanços”, ressalta Miguel Torres.
Das categorias presentes, ecetistas e bancários estão em greve. Os trabalhadores enfrentam a intransigência dos patrões, que se negam a apresentar uma proposta que atenda às necessidades das categorias. As duas categorias fazem parte das que têm data base em 1º de setembro. Assim como metalúrgicos, químicos e os petroleiros que podem cruzar os braços por 24 horas na próxima quarta-feira (26).
“A intransigência da Fenaban já era esperada, por ser um dos setores mais conservadores. Eles querem demonstrar força. E esseato ajuda no sentido para demonstrar que nós trabalhadores também estamos unidos e fortes. Não esperamos sensibilizá-los, porque sabemos que isso não vai acontecer. E sim, que eles adotem uma postura séria e responsável, pois têm a consciência dos problemas enfrentados pelos trabalhadores do setor financeiro”, destacou o cetebista Alex do Livramento, dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
Metalúrgicos do ABC também não descartam uma paralisação dos trabalhadores das montadoras de automóveis, apesar de já existir acordo fechado para os trabalhadores dessa categoria. No ano passado, os 105 mil metalúrgicos representados pelo sindicato fecharam acordo válido por dois anos, garantindo aumento real de 5% no biênio. “Não descartamos envolver as montadoras nas paralisações dos metalúrgicos, caso a greve se estenda”, afirmou Wagner Santana, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.