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terça-feira, 18 de outubro de 2016

As ameaças dos Estados Unidos e o risco de conflito mundial

As ameaças dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), desde setembro, contra a Rússia, fizeram a tensão internacional voltar aos níveis de mais de três décadas atrás e beiram um conflito aberto.

Ela pode ser simbolizada no destino de Kaliningrado, capital da região mais ocidental da Rússia, às margens do Báltico, fronteiriça à Lituânia e Polônia, e a pouca distância da Suécia. Ela é a antiga Königsberg onde – faz mais de duzentos anos – o filósofo Immanuel Kant escreveu o livro A Paz Perpétua (1795), cuja atualidade é crescente, exortando aos homens e aos chefes de Estado (“que nunca chegam a saciar-se da guerra”) a se entregarem, como os filósofos, “a esse doce sonho”.
As ameaças dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), desde setembro, contra a Rússia, fizeram a tensão internacional voltar aos níveis de mais de três décadas atrás e beiram um conflito aberto.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Valor da comunicação pública é maior que os interesses do governo da vez

Coube à TV Brasil, recentemente, colocar no ar o primeiro programa LGBT da televisão brasileira, o Estação Plural.
Outra iniciativa fracassada de comunicação pública ocorreu no segundo governo Vargas, quando o presidente da República outorgou à Rádio Nacional do Rio de Janeiro o canal 4 de televisão da então capital do país. O presidente morreu, a TV não foi ao ar e seu sucessor, Juscelino Kubitschek, não pôde levar a iniciativa adiante. Ameaçado por Assis Chateaubriand, poderoso dono dos Diários e Emissoras Associados, de destruí-lo caso criasse a TV Nacional, o presidente desistiu da ideia. Quem acabou ficando com o canal 4, pondo fim ao sonho de termos uma TV pública nacional, foi a Globo – que, com a ajuda decisiva do grupo estadunidense Time-Life, começou a partir daí a consolidar o seu império. Nos anos 1960, surgiram algumas TVs educativas por iniciativa de governos estaduais. De públicas sempre tiveram pouco na medida em que o controle ficava na mão dos governadores. A TV e a rádio Cultura de São Paulo, por exemplo. Embora juridicamente independentes do governo, elas se viram, em quase toda a sua existência, submissas aos interesses políticos dos governantes, na medida em que são eles que controlam as verbas necessárias para o funcionamento das emissoras.
 
Só em 2007, depois de amplo debate no país sobre a importância da comunicação pública para a democracia, é que o governo federal resolveu impulsionar a criação de uma rede nacional de rádio, TV e internet. Fundou a EBC, Empresa Brasil de Comunicação, reunindo as emissoras federais que já funcionavam sob o controle da Radiobrás e as TVs educativas do Rio e do Maranhão. Com uma diferença fundamental: deixavam de ser emissoras estatais e passavam a ser públicas, controladas pela sociedade por meio de um Conselho Curador formado por 22 integrantes, sendo 15 indicados pela sociedade, quatro representantes do governo federal, um da Câmara, um do Senado e um dos funcionários da empresa. Atendia-se, assim, o artigo da Constituição que determina a existência de três modelos de radiodifusão no Brasil: o privado, o estatal e o público. O privado é o dominante há décadas, o estatal sobrevive com a Voz do Brasil no rádio e a TV NBR e o público, de caráter nacional, começa a ser construído com a EBC que administra hoje duas emissoras de televisão, oito de rádio, duas agências de notícias e uma prestadora de serviços externos.
 
São esses veículos os responsáveis por mostrar ao público brasileiro que outra comunicação é possível, livre das amarras do mercado ou dos governos. Na TV Brasil, por exemplo, os programas infantis hoje banidos das emissoras comerciais alcançam as maiores audiências.
 
É nela também que se abre espaço para o único programa de samba da TV aberta brasileira ou para a crítica da própria televisão. Discute-se a questão das concessões das emissoras, da presença do negro na TV, da exploração do corpo da mulher na propaganda, da incitação ao ódio e à violência constante nos chamados programas policialescos das TVs privadas, entre outros assuntos.
 
Coube à TV Brasil, recentemente, colocar no ar o primeiro programa LGBT da televisão brasileira, mostrando com seriedade e respeito um mundo excluído e ridicularizado em outras emissoras. Personagens da vida pública, com algum compromisso com as lutas sociais mais amplas, só encontram espaço nos programas de entrevistas e nos telejornais da TV Brasil.
 
O mesmo se pode dizer das emissoras de rádio que prestam serviços em áreas para as quais as emissoras comerciais não têm interesse de ir. É o caso da Rádio Nacional da Amazônia, integrando ao país extensas regiões ainda isoladas, e a Rádio Nacional do Alto Solimões, falando em português na tríplice fronteira Brasil, Peru e Colômbia, onde predominam as vozes emitidas desde os países vizinhos. O governo interino não levou tudo isso em consideração e muito menos o caráter público da EBC, ao demitir o presidente da empresa, Ricardo Melo, detentor de um mandato de quatro anos. A lei de criação da empresa é clara: apenas o ­Conselho Curador tem poder para demitir o seu principal dirigente. O presidente destituído recorreu ao Supremo Tribunal Federal, e este, por meio de uma liminar, reconheceu a ilegalidade praticada e o reconduziu ao comando.
 
O respeito à lei foi restabelecido tendo como consequência o entendimento pela Justiça da existência real de uma comunicação pública independente dos governos, capaz de elevar a qualidade da programação do rádio e da TV e de contribuir decisivamente para a consolidação da democracia, ao fazer circular pelo país informações e ideias sonegadas sistematicamente pelos meios comerciais.
No intervalo entre um programa e outro no rádio ou na televisão, ou mesmo no meio dos programas, tem sempre alguém querendo vender alguma coisa para a gente ou pedindo para dar algum dinheiro para uma igreja.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Estados Unidos matam líder da Al Qaeda no Iêmen em bombardeio com drones

Nasser al-Wuhayshi foi secretário de Osama bin Laden no Afeganistão; braço iemenita de grupo foi responsável pelo atentado de 'Charlie Hebdo' em Paris
O líder da AQAP (Al Qaeda na Península Arábica), Nasser al-Wuhayshi, foi morto em um bombardeio norte-americano, anunciou nesta terça-feira (16/06) o braço da organização terrorista.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Protestos violentos em Baltimore depois do enterro de um jovem negro

Pelo menos 20 policiais ficaram feridos em violentos incidentes depois do funeral de freddie gray, que morreu sob custódia policial


Todos estes casos fizeram com que Obama ordenasse reformas nas práticas policiais. Outro assassinato também reforçou essa medida tomada pelo presidente: Neste mesmo mês de abril, um vídeo mostrou, na Carolina do Sul, um policial branco, Michael Slager, executando a tiros Walter Scott, negro, em um parque em North Charleston. A razão do assassinato foi porque Scott correu depois de ter sido parado por ter seu carro quebrado. As imagens gravadas por uma testemunha desmentiam a versão inicial do policial, que afirmou que se viu forçado a disparar contra Scott depois que ele tentou arrancar a sua pistola elétrica.
O último adeus a Freddie Gray, o jovem negro que morreu no dia 19 de abril sob custódia policial em Baltimore, maryland, transformou-se nesta segunda-feira em um novo clamor contra os preconceitos e abusos da polícia dos estados unidos contra a população negra.

sábado, 25 de abril de 2015

Noam Chomsky: “Os EUA São Os Maiores Terroristas Do Mundo”

Os Estados Unidos estão a todo instante promovendo ações que são muito perigosas para o Estado de Israel. A saber, o apoio incondicional às políticas israelenses. Pelos últimos 40 anos, a maior ameaça enfrentada por Israel veio de suas próprias políticas. Se você olhar 40 anos atrás, e falo de 1970, Israel era um dos países mais admirados e respeitados em todo o mundo. Havia muitas atitudes favoráveis para com o país. No início dos anos 70s Israel tomou uma decisão. Tinha que fazer uma escolha e preferiu trilhar o caminho da expansão em detrimento da segurança com todas as perigosas consequências que esta decisão provocou. Consequências estas que atualmente são óbvias. Além de mim, outras pessoas escreveram sobre isso. Se você prefere expansão à segurança isso vai levar você em direção à degeneração interna, ódio, oposição, isolamento e por último, a possível destruição. Apoiando essas políticas, os Estados Unidos estão contribuindo para as ameaças que Israel encara hodiernamente.
Entrevistas e matéria original do euronews.com.
Isabelle Kumar (IK): O mundo em 2015 parece ser um lugar muito inseguro, mas se você olhar para o todo, sentir-se-ia otimista ou pessimista sobre a situação atual?
Noam Chomsky (NC): Na cena global estamos caminhando para um precipício e determinados a cair nele, através de radicais reduções da capacidade para uma sobrevivência decente.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Filme "Sniper Americano" divide os EUA

Indicado ao Oscar, o longa gera debate entre políticos e artistas. Para alguns, a história é a de um herói. Para outros, a glorificação da violência americana no Iraque
Sniper americano estreia nesta semana nos cinemas brasileiros. O mais recente trabalho do legendário ator e diretor americano Clint Eastwood chega trazendo a reboque as discussões ocorridas nos EUA sobre o filme. Esses debates devem se aquecer ainda mais quando a cerimônia da entrega do Oscar, para o qual o longa é indicado em seis categorias, for realizada em Hollywood, neste domingo 22.
Para alguns, Sniper americano conta a história de um moderno herói de guerra dos Estados Unidos. Para outros, o filme é a glorificação estúpida de um soldado com uma visão de mundo ingênua. Quem critica o atirador Chris Kyle, cospe em seu túmulo, afirmam os defensores do filme nos EUA
Sniper americano estreia nesta semana nos cinemas brasileiros. O mais recente trabalho do legendário ator e diretor americano Clint Eastwood chega trazendo a reboque as discussões ocorridas nos EUA sobre o filme. Esses debates devem se aquecer ainda mais quando a cerimônia da entrega do Oscar, para o qual o longa é indicado em seis categorias, for realizada em Hollywood, neste domingo 22.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Na Ucrânia, Otan e EUA auxiliam cerco mortal a Donetsk e Lugansk

Na Ucrânia, Otan e EUA auxiliam cerco mortal a Donetsk e Lugansk
Até dia 8 de agosto a atenção da opi­nião pública mundial estava presa ao ge­nocídio que o exército sionista estava re­alizando com o cerco à Faixa de Gaza. Depois, o sino de alarme tocou no Iraque para lembrar os massacres que os com­batentes do Estado Islâmico estavam re­alizando no norte e no centro do país es­traçalhando os corpos dos cristãos e tam­bém dos muçulmanos contrários às leis do fundamentalismo islâmico.

sábado, 10 de maio de 2014

Juntar o “selfie” com o “yes, we can” é essencial

Juntar o “selfie” com o “yes, we can” é essencial
Ontem, publiquei aqui um texto da Veja que falava das pesquisas realizadas no final de 2005 preverem uma inexorável decadência de Lula e um provável vitória tucana em 2006. 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

O golpe silencioso que agarrou Washington


Eu tenho pendurado na parede da primeira página do Daily Express de 05 de setembro de 1945 , com as seguintes palavras : "Eu escrevo isso como um aviso para o mundo. " Assim começou o relatório de Wilfred Burchett em Hiroshima. Foi a bomba do século. Por ocasião da jornada solitária e perigosa que desafiou os EUA ocupação autoridades Burchett foi ridicularizado , especialmente por seus colegas roupeiros . Ele alertou que um ato premeditado de assassinato em massa em uma escala épica acaba de dar o sinal verde para uma nova era de terror.
Hoje, [ o alerta ] Buirchett Wilfred está sendo reivindicada por eventos quase que diariamente. A criminalidade intrínseca da bomba atômica tem sido apoiado pelo Arquivo Nacional dos EUA e décadas seguintes do militarismo disfarçado de democracia. Psicodrama sírio é um exemplo. Mais uma vez estamos refém da perspectiva de um terrorista cuja natureza e história continuam a negar até mesmo os críticos mais liberais. A grande verdade é que unmentionable o mais perigoso inimigo da humanidade é do outro lado do Atlântico.

A farsa de John Kerry e Barack Obama piruetas são temporários. O acordo de paz russo em armas químicas serão tratados ao longo do tempo com o desprezo reservado para todos diplomacia militarista . Com a Al-Qaeda agora está aparecendo entre seus aliados eo golpe armado EUA solidamente instalada no Cairo, os EUA procuram esmagar os últimos estados independentes do Oriente Médio : Síria primeiro, então Iran. "Esta operação [ na Síria ]", disse o ex-ministro das Relações Exteriores francês Roland Dumas , em junho, " vai caminho de volta . Foi preparado , pré-concebida e planejada " .

Quando o público é " afetada psicologicamente " , como descrito por Channel 4 repórter Jonathan Rugman esmagadora oposição do povo britânico a um ataque à Síria , a supressão da verdade torna-se urgente. Quer ou não que Bashar al- Assad e os "rebeldes" usou gás nos subúrbios de Damasco, é a América , e não a Síria , o país que usam esses terríveis armas mais prolíficos .

Em 1970, o Senado relatou: " Os EUA têm despejado no Vietnã uma série de substâncias químicas tóxicas ( dioxinas ), equivalente a 2,7 quilos por cabeça." Isso foi o que foi chamado de Hades operação, mais tarde renomeado mais amável como Operação Ranch Hand , a origem de médicos vietnamitas chamam de " ciclo de desastre fetal " . Tenho visto gerações de crianças afetadas por deformações família e monstruoso. John Kerry, cujo registro militar, ele jorra sangue, certamente se lembra. Também tenho visto no Iraque, onde os EUA usaram urânio empobrecido e fósforo branco, como os israelenses fizeram em Gaza. Para eles não havia "linhas vermelhas" de Obama , nem de psicodrama de confronto.

O debate repetitivo e estéril sobre se " nós" devemos " tomar medidas " contra os ditadores selecionados ( ou seja , se devemos aplaudir os EUA e seus acólitos em uma nova matança aérea) faz parte de nossa lavagem cerebral . Richard Falk, professor emérito de Direito Internacional e pelo relator especial da ONU sobre a Palestina , descreve-o como " uma tela legal / pretensões morais unidirecionais de superioridade moral e cheio de imagens positivas dos valores ocidentais e imagens de inocência ameaçada visa legitimar uma campanha de violência política irrestrita. " Este "é tão amplamente aceito que é praticamente impossível para desafiar . "

Esta é a maior mentira, o parto por política " realistas liberais" anglo-americanos e self-made acadêmicos de mídia e gestores da crise global , em vez de causá-la. Removendo o estudo do fator humano dos países e congelar seu discurso com o jargão para servir os desígnios das potências ocidentais , endossa o rótulo de " não ", " criminoso" ou "mal" para os Estados Unidos , em seguida, infligir -lhes a sua "intervenção humanitária" .

Um ataque à Síria ou o Irã , ou contra qualquer outro "mal" dos EUA é baseada em uma forma variante , a " Responsabilidade de Proteger " , ou R2P , cujo pregador fanático é o ex- ministro dos Negócios Estrangeiros australiano Gareth Evans, co- presidente de um " centro do mundo ", com base em Nova York. Evans e lobistas generosamente financiados jogar uma propaganda vital pedindo a "comunidade internacional " para atacar os países com " o Conselho de Segurança se recusa a aprovar qualquer proposta ou que se recusa a enfrentá-lo em um tempo razoável . "

O Evans é longa. O personagem já apareceu em meu filme 1994 , Death of a Nation , que revelou a extensão do genocídio em Timor Leste. O homem sorrindo Canberra levanta a taça de champanhe para brindar o seu homólogo indonésio durante o vôo em uma aeronave australiana de Timor-Leste depois de assinar um tratado de cortar o petróleo e gás do país devastado em que o tirano Suharto assassinados ou morreram de fome de um terço da população.

Durante a vigência do "fraco" militarismo Obama cresceu talvez como nunca antes. Embora não haja um único tanque no gramado da Casa Branca, em Washington , houve um golpe militar. Em 2008, seus devotos lágrimas lavado liberais , Obama aceitou totalmente o Pentágono que legou seu antecessor , George W. Bush , completo com todas as suas guerras e crimes de guerra. Embora a Constituição está sendo substituído por um estado emergente da polícia , o mesmo que destruiu o Iraque com base em choque e pavor , que transformou o Afeganistão em uma pilha de escombros e Líbia reduzida a um pesadelo hobbesiano , o mesmo são os que estão ascendendo a administração dos EUA . Por detrás da sua fachada enmedallada , são ex- soldados norte-americanos estão a cometer suicídio do que são mortos no campo de batalha . Últimos veteranos 6.500 anos tiram suas próprias vidas . Um lugar mais bandeiras .

O historiador Norman Pollack chama isso de " liberalfascismo " : . "Em vez de soldados marchando passo de ganso que aparentemente inofensivo militarização total de Cultura e , em vez de líder bombástico temos um reformador não trabalhar alegremente no planejamento e execução de assassinatos ainda sorrindo um pouco . " Toda terça-feira , o " humanitário " Obama supervisiona pessoalmente rede terrorista global de drones que reduz a " mush " as pessoas , os seus socorristas e seus enlutados. Nas zonas de conforto do Ocidente, o primeiro líder negro do país da escravidão ainda se sente bem, como se sua mera existência significaria um avanço social , independentemente de o rastro de sangue que sai. Esta obediência a um comando praticamente destruído EUA o movimento anti- guerra. Essa é a única façanha de Obama.

Na Grã-Bretanha as distrações resultantes imagem e políticas de identidade falsa por não ter conseguido completamente . A agitação já começou, mas as pessoas de consciência devem se apressar . Os juízes Nuremberg foram concisa : " Os cidadãos têm a obrigação de violar leis nacionais para impedir a perpetração de crimes contra a paz ea humanidade. " As pessoas normais da Síria , e muitos outros a maioria das pessoas , como a nossa própria auto-estima, não merecem menos agora.
Fonte: Portal Rebelión

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A Síria está no coração do conflito no Oriente Médio


Sem os recursos naturais da Líbia, mas no coração do conflito no Oriente Médio, a Síria é atraente para as nações ocidentais que tentam desestabilizar o país, avaliou a jornalista libanesa Ogarite Dandache, em visita a Cuba. 



Jovem repórter com experiência em coberturas na região, considerou em entrevista exclusiva à Prensa Latina que além do interesse pelas riquezas desses territórios árabes, os Estados Unidos e os países europeus envolvidos querem a Síria e a Líbia por sua posição geográfica e pelas relações internacionais.

Desde o início dos distúrbios nestas terras árabes, Dandache visita-as frequentemente e nos últimos meses permaneceu nas cidades sírias de Alepo e Damasco, junto ao exército da nação para cobrir as batalhas.

Apesar de o conflito na Síria se estender por dois anos, o povo ainda resiste, assegurou, eles continuam lutando numa disputa que diz respeito a todos porque pode mudar o mundo.

A jornalista explicou que a resistência síria não só enfrenta a invasão dos Estados Unidos, governo que envia seus aviões e helicópteros ao Oriente Médio, mas que nessa luta também defendem seus pontos de vista políticos e sua ideologia.

Por outro lado, assinalou que a oposição é integrada por pessoas vindas de várias partes do mundo: "é gente que mata sem se importar, e não estão interessados no presidente, Bashar Al Assad, nem nada disso, vieram pela mentalidade de matar os que não pensam igual a eles".

Não obstante, alertou, nessa nação as coisas são diferentes ao sucedido na Líbia, já que os sírios são mais fortes e sabem como podem jogar este jogo.

Na Síria estão conscientes do que está ocorrendo, continuou, e ao mesmo tempo os países vizinhos sabem que se ocorre algo ali, os prejudicará também de alguma maneira.

"Então, eles não estão lutando só por seu país, mas por toda a região, isso nos ajudará a todos a resistir e a ganhar nossas causas".

A jornalista da rede televisiva Almayadeen também esteve várias vezes na Líbia para ser testemunha das contendas armadas e "comprovar por mim mesma que eram os supostos rebeldes".

Agregou que ao chegar percebeu que os acontecimentos não tinham nada a ver com rebeldes nem com revolução, o que interessava era o petróleo, o gás, isto é, os recursos naturais do país.

"Numa ocasião visitei uma pequena cidade, Ras Lanuf, a qual estava muito conturbada porque nela havia petróleo, e esse lugar era para eles - a oposição - mais importante até que Bengasi, por exemplo, a segunda maior cidade do país".

Dessas experiências, Dandache concluiu que há algo maior nos planos e que inclui toda a região, não só a Líbia ou a Síria".

Como profissional do jornalismo, Ogarite Dandache podia se dedicar a reportar espetáculos, eventos científicos, eventos esportivos ou processos eleitorais; no entanto sua decisão foi outra: cobrir a guerra.

De acordo com suas palavras, para ela há princípios acima do perigo que significa ir ao campo de batalha armada com câmeras, gravadores e microfones.

"Dispararam na primeira câmera que levei, e mesmo que não tenha causado muito dano, porque levava um colete antibalas, a impressão foi forte. Eu sei que é perigoso, mas é minha forma de lutar por minha causa", assegurou.

Com a naturalidade de quem fala sobre algo habitual, ela assume que pode morrer de muitas maneiras.

"Posso dirigir por qualquer lugar e ter um acidente. A morte é normal, algo que devemos aceitar porque vai chegar em algum momento, e para mim vale a pena morrer fazendo meu trabalho e lutando para salvar meu povo, por minha independência, por minha dignidade. É meu dever", afirmou.

Na opinião da libanesa, o jornalismo é hoje uma arma principal, uma das mais valiosas nas guerras contemporâneas, e considera necessário usar contra o inimigo para desmascará-lo.

A isso se soma, continuou, que muitas pessoas no mundo não sabem nada sobre as causas do conflito no Oriente Médio; eu tenho que mostrar ao mundo nossas lutas e sobretudo nosso direito de lutar.

"Nós lutamos para defender o direito à independência, por nossa dignidade, de usar os recursos naturais que estão em nossos territórios em benefício de nossos povos", apontou.

No entanto, para fazer seu trabalho teve que ultrapassar obstáculos como a indecisão por parte dos que a dirigem na rede televisiva.

"Foi duro para eles me deixarem ir sem saber se ia regressar. Mas quando fiz meus primeiros trabalhos na Líbia, Iêmen e Egito, começaram a confiar e agora me deixam livre para ir aonde eu quiser, porque sabem que trarei muito trabalho, e acho que bom trabalho", assinalou.

No caso de minha família, agrega, preocupam-se o tempo todo, "às vezes estou em regiões onde não há telefone, nem Internet e é realmente perigoso. Mas sei que no fundo estão orgulhosos".

Ainda que a rotina de trabalho desta jornalista centre-se na área de conflitos do Oriente Médio, ela decidiu fazer uma interrupção e vir a Cuba.

"Há vezes em que meu diretor me manda a lugares e noutras eu decido por minha conta. Em ocasiões pediram-me para cobrir coisas e tenho dito que não porque acho que outros podem fazê-lo, mas quando me propuseram vir a Cuba disse: Sim, eu vou".

Entre as motivações da visita, destacou: "quero compreender como por cinquenta anos, vocês têm resistido contra o maior império que já existiu".

Vim porque considero isto parte de meu dever, afirma, porque o que vocês estão fazendo aqui é parte da nossa guerra e nossa resistência contra o inimigo. É minha primeira visita, mas acho que não será a última.


Vídeo sobre a matéria:
Fonte Texto: Portal Vermelho