segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A Síria está no coração do conflito no Oriente Médio


Sem os recursos naturais da Líbia, mas no coração do conflito no Oriente Médio, a Síria é atraente para as nações ocidentais que tentam desestabilizar o país, avaliou a jornalista libanesa Ogarite Dandache, em visita a Cuba. 



Jovem repórter com experiência em coberturas na região, considerou em entrevista exclusiva à Prensa Latina que além do interesse pelas riquezas desses territórios árabes, os Estados Unidos e os países europeus envolvidos querem a Síria e a Líbia por sua posição geográfica e pelas relações internacionais.

Desde o início dos distúrbios nestas terras árabes, Dandache visita-as frequentemente e nos últimos meses permaneceu nas cidades sírias de Alepo e Damasco, junto ao exército da nação para cobrir as batalhas.

Apesar de o conflito na Síria se estender por dois anos, o povo ainda resiste, assegurou, eles continuam lutando numa disputa que diz respeito a todos porque pode mudar o mundo.

A jornalista explicou que a resistência síria não só enfrenta a invasão dos Estados Unidos, governo que envia seus aviões e helicópteros ao Oriente Médio, mas que nessa luta também defendem seus pontos de vista políticos e sua ideologia.

Por outro lado, assinalou que a oposição é integrada por pessoas vindas de várias partes do mundo: "é gente que mata sem se importar, e não estão interessados no presidente, Bashar Al Assad, nem nada disso, vieram pela mentalidade de matar os que não pensam igual a eles".

Não obstante, alertou, nessa nação as coisas são diferentes ao sucedido na Líbia, já que os sírios são mais fortes e sabem como podem jogar este jogo.

Na Síria estão conscientes do que está ocorrendo, continuou, e ao mesmo tempo os países vizinhos sabem que se ocorre algo ali, os prejudicará também de alguma maneira.

"Então, eles não estão lutando só por seu país, mas por toda a região, isso nos ajudará a todos a resistir e a ganhar nossas causas".

A jornalista da rede televisiva Almayadeen também esteve várias vezes na Líbia para ser testemunha das contendas armadas e "comprovar por mim mesma que eram os supostos rebeldes".

Agregou que ao chegar percebeu que os acontecimentos não tinham nada a ver com rebeldes nem com revolução, o que interessava era o petróleo, o gás, isto é, os recursos naturais do país.

"Numa ocasião visitei uma pequena cidade, Ras Lanuf, a qual estava muito conturbada porque nela havia petróleo, e esse lugar era para eles - a oposição - mais importante até que Bengasi, por exemplo, a segunda maior cidade do país".

Dessas experiências, Dandache concluiu que há algo maior nos planos e que inclui toda a região, não só a Líbia ou a Síria".

Como profissional do jornalismo, Ogarite Dandache podia se dedicar a reportar espetáculos, eventos científicos, eventos esportivos ou processos eleitorais; no entanto sua decisão foi outra: cobrir a guerra.

De acordo com suas palavras, para ela há princípios acima do perigo que significa ir ao campo de batalha armada com câmeras, gravadores e microfones.

"Dispararam na primeira câmera que levei, e mesmo que não tenha causado muito dano, porque levava um colete antibalas, a impressão foi forte. Eu sei que é perigoso, mas é minha forma de lutar por minha causa", assegurou.

Com a naturalidade de quem fala sobre algo habitual, ela assume que pode morrer de muitas maneiras.

"Posso dirigir por qualquer lugar e ter um acidente. A morte é normal, algo que devemos aceitar porque vai chegar em algum momento, e para mim vale a pena morrer fazendo meu trabalho e lutando para salvar meu povo, por minha independência, por minha dignidade. É meu dever", afirmou.

Na opinião da libanesa, o jornalismo é hoje uma arma principal, uma das mais valiosas nas guerras contemporâneas, e considera necessário usar contra o inimigo para desmascará-lo.

A isso se soma, continuou, que muitas pessoas no mundo não sabem nada sobre as causas do conflito no Oriente Médio; eu tenho que mostrar ao mundo nossas lutas e sobretudo nosso direito de lutar.

"Nós lutamos para defender o direito à independência, por nossa dignidade, de usar os recursos naturais que estão em nossos territórios em benefício de nossos povos", apontou.

No entanto, para fazer seu trabalho teve que ultrapassar obstáculos como a indecisão por parte dos que a dirigem na rede televisiva.

"Foi duro para eles me deixarem ir sem saber se ia regressar. Mas quando fiz meus primeiros trabalhos na Líbia, Iêmen e Egito, começaram a confiar e agora me deixam livre para ir aonde eu quiser, porque sabem que trarei muito trabalho, e acho que bom trabalho", assinalou.

No caso de minha família, agrega, preocupam-se o tempo todo, "às vezes estou em regiões onde não há telefone, nem Internet e é realmente perigoso. Mas sei que no fundo estão orgulhosos".

Ainda que a rotina de trabalho desta jornalista centre-se na área de conflitos do Oriente Médio, ela decidiu fazer uma interrupção e vir a Cuba.

"Há vezes em que meu diretor me manda a lugares e noutras eu decido por minha conta. Em ocasiões pediram-me para cobrir coisas e tenho dito que não porque acho que outros podem fazê-lo, mas quando me propuseram vir a Cuba disse: Sim, eu vou".

Entre as motivações da visita, destacou: "quero compreender como por cinquenta anos, vocês têm resistido contra o maior império que já existiu".

Vim porque considero isto parte de meu dever, afirma, porque o que vocês estão fazendo aqui é parte da nossa guerra e nossa resistência contra o inimigo. É minha primeira visita, mas acho que não será a última.


Vídeo sobre a matéria:
Fonte Texto: Portal Vermelho

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