Em reunião nesta sexta-feira (22) na capital paulista, representantes das centrais sindicais brasileiras definiram o ato que ocorre na terça-feira (26) em frente ao Banco Central, em Brasília. “A concentração começa às 10h e o ato político está marcado para começar às 11h”, declara Paschoal Carneiro, secretário de Previdência, Aposentados e Pensionistas da CTB.
Foi definido o slogan Menos Juros, Mais Salários, denunciando a política desenvolvida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, com sucessivas altas dos juros, o que acarreta perdas irreparáveis para a classe trabalhadora, prejudica a produção e favorece o setor financeiro, que não gera empregos. “Todas as centrais confirmaram presença e terão direito a dois oradores e cada central poderá escolher um parlamentar para discursar também”, explica Paschoal.
A expectativa dos organizadores do ato é da presença de pelo menos 5 mil pessoas em Brasília no dia 26 para mostrar a força da classe trabalhadora unida para mudar a economia do país rumo ao desenvolvimento independetne do mercado internacional e para isso contam com a mobilização das estaduais das centrais, assim como dos sindicatos, porque “interessa a todos os trabalhadores reduzir os juros e aumentar os salários”, define o dirigente da CTB.
A taxa Selic está em 9,5% atualmente e pode ultrapassar os dois dígitos em breve a continuar nesse ritmo. Por isso, a mobilização das centrais sindicais em mais esse ato unificado. A CTB empreende todos os esforços para enviar milhares de militantes nos eventos mais importantes para empoderar a classe trabalhadora na luta contra os interesses do capital (saiba mais aqui). A CTB sempre na luta com os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil.
“Um ato histórico”. Esse foi o resumo explicitado por vários dirigentes sindicais nesta quarta-feira (6), durante e após a realização da 7ª Marcha das Centrais Sindicais e dos Movimentos Sociais a Brasília, organizada pela CTB, UGT, CUT, CGTB, FS e NCST com o propósito de pressionar o governo federal a atender uma pauta de reivindicações da classe trabalhadora. Segundo estimativa da Polícia do Distrito Federal, ao menos 50 mil pessoas percorreram as ruas da cidade.
Foto: Lígia Dumont
“A pauta da classe trabalhadora continua parada no Congresso. Esta Marcha mostra que os trabalhadores do Brasil querem discutir e têm proposta para o desenvolvimento do país. Mais de 50 mil pessoas estão mostrando para o governo federal qual o rumo que a classe trabalhadora quer”, afirmou o presidente da CTB, Wagner Gomes.
Ao longo da Marcha, que percorreu pouco mais de sete quilômetros das ruas de Brasília, o tom dos discursos dos dirigentes sindicais indicava que todos estavam ali para tratar de questões amplas para o Brasil, com alcance para a classe trabalhadora e todo o conjunto da sociedade.
Para Vicente Selistre, vice-presidente da CTB, “a unidade demonstrada na Marcha é o elemento necessário para a transformar a realidade da classe trabalhadora”. Adílson Araújo, presidente da CTB-BA, destacou que a manifestação popular marcava um dia “que aumentará nossa autoestima e que será fundamental para destravar a pauta dos trabalhadores e trabalhadoras”
Foto: Lígia Dumont
Pauta
Desde junho de 2010, quando foi realizada a segunda Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), as centrais sindicais dispõem de um documento que reúne toda sua pauta de reivindicações ao governo federal – a chamada “Agenda da Classe Trabalhadora”. O governo federal conhece essa pauta, mas não tem se esforçado para atender tais demandas.
A última das marchas a Brasília havia sido realizada em novembro de 2009. Para a 7ª Marcha, a seguinte pauta foi elaborada:
- 40 horas semanais sem redução de salário; - Fim do fator previdenciário; - Reforma agrária; - Igualdade de oportunidade entre homens e mulheres; - Política de valorização dos aposentados; - 10% do Produto Interno bruto (PIB) para a educação; - 10% do orçamento da União para a saúde; - Correção da tabela do Imposto de Renda; - Ratificação da Convenção OIT/158; - Regulamentação da Convenção da OIT/151; - Ampliação do investimento público.
Foto: Lígia Dumont
Encontro com os três poderes
No início da tarde, os presidentes das seis centrais sindicais se reuniriam com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. Em seguida, seriam recebidos pelo presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves.
Por fim, já no final da tarde, os representantes das centrais serão recebidas pela presidenta Dilma Rousseff. “Iremos cobrar um diálogo mais amplo entre o movimento sindical e o governo federal. Temos que pressionar por políticas mais ousadas, que garantam ao país um desenvolvimento maior, com mais crescimento e valorização do trabalho”, afirmou Wagner Gomes.
Conforme anunciado, bancários, químicos, metalúrgicos, petroleiros e trabalhadores dos Correios lotaram a Avenida Paulista, na manhã desta quinta-feira (20), em defesa de suas reinvindicações, que incluem reajuste salarial, melhores condições de trabalho e manutenção dos direitos.
Durante o ato, promovido pelas centrais sindicais CTB, CUT, Força Sindical e a Conlutas, os trabalhadores denunciaram o tratamento dispensado pelos empresários, que ainda usam a velha alegação da crise econômica, quando chega à época de negociar a pauta trabalhista.
“É fundamental essa unidade construída entre as centrais e, principalmente, entre as categorias. Essa unidade é a força máxima da classe trabalhadora que só avança nos direitos através de muita luta e mobilização. Por isso estamos aqui, mostrando que não vamos nos calar, não vamos aceitar essa exploração imposta pelo patronado. Vamos para as ruas para evitar a retirada e flexibilização de direitos. Juntos, somos fortes”, afirmou Onofre Gonçalves, presidente da CTB São Paulo.
Além de fortalecer a luta dos trabalhadores, tanto da iniciativa privada quanto do setor público por aumentos reais de salários e melhoria de benefícios, o ato teve como objetivo reforçar a luta pela pauta nacional da classe trabalhadora, que está parada no governo e no Congresso Nacional.
Nortearam as falas dos sindicalistas, a isenção de imposto de renda na PLR – Participação nos Lucros e Resultados, a regulamentação da Convenção 151 e ratificação da Convenção 158, ambas da OIT, o fim da terceirização e da rotatividade.
Vagner Freitas, presidente da CUT, destacou que é fundamental fortalecer a luta dos trabalhadores por aumento de salário e melhores condições de trabalho, até mesmo para ajudar o país a enfrentar os efeitos da crise econômica internacional. “Com mais salário, melhores condições de trabalho e parcela maior da PLR no bolso do trabalhador continuaremos contribuindo para o fortalecimento do mercado interno, que, desde 2008, vem sendo a principal âncora da nossa economia. Foi esta estratégia, iniciada no governo Lula que permitiu que o Brasil não sofresse tanto os efeitos da crise como a Europa e os Estados Unidos”, argumentou o dirigente.
Opinião compartilhada por Miguel Torres, presidente em exercício da Força Sindical. “Nossa solidariedade é importante neste momento. Vale lembrar que os patrões que negociam com os metalúrgicos do ABC são os mesmos que vão negociar conosco. Precisamos estar firmes e mobilizados para enfrentar os desafios da negociação por aumento real, valorização do piso salarial, redução da jornada e outros avanços”, ressalta Miguel Torres.
Das categorias presentes, ecetistas e bancários estão em greve. Os trabalhadores enfrentam a intransigência dos patrões, que se negam a apresentar uma proposta que atenda às necessidades das categorias. As duas categorias fazem parte das que têm data base em 1º de setembro. Assim como metalúrgicos, químicos e os petroleiros que podem cruzar os braços por 24 horas na próxima quarta-feira (26).
“A intransigência da Fenaban já era esperada, por ser um dos setores mais conservadores. Eles querem demonstrar força. E esseato ajuda no sentido para demonstrar que nós trabalhadores também estamos unidos e fortes. Não esperamos sensibilizá-los, porque sabemos que isso não vai acontecer. E sim, que eles adotem uma postura séria e responsável, pois têm a consciência dos problemas enfrentados pelos trabalhadores do setor financeiro”, destacou o cetebista Alex do Livramento, dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo.
Metalúrgicos do ABC também não descartam uma paralisação dos trabalhadores das montadoras de automóveis, apesar de já existir acordo fechado para os trabalhadores dessa categoria. No ano passado, os 105 mil metalúrgicos representados pelo sindicato fecharam acordo válido por dois anos, garantindo aumento real de 5% no biênio. “Não descartamos envolver as montadoras nas paralisações dos metalúrgicos, caso a greve se estenda”, afirmou Wagner Santana, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.