segunda-feira, 24 de março de 2014

Marcha da Familia: De imbecilidade a piada

Aposentado foi "acusado" de ser petista por trajar calça e tênis vermelhos durante evento em São Paulo. Em outro ponto, jovens fãs de Metallica foram confundidos com black blocs e xingados de "lixo"

Marcha da Familia: De imbecilidade a piada
Com gritos de “Fora, Lula” e “Dilma safada”, cerca de 300 pessoas realizaram a Marcha da Família com Deus, na região central de São Paulo, no final da tarde deste sábado. O grupo se concentrou na Praça da República e, por volta das 16h20,
saiu em caminhada em direção à Praça da Sé –onde outro grupo se concentrava para a Marcha Antifascista e começava caminhada em direção à antiga sede do Dops (sigla para Departamento de Ordem Política e Social, órgão de repressão da ditadura).
Houve tumulto na Praça da República. Manifestantes se insurgiram contra pessoas que acusaram de ser “comunistas” ou “petistas”. Um aposentado que usava calça e tênis vermelhos foi expulso da marcha, pois, segundo seus algozes, seria do PT. “Sou a favor do Brasil acima de tudo, independentemente de qualquer partido político. Se um dia for preciso, defendo intervenção militar”, declarou o aposentado hostilizado, que se identificou apenas como Walter.
Na confusão, o fotógrafo Leonardo Martins, 25 anos, da agência Frame, acabou agredido quando um manifestante bateu em sua câmera, que, com o golpe, atingiu e feriu a testa do profissional. “Eles começaram a cercar uma pessoa e, quando vi, estavam em cima de mim”, relatou. Ninguém foi preso.
Marcha da Familia: De imbecilidade a piada
Durante a marcha, os manifestantes gritavam palavras de ordem como “Deus, pátria e família” e “Verde e amarelo contra a foice nem martelo”, estes, símbolos da bandeira do Partido Comunista. Boa parte carregava a bandeira do Brasil ou mesmo se vestia com ela, enquanto o Hino Nacional tocava repetidamente. Nas proximidades da rua Xavier de Toledo, eles cruzaram com jovens vestidos de preto, que se encaminhavam para o show da banda Metallica. Confundidos com black blocs, os jovens, que seguiam para a estação de metrô Anhangabaú, foram xingados de “lixo” e quase apanharam.
Na caminhada para a Sé, pouco depois de passarem pelo Viaduto do Chá, alguns manifestantes se irritaram com dois homens vestidos de mulheres e com cartazes que ironizavam a marcha, nos quais se lia “Marcha praticamente da família”. Os jovens foram expulsos da multidão e tiveram os cartazes destruídos.
A reedição da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, marcada para este sábado (22) na praça da República, em São Paulo, virou alvo paródias nas redes sociais. Internautas publicam e compartilham imagens comparando o evento à Família Dinosauros, aos Flintstones e à família Addams.
Os organizadores do evento, que deve acontecer no Rio e em outras cidades além da capital paulista, dizem que há ameaça comunista no Brasil e pedem a volta dos militares ao poder para acabar com a corrupção e a moralizar os Três Poderes.
Em 19 de março de 1964, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, convocada por parte da elite paulistana e da classe média, reuniu mais de 200 mil pessoas e protestava contra a “ameaça comunista”. O ato virou símbolo do golpe que tirou o presidente eleito João Goulart do poder em 1º de abril.
Marcha da Familia: De imbecilidade a piada

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Fonte: Pragmatismo Político

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