segunda-feira, 31 de março de 2014

Clone of Política de segurança promove militarização na favela da Maré

Forças armadas chegarão ao Conjunto de Favelas em abril. “Se reforça a lógica do confronto, a de que há uma guerra em curso”, afirma pesquisadora do Observatório das Favelas
Clone of Política de segurança promove militarização na favela da Maré
O Conjunto de Favelas da Maré, que possui 130 mil habitantes segundo o IBGE, será tomado por, pelo menos, 2 mil agentes do Exército a partir de 7 de abril. A decisão foi anunciada nesta semana, após reunião entre o governo estadual, de Sérgio Cabral (PMDB), e o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Porém, ações policiais já antecedem à ocupação militar.

Na última semana, equipes do 1º Batalhão de Engenharia de Combate do Exército realizaram ações junto com o Bope (Batalhão de Operações Especiais), que já está nas favelas.
Raquel Willadino, do Observatório das Favelas, cuja sede fica na Maré, vê com preocupação a militarização da comunidade. “Se reforça a lógica do confronto, a de que há uma guerra em curso. Isso significa que a população pode ser vista como um exército inimigo. Nisso, mortes são tidas como efeitos colaterais”, afirma.
No segundo semestre, está prevista a instalação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) na região, quando o número de oficiais poderá chegar a 4 mil. Raquel alerta que “se esperava uma polícia de proximidade junto a outras políticas públicas. Mas o que houve foi uma redução da UPP à ação da polícia”.
A Maré está entre as principais vias de entrada e saída da capital fluminense: a Avenida Brasil e as Linhas Vermelha e Amarela. De acordo com o MPM (Ministério Público Militar), o cerco previsto deve contar com mandados de busca e apreensão coletivos.
A prática é criticada por órgãos de direitos humanos, por facilitar a violação de domicílios. Ainda de acordo com o MPM, as tropas vão permanecer na região até o final da Copa do Mundo.
Militarização
O manifesto “Queremos ser felizes e andar tranquilamente na favela em que nascemos”, elaborado coletivamente no Complexo do Alemão, critica a militarização de comunidades e reivindica mais saúde, saneamento e educação. Além dos moradores da região, apoiam o manifesto cerca de 200 organizações e movimentos locais e nacionais.
Fonte: Brasil de Fato

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