quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

"Falta pluralidade à imprensa argentina"


Falta pluralidade à imprensa argentina. Quem o diz, hoje, em matéria na Folha de São Paulo, é Jorge Fontevecchia, um dos maiores empresários da mídia local, fundador e proprietário do Grupo Perfil. Para ele, nas difíceis relações entre o governo da presidenta Cristina Kirchner e o Grupo Clarín, em seu país, os dois lados têm culpa.
Esta relação, aliás, esquentou nesta semana diante da ocupação da TV Cablevisión, do Grupo Clarín, em função de uma determinação judicial, que considerou o conglomerado autor de várias práticas de concorrência desleal. O Grupo Clarín, por sua vez, alega que a ocupação de sua emissora pela polícia teria o dedo do governo, e seria uma forma de pressioná-lo.
Fontevecchia enxerga a situação com outros olhos. Explica que a fusão da Cablevisión com a Multicanal, do Grupo Clarín, fez com que a empresa, de fato, virasse um virtual monopólio de acesso à TV na cidade de Buenos Aires, onde se concentram 80% da publicidade e da produção de conteúdos da Argentina. O empresário, contudo, lembra também que o ex-presidente Néstor Kirchner permitiu a fusão quando era amigo do "Clarín".

Regulação da mídia argentina

O empresário, ele próprio sujeito à Lei de Meios, recém aprovada no país, considera adequada a nova legislação que regula a concorrência na mídia argentina. “Creio que é correto que deva haver maior pluralidade nos meios. O tamanho do "Clarín" é excessivo e um problema para o bom exercício do jornalismo", diz. E compara o conglomerado "ao poder da TV Globo, mais a Folha, mais o jornal "O Globo" e o UOL, sem contar o serviço de banda larga".

Segundo o Fontevecchia, apesar das críticas às difíceis relações do governo com a imprensa na Argentina, a realidade é que não espera que ocorram abusos à mídia, por parte do governo, à semelhança do que ocorre em outros países.  “Aqui não houve até agora ninguém que tenha perdido sua licença de rádio e televisão. Não houve uma decisão judicial que fizesse que o diretor de um jornal tivesse que fugir do país e pagar uma multa por um artigo contra o presidente. E não creio que isso vá acontecer no futuro”, afirmou.


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Fonte texto: Blog do Zé Dirceu

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