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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Belarus desliga a Internet enquanto milhares de pessoas protestam contra os resultados das eleições

 Alexander Lukashenka garantiu seu sexto mandato consecutivo como presidente

Um alto-falante num palco em Minsk toca “Change” ´[Mudança] de Viktor Tsoi, enquanto um homem de terno tenta freneticamente puxar o cabo de energia. O vídeo mostra que ele consegue, apenas para que outros alto-falantes nas redondezas continuem a fazer explodir a clássica canção de rock dos finais da era soviética. Ele se retira, exasperado. Segundo os observadores, ele é um agente de segurança do governo bielorrusso que tenta silenciar o hino de protesto.
Um alto-falante num palco em Minsk toca “Change” ´[Mudança] de Viktor Tsoi, enquanto um homem de terno tenta freneticamente puxar o cabo de energia. O vídeo mostra que ele consegue, apenas para que outros alto-falantes nas redondezas continuem a fazer explodir a clássica canção de rock dos finais da era soviética. Ele se retira, exasperado. Segundo os observadores, ele é um agente de segurança do governo bielorrusso que tenta silenciar o hino de protesto.

Esse hino tem sido cantado por bielorrussos enfurecidos com a tentativa do presidente de longa data, Alexander Lukashenka, de ganhar um sexto mandato consecutivo. Desde que Lukashenka tomou posse em 1994, o país nunca realizou eleições livres e justas – a última votação, e o período que antecedeu a mesma, pareciam seguir essa tendência.

Em Maio, o popular blogueiro da oposição Syarhei Tsikhanouski, que tinha declarado a sua intenção de concorrer à presidência, foi preso. Um segundo candidato à presidência, Viktor Babarika, foi detido sob a acusação de conspiração criminosa. Um terceiro, Valery Tsepkalo, fugiu do país com receio de perseguição política. Em meados de Julho, Sviatlana Tsikhanouskaya, esposa de Tsikhanouski, inscreveu-se como candidata à presidência em seu lugar. Se eleita, prometeu governar durante seis meses e realizar eleições livres e justas; atraiu multidões de milhares e inspirou um movimento de protesto a nível nacional.

Quando chegou o dia das eleições, em 10 de Agosto, numerosos observadores escreveram sobre o fraudes e falsificação das urnas (a missão da OSCE não foi acreditada com rapidez suficiente para monitorizar a votação.) Esta manhã, a comissão eleitoral do país informou que Lukashenka tinha ganho 80,3% dos votos e Tsikhanouskaya 9,9%. Os apoiadores da oposição suspeitam amplamente de fraude eleitoral; “Acreditarei nos meus próprios olhos: a maioria [dos votos] era para nós”, disse Tsikhanouskaya durante uma coletiva de imprensa.

Ontem à noite, protestos em massa irromperam em todo o país. A polícia respondeu com um canhão de água, balas de borracha, e granadas atordoantes. Cerca de 3.000 manifestantes teriam sido detidos, vários dos quais ficaram gravemente feridos. Tsikhanouskaya denunciou a violência e apelou à continuação dos protestos pacíficos ao longo da semana.

Assim, o vídeo de 6 de Agosto dessa fase de protesto foi uma ilustração perfeita de como muitos vêem hoje as relações entre os governantes e os governados na Bielorrússia. É também uma metáfora adequada, dado que no período que antecedeu a votação, as autoridades bielorrussas aparentemente tentaram uma ação de censura em maior escala – forçando o país a ficar offline.

A revolução não será tuitada

Vários provedores de Internet em Belarus perderam a conexão na manhã de 9 de Agosto, quando os centros de votação abriram; vários jornalistas presentes em Belarus durante o dia das eleições confirmaram uma perturbação significativa das redes LAN, WiFi, e redes de dados móveis. Alguns puderam acessar sites utilizando VPN.

"A internet em Minsk está muito ruim. Muitos repórteres ficaram offline. E nós recebemos significativamente menos conteúdo gerado por usuários. Os sites caíram. Ainda se pode enviar algum texto via Telegrama (via Proxy), Signal (instável), Facebook Messenger (por vezes funciona para textos.) O Slack é o melhor até agora."

Users who complained about lost internet access to their service providers and mobile operators received automated messages from bots apologising for the service outages, but offering no concrete explanation. 

"Amigos! Hoje, por razões além do nosso controle, estamos tendo dificuldades em acessar serviços por celular e internet fixa. Assim que nossos servidores forem restaurados, o acesso irá automaticament e retornar."

A partir da manhã de 10 de Agosto, os internautas bielorussos ainda estavam tendo dificuldades em ficar online. Os três maiores fornecedores de telecomunicações do país (A1, Life e MTS) pediram desculpas por interrupções causadas por “razões fora do nosso controle”, informou o website Tut.By, um popular motor de busca e agregador de notícias.

Os bloqueios também parecem ter sido extendidos a sites específicos. Na manhã do dia das eleições, o Zubr.in estava inacessível; este último é uma plataforma popular que permite aos utilizadores submeterem relatórios de violações da lei eleitoral através de um  bot do Telegram. Da mesma forma, Naviny e Tut.By, que são as duas maiores plataformas de notícias independentes do país, bem como o website do jornal Nasha Niva, tornaram-se todos inacessíveis logo após o encerramento das urnas.

Golos, uma plataforma popular que inclui um sistema alternativo de contagem de votos, foi também alvo de um ataque DNS que tentava recolher os dados pessoais dos utilizadores.

No entanto, esse bloqueio não foi uma surpresa. Em 19 de julho, a internet móvel em Minsk também foi interrompida por um curto período durante um grande comício no qual Tsikhanouskaya esteve presente. Em 29 de julho, canais populares do Telegram e contas de redesocial já estavam compartilhando guias de usuário para escapar de paradas iminentes da Internet, oferecendo links para serviços de VPN gratuitos e conselhos sobre como instalar o navegador Tor.

Em 4 de agosto, o popular canal de telegramas NEXTA compartilhou uma captura de tela de um e-mail aparentemente de um funcionário de um banco bielorrusso, avisando um cliente que qualquer serviço bancário digital provavelmente não estaria disponível nos próximos dias. Além disso, no sábado 9, jornalistas do jornal russo Moskovsky Komsomolets em Minsk relataram que quando tentaram comprar cartões SIM locais, foram avisados por um assistente de vendas que seria improvável que eles funcionasse, pois os dados móveis e a conectividade com a Internet seriam desligados em toda a cidade no dia seguinte.

A NetBlocks, uma ONG que monitora o bloqueio da Internet em todo o mundo, divulgou a seguinte declaração:

"Network telemetry from the NetBlocks internet observatory confirm that internet connectivity in Belarus has been significantly disrupted as of Sunday 9 August 2020 amid tense presidential elections. Outages increased in severity through the day producing an information vacuum as citizens struggled to establish contact with the outside world. The incident is ongoing as of Monday afternoon."

"A telemetria da rede do Observatório da Internet NetBlocks confirma que a conectividade da Internet em Belarus foi significativamente interrompida a partir de domingo 9 de agosto de 2020 em meio a eleições presidenciais tensas. As interrupções aumentaram em gravidade ao longo do dia, produzindo um vácuo de informação à medida que os cidadãos lutavam para estabelecer contato com o mundo exterior. O incidente está em curso a partir da tarde de segunda-feira."

Uma carta aberta expressando preocupação com o bloqueio da internet, assinada por mais de 20 ONGs e defensores dos direitos humanos em 10 de agosto, descreveu as tentativas [de censura] da seguinte forma:

"During the whole day of 9 August 2020 Internet access in Belarus was wholly or partly limited. Blockings were either total or concerned specific Internet services, web sites, social networks, messaging services, whether local or global. It is alleged that the Belarusian authorities decided to block data transfer protocols which led to the disruption of connectivity of the Belarusian networks. All foreign traffic was directed through one channel only in an attempt to allow for deep-packet inspection making VPN services ineffective."

"Durante todo o dia 9 de agosto de 2020, o acesso à Internet em Belarus foi total ou parcialmente limitado. Os bloqueios eram totais ou diziam respeito a serviços específicos da Internet, sites da Web, redes sociais, serviços de mensagens, sejam locais ou globais. Alega-se que as autoridades bielorrussas decidiram bloquear os protocolos de transferência de dados que levaram à ruptura da conectividade das redes bielorrussas. Todo o tráfego estrangeiro foi dirigido através de um único canal, numa tentativa de permitir uma inspeção profunda dos pacotes, tornando os serviços VPN ineficazes."

As autoridades bielorrussas não negaram que os usuários da Internet enfrentaram dificuldades. A Novaya Gazeta relata que, quando solicitada a explicar as interrupções, o diretor geral da Beltelekom, Vadim Shaybakov, sugeriu que grandes volumes de tráfego estrangeiro eram os culpados; o Centro Nacional de Resposta Digital também alegou que os problemas de conectividade com a Internet começaram devido a uma grande onda de ataques DDoS à infra-estrutura das operadoras de telecomunicações bielorrussas.

Isto pode ser o que o Presidente Lukashenka estava se referindo em uma entrevista em 10 de agosto na qual ele declarou que a Internet da Bielorússia havia sido “desligada do exterior”, e que as interrupções “não foram iniciativa das autoridades”.

De volta a enviar Telegram(a)s

O serviço de mensagens Telegram, que é particularmente popular em todo o mundo de língua russa, parecia permanecer operacional durante as interrupções da Internet. Embora os usuários reclamassem da lentidão da velocidade de carregamento, eles foram capazes de enviar vídeos de confrontos entre manifestantes e a polícia de choque para canais populares.

Dois desses canais, NEXTA e Belamova, provaram ser indispensáveis no fornecimento de vídeos e atualizações de um país que, em grande parte, havia ficado offline durante o auge dos protestos (talvez ajudado pelo fato de o proprietário da NEXTA ser um blogueiro bielorrusso baseado na vizinha Polônia). No dia das eleições, o primeiro enfrentou tentativas de fechar sua popular conta no Twitter, que acabou sendo restaurada: 

"Ei @Twittersupport. Porque você está baninfo @nexta_tv, o único canal independente relatando o que acontece em Belarus durante o levante pró-democracia?"

Vários dos posts da NEXTA alegam ser de de seções eleitorais onde Tsikhanouskaya ganhou com facilidade, e incluem escaneamentos de documentos com o que se diz serem os números “reais” nos respectivos distritos. Portanto, observadores da Sociedade de Proteção à Internet, uma ONG baseada na Rússia que monitora os direitos digitais, acreditam que o resultado pode ser positivo para a popular plataforma de mensagens (Moscou abandonou sua longa tentativa de bloquear o Telegram no início deste ano).

Estas filmagens e fotos do Telegram desempenharão um papel crucial na compreensão da recente convulsão em Belarus, à luz das restrições à mídia e outras fontes on-line. No entanto, é improvável que elas façam com que as autoridades mudem de tom, dias após uma vitória controversa. Como a porta-voz do Ministério do Interior Olga Chemodanova declarou recentemente, não se pode confiar em tudo o que se lê online. 


Fonte:Global Voices

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Artistas, professores e lideranças de BH lançam manifesto em apoio à Áurea

O documento conta com cerca de 550 assinaturas, entre elas da escritora Djamila Ribeiro, do jurista e professor Silvio Almeida, e dos atores Gregório Duvivier e Wagner Moura.


Artistas, professores, lideranças comunitárias e religiosas de Belo Horizonte e do país lançaram o manifesto "Juntas pela Democracia e Contra o Fascismo", em apoio à pré-candidatura da deputada federal Áurea Carolina (PSOL-MG) para Prefeitura de Belo Horizonte. O documento conta com cerca de 550 assinaturas, entre elas da escritora Djamila Ribeiro, do jurista e professor Silvio Almeida, e dos atores Gregório Duvivier e Wagner Moura.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

As 5 razões pelas quais Haddad será eleito o 8° presidente da Nova República

O segundo turno convida o eleitor a repensar seu voto, a comparação fica mais fácil. O tempo de TV de ambos os lados vai ser de 15 minutos diários. Teremos debates. Ou não, mas nesse caso como o eleitor médio, sem convicção forte, vai encarar a fuga de Bolsonaro do debate?

Não, senhoras e senhores, nem tudo está decidido e a virada pode ser histórica. O fato de nunca ter acontecido um revés tão grande como o que se desenhará não torna o fato improvável. A distância pequena de Bolsonaro em relação à vitória em primeiro turno não garante acúmulo preestabelecido para vencer em segundo turno. Mesmo aqueles que apostam na estratégia de Bolsonaro nas redes, que imita a vitoriosa campanha de Trump (e sua eleição nos EUA de uma figura desacreditada e rejeitada para o presidente eleito) estão enganados quando pensam que isso vai se repetir no Brasil – em primeiro lugar porque lá não tem segundo turno, em segundo lugar, porque mesmo nos EUA, Trump perdeu na votação popular (aqui teria perdido as eleições); só venceu no colégio eleitoral.
Não, senhoras e senhores, nem tudo está decidido e a virada pode ser histórica. O fato de nunca ter acontecido um revés tão grande como o que se desenhará não torna o fato improvável.

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Bancada de mulheres de esquerda dobra na Câmara dos Deputados

Como um todo, bancada feminina cresceu de 51 para 77 deputadas; PSOL e PT foram os partidos que mais ganharam mulheres
Como se diz na Bahia, vai ser barril dobrado para os machistas, literalmente: a bancada de mulheres de esquerda na Câmara Federal pulou de 12 para 23 deputadas e é a melhor notícia desta eleição em que o movimento #EleNão protagonizou as ruas. Metade delas ocupará pela primeira vez uma cadeira no Parlamento. Ou seja, além de mais mulheres feministas, teremos energia renovada.
Mulheres de esquerda da Câmara em 2019 com a decana, Luiza Erundina, em destaque

Como se diz na Bahia, vai ser barril dobrado para os machistas, literalmente:

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

No Jornal Nacional, Globo provou que não sabe lidar com quem ela mesma criou

Valendo-se do senso comum, Jair Bolsonaro jantou os apresentadores do Jornal Nacional. Globo provou que não sabe lidar com a besta que ela própria libertou da jaula
Pragmatismo Político recebeu críticas de leitores por cravar, após a sabatina de Jair Bolsonaro no Jornal Nacional, que o presidenciável conservador saiu mais forte do que entrou.
“Embora pareça contraditório, ao não responder nada do que lhe foi perguntado, Jair Bolsonaro conseguiu pautar a entrevista, emparedou a Globo e é provável que não tenha perdido um único voto”, publicamos na noite desta terça-feira (28).
Pragmatismo Político recebeu críticas de leitores por cravar, após a sabatina de Jair Bolsonaro no Jornal Nacional, que o presidenciável conservador saiu mais forte do que entrou.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Contra Bolsonaro, a versão "tiro, porrada e bomba" de Alckmin

Faceta bolsonarista do “picolé de chuchu” é a última cartada do tucano para bater o candidato do PSL, que só quer estar onde sempre esteve
No Brasil, a esculhambação geral é de tal monta que até um golpe de estado pode ser tosco o suficiente para, em tempo recorde, golpear os próprios golpistas. Parece ser o caso deste que derrubou a presidenta Dilma Rousseff, ao que indica a periclitante situação dos arquitetos do impeachment fajuto.

Para manter-se na Presidência pela via legítima, seus candidatos estão obrigados a estratégias em que tudo precisa se encaixar à perfeição milimétrica, sob pena de o mínimo desarranjo fazer desabar o castelo de cartas marcadas.
No Brasil, a esculhambação geral é de tal monta que até um golpe de estado pode ser tosco o suficiente para, em tempo recorde, golpear os próprios golpistas.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Suspeitas de fraude minam eleições em Angola

Em menos de 24 horas serão realizadas eleições gerais em Angola, a primeira em 38 anos em que José Eduardo dos Santos, actual Presidente, não será candidato pelo Movimento Popular pela Libertação de Angola, partido dominante da política angolana desde 1975.

Desde 2010 não se realizam eleições presidenciais, sendo o Presidente e o Vice-Presidente, os cabeças-de-lista do partido que obter maioria nas eleições legislativas.
Em menos de 24 horas serão realizadas eleições gerais em Angola, a primeira em 38 anos em que José Eduardo dos Santos, actual Presidente, não será candidato pelo Movimento Popular pela Libertação de Angola, partido dominante da política angolana desde 1975.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

segunda-feira, 10 de março de 2014

Esquerda vence em El Salvador

Esquerda vence em El Salvador
Em uma disputa acirrada, o candidato governista Salvador Sánchez Cerén, da FMLN (Frente Farabundo Martí Para Libertação Nacional), venceu o segundo turno da eleição presidencial em El Salvador com 50,11% dos votos. Após mais de 99% das urnas terem sido processadas, a diferença entre Sánchez Cerén e o oposicionista Normán Quijano, da Arena (Aliança Republicana Nacionalista), ficou em pouco mais de 5 mil votos.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Uso propagandístico de pesquisas marcou campanha no México

O processo eleitoral em curso foi marcado pelo uso das pesquisas como um mecanismo de proselitismo. De outubro a junho foram difundidas ou reproduzidas 3.441 peças vinculadas a diversas sondagens. Além disso, o processo transcorreu em meio a acusações de compra e coação de voto. Neste contexto, considerando o volume de votantes, haverá cinco regiões chave para o resultado, entre as quais se destacam como as duas primeiras, o estado do México, de onde surgiu Peña Nieto, e o Distrito Federal, que já foi governado por López Obrador.



Como ocorre a cada seis anos, o primeiro domingo de julho é marcado no México pela disputa para a Presidência da República. Também será renovado o Congresso do país, fator chave para definir a margem de governabilidade do futuro mandatário: 128 senadores e 500 deputados serão eleitos neste domingo. 

Nesta disputa, a primeira presidencial com um novo marco legal derivado da reforma eleitoral de 2007-2008, participam: Josefina Vázquez Mota (PAN); Enrique Peña Nieto (coalizão PRI-PVEM); Andrés Manuel López Obrador (coalizão PRD, PT e Movimento Cidadão), e Gabriel Quadri de la Torre, pelo Partido Nova Aliança.

O processo eleitoral em curso foi marcado pelo uso das pesquisas como um mecanismo de proselitismo. De outubro a junho foram difundidas ou reproduzidas 3.441 peças vinculadas a diversas sondagens. Além disso, o processo transcorreu em meio a acusações de compra e coação de voto. Neste contexto, considerando o volume de votantes, haverá cinco regiões chave para o resultado, entre as quais se destacam como as duas primeiras, o estado do México, de onde surgiu Peña Nieto, e o Distrito Federal, que já foi governado por López Obrador. 

O estado do México tem mais de 10 milhões de eleitores, que equivalem a soma dos cidadãos que poderão votar em Aguascalientes, Baja California, Campeche, Colima, Nayarit, Querétaro, Quintana Roo, Morelos, Tlaxcala, Durango e Yucatán. Sem essas dimensões, a capital do país, tem o segundo maior aporte de votes: 7,2 milhões. A lista dos cinco estados com maior número de eleitores é completada por Vera Cruz (5,5 milhões), Jalisco (5,2 milhões) e Puebla (3,9 milhões).

O novo modelo de campanhas
Concluídas as campanhas mais curtas da história, com apenas 90 dias, 79 milhões 454 mil e 802 cidadãos irão às urnas neste domingo. O encurtamento da campanha não impediu a saturação propagandística com mais de 40 milhões spots transmitidos. Os partidos submeterão hoje à prova das urnas a eficácia de suas propostas, a penetração de sua propaganda, o carisma de seus candidatos e, inclusive, o efeito das desqualificações de seus adversários. Noventa dias de mensagens políticas que, neste período, diluíram os 60 mil mortos provocados pela guerra contra o narcotráfico, a violência extrema que atingiu o país, de um modo que não havia sido vivido até o período dos últimos seis anos.

As campanhas ocorreram também em um contexto econômico mundial muito adverso com a crise europeia e o consequente impacto no valor da moeda mexicana e nas expectativas de crescimento econômico e seu impacto na geração de empregos, no ocaso do mandato de Calderón.

Questionadas por serem onerosas, as eleições em 2012 custaram 4,1 bilhões de pesos, expressamente assinalados pelo Instituto Federal Eleitoral ao processo, sem contar os 5,7 bilhões de pesos de orçamento base, que inclui, essencialmente, salários do pessoal do instituto; 5,2 bilhões de pesos de financiamento para os partidos políticos, dos quais 680,5 milhões são expressamente destinados aos gastos de campanha e o restante para o financiamento ordinário dos partidos, o que inclui seus custos operacionais.



Vídeo sobre a matéria:
Fonte texto: Portal A Carta Maior

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Eleição confirma impasse na Grécia


As eleições legislativas realizadas neste domingo (06) na Grécia foram um verdadeiro terremoto político e puseram abaixo a coalizão entre a direita (Nova Democracia) e a social-democracia tradicional (Partido Socialista Pan Helênico - Pasok), que se revezaram no poder nos últimos anos e ultimamente governavam juntos o país como fiadores das medidas de austeridade e arrocho impostas pela União Europeia. A Nova Democracia caiu de 33,5%, nas eleições de 2009, para 18,9%; o desastre do Pasok foi ainda maior. Os social-democratas caíram de 44% em 2009 para 13,2% nas eleições deste domingo.


A força emergente desta eleição é a denominada Coalizão da Esquerda Radical (Syriza), que multiplicou quase quatro vezes a sua votação, de 4,6%, em 2009, para 16,8% em 2012.

O Partido Comunista Grego manteve o seu eleitorado e até cresceu um pouco, de 7,5%, em 2009, para 8,5% no pleito deste domingo.

Outro aspecto novo destas eleições gregas foi a votação de um grupo fascista e racista, o Aurora Dourada, um partido que usa símbolos nazistas e defende a expulsão dos imigrantes . Pela primeira vez, com 7% dos votos, esta organização conseguirá enviar deputados ao Parlamento (21). Nas eleições de 2009, o Aurora Dourada obtivera apenas 0,3%.

Pequenas formações políticas oriundas de cisões dos grandes partidos também obtiveram votações que as credenciam a eleger deputados. A Esquerda Democrática, uma dissidência do Syriza, obteve 6,1%; os Independentes, uma cisão da direitista Nova Democracia, ficaram com 10,6%. 

O resultado eleitoral deste domingo na Grécia aumenta o impasse político surgido na esteira da profunda crise econômico-financeira em que o país se encontra mergulhado. Nenhum partido alcançou uma votação que o credencie a liderar a formação de um governo estável . 

As opções em debate são a tentativa de formar um governo de “unidade nacional”, ou um governo de coalizão entre forças afins. Na impossibilidade de concretizar uma das duas hipóteses, não está descartada a convocação de novas eleições.



Vídeo sobre a matéria:



Fonte texto: Blog do Miro