sexta-feira, 30 de setembro de 2016

“Doria é mais falso que o botox que aplica”

Metido a bem informado – mas descuidando do senso crítico diante de uma mídia manipuladora e partidarizada –, o paulistano médio nem se dá ao trabalho de pesquisar a história dos seus candidatos. No caso de “João Dólar”, a sua biografia é das mais sinistras. Até os chamados “tucanos autênticos” abandonaram o novato no ninho por considerá-lo um oportunista. Cerca de um terço dos dirigentes do PSDB paulistano divulgou um documento na semana passada com duras críticas ao apadrinhado de Geraldo Alckmin. Nesta quarta-feira (28) foi o ex-governador Alberto Goldman, fundador da sigla e representante do alto tucanato, que detonou o “correligionário” em seu blog. O “fogo amigo” foi pesado, mas não obteve repercussão na mídia chapa-branca. Vale conferir trechos da sua postagem:

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Quem é esse personagem que se apresenta como “o novo” como se isso, por si só, fosse uma virtude? Vou mostrar que usa métodos velhos, que tem sido a marca de atuação de grande parte dos candidatos em nosso país, e o faço através de seu histórico público e privado e de suas declarações. 

Dória diz não ser político, mas administrador, empresário. Não é verdade. Ele mesmo se vangloria em ter sido presidente da Paulistur, no governo Mario Covas, e presidente da Embratur, no governo José Sarney, ambas empresas estatais da área do Turismo. 

Seu material de propaganda divulga que foi coordenador da campanha “Diretas Já”, o que também não é verdade. Exerceu cargos políticos, remunerados, profissionalmente. Agora é candidato a prefeito.

Dória comete um grave erro ao colocar o “político” em contraposição ao “administrador”. No exercício das funções públicas essas duas características não são polos opostos. Pelo contrário, têm que se amalgamar. 

Quando se trata da “administração” da coisa privada bastam os instrumentos de conhecimento – informações, estudos, pesquisas – e materiais – computadores, tratores, enxadas, escavadeiras – que se usa para cumprir as tarefas necessárias para produzir lucros. 

Contudo, quando se trata da coisa pública não bastam instrumentos intelectuais e materiais. É essencial, imprescindível, a visão política, isto é, o resultado social. A política é a alma das tarefas realizadas para atender o interesse público. É ela que diferencia o público do privado.

Dória se diz empresário. Tem várias empresas, é verdade, e divulga em seu material de propaganda que, através delas, é um dos principais geradores de negócios do Brasil. 

No entanto, como empresas de eventos, não produzem qualquer bem ou serviço diretamente, apenas estabelecem e ampliam relações entre empresários e agentes públicos (deputados, senadores, secretários, ministros, governadores), atividade lícita que se chama de lobby, que lhe permitiu acumular um patrimônio declarado surpreendente de centenas de milhões de reais.
O paulistano parece que gosta de sofrer. No seu masoquismo, votou no desconhecido Celso Pitta, em 1996, e depois se arrependeu amargamente.
Anos depois, em 2008, elegeu Gilberto Kassab – que assumira a prefeitura em 2006 com a renúncia traiçoeira de José Serra – e novamente se deu mal. Em ambos os casos, a mais rica cidade brasileira foi literalmente abandonada, com gestões desastrosas e elitistas. Agora, segundo as duvidosas pesquisas de opinião, o eleitor da capital paulista está prestes a dar um novo tiro no pé. João Doria, o milionário empresário que já foi apelidado de “João Dólar”, surge à frente nas sondagens e parece já ter o seu lugar assegurado na disputa do segundo turno.

Metido a bem informado – mas descuidando do senso crítico diante de uma mídia manipuladora e partidarizada –, o paulistano médio nem se dá ao trabalho de pesquisar a história dos seus candidatos. No caso de “João Dólar”, a sua biografia é das mais sinistras. Até os chamados “tucanos autênticos” abandonaram o novato no ninho por considerá-lo um oportunista. Cerca de um terço dos dirigentes do PSDB paulistano divulgou um documento na semana passada com duras críticas ao apadrinhado de Geraldo Alckmin. Nesta quarta-feira (28) foi o ex-governador Alberto Goldman, fundador da sigla e representante do alto tucanato, que detonou o “correligionário” em seu blog. O “fogo amigo” foi pesado, mas não obteve repercussão na mídia chapa-branca. Vale conferir trechos da sua postagem:

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Quem é esse personagem que se apresenta como “o novo” como se isso, por si só, fosse uma virtude? Vou mostrar que usa métodos velhos, que tem sido a marca de atuação de grande parte dos candidatos em nosso país, e o faço através de seu histórico público e privado e de suas declarações. 


Dória diz não ser político, mas administrador, empresário. Não é verdade. Ele mesmo se vangloria em ter sido presidente da Paulistur, no governo Mario Covas, e presidente da Embratur, no governo José Sarney, ambas empresas estatais da área do Turismo. 

Seu material de propaganda divulga que foi coordenador da campanha “Diretas Já”, o que também não é verdade. Exerceu cargos políticos, remunerados, profissionalmente. Agora é candidato a prefeito.

Dória comete um grave erro ao colocar o “político” em contraposição ao “administrador”. No exercício das funções públicas essas duas características não são polos opostos. Pelo contrário, têm que se amalgamar. 

Quando se trata da “administração” da coisa privada bastam os instrumentos de conhecimento – informações, estudos, pesquisas – e materiais – computadores, tratores, enxadas, escavadeiras – que se usa para cumprir as tarefas necessárias para produzir lucros. 

Contudo, quando se trata da coisa pública não bastam instrumentos intelectuais e materiais. É essencial, imprescindível, a visão política, isto é, o resultado social. A política é a alma das tarefas realizadas para atender o interesse público. É ela que diferencia o público do privado.

Dória se diz empresário. Tem várias empresas, é verdade, e divulga em seu material de propaganda que, através delas, é um dos principais geradores de negócios do Brasil. 

No entanto, como empresas de eventos, não produzem qualquer bem ou serviço diretamente, apenas estabelecem e ampliam relações entre empresários e agentes públicos (deputados, senadores, secretários, ministros, governadores), atividade lícita que se chama de lobby, que lhe permitiu acumular um patrimônio declarado surpreendente de centenas de milhões de reais. 

Esse sucesso financeiro o faz afirmar que é um administrador, um gestor.

No entanto, administrar recursos públicos em benefício do povo é uma atividade bem diferente de administrar recursos privados para benefício próprio. São processos e objetivos distintos, nem sempre sem conflitos e contradições, e exigem uma visão política e social de natureza muito especial.

Esse curto período de campanha já permite analisar o seu perfil. Dória não relutou em usar de todos os recursos lícitos e ilícitos, operacionais e financeiros, para angariar votos em uma prévia que está sendo avaliada pela Justiça Eleitoral. 

Nesse período prévio a lei veda o uso de quaisquer recursos financeiros para buscar votos para decisão dos filiados ao partido. Despesas só podem ser feitas pelo diretório municipal, mas ele as fez com recursos próprios. 

Além disso, não titubeou em usar as relações pessoais com o governador para obter apoios através da pressão de dirigentes do Estado sobre os filiados ao partido.

A sua falta de zelo pela coisa pública ficou evidente quando, conforme apuração da Folha de São Paulo constatou-se que tomou ilegalmente uma área de terra para somar à sua propriedade em Campos de Jordão. 

Na entrevista à Jovem Pan ainda justificou que a incorporação era produto de um acordo de desafetação onerosa, feito com o prefeito anterior do município, em que ele teria trocado o imóvel por algum equipamento doado para a cidade, acordo esse que não foi “homologado”, segundo suas palavras, pela Câmara Municipal do município. 

Ora, se não foi “homologado”, não aconteceu, não houve um ato jurídico perfeito. Nunca poderia incorporar bens públicos apenas através de um “acordo” com o prefeito ou com o Executivo municipal. O fato é que tomou a área, mostrou não respeitar a diferença entre o interesse público e o interesse privado e, processado, foi tentar um arranjo que legalizasse o mal feito.

Doria diz que vai abrir mão do salário. Para um homem com o patrimônio de centenas de milhões que significado tem isso? Todos os dirigentes públicos que recebem o seu salário não são dignos de respeito? Muitos vivem disso, e só disso, honestamente. Merecem nosso profundo respeito ou valem menos que Um Dória?

Em entrevista ao ser perguntado se vai lotear os cargos da prefeitura, caso eleito, nega que o fará ao mesmo tempo em que justifica a mesma atitude do governo do Estado para obter apoio político para a sua pretensão eleitoral. Uma contradição evidente. Perguntado sobre o acordo com o PP de Paulo Maluf disse que agora o PP não é do Maluf, é do Guilherme Mussi. Curioso. Mudou alguma coisa?

Enfim alguns toques sobre a personalidade de João Dória. Vamos acompanhar com a lupa. Afinal é candidato a prefeito da nossa metrópole e é candidato do meu partido, o que me demanda uma responsabilidade bem maior que a de qualquer cidadão.

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Mais corrosivo do que as “reflexões partidárias” do velho tucano Alberto Goldman, porém, foi o desabafo postado pelo jornalista Luiz Carlos Franco, ex-assessor de João Doria, em seu perfil no Facebook. Sem meias palavras ou falsa diplomacia, ele garante que o candidato do PSDB “é mais falso do que o botox que anda aplicando”. E dá vários exemplos da falta de caráter do picareta. Também vale conferir a postagem, já que a mídia chapa-branca – que abocanha volumosos recursos em publicidade do Palácio dos Bandeirantes - novamente optou por esconder o desabafo:

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Meus amigos sabem que não costumo falar de política no Face, mas a bem da verdade – e aqui quem quiser usar com fins eleitoreiros, que use – preciso entrar na disputa aos 45 do segundo tempo.

É na condição de ex-assessor de Joãodoria45 na extinta Paulistur, hoje SP Turis, nos idos de 1985, única vez em que deixei a iniciativa privada, que resolvi falar.

Joãodoria45 é tão verdadeiro quanto nota de R$ 30,00, ou como o tingimento de seus cabelos ou o botox que andou aplicando.

Cruzamos caminhos algumas vezes, e após eu ter investido dois anos de minha vida profissional para torná-lo presidente da Embratur, foi capaz de oferecer seus serviços de agência à TAM – Linhas Aéreas, onde eu trabalhava, o que implicaria – se o comandante Rolim aceitasse – na minha demissão.

Também pediu minha cabeça ao sr. Frias, dono da Folha, por discordar de artigos que publiquei. Tive certeza da sua fidelidade ao ser informado pelo comandante Rolim sobre sua proposta; e pelo jornalista Adilson Laranjeira, meu chefe à época na Folha da Tarde, que ele havia pedido minha cabeça.

Não bastasse, ao levar um cliente em seu programa, na TV Band, aproveitou a oportunidade para fazê-lo de escada e mostrar o quanto era íntimo da empresa do fundador da companhia. Para azar de Dória, a mãe do entrevistado em questão era outra, e o filho, um bem-sucedido empresário nascido fora do casamento.

Sei que por estar à frente nas pesquisas vão se opor ao que estou falando, mas a verdade dos fatos fala mais alto.

Vomito quando vejo Dória falando de Mário Covas, que não o digeria. Mário entrava na sala de João, no Anhembi, batendo cinzas de cigarro no chão, por não aturar o executivo imposto pelo grande governador Franco Montoro. Covas não o suportava, e ele vem dizer que era amigo e que muito aprendeu com Covas.

E depois vem dizer que não é político, mente tanto quanto a classe que representa.

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Por último, um reparo: nem toda a mídia tem blindado o filhote de Geraldo Alckmin. A Folha tucana, que nunca escondeu suas estreitas ligações com José Serra – rival do atual governador –, até tem publicado algumas matérias picantes contra o candidato do PSDB. Nesta quinta-feira (29), o jornal mostrou a falsidade e o cinismo do empresário na reportagem intitulada “Privatista, Doria recebeu R$ 10,6 milhões de governos”. Pena que a denúncia não repercutiu em outros veículos, principalmente na rádio e na televisão, o que ajudaria o eleitor paulistano a evitar uma nova tranqueira em São Paulo.

Segundo a reportagem, assinada por Thais Bilenky, "apesar de seu discurso privatista, o candidato a prefeito João Doria recebeu aportes em suas empresas de pelo menos R$ 10,6 milhões de entes estatais desde 2005. Doria não informa o faturamento de seu negócio, que inclui o Lide, organização de empresários que promove encontros periódicos entre a iniciativa privada e autoridades públicas. Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação revelam repasses da administração federal durante as gestões petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff de cerca de R$ 6 milhões".

"Do governo do Estado, comandado por seu padrinho político, Geraldo Alckmin (PSDB), as empresas de Doria receberam R$ 4,5 milhões entre 2010 e 2015. Todos os valores foram corrigidos pelo IGP-M. A Desenvolve SP, banco de desenvolvimento do governo, patrocinou 33 eventos em valores que somam R$ 2,7 milhões. Além disso, o Executivo estadual fez anúncios nas revistas da Editora Doria que custaram R$ 1,8 milhão entre 2014 e 2015", descreve a matéria, que conclui:

"Em sua campanha pela prefeitura, Doria promete firmar diversas parcerias com a iniciativa privada. Ele argumenta que concessões e privatizações na cidade economizarão recursos públicos e que 'não faz sentido o Estado ser gordo e ineficiente como é'. Como candidato, Doria combate o “jeito petista de administrar”. Mas ele fez diversos contratos com gestões petistas". Haja cinismo!
Fonte: Blog do Miro

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