Se as eleições presidenciais fossem nesta semana, Jair Bolsonaro estaria em maus lençóis no segundo turno. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ex-ministros Ciro Gomes (PDT) e Luiz Henrique Mandetta (DEM) venceriam o ultradireitista com ao menos seis pontos percentuais de diferença na disputa final eleitoral, mostra a pesquisa da consultoria Atlas. O levantamento da empresa, encerrado nesta quarta-feira, quando Lula fez, sem explicitá-lo, seu discurso de lançamento extraoficial de sua candidatura a 2022, mostra que o petista melhorou sua imagem e que Bolsonaro é afetado pela crescente rejeição à sua figura e ao Governo no auge da pandemia no país.
quinta-feira, 11 de março de 2021
Lula, Ciro e Mandetta bateriam Bolsonaro no segundo turno em 2022, mostra pesquisa Atlas
Se as eleições presidenciais fossem nesta semana, Jair Bolsonaro estaria em maus lençóis no segundo turno. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os ex-ministros Ciro Gomes (PDT) e Luiz Henrique Mandetta (DEM) venceriam o ultradireitista com ao menos seis pontos percentuais de diferença na disputa final eleitoral, mostra a pesquisa da consultoria Atlas. O levantamento da empresa, encerrado nesta quarta-feira, quando Lula fez, sem explicitá-lo, seu discurso de lançamento extraoficial de sua candidatura a 2022, mostra que o petista melhorou sua imagem e que Bolsonaro é afetado pela crescente rejeição à sua figura e ao Governo no auge da pandemia no país.
quarta-feira, 10 de março de 2021
Morador de rua é queimado enquanto dormia na Praça da Estação
Um senhor em situação de rua foi vítima de um grave e covarde atentado no fim da madrugada desta terça-feira (9), na Praça da Estação, região Central de Belo Horizonte. Dois homens ainda não identificados jogaram gasolina sobre ele e atearam fogo, segundo o flagrante de testemunhas. O homem, que estava dormindo, sofreu queimaduras severas e teve o socorro ignorado por quem passava pelo local – mesmo com algumas partes do corpo em carne viva.
terça-feira, 9 de março de 2021
História - PARASITA DA VIDA REAL? MULHER ENCONTRA APARTAMENTO SECRETO ATRÁS DO ESPELHO DO BANHEIRO
Após meses notando uma onda de vento partindo de uma fresta do banheiro, a tiktoker Samantha Hartsoe decidiu investigar o motivo que causava incômodo em seu apartamento em Nova York, nos EUA.
segunda-feira, 8 de março de 2021
Ministros querem julgar suspeição de Moro mesmo com decisão contrária de Fachin
A sugestão de Edson Fachin de que o julgamento da suspeição de Sergio Moro fica prejudicado depois que as condenações de Lula foram anuladas não deve ser seguida com facilidade por outros magistrados do STF (Supremo Tribunal Federal).
Integrantes da 2ª Turma do STF, onde a ação contra Moro tramita, pretendem manter a análise da suposta parcialidade do ex-juiz nos processos que envolvem o petista.
Nesta segunda (8), Fachin decidiu que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar o ex-presidente nos processos do tríplex, de compra de um terreno para o Instituto Lula, de doações para o mesmo instituto e do sítio de Atibaia.
Com isso, todos os atos dos processos, inclusive o recebimento da denúncia contra o petista, foram anulados.
No mesmo despacho, Fachin considerou que todos os habeas corpus apresentados pela defesa do ex-presidente questionando a conduta da Justiça ficaram prejudicados _ou seja, perdem a razão de ser e devem ser arquivados. Entre eles está a ação que levanta a suspeição de Sergio Moro.
A previsão é que ela seja pautada ainda no primeiro semestre. Os ministros da 2ª Turma vão ter a palavra final sobre a pertinência de que ela ainda seja analisada.
Fonte: Diário do Centro do Mundo
quinta-feira, 4 de março de 2021
17% de toda a comida disponível para consumo no mundo é desperdiçada

quarta-feira, 3 de março de 2021
História - Como bancos ingleses lucraram com escravidão no Brasil
No auge do tráfico de escravos da África para o Brasil, entre 1800 e 1850, mais de 2 milhões de pessoas foram trazidas à força para o país para serem escravizadas, segundo o Banco de Dados do Comércio Transatlântico de Escravos (Transatlantic Slave Trade Database). No total, ao longo de quatro séculos, mais de 4,8 milhões de pessoas escravizadas foram obrigadas a desembarcar em solo brasileiro.
O tráfico era um negócio lucrativo, mas não foram só os traficantes e fazendeiros que se aproveitaram da exploração brutal de seres humanos. Banqueiros ingleses se envolveram com a escravidão no Brasil mesmo depois de ela ter sido abolida nas colônias britânicas, em 1833.
É isso que mostra uma pesquisa do historiador Joe Mulhern, especializado no envolvimento britânico com a escravidão no Brasil, pela Universidade de Durham, na Inglaterra.
"Apesar de o Império Britânico na era vitoriana pensar em si mesmo como um modelo moral quanto à escravidão e fazer pressão para que outros países, inclusive o Brasil, abolissem a prática, os legisladores tiveram dificuldade para cortar os laços econômicos com a escravidão em países estrangeiros", explica Mulhern em entrevista à BBC News Brasil.
Havia duas formas principais de envolvimento dos britânicos, explica o historiador. Uma mais ampla, por meio de empréstimos e a compra de títulos do Tesouro, entre outras relações indiretas com a economia escravocrata. E outra mais direta, em que instituições e indivíduos deram apoio financeiro, na forma de empréstimos e garantias, por exemplo, para o tráfico de escravos ou para fazendas que usavam esse tipo de mão de obra.
Alguns britânicos chegaram a ser diretamente proprietários de escravos — segundo o trabalho de Mulhern, um censo de 1848-1849 mostra que havia, naquele ano, cerca de 3.400 pessoas escravizadas por mestres britânicos.
Entre os envolvidos nessa relação mais direta, havia indivíduos ligados a bancos que foram predecessores de grandes instituições financeiras atuais do Reino Unido.
Lobby no parlamento
Em 1833 o Reino Unido havia extinguido a escravidão em suas colônias, dando compensações para os senhores mas não para os escravizados. O império começou também a fazer pressão diplomática para que a escravidão fosse abolida no Brasil. Essa pressão é apontada por historiadores brasileiros como um dos múltiplos fatores que levaram ao fim da prática no país.
A lei que proibiu o tráfico como parte de um acordo com o Reino Unido, inclusive, deu origem à expressão "para inglês ver", porque durante muito tempo não havia fiscalização e o tráfico continuou.
No entanto, apesar dessa pressão do governo do país europeu, muitos do britânicos envolvidos na prática conseguiam impedir que a legislação britânica fosse mais restritiva em relação às suas atividades no exterior.
"Essa ambivalência no envolvimento do Reino Unido na escravidão (tanto pressionando para o seu fim quanto deixando de cortar laços econômicos existentes) pode ser encontrada na legislação da época", diz o historiador.
Isso porque os envolvidos faziam lobby no Parlamento.
"Eles pressionavam para que seus negócios fossem protegidos, com os mesmos argumentos para defender a escravidão usados no Reino Unido antes de 1833", explica Mulhern.
Os três principais, aponta, eram a defesa da propriedade (porque as pessoas tinham sido vendidas como propriedades); a necessidade de o Reino Unido prosperar nesses mercados que ainda eram escravocratas; e o mito de que os britânicos que exploravam escravos eram "benevolentes".
"Já existia o mito de que os senhores de escravos no Brasil eram benevolentes. Os ingleses diziam que eles eram ainda mais", conta Mulhern. "Mas não há nenhuma evidência de que a escravização, uma prática baseada na violência ou na ameaça dela, era menos cruel quando praticada pelos britânicos".
Seres humanos como garantia
Muitas vezes os escravizados eram parte das propriedades usadas em garantias de empréstimos de um banco. Na dissertação de Mulhern, ele resgatou casos em que bancos ingleses tinham um devedor insolvente e acabavam leiloando os escravizados para cobrar a dívida.
Um desses bancos, mostra Mulhern em sua pesquisa, era o London and Brazilian Bank, criado em 1862 (e comprado em 1923 pelo Lloyd's Banking Group, que existe até hoje).
O banco continuou envolvido com a escravidão até a praticamente a abolição da prática no Brasil, em 1888 — ou seja, mais de 50 anos depois da abolição da escravatura nas colônias britânicas, como Jamaica e África do Sul.
Um dos executivos do London and Brazilian Bank, Edward Johnston, chegou a ser dono de escravos no Brasil e a casar com uma família que era dona de uma fazenda de café no Rio de Janeiro. "A riqueza gerada com a escravidão no Brasil ajudou a estabelecer um banco que investiria na exploração de pessoas", diz Mulhern.
Esses laços, no entanto, eram escondidos de investidores no Reino Unido, onde a opinião pública já não era favorável à escravidão.
Para evitar afugentar investidores no país de origem, a maior parte dos bancos envolvidos com operações relacionadas à escravidão não o fazia diretamente, mas por meio de comissários intermediários, explica Mulhern à BBC News Brasil.
Um desses intermediários era a casa bancária Gavião Ribeiro Gavião, que financiava a economia agrícola de São Paulo e atuava no comércio interno de escravos.
A casa bancária atuou como intermediária para o London and Brazilian Bank. O banco britânico declarava que seu propósito no Brasil era comercial, mas tinha uma carteira de hipotecas cujas garantias eram fazendas de café em São Paulo e mais de 800 pessoas que trabalhavam nelas como escravos.
Terceirização
O historiador também cita o caso da Fazenda Angélica, em Rio Claro, no interior de São Paulo, que acabou se tornando um dos ativos de um banco e sendo administrada por ele. Depois de uma tentativa fracassada de usar mão de obra de imigrantes, o banco resolveu "terceirizar" o uso de mão de obra escrava.
Isso porque, sendo uma empresa inglesa, o banco não poderia ser dono direto de escravizados. Mas uma brecha na legislação permitia que ele "alugasse" a mão de obra escrava de outros senhores de escravo — e foi o que fez.
Quando vendeu a fazenda, o banco afirmou que "não empregava um único escravo" — sem citar que pagou senhores de escravos para usarem as pessoas escravizadas por eles na plantação e que ainda tinha 80 escravos como garantia do financiamento que possibilitou a venda da fazenda.
Empréstimo não pago
"Nem sempre esse envolvimento era bem-sucedido, e agentes britânicos que fizeram as negociações do tipo no Brasil chegaram a ser repreendidos no Reino Unido", conta Mulhern.
Mas a repreensão, diz ele, não foi por questões morais, mas porque muitos dos empréstimos não foram recuperados e algumas instituições acabaram tendo dificuldades financeiras por causa disso.
"Muitos investidores buscavam investir em infraestrutura, em criação de linhas de trem por exemplo, mas os fazendeiros queriam um investimento direto na produção agrícola, que era um negócio muito arriscado", diz Mulhern. "Apesar disso, alguns agentes se envolveram, até contraindo orientações da sede, e depois foram repreendidos porque os negócios não deram certo".
Empréstimos que tinham seres humanos como garantia e não eram pagos tinham impactos diretos na vida dessas pessoas.
Em 1869, o Barão do Turvo, fazendeiro carioca que tinha uma dívida com o London and Brazilian Bank, não pagou um empréstimo que devia.
"O banco então entrou com um processo para recuperar o dinheiro, e como havia pessoas escravizadas como garantia, elas sofreram a consequência", diz Mulhern. Advogados do banco então realizam um leilão de 103 escravizados, incluindo famílias com crianças e bebês. Documentos da época compilados por Mulhern mostram como o banco vendeu pelo menos 30 dessas pessoas no leilão — entre elas a pequena Ancieta, uma bebê escravizada de apenas um ano de idade; e as pequenas Adelina e Marcellina, vendidas com 2 e 6 anos.
Lidando com o passado
O movimento americano Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em português), de protesto contra o racismo e contra o assassinato de negros pela polícia, fez com que muitas instituições viessem a público falar sobre seu histórico racista e mostrar que mudaram de postura, inclusive doando dinheiro para instituições de combate ao racismo.
"Historiadores já sabiam dessas ligações, mas o movimento Black Lives Matter trouxe um novo escrutínio sobre esse passado", diz Mulhern.
Após a publicação de um artigo de Joe Mulhern sobre sua pesquisa, o banco Lloyds Banking Group atualizou seu site para incluir um reconhecimento de que pelo menos seis dos 200 bancos que foram incorporados pelo grupo se envolveram com a escravidão, incluindo o London and Brazilian Bank.
"Embora tenhamos muito do nosso passado para nos orgulharmos, não podemos nos orgulhar de tudo", diz o banco.
"Mas se esse debate vai ir além do reconhecimento e levar de fato a algum tipo de reparação ou doação financeira é algo que eu não sei", afirma o pesquisador.
Fonte: BBC
terça-feira, 2 de março de 2021
Alerta Covid: Taxa de transmissão chega ao nível vermelho em BH
Os indicadores da Covid-19 em Belo Horizonte continuam a subir. Com o nível de transmissão da doença em alerta máximo, a capital tem 74,7% de leitos de UTIs ocupados. O Boletim Epidemiológico divulgado nesta segunda-feira (1) mostra os impactos negativos da falta de isolamento por parte da população.
O número médio de transmissão por infectado (RT) saiu do nível amarelo e já ocupa o vermelho, com o total de 1,20. O número saltou desde o último boletim, que registrava 1,6 pontos. A taxa de ocupação em leitos da enfermaria também acompanhou a crescente, e foi de 56,2% para 58,3%.
Ainda segundo boletim, BH tem apenas 115.558 pessoas vacinas com a primeira dose da vacina. Já com a segunda dose, os números são ainda menores: apenas 59.012. A capital mineira tem 2.375.151 milhões de habitantes.
Negacionistas nas praias
Na última quinta-feira (25), o Prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), chegou a mencionar que a volta às aulas só será possível se os números estiverem baixos. Estamos esperando dar os 14 dias [após] o Carnaval. Muita gente viajou, muito negacionista foi para praia. Estamos com medo.”
Alexandre Kalil também bateu forte no ponto de que BH não tem onde comprar vacinas. O chefe do Executivo disse durante entrevista coletiva que já buscou o imunizante em vários laboratórios. Mesmo com recursos financeiros à disposição para a compra, não há doses à venda.
Kalil disse também que caso houvesse a possibilidade, a PBH compraria o imunizante na mesma hora. “Se tivesse para comprar, a gente compraria para usar só aqui. A gente tem caixa para comprar”, garantiu. Apesar de não ter dado detalhes sobre quais laboratórios teria tentado fazer as compras, Kalil garantiu que vai continuar tentando comprar o imunizante para os mineiros.
Fonte: BHAZ
segunda-feira, 1 de março de 2021
CRM-DF usa notícia enganosa ao afirmar que OMS “condenou” lockdown
Com as UTIs do Distrito Federal lotadas, o Conselho Regional de Medicina divulgou uma nota condenando o lockdown decretado pelo governador Ibaneis Rocha na última sexta-feira, 26, para tentar conter o aumento dos contágios e o consequente colapso nos hospitais. Como se não fosse o suficiente, ainda utilizou uma notícia enganosa para justificar seu posicionamento. “O lockdown não salva vidas e faz os pobres muito mais pobres”, diz o texto, citando o “Dr. David Nabarro”, como se este falasse pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e a entidade estivesse “condenando” o lockdown. É mentira.
WATCH: Dr David Nabarro, the WHO's Special Envoy on Covid-19, tells Andrew Neil: 'We really do appeal to all world leaders: stop using lockdown as your primary control method'. Watch the full interview here: https://t.co/XLdaedsKVS #SpectatorTV @afneil | @davidnabarro pic.twitter.com/1M4xf3VnXQ
— The Spectator (@spectator) October 9, 2020
sábado, 27 de fevereiro de 2021
Pró-Esia - Fábrica de Versos... A filosofia do homem que mora em um castelo de areia: “Tento não me apegar a nada
Márcio Mizael Matolas nasceu há 44 anos em um bairro paupérrimo do Rio de Janeiro, mas hoje mora num castelo. Construído num dos calçadões com o metro quadrado mais caro da cidade, ele tem vista livre para o Atlântico, vizinhos nobres e uma quadra de vôlei no quintal. O homem usa coroa de rei e os banhistas param para tirar fotos junto à fortaleza. Seu reinado, porém, é tão efêmero como a areia, mas foi assim que concebeu sua forma de viver: “As pessoas gostam muito de possuir. Eu tento não me apegar a nada”.
O habitáculo onde ele mora, nos fundos desse palácio, tem até seu jeito. Escondido na estrutura de areia, o buraco tem sacos de dormir e redes no chão e prateleiras de livros nas paredes. Na porta fica Humana, a cachorra. “Já fiz castelo em Copacabana, onde tem um monte de turista. Mas aqui é sossegado, posso ler”. Protegido de desabamentos por sacos de areia e pilares de madeira, Castelinho não teme a chuva tropical do verão. “É pior o sol, que seca tudo e estraga”, diz, prometendo se dedicar umas quantas horas a restaurar sua obra.
Durante a conversa, duas mulheres de chinelo de salto, vestidos de renda compridos e óculos de espelho posam com duas crianças na frente do palácio. Sentam numa cadeira de madeira batizada de “Trono das Estrelas” e lançam as melenas para um lado. “Pode botar a coroa!”, grita Castelinho de longe. As visitantes o ignoram, terminam suas fotos e vão embora sem soltar um centavo. “Antes eu brigava, tentava explicar que isto aqui não nasce sozinho, que preciso carregar areia, água, que preciso manter a estrutura, que as costas doem. Mas há um tempo que resolvi que era um desgaste, e que viva a arte!”.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021
Imigrantes no Acre vivem limbo em meio à Covid-19 e clima tenso na fronteira

Um grupo de pelo menos 500 imigrantes está na região de Assis Brasil, com a intenção de deixar o Brasil por via terrestre. Na quarta (24) chegou ao município mais um ônibus com 60 imigrantes. O roteiro é semelhante dos que já estão na região há mais tempo: eles chegaram ao estado de avião, desembarcam na capital Rio Branco e seguem de ônibus para Assis Brasil (último ponto brasileiro da fronteira).
A maioria do grupo é composta por pessoas de nacionalidade haitiana, mas também há representantes de outras nacionalidades. Segundo dados da Caritas Dioecesana de Rio Branco, ao menos 40% dos imigrantes que estão em Assis Brasil são mulheres e crianças.
A maior parte está em dois abrigos improvisados dentro de escolas públicas no município. De acordo com a Pastoral do Migrante local, há também 80 pessoas dormindo na rua e 70 acampadas na Ponte Binacional que liga a cidade acreana a Iñapari, já no lado peruano, como forma de protesto.
Com o fechamento da ponte, caminhões dos dois lados da fronteira não conseguem passar. O protesto gera grande insatisfação por parte dos motoristas, que temem prejuízos com as cargas paradas e querem a reabertura da via.
Pessoas que acompanham a situação na fronteira ouvidas pelo MigraMundo temem que ocorra um conflito na região, caso a insatisfação alcance níveis mais altos.
Em razão da pandemia, muitos imigrantes perderam seus empregos e passaram a enfrentar dificuldades financeiras no Brasil – que também vive mau momento na economia, agravado pela Covid-19.
Diante desse cenário, mesmo com as fronteiras fechadas, alguns decidem apostar em uma nova migração para tentar obter melhores condições de vida em outro país.
Essa jornada, que já é complicada em circunstâncias normais, se torna ainda mais penosa, complexa e perigosa diante da Covid-19. Para tentar frear a disseminação do vírus, países em todo o mundo vêm fechando fronteiras e adotando critérios cada vez mais severos para admitir pessoas de outros países em seus territórios.
Como resultado, os imigrantes que tentam sair do país para seguir viagem por outras nações do continente vivem uma situação de limbo. Possuem pouco ou nenhum dinheiro para se manter no Brasil, ao mesmo tempo que não conseguem passar para outros países. Ao mesmo tempo, ficam ainda mais suscetíveis ao contágio pelo novo coronavírus.
As fake news também possuem uma parcela de culpa pela situação na fronteira. Correm entre os imigrantes boatos de que as fronteiras do Peru e dos Estados Unidos estão abertas, o que encoraja muitas pessoas a venderem tudo na esperança do “sonho americano”.
Um comunicado em creole haitiano, escrito pela Defensoria Pública da União (DPU), já circula entre grupos de WhtsApp acessados por imigrantes e visa conscientizar sobre os riscos de tentar sair do Brasil no momento.
Alguns, inclusive, já decidiram fazer o caminho de volta e desistiram de sair do Brasil. Um grupo de cerca de 20 pessoas deixou a ponte na sexta-feira (19) e seguiu para a capital do Acre, Rio Branco, tendo São Paulo como destino final.
“Por pior que esteja a situação dos migrantes nas cidades de origem em que estão residindo, ao menos nelas é possível conseguir algum bico pra prover o sustento. Assis Brasil oferece zero empregos, sem falar nos riscos de Covid-19 nos abrigos. Estamos tentando divulgar pros grupos de migrantes que a fronteira não está aberta e que esse não é o melhor momento para tentar sair do Brasil”, explica a defensora pública Larissa Moisés, que integrou uma comitiva da DPU que conheceu de perto a situação na fronteira com o Peru.
A Defensoria relata haver imigrantes que tentam driblar o fechamento da fronteira peruana com a ajuda de coiotes. No entanto, a fiscalização peruana tem conseguido impedir a entrada da maioria dos que se arriscam por essa opção, além de usar a força para impedir travessias por meio da ponte. Quem tenta fazer o mesmo por meio da fronteira com a Bolívia também não tem obtido sucesso.
O próprio estado do Acre vivem um momento delicado em meio à questão migratória. A estação chuvosa tem sido mais intensa que o normal, causando transbordamento de rios e enchentes em todo o estado. A pandemia também alcança patamares cada vez mais altos, inclusive em Assis Brasil. O estado já contabiliza ao menos 55 mil casos do vírus, com 975 mortes, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde.
Diante desse cenário, o prefeito de Assis Brasil, Jerry Correia (PT), decretou estado de calamidade pública no município e pede constantemente por ajuda do governo federal para resolver a questão.
“Pedimos que o MPE e MPF se posicionem a respeito da crise humanitária que vivemos aqui. Eu pergunto: é humanitário permitir que crianças e mulheres grávidas fiquem por dias em uma ponte debaixo de sol e chuva? Esta prefeitura não deixou de assistir essas pessoas em nenhum momento. Mesmo no limite de nossas condições temos garantido água, comida, abrigo e atendimento médico. Chegamos a fornecer 1.500 refeições por dia. É uma situação de guerra que foge totalmente da nossa capacidade de gerenciamento. Estamos pedindo socorro”, afirmou o prefeito em mensagem compartilhada com grupos da sociedade civil que atuam no Acre.
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) até esteve no Acre na última quarta-feira (24), mas sequer passou perto da região de fronteira. A medida federal mais efetiva até o momento foi a autorização do uso da Força Nacional de Segurança Pública no Acre.
A portaria, assinada pelo Ministério da Justiça em 17 de fevereiro, vale por 60 dias e estabelece que o efetivo deve auxiliar “nas atividades de bloqueio excepcional e temporário de entrada no país de estrangeiros, em caráter episódico e planejado”.
O efetivo de 12 militares já se juntou a policiais federais, agentes do batalhão de choque da Polícia Militar e do Grupo Especial de Fronteiras (Gefron) que atuam na região.
Por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que tem mantido contato com as autoridades peruanas sobre a questão, e confirmou que o fechamento da fronteira é motivado pela pandemia de novo coronavírus.
O governo peruano, por sua vez, diz que estuda uma forma para liberar a passagem dos imigrantes pelo território, mas que por enquanto a fronteira não será liberada.
Resolver a questão da fronteira virou uma espécie de “pergunta de um milhão de dólares”, segundo a defensora. “Eu e várias pessoas da comitiva nos perguntamos isso o dia todo no tempo que estivemos lá”.
A Caritas e a Pastoral do Migrante informam que mantêm “diálogo constante com as lideranças dos imigrantes para minimizar o impacto negativo, assistindo as suas necessidades: alimentação, medicamento, kits de higiene pessoal e coletiva na medida do possível.
O Acre ficou conhecido na última década como ponto de entrada no Brasil da migração haitiana, especialmente entre 2010 e 2015. Nos anos seguintes, o estado se consolidou como um local de passagem de imigrantes: tanto são verificados aqueles que deixam o Brasil para outros países quanto outros que fazem o caminho inverso, de ingressar no território brasileiro.
Em meados de 2020, ganhou destaque a situação vivida por imigrantes, em sua maioria venezuelanos, que acamparam sob chuva e sol na ponte que liga Peru e Brasil, na esperança de solicitar refúgio em território brasileiro.
A situação na fronteira mobilizou entidades da sociedade civil e a Defensoria Pública da União, que protocolaram ações junto à Justiça brasileira em favor dos imigrantes. Um tipo de ação que não é possível no atual contexto, uma vez que o desejo do grupo em Assis Brasil é de ingressar no Peru para seguir viagem pelo continente.
Para Letícia Mamed, professora de Teoria Social/Sociologia da Universidade Federal do Acre (UFAC), esse contexto reforça a necessidade de se pensar em uma estrutura permanente no estado que atenda aos desafios trazidos pela temática migratória.
“É preciso suplantar a tendência a uma atuação emergencial, que lida com o problema de modo circunstancial, para encarar o desafio de pensar e desenvolver uma política ativa e realista ao contexto do Acre, em conformidade com o seu atual posicionamento nas rotas internacionais de migração”.
A pesquisadora também critica o caráter seletivo adotado pelos governos nacionais – tanto o brasileiro quanto o peruano – quanto à admissão de pessoas de outros países. Ambos têm adotado medidas restritivas à mobilidade humana em entradas por via terrestre ou aquaviária, mas flexibilizam o acesso por via aérea, que tende a ser usado por pessoas mais abastadas.
“Isso evidencia, portanto, o tratamento diferenciado e seletivo dispensado pelos governos aos imigrantes: aos empobrecidos, oriundos da América Latina, Caribe e África, majoritariamente negros, a política assume caráter restritivo e repressivo; aos abastados, provenientes dos países considerados desenvolvidos, a política é ampla e condescendente, capaz de implementar procedimentos que conciliam as preocupações sanitárias e a preservação do direito humano à mobilidade”, analisa.




















