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sábado, 27 de fevereiro de 2021

Pró-Esia - Fábrica de Versos... A filosofia do homem que mora em um castelo de areia: “Tento não me apegar a nada

Márcio Mizael vive do efêmero numa praia do Rio de Janeiro. Ele mora na rua desde os 8
Márcio Mizael Matolas nasceu há 44 anos em um bairro paupérrimo do Rio de Janeiro, mas hoje mora num castelo. Construído num dos calçadões com o metro quadrado mais caro da cidade, ele tem vista livre para o Atlântico, vizinhos nobres e uma quadra de vôlei no quintal. O homem usa coroa de rei e os banhistas param para tirar fotos junto à fortaleza. Seu reinado, porém, é tão efêmero como a areia, mas foi assim que concebeu sua forma de viver: “As pessoas gostam muito de possuir. Eu tento não me apegar a nada”.

Márcio Mizael Matolas nasceu há 44 anos em um bairro paupérrimo do Rio de Janeiro, mas hoje mora num castelo. Construído num dos calçadões com o metro quadrado mais caro da cidade, ele tem vista livre para o Atlântico, vizinhos nobres e uma quadra de vôlei no quintal. O homem usa coroa de rei e os banhistas param para tirar fotos junto à fortaleza. Seu reinado, porém, é tão efêmero como a areia, mas foi assim que concebeu sua forma de viver: “As pessoas gostam muito de possuir. Eu tento não me apegar a nada”.

O homem, apelidado “Castelinho”, perdeu o pai assassinado antes de nascer e aos oito anos se lançou à rua. Começou vendendo quadrinhos, revistas e livros velhos no bairro do Flamengo, na zona sul da cidade, sem saber ler uma palavra do que oferecia. Foi na praia desse bairro onde lembra ter construído seu primeiro castelo: uma pirâmide. “Depois aprendi a fazer pirâmides incas, maias, astecas... Via os desenhos nas revistas”, relembra quase quatro décadas depois sob a sombra de uma árvore da praia do Pêpe, na Barra de Tijuca.

Com cerca de 10 anos, Castelinho já fazia seu dinheiro, ajudava a mãe e era conhecido no bairro. Sempre rodeado de livros, os moradores ensinaram ele a ler. Não sabe dizer quantas obras já devorou desde então, mas há uma que não esquece, mesmo porque já a leu quatro vezes. Capitães de Areia, de Jorge Amado, narra o cotidiano de um grupo de meninos sem teto na Bahia e também o dele próprio. “Ele retrata bem a vivência de rua, o sentimento de egoísmo e de solidão”, diz este rei de bermuda.

Um dia uma família se dispôs a adotá-lo, mas ele se recusou. “Eu sempre quis o carinho da minha família, não de outra”, explica. “Sempre vi as mães dos outros abraçando os filhos e eu chorava muito com isso. Ela já me abraçou quando eu fui mais velho, mas sabe essa coisa de que, quando arranha, é difícil tirar a marca?”.

Com 14 anos, Castelinho acumulava mais de 15.000 livros numa rua de Leblon e nos tempos vagos ia para a praia para construir sereias e jacarés que o mar levava antes de qualquer um admirar. Começou também a brincar com origami, a arte japonesa de dobrar papel que um senhor lhe ensinou no hospital quando se recuperava do atropelamento de um ônibus. Fazia borboletas, mas também bonecos complexos. Casou e foi, por fim, morar sob um teto. Não deu certo. Tampouco os relacionamentos que vieram depois. “Poxa, há tanto tempo que não sinto o amor... Elas não entendem minha liberdade. Em seguida querem mudar como eu vivo. Me dizem: pô, eu não quero morar num castelo!”, diz rindo, com seu sorriso quebrado, da sua própria ironia.


O habitáculo onde ele mora, nos fundos desse palácio, tem até seu jeito. Escondido na estrutura de areia, o buraco tem sacos de dormir e redes no chão e prateleiras de livros nas paredes. Na porta fica Humana, a cachorra. “Já fiz castelo em Copacabana, onde tem um monte de turista. Mas aqui é sossegado, posso ler”. Protegido de desabamentos por sacos de areia e pilares de madeira, Castelinho não teme a chuva tropical do verão. “É pior o sol, que seca tudo e estraga”, diz, prometendo se dedicar umas quantas horas a restaurar sua obra.

Castelinho acha que lembrar do pior momento da vida é um exercício difícil. Mas recorda o mais feliz. “Uma vez eu fiz um castelo mirabolante em Copacabana, me deitei na frente dele e pensei: Cara, sou foda!”. No sol escaldante do início do verão, cigarro numa mão e uma latinha de cerveja na outra, o homem alimenta seu sonho: montar um ateliê onde trabalhar com mais matéria efêmera.


Durante a conversa, duas mulheres de chinelo de salto, vestidos de renda compridos e óculos de espelho posam com duas crianças na frente do palácio. Sentam numa cadeira de madeira batizada de “Trono das Estrelas” e lançam as melenas para um lado. “Pode botar a coroa!”, grita Castelinho de longe. As visitantes o ignoram, terminam suas fotos e vão embora sem soltar um centavo. “Antes eu brigava, tentava explicar que isto aqui não nasce sozinho, que preciso carregar areia, água, que preciso manter a estrutura, que as costas doem. Mas há um tempo que resolvi que era um desgaste, e que viva a arte!”.

Fonte:El País

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Pobreza encurta a vida mais que obesidade, álcool e hipertensão

Estudo critica a OMS por não incluir a desigualdade como fator ser combatido

A evidência científica é robusta: a pobreza e a desigualdade social prejudicam seriamente a saúde. No entanto, as autoridades de saúde não dão a esses fatores sociais a mesma atenção que dedicam a outros quando tentam melhorar a saúde dos cidadãos. Um estudo sobre 1,7 milhão de pessoas, publicado pela revista médica The Lancet, traz de volta esse problema negligenciado: a pobreza encurta a vida quase tanto quanto o sedentarismo e muito mais do que a obesidade, a hipertensão e o consumo excessivo de álcool. O estudo é uma crítica às políticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que não incluiu em sua agenda este fator determinante da saúde — tão importante ou mais do que outros que fazem parte de seus objetivos e recomendações.
A evidência científica é robusta: a pobreza e a desigualdade social prejudicam seriamente a saúde.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Brasil tem maior concentração de renda do mundo entre o 1% mais rico

Pesquisa comparativa liderada por Thomas Piketty aponta que 27,8% da riqueza nacional está em poucas mãos
Quase 30% da renda do Brasil está nas mãos de apenas 1% dos habitantes do país, a maior concentração do tipo no mundo. É o que indica a Pesquisa Desigualdade Mundial 2018, coordenada, entre outros, pelo economista francês Thomas Piketty. O grupo, composto por centenas de estudiosos, disponibiliza nesta quinta-feira um banco de dados que permite comparar a evolução da desigualdade de renda no mundo nos últimos anos.

Quase 30% da renda do Brasil está nas mãos de apenas 1% dos habitantes do país, a maior concentração do tipo no mundo.

sábado, 16 de setembro de 2017

A realidade dos abraços que não incluem nem libertam

Campanha que mostra celebridades abraçando pessoas que estão em situação de rua tem gerado um 'zum-zum' tanto de apoiadores, quanto de críticos
Recentemente tem circulado uma campanha realizada pela Associação de Resgate à Cidadania pelo Amor a Humanidade (ARCAH), que mostra celebridades abraçando pessoas que estão em situação de rua.

A campanha, chamada “Nós”, na sua boa intenção, tem como objetivo “quebrar o preconceito em relação à causa, mostrando que, independentemente da identidade, da classe social, cor ou raça, somos todos são iguais” e também expressa que há entre as celebridades e aquelas pessoas “sonhos para o futuro, lembranças do passado e hobbies, entre outras”.
Recentemente tem circulado uma campanha realizada pela Associação de Resgate à Cidadania pelo Amor a Humanidade (ARCAH), que mostra celebridades abraçando pessoas que estão em situação de rua.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

sábado, 16 de maio de 2015

Horrores do capitalismo: maior economia do planeta, EUA é campeão de pobreza infantil

Com a desigualdade cada vez maior nos Estados Unidos, a pobreza infantil cresce junto. Enquanto a riqueza do país aumentou 60% nos últimos seis anos, acima de 30 trilhões de dólares, o número de crianças sem-teto também cresceu 60% no mesmo período. A cada ano, 2,5 milhões de crianças –uma em cada 30– vão dormir sem um lar para chamar de seu na nação mais rica do mundo. Estão abrigadas temporariamente em abrigos, igrejas ou motéis.
Segundo um relatório recente da organização Crianças Sem-Teto da América, as razões para haver tanta criança sem moradia por lá são basicamente: a alta taxa de pobreza; a falta de habitação a preços acessíveis; os impactos contínuos da grande recessão; as disparidades raciais; os desafios para as mulheres de criarem filhos sozinhas; e as experiências traumáticas, especialmente a violência doméstica. O número de crianças sem-teto cresceu em 31 Estados e há meninos e meninas nesta situação em cada cidade. Em todo o país, o crescimento foi de 8% apenas entre 2012 e 2013.
Com a desigualdade cada vez maior nos Estados Unidos, a pobreza infantil cresce junto. Enquanto a riqueza do país aumentou 60% nos últimos seis anos, acima de 30 trilhões de dólares, o número de crianças sem-teto também cresceu 60% no mesmo período.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Capitalismo e desigualdade social são duas faces da mesma moeda

De acordo com o relatório do banco Credit Suisse (The Credit Suisse Global Wealth Report 2012), 0,6% da população de milionários abocanha 12 vezes mais riquezas que 69,3% dos habitantes do planeta. O informe estima uma riqueza global de US$ 223 trilhões em 2012 (meados do ano). Como havia 4,59 bilhões de pessoas adultas no mundo, a riqueza per capita por adulto foi de US$ 49 mil. Ou seja, esse seria o valor caso dividíssemos igualmente a riqueza para todas as pessoas do mundo. 
 
Esse informe mostra de maneira clara que não há distribuição de riqueza no sistema capitalista. Como o Manifesto Comunista explica, nossa sociedade está dividida, principalmente, entre proletários e burgueses. Os proletários são aqueles que não têm nada além da sua força de trabalho para sobreviver. São os operários da fábrica, professores, enfermeiros, vendedores, resumindo: são os 69,3% que deveriam ter uma renda per capita de US$ 49 mil. 
 
Os burgueses são os 0,6%. Vivem do dinheiro que os proletários geram.  São os donos de bancos, grandes empresas e latifúndios que exploram a maioria da população para conseguir acumular as mansões, carros, jatinhos e toda a riqueza que possuem. 
 
Analisemos mais de perto os 69,3% de adultos que representam 3,184 bilhões de pessoas com maior idade. Eles são a “A base da pirâmide” de nossa sociedade e detiveram apenas 3,3% da riqueza mundial. Ou seja, 2/3 dos adultos ficaram com apenas 7,3 trilhões dos 223 trilhões da riqueza global. Sendo assim, ou invés de US$ 47 mil eles receberam US$ 2.293. Enquanto isso, os milionários, aqueles com patrimônio acima de um milhão de dólares eram somente 29 milhões de adultos, representando 0,6% do total no mundo. Todavia eles possuem 12 vezes o patrimônio da “base da pirâmide”, concentrando 39,3% da riqueza global, um montante de US$ 87,5 trilhões. 
 
A pesquisa mostra ainda dados sobre os grupos intermediários, que poderíamos situar de maneira abstrata, como a pequena burguesia ou classe média. Seriam os pequenos e médios empresários, comerciantes e profissionais liberais. 
 
Para a riqueza entre US$ 10 mil e US$ 100 mil, havia 1,035 bilhão de adultos, o que representava 22,5% do total de pessoas adultas no mundo. O montante de toda a riqueza deste contingente intermediário foi de US$ 32,1 trilhões, o que representava 14,4% da riqueza global. Ou seja, pouco menos de um quarto (1/4) dos adultos do mundo possuíam 14,4% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 31 mil.
 
No grupo de riqueza entre cem mil e um milhão de dólares, havia 344 milhões de adultos, o que representava 7,5% do total de pessoas na maioridade no mundo. O montante de toda a riqueza deste contingente intermediário foi de US$ 95,9 trilhões, o que representava 43,1% da riqueza global. Ou seja, pouco menos de um décimo (1/10) dos adultos do mundo possuíam 43,1% do patrimônio global da riqueza. A riqueza per capita deste grupo foi de US$ 279 mil.
 
A incrível pirâmide da desigualdade global como chama o professor José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal Ecodebate é a hierarquia do sistema capitalista e não irá mudar, enquanto nosso sistema estiver assentado na exploração do homem pelo homem. Para os 0,6% estarem no topo é preciso que milhares sejam explorados todos os dias.
 
O problema dessa desigualdade não é a necessidade de outra política de tributação para os mais ricos. Isso pode até ajudar, mas para que todos tenham igual distribuição de riqueza, precisaremos de outro sistema no qual a prioridade seja o bem estar geral da população, não o lucro. Assim poderíamos garantir a riqueza per capita de US$ 49 mil por adulto.

Fonte Texto: Blog Esquerda Marxista