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quarta-feira, 3 de março de 2021

História - Como bancos ingleses lucraram com escravidão no Brasil

No auge do tráfico de escravos da África para o Brasil, entre 1800 e 1850, mais de 2 milhões de pessoas foram trazidas à força para o país para serem escravizadas, segundo o Banco de Dados do Comércio Transatlântico de Escravos (Transatlantic Slave Trade Database). No total, ao longo de quatro séculos, mais de 4,8 milhões de pessoas escravizadas foram obrigadas a desembarcar em solo brasileiro.

O tráfico era um negócio lucrativo, mas não foram só os traficantes e fazendeiros que se aproveitaram da exploração brutal de seres humanos. Banqueiros ingleses se envolveram com a escravidão no Brasil mesmo depois de ela ter sido abolida nas colônias britânicas, em 1833.

O tráfico era um negócio lucrativo, mas não foram só os traficantes e fazendeiros que se aproveitaram da exploração brutal de seres humanos. Banqueiros ingleses se envolveram com a escravidão no Brasil mesmo depois de ela ter sido abolida nas colônias britânicas, em 1833.

É isso que mostra uma pesquisa do historiador Joe Mulhern, especializado no envolvimento britânico com a escravidão no Brasil, pela Universidade de Durham, na Inglaterra.

"Apesar de o Império Britânico na era vitoriana pensar em si mesmo como um modelo moral quanto à escravidão e fazer pressão para que outros países, inclusive o Brasil, abolissem a prática, os legisladores tiveram dificuldade para cortar os laços econômicos com a escravidão em países estrangeiros", explica Mulhern em entrevista à BBC News Brasil.

Havia duas formas principais de envolvimento dos britânicos, explica o historiador. Uma mais ampla, por meio de empréstimos e a compra de títulos do Tesouro, entre outras relações indiretas com a economia escravocrata. E outra mais direta, em que instituições e indivíduos deram apoio financeiro, na forma de empréstimos e garantias, por exemplo, para o tráfico de escravos ou para fazendas que usavam esse tipo de mão de obra.

Alguns britânicos chegaram a ser diretamente proprietários de escravos — segundo o trabalho de Mulhern, um censo de 1848-1849 mostra que havia, naquele ano, cerca de 3.400 pessoas escravizadas por mestres britânicos.

Entre os envolvidos nessa relação mais direta, havia indivíduos ligados a bancos que foram predecessores de grandes instituições financeiras atuais do Reino Unido.

Lobby no parlamento

Em 1833 o Reino Unido havia extinguido a escravidão em suas colônias, dando compensações para os senhores mas não para os escravizados. O império começou também a fazer pressão diplomática para que a escravidão fosse abolida no Brasil. Essa pressão é apontada por historiadores brasileiros como um dos múltiplos fatores que levaram ao fim da prática no país.

A lei que proibiu o tráfico como parte de um acordo com o Reino Unido, inclusive, deu origem à expressão "para inglês ver", porque durante muito tempo não havia fiscalização e o tráfico continuou.

No entanto, apesar dessa pressão do governo do país europeu, muitos do britânicos envolvidos na prática conseguiam impedir que a legislação britânica fosse mais restritiva em relação às suas atividades no exterior.

"Essa ambivalência no envolvimento do Reino Unido na escravidão (tanto pressionando para o seu fim quanto deixando de cortar laços econômicos existentes) pode ser encontrada na legislação da época", diz o historiador.

Isso porque os envolvidos faziam lobby no Parlamento.

"Eles pressionavam para que seus negócios fossem protegidos, com os mesmos argumentos para defender a escravidão usados no Reino Unido antes de 1833", explica Mulhern.

Os três principais, aponta, eram a defesa da propriedade (porque as pessoas tinham sido vendidas como propriedades); a necessidade de o Reino Unido prosperar nesses mercados que ainda eram escravocratas; e o mito de que os britânicos que exploravam escravos eram "benevolentes".

"Já existia o mito de que os senhores de escravos no Brasil eram benevolentes. Os ingleses diziam que eles eram ainda mais", conta Mulhern. "Mas não há nenhuma evidência de que a escravização, uma prática baseada na violência ou na ameaça dela, era menos cruel quando praticada pelos britânicos".

Seres humanos como garantia

Muitas vezes os escravizados eram parte das propriedades usadas em garantias de empréstimos de um banco. Na dissertação de Mulhern, ele resgatou casos em que bancos ingleses tinham um devedor insolvente e acabavam leiloando os escravizados para cobrar a dívida.

Um desses bancos, mostra Mulhern em sua pesquisa, era o London and Brazilian Bank, criado em 1862 (e comprado em 1923 pelo Lloyd's Banking Group, que existe até hoje).

O banco continuou envolvido com a escravidão até a praticamente a abolição da prática no Brasil, em 1888 — ou seja, mais de 50 anos depois da abolição da escravatura nas colônias britânicas, como Jamaica e África do Sul.

Um dos executivos do London and Brazilian Bank, Edward Johnston, chegou a ser dono de escravos no Brasil e a casar com uma família que era dona de uma fazenda de café no Rio de Janeiro. "A riqueza gerada com a escravidão no Brasil ajudou a estabelecer um banco que investiria na exploração de pessoas", diz Mulhern.

Esses laços, no entanto, eram escondidos de investidores no Reino Unido, onde a opinião pública já não era favorável à escravidão.

Para evitar afugentar investidores no país de origem, a maior parte dos bancos envolvidos com operações relacionadas à escravidão não o fazia diretamente, mas por meio de comissários intermediários, explica Mulhern à BBC News Brasil.

Um desses intermediários era a casa bancária Gavião Ribeiro Gavião, que financiava a economia agrícola de São Paulo e atuava no comércio interno de escravos.

A casa bancária atuou como intermediária para o London and Brazilian Bank. O banco britânico declarava que seu propósito no Brasil era comercial, mas tinha uma carteira de hipotecas cujas garantias eram fazendas de café em São Paulo e mais de 800 pessoas que trabalhavam nelas como escravos.

Terceirização

O historiador também cita o caso da Fazenda Angélica, em Rio Claro, no interior de São Paulo, que acabou se tornando um dos ativos de um banco e sendo administrada por ele. Depois de uma tentativa fracassada de usar mão de obra de imigrantes, o banco resolveu "terceirizar" o uso de mão de obra escrava.

Isso porque, sendo uma empresa inglesa, o banco não poderia ser dono direto de escravizados. Mas uma brecha na legislação permitia que ele "alugasse" a mão de obra escrava de outros senhores de escravo — e foi o que fez.

Quando vendeu a fazenda, o banco afirmou que "não empregava um único escravo" — sem citar que pagou senhores de escravos para usarem as pessoas escravizadas por eles na plantação e que ainda tinha 80 escravos como garantia do financiamento que possibilitou a venda da fazenda.

Empréstimo não pago

"Nem sempre esse envolvimento era bem-sucedido, e agentes britânicos que fizeram as negociações do tipo no Brasil chegaram a ser repreendidos no Reino Unido", conta Mulhern.

Mas a repreensão, diz ele, não foi por questões morais, mas porque muitos dos empréstimos não foram recuperados e algumas instituições acabaram tendo dificuldades financeiras por causa disso.

"Muitos investidores buscavam investir em infraestrutura, em criação de linhas de trem por exemplo, mas os fazendeiros queriam um investimento direto na produção agrícola, que era um negócio muito arriscado", diz Mulhern. "Apesar disso, alguns agentes se envolveram, até contraindo orientações da sede, e depois foram repreendidos porque os negócios não deram certo".

Empréstimos que tinham seres humanos como garantia e não eram pagos tinham impactos diretos na vida dessas pessoas.

Em 1869, o Barão do Turvo, fazendeiro carioca que tinha uma dívida com o London and Brazilian Bank, não pagou um empréstimo que devia.

"O banco então entrou com um processo para recuperar o dinheiro, e como havia pessoas escravizadas como garantia, elas sofreram a consequência", diz Mulhern. Advogados do banco então realizam um leilão de 103 escravizados, incluindo famílias com crianças e bebês. Documentos da época compilados por Mulhern mostram como o banco vendeu pelo menos 30 dessas pessoas no leilão — entre elas a pequena Ancieta, uma bebê escravizada de apenas um ano de idade; e as pequenas Adelina e Marcellina, vendidas com 2 e 6 anos.

Lidando com o passado

O movimento americano Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em português), de protesto contra o racismo e contra o assassinato de negros pela polícia, fez com que muitas instituições viessem a público falar sobre seu histórico racista e mostrar que mudaram de postura, inclusive doando dinheiro para instituições de combate ao racismo.

"Historiadores já sabiam dessas ligações, mas o movimento Black Lives Matter trouxe um novo escrutínio sobre esse passado", diz Mulhern.

Após a publicação de um artigo de Joe Mulhern sobre sua pesquisa, o banco Lloyds Banking Group atualizou seu site para incluir um reconhecimento de que pelo menos seis dos 200 bancos que foram incorporados pelo grupo se envolveram com a escravidão, incluindo o London and Brazilian Bank.

"Embora tenhamos muito do nosso passado para nos orgulharmos, não podemos nos orgulhar de tudo", diz o banco.

"Mas se esse debate vai ir além do reconhecimento e levar de fato a algum tipo de reparação ou doação financeira é algo que eu não sei", afirma o pesquisador.

Fonte: BBC

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

ESCRAVIDÃO Agentes federais resgatam trabalhadores em situação análoga à escravidão

Local de trabalho, na Zona da Mata mineira, não oferecia condições mínimas de higiene pessoal
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) resgatam trabalhadores em situação análoga à escravidão. A ação ocorreu em fazendas na região da Zona da Mata mineira, nesta terça-feira (17). Os empregadores foram notificados e um procedimento administrativo será aberto pelo Ministério do Trabalho.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) resgatam trabalhadores em situação análoga à escravidão. A ação ocorreu em fazendas na região da Zona da Mata mineira, nesta terça-feira (17). Os empregadores foram notificados e um procedimento administrativo será aberto pelo Ministério do Trabalho.

A fiscalização conjunta contou com a participação de agentes da PRF, auditores do trabalho, um procurador do trabalho e um defensor público da União.

A operação ocorreu em fazendas nas cidades de Oliveira Fortes (MG) e Matias Barbosa (MG), que ficam a 78 e 30 quilômetros de distância de Juiz de Fora, respectivamente. 

Durante inspeção aos locais de trabalho, agentes federais abordaram 36 trabalhadores rurais que trabalhavam com gado de leite e madeira.

Dessa forma, nove trabalhadores foram resgatados em condições precárias de trabalho, análogas à escravidão. Segundo as informações dos agentes, os empregadores não ofereciam EPIs adequados e a alimentação era transportada junto aos insumos agrícolas.

Além disso, a fiscalização detectou falta de condições mínimas de higiene pessoal, e diversas obrigações trabalhistas eram descumpridas pelos empregadores.

Os fiscais notificaram os donos da fazenda que deverão comparecer ao Ministério do Trabalho de Juiz de Fora. Portanto, conforme a legislação, os fazendeiros devem regularizar a situação dos trabalhadores apresentando os documentos exigidos pelos fiscais.

Além disso, um procedimento administrativo será aberto para que o Ministério do Trabalho avalie as irregularidades. O empregador poderá ser responsabilizado por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Blogueira fitness Juju Norremose faz vídeo com empregada doméstica toda de branco voltando ao trabalho e dançando

Publicação gerou revolta nas redes sociais por estética e discurso escravocrata e elitista; assista


No vídeo, Norremose e um companheiro dançam enquanto a trabalhadora limpa uma cadeira e o chão. A funcionária negra está de branco e também dança, com um pano na mão. O casal é branco. No texto que acompanha a postagem, ela também destaca a felicidade pelo retorno da empregada.
A influenciadora Juju Norremose publicou um vídeo neste sábado (27) em que “comemora” o retorno de sua empregada, que estava sem ir ao trabalho por conta de medidas de isolamento da pandemia de coronavírus.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Jair Bolsonaro autoriza trabalho aos domingos e feriados; veja o que muda

Jair Bolsonaro ressuscita liberação de trabalho aos domingos e feriados. Veja o que muda com a nova MP do governoO presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou nesta segunda-feira (11) a criação do ‘Programa Verde e Amarelo’. Um dos itens do programa autoriza o trabalho aos domingos e feriados para todas as categorias. Hoje, apenas alguns setores, por convenção coletiva, podem atuar nesses dias.

“As normas, para todos os setores, devem estar acordadas em negociação sindical da categoria e, em caso de divergência, prevalece o que ficou definido na negociação”, explica Marcos Lemos, advogado trabalhista.
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou nesta segunda-feira (11) a criação do ‘Programa Verde e Amarelo’. Um dos itens do programa autoriza o trabalho aos domingos e feriados para todas as categorias. Hoje, apenas alguns setores, por convenção coletiva, podem atuar nesses dias.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Após denúncia de escravização, população de país africano quebra templos e quer expulsar Igreja Universal

Pastor africano foi preso após acusar em perfil falso nas redes sociais brasileiros ligados à igreja de Edir Macedo de se apropriarem de dízimos, além de "humilhar, insultar, esmagar e escravizar os (pastores) africanos"

Denúncias publicadas nas redes sociais sobre abusos que a cúpula da Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo, estaria cometendo em São Tomé e Príncipe, na África, gerou revolta na população que depredaram diversos tempos e querem a expulsão da IURD do país.

Entre as denúncias, o pastor Iudumilo da Costa Veloso, usando perfil fake no Facebook com o nome de Laurente Didier, acusa bispos e pastores brasileiros de se apropriar de dízimos recebidos pela igreja, além de “humilhar, insultar, esmagar e escravizar os (pastores) africanos”, segundo reportagem da BBC Brasil.
Denúncias publicadas nas redes sociais sobre abusos que a cúpula da Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo, estaria cometendo em São Tomé e Príncipe, na África, gerou revolta na população que depredaram diversos tempos e querem a expulsão da IURD do país.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

História - Abolição da escravidão em 1888 foi votada pela elite evitando a reforma agrária, diz historiador

Em 13 de maio de 1888, há 130 anos, o Senado do Império do Brasil aprovava uma das leis mais importantes da história brasileira, a Lei Áurea, que extinguiu a escravidão. Não era apenas a liberdade que estava em jogo, diz o historiador Luiz Felipe de Alencastro, um dos maiores pesquisadores da escravidão no Brasil. Outro tema na mesa era a reforma agrária.
O debate sobre a repartição das terras nacionais havia sido proposto pelo abolicionista André Rebouças, engenheiro negro de grande prestígio. Sua ideia era criar um imposto sobre fazendas improdutivas e distribuir as terras para ex-escravos. O político Joaquim Nabuco, também abolicionista, apoiou a ideia. Já fazendeiros, republicanos e mesmo abolicionistas mais moderados ficaram em polvorosa.
O debate sobre a repartição das terras nacionais havia sido proposto pelo abolicionista André Rebouças, engenheiro negro de grande prestígio.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Trabalho escravo: Justiça determina divulgação de 'lista suja'

Decisão complementa-se com a da ministra do STF Rosa Weber, que mais cedo havia suspendido efeitos de portaria do Ministério do Trabalho
Uma decisão da Justiça do Trabalho do Distrito Federal desta terça-feira 24 determinou a divulgação da chamada
Uma decisão da Justiça do Trabalho do Distrito Federal desta terça-feira 24 determinou a divulgação da chamada "lista suja" do trabalho de escravo, uma relação dos empregadores que sujeitaram trabalhadores a condições análogas à da escravidão. 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A portaria de Temer e o chicote na mão do capital

O que testemunhamos é uma ofensiva sem limites contra o nosso povo. Essa decisão não só atende aos interesses daqueles que exploram de forma desumana a classe trabalhadora, como dificulta a fiscalização dos que ainda hoje são condenados a condições de total precarização.
Imbuído de impor uma agenda retrógrada e de total desmonte dos direitos sociais e trabalhistas, o governo Michel Temer, através do Ministério do Trabalho, avança mais uma vez contra a classe trabalhadora ao publicar portaria que dificulta a caracterização do trabalho escravo no Brasil.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A escravização de africanos

Mas por que os escravos eram sempre africanos? Uma possível resposta baseia-se nos diferentes valores das sociedades do mundo atlântico e, mais particularmente, no modo como os grupos de pessoas envolvidas na criação de uma comunidade transatlântica viam a si próprios em relação aos outros — em suma, como eles definiam a sua identidade.
A tecnologia de navegação marítima dos europeus colocou-os em contato próximo e constantes com povos que diferiam mais deles, cultural e fisicamente, do que qualquer outro povo com o qual eles tinham interagido no milênio anterior. Inicialmente — excetuando-se, em parte, a Angola ocidental — os europeus não conseguiam controlar territórios nem na África nem na Ásia. Como os africanos tinham capacidade de resistir aos europeus, as plantations de açúcar foram estabelecidas nas Américas e não na África. Mas se os africanos, com a ajuda de agentes patogênicos tropicais, eram capazes de resistir aos invasores potenciais, alguns deles estavam dispostos a vender escravos para os europeus utilizarem nas Américas. A dominação europeia dos ameríndios havia sido completa — aliás, do ponto de vista europeu, completa até demais. O impacto epidemiológico do Velho Mundo destruiu não só as sociedades nativas americanas como também toda uma fonte potencial de mão de obra
Mas por que os escravos eram sempre africanos? Uma possível resposta baseia-se nos diferentes valores das sociedades do mundo atlântico e, mais particularmente, no modo como os grupos de pessoas envolvidas na criação de uma comunidade transatlântica viam a si próprios em relação aos outros — em suma, como eles definiam a sua identidade.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Quando trabalhar no McDonald’s e no Walmart não te garante um teto

Nos EUA existem trabalhadores que terminam o turno, recolhem os pertences e vão dormir num abrigo
O próximo ocupante da Casa Branca terá de enfrentar problemas estruturais dos Estados Unidos como o dos trabalhadores que, no final de seu turno, recolhem seus pertences e têm de ir dormir num albergue para indigentes.Ao encontro com este jornal, no centro de Manhattan, ela chega atrasada e inquieta. Ao trabalho também chegará alguns minutos depois da hora marcada. Os atrasos se sucedem e se retroalimentam. Como nesse dia ela faz o turno das 15h, provavelmente só voltará para casa depois das 22h e isso, aos 27 anos, é dito a ela como sendo uma falha. Não porque viva no seio de uma família rígida, mas porque essa é a hora limite de chegada ao albergue para indigentes no qual dorme quando sai do trabalho no McDonald’s. Pelo menos esse dia é sábado e ela não tem que organizar para levar e buscar na escola as crianças de oito, sete e quatro anos. Lá também costumam repreendê-la por seus atrasos.Ao encontro com este jornal, no centro de Manhattan, ela chega atrasada e inquieta. Ao trabalho também chegará alguns minutos depois da hora marcada.

sábado, 3 de setembro de 2016

Ministro da Cultura deixa festival sob vaias e gritos de “golpista”

Num romance hoje meio esquecido, “A Segunda Morte de Ramón Mercader”, o escritor Jorge Semprún conta da obsessão de um personagem com a luz da praia capturada pelo pintor Vermeer no quadro “Vista de Delft”. Sua narrativa produziu efeito quase sobrenatural neste leitor, que passou a admirar um quadro que nunca tinha visto.

Foram ao menos duas décadas de espera até reencontrar, em visita fortuita à Mauritshuis de Haia (Holanda), o objeto daquela paixão juvenil e sinestésica -uma imagem sublime impressa na mente por meras palavras.

Diante daquele metro quadrado de óleos luminosos sobre a tela, lágrimas de reconhecimento subiram aos olhos.

Dos trajes senegaleses à pintura das casas antigas, Gorée oferece uma explosão de cores realçadas pela luz intensa do sol
Num romance hoje meio esquecido, “A Segunda Morte de Ramón Mercader”, o escritor Jorge Semprún conta da obsessão de um personagem com a luz da praia capturada pelo pintor Vermeer no quadro “Vista de Delft”.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Wagner Moura: 'Manobra sorrateira da bancada ruralista'

Senado se prepara simplesmente para modificar o conceito de trabalho análogo à escravidão. Medida leva ator a enviar carta ao presidente da Casa, Renan Calheiros.
Até parece jogo de carta marcada. Enquanto a Câmara dos Deputados distrai a todos com os golpes baixos que seu presidente, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e sua trupe aprontam, o Senado se prepara simplesmente para modificar o conceito de trabalho análogo à escravidão.
Quase na surdina.

Esbarrou, porém, nos olhos atentos de três ativistas do combate deste tipo de exploração, cada qual no seu campo: o padre e professor universitário Ricardo Rezende; o jornalista Leonardo Sakamoto; e o ator Wagner Moura.

Esta em pauta no Senado, em caráter de urgência, a votação do projeto de lei que regulamenta a emenda constitucional 81/2014 (antiga PEC do Trabalho Escravo).
Até parece jogo de carta marcada. Enquanto a Câmara dos Deputados distrai a todos com os golpes baixos que seu presidente, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e sua trupe aprontam, o Senado se prepara simplesmente para modificar o conceito de trabalho análogo à escravidão.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Estou sendo processado por divulgar fiscalização de trabalho escravo

A Pinuscam – Indústria e Comércio de Madeira Ltda está movendo um processo criminal por difamação contra este jornalista por ter disponibilizado, neste blog, um link para uma lista com o nome de empresas que foram alvo de operações de resgate de trabalhadores em condições análogas às de escravo pelo governo federal. Uma informação de natureza pública, fornecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, via Lei de Acesso à Informação, que não veio acompanhada de comentários ou juízos de valor sobre a empresa.
A Pinuscam – Indústria e Comércio de Madeira Ltda está movendo um processo criminal por difamação contra este jornalista por ter disponibilizado, neste blog, um link para uma lista com o nome de empresas que foram alvo de operações de resgate de trabalhadores em condições análogas às de escravo pelo governo federal.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

O Brasil vai desistir de combater o trabalho escravo?

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que altera o conceito de trabalho escravo contemporâneo, facilitando a vida de quem se utiliza desse crime.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A relação entre o racismo e a guerra às drogas

Entenda como a guerra às drogas alimentou e continua a estimular o racismo no Brasil e no mundo. 
18 de Junho de 1971 – o então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, fazia um discurso histórico e declarava: – As drogas são nosso inimigo público número um. Tais afirmações viriam acompanhadas de severas medidas contra o porte, o consumo e a venda de diversas substâncias psicoativas naturais e sintéticas – era o início da política de “guerra às drogas”. modelo imposto por Nixon foi rapidamente adotado ao redor do mundo. Em questão de pouco tempo, vendedores de plantas e compostos químicos começaram a ser tratados como terroristas em ameaça à segurança e à saúde pública. Juntamente com as substâncias, foram também enquadrados seus portadores e consumidores, aumentando exponencialmente a lotação dos presídios: só nosEstados Unidos, a população carcerária aumentaria mais de 140% só nos primeiros 10 anos de aplicação da política.
18 de Junho de 1971 – o então presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, fazia um discurso histórico e declarava: – As drogas são nosso inimigo público número um.

Tais afirmações viriam acompanhadas de severas medidas contra o porte, o consumo e a venda de diversas substâncias psicoativas naturais e sintéticas – era o início da política de “guerra às drogas”.