domingo, 10 de janeiro de 2016

A História pula fogueiras

Luís Fernando Veríssimo, em sua coluna dominical em O Globo, faz um registro muito bom para a turma que anda querendo a volta de um regime autoritário saber o que é a “liberdade de imprensa” desta turma.
O nome de Brizola foi omitido de uma geração – a minha – e, entretanto, ele pulou a fogueira das liberdades e do tempo, como a foto genial do Guina Ramos – leia sobre ela aqui – registra nem tão metaforicamente.

Mas prevaleceu o que Brizola sempre amou e reverenciou: a memória popular.

Era o “fio da História”, como se referia sempre ele ao tratar da tesoura com que a direita mais autoritária tentava fazer cortar a caminhada inevitável  de um país que tem destino próprio e  de um povo que deseja justiça.
Luís Fernando Veríssimo, em sua coluna dominical em O Globo, faz um registro muito bom para a turma que anda querendo a volta de um regime autoritário saber o que é a “liberdade de imprensa” desta turma.
O nome de Brizola foi omitido de uma geração – a minha – e, entretanto, ele pulou a fogueira das liberdades e do tempo, como a foto genial do Guina Ramos – leia sobre ela aqui – registra nem tão metaforicamente.
Mas prevaleceu o que Brizola sempre amou e reverenciou: a memória popular.
Era o “fio da História”, como se referia sempre ele ao tratar da tesoura com que a direita mais autoritária tentava fazer cortar a caminhada inevitável  de um país que tem destino próprio e  de um povo que deseja justiça.
Como agora tenta, de novo.
E à fogueira, outra vez, a História pulará, como o faz desde o tempo da Inquisição.

O i-mencionável

Luiz Fernando Veríssimo, em O Globo
Da série “Quem diria?”.
Comecei a ter um espaço assinado no jornal em 1969, na chamada “época brava” da ditadura. Governo Médici, censura à imprensa… Tudo o que tem gente desfilando hoje para trazer de volta. A gente vivia testando os limites do que podia ser dito. Não era raro escrever-­se crônicas que, obviamente, não seriam publicadas, só para desabafar. Nestes casos, tinha-­se sempre uma crônica de reserva, sobre a vida sexual dos anjos, para substituir a censurada. Apelava-­se muito para metáforas, na esperança de que os leitores entendessem as referências veladas à repressão, o que quase nunca acontecia. Alguns limites do permitido eram claros. Críticas ao governo ou a militares, nem pensar, por exemplo. Outros limites eram menos explícitos. Certa vez, proibiram uma crônica minha para o rádio porque comentava a Teoria de Darwin sobre a evolução das espécies, que, tantos anos depois da sua publicação, não teria mais nada de subversiva. Nunca entendi. Talvez a teoria da evolução lembrasse macacos, macacos  lembrassem gorilas, e gorilas lembrassem, metaforicamente, generais. Enfim, os tempos eram assim.
O que, definitivamente, não podia era mencionar certos nomes. Dom Hélder Câmara, jamais. E mais grave ainda: Brizola. Se pudesse, a ditadura não só proibiria que se pronunciasse o nome Brizola em todo o território nacional, como invadiria o cartório em que seu nascimento foi registrado e queimaria tudo, apagando qualquer traço da sua existência. Ou mandaria exterminadores ao passado para eliminar sua ascendência por várias gerações. No fim, sua existência não pôde mais ser negada, e a ditadura permitiu sua volta ao Brasil e à sua carreira. E o perigoso agitador, a alternativa armada e voluntariosa à moderação do Jango, o fantasma que assombrou os generais durante tanto tempo, o i­mencionável Brizola, ainda teve uma respeitável sobrevida política.
Há dias o nome de Brizola foi incluído, quem diria, no Livro dos Heróis da Pátria, no Panteão da Pátria e da Liberdade. Brizola finalmente mencionado, com honras.

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