quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Trabalhadores acreditam que Conselhão deve orientar nova agenda

A mudança da política econômica, a recuperação dos investimentos públicos e privados e uma nova dinâmica para a indústria nacional, além da previdência, serão alguns dos assuntos que os representantes das centrais de trabalhadores do país colocarão na mesa na primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão. Entre os temas do encontro, que será realizado nesta quinta (28), em Brasília, está a retomada do desenvolvimento.  
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, que também faz parte do Conselho, afirmou ao portal Rede Brasil Atual que, apesar do perfil consultivo, o Conselhão tem potencial para “consertar certas coisas que, em 2014, por causa das eleições, e em 2015, por causa de crise política, vão dando a impressão de que o Brasil não tem saída e que o modelo popular que visa a um Brasil mais igual está esgotado. E não está”.
Adilson Araújo, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), e Vagner Freitas, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), são dois dos 60 nomes que compõem o Conselhão.
Em artigo e entrevista divulgadas nesta quarta (27), eles demonstraram otimismo com a possibilidade de levar propostas concretas ao conselho e ter espaço para a defesa dessas propostas, que podem inaugurar uma agenda positiva no Brasil.
“Discutir e promover a retomada do crescimento é tarefa de todos e essa interlocução entre governo e sociedade, proporcionada pelo Conselho, nos dá a oportunidade de contribuir nesta batalha contra a ofensiva neoliberal, responsável por este período de incerteza, estagnação e retrocesso”, afirmou Adilson Araújo.
Na opinião dele, a política do “quanto pior, melhor”, aposta dos principais veículos da imprensa brasileira e da oposição, vai punir o povo e o trabalhador. “O povo pagaria um preço alto assistindo de braços cruzados ao clima de instabilidade política e à paralisia do Congresso Nacional nos temas de interesse da nação”, argumentou. “Entendemos que todo esforço deve ser concentrado no resgate da normalidade institucional”, completou Adilson.
Os trabalhadores têm sido protagonistas na busca da pauta positiva através do movimento Compromisso pelo Desenvolvimento, uma iniciativa das centrais e segmentos do empresariado com propostas concretas para a superação da crise e retomada do crescimento. Na opinião de Adilson, esse “plano estratégico“ deve se incorporar como prioridade ao debate no Conselhão.
Entre as diretrizes do Compromisso pelo Desenvolvimento estão a adoção de políticas de fortalecimento do mercado interno para incremento dos níveis de consumo, de emprego, renda e direitos sociais. O movimento ainda propõe a adoção de políticas de incentivo e sustentabilidade do setor produtivo (agricultura, indústria, comércio e serviços), entre outras.
Legitimidade
De natureza consultiva, o Conselhão tem caráter de aconselhamento. “A presidenta toma a decisão se acata ou não. Mas quando o governo toma atitudes respaldadas, ouvindo a sociedade civil, tem muito mais condições de acertar do que de errar”, disse Vagner Freitas.
“Nós, da CUT, vamos estar lá defendendo as opiniões que temos para o Brasil sobre diversos assuntos que devem ser abordados no conselho, que esperamos seja um fórum para se encontrarem consensos e virarmos a página do Brasil. A pauta do país não deve ser a do impeachment e da Lava Jato, e sim do crescimento econômico, da mudança da política econômica, investimento e mercado interno, soluções para inflação, geração de novos empregos e questões sobe seguridade social com ênfase na Previdência”, completou Vagner.
Combate ao desemprego
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, que também faz parte do Conselho, afirmou ao portal Rede Brasil Atual que, apesar do perfil consultivo, o Conselhão tem potencial para “consertar certas coisas que, em 2014, por causa das eleições, e em 2015, por causa de crise política, vão dando a impressão de que o Brasil não tem saída e que o modelo popular que visa a um Brasil mais igual está esgotado. E não está”.
Ele ressaltou a importância de colocar no debate do fórum desta quinta questões relativas ao financiamento para a base industrial. “De onde virá (o financiamento), como realizar e chegar na ponta da produção”, questionou Rafael. Ele também citou a cadeia do regime tributário. “É muito baseado em tributar a produção industrial. A indústria é grande empregadora, geradora de oportunidades e tecnologia e país forte é país com indústria”, disse.

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