terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O Racismo nosso de cada dia. Alguns fatos deploráveis de 2015

Em novo caso de tensão racial, policial branco é detido por matar homem negro com 8 tiros. Vídeo flagra momento do assassinato. Agente está preso e poderá pegar de 30 anos a prisão perpétua
Um dramático vídeo [abaixo] que mostra um policial branco da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, atirando contra um homem negro que estava fugindo, levou as autoridades norte-americanas a apresentarem uma acusação de homicídio contra o agente, em meio a indignação da população por uma série de mortes de homens negros desarmados causadas pela polícia. O policial foi preso e se condenado poderá pegar de 30 anos a prisão perpétua.
Em novo caso de tensão racial, policial branco é detido por matar homem negro com 8 tiros. Vídeo flagra momento do assassinato. Agente está preso e poderá pegar de 30 anos a prisão perpétua
Um dramático vídeo [abaixo] que mostra um policial branco da Carolina do Sul, nos Estados Unidos, atirando contra um homem negro que estava fugindo, levou as autoridades norte-americanas a apresentarem uma acusação de homicídio contra o agente, em meio a indignação da população por uma série de mortes de homens negros desarmados causadas pela polícia.
O policial foi preso e se condenado poderá pegar de 30 anos a prisão perpétua.
O vídeo mostra o oficial Michael Thomas Slager disparando oito tiros nas costas de Walter Scott Lamer, de 50 anos.
O prefeito da cidade de Charleston, Keith Summey, anunciou a acusação contra Slager em uma coletiva de imprensa ontem. As autoridades disseram que Scott foi baleado depois de o policial já ter o atingido com uma arma de choque, após uma operação policial na rua no último sábado por causa de um defeito na luz de freio de seu carro.
“Quando você faz algo errado, não importa se você está atrás de um escudo ou é um cidadão comum. Você tem que arcar com as consequências”, disse o prefeito.
Segundo a versão do policial – que trabalhava na instituição há mais de cinco anos – os disparos foram dados porque ele temia que o suspeito tirasse a arma de suas mãos.
“Temos muitos policiais bons. O que ocorreu não é aceitável na Carolina do Sul, nem reflete nossos valores ou a maneira na qual a maioria de nossos agentes atuam”, disse a governadora do estado, Nikki Haley, em nota. “Garanto a todos que haverá um processo judicial completo”.
Scott tinha quatro filhos, estava empregado e não possuía passagem pela polícia.

Tensão

North Charleston, a cidade onde ocorreu este último incidente, tem 100.000 habitantes, sendo que 47% deles são afro-americanos e 37%, brancos. No entanto, 80% do departamento de polícia é composto por brancos, segundo os últimos dados de que dispõe o Departamento de Justiça, de 2007.
Desde o ano passado, uma série de mobilizações acontece nos Estados Unidos contra a morte de civis negros, vítimas de racismo e de abuso de autoridade da polícia norte-americana. Entre os casos mais conhecidos estão do jovem Michael Brown, que andava desarmado na cidade de Ferguson em julho quando foi morto, e de Eric Garner, em julho, em Nova York.
Em março de 2015, outro caso chamou a atenção da imprensa internacional: no dia primeiro daquele mês, a polícia de Los Angeles matou um mendigo negro desarmado.
O racismo nos EUA se repete com frequência e praticamente não sai das manchetes dos jornais. Para quem tem a pele mais escura, a maior ameaça à segurança vem da própria polícia
Eric Garner negro eua
Eric Garner (repordução)
Eric Garner tinha 43 anos, 1,91m e 160 quilos. Obeso, sofria do coração e de asma.
Era camelô, na saída do “ferry” que liga Staten Island aos outros distritos de Nova York: Brooklyn, Queens, Manhattan e Bronx.
Tinha mulher e seis filhos.
Vendia cigarros avulsos, o que irritava os comerciantes da área, que reclamavam de “concorrência desleal”, já que não pagava os pesados impostos que incidem sobre o consumo de tabaco.
Em julho deste ano, debateu-se nas mãos de cinco ou seis agentes policiais, que o derrubaram ao chão – embora um vídeo mostrasse claramente que ele tinha as duas mãos erguidas, em sinal de que se rendia – e lhe aplicaram, entre outros golpes, uma gravata.
– I can’t breathe, I can’t breathe. Não posso respirar, não posso respirar – gritou Garner, onze vezes.
Quando uma ambulância afinal foi chamada, estava morto.
A promotoria distrital instaurou um “Grand Jury”, procedimento que tem a finalidade não de julgar um suspeito, mas de determinar se há suficientes evidências contra ele para processá-lo criminalmente.
O suspeito no caso era Daniel Pantaleo, o que aplicou a gravata. Os demais policiais receberam imunidade, para testemunhar.
Depois de ouvir os demais policiais, outras testemunhas e o próprio Pantaleo, o Grand Jury concluiu que não havia “probable cause” (evidências suficientes) para levar Pantaleo a um julgamento.
Pantaleo e seus colegas são brancos, Garner era negro.
Depois do ocorrido em Ferguson, no estado de Missouri, em que um Grand Jury tampouco encontrou evidências suficientes para processar o policial branco que matou a tiros um jovem negro, a eterna discussão sobre racismo nos Estados Unidos voltou à tona.
Em Ferguson, o policial branco, de 1,93m, disse ter sido aterrorizado pelo negro de 18 anos, que tinha 1,95m e 118 quilos.
O ocorrido em Ferguson é em grande parte envolto em dúvidas e contradições, enquanto em Nova York a evidência de imagem e sons do vídeo torna difícil acreditar que um Grand Jury em que metade dos membros era de negros e hispânicos possa ter sido tão complacente com o policial branco.
A própria existência nos Estados Unidos de uma “raça” que não é raça, a hispânica (dividida em geral pela imprensa entre “hispânicos brancos e não-brancos”), mostra como a cor, as feições e outras características étnicas – o que se chama “racial profiling” – podem dividir e separar os seres humanos.
Casos de negros mortos por policiais brancos são infelizmente corriqueiros em Nova York, cidade com um prefeito branco casado com uma mulher negra, que diz estar determinado a mudar radicalmente o comportamento e mentalidade dos homens e mulheres encarregados de zelar pela segurança da população.
Para quem tem a pele mais escura, a maior ameaça à segurança vem da própria polícia.
Em 2º dia de protestos por morte em Ferguson, multidão vai às ruas em 170 cidades dos EUA. Manifestações foram deflagaradas após Justiça do país negar indiciamento criminal do policial que atirou no jovem negro Michael Brown
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Viatura policial é incendiada em Ferguson em meio a protestos contra a morte do jovem negro Michael Brown. Manifestações foram realizadas em 37 estados dos EUA (Agência Efe)
No segundo dia de manifestações nos Estados Unidos por conta da morte do jovem negro Michael Brown em Ferguson, os protestos se estenderam nesta quarta-feira (26/11) para mais de 170 cidades espalhadas em 37 estados do país.
Milhares de pessoas foram às ruas interditando estradas e pontes para pedir justiça, após o Judiciário norte-americano decidir não indiciar o policial Darren Wilson, responsável pelos seis disparos que mataram Michael Brown, desarmado, no mês de agosto.
Na cidade de Ferguson, no estado do Missouri, as forças de segurança locais usaram bombas de gás lacrimogêneo contra a multidão que protestava. O levante de manifestações registrou, em alguns casos, episódios de maior violência: uma viatura da polícia foi incendiada nesta segunda noite de protestos, por exemplo.
No total, a Guarda Nacional, destacada para patrulhar a região, enviou 2 mil efetivos a Ferguson. Embora a polícia local descreva a madrugada desta quarta como “muito mais tranquila”, 44 pessoas foram detidas pelas autoridades.
Ao redor do país, Washington, Nova York, Los Angeles, Atlanta, Boston, Filadélfia, Oakland e Seattle foram as cidades onde aconteceram as maiores concentrações, que se desenvolveram de forma majoritariamente pacífica, salvo por alguns incidentes isolados e detenções.
As grandes cidades de todo o país estão em alerta por possíveis distúrbios desde a noite de segunda-feira, quando se soube que o agente Darren Wilson continuará livre e não será processado depois que o grande júri do condado de Saint Louis, no Missouri, concluiu que não existem provas suficientes para sua acusação.

Obama

Também hoje, o presidente Barack Obama afirmou que “não há desculpa” para os “atos destrutivos” registrados em Ferguson. No entanto, o chefe da Casa Branca destacou que esse mal-estar social “está enraizado em realidades” que datam de tempos atrás, e aplaudiu as manifestações pacíficas que também foram realizadas.
“Queimar edifícios, incendiar veículos, destruir propriedades pondo as pessoas em risco é destrutivo, e não há desculpa para isso. Esses são atos criminosos, e as pessoas devem ser acusadas se estiveram em atos delitivos”, disse o presidente em Chicago, antes de começar o discurso que tinha previsto para abordar o sistema migratório.

O caso

A morte de Michael Brown em agosto reacendeu a discussão em torno do racismo em forma de violência policial nos Estados Unidos e provocou uma série de protestos em Ferguson. Devido à situação na cidade, o presidente do país, Barack Obama, anunciou uma investigação profunda e independente.
A autópsia feita a pedido da família de Brown revelou que o jovem foi executado com pelo menos seis tiros, sendo dois na cabeça. A confirmação contrasta com a tese apresentada pelos policiais de que Brown teria resistido à prisão. Até o momento, não há informações oficiais de quais circunstâncias motivaram Darren Wilson atirar contra o jovem.
Morador de rua é executado por policiais em Los Angeles à luz do dia. Vídeo que flagrou o assassinato já foi compartilhado mais de 250 mil vezes em menos de 24 horas
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Homem que filmou as cenas de violência diz que policial negro atirou no morador de rua, mas imagens revelam que os tiros foram disparados por outros policiais (Reprodução/Facebook)
Três policiais de Los Angeles mataram, no último domingo, um morador de rua. A execução foi filmada por um pedestre e o vídeo já foi compartilhado mais de 250 mil vezes em menos de 24 horas. Pouco depois do fato, o homem foi declarado morto no local.
A polícia ainda não confirmou se o homem estava armado, mas um porta-voz disse que policiais atendiam a um chamado de roubo na região.
O departamento de polícia disse que os oficiais tentaram usar um equipamento de choque elétrico para dominar o suspeito, mas que ele “continuou brigando e resistindo”.
Ainda no vídeo, uma mulher é vista pegando um cassetete e uma voz, ao fundo, dizendo “Dê o meu bastão”. Vários policiais, então, tentam controlar a mulher, no primeiro plano do vídeo. A ação acaba encobrindo parcialmente o que acontece com o homem ao fundo.
Segundo a versão da polícia de Los Angeles, três agentes, um sargento e dois oficiais atiraram contra o homem quando ele “tentou retirar a arma de um deles durante o incidente”.

Tensão racial

No ano passado, a morte de homens negros desencadearam semanas de protestos nos Estados Unidos.
O caso Michael Brown – um jovem de 18 anos, desarmado, morto por um policial em Ferguson, Missouri, em agosto – gerou protestos por todo o país.
Em janeiro, novas tensões quando policiais em Nova Jersey foram flagrados matando um homem negro que descia de um carro com as mãos para cima.

Caso do goleiro Aranha 
Um simples jogo de futebol pela Copa do Brasil, em agosto do ano passado, foi cenário para outro episódio de racismo. Depois de ver seu time perder por 2 a 0 do Santos, a gremista Patrícia Moreira da Silva foi flagrada por câmeras chamando Aranha, goleiro do time rival, de macaco. 
Patrícia não foi a única a ofender o goleiro, outros torcedores do Grêmio também o insultaram. Na época, Aranha chegou a declarar que ficou chateado com a situação. 
"Já estou dando o recado para ficarem espertos na próxima partida aqui. Tem leis sobre isso, existe campanha no futebol para combater isso, e a gente sabe que o torcedor usa de várias maneiras para desestabilizar o adversário. Dói muito, mas tive de fazer minha parte e reagir", afirmou o goleiro, que pediu para um câmera filmar os insultos.
Depois de identificada, a torcedora do Grêmio foi ameaçada de morte e estupro e teve a casa apedrejada e queimada. Patrícia admitiu que insultou o jogador e viu seu time ser expulso da Copa do Brasil por ofensas racistas.
No futebol, não só no Brasil, mas em outras partes do mundo, é comum episódios de racismo.
Na última quarta-feira,  Elias, do Corinthians, bateu boca com Gonzalez, do time uruguaio Danubio, e saiu reclamando de racismo por parte do lateral do time adversário.
Também no ano passado, um caso envolvendo o brasileiro Daniel Alves ganhou repercussão por aqui. O jogador ironizou um ato racista comendo uma banana atirada no campo em uma partida entre Barcelona e Villarreal, depois que o atleta do time catalão virou a partida garantindo a vitória para o Barcelona. 
PM precisou se despir
Também no ano passado, Edson Lopes, um cabo da Polícia Militar, foi vítima de um episódio de racismo em um supermercado de Vitória, no Espírito Santo.
O policial afirmou na ocasião que foi obrigado a se despir para provar aos seguranças do estabelecimento que não estava roubando dois vinhos comprados minutos antes do ocorrido. 
Por ser negro e estar usando bermuda e chinelo, Lopes declarou na ocasião que os seguranças o confundiram com ladrão.
O rapper Mano Brown, do grupo Racionais MC's, foi detido na tarde desta segunda-feira (6) na Zona Sul de São Paulo. O carro no qual o artista estava foi parado por volta das 16h na Avenida Carlos Caldeira Filho, na altura do número 1.000, na região de Campo Limpo.

Segundo a Polícia Militar (PM), ele foi detido por desobediência, desacato e resistência. O desacato é usado pela PM para configurar casos em que ela julga ter ocorrido ofensa ou "menosprezo ao funcionário público no exercício de sua função".
Mano Brown (Foto: Marcelo Pretto/Divulgação)Mano Brown (Foto: Marcelo Pretto/Divulgação)
O caso foi encaminhado ao 37º Distrito Policial. O advogado do rapper, Rafael Ornaghi, disse que ele irá assinar um termo circunstanciado e será liberado em seguida. Segundo o defensor, Mano Brown foi “levemente agredido” durante a abordagem e discutiu com os policiais, por isso acabou conduzido para a delegacia.
Ornaghi relatou que o cantor foi parado em uma blitz, saiu do carro e os PMs o pediram para colocar as mãos sobre o veículo. Quando Brown fazia o movimento para erguer os braços, um policial encostou nele e o cantor “pediu calma”, ainda segundo o advogado. Em seguida, o PM teria puxado os braços do rapper, o algemado e jogado no chão.
Por volta das 19h50, o secretário de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, o ex-senador Eduardo Suplicy (PT), chegou à delegacia para acompanhar o caso.

Os rappers ficaram conhecidos pelas letras de música sobre a realidade dos negros e pobres brasileiros. Gravado em 1990, o primeiro disco da banda, “Holocausto urbano”, retrata o cotidiano da periferia paulistana. No ano passado, o grupo lançou o álbum "Cores e Valores".
Mano Brown é o principal nome do grupo Racionais MC's. Em 2014, o grupo formado ainda por Edi Rock, KL Jay e Ice Blue completou 25 anos de carreira.

Outros episódios
Mano Brown foi preso em julho de 2004 por desacato à autoridade ao xingar e tentar agredir policiais militares que encontraram uma ponta de cigarro de maconha na roupa do músico. No dia seguinte, ele foi liberado após pagar fiança de R$ 60.
Já em setembro de 2009, o rapper foi detido após uma confusão na torcida do Santos durante o jogo contra o Corinthians no Estádio do Pacaembu, na Zona Oeste de São Paulo. A suspeita era de que ele tivesse participado de um conflito na arquibancada, mas após análise de imagens ele foi liberado.

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