terça-feira, 11 de julho de 2017

Meninas negras são vistas como ‘menos inocentes’ do que brancas, diz estudo

Adultos tendem a achar meninas negras menos inocentes –mais entendedoras de “assuntos adultos” como sexo– do que as brancas. A conclusão foi publicada em um estudo da Georgetown Law, uma universidade da cidade de Washington, nos Estados Unidos. Para a jornalista e socióloga Fabiana Moraes, se realizada no Brasil, a pesquisa mostraria a menina negra ainda mais hipersexualizada.
“Aqui vendemos durante décadas as mulheres negras das mais variadas idades como ‘produto de exportação’”, diz Fabiana, que é professora da Universidade Federal de Pernambuco e autora dos livros “No País do Racismo Institucional” e “Nabuco em Pretos e Brancos” (Editora Massangana), entre outros.
“Aqui vendemos durante décadas as mulheres negras das mais variadas idades como ‘produto de exportação’”, diz Fabiana, que é professora da Universidade Federal de Pernambuco e autora dos livros “No País do Racismo Institucional” e “Nabuco em Pretos e Brancos” (Editora Massangana), entre outros.
Para produzir o relatório “Girlhood Interrupted: The Erasure of Black Girls’ Childhood” (Infância Interrompida: O Apagamento da Infância de Crianças Negras, em tradução do inglês), os pesquisadores da Georgetown entrevistaram 325 adultos de diferentes etnias, níveis de formação e de regiões diferentes dos Estados Unidos.
“A amostra é representativa, e demonstra que esse olhar hipersexualizado sobre meninas negras não é algo relacionado a um ou outro grupo. É, sim, uma questão que nos estrutura socialmente”, fala a jornalista e socióloga.

Menos proteção?

Ainda segundo o estudo americano, meninas negras parecem mais velhas do que meninas brancas da mesma idade e precisam de menos apoio e proteção.
Fabiana Moraes afirma que a imagem hipersexualizada da mulher negra adulta precisa ser desconstruída com urgência para dar novas perspectivas para as meninas negras.
“Isso [a desconstrução] tem de ser feito para que as meninas negras não sejam vistas como promessa de futura diversão, isso quando não são molestadas ainda na infância”, declara a socióloga.
Em comunicado, a coautora do estudo, Jamilia Blake, disse que “as mulheres negras são vistas, historicamente, como agressivas, barulhentas, desafiadoras e hipersexualizadas. Temos um estereótipo social que é perverso. Vai sendo repassado pela mídia e incorporado em nossa história e nas nossas interações sociais”.

Mais poder

Fabiana Moraes sugere um teste prático. “Coloque no Google ‘meninas negras’ mais ‘sexo’. Depois coloque ‘meninas brancas’ mais sexo. O resultado dessas buscas mostra o tipo de visão e de tratamento que é dispensado a essas crianças e adolescentes aqui no Brasil também.”
Segundo a jornalista e socióloga, o estudo mostra que é necessário adotar medidas urgentes. Uma delas seria capacitar os educadores a estimularem um “olhar horizontal” entre as crianças.
“É preciso inserir na vida escolar cotidiana a prática da empatia. Não se trata de uma palavra da moda e, sim, um exercício democrático. Outro ponto que seria interessante é incentivar o aprendizado da história negra/africana, previsto em lei [10.639], mas não aplicado efetivamente em milhares de escolas.”
Fabiana ainda fala que fortalecer a presença de mulheres negras nos espaços de poder –cultural, econômico e social– é importante para quebrar estereótipos, servindo como “faróis” para outras meninas negras se observarem.
“É diferente crescer olhando as imagens de mulheres negras médicas, juízas, professoras, comerciantes, e não contemplando apenas negras de biquíni servindo como instrumento de prazer do próximo.”
Fonte: Geledes

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