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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Comentários misóginos de chefe do comitê olímpico destacam persistente machismo no Japão

Não foi a primeira vez que Mori humilhou mulheres em público


Comentários machistas feitos por um ex-primeiro-ministro e atual presidente do Comitê Organizador Olímpico do Japão (JOC) provocaram forte repercussão no país e em todo o mundo.

A controvérsia não apenas ameaçou acabar, de uma vez por todas, com os jogos olímpicos malfadados de Tóquio, como também enfatizou a discriminação que as mulheres ainda sofrem no país.

Durante uma coletiva de imprensa no dia 3 de fevereiro, o presidente do Comitê Olímpico, Mori Yoshiro (83), comentou que as mulheres “falam demais“:

As reuniões dos conselhos administrativos com muitas mulheres demoram demais. […] as mulheres têm muita rivalidade. Se um membro (feminino) levanta a mão para falar, todas as outras sentem a necessidade de falar também.

Os comentários intempestivos provocaram uma avalanche: as hashtags #DontBeSilent, #GenderEquality e #男女平等 (também “igualdade de gênero”) foram destaques no Twitter, com muitas pessoas compartilhando a indignação diante dos comentários do presidente do Comitê.

Várias embaixadas europeias no Japão incluíram as hashtags em tuítes de fotos de funcionários erguendo as mãos em protesto contra os comentários de Mori.

Nojo Momoko, de 22 anos, representante do No Youth, No Japan, um grupo dedicado a incentivar jovens a se tornarem mais ativos na política, lançou uma petição on-line assinada por mais de 140 mil pessoas até agora em apenas uma semana.

Por favor, assine nossa petição!

Solicitamos que o recente comportamento do presidente Mori de Tóquio 2020 seja devidamente abordado, e que medidas sejam tomadas para garantir que comportamentos semelhantes não sejam tolerados no futuro.

Diante das críticas imediatas, primeiro, Mori defendeu seus comentários dizendo que “não fala muito com mulheres”. Ele fez uma retratação completa, mas pareceu resistir a renunciar ao cargo de presidente do Comitê Olímpico.

Essas não foram as primeiras declarações públicas do presidente que humilharam as mulheres. Após a recente polêmica, a ex-chefe da União de Rúgbi do Japão revelou que Mori havia feito comentários machistas a ela em 2013.

Em 2014, como recém-nomeado chefe do JOC, ele criticou Asada Mao, uma superestrela da patinação artística no Japão, por não ter concluído um salto triple axel nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, em Sochi, na Rússia.

Durante seu curto mandato como primeiro-ministro em 2000, Mori cometeu tantas gafes – algumas delas sugestivas da retórica ultranacionalista do tempo de guerra – que há uma seção de sua página na Wikipédia dedicada exclusivamente a elas.

A gestão de Mori durou apenas um ano antes de sua renúncia com um índice de aprovação pública de 8%. Depois de se aposentar em 2012, acabaria sendo nomeado “conselheiro supremo” da Associação de Esportes do Japão. Ex-jogador de rúgbi, foi então escolhido para liderar o JOC em 2014.

Sob sua liderança, o Comitê Olímpico parece não correr o risco de ser “forçado” a ouvir vozes femininas: dos 25 integrantes do conselho do JOC, apenas cinco são mulheres. Isso ocorre apesar de uma meta política do Comitê, baseada em um código de governança para organizações esportivas, que determina que pelo menos 40% de seus diretores sejam mulheres.

Na verdade, Mori parece não saber quantas mulheres realmente fazem parte do conselho do JOC: 

Os comentários machistas do presidente do JOC ficam ainda piores.
Asahi: ele também disse que “as atuais 7 integrantes do JOC sabem qual é o seu lugar.” (São apenas 5; ele nem consegue contar as mulheres corretamente). Os outros integrantes do JOC riram junto com ele. É esse o tipo de Olimpíada que queremos, @iocmedia?

Embora seus comentários tenham sido classificados como um “estilo de liderança patriarcal e obsoleto”, o apoio a Mori por homens em posições de liderança sugere que atitudes machistas e contra mulheres são, de fato, bastante comuns, e a principal razão pela qual o Japão é tão comumente considerado um “país subdesenvolvido para mulheres“.

Homens poderosos uniram forças para proteger o atual presidente das críticas. Por exemplo, o primeiro-ministro Suga Yoshihide (72) inicialmente se recusou a comentar, alegando não estar familiarizado com os comentários de Mori. Mas, como a reação pública continuou a crescer, ele admitiu que os comentários “não eram desejáveis para os interesses nacionais”, ao mesmo tempo em que não pediu ao presidente do JOC que renunciasse.

Mori também recebeu o apoio de muitos outros japoneses famosos, incluindo o político influente Nikai Toshihiro (81) e Nakanishi Hiroaki (74), que atua como presidente do conglomerado Hitachi e do grupo de lobby da indústria Japan Business Federation (Keidenran).

Nakanishi deu a entender que a reação às observações de Mori é um exemplo da “cultura de cancelamento”: 

Keidanren Nakanishi: “Honestamente, eu sinto que, na sociedade japonesa, muitas pessoas entendem perfeitamente as observações de Mori.

Se você for honesto o suficiente para colocar isso em palavras, será perseguido na Internet. Estou um pouco assustado. “

Observadores apontaram que Mori fez comentários misóginos na presença de altos funcionários do Comitê Olímpico do Japão, que riram em resposta.
 

Do The New York Times …

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Mas o problema é que ninguém o impediu. A grande notícia é que ele disse isso no local oficial de reunião do JOC, no qual repórteres estavam presentes e ninguém impediu a discriminação.

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É assim (tuíte acima) que o Times deveria ter relatado a história.

Foi revelado que Mori colocou seu cargo à disposição devido a seus comentários, mas o JOC o isolou de críticas, temendo que sua renúncia colocasse os Jogos em risco. Inicialmente, a Comissão Olímpica Internacional (COI) também se recusou a criticar o presidente por seus comentários.

À medida que quase 400 voluntários olímpicos e dois portadores da tocha desistiram em protesto, uma ex-atleta olímpica enfatizou que os comentários de Mori podem ter violado o código de ética do COI: 

 

A ex-judoca olímpica japonesa, Noriko Mizoguchi, medalhista de prata, destaca a cláusula do código de ética do COI, que protege os direitos humanos e rejeita qualquer forma de discriminação

O presidente Mori parece não ter lido, ou entendido, esta cláusula …

É hora de o COI intervir.

Os comentários também expuseram a impopularidade dos Jogos Olímpicos de Verão de Tóquio, que já haviam sido adiados de 2020 para 2021. Uma pesquisa realizada em 6 de fevereiro, três dias após as declarações de Mori, revelou que apenas 14,5% dos japoneses acham que os Jogos deveriam ser realizados como planejado.

A contínua pandemia da COVID-19 e a lenta vacinação no Japão representam desafios para a realização dos jogos remarcados para este ano. 

Esta faixa em Tóquio pede que o chefe olímpico Mori renuncie. Nela também está escrito: “Cancelem os Jogos de Verão e concentrem-se na prevenção do coronavírus”. Eu não poderia concordar mais.

Enquanto o governo japonês gasta 15 bilhões de dólares nos jogos que ainda não têm estratégias claras de mitigação da COVID-19, uma classe cada vez mais empobrecida de trabalhadores temporários ou freelancers luta para sobreviver. Os cortes de empregos no país durante a pandemia também afetaram as mulheres de forma desproporcional.

Mesmo as mulheres que têm carreiras de prestígio e estão aparentemente em posições de poder podem estar em desvantagem no Japão.

Mari Miura, professora da Faculdade de Direito da Universidade de Sophia, especializada em ciências políticas e de gênero, observa que as mulheres que Mori desacreditou por “falarem demais” são provavelmente excluídas propositalmente dos processos de tomadas de decisão:

Mori acha que, em comparação com os homens, que sabem quando não falar, as mulheres são mais propensas a se envolver em discussões em reuniões formais. […] Porém, as verdadeiras discussões acontecem em reuniões [entre os homens] nos bastidores, como em jantares. [Em reuniões formais], os homens, então, concordam [sem discussão] o que já foi oficialmente decidido.

O machismo enraizado também desencoraja as mulheres mais jovens a se manifestarem. Aradhna Krishna, uma conhecida inovadora de marketing, professora da Ross School of Business, lamenta que as observações de Mori e a aceitação tácita de outros homens no poder sejam um exemplo do por que as vozes femininas estarem frequentemente ausente:

Como professores, tentamos fazer com que as mulheres falem mais nas aulas. Por que tantas ficam tão caladas? Os comentários do chefe das Olimpíadas de Tóquio oferecem uma explicação. Ele declarou que as mulheres falam demais e que seu tempo de conversação deveria ser limitado. Eu acho que ELE precisa de uma mordaça.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Após mobilização popular, 350 famílias evitam despejo em São Paulo durante a pandemia

Na ocupação, vivem 200 famílias de haitianos e há pessoas com sintomas da covid-19Na manhã desta quinta (11), após ampla mobilização popular, a reintegração de posse de um terreno na Avenida do Estado, no bairro do Ipiranga, Zona Sul de São Paulo, foi suspensa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Na ocupação, vivem 200 famílias de haitianos e há pessoas com sintomas da covid-19Na manhã desta quinta (11), após ampla mobilização popular, a reintegração de posse de um terreno na Avenida do Estado, no bairro do Ipiranga, Zona Sul de São Paulo, foi suspensa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. 

A Polícia Militar chegou a ir até o local, mas, por conta da decisão provisória, foi impedida de desocupar a área. A ocupação acolhe 350 famílias, sendo 200 de imigrantes haitianos.

“Foi uma madrugada difícil, de muita apreensão. A gente tentou até os últimos recursos", conta Andy Henrique, produtor cultural e uma das lideranças entre as famílias. O juiz da 1º Vara Regional do Ipiranga, havia negado agravo apresentado pelos moradores, pedindo a suspensão do despejo diante da pandemia de covid-19.

"A gente tinha informado que nós estamos em um momento de pandemia, de covid, que a informação é se manter em casa, isolado. E o juiz quis tirar as famílias e botar na rua”, relata Henrique. 

A reintegração foi autorizada por decisão de Luis Fernando Cirillo, juiz da 1ª Vara Cível do Foro Regional do Ipiranga. No dia 22 de janeiro, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo já havia pedido a suspensão da reintegração, que foi ignorada pela Justiça.

Em sua manifestação, a DPE-SP apontou que 30 pessoas estavam com sintomas de covid-19, e que portanto deveriam ficar isoladas em suas casas. A situação foi confirmada por André Araújo, advogado popular que acompanha as famílias e hoje esteve à frente das negociações com a PM. 

“A situação é preocupante. Nós temos de 25 a 30 pessoas com sintomas da covid-19, inclusive trouxeram para gente casos confirmados. 70% daqui são haitianos, existem venezuelanos e outras nacionalidades da África”, apontou.

"É uma vitória pela conservação da dignidade da pessoa humana e cidadania", comentou sobre a suspensão da reintegração de posse.

Segundo Jennifer Carla, uma das moradoras, a maioria das famílias ocupou o terreno por não ter condições de pagar aluguel. Muitos moradores estão desempregados e sofrem pela falta do Auxílio Emergencial. 

“Mulheres grávidas, crianças, tem cinco deficientes, pessoas com paralisia, pessoas com síndrome de down. A maioria desempregada. Para não ter que morar na rua, ocupamos esse local que estava abandonado”, explicou.

Uma das estrangeiras é a haitiana Amanis Medelis, mãe de seis filhos. Hoje, ela não tem renda fixa e vive de vendas esporádicas de comidas típicas de seu país na Feira do Brás. 
“Não consigo fazer nada. Agora na pandemia a vida está difícil, morar é difícil. Para nós trabalhar aqui, para mandar para nossa família, tá difícil”, lamentou a imigrante. 

“A gente vai lutar. Lutar para ver se a gente vai conseguir morar. Porque a gente não tem para onde ir”, completou.

O terreno na Avenida do Estado pertence à construtora St. Raphael Empreendimentos Imobiliários, que pretende construir um empreendimento imobiliário no local. A área, porém, é demarcada como Zona Especial de Interesse Social (ZEIS-3,) e conforme o Plano Diretor Municipal, deveria ser destinada para a construção de moradias populares.

O advogado da empresa foi até o local e lamentou a suspensão do despejo: “Eu acho até desumano com esses policiais, manter todo esse aparato aqui, para esperar uma decisão. Se o tribunal entendeu que vamos suspender, vamos respeitar, mas não concordamos com a decisão. É frustrante”, afirmou em entrevista para os jornalistas presentes no local, garantindo que irá recorrer da decisão e que a desocupação deve ocorrer em no máximo dois dias.

Já os representantes da Prefeitura e do governo do Estado de São Paulo não compareceram. Além dos advogados, apenas a PM esteve presente em frente à ocupação na manhã desta quinta (11).

Na portaria 131/2015, da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), está previsto auxílio-aluguel e atendimento habitacional provisório para famílias com “insuficiência da renda”. Segundo as famílias, porém, a gestão municipal alega que os ocupantes não se enquadram nesta legislação. 

“Nós precisamos de moradia. Todos aqui somos cidadãos brasileiros, alguns haitianos. Todos precisam de moradia. Prefeito, nós precisamos de moradia. Vice-prefeito, nós precisamos de moradia. Setor de habitação, secretário, nós precisamos de moradia", ressalta Inaldo Miranda da Silva, atualmente desempregado.

'Vocês não estão apoiando a gente. Não teve uma assistência social aqui hoje, eles não vêm, eles têm que cumprir com o papel deles. Eu votei neles, vou cobrar deles um por um. Não estou aqui para fugir."

Após a PM deixar o local, as famílias saíram em marcha até a sede da Secretaria Estadual de Habitação para reivindicar uma resposta da gestão municipal. Mas até o fechamento desta reportagem, as 350 famílias não tinham sido atendidas.  

Em 2020, em plena fase mais crítica da pandemia da covid-19 no Brasil, 6.373 famílias foram expulsas de suas casas. Isso equivale a 34 famílias colocadas na rua diariamente, tendo que lutar contra o vírus e o desemprego.

O mapeamento dos despejos no país foi feito entre 1º de março e 31 de agosto, por 40 entidades que integram a Campanha Despejo Zero.

Na cidade de São Paulo, foram 2.430 famílias despejadas em 2020, o dobro de 2019, segundo levantamento do Observatório de Remoções —coordenado por Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo ​(FAU-USP), Universidade Federal do ABC (UFABC) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). 

Outro lado

Questionada pelo Brasil de Fato, a Prefeitura Municipal de São Paulo não se manifestou até o momento.

Em nota, a St. Raphael Empreendimentos Imobiliários diz estar ciente de que o terreno é uma área de interesse social, mas nada impede que a área seja reformada e destinada “à sua operação existente antes da mudança do Plano Diretor”.

Ainda segundo a empresa, a alegação da Defensoria e do advogado das famílias é “irreal e não corresponde com a verdade” . Afirma também que no local “não tem mais do que 100 pessoas” e que “não existem residências de fato consolidadas”.

A construtora alega também que a desocupação “só levou um tempo tão longo para ocorrer porque a Justiça entendeu que seria melhor aguardar as festas de final de ano”.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

LÍDERES DA OPOSIÇÃO NA CÂMARA CRITICAM AUTONOMIA DO BANCO CENTRAL

Nesta quarta-feira, 10, será votado no plenário da Câmara dos Deputados o projeto que concede autonomia ao Banco Central.

A medida é considerada impopular por transferir o controle do principal banco do país para o sistema financeiro.

Líderes dos partidos de oposição na Câmara criticaram a proposta anunciada pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

Nesta quarta-feira, 10, será votado no plenário da Câmara dos Deputados o projeto que concede autonomia ao Banco Central.

A medida é considerada impopular por transferir o controle do principal banco do país para o sistema financeiro.

Líderes dos partidos de oposição na Câmara criticaram a proposta anunciada pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

Fonte: O Cafezinho 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Acusado de abusos e canibalismo, ator de Hollywood tem contratos cancelados

Ator tem trabalhos cancelados em Hollywood após vazamento de conversas sobre canibalismo. Além disso, ex-namorada relatou abusos e tortura: "era amarrada e agredida constantemente"

Enquanto o mundo ainda engatinha por 2021 em tom de esperança, já tem gente em Hollywood se preparando para um ano bem difícil. É o caso de Armie Hammer, ator americano de 34 anos, estrela de filmes como “Me chame pelo seu nome”, “A rede social” e “Rebecca – A mulher inesquecível”, remake do clássico de Hitchcock lançado em 2020 na Netflix.

Enquanto o mundo ainda engatinha por 2021 em tom de esperança, já tem gente em Hollywood se preparando para um ano bem difícil. É o caso de Armie Hammer, ator americano de 34 anos, estrela de filmes como “Me chame pelo seu nome”, “A rede social” e “Rebecca – A mulher inesquecível”, remake do clássico de Hitchcock lançado em 2020 na Netflix.

No começo de janeiro, vazaram na internet imagens de uma suposta conversa de Hammer com uma mulher, em que o ator se diz “100% canibal”. No bate-papo, ele ainda diz que gostaria de “comê-la” e “segurar seu coração nas mãos e controlá-lo enquanto ele bate”. Em outro momento, ele diz ter “arrancado o coração de um animal ainda vivo e comido enquanto ainda estava quente”.

Desde que as conversas foram postadas em uma conta no Instagram, outras mulheres deram declarações reiterando o teor de diálogos com Hammer não somente sobre fetiches envolvendo canibalismo, mas também abuso e estupro.

Ex-namorada relata abusos

Ainda em janeiro, Paige Lorenze, de 22 anos, deu entrevista ao “Daily Mail” revelando supostos detalhes de seu namoro com ator. A modelo afirmou que Hammer teria marcado na sua virilha a letra “A” com uma faca como parte de um “jogo sexual”. Lorenze ainda declarou que seu relacionamento de quatro meses com ele foi “profundamente traumático” e que seu ex pode “ferir uma mulher gravemente”. Ela também relatou que era amarrada e agredida constantemente, chegando a ficar com hematomas, e que, na primeira vez em que tiveram relação sexual, ele a obrigou a chama-lo de “papai” e “senhor”.
Em outro incidente mês passado, Armie Hammer chegou a ser interrogado pela polícia durante uma viagem às Ilhas Cayman. Em uma conta privada que mantém no Instagram, o ator havia postado o vídeo com uma mulher amarrada em um quarto de hotel. As autoridades interpelaram o ator após o conteúdo ser denunciado na rede social. Em sua defesa, Hammer disse que se tratava apenas de uma brincadeira e pediu desculpas pelo ocorrido.

Em um comunicado enviado à “Variety”, a equipe de advogados do ator diz que “as histórias que estão sendo perpetuadas na mídia são uma tentativa equivocada de apresentar uma narrativa unilateral com o objetivo de manchar a reputação do Sr. Hammer”. Também via comunicado, o ator diz classificou as acusações como “ataques online viciosos e espúrios”.

Cancelamento em série

Por enquanto, não há processos correndo na Justiça em decorrência das denúncias. Mas Armie Hammer já vem sofrendo na carreira os efeitos de todo este imbróglio. Recentemente, ele foi substituído por Josh Duhamel na comédia “Shotgun wedding”, em que contracenaria com Jennifer Lopez.

Ele também foi dispensado da série “The offer”, da Paramount+, sobre os bastidores de “O poderoso chefão”. E na semana passada perdeu seu contrato com a agência de talentos WME, que o representava em Hollywood.

Só que além dos projetos que ainda seriam filmados, como “Shotgun wedding” e “The offer”, os executivos em Los Angeles começam a concatenar como iniciar a reparação de danos sobre trabalhos já concluídos. É o caso de “Morte no Nilo”, mais nova adaptação para o clássico de Agatha Christie, em que Armie Hammer divide cenas com nomes como Gal Gadot e Kenneth Branagh. O filme foi rodado em 2019, bem antes dos escândalos virem à tona. Sua estreia, adiada por conta da pandemia, está marcada para setembro.

Extraoficialmente, a Disney não assume quais diretrizes deve tomar, mas especula-se que Hammer seja ocultado pelo menos do material de campanha de lançamento do filme, assim como deve ser provável sua ausência em uma possível turnê de lançamento.

Entre outros projetos futuros de Armie Hammer está “Billion dollar spy”, thriller situado na Guerra Fria em que ele contracena com Mads Mikkelsen. Ironicamente, o dinamarquês interpretou o canibal Hannibal na homônima série de sucesso da NBC. O longa ainda não começou a ser rodado.

Também estava no radar da carreira do ator a aguardada continuação de “Me chame pelo seu nome”, de Luca Guadagnino. Por enquanto, o cineasta italiano está trabalhando em outro projeto, estrelado por Timothée Chalamet, que dividiu com Hammer o protagonismo do filme vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado. Curiosamente, o longa tem como fio condutor uma história de amor… canibal.

Em julho de 2020, Armie Hammer se separou da mulher, Elizabeth Chamber, após dez anos de casados. Eles têm dois filhos, de 5 e 3 anos.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Vereadora Giovana Mondardo é alvo de fake news por bolsonaristas em Criciúma

Campanha caluniosa contra vereadora acontece um ano após parlamentar ter denunciado deputado bolsonarista na Comissão de Ética por defender assédio sexual a mulheres.

Construída como tática eleitoral para destruir reputações de adversários e popularizar narrativas equivocadas e perigosas, como o negacionismo à ciência nas medidas de proteção a Covid-19, a máquina de fake news bolsonarista avançou da Capital Federal aos pequenos municípios, subvertendo a democracia e colocando em risco a vida e a economia no Brasil. O necessário combate ao complexo mecanismo de divulgação de calúnias e inverdades precisa ir além da CPI das Fake News e de medidas corporativas como a da plataforma YouTube, que excluiu a página bolsonarista “Terça Livre” essa semana.

Construída como tática eleitoral para destruir reputações de adversários e popularizar narrativas equivocadas e perigosas, como o negacionismo à ciência nas medidas de proteção a Covid-19, a máquina de fake news bolsonarista avançou da Capital Federal aos pequenos municípios, subvertendo a democracia e colocando em risco a vida e a economia no Brasil. O necessário combate ao complexo mecanismo de divulgação de calúnias e inverdades precisa ir além da CPI das Fake News e de medidas corporativas como a da plataforma YouTube, que excluiu a página bolsonarista “Terça Livre” essa semana.

Ao mesmo tempo em que ministros do Supremo e instituições são atacadas, lideranças comunitárias, profissionais liberais e políticos sofrem investidas caluniosas no interior do País. No sul catarinense, o caso mais recente é o da vereadora Giovana Mondardo (PCdoB), jovem de 28 anos, cirurgiã dentista, mestranda em saúde pública e dona da segunda maior votação em Criciúma.

Como nasce uma fake news

Desde terça-feira (2), a artilharia bolsonarista se voltou contra Mondardo, que vem sendo acusada de “acobertar estupro” por blogueiros e partidários do bolsonarismo na região. A fagulha para essa acusação foi um corriqueiro acidente de carro, quando a vereadora esbarrou em uma bicicleta ao sair de um lanche após a sessão que inaugurou o ano legislativo na Câmara Municipal, no dia anterior.

Inicialmente acusada de embriaguez ao volante pelo deputado estadual Jessé Lopes (PSL) em pronunciamento no plenário da Assembleia Legislativa, logo o discurso da claque se metamorfoseou em acusação de acobertamento de estupro, com direito a publicação em jornal de circulação regional em coluna assinada pelo blogueiro bolsonarista André Roldão, e postagem nas redes da presidente do PL local e ex-candidata a prefeita, Júlia Zanatta. Em aplicativos de mensagens, foram distribuídos vídeos de atropelamentos ocorridos em outros municípios associando-os ao ocorrido. Giovana também teve seus dados pessoais e de acesso restrito do DETRAN vazados ilegalmente.

A origem de tudo

Como uma das fundadoras de um coletivo feminista universitário, ainda em 2015, Giovana foi procurada por uma amiga que relatou uma situação de assédio sexual. Segundo a vereadora, à época, a jovem foi acolhida e recebeu suporte e incentivo para que fossem tomadas medidas legais sobre o caso. “Não se obriga uma mulher a denunciar um assédio ou a julga por não fazê-lo, isso seria uma outra violência. Nosso papel é acolher, apoiar e proporcionar um ambiente onde ela se sinta fortalecida e amparada para fazer isso, mas a decisão sempre será dela”, explicou Giovana, que reafirmou seu compromisso em proteger a identidade da vítima enquanto ela assim preferir.

A versão que transformou Mondardo em “acobertadora de estupro” surgiu na manhã do exato dia das eleições de 2020, quando o então candidato a vereador Andriw Loch divulgou em suas redes sociais as acusações. Sem expediente e tempo legal para questionar a calúnia na Justiça Eleitoral, a hoje parlamentar se viu obrigada a passar o domingo da eleição se explicando sobre algo que nunca fez.

Giovana é autora e mobilizadora de petição pública levada a Comissão de Ética da Alesc sobre o deputado bolsonarista Jessé Lopes, onde pedia medidas contra declarações machistas do parlamentar no caso da falaciosa gravidez de uma assessora da Casa D’Agronômica, citando também o caso em que o parlamentar defendeu que o assédio seria um “direito” da mulher, um ataque a campanha “Não é não” contra assédio sexual durante o carnaval de 2020. “Após as mulheres já terem conquistado todos os direitos necessários, inclusive tendo até, muitas vezes, mais direitos que os homens, hoje as pautas feministas visam em seus atos mais extremistas TIRAR direitos. Como, por exemplo, essa em questão, o direito da mulher poder ser ‘assediada’ (ser paquerada, procurada, elogiada…) Parece até inveja de mulheres frustradas por não serem assediadas nem em frente a uma construção civil”, disse o deputado em uma rede social na época.

Jessé foi alvo de ações na Comissão de Ética da Alesc motivados pela Bancada Feminina e por Giovana Mondardo, e ainda é alvo de diversas ações na justiça em decorrência de seus posicionamentos, como é o caso do juiz Marcelo Ferrer, atacado por Lopes após escrever uma carta aos aprisionados de Joinville.

Fake News não podem passar impunes

Iniciativas como a de diversos veículos de comunicação de criar quadros estilo “fato ou fake” contribuem para o enfrentamento a calúnias e mentiras, mas é necessário tratar essa prática pela categoria jurídica que a qualifica, que é a de crime. Por mais que não esteja o termo fake news explicitado no Código Penal Brasileiro, a prática se enquadra nas tipificações de calúnia, difamação, injúria e crime contra a honra.

Sobre os ataques recentes, Giovana Mondardo afirma que está reunindo prints e que deve entrar com medida judicial contra os autores de fake news contra ela. “É preciso enfrentar os gabinetes do ódio e a máquina de destruição de reputações não só nas redes e politicamente, mas também nos tribunais. Essa é a responsabilidade de toda gente séria com a restauração da verdade e o respeito que os debates precisam ter. Respeito por quem pensa diferente da gente é fundamental”, explicou a vereadora.

Fonte: Mídia Ninja

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

PSOL anuncia que polícia investiga ataques a vereadoras trans como crime político

Erika Hilton, Carol Iara e Samara Sosthenes, vereadoras do PSOL, foram alvo de ataques na última semana

“Eu cheguei a conversar com um dos peritos  que foram em casa fazer a perícia e ele disse que existe essa linha de investigação. Existem outras, mas essa linha está sendo assumida pela Polícia Civil, pelo DHPP [Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa]”, explicou Carol Iara, co-vereadora do PSOL e uma das vítimas de violência.

Após sequência de atentados contra vereadoras trans do PSOL, o partido se pronunciou em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (4), declarando que já existe uma linha de investigação aberta que apura a relação entre os três casos e apontam transfobia e motivação política nesses crimes.

“Eu cheguei a conversar com um dos peritos  que foram em casa fazer a perícia e ele disse que existe essa linha de investigação. Existem outras, mas essa linha está sendo assumida pela Polícia Civil, pelo DHPP [Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa]”, explicou Carol Iara, co-vereadora do PSOL e uma das vítimas de violência.

Os casos de atentados contra as vereadoras aconteceram todos na semana que visibilidade trans, que ocorre desde 2004 para demarcar a luta contra a transfobia no Brasil. 

Erika Hilton, foi a primeira a ser ameaçada. Seu gabinete foi invadido no dia 26 por um homem que afirmava ser responsável por ataques virtuais feitos à vereadora. Hilton foi a parlamentar mais votada nas últimas eleições.

Os outros dois atos foram mais graves e configuraram atentado contra a vida. Dois tiros foram disparados contra a casa de Carol Iara, co-vereadora da chapa coletiva Bancada Feminista. Iara estava com a mãe e o irmão no momento do ataque, no dia 27.

O último ataque foi feito contra Samara Sosthenes, integrante do Quilombo Periférico, chapa coletiva também eleita nas últimas eleições. Ela conta que um motoqueiro fez um disparo em frente a sua casa e partiu em disparada, na madrugada do dia 31. 

Após fazer boletim de ocorrência, Sosthenes foi transferida para um local seguro, onde permanece atualmente. Ela acredita que os alvos terem sido corpos trans, pretos e periféricos não foi por acaso. Segundo a covereadora, a motivação teria sido política, com objetivo de tirar dessas pessoas o direito de participar dos espaços tradicionais de poder.

“Ontem começou a sessão plenária na Câmara e, para mim e para o movimento, seria importante eu estar lá presente. Um corpo trans que está circulando, que está sendo visto. Durante essa semana estou impedida disso. Então eles conseguiram algo com isso”, afirmou Samara. 

No ano passado, o Brasil registrou um aumento de 41% no número de assassinatos de pessoas trans. Ao mesmo tempo, nunca tantos cargos de poder foram ocupados por essa população. As eleições municipais de 2020 representaram um aumento de 300% de pessoas trans eleitas. Para Samara, essa tomada de poder é um dos motivos por trás dos ataques.

“A mensagem que eles querem passar é o medo que eles próprios têm da potência que é ter travestis, corpos pretos, mulheres de luta e resistência. Eles têm medo disso. E como eles são covardes, eles agem da forma mais truculenta, que é o que eles sabem fazer, usar da bala, da intimidação e da transfobia”, declara Samara.

Após os casos de violência, a Mesa Diretora da Câmara dos Vereadores de São Paulo decidiu reforçar a segurança das parlamentares. Porém, Samara e Iara não teriam esse direito, já que são covereadoras e não possuem o nome registrado oficialmente no legislativo.


O motivo seria que não há número suficiente de guardas para fornecer segurança a todos os funcionários da Casa que eventualmente registrem boletins de ocorrência por ameaça.

Para Fabiana Pinto, pesquisadora do Instituto Marielle Franco, tal ação configura uma outra forma de violência: a institucional, já que reforça as vulnerabilidades e a impossibilidade das mulheres, trans, negras e periféricas exercerem o direito de fazer política.

A pesquisadora ressalta que a vulnerabilidade dessas pessoas, já existente em um contexto normal, aumenta em um espaço institucional.

"Foi o que aconteceu com a Marielle.  Vai fazer três anos que a gente não sabe quem mandou matar. A gente sabe que a chance de investigação não dar em nada é grande. Por isso a gente atua para que tenha investigação e que as instâncias possam garantir a proteção imediata para essas mulheres”, afirma a pesquisadora. 

Uma das ações coordenadas pelo Instituto é a campanha "Não Seremos Interrompidas", que mobiliza pedidos direcionados aos órgãos públicos como o Ministério Público e Conselho Nacional de Direitos Humanos, pedindo maior atenção na investigação desses casos. Até agora quase 10 mil pessoas já registraram sua denúncia.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Pastor evangélico bate na cara da esposa e faz terror psicológico: “Vai ficar banguela”

VÍDEO: Pastor estapeia esposa na cara e a ameaça deixar “banguela”. Após a repercussão das imagens, mulher gravou vídeo constrangedor ao lado do agressor dizendo que o perdoa

Viralizou nas redes sociais nesta terça-feira (2) o vídeo de um pastor evangélico dando tapas na cara de sua esposa. O agressor seria o Pastor Nilton, da cidade de Ribeirão das Neves (MG).

Viralizou nas redes sociais nesta terça-feira (2) o vídeo de um pastor evangélico dando tapas na cara de sua esposa. O agressor seria o Pastor Nilton, da cidade de Ribeirão das Neves (MG).

“É pastor Nilton.. O que será que os seus fiéis vão pensar do senhor agora? Ficou feio hein?”, escreveu uma internauta junto ao vídeo em uma postagem no Twitter.

A agressão foi filmada por uma pessoa que não teve a identidade revelada. Sem reagir, ela captura o momento exato em que o líder religioso bate no rosto da sua esposa. O homem ainda diz para a mulher “dobrar a língua”, senão “ficaria banguela”.
O vídeo alcançou milhares de pessoas e, por conta da repercussão, o casal foi às redes esclarecer o caso. Segundo a vítima, a agressão ocorreu em 2019 e o pastor teria sido preso.

“Foi gravado no ano de 2019. No ano de 2020, Nilton foi preso e respondeu por Maria da Penha por causa dessa agressão”, diz ela.

No entanto, a mulher afirma que perdoou o homem e eles continuam juntos. O agressor, por sua vez, garante que se arrependeu. “Deus me restaurou, graças a Deus. Restaurou nosso casamento”.

Veja:

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

História - Na Idade Média, desigualdade "marcou" até ossos da população de Cambridge

Analisando esqueletos de 314 pessoas que viveram na cidade inglesa entre os séculos 10 e 14, cientistas perceberam que lesões e fraturas eram mais comuns entre os mais pobres

Durante a Idade Média, a desigualdade social era tanta em Cambridge, no Reino Unido, que

Durante a Idade Média, a desigualdade social era tanta em Cambridge, no Reino Unido, que "deixou marcas" até mesmo nos ossos dos moradores da área, então uma pequena cidade provinciana. A descoberta é fruto de uma análise conduzida por cientistas da Universidade de Cambridge e foi publicada na última segunda-feira (25) no American Journal of Physical Anthropology.

Os pesquisadores examinaram ossadas de 314 indivíduos que viveram entre os séculos 10 e 14 e foram enterrados na região. O objetivo da equipe era coletar evidências de trauma esquelético nos restos mortais, que podem indicar o "nível de sofrimento" enfrentado na vida.

Para avaliar a condição dos esqueletos em relação à classe social, os arqueólogos consideraram corpos enterrados em três sítios arqueológicos diferentes: um cemitério paroquial para trabalhadores comuns, um "hospital" de caridade onde os enfermos e necessitados eram enterrados e um convento agostiniano que enterrava doadores ricos ao lado do clero.


Os pesquisadores catalogaram a natureza de cada quebra e fratura, classificando-as de acordo com o que poderia tê-las causado: acidente, lesão ocupacional ou violência. Segundo as análises de raios-x conduzidas, a equipe descobriu que 44% dos trabalhadores tiveram fraturas ósseas, em comparação com 32% daqueles no convento e 27% dos enterrados no hospital.

"Podemos ver que os trabalhadores comuns corriam um risco maior de ferimentos em comparação com os frades e seus benfeitores ou os internos mais protegidos do hospital", afirmou Dittmar. "Essas eram pessoas que passavam os dias trabalhando longas horas, realizando tarefas manuais pesadas. Na cidade, as pessoas trabalhavam em negócios e ofícios manuais, como ferrareiros e pedreiros, ou como trabalhadores em geral."

À época, Cambridge era principalmente uma cidade provinciana de artesãos, mercadores e fazendeiros, com uma população de 2.500 a 4 mil habitantes em meados do século 13 — e, embora, os mais pobres tenham sofrido com trabalhos braçais, a vida não era fácil para ninguém. O ferimento mais grave notado pelos especialistas, inclusive, foi observado em um frade.


O homem teve fraturas completas no meio de ambos os fêmures, que são os maiores ossos do corpo, situados nas coxas. De acordo com os cientistas, ferimentos do tipo são mais comuns hoje em dia, normalmente causados por automóveis.


"O que quer que tenha causado a quebra de ambos os ossos dessa maneira deve ter sido traumático e, possivelmente, a causa da morte", explicou Dittmar. "Nosso melhor palpite é um acidente de carroça. Talvez um cavalo tenha se assustado e [o frade] foi atingido pela carroça."

Alguns dos ferimentos foram infligidos por outras pessoas, como é o caso de outro frade que sofreu fraturas defensivas no braço e sinais de traumatismo craniano. Como explicam os arqueólogos, lesões esqueléticas relacionadas à violência foram encontradas em cerca de 4% da população, incluindo pessoas de todos os grupos sociais.

De forma geral, as fraturas foram mais comuns em restos mortais do sexo masculino (40%) do que feminino (26%) em todos os cemitérios. Entre os casos observados em mulheres, o que se destacou é o de uma idosa enterrada no terreno da paróquia que parecia ter sido vítima de violência doméstica ao longo da vida.

"Ela teve muitas fraturas, todas curadas bem antes de sua morte. Várias de suas costelas foram quebradas, bem como várias vértebras, sua mandíbula e seu pé", relatou Dittmar. “Seria muito incomum que todas essas lesões ocorressem como resultado de uma queda, por exemplo. Hoje, a maioria das mandíbulas quebradas vistas em mulheres é causada por violência praticada pelo parceiro íntimo.”


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Menino resgatado de barril era torturado há 7 anos e viu réveillon 'por buraco'

Menino era alimentado com cascas de banana, chegou a comer fezes e era 'banhado' com água sanitária misturada em água gelada. Torturas já aconteciam há 7 anos. Conselho Tutelar admite que houve falha no caso. Enfermeira chorou ao ouvir relato da criança

O menino de 11 anos que era mantido acorrentado em um barril em Campinas (SP) era alimentado com casca de banana e fubá cru. As informações são de policiais que participaram do resgate da criança.

O menino de 11 anos que era mantido acorrentado em um barril em Campinas (SP) era alimentado com casca de banana e fubá cru. As informações são de policiais que participaram do resgate da criança.

Ainda segundo a polícia, a criança foi obrigada a comer fezes em momentos de desespero. O Conselho Tutelar já acompanhava o caso há, pelo menos, um ano e vai apurar se houve falha.

Os policiais chegaram no local após denúncia de vizinhos. O menino estava nu, dentro de um barril de metal fechado com uma peça pesada de mármore.

O vídeo do momento em que ele é encontrado mostra que a criança mal conseguia se mexer quando foi encontrada. Ele tinha a cintura, pés e mãos acorrentados. O menino estava há quase cinco dias sem comer, segundo a polícia.

De acordo com a Polícia Civil, o pai disse em depoimento que o filho é muito agitado, agressivo e fugia de casa. Ele alegou que fez isso para educar o menino.

A corporação diz que foi acionada após moradores da região perceberam que o garoto havia deixado de ir para a escola e de brincar com outras crianças do bairro.

No barril, o menino ficava impossibilitado de sentar ou agachar e, com isso, também apresentava pernas inchadas. Os policiais usaram um corta-fios para remover as correntes.
Três pessoas foram presas: o pai do menino, a namorada dele e a filha desta mulher. A princípio, o homem responderá pelo crime de tortura e as mulheres serão responsabilizadas apenas pela omissão. As penas podem variar de dois a oito anos de prisão.

Conselho tutelar

A polícia apurou que o garoto era mantido em situações similares há pelo menos sete anos, quando foi adotado pela família. A mãe biológica afirmava que o homem era o pai biológico do garoto. Um teste foi feito na época, constatando que não era verdade. Mesmo assim, a mãe abandonou o menino com este homem, e ele foi adotado pelas vias oficiais.

Em entrevista coletiva na tarde deste domingo (31), o conselheiro tutelar Moisés Sesion afirmou que houve uma falha no acompanhamento do menino.

Ele, que se disse chocado com o caso, explicou que, assim que o Conselho recebe uma informação de que uma família está em situação de vulnerabilidade, encaminha o caso para órgãos responsáveis.

No caso do menino, ele é acompanhado por profissionais ligados ao Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS) e o Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (Caps-IJ), para a avaliação de uma possível doença psiquiátrica.

Réveillon por ‘buraco da parede’

Em relato feito à equipe de enfermagem do Hospital Ouro Verde, onde segue internado com quadro de desidratação severa, o menino disse que viu o réveillon por um buraco na parede que foi aberto para que ele pudesse respirar.

“Ele disse que viu os fogos de artifício da virada do ano pela fresta que ele tinha acesso, mas dentro do barril.”

“O garoto disse que o pai jogava água sanitária e água fria para dar banho nele. Aquilo me fez chorar”, relatou uma integrante da equipe de saúde.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

De Naiara Azevedo a Neymar Pai: Veja famosos que prestigiaram ataque de Bolsonaro à imprensa

Deputado Daniel Freitas (PSL-SC) diz que artistas presentes em almoço
Deputado Daniel Freitas (PSL-SC) diz que artistas presentes em almoço "assinaram uma carta sinalizando apoio ao presidente Bolsonaro"

O presidente Jair Bolsonaro estava almoçando com um grupo de famosos nesta quarta-feira (27) no momento em que se irritou com a imprensa ao comentar sobre os dados que apontam um gasto de R$ 15 milhões em leite condensado no ano de 2020 por parte do Executivo Federal.

O objetivo do almoço seria discutir soluções para os setores de eventos, turismo e gastronomia, que foram afetados durante a pandemia do coronavírus.
Famosos como Naiara Azevedo, Neymar Pai e Sorocaba participaram do encontro, que ocorreu na churrascaria Vila Planalto, em Brasília. Em fotos que circulam nas redes sociais, também é possível constatar a presença do cantor Arnaldo, da dupla com Diego, o cantor Rick, da dupla com Renner, Amado Batista, Netinho e Marcão do Povo.

O encontro também contou com a presença de deputados e outras figuras do governo Bolsonaro, como Mario Frias, secretário especial de Cultura, e Fábio Farias, ministro das Comunicações.

No Instagram, o deputado federal bolsonarista Daniel Freitas (PSL-SC), que também participou do almoço, informou que os artistas presentes “assinaram uma carta sinalizando apoio ao presidente Bolsonaro”.

Foi neste encontro que Bolsonaro xingou a imprensa por questioná-lo sobre os gastos milionários com alimentos considerados supérfluos durante a pandemia do coronavírus.
“Quando eu vejo a imprensa me atacar, dizendo que eu comprei 2,5 milhões de latas de leite condensado… Vai para a puta que pariu, porra! É pra enfiar no rabo de vocês, imprensa”, disse o presidente.
Além dos custos do leite condensado, foram R$ 16,5 milhões com batata frita embalada, R$ 13,4 milhões com barras de cereais, R$ 21,4 milhões em iogurte natural, R$ 8 milhões em bombons, R$ 2 milhões em chicletes, entre outros. 

Associação de Juízes Federais no RS promete vacina contra covid para associados e familiares

Quando o privilégio econômico fura a fila

Embora muitos países tenham tido dificuldades para obter vacinas enquanto os fabricantes se esforçam para atender à demanda global, o Brasil ostentava  um bom posicionamento mundial até então. O país tem uma longa história de campanhas de vacinação bem-sucedidas ao longo de mais de 50 anos de experiência, somadas a capilaridade do sistema SUS e institutos financiados pelo Estado podem produzir vacinas em grande escala.

Embora muitos países tenham tido dificuldades para obter vacinas enquanto os fabricantes se esforçam para atender à demanda global, o Brasil ostentava  um bom posicionamento mundial até então. O país tem uma longa história de campanhas de vacinação bem-sucedidas ao longo de mais de 50 anos de experiência, somadas a capilaridade do sistema SUS e institutos financiados pelo Estado podem produzir vacinas em grande escala.

O governo federal desperdiçou essas vantagens, apostou na hidroxicloroquina, na cloroquina e em outras substâncias  sem eficácia científica comprovada.   A campanha de vacinação é mais uma das  falhas do Ministério da Saúde, que o presidente Jair Bolsonaro aparelhou com militares da ativa e da reserva sem qualificação técnica  alguma  em saúde pública.

Os atrasos deixam 210 milhões de habitantes do país vulneráveis a um dos piores surtos de coronavírus do mundo. O Brasil registrou mais de 218.000 mortes por Covid-19, atrás apenas dos Estados Unidos, e vacinou menos de 0,5% de sua população.

A população aguarda sua vez na fila e uma programa de vacinação eficaz  do Ministério da Saúde e que o Governo Federal assuma a sua responsabilidade. Por outro lado, como já aconteceu com os testes para a covid-19, o corporativismo e o lucro tomam a frente aonde o Estado falha nas politicas públicas para o bem-estar. Empresários tentam furar a fila para que seus empregados continuem produzindo e os juízes federais resolvem ter um privilégio usando associação corporativa. 

O corporativismo que privilegia

A colunista Rosane de Oliveira, da RBS, que teve acesso ao ofício encaminhado pela Associação dos Juízes Federais do Rio Grande do Sul (Ajufergs) para seus associados nesta terça-feira (26). No documento, a entidade de classe, garantia a compra de vacinas contra covid-19 para todos os seus associados e até oito familiares de cada um.
Os juízes terão a vacina custeada pela associação, e os familiares pagarão R$ 800 pelas duas doses.

O ofício número 001/2021, datado de 26 de janeiro de 2021, diz: “A Ajufergs vai adquirir as doses necessárias para a vacinação de todos os associados contra a covid-19, em conformidade com o processo de compra da vacina Covaxin, já iniciado pela Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC)”. A Covaxin é produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, com larga experiência na produção de vacinas, e já teve seu processo de autorização iniciado junto à Anvisa, “estando inclusive autorizado seu uso emergencial pela autoridade sanitária da Índia”.


Segue o documento: “Ainda, conforme informação da clínica credenciada (Multivacinas), a vacinação ocorrerá por meio de duas doses com intervalo de 28 dias e será realizada em todo o Estado do Rio Grande do Sul”.

Em reunião extraordinária realizada na segunda-feira (25), o conselho executivo decidiu pela participação da Ajufergs no processo de compra corporativo, conforme proposta oferecida, assim como também pelo custeio da vacinação para todos os associados que manifestarem interesse.

“Tendo em vista a provável demora na vacinação por meio do SUS, bem como o fato de que a maioria dos associados não se enquadra nos grupos prioritários, entendeu-se justificada a compra das vacinas neste momento, visando à mais rápida imunização dos associados, ainda que não exista certeza acerca da aprovação junto à Anvisa e da data da efetiva disponibilização da vacina Covaxin”, explica a direção da associação.

A entidade destaca que, neste momento de alta demanda, a ABCVAC está promovendo apenas a venda para o público corporativo e somente as doses remanescentes serão futuramente disponibilizadas ao público individual, possivelmente a um valor mais elevado.

Os associados deverão preencher um formulário (anexo ao ofício) com a indicação do interesse em receber a vacina pessoalmente (custeada pela Ajufergs) ou comprar para até oito pessoas e entregar até o meio-dia de sexta-feira. Os interessados na compra terão de transferir o dinheiro para a conta da Ajufergs e encaminhar o comprovante de transferência bancária para o e-mail ou para o WhatsApp da instituição.

Programas Nacionais  de Imunização (PNI)

Um reconhecimentos da potencialidade, inclusive pela OMS ( Organização Mundial de Saúde) dos Programas Nacionais  de Imunização (PNI) brasileiro, é que um país de extensão continental;” a vacina foi assumida como um direito de todos, seguindo os critérios do SUS  (Sistema Único de Saúde) e sendo realizada de forma gratuita,” . E no caso da covid-19 , ela deveria continuar seguindo:  priorizando grupos de risco.  E não o privilégio econômico para furar a fila.