quarta-feira, 12 de abril de 2017

Gil, Bethânia, Elza, Criolo, Chico César e dezenas de artistas gravam música por demarcação de terras indígenas

A canção “Demarcação Já”, que critica governo e ruralistas em prol da demarcação de terras indígenas, será lançada durante a Mobilização Nacional Indígena, no final do mês de abril. Participaram da gravação dezenas de nomes de destaque da música popular brasileira. Confira a letra aqui
Uma canção em prol da demarcação de terras indígenas será lançada entre os próximos dias 24 e 28 de abril, quando está prevista para acontecer a Mobilização Nacional Indígena. Composta por Carlos Rennó e musicada por Chico César, a canção “Demarcação Já” foi gravada por dezenas de artistas com destaque na cena musical brasileira.
Participaram da gravação, além de Chico César, Arnaldo Antunes, Criolo, Céu, Djuena Tikuna, Dona Odete, Elza Soares, Gilberto Gil, Felipe Cordeiro, Letícia Sabatella, Gilberto Gil, Lenine, Lirinha, Margareth Menezes, Maria Bethânia, Nado Reis, Ney Matogrosso, Russo Passapusso, Tetê Espíndola, Zeca Baleiro, Zeca Pagodinho, Zé Celso (Teatro Oficina) e Zélia Duncan.
Uma canção em prol da demarcação de terras indígenas será lançada entre os próximos dias 24 e 28 de abril, quando está prevista para acontecer a Mobilização Nacional Indígena. Composta por Carlos Rennó e musicada por Chico César, a canção “Demarcação Já” foi gravada por dezenas de artistas com destaque na cena musical brasileira.
Participaram da gravação, além de Chico César, Arnaldo Antunes, Criolo, Céu, Djuena Tikuna, Dona Odete, Elza Soares, Gilberto Gil, Felipe Cordeiro, Letícia Sabatella, Gilberto Gil, Lenine, Lirinha, Margareth Menezes, Maria Bethânia, Nado Reis, Ney Matogrosso, Russo Passapusso, Tetê Espíndola, Zeca Baleiro, Zeca Pagodinho, Zé Celso (Teatro Oficina) e Zélia Duncan.
A composição da música é uma iniciativa do Greenpeace, Instituto Socioambiental, Bem-te-vi em parceria com as produtoras Cinedelia e O2.
A letra da canção foi antecipada pela Folha de S. Paulo. Confira abaixo.
Já que depois de mais de cinco séculos
E de ene ciclos de etnogenocídio,O índio vive, em meio a mil flagelos,Já tendo sido morto e renascido,
Demarcação já!
Sem vir a ver a terra demarcada,
A começar pela primeira no Brasil
Que o branco invadiu já na chegada:
A do tupinambá –
Demarcação já!
Quando os milicos os chamavam de silvícolas,
Hoje um projeto de outras obras faraônicas,
Correndo junto da expansão agrícola,
Induz a um indicídio, vide o povo kaiowá,
Demarcação já!
Que terra indígena pelo país afora;
E já que o latifúndio é só monocultura,
Mas a T.I. é polifauna e pluriflora,
Demarcação já!
E o outro endeusa e diviniza a natureza:
O índio a ama por sagrada que ela é,
E o ruralista, pela grana que ela dá;
Demarcação já!
Tone mantém compacta e muito intacta,
E não impacta, e não infecta, e se
Conecta e tem um pacto com a mata
Demarcação já!
Nem unidades de conservação
Abertas como chagas cancerígenas
Pelos efeitos da mineração
Demarcação já!
O índio é ‘tudo que não presta'”, como quer
Quem quer tomar-­lhe tudo que lhe resta,
Seu território, herança do ancestral,
Demarcação já!
Que linde o seu rincão qual um reduto,
E blinde-­o contra o branco mau e bruto
Que lhe roubou aquilo que era seu,
Demarcação já!
E de não índios, se nem fingem reação
À violência e à violação
Demarcação já!
Que nem por isso deixa de ser índio
Nem de querer e ter na sua aldeia
Cuia, canoa, cocar, arco, maracá.
Demarcação já!
Um alcoólatra, um escravo ou exilado,
Ou acampado à beira duma estrada,
Ou confinado e no final um suicida,
Já velho ou jovem ou – pior – piá.
Demarcação já!
A sua morte sociocultural;
Em outros termos, por nos condoermos –
E termos como belo e absoluto
Demarcação já!
Estão em nós, e somos nós, pois índio é nós;
É quem dentro de nós a gente traz, aliás,
De kaiapós e kaiowás somos xarás,
Demarcação já!
A comover-­nos ao olhar e ver
As árvores, os pássaros e rios,
A chuva, a rocha, a noite, o sol, a arara
E a flor de maracujá,
Demarcação já!
À diferença e à diversidade
De cada etnia, cada minoria,
De cada espécie da comunidade
De seres vivos que na Terra ainda há,
Demarcação já!
Algum mundo por vir; por um futuro
Melhor ou, oxalá, algum futuro;
Por eles e por nós, por todo mundo,
Demarcação já!
E de Maracanãs de mata for pro chão,
Os yanomami morrerão deveras,
Mas seus xamãs seu povo vingarão,
E sobre a humanidade o céu cairá,
Demarcação já!
Cantar, dançar, pra suspender o céu;
E indígena sem terra é todos sem a Terra,
É toda a civilização ao léu
Demarcação já!
Nem mais embaço na gaveta da Justiça,
Nem mais demora nem delonga no processo,
Nem retrocesso nem pendenga no Congresso,
Nem lengalenga, nenhenhém nem blablablá!
Demarcação já!
Ou autodemarcadas pelos índios,
Nem madeireiros, garimpeiros, fazendeiros,
Mandantes nem capangas nem jagunços,
Milícias nem polícias os afrontem.
Demarcação já!

Tal como o povo kadiwéu e o panará
– Demarcação já!
Já que diversos povos vêm sendo atacados,
Demarcação já!
Já que, tal qual as obras da Transamazônica,
Demarcação já!
Já que tem bem mais latifúndio em desmesura
Ah!,
Demarcação já!
E um tratoriza, motosserra, transgeniza,
Hum… Bah!
Demarcação já!
Já que por retrospecto só o autóc
–Sem a qual a água acabará –,
Demarcação já!
Pra que não deixem nem terras indígenas
E de hidrelétricas no ventre da Amazônia, em Rondônia, no Pará…
Demarcação já!
Já que “tal qual o negro e o homossexual,
E já que o que ele quer é o que é dele já,
Demarcação, “tá”?
Pro índio ter a aplicação do Estatuto
Tal como aconteceu, do pampa ao Amapá,
Demarcação lá!
Já que é assim que certos brancos agem:
Chamando-­os de selvagens, se reagem,
De seus direitos, de Humaitá ao Jaraguá;
Demarcação já!
Pois índio pode ter iPad, freezer, TV, caminhonete, “voadeira”,
Demarcação já!
Pra que o indígena não seja um indigente,
Demarcação já!
Por nós não vermos como natural
Seu contributo do tupi ao tucupi, do guarani ao guaraná.
Demarcação já!
Pois guaranis e makuxis e pataxós
Xará.
Demarcação já!
Pra não perdermos com quem aprender
Demarcação já!
Pelo respeito e pelo direito
Demarcação já!
Por um mundo melhor ou, pelo menos,
Que nessa barca junto todo mundo “tá”,
Demarcação já!
Já que depois que o enxame de Ibirapueras
Demarcação já!
Já que, por isso, o plano do krenak encerra
Ao deus­-dará.
Demarcação já!
Sem mais embromação na mesa do Palácio,
Demarcação já!
Pra que nas terras finalmente demarcadas,
Vrá!
Demarcação ontem!
E deixa o índio, deixa o índio, deixa os índios lá.
Fonte: Revista Forum

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