sábado, 21 de novembro de 2015

O que leva uma garota festeira a colocar uma bomba e explodir a si mesma?

O que leva uma garota festeira a colocar uma bomba no seu corpo jovem e explodir a si mesma?

Todos os relatos sobre Hasna Aitboulahcen, a jihadista de 26 anos morta dias depois dos atentados de Paris numa ação policial, coincidem em que ela era como tantas outras mulheres novas destes tempos.
O que leva uma garota festeira a colocar uma bomba no seu corpo jovem e explodir a si mesma?
Todos os relatos sobre Hasna Aitboulahcen, a jihadista de 26 anos morta dias depois dos atentados de Paris numa ação policial, coincidem em que ela era como tantas outras mulheres novas destes tempos.
Gostava de festas. Bebia para se divertir. Fazia sexo sem maiores problemas. Era vaidosa ao se vestir. Apreciava pequenas delícias como tomar banho de imersão com espuma e bolas de sabão.
Nada, enfim, que seja diferente do que todos nós vemos todos os dias.
E em pouco tempo ela está no noticiário de todo mundo. Passara a cobrir o corpo com véus, se radicalizara e estava pronta para matar e para morrer.
É uma transformação muito forte para que possamos acreditar na versão corrente, na mídia ocidental, de que Hasha foi submetida a uma lavagem cerebral.
A rigor, é uma explicação feita para que nada seja questionado.
O problema é que, enquanto não forem encontradas razões reais para o caso de Hasna e de milhares de outros jovens muçulmanos, o ciclo de violência insana vai perdurar.
Responder apenas com bombas ao lastimável episódio de Paris não vai resolver nada. Traz um sentimento de vingança, ajuda na popularidade de líderes ocidentais diante de eleitores assustados e vamos parando por aí.
O fato é que a situação dos países muçulmanos é, há muito tempo, uma fábrica de extremistas e de terroristas.
O alegado mentor dos ataques a Paris, um quase garoto de 27 anos, ilustrou isso perfeitamente numa frase que postou num vídeo alguns meses antes de morrer. “A minha vida toda vi jorrar sangue de muçulmanos”, disse ele.
As atrocidades ocidentais nos países muçulmanos são virtualmente desconhecidas entre nós. Não são notícia.
As bombas despejadas dos infames drones levam terror a crianças, mulheres, velhos. As mortes estão longe de se circunscrever a terroristas.
Mas nada chega a nós.
Só que os relatos de horror entre os muçulmanos circulam velozmente entre eles mesmos, graças à internet.
Que reação você acha que o quadro vai provocar sobretudo entre jovens? Raiva, indignação. Revolta. Desejo de vingança. Desespero.
Estão aí os ingredientes clássicos para que apareçam extremistas dispostos a, como Hasna, colocar um cinto de explosivos e acionar.
“Situações desesperadoras demandam ações desesperadas”, disse, famosamente, o insurgente britânico Guy Fawkes, inspirador do herói do filme V de Vingança.
Fawkes, em 1605, tentou simplesmente explodir o Parlamento britânico num dia em que todo o poder estava reunido lá, do rei aos parlamentares.
É mais simples falar em lavagem cerebral do que enfrentar o problema real: o Ocidente, liderado pelos Estados Unidos, tem que mudar para que a fábrica de terroristas deixe de ser alimentada.
“Estamos acostumados em nossos países com essas cenas”, disseram turistas muçulmanos que estavam em Paris nos dias de terror.
Bombas, sofrimento, inocentes sacrificados: há muito tempo isso é rotina entre os muçulmanos.
Para que não vire rotina também entre nós é necessário que deixe de ser rotina entre eles.
Quando isso ocorrer, garotas como Hasna escolherão um vestido bonito e irão para mais uma festa, em vez de colocar um cinto que a fará em pedaços.

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